13.05.01.03.04- Melisso de Samos

A Era da Sabedoria
2 de outubro de 2018 Pamam

Melisso encarnou em 470 a.C., na ilha de Samos, situada no Mar Egeu, tendo desencarnado em lugar ignorado. Foi um militar, político, poeta e veritólogo grego, ao que parece um discípulo de Parmênides. Ao que tudo indica, o veritólogo é o mesmo Melisso que Plutarco menciona como sendo o comandante da frota de Samos, que derrotou os atenienses em 442 a.C. Apesar da condição de poeta, estadista e comandante naval, assim mesmo não deixou de contribuir com a Veritologia, tornando-se um dos continuadores da Escola Eleática, exercendo ainda influência no atomismo de Leucipo e Demócrito. O seu principal poema foi Sobre o Ser, ou Sobre a Natureza, do qual se conservaram até aos nossos dias apenas dez fragmentos. Simplício se referiu a uma das suas obras, intitulando-a de O Tratado Sobre a Física ou ao Ente.

Inicialmente, o veritólogo desempenhou papel de relevante importância na vida grega, como comandante da esquadra naval que derrotou os atenienses de Péricles. Praticamente esta é a única ação que se sabe acerca da sua vida. E como veritólogo, que tenha alcançado o apogeu da sua existência pelos anos posteriores a esta batalha.

Pela sua obra, depreende-se que foi mais um polemista e defensor das ideias de Parmênides de Eleia, sendo, portanto, antipitagórico, e, sobretudo, contra Empédocles, não se sabendo, contudo, como teria tomado contato com as doutrinas da escola ocidental.

O veritólogo tratou de ajustar os extremismos do eleatismo com a veritologia jônica, tornando-se o responsável pelo ajustamento desta doutrina, além de modificar alguns pontos dos seus conhecimentos transmitidos, estabelecendo que o Ser é Infinito, pois que Ele não possui limites nem no espaço e nem no tempo, pois caso não fosse assim Ele faria limites com o vazio. Ora, o vazio é o nada, e o nada não existe, pois que ele é a negação da existência.

Ele também estabeleceu que o Ser é Uno, além de Infinito, pois caso não fosse assim, quer dizer, caso fossem dois, um deveria fazer limite com o outro, e tudo aquilo que faz limite assume o significado de limitação, e o Ser não pode ser limitado por nenhuma outra coisa. Constata-se assim, através de Melisso de Samos, que Deus é o Todo.

Apenas a título de adendo, vejamos Jeová, o deus bíblico, declarando explicitamente a existência de outros deuses, comprovando ele mesmo que não é uno, nem infinito, nem ilimitado, nem perfeito, e nem nada que venha a ser digno de um espírito honrado, em que nessa demonstração explícita, ele mostra o todo o seu caráter de espírito trevoso, assassino, vingativo, ciumento, iracundo, perverso, insuflador, e tudo o mais que denigre o caráter de um espírito, ao tentar rebaixar com palavras depreciativas os outros espíritos obsessores que também alimentam a pretensão deveras estúpida de serem igualmente deuses, tais como ele, que em sua empáfia e soberbia se julga estupidamente o todo-poderoso para os seus cretinos adoradores, todos ignorantes de marca maior. É o que vamos encontrar na própria Bíblia, tida pelos seus ignorantes adoradores como sendo um livro sagrado, que revela as palavras desse deus proferidas através de médiuns ignorantes, como consta em Levítico 19:4 e 20:2 a 5, em Salmos 96:5, em Isaías 10:11 e em Habacuque 2:18, na mesma ordem abaixo, assim:

Não vos vireis para deuses que nada valem e não deveis fazer para vós deuses fundidos. Eu sou Jeová, vosso Deus”.

