13.05.01.03.03- Zenão de Eleia

A Era da Sabedoria
2 de outubro de 2018 Pamam

Zenão de Eleia era um veritólogo que nasceu em Eleia, hoje Vélia, na Itália, tendo encarnado em 490 e desencarnado em 430 a.C., sendo estas datas apenas aproximadas. Foi o discípulo preferido de Parmênides, que o considerava o mais valoroso dos seus discípulos, por isso foi adotado na Escola Eleática, pelo que assim defendeu com bastante ardor e eloquência a doutrina do seu mestre, deste aceitando a concepção do Ser Uno e Imutável, ao que acrescenta a infinidade e a forma esférica. Talvez em função dos seus paradoxos, Aristóteles o considera como sendo o criador da dialética.

Tendo sido adotado por Parmênides na Escola Eleática, tornou-se um professor muito respeitado em sua cidade, e sendo naturalmente mais afeito à moral do que propriamente à arte do relacionamento que representa a ética, envolveu-se bastante com a política local. Nesse envolvimento, juntamente com alguns companheiros, tentaram derrubar o tirano que governava a cidade. Foi preso e torturado até à desencarnação. A partir da sua desencarnação, tornou-se um herói, deixando o seu nome na lembrança dos seus compatriotas que foram os seus contemporâneos.

Posteriormente, muitas versões surgiram sobre as circunstâncias em que verdadeiramente tudo aconteceu. Uma dessas versões relata que ele, ao ser torturado impiedosamente pelo tirano, em praça pública, com este querendo a todo o custo lhe arrancar a confissão dos nomes dos seus companheiros conspiradores, Zenão de Eleia primeiro delatou a todos os amigos do tirano como sendo participantes ativos da rebelião, posteriormente, insultou ao próprio tirano, frente a frente, como sendo este a peste do Estado. Outra dessas versões relata que Zenão de Eleia, já todo ensanguentado, postou-se de uma maneira tal como se quisesse dizer algo aos ouvidos do tirano, mordendo-lhe, a seguir, a orelha, cerrando tão firmemente os dentes, que para soltar teve que ser trucidado pelos soldados, que o mataram ali naquele instante. Outras versões também narram que, ao invés da orelha, Zenão de Eleia teria ferrado os seus dentes contra o nariz do tirano; e ainda que, após grandes torturas, Zenão de Eleia cortou a sua própria língua com os dentes e a cuspiu no rosto do tirano, para lhe mostrar que jamais delataria nenhum dos seus companheiros. Tais histórias de enorme bravura e profunda coragem se espalharam mais tarde entre os cidadãos de Eleia, impelindo-os para reagirem contra a tirania, quando então se ergueram contra o seu governante, ganhando, por fim, a liberdade.

O método empregado por Zenão de Eleia consistia na elaboração de paradoxos, pois deste modo ele não refutava diretamente as teses que combatia, mas mostrava as contradições dessas teses, por conseguinte, as suas impropriedades. Acredita-se que ele tenha criado cerca de quarenta destes paradoxos, todos eles contra a multiplicidade, a divisibilidade e o movimento.

Zenão Eleia passa a argumentar que uma tese aceita pelo adversário, ou mesmo admitida vulgarmente, possui as suas consequências contraditórias entre si, por isso se torna impossível, segundo o princípio da contradição, sobretudo as teses relacionadas com a unidade do ser e a possibilidade do movimento, que vão contra ao que ordinariamente se pensa, construindo vários argumentos em seu apoio, que partem da tese do movimento e mostram que é impossível, como, por exemplo, não se pode percorrer um segmento AB, porque para se chegar a B há que passar primeiro por um ponto D, intermédio entre A e C, e assim sucessivamente, até ao infinito. Assim, haveria que passar por uma série infinita de pontos intermédios e o movimento seria impossível. Vários são os argumentos de Zenão de Eleia contra o movimento, tais como o paradoxo da dicotomia, o paradoxo de Aquiles, o paradoxo da flecha imóvel e o paradoxo do estádio.

