13.05.01.04.01- Leucipo

A Era da Sabedoria
3 de outubro de 2018 Pamam

O verdadeiro fundador da Escola Atomista é Leucipo, mas não sabemos se ele encarnou em Abdera, uma florescente colônia jônia da Trácia, ou se em Mileto, na Jônia, e nem em que ano, apenas que foi na primeira metade do século V a.C., e que a sua desencarnação ocorreu no mesmo século. De qualquer maneira, a tradição afirma que ele encarnou em Mileto, e que por volta de 435 a.C. foi para Eleia, onde lá se deparou com os conhecimentos pitagóricos, apreendendo consigo as considerações da pluralidade, tendo se estabelecido finalmente em Abdera. Foi Aristóteles quem levantou a tese de que ele era o fundador do atomismo, relatando que dele veio o conhecimento de que uma matéria pode ser dividida até chegar em uma pequena partícula indivisível denominada de átomo.

Infelizmente, praticamente nada sabemos sobre este grande veritólogo. Ao que parece ele foi contemporâneo de Anaxágoras e de Sócrates. A tradição lhe atribui a autoria de uma única obra intitulada de A Grande Ordem do Mundo, que foi também intitulada de A Grande Cosmologia, um texto muito diferente da Pequena Cosmologia, de Demócrito. Talvez tenha escrito uma segunda obra, que teria se intitulado de Sobre o Espírito, mas essa obra pode ter sido apenas um capítulo da obra anterior.

De acordo com os registros de Aristóteles, Leucipo foi o criador da Escola Atomista, tendo sido Demócrito, como seu discípulo, aquele que desenvolveu o conhecimento atômico, continuando o trabalho do seu mentor. Dos seus conhecimentos diretos, apenas um nos ficou, em que ele nos diz assim:

Nada acontece sem que haja uma causa, mas todas as coisas acontecem por uma causa, sendo esta causa de necessidade”.

Como se pode comprovar facilmente, os veritólogos buscam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que representam as causas de tudo quanto existe, enquanto que os saperólogos buscam as experiências físicas acerca da sabedoria, que representam os efeitos de tudo quanto existe. Esta é a verdadeira relação que existe entre causa e efeito.

Ao que tudo indica, foi tomando por base os conhecimentos pitagóricos que Leucipo desenvolveu a noção do vácuo, ou do espaço vazio, esperando deste modo tornar o movimento teoricamente possível, tanto quanto sensivelmente real.

Note-se que os veritólogos lidam mais com o espaço, pelo fato deste ser o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, enquanto que os saperólogos lidam mais com o tempo, pelo fato deste ser o campo propício para as experiências físicas acerca da sabedoria.

Para Leucipo, portanto, tudo era composto por espaço, que continha os átomos, e nada mais. Assim, os átomos redemoinhando em um vórtice, por necessidade, caem nas primeiras formas de todas as coisas, por combinação entre os iguais, pelo que aqui podemos de logo estabelecer a lei da afinidade e o princípio da atração. Desse modo, formam-se os planetas.

Em todas as épocas da história desta nossa civilização, há que se considerar sempre aqueles que foram os pioneiros, tanto dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade como das experiências físicas acerca da sabedoria, sendo, portanto, comum e natural a incidência em erros, que em razão do pioneirismo são inevitáveis.

Assim era a posição de Leucipo, de que os seres não admitiam a presença do vácuo, mas, por outro lado, o movimento não era possível na ausência do vácuo. Neste caso, o vácuo seria o não ser, portanto, a ausência de átomos, e os seres e as demais coisas deste mundo seriam aglomerados de átomos. Deste modo, uma vez que o movimento não é possível sem o vácuo, mas havendo realmente o movimento, logo deve haver o vácuo. Para o veritólogo, todas as coisas são compostas por outras coisas, e como as coisas realmente existem, estas outras coisas que as compõem são passíveis de investigação acerca das suas naturezas.

Por aqui se pode constatar claramente que Leucipo não se encontrava lá muito preocupado a respeito da discussão metafísica entre os seres e os não seres, mas sim em conhecer a existência das menores coisas, por isso preferiu se restringir em abordar apenas as noções de cheio e de vazio, ou do vácuo, em suas distinções, que ele considerava de suma importância para que pudéssemos perceber a formação do mundo.

De acordo com Leucipo, o todo seria composto de dois elementos: o cheio e o vazio; com os mundos sendo formados quando os átomos se aglomeram e dos seus movimentos são formadas as estrelas. Até hoje os cientistas ainda pensam que as estrelas são formadas por átomos, não atentando para o fato de que as estrelas não são mundos, portanto, não são formadas por átomos. Já se sabe acerca da formação das estrelas, pois já foi dito reiteradas vezes que elas são partículas das propriedades da Força e da Energia.

Assim, em uma região qualquer, os átomos se desprendem do Ilimitado, que pode ser considerado como sendo o Ser Total, e vão para o espaço vazio, em um movimento em forma de vórtice, no qual os átomos se empurram uns contra os outros, gerando ainda mais movimento. Os átomos são tão numerosos, que ocorre um desequilíbrio no giro das suas aglomerações, assim, a luz do Sol passa para o espaço vazio do lado de fora, como se estivesse sendo peneirada, com os átomos continuando em seu aglomerado, seguindo o seu circuito para formar um sistema esférico primário.

Mais uma grande quantidade de átomos se desprende do Ilimitado, aglomerando-se aos demais, com a camada externa da aglomeração se tornando cada vez mais fina e se expandindo, em função do movimento ocorrido dentro do sistema, e assim a Terra começa a se formar, através da aglomeração dos átomos no centro. Quando alguns desses componentes secam e giram em conjunto com o vórtice, eles entram em combustão, em face da velocidade dos seus movimentos, transformando-se na substância das estrelas. Os corpos celestes, estando agora formados, iniciam os seus movimentos, as suas órbitas.

 

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