13.05.04.02.01- Aristipo de Cirene

A Era da Sabedoria
7 de outubro de 2018 Pamam

Aristipo de Cirene, que viveu no período de 435 a 356 a.C., não foi um veritólogo grego, sendo apenas um hedonista, mesmo tendo sido um dos discípulos de Sócrates, juntamente com outros discípulos, como Platão, Xenofonte, Antístenes e Fédon. Tendo sido influenciado pelos sofistas, notadamente por Protágoras, ele foi o primeiro dos discípulos de Sócrates a cobrar uma taxa para o ensino, em razão disso, como os saperólogos nunca haviam cobrado nada para ensinar, criou-se um atrito.

Sendo ele o fundador da Escola Cirenaica, tanto acreditou como ensinou que o significado da vida era o prazer e a sua busca, em que através da virtude este era o caminho mais nobre a ser seguido pelos homens.

Muitos estudiosos do assunto não conseguem compreender como Aristipo de Cirene poderia ter sido um discípulo de Sócrates e serem tão diferentes um do outro, em termos de pensamento. Mas acontece que Sócrates era um pensador inato, portanto, um saperólogo que trabalhava mais com o seu intelecto; enquanto que Aristipo de Cirene era um sentimentalizador, mas não propriamente um veritólogo, que por isso trabalhava mais com o seu criptoscópio. Daí a razão de serem tão diferentes um do outro.

E tanto isto procede, que Aristipo de Cirene considerava que a maior verdade que um homem poderia alcançar, era o reconhecimento de que o prazer era verdadeiramente o propósito da existência humana, e a busca do prazer era que fazia todo o sentido da vida. Assim, não sendo um pensador inato, e nem tanto ético, manifestava o seu desprezo por aqueles que davam trato ao pensamento, em busca das soluções para os complexos problemas da vida.

No Diálogo de Platão, Fédon lista aqueles que estiveram presentes na prisão e na morte de Sócrates, em que se constata as ausências de Aristipo de Cirene e Cleômbroto, dizendo que eles foram para a ilha de Egina, conhecida como um recurso do prazer. Pelo que se pode constatar, Platão não aprovava Aristipo de Cirene, pois que mostrou o quão superficial era o seu pensamento em relação ao prazer, e tanto isto procede que Diógenes Laércio menciona Platão contra Aristipo de Cirene em sua obra intitulada de Livro Sobre a Alma, como era chamado o Fédon.

Para Aristipo de Cirene, os valores que se referem ao bem e ao mal, são todos redutíveis ao prazer e a dor, em que a autossatisfação é um grande bem para o homem conseguir o autodomínio, mas, mesmo assim, afirmando que o homem não deve ser possuído pelas coisas que proporcionam prazer. Segundo nos conta Diógenes Laércio, quando ele foi criticado por manter uma amante muito cara chamada de Laís, ele assim respondeu:

“— Eu tenho a Laís, mas ela não me tem”.

Aristipo de Cirene viveu na corte tirânica de Siracusa, não se sabe se do tirano Dionísio I, ou se do seu filho Dionísio, o Jovem, uma vez que as fontes históricas fazem referência apenas a Dionísio, sem esclarecer se era o pai ou se o filho, que tendo ambos os caracteres semelhantes, pode ter sido qualquer um dos dois. Lá, ele foi altamente remunerado pelos seus ensinos e escrita. Quando Dionísio lhe indagou acerca do seu papel na sua corte, ele assim respondeu:

“— Quando eu queria sabedoria fui direto para Sócrates, mas agora que eu quero dinheiro, eu vim direto para você”.

Na corte de Dionísio, ele viveu cercado de muito luxo, assumindo a função de conselheiro, ensinando a sua aretê sobre o hedonismo, cujos ensinamentos iriam mais tarde influenciar o epicurismo sobre a primazia do prazer na vida.

Não sendo Aristipo de Cirene verdadeiramente um veritólogo, de qualquer modo, ao influenciar o epicurismo, ele merece ser citado nos anais da História. E como ele não buscou a verdade em toda a sua vida, isto explica a razão pela qual ele não chegou a se referir à espiritualidade e nem a Deus.

 

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