É óbvio que Zenão de Eleia não acreditava nessas suas aporias, então nós não deveríamos ter que perder o nosso precioso tempo com algo que não procede, sendo realmente importante a sua percepção em relação a Deus, para que assim os céticos venham a abandonar as suas pirronices e tomem ciências de que todas as grandes mentalidades que vieram a este mundo jamais duvidaram da Sua existência. Mas, de qualquer maneira, vamos expor alguns desses seus paradoxos, sabendo-se de antemão que todos eles são frutos da imaginação.

O PARADOXO DA DICOTOMIA

Imaginemos um atleta querendo correr uma distância equivalente a 60 metros. Para chegar ao final do percurso ele primeiro terá que passar no ponto que corresponde a 1/2 do percurso. Depois chegar no próximo ponto que corresponde a 2/3 do percurso. E depois chegar ao ponto que corresponde a 3/4 do percurso. Para assim chegar a 4/5 do percurso. Depois a 5/6 do percurso. E depois a 30/31 do percurso. Então ele chega ao ponto que corresponde a 199/200 e depois ao ponto que corresponde a 5.647/5.648 do percurso, que numericamente corresponderia a 59,9893798 metros, tendendo assim a ser um número infinito de pontos, antes que o corredor chegue ao final.

Em outras palavras, imaginemos um móvel que está no ponto A e quer atingir o ponto B. Este movimento é impossível, pois antes de atingir o ponto B, o móvel tem que atingir o meio do caminho entre A e B, isto é, um ponto C. Mas para atingir o ponto C, terá primeiro que atingir o meio do caminho entre A e C, isto é, um ponto D. E assim, como se fosse ao infinito.

Em primeiro lugar, deve ser compreendido que nada neste mundo tende ao infinito, o qual se encontra apenas em Deus. Caso alguém se disponha a contar 1 + 2 + 3 + 4 + 5…, por toda a eternidade, ele jamais chegará ao infinito, pois que sempre haverá um resultado que seja finito, não importando a sua incomensurabilidade, valendo o mesmo para os resultados das potências somadas ou mesmo multiplicadas e para quaisquer outras operações matemáticas.

Todo o Universo se encontra contido em Deus, uma vez que é constituído pelas partículas das propriedades da Força e da Energia, que formam as estrelas, as quais fornecem as coordenadas universais. A propriedade da Força contém o espaço e o magnetismo, sendo o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. E a propriedade da Energia contém o tempo e a eletricidade, sendo o campo das experiências físicas acerca da sabedoria. As combinações entre as propriedades da Força e da Energia contêm o eletromagnetismo, cujas combinações dão como resultado os fluidos, que os estudiosos denominam de éter, sendo o Universo, portanto, todo fluídico. É no Universo, pois, que se encontra o Saber, por excelência.

Todos os habitantes do Universo se encontram contidos em Deus, uma vez que eles são partículas do Ser Total, ou seja, os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, as inteligências da Inteligência Universal. Os seres principiam as suas evoluções pelo Universo evoluindo por intermédio das propriedades da Força e da Energia, passando a formar os seus corpos fluídicos, ou as suas almas, sendo coisas, pois que fazem parte da Coisa Total, o que implica necessariamente em dizer que todas as coisas têm alma. Os seres, tais como coisas, passam a formar os mundos, os quais ficam sob as égides das estrelas. Quando os seres adquirem o raciocínio e o livre arbítrio, eles passam a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, quando então os seus mundos passam a ser denominados de Mundos de Luz, que do mesmo modo ficam sob as égides das estrelas. Neste ponto, eles passam a formar os seus corpos de luz, que se agregam às suas almas. A alma, pois, é formada pelo corpo fluídico e pelo corpo de luz, que fica ligada diretamente ao espírito.

