13.05.01.03.02- Parmênides

A Era da Sabedoria
2 de outubro de 2018 Pamam

Parmênides era um veritólogo natural de Eleia, antiga cidade situada na costa sul da Magna Grécia, tendo encarnado em 530 e desencarnado em 460 a.C., segundo a tradição, com a idade de setenta anos, sendo supostamente de família abastada, que teve os seus primeiros contatos veritológicos com a Escola Itálica, especialmente com Ameinias, que foi um dos veritólogos dessa escola, do qual nada se sabe, apenas o fato de que teria vivido no século V a.C., além da menção que nos chegou pelos registros de Diógenes Laércio, em sua obra intitulada de A Vida dos Filósofos Mais Ilustres, IX, 21, quando escreve acerca de Parmênides; tendo sido influenciado por Xenófanes, de quem foi seu aluno, por Pitágoras e por Heráclito, tendo ele, por sua vez, influenciado a Zenão de Eleia, Melisso de Samos, Sócrates, Platão, Aristóteles, Spinoza, Nietzsche e Heidegger. Mesmo sendo um veritólogo, muitos estudiosos o consideram como sendo o principal filósofo do período pré-socrático, em função da mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, com esta ainda sob a denominação de Filosofia.

E como a Veritologia é a fonte da Saperologia, ou seja, como os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são as fontes das experiências físicas acerca da sabedoria, isto explica a razão pela qual o notável veritólogo exerceu uma imensa influência sobre Platão, ensejando a que o grande saperólogo viesse a nomear o seu diálogo Parmênides com o nome do veritólogo, referindo-se a ele com grande admiração.

A única obra conhecida de Parmênides é um poema intitulado de Da Natureza, que sobreviveu apenas em forma de fragmentos. Nesse seu poema, o veritólogo descreve duas visões acerca da realidade. Em uma das visões, ele descreve o caminho para a verdade, e, pelo que se pode observar, ele não descreve o caminho para a sabedoria, constatando-se assim claramente que ele não era um saperólogo, mas sim um veritólogo; em que na outra visão ele descreve o caminho da opinião.

Há que se considerar, preliminarmente, que o caminho da verdade posto por Parmênides é descrito em linguagem poética, como que em sentido figurado, assim como em sentido figurado é a Alegoria da Caverna de Platão, mas ambos possuem as suas explicações lógicas e racionais, de âmbito universal.

Em sua descrição do caminho da verdade, Parmênides narra em seu poema que foi conduzido por dois cavalos fogosos, tendo sido guiado pelas filhas do Sol, que, na realidade, eram espíritos de luz, os quais apartam os véus do seu rosto, que são os sentidos, e deixam a morada da noite, assim como se a morada da noite representasse a escuridão do ambiente terreno, própria dos sentidos, sendo assim guardado pela justiça, quando então foi recebido por uma deusa, que, na realidade era um espírito de luz integrante da plêiade do Astral Superior, cujo discurso começa no verso 24, o conteúdo do resto do poema.

A deusa, então, recebe e saúda Parmênides, dizendo-lhe que é preciso que ele aprenda a conhecer todas as coisas, tanto os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, assim bem definidos, como as opiniões dos mortais, os quais não são revestidos da verdadeira convicção, mas que mesmo assim gozam de prestígio, dizendo-lhe também que somente um caminho deve ser levado em consideração, cujo caminho, obviamente, é o caminho da verdade. Assim, as filhas do Sol, ou os espíritos de luz, tiram-lhe da obscuridade, descobrindo o véu que se encontra encobrindo a verdade, através dos sentidos e das opiniões, próprios da ignorância terrena.

A seguir, a deusa fala de duas vias de indagação que se podem pensar. A primeira é expressa da seguinte maneira: o que é realmente, não pode ser que não seja. E a segunda assim: o que não é realmente, é preciso que não seja. A primeira é a via da persuasão, que acompanha a verdade. Enquanto que a segunda é completamente inescrutável, impenetrável, já que não se pode indagar, visto que, o que não é realmente, não se pode conhecer e nem expressar.

Um fragmento do poema de Parmênides que foi conservado por Plotino, diz que o que tem que ser pensado é o mesmo que tem que ser, em outras palavras, aquilo que o pensamento produz, que diz respeito à compreensão e a criação, deve ser ligado diretamente àquilo que foi sentimentalizado, que diz respeito à percepção e a captação, quer dizer, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são as fontes das experiências físicas acerca da sabedoria, em que estas são oriundas do intelecto e aqueles são oriundos do criptoscópio, devendo ambos estar ligados entre si.

