13.05.01- O Período Doutrinário (As Escolas Pré-socráticas)

A Era da Sabedoria
25 de setembro de 2018 Pamam

Por ignorarem completamente a existência dos três tratados superiores, os estudiosos do assunto são unânimes em considerar que as grandes mentalidades que surgiram no período anterior a Sócrates sejam todos eles filósofos, quando a expressão mais apropriada é saperólogos, pois que, na realidade, todos eram veritólogos, uma vez que as suas vindas a este mundo serviram de lastro para que eles transmitissem alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, não importando se esses conhecimentos eram ou não procedentes, portanto, verdadeiros, uma vez que na Grécia eles foram os pioneiros em relação ao tratado superior da Veritologia.

É sabido que os veritólogos buscam por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, para que então possam formar um corpo de doutrina. Como os conhecimentos são as fontes das experiências, em corolário, as doutrinas são as fontes dos sistemas, assim, na busca por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os veritólogos do Período Doutrinário se reuniram em vários campos do conhecimento, formando corpos de doutrina, que os estudiosos do assunto denominam de escolas, pelo fato dos sentimentos de cada uma dessas escolas serem todos convergentes.

Por isso, essa divisão em escolas tem a sua real procedência em termos de didática, em razão das naturezas dos assuntos que dizem respeito aos conhecimentos serem convergentes em cada uma dessas escolas, não sendo relevante a sua cronologia para descaracterizar a esse período, mesmo que alguns desses veritólogos tivessem sido contemporâneos de Sócrates, já que muitos estudiosos consideram a esse período como sendo pré-socrático.

É sabido que em todas as épocas os seres humanos sempre foram afeitos aos devaneios do sobrenatural, pois que eram influenciados pelos deuses, que não passavam de espíritos obsessores quedados no astral inferior, mas esses veritólogos do Período Doutrinário, essas grandes mentalidades, não se deixaram levar pelo ambiente fluídico asfixiante do sobrenaturalismo, tendo se voltado para o âmbito da natureza, considerando racionalmente que somente ela poderia expressar a realidade que poderia ser percebida e captada pelos seus criptoscópios, original e fundamentalmente, tendo também como escopo o problema cosmológico, procurando o conhecimento acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. É por isso que alguns estudiosos denominam a esse período também de naturalista.

Mas, infelizmente, nenhuma obra completa desses veritólogos sobreviveu à atualidade. Platão e Aristóteles tiveram o acesso a muitas delas e talvez algumas tenham chegado à Biblioteca de Alexandria, em que lá circulavam as compilações que ficaram posteriormente conhecidas como doxografias, palavra derivada do grego doxa, que significa opinião, e grafé, que significa escrito ou conversação. Em particular, era atribuída a Teofrasto uma doxografia intitulada de Opiniões dos Físicos, que seria uma compilação e comentários de fragmentos dos veritólogos do Período Doutrinário. Hermann Alexander Diels realizou uma edição dessas fontes veritológicas com o título de Doxografia Grega.

Por serem as doxografias carregadas de opiniões e pareceres dos doxógrafos, ou, como dizem alguns estudiosos, conhecimentos de segunda mão, surge a seguinte questão: até que ponto nós podemos confiar nas doxografias? Para Barnes, as doxografias não são dignas de confiança, por isso nós devemos nos fundamentar apenas nas mesmas palavras dos pré-socráticos. No entanto, para aqueles que são versados na arte da hermenêutica, não existe tanta dificuldade em analisar os textos contidos nos fragmentos originais e comparar com as opiniões e os pareceres dos doxógrafos, quando então se pode afirmar das suas procedências.

Hermann Alexander Diels continuou o seu trabalho no final do século XIX com uma compilação dos testemunhos e dos fragmentos dos veritólogos do Período Doutrinário, que se encontravam espalhados por diversas obras antigas, publicando a esse material sob o título de Fragmentos dos Pré-socráticos, que se transformou na obra de referência sobre o tema. Posteriormente, Walther Kranz organizou novas edições dessa obra, que passou a ser conhecida como Diels-Kranz, sendo comum no meio acadêmico a utilização dessa citação padronizada.

O Período Doutrinário, que corresponde às Escolas Pré-socráticas, em que alguns estudiosos denominam também de naturalista, pelo fato desses veritólogos não haverem sido afeitos ao devaneio do sobrenatural, mas sim à natureza, é dividido em quatro escolas, quais sejam:

  1. Escola Jônica;
  2. Escola Itálica, ou Escola Pitagórica;
  3. Escola Eleática;
  4. Escola Atomista.

Cada uma dessas escolas possui os seus expoentes, os quais deram uma contribuição imensa para o desenvolvimento do sentimento e do pensamento gregos. Mas o mais interessante é que mesmo surgindo no cenário da humanidade essas grandes inteligências, esses grandes espíritos que encarnaram com o fim precípuo de esclarecer a nossa humanidade, embora estando limitados àquilo que lhes cabiam, pois que a Veritologia e a Saperologia foram se formando aos poucos, à medida que os grandes espíritos iam evoluindo cada vez mais, ainda hoje há os retrógados, aqueles que são céticos ao preceito universal da reencarnação, os quais acreditam piamente que os seres humanos só nascem uma única vez, sem atentarem em suas supinas ignorâncias para as tremenda diferenciações que existem entre os mais e os menos inteligentes, entre os bons e os maus, cujas diferenciações são frutos naturais que decorrem do processo evolutivo, em que os mais esforçados conseguem galgar patamares mais elevados, diferenciando-se cada vez mais daqueles menos esforçados, com estes últimos ou enveredando para a prática dos mais diversos tipos de crimes, ou se tornando simples seres vulgares, pelo menos isto, já que assim conseguem concorrer com as suas parcelas de colaboração para o desenvolvimento humano neste mundo Terra, que é o nosso mundo-escola.

 

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