À medida que os seres vão evoluindo pelo Universo, os seus mundos vão se deslocando de uma coordenada universal para outra, quer dizer, de uma estrela para outra. Tudo aquilo que diz respeito às coordenadas universais pelas quais os seres passaram, fica gravado em seus corpos fluídicos, em outras palavras, as coordenadas do Universo pelas quais os seres passaram ficam contidas em seus corpos fluídicos, daí a razão pela qual o Racionalismo Cristão afirma que os seres são um universo em miniatura. Estando uma parte do Universo contida no corpo fluídico dos seres, estando eles tais como espíritos, os seus corpos de luz conseguem penetrar em todas as coordenadas do Universo por que passaram, cujo processo de penetração é denominado de volição. É, pois, por intermédio da volição que a nossa humanidade conseguirá explorar o Universo, quando os seres humanos estiverem educados o suficiente para se desdobrarem nesse desiderato, sendo devidamente orientados pelas coordenadas universais.

Como se pode claramente constatar, no Universo não existem montes, montanhas, poeiras, e tudo o mais do gênero, e muito menos curvas, retas e pontos a serem transpostos por naves espaciais, pois que os deslocamentos pelas suas coordenadas ocorrem por intermédio do pensamento, que, em comparação com a velocidade da luz eletromagnética, que não é luz espiritual, é incomensuravelmente maior, em conformidade com o estágio evolutivo em que o espírito se encontra.

O mundo Terra é um mundo original dos seres hidrogênios. A partir do momento em que os seres hidrogênios reuniram as condições evolutivas para que pudessem interagir com os demais seres atômicos, estes passaram a ser deslocados dos seus mundos, situados em outras coordenadas universais, e para cá vieram interagir com os seres hidrogênios, em obediência ao preceito da integração, que é universal. Posteriormente vieram os seres moleculares e outros, até que o planeta se tornou apto para que os espíritos que integram a nossa humanidade para cá viessem dos seus Mundos de Luz, encarnando em seu meio, daí a razão pela qual ele é um mundo-escola.

Para que os espíritos que aqui se encontram possam se orientar, locomover-se, abrigar-se, alimentar-se, etc., em resumo, habitá-lo, tornou-se necessário que eles desenvolvessem as ciências, entre elas a Matemática. É, pois, nos conhecimentos da Matemática que surge então a noção de uma reta, que aqui, neste mundo, é a menor distância entre dois pontos. Note-se aqui que, além dos seres, nada mais habita o Universo, em decorrência os mundos que nele se encontram contidos.

Em sendo assim, como realmente é assim, e como jamais poderia ser diferente, as distâncias as serem medidas dizem respeito diretamente aos seres, em que os seres infra-humanos formam os objetos, que são coisas. Deste modo, as distâncias são todas convencionais, as quais são medidas entre as coisas que se encontram neste mundo.

Mas acontece que a nossa humanidade ainda se encontra na fase da imaginação, então ela passa a imaginar no próprio espaço terreno uma reta que ligue um ponto A ao ponto B, independentemente das coisas que aqui se encontram. Ora, essa reta e esses pontos A e B não existem, pois que são apenas imaginários, sendo por isso que a imaginação pode colocar tantos pontos entre A e B quantos queira, que assim, de modo infrutífero, jamais chegará a lugar algum, e mesmo que passe toda a eternidade, terá sempre como resultado um número finito, sem jamais conseguir chegar ao infinito, pois que ele se encontra apenas em Deus. A isso os estudiosos denominam de infinito atual.

E tanto essa reta como esses pontos são apenas imaginários, pois que se colocarmos uma coisa denominada de A e uma outra coisa denominada de B, a uma certa distância uma da outra, e fizermos A se deslocar em direção a B, a uma certa velocidade, poderemos mensurar o tempo em que A deverá estar próximo de B, nunca no mesmo local, uma vez que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo, e nem em tempo algum.

Temos aqui então que v = e/t, em que v é a velocidade, e é o espaço e t é o tempo.