“Hás de dizer aos filhos de Israel: ‘Qualquer homem dos filhos de Israel e qualquer residente forasteiro que reside em Israel, que der alguém da sua descendência a Moloque (deus dos amonitas, sendo também o nome de um demônio na tradição dita cristã, por ser inimigo de Jeová, digo eu), sem falta deve ser morto. O povo da terra deve atirar nele pedras até que morra. E quanto a mim, porei minha face contra tal homem, e vou decepá-lo dentre seu povo, porque deu alguém da sua descendência a Moloque, com o objetivo de aviltar meu lugar santo e profanar meu santo nome. E se o povo da terra ocultar deliberadamente seus olhos daquele homem, quando lhe der alguém da sua descendência a Moloque, por não o entregarem à morte, então eu, da minha parte, certamente porei minha face contra aquele homem e sua família, e deveras deceparei dentre seu povo tanto a ele como a de todos os que junto com ele tiveram relações imorais por terem relações imorais com Moloque”.

Porque todos os deuses dos povos SÃO DEUSES (grifo e realce meus) que nada valem; mas quanto a Jeová, ele fez os próprios céus”.

“… não se dará que, como terei feito a Samaria e aos seus deuses que nada valem, assim farei a Jerusalém e aos seus ídolos”.

Esse deusinho de araque, como se diz comumente por aí, esse vagabundo que somente pratica o mal, que venha então do seu próprio céu contra mim, trazendo também junto consigo toda a sua corja de anjos negros, para que assim possa realmente saber que os tempos são chegados para acabar com as suas mentiras, para acabar de vez com toda a ignorância que reina neste mundo, sendo ela a causa do mal que por aqui campeia em todos os setores da vida, quando então a luz da consciência deverá imperar por todo o sempre.

Este simples escriba que aqui se encontra expondo as suas ideias, não é nenhum arrebanhado da classe sacerdotal, mas sim um espírito digno e honrado, simples e consciente, senhor de si mesmo, que veio do seu Mundo de Luz portador dos mais elevados ideais, para mondar as ervas daninhas que se encontram fortemente enraizadas no ambiente terreno, impedindo que continuem a medrar, e que por isso nada teme.

Estando posto o adendo, voltamos ao sentimento do veritólogo, que afirma que o Ser não pode ter sido gerado, pois caso tivesse sido gerado, ou mesmo se pudesse ter um fim, o Ser seria finito e limitado pelo tempo. Do mesmo modo, o Ser não pode ter vindo do nada, nem pode se extinguir no nada, não pode ter início e nem fim, indo além do tempo, ressaltando-se aqui que tanto o espaço como o tempo estão Nele contidos. Assim, o Ser sempre foi, é e sempre será.

Continuando acerca da sua percepção sobre Deus, o veritólogo afirma que o Ser é incorpóreo, notadamente porque a matéria não existe, portanto não pode ter corpo, posto que todos os corpos são formados por seres, então todos os seres são partículas do Ser Total, e assim o Ser não pode ter forma, e os corpos têm forma. Deste modo, se o Ser tivesse uma forma Ele teria que ser limitado, pois a forma tem limites, e o Ser não pode ter limites. Neste ponto, Melisso de Samos vai de contra a percepção de Parmênides, que afirmava que o Ser possuía a forma de uma esfera.

Como o mundo sensível se apresenta como sendo múltiplo e em constante movimento, Melisso de Samos passa a defender tanto a unidade do Ser como a Sua imobilidade contra a ilusão do mundo sensível, afirmando que o conhecimento sensível é falso, o que comprova com a sua modificação, pois caso as coisas fossem verdadeiras elas não se modificariam, e aqui o veritólogo não atenta para o processo da evolução. Desta maneira, a sua percepção passa a estabelecer os atributos fundamentais do Ser, que são: a unidade, a completude e a imobilidade.

Melisso de Samos estabeleceu algumas sentenças, tais como:

  • Se nada é, o que podemos afirmar sobre isso, como se fosse alguma coisa;
  • As coisas sempre foram aquilo que sempre será, porque se tivessem não sido seria necessário que antes de nascer fossem nada, mas se não era nada, do nada não poderia ter nascido;
  • Mas como sempre foi assim, torna-se necessário que seja sempre infinito em grandeza;
  • Aquilo que teve princípio e fim não é nem eterno e nem infinito.

 

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