13.05.04.01.01- Antístenes

A Era da Sabedoria
7 de outubro de 2018 Pamam

Antístenes encarnou no ano 445 a.C., em Atenas, e desencarnou no ano 365 a.C., também em Atenas, com a idade de oitenta anos. Foi um veritólogo grego considerado o fundador da Escola Cínica, que aprendeu retórica com Górgias antes de se tornar um discípulo de Sócrates. Era filho de um ateniense com uma escrava trácia, por isso não tinha nem o título e nem o direito de cidadão ateniense, sendo um nothoi. Em 426 a.C., já na sua mocidade, lutou na Tânagra. Diógenes Laércio afirma que as suas obras ocupavam dez volumes, porém nenhuma das suas obras logrou sobreviver para a posteridade, e de toda a sua produção literária restaram apenas alguns poucos fragmentos.

Sendo discípulo de Sócrates, ficou ao seu lado no seu julgamento até a sua condenação e desencarnação. Em virtude da grande afeição que dedicava ao seu mestre, nunca perdoou os responsáveis pela perseguição ao saperólogo, e se diz que teria até mesmo tido um papel instrumental na punição deles.

Antístenes ensinava no ginásio Cynosarges, ou Cinosargo, um ginásio e também um templo situado próximo ao templo de Heracles para os atenienses nothoi, ou seja, para aqueles que como ele não possuíam a cidadania ateniense, por terem nascido de uma escrava, estrangeira, prostituta, de pais cidadãos atenienses, mas não legalmente casados, ou, ainda, que fossem bastardos de hilotas, cujo nome designa uma raça escrava da antiga Esparta. A palavra Cynosarges sugere os significados de alimento de cão, cão branco ou cão rápido.

O seu método favorito parece ter sido os diálogos, com alguns deles desferindo ataques contundentes aos seus contemporâneos, como Alcibíades, na segunda de suas obras intitulada de Ciro, como Górgias, em seu Arquelau, e como Platão, em seu Satão. O seu estilo era puro e elegante. Teopompo chegou a afirmar que Platão teria copiado diversas das suas ideias, mas tal afirmativa não procede, em virtude da Veritologia ser a fonte da Saperologia, com esta sendo a grande responsável pela explanação daquela. Cícero o considera um homem mais inteligente do que culto. Tinha uma porção considerável de sarcasmo e ironia, adotando o hábito de fazer trocadilhos, ao dizer, por exemplo, que preferia ficar entre os corvos do que entre bajuladores, pois os primeiros devoram aos mortos, enquanto que os segundos aos vivos. Duas das suas declamações sobreviveram, Ajax e Odisseu, ambas puramente retóricas.

A base fundamental que norteia a doutrina da Escola Cínica, Antístenes aprendeu com Sócrates, que o ensinou o preceito ético de que a virtude, e não o prazer, é a grande meta da existência humana. Daí a razão pela qual ele vem afirmar que tudo aquilo que um sábio faz está em conformidade com a virtude perfeita, e o prazer não apenas é desnecessário, como é mesmo um grande mal. Há relatos que ele acreditava que a dor, e até mesmo a má reputação, seriam bênçãos, e que teria afirmado o seguinte: “Prefiro enlouquecer a sentir prazer”. No entanto, parece ser provável que ele não considerasse todo o tipo de prazer como sendo desprezível, mas apenas aqueles que resultam da satisfação dos desejos mundanos, pois é possível encontrar as suas palavras louvando os prazeres que brotam puros de dentro da alma de alguém, tal como o prazer de uma amizade exercida com sabedoria.

Assim, Antístenes colocava o bem supremo em uma vida vivida em conformidade com a virtude, a qual consistia na ação suprema de evitar os prazeres mundanos, que quando é obtida nunca é perdida, eximindo o sábio dos erros. Sob este aspecto, a vida parece estar ligada à razão, mas para que ela pudesse se desenvolver nas ações cotidianas, e para ser suficiente para se alcançar a felicidade, seria preciso o auxílio das sabedorias socrática e platônica.

A sua obra sobre a Filosofia Natural continha uma teoria “a priori” sobre a natureza dos deuses, onde ele argumentava que existiam diversos deuses nos quais as pessoas acreditavam, porém existia apenas um Deus natural, ao qual corretamente não tentou a sua personificação, não incidindo assim no erro do antropomorfismo, já que dizia que Ele não lembrava em nada qualquer coisa existente na Terra, e que, portanto, não poderia ser compreendido a partir de qualquer representação personalística ao Seu respeito, como a querer dizer que Deus representava o Todo, e não uma personalidade individual qualquer.

Em sua lógica, Antístenes foi atormentado pelo problema do Um e dos Muitos, ou seja, existe uma coisa específica e muitas da sua espécie, tal como existe um ser humano e muitos outros seres humanos. Então, como era de fato um nominalista, aquele que aceita a doutrina que afirma serem as espécies, os gêneros e as entidades universais puras abstrações sem realidade, em oposição ao realismo, acreditava que as definições e os predicados são falsos ou tautológicos, em que a tautologia representa os vícios de locução pelos quais se repetem constantemente as mesmas coisas em outros termos, já que se pode afirmar que cada indivíduo é o que ele é, e não pode fornecer mais do que uma mera descrição das suas qualidades, desacreditando deste modo do sistema platônico das ideias. Assim, ele afirmava que as qualidades de um cavalo ele via, porém, as qualidades inerentes a todos os cavalos ele não via.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Cristologia

01- INTRODUÇÃO

É sabido que existe um número incalculável de humanidades que evolui por todo o Universo, encarnando em seus respectivos mundos-escolas, que as abrigam desde as primeiras encarnações como espíritos....

Leia mais »
A Cristologia

03- A VERDADEIRA UNÇÃO

A verdadeira e autêntica unção consiste na contemplação direta de Deus, cuja contemplação permite a própria comunicação com a Inteligência Universal, já que não mais existe um ser que...

Leia mais »
Romae