13.05.03- O Período Sistemático ou Socrático

A Era da Sabedoria
4 de outubro de 2018 Pamam

É sabido que os veritólogos buscam por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são transmitidos com a inserção de determinadas experiências físicas acerca da sabedoria, para que então possam formar um corpo de doutrina, para que a doutrina possa se tornar inteligível para os intelectos dos saperólogos, que por sua vez, tendo como fonte as doutrinas, possam realmente transmitir as experiências físicas acerca da sabedoria, formando então um corpo de sistema, o qual passa a interagir com o meio ambiente. Desta maneira, fica bastante claro que as doutrinas são as fontes legítimas dos sistemas.

Assim, na busca por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os veritólogos do Período Doutrinário se reuniram em vários campos do conhecimento, formando corpos de doutrina, que os estudiosos do assunto denominam de escolas. Essas escolas buscaram, sobretudo, o conhecimento pelas causas, sem que os seus veritólogos levassem em consideração qualquer alusão ao devaneio do sobrenatural, que era a cultura reinante naquela época, como ainda é a cultura reinante dos tempos atuais, tomando sempre por base a natureza, a cosmologia e os primeiros fundamentos das parcelas do Saber, sem que jamais tenham deixado de lado a busca pelo Criador, na busca por entender os mecanismos que regulam as vidas das coisas.

Do modo inverso de como os veritólogos buscam por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, para que então possam formar um corpo de doutrina, os saperólogos buscam por compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, para que então possam formar um corpo de sistema, tendo um corpo de doutrina como fonte. Foi assim que os saperólogos do Período Sistemático buscaram, sobretudo, as experiências físicas pelos efeitos, que permeiam a nossa vida, estando também livres do devaneio do sobrenatural, em função dos conhecimentos que foram transmitidos pelas quatro escolas do Período Doutrinário, em que se pode constatar claramente que a verdade tende a se unir com a sabedoria, já que ela é a sua fonte, assim como a sabedoria tende a se unir com a verdade, pois que assim, e somente assim, pode se conseguir alcançar a razão. Esta é a verdadeira relação que existe entre causa e efeito, em que se unem o poder e a ação, que os estudiosos denominam de potência e ato.

Em sendo assim, como realmente é assim, e como jamais poderia ser diferente, o terceiro período da história dos dois tratados superiores, da Veritologia e da Saperologia, na Grécia, deve ser denominado de Período Sistemático, pois, com efeito, é nesse período que se realiza a grande e lógica sistematização das doutrinas que foram transmitidas pelas quatro escolas anteriores, que se inicia com Sócrates, passa por Platão e culmina em Aristóteles.

Os saperólogos, então, estando cientes acerca dos conhecimentos metafísicos que foram transmitidos pelos veritólogos das quatro escolas que os precederam, cujos conhecimentos tratam acerca da natureza, da Cosmologia, das coisas e outros, em que por seus intermédios tentam buscar as causas e as origens de todas as coisas, fatos e fenômenos universais, voltam os seus interesses, de preferência, em torno do homem, da alma e do espírito, em face da importância e do lugar central destinado ao homem e ao espírito no sistema formado pelo mundo. Assim, como os veritólogos trataram, sobretudo, da moral, os saperólogos trataram, sobretudo, da ética. Como se pode constatar, a Veritologia trata da moral, enquanto que a Saperologia trata da ética, sendo, portanto, por intermédio dos dois tratados superiores que os seres humanos se tornam realmente educados.

Esse Período Sistemático que floresceu na Grécia teve uma duração relativamente curta em seu apogeu, tendo prevalecido primordialmente no século IV a.C., compreendendo um número referencialmente reduzido de grandes pensadores, por isso eu vou me ater apenas a Sócrates, Platão e Aristóteles, para não tornar extensa a esta explanação acerca do sentimento e do pensamento gregos, neste site de A Filosofia da Administração, uma vez que a derivação para as escolas menores, a cínica e a cirenaica, que foram as precursoras do estoicismo e do epicurismo, respectivamente, referentes ao período seguinte, serão todos explanados mais adiante, em seus tópicos específicos.

Aqueles que possuem o raciocínio um tanto mais profundo, por serem mais afeitos à verdadeira espiritualidade, podem constatar claramente que existe um plano para a espiritualização da nossa humanidade, o qual foi formulado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, com o fim precípuo de proceder a esta nossa espiritualização que ora está se realizando, com o final da Era da Verdade que está se operando, e com o início de uma nova Grande Era, a Era da Razão, que está por se iniciar, em que esse espírito encarnou vários vezes neste nosso mundo-escola a fim da consecução deste desiderato, quando então alcançou a condição evolutiva do Cristo na sua última encarnação, ao encarnar como Jesus.

Partindo-se do princípio de que não existe o acaso no Universo, e muito menos as coincidências, cujos termos são empregados para empanar a ignorância acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, torna-se óbvio que os grandes veritólogos que encarnaram na Grécia Antiga, no Período Doutrinário, vieram em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, com as claras missões de fazerem valer as percepções oriundas dos seus criptoscópios, no intuito de poderem captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ensaiando também os princípios das verdadeiras religiões.