Em corolário, temos que neste mundo apenas as coisas são capazes de se deslocar a uma certa velocidade pelo espaço e pelo tempo. No entanto, se alguém se dispuser a imaginar uma reta que une os pontos A e B, e também imaginar algo se deslocando entre estes dois pontos, tendo que passar por uma quantidade incomensurável de pontos intermediários, ou deve olvidar da velocidade e do tempo, ou então mensurá-los, neste caso, que se disponha a realizar os devidos cálculos.

Ora, o Universo é formado pelo espaço e pelo tempo. Assim, mesmo imaginando uma reta que vai do ponto A ao ponto B, temos nessa imaginação um pequeno universo, que em obediência ao princípio da consistência deve conter também o espaço e o tempo, para que assim possa haver homogeneidade e coerência dos seus elementos constituintes, mas neste paradoxo todo a questão se prende apenas ao espaço, olvidando do tempo.

Isto se explica pelo fato de Zenão de Eleia ser por natureza um veritólogo, e como já é sabido, os veritólogos são seres espaciais, assim como também os religiosos, pois que ambos buscam os conhecimentos metafísicos, cujo repositório é o espaço, mais propriamente o Espaço Superior.

Em um encadeamento indutivo deste paradoxo precedente, pode-se afirmar também um outro paradoxo em relação ao tempo, em que um certo período que se inicia em A e termina em B nunca será completado, pois que entre A e B haverá um período C, intermediário entre A e B, que entre o período A e C haverá um período D, intermediário entre A e C. E assim por diante, consoante a imaginação. E o espaço?

Vide o tópico acerca da imaginação nos prolegômenos, e veja do que ela pode ser capaz no âmbito da irrealidade em que vivem os seres humanos neste mundo.

PARADOXO DE AQUILES

Este paradoxo é análogo ao paradoxo da dicotomia posto logo acima. É contado sob a forma de uma corrida entre Aquiles e uma tartaruga. Aquiles, o herói grego, e a tartaruga, decidem apostar uma corrida. Como a velocidade de Aquiles é maior do que a da tartaruga, esta recebe uma vantagem, começando a corrida com um trecho na frente da linha de largada de Aquiles. Este jamais a alcançará, porque quando ele chegar ao ponto inicial A de onde a tartaruga partiu, ela já terá percorrido uma nova distância, atingindo ao ponto B; e quando ele percorrer essa nova distância, atingindo ao ponto B, a tartaruga já terá percorrido uma outra nova distância, atingindo ao ponto C, e assim ao infinito.

Deixando aqui de lado estes e os demais paradoxos de Zenão de Eleia, pois que para tudo existem as suas explicações racionais, devemos nos concentrar no fato de que o veritólogo se mostra muito especulativo acerca de Deus, conferindo vários atributos ao Criador no intuito de conceituá-Lo. O primeiro atributo conferido pelo veritólogo para compor o conceito de Deus é a eternidade, no que está correto, em que aqui ele se reporta também ao tempo, confirmando o fato de Deus ser o Todo, o Criador, a Coisa Total, pois que todas as coisas que existem Dele são provenientes, não podendo haver deuses, quando ele assim se expressa:

É impossível que algo surja, pois teria que surgir ou do igual ou do desigual. Ambas as coisas, porém, são impossíveis, pois não se pode atribuir ao igual que dele se produza mais do que deve ser produzido, já que os iguais devem ter entre si as mesmas determinações. Tampouco pode surgir o desigual do desigual, pois se do mais fraco se originasse o mais forte, ou do menor o maior, ou do pior o melhor, ou se, inversamente, o pior viesse do melhor, originar-se-ia o Não Ser do Ser, o que é impossível. Portanto, Deus é eterno”.

O segundo atributo conferido pelo veritólogo para compor o conceito de Deus é a unidade, comprovando novamente que não existem deuses, nem Jeová, o deus bíblico, nem Alá, o deus alcorânico, ou qualquer outro espírito obsessor quedado no astral inferior que alimente a pretensão de ser um deus, quando ele assim se expressa:

Se Deus é o mais poderoso de tudo, então lhe é próprio que seja Um, pois na medida em que dele houvesse dois ou ainda mais, ele não teria poder sobre eles, mas enquanto lhe faltasse o poder sobre os outros não seria Deus. Se, portanto, houvesse mais deuses, eles seriam mais poderosos e mais fracos um em face do outro; não seriam, por conseguinte, deuses, pois faz parte da natureza de Deus não ter acima de si nada mais poderoso, pois o igual não é nem pior e nem melhor do que o igual, ou não se distingue dele. Se, portanto, Deus é e se ele é de tal natureza, então só há um Deus, já que não seria capaz de tudo o que quisesse se houvessem mais deuses”.

O terceiro atributo conferido pelo veritólogo para compor o conceito de Deus é a forma, quando então deixa escorregar a sua percepção, ao não considerar a Perfeição, a Infinitude e a Ilimitação de Deus, já que a Sua imperfeição, finitude e limitação dizem respeito diretamente às suas criaturas, ressaltando aqui que Deus nele se encontrava contido, consoante o seu estágio evolutivo, por isso ele considerou que Deus tem forma, a forma de uma esfera, que tem limites, o que não deixa de ser natural para a época, pois que abstrair a imaginação em toda a sua plenitude, sem qualquer interferência do ambiente fluídico deste mundo, ao qual nos encontramos temporariamente cativos, coube somente a Jesus, o Cristo, daí a razão pela qual nós temos que transcendê-lo, elevando-nos ao Espaço Superior, em busca dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e nos transportando ao Tempo Futuro, em busca das experiências físicas acerca da sabedoria. E mais: empregar o máximo esforço para que possamos fazê-lo de modo simultâneo, para que assim possamos nos universalizar. Nesse seu escorrego perceptivo, o veritólogo diz o seguinte:

Sendo Um, é em toda parte igual, ouve, vê e possui também, em toda a parte, os outros sentimentos, pois se não fosse assim, as partes de Deus dominariam uma sobre a outra, o que é impossível. Como Deus é em toda parte igual, possui ele a forma esférica, pois não é aqui assim, em outra parte de outro modo, mas em toda parte igual”.

Por fim, para compor o conceito de Deus, o veritólogo conclui que Ele não é nem Limitado e nem Ilimitado, nem Móvel e nem Imóvel, quando assim se expressa:

O Um, portanto, não está nem em repouso e nem se movimenta, pois não se parece nem com o Não Ser e nem com o múltiplo. Em tudo isso, Deus se comporta assim, pois ele é eterno e uno, idêntico a si mesmo e esférico, nem ilimitado e nem limitado, nem em repouso e nem em movimento”.

Tudo isso porque, como é natural para a época, ele ignorava que Deus é formado de Substâncias, que são formadas pela Essência e pelas Propriedades, em que a Essência é a Substância principal, o Ser Total, e as Propriedades são as substâncias secundárias, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total. Então nós também somos essência, partículas do Ser Total, que vamos evoluindo através das propriedades da Força e da Energia, até adquirirmos o raciocínio e o livre arbítrio, quando então passamos a evoluir também através da propriedade da Luz.

E isso realmente é pampsiquismo, que segundo os compêndios é uma doutrina que pretende serem espirituais todos os seres, que realmente são ou serão, segundo a denominação considerada em relação ao grau evolutivo. No entanto, ao considerarmos a etimologia da palavra, iremos verificar que a palavra pan representa um prefixo, originalmente grego, designativo de tudo o que existe, ou, em outras palavras, o Todo, que em obediência às normas gramaticais, esse prefixo é modificado para pam, já que antes de p e b só se escreve m, e não n; e que a palavra psiquismo é formada do grego psykhé, que significa alma, mas que também pode significar espírito, mais o sufixo ismo.

Então logicamente tudo é Deus, já que todas as coisas são provenientes da Coisa Total, pois não se pode conceber racionalmente a existência de algo que não possua essas mesmas substâncias, pois assim o próprio Deus iria tirar do nada esse algo, tal como o deus bíblico em seu criacionismo, com a não existência do nada abandonando tal condição de inexistência e passando a ser um imenso repositório de criação, tirando totalmente a perfeição de Deus, já que Ele estaria passivo de sofrer modificações posteriores, ou mesmo estaria passiva assim a própria natureza em tudo o que existe, apesar dela se modificar continuamente. Assim, em tais condições, a criação de cada mundo não poderia se realizar como vem se realizando, com os seres vindos do Ser Total e passando a adquirir as propriedades da Força e da Energia, criando as coisas gradativamente à medida que elas evoluem, até se tornarem espíritos, com a aquisição do raciocínio e do livre arbítrio, passando então a evoluir por intermédio da propriedade da Luz.

Daí a razão pela qual Zenão de Eleia, na qualidade de veritólogo, tentar de todas as maneiras possíveis identificar a existência de Deus, conferindo-Lhe atributos, no intuito de conceituá-Lo, cuja tarefa se torna inglória, ao considerarmos que Ele é incognoscível, daí a razão de nos contentarmos em poder identificar as Suas Substâncias, para, a partir deste ponto, podermos proceder a nossa evolução em ritmo acelerado, até que possamos alcançar o estágio evolutivo de Jesus, o Cristo, quando então poderemos nos reportar diretamente ao Pai, como ele assim diretamente se reportou ao Criador.

Mas seguindo diretamente o sentimento do seu mestre Parmênides, que afirmava a unidade do Ser, Zenão de Eleia concebeu um raciocínio deveras interessante sobre a pluralidade dos seres, argumentando que se a pluralidade existe, as coisas serão ao mesmo tempo limitadas e infinitas em número. De fato, tal raciocínio tem a sua procedência, desde que retroajamos na eternidade do tempo para facilitar a compreensão, concebendo o Criador sem as suas criaturas, concepção esta desprovida da lógica advinda da consciência, mas provida da lógica argumentativa advinda de uma simples hipótese exemplificadora, com a concepção da formação das primeiras coisas, que formaram o primeiro mundo. Assim, se passa a existir uma primeira coisa, logo se vê que passa a existir uma segunda, uma terceira, uma quarta, e assim por diante, mas não tendendo ao infinito, e sim advinda do Infinito. Mas como sabemos que os mundos sempre foram finitos, como também os seres que os formam, deixemos a hipótese exemplificadora que se refere à eternidade de lado e passemos a utilizá-la naquilo que nos diz respeito neste mundo Terra, dando prioridade à consciência, que é indispensável ao advento da Era da Razão.

Por outro lado, o veritólogo afirma que se a pluralidade existe, as coisas, ao mesmo tempo, serão infinitas em tamanho e não terão tamanho algum. Para que possamos compreender a esta sua afirmativa, faz-se necessário que sejamos cientes de que ao evoluirmos por intermédio da propriedade da Força, estamos adquirindo cada vez mais o espaço, que dela faz parte integrante; de que ao evoluirmos por intermédio da propriedade da Energia, estamos adquirindo cada vez mais o tempo, que dela faz parte integrante; e de que ao evoluirmos por intermédio da propriedade da Luz, estamos coordenando cada vez mais o espaço e o tempo adquiridos, penetrando-os em todos os sentidos, formando o universo ao qual temos acesso, e que se encontra em nós mesmos. E como a nossa evolução se dá em obediência ao preceito maior, estabelecido por Deus, o certo é que venha se estender ao infinito, com os seres tendendo a serem onipotentes, onipresentes e oniscientes, pois que a meta é a total e plena reintegração ao Criador, a Deus.

 

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