13.05.04.02- A Escola Cirenaica

A Era da Sabedoria
7 de outubro de 2018 Pamam

A Escola Cirenaica, que floresceu entre os anos 400 e 300 a.C., recebeu essa denominação em função da cidade na qual foi fundada, que se chamava Cirene. Diferentemente da Escola Cínica, que repudiava o prazer em função da virtude, a Escola Cirenaica, não sendo voltada para a Veritologia, mais propriamente para a moral, tinha como a sua característica distintiva principal o hedonismo, que é a busca incessante pelo prazer, por isso a sua doutrina pregava que o prazer era o bem supremo do homem.

Assim como as doutrinas exercem as suas influências sobre os sistemas, estes também exercem as suas influências sobre aquelas, sejam as doutrinas veritológicos, religiosas ou não, e sejam os sistemas saperológicos, científicos ou não.

Daí a razão pela qual virem os estudiosos do assunto afirmar que a doutrina dessa escola é derivada de Sócrates e de Protágoras, em que através deste se pode perceber a influência dos sofistas na cultura grega. De Sócrates, em função do seu pensamento de que a felicidade é o bem supremo, mas com os cirenaicos distorcendo o seu pensamento. E de Protágoras, pelo seu pensamento acerca da relatividade do conhecimento, quando, na realidade, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não são relativos, mas sim absolutos, incriáveis, imutáveis e ontológicos, pelo fato deles terem o seu repositório no Espaço Superior, prontos para serem percebidos e captados pelos veritólogos, ou mesmo pelos religiosos, estes últimos em relação às parcelas do Saber; ao contrário das experiências físicas acerca da sabedoria, que são relativas, criáveis, mutáveis e empíricas, pelo fato delas terem o seu campo de atuação no Tempo Futuro, ainda não prontos para serem compreendidos e criados pelos saperólogos, ou mesmo pelos cientistas, estes últimos em relação às parcelas do Saber.

O fundador da Escola Cirenaica foi Aristipo de Cirene, que contava entre os seus discípulos com a sua filha Arete e o seu neto Aristipo, o Jovem. Os cirenaicos começaram com o seu questionamento veritológico concordando com o pensamento de Protágoras, através do qual todo conhecimento é relativo. A partir do princípio desse pensamento sofista, os cirenaicos passaram a afirmar que se poderia conhecer apenas os nossos sentimentos, em que aqui se pode constatar claramente que os veritólogos são mais afeitos aos sentimentos, embora Aristipo de Cirene não fosse propriamente um veritólogo, enquanto que os saperólogos são mais afeitos aos pensamentos, ou então às impressões que as coisas produzem sobre nós, em que aqui se pode constatar que os cirenaicos se encontravam sob o domínio da imaginação.

A partir daí os cirenaicos passaram a aplicar esse pensamento sofista nas discussões acerca do problema da conduta humana, ao mesmo tempo em que assumiam o pensamento socrático de que o objetivo principal da conduta é a felicidade, mas concluindo, equivocadamente, que a felicidade é adquirida através da produção de sensações, que proporciona o prazer, mas evitando as sensações que causam a dor.

É deste modo, portanto, que para os cirenaicos o prazer é o objetivo principal da vida. Ressalvando-se aqui que esse prazer não se trata exclusivamente do prazer mundano, mas também do prazer virtuoso, já que eles afirmam que o homem bom é aquele que luta por obter o máximo de prazer com o mínimo de dor, e complementam dizendo que a virtude não se trata de um bem em si mesma, sendo apenas um instrumento para a obtenção do prazer.

 

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