É certo que com relação à verdade os veritólogos do Período Doutrinário não conseguiram lograr pleno êxito, mas foram válidas as suas tentativas, já que, de qualquer maneira, eles conseguiram transmitir muitos conhecimentos ao seu respeito, pois que a percepção da verdade é algo por demais difícil de se lograr êxito, por isso ela teve que ir se estabelecendo aos poucos no seio da nossa humanidade, após inúmeras tentativas por parte dos veritólogos, que voltaram a encarnar em profusão nesta nova Grande Era pela qual estamos passando, destinada à verdade, que muitos consideram, equivocadamente, como sendo cristã. No entanto, esses grandes veritólogos deram uma contribuição imensa aos conhecimentos religiosos das parcelas do Saber, como a Astronomia, a Matemática e a atomicidade, tratando também de Deus, que é a Coisa Total, e das coisas, além de darem o exemplo maior na busca pela espiritualização.

Somente um cego proposital, e o pior cego é aquele que não quer ver, não consegue compreender que tudo isso é fruto de um plano arquitetado em Plano Astral pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, com o intuito de nos espiritualizar. De há muito que eu venho debatendo contra a existência do acaso, afirmando, peremptoriamente, que o mesmo não existe, já que o que existe realmente é o determinismo, o qual se encontrará amplamente explanado quando eu tratar acerca da Administração. Então esses grandes espíritos não encarnaram em sequência como simples obra do acaso, formando várias escolas, mas sim em obediência a um plano que tem por fim a nossa espiritualização. Como também os sofistas não encarnaram em sequência como simples obra do acaso, mas sim também em obediência a esse plano de espiritualização da nossa humanidade, preparando o ambiente intelectual para a vinda dos saperólogos que se seguiram à vinda dos veritólogos.

É sabido que os conhecimentos relativos à verdade devem ser transmitidos através de uma saperologia, para que assim os mesmos possam se encontrar acessíveis à compreensão humana, através do intelecto, já que a linguagem perceptiva, oriunda do criptoscópio, em si, é por demais nebulosa e requer essa interseção, quando então todo o conjunto pode receber a denominação de doutrina. Essa doutrina deve ser devidamente reunida com todos os seus conhecimentos combinados entre si para concorrerem em direção a um certo resultado, cuja finalidade deve ser experimentalmente prática, que é justamente a sua explanação com base na sabedoria, para que assim possa ser sistematizada. A sistematização, então, é a ação ou o efeito de sistematizar, de ordenar em sistema, sendo a combinação de meios do processo destinados a produzirem um certo resultado. A verdade é a causa, a sabedoria é o efeito.

Daí a razão pela qual esse período é denominado de Período Sistemático ou Socrático, pois, com efeito, nele se realiza a grande e lógica sistematização por parte dos saperólogos das doutrinas que foram transmitidas pelos veritólogos do Período Doutrinário. O Período Sistemático se inicia por intermédio de Sócrates e Platão, culminando em Aristóteles, que fixam o conceito de inteligível e de ciência. Já não existe mais o interesse pelos conhecimentos acerca da natureza, mas sim em torno do ser humano e do espírito, pela importância da espiritualidade e pelo seu papel a ser desempenhado neste mundo.

Termina a Veritologia e começa a Saperologia. Cada um desses saperólogos trará para nós a sua lição fundamental, caso da sua alma nos aproximemos com conveniência, através dos seus escritos. Além do mais, os seus pensamentos produzidos ficam fazendo parte integrante do ambiente terreno, da atmosfera da Terra, que é a sua aura. Daí a razão da reflexão de Emerson sobre esses grandes pensadores da intelectualidade neste mundo, os saperólogos, cuja reflexão ele realiza da seguinte maneira:

Quando ouvirmos as palavras de um gênio, vem-nos uma reminiscência natural de termos concebido, nós próprios, vagamente, em nossa remota adolescência, aquele mesmo pensamento a que o gênio agora se refere, sem que, todavia, tivéssemos tido a arte ou a coragem de revesti-lo de forma e expressão. E em verdade os grandes homens falam conosco unicamente quando temos ouvidos e alma para escutá-los; unicamente quando existem em nós pelo menos as raízes daquilo que neles florescem. Tivemos também as experiências que eles tiveram, mas não extraímos dessas experiências os seus segredos e as suas sutis significações: não fomos sensíveis aos sons harmônicos da realidade que zoaram junto a nós. O gênio ouve esses sons quase imperceptíveis, como a música das esferas; o gênio sabe o que Pitágoras quis dizer ao afirmar que a Filosofia é a mais bela das músicas.

Ouçamos, por consequência, esses homens, dispostos a perdoar os seus erros passageiros e ávidos por aprender as lições que ansiosamente eles desejam ensinar. ‘Sê ponderado’, disse Sócrates, já velho, a Críton, ‘e não te preocupes com que sejam bons ou maus os mestres de Filosofia, e sim, pensa unicamente na própria Filosofia. Esforça-te por examiná-la bem e sinceramente; se for má, procura arredar dela os homens, mas se for o que acredito que ela é, segue-a e serve-a e regozija-te’”.

 

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