13.05.02.01- Protágoras

A Era da Sabedoria
3 de outubro de 2018 Pamam

Protágoras, o mais célebre dos sofistas, encarnou em Abdera, uma geração antes de Demócrito, no ano 480 a.C., e desencarnou no ano 415 a.C., na Sicília, com a idade de apenas sessenta e cinco anos.

Foi em vida mais conhecido e influente do que o próprio Demócrito, cuja avaliação da sua reputação pode ser medida pelo alvoroço que as suas visitas causavam em Atenas, que se deram em 451, 445, 432 e em 415 a.C. O próprio Platão, nem sempre receptivo para com os sofistas, tinha por ele um profundo respeito, descrevendo-o como sendo um homem de nobre caráter.

No diálogo platônico com Sócrates que tem o seu nome, Protágoras fez uma demonstração muito melhor do que a do perguntativo e ainda jovem Sócrates, pois ali é o próprio Sócrates quem se expressa como sofista, e Protágoras quem se conduz como cavalheiro e saperólogo, sem perder jamais a calma, sem nunca se revelar enciumado diante do brilho alheio, sem nunca tomar o argumento com excessiva seriedade e não se mostrando nunca ansioso por falar. Admite que tomou a peito ensinar aos seus discípulos a prudência nos assuntos públicos e particulares, a boa condução do lar e da família, a arte da retórica ou do falar persuasivo, e a habilidade de compreender e dirigir os negócios do Estado. Defendia os altos preços das suas aulas, dizendo ser costume seu, quando um aluno fazia objeção contra o preço, concordar em aceitar como justa qualquer quantia indicada pelo aluno em solene declaração feita diante de um altar. Temerária decisão na Grécia para um mestre que duvidava da existência dos deuses, pois que assim poderia ser acusado de impiedade.

Diógenes Laércio o acusa de ter sido o primeiro a “apetrechar os argumentadores com a arma do sofisma”, acusação que teria agradado bastante a Sócrates, mas Diógenes Laércio acrescenta que Protágoras “foi também o primeiro a inventar o tipo de argumento que se denomina socrático”, o que não deveria agradar muito a Sócrates.

Constituiu uma das inúmeras distinções o ter sido Protágoras o fundador da gramática e da filologia europeias. Ele tratou do uso correto das palavras, diz Platão, e foi o primeiro a estabelecer a diferença entre os três gêneros de nomes, e a distinguir certos tempos e modos de verbos. Mas o seu maior valor está em que foi com ele, ainda mais do que com Sócrates, que começou o subjetivismo na Saperologia. Ao contrário dos veritólogos do Período Doutrinário, Protágoras se mostrava menos interessado na percepção do criptoscópio, no sentimento em si, e mais na compreensão do intelecto, na compreensão em si.

Nenhuma verdade absoluta pode ser encontrada, diz equivocadamente Protágoras, ignorando que toda verdade é absoluta, mas apenas verdades de acordo com certos homens, em certas condições, o que não chega a ser verdade, mas sim opinião, em razão do subjetivismo. Asserções contraditórias podem ser igualmente verdadeiras para diferentes pessoas, em diferentes momentos. Toda verdade, bondade e beleza são relativas e subjetivas, então diz a sua célebre frase:

O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, das coisas que não são, enquanto não são”.

Sob o ponto de vista histórico, o mundo inteiro se abalou quando o sofista anunciou este simples princípio de humanismo e de relatividade, pois todas as ditas verdades sacerdotais até então estabelecidas, bem como todos os princípios sagrados, vieram abaixo, já que o individualismo havia descoberto uma voz, com as bases sobrenaturais de ordem social se sentindo ameaçadas de dissolução.

O ceticismo de longo alcance incluído nessa famosa declaração poderia ter permanecido uma simples hipótese e bastante segura, caso Protágoras por um momento não se dispusesse a aplicar o seu ceticismo à Teologia. Em um grupo de homens na residência do impopular livre pensador Eurípedes, ele leu um tratado cuja primeira sentença abalou toda a Atenas, que diz o seguinte:

Quanto aos deuses, não sei dizer se existem ou não, nem que forma têm. Muitas são as causas que nô-lo impedem de saber, pois o assunto é obscuro, e breve é a duração da nossa existência mortal”.

A assembleia ateniense, aterrada perante esse prelúdio de mau agouro, acusou-o de ateísmo, banindo-o de Atenas, e ainda ordenou aos atenienses que entregassem aos poderes públicos todas as cópias que por ventura possuíssem dos escritos do sofista, e lhe queimaram as obras na praça pública. Ele, então, fugiu para a Sicília e, segundo a história, desencarnou afogado na travessia.

Entre os seus trabalhos notáveis se encontra as Antilogias, que consistem em duas premissas, quais sejam: a primeira é “Antes de qualquer incerteza duas teses opostas podem ser validamente confrontadas”; a segunda é o seu complemento que diz da necessidade de “Fortalecer o argumento fraco”.

 

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