O verdadeiro significado do caminho da verdade descrito por Parmênides em seu poema, exprime a realidade de que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade possuem o seu repositório no espaço, mais propriamente no Espaço Superior, que por isso não são criados, tendo existidos desde sempre, tendo que ser percebidos e captados pelo órgão mental que possui essa função e essa finalidade, cujo órgão mental foi denominado pelo Dr. Pinheiro Guedes de criptoscópio. Entretanto, o pequeno espaço que compreende o ambiente terreno não contém os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, sendo ele completamente obscuro, por isso próprio das opiniões. Assim, para que o espírito possa se elevar ao Espaço Superior para que lá possa perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, utilizando-se desse órgão mental denominado de criptoscópio, é condição sine qua non que ele tenha adquirido os atributos individuais superiores que formam a moral. A moral, portanto, é a única condição a ser imposta aos seres humanos para que eles possam perceber e captar a verdade. Daí a razão pela qual se fez justiça para com o veritólogo, ao ser conduzido ao Espaço Superior pelos espíritos de luz, em razão da sua extrema moral.

Em corolário, podemos afirmar que o verdadeiro significado do caminho da sabedoria exprime a realidade de que as experiências físicas acerca da sabedoria possuem o seu campo de atuação no tempo, mais propriamente no Tempo Futuro, pois que elas são compreendidas e criadas, não tendo existido desde sempre, uma vez que não existem duas coisas, fatos e fenômenos iguais no Universo, portanto, tendo que ser devidamente compreendidas e criadas pelo órgão mental que possui essa função e essa finalidade, cujo órgão mental todos já conhecem sob a denominação de intelecto.

Outrossim, o pequeno tempo que compreende o ambiente terreno não contém as experiências físicas acerca da sabedoria, com elas se encontrando apenas no Tempo Futuro, que é o seu verdadeiro campo. Assim, para que o espírito possa se transportar ao Tempo Futuro para que lá possa compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, utilizando-se desse órgão mental denominado de intelecto, é condição sine qua non que ele tenha adquirido os atributos relacionais positivos que formam a ética. A ética, portanto, é a única condição a ser imposta aos seres humanos para que eles possam compreender e criar a sabedoria.

Neste ponto, deve aqui ser lembrado que a primeira lição que os seguidores da verdade dos Upanishads ensinam é a da insuficiência do intelecto para a percepção e a captação da verdade. Ligando o intelecto ao cérebro, ao invés de ligá-lo ao espírito, eles não conseguiam conceber como podia o fraco cérebro, que doía pela simples ação de um cálculo, intentar compreender a complexa imensidade da qual ele não passa de um transitório fragmento. Não que o intelecto fosse inútil, mas que ele ocupava um lugar modesto e servia com desenvoltura quando defrontado pelas relações entre as coisas, o que implica em dizer, quando posto à disposição da sabedoria. Mas como vacila diante do eterno, do infinito, ou do elementarmente real! Na presença da silenciosa realidade, que se encontra por trás de todas as aparências e bem acima de todo conhecimento deste mundo, no caso as opiniões, necessitamos de um outro órgão mental que não o da compreensão, mas sim da percepção, que venha a se posicionar além dos sentidos, como se o intelecto se manifestasse pelos sentidos, como fazem as ciências de hoje, e não pelo pensamento. A mais alta expressão do conhecimento não é propriamente advinda da compreensão, como o notável veritólogo Spinoza iria afirmar, mas sim da percepção direta, o discernimento imediato, ou, como iria afirmar Bergson, da intuição, a visão interior da alma, quando o espírito deliberadamente fecha as portas aos sentidos externos. Por aqui já se pode constatar que todas as ciências se encontram equivocadas, a começar pela teoria atômica, que deverá ser totalmente refeita, conforme consta no site pamam.com.br o novo modelo da teoria atômica, pois que os cientistas consideram apenas aquilo que podem verificar. E verificar por intermédio do quê? Ora, por intermédio dos sentidos, o que é praxe das ciências de hoje.

E já que começamos a falar a respeito dos dois primeiros órgãos mentais que são desenvolvidos pelos seres em suas evoluções pelo Universo, devemos, pois, falar também a respeito do terceiro órgão mental, a consciência, em que os três órgãos mentais formam por completo toda a nossa inteligência, através dos quais nós podemos inspecionar todas as coisas, fatos e fenômenos universais, desvendando os segredos da vida e os enigmas do Universo.

Ao adquirir os atributos individuais superiores que formam a moral, o ser humano consegue se elevar em espírito ao Espaço Superior e lá fazer o uso adequado do seu criptoscópio, percebendo e captando os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, por intermédio das vibrações magnéticas, decodificando-os, para que assim possa transmiti-los em seu conjunto, com a inserção de algumas experiências físicas acerca da sabedoria, formando assim, de modo adequado, um corpo de doutrina.

Ao adquirir os atributos relacionais positivos que formam a ética, o ser humano consegue se transportar em espírito ao Tempo Futuro e lá fazer o uso adequado do seu intelecto, compreendendo e criando as experiências físicas acerca da sabedoria, por intermédio das radiações elétricas, decodificando-as, para que assim possa transmiti-las em seu conjunto, tendo como fonte um corpo de doutrina que contém o conjunto de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, formando assim um sistema, o qual irá interagir diretamente com o meio ambiente.

Ao adquirir tanto os atributos individuais superiores que formam a moral como os atributos relacionais positivos que formam a ética, tornando-se realmente educado, o ser humano consegue se elevar em espírito ao Espaço Superior e se transportar em espírito ao Tempo Futuro, concomitantemente, e como o espaço e o tempo formam o Universo, ele, portanto, se universaliza. Surge aqui então o terceiro órgão mental: a consciência, que tem a função de coordenação e a finalidade precípua de coordenar o criptoscópio e o intelecto. Estando coordenados o criptoscópio e o intelecto pela consciência, o ser humano então consegue percorrer as coordenadas universais fornecidas pelas estrelas, percebendo e captando os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e, ao mesmo tempo, compreendendo e criando as experiências físicas acerca da sabedoria, por intermédio das radiovibrações eletromagnéticas, decodificando-os, quando então consegue alcançar o Saber, por excelência.

O criptoscópio se desenvolve por intermédio da propriedade da Força, agregando no espírito a moral. O intelecto se desenvolve por intermédio da propriedade da Energia, agregando ao espírito a ética. E a consciência se desenvolve por intermédio da propriedade da Luz, agregando ao espírito a educação, coordenadora da moral e da ética. Assim, e somente assim, os espíritos conseguem se universalizar. Por aqui, logo se pode compreender o esforço infrutífero dos investigadores e pesquisadores em construir naves para a exploração do Universo, ignorando completamente que nada que se encontra integrado a este mundo-escola pode romper a sua atmosfera, ou a sua aura. Deveriam esses investigadores e pesquisadores tratarem de formar as suas educações, em primeiro plano.

Após esta breve digressão, deve-se saber que na segunda parte do seu poema, Parmênides descreve o caminho da opinião, que não sendo propriamente espiritual, reveste-se da natureza puramente humana, passando a se referir ao próprio ambiente terreno, o qual não possui em si os conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Os fragmentos do poema que se referem ao caminho da opinião são muitos escassos, mas à luz desses fragmentos, torna-se necessário que o espírito venha a conhecer todas as coisas, pelo que se pode completar, os fatos e os fenômenos universais, tanto os conhecimentos metafísicos acerca da verdade como as opiniões dos mortais, uma vez que nessas opiniões não existe a convicção verdadeira, no entanto gozam de prestígio, constituindo apenas a interpretação do movimento, da variação, não do ponto de vista do Nous, ou de Deus, portanto, nem dos seres que ainda não possuem a consciência plena de que O integram, mas sim sob o ponto de vista da sensação.

Até então, os veritólogos do Período Doutrinário haviam especulado muito acerca da natureza e da Cosmologia, quando então surge Parmênides, que com a sua luz espiritual clareia verdadeiramente o campo próprio da Veritologia, que em seu sentimento passa a ser definitivamente metafísica e ontológica, diferentemente da Saperologia, que é física e empírica.

Parmênides não aborda o tema que diz respeito às coisas tal como elas eram tratadas na época, assim como até hoje são tratadas, como se fossem objetos, mas sim as coisas como elas realmente são, ou seja, as coisas como sendo seres. Os seres como sendo coisas é a grande revelação do veritólogo, que os próprios estudiosos assumem a dificuldade em interpretar, em razão da mais extrema materialidade de que são detentores.

Na investigação da Veritologia moderna, nós vamos encontrar o númeno, considerado pelos estudiosos como sendo um objeto, ou mesmo um evento postulado que é conhecido sem a utilização dos sentidos, o que na Veritologia antiga a esfera do númeno é considerada como sendo a realidade, conhecida apenas pela mente veritológica, podendo também ser compreendido como sendo a essência de uma coisa, aquilo que possibilita que uma coisa seja aquilo que é realmente, sendo assim diferente dos fatos e dos fenômenos, tendo Platão se utilizado desse conhecimento veritológico para se referir ao universo das ideias.

Entretanto, o termo númeno é mais conhecido por intermédio de Kant, em que o númeno é o real tal como existe em si mesmo, ou seja, a coisa em si, sendo alheio à perspectiva subjetiva, através da qual se processa todo o conhecimento humano. Desta maneira, o númeno, a coisa em si, embora possa vir a ser conceituado, é por definição algo incognoscível, o que estamos provando claramente que não o é, em absoluto, sendo cognoscível, uma vez que a nossa inteligência reúne as condições necessárias para perscrutar todo o Universo, pois que somos os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, portanto, as inteligências da Inteligência Universal.

Os estudiosos entendem por perspectiva subjetiva aquilo que é percebido por um sujeito, não especificando de que forma ocorre essa percepção, já que ignoram completamente a existência do criptoscópio, por conseguinte, a própria percepção em si. Então eles partem para afirmar que o númeno é uma coisa real que não depende do sujeito para existir, independentemente da percepção, o que é óbvio, daí a razão pela qual o conceito de númeno passa a se opor ao conceito de fenômeno, em que este é percebido de forma subjetiva. Vide neste site de A Filosofia da Administração o tópico que explana as coisas, os fatos e os fenômenos. Isto implica em dizer que a coisa real e absoluta, a realidade objetiva, não depende da percepção humana, o que também é óbvio, à qual os nossos sentidos fazem apenas uma representação, quer dizer, uma representação imaginativa, mas, mesmo assim, os cientistas de hoje relutam em apreender em seus corpos mentais a não utilização dos sentidos para as suas investigações e pesquisas. E como Parmênides tratou acerca das coisas, vem Schopenhauer criticar a essa visão kantiana, acusando-o de ter se apropriado indevidamente do termo da coisa em si, o númeno, sob a alegativa de que para os antigos gregos ele se referia ao conhecimento abstrato.

Em sua verdadeira interpretação a respeito das coisas, ou dos seres, nós devemos nos reportar primeiro a Anaxágoras, que chamou de Nous ao Ser Imutável, cujo conceito é traduzido como inteligência, pelo que se pode concluir que o Nous é o Ser Total, o Criador, a Inteligência Universal, ou Deus. De acordo com o veritólogo, o Nous contém em Si todos os seres, que são essências, a cujos seres ele denominou de homeomerias, tal como se fossem sementes que contêm a essência de cada coisa que existe. Ressaltando que os latinos traduziram o Nous por mens, mente, pensamento e, em alguns casos, como espírito.

Para Parmênides, o Nous é o Todo, a Inteligência Universal, ou, simplesmente, Deus. Assim, a essência que existe na individualidade de todos os seres se encontra incorporada no Ser Absoluto, que podemos chamar de Ser Total, em que todo o Universo Nele está contido, pois que o Universo é formado pelas partículas das propriedades da Força e da Energia, que são as estrelas, as quais fornecem as coordenadas universais, assim como os seres são partículas do Ser Total, sendo os seus habitantes. Daí a razão pela qual o Ser Total é Onipotente, Onipresente e Onisciente, já que qualquer descontinuidade do Seu Poder, da Sua presença e da sua Sapiência seria equivalente à existência de algo diverso, ou mesmo do seu oposto, o não ser. O Ser Total não pode ter sido criado, pois isso implicaria a existência do não ser, portanto, o Ser Total simplesmente É, sendo por isso que nós evoluímos em busca da onipotência, da onipresença e da onisciência, para que assim possamos nos reintegrar a Deus.

Simplício da Cilícia, em sua obra intitulada de Física, tenta nos explicar sobre a natureza desse Ser Total, ou Ser Absoluto, de Parmênides, o que o faz da seguinte maneira:

Como poderia ser gerado? E como podia perecer depois disso? Assim a geração se extingue e a destruição é impensável. Também não é divisível, pois que é homogêneo, nem é mais aqui e nem menos além, o que lhe impediria a coesão, mas tudo está cheio do que é. Por isso, é todo contínuo, pois o que é adere intimamente ao que realmente é como o Todo. Mas, imobilizado nos limites de cadeias potentes, é sem princípio e sem fim, uma vez que a geração e a destruição foram afastadas, repelidas pela convicção verdadeira. É o mesmo que permanece no mesmo e em si repousa, ficando assim firme no seu lugar, pois a forte necessidade o retém nos liames dos limites que de cada lado encerra, porque não é lícito ao que é ser ilimitado, pois de nada necessita, e se assim não fosse, de tudo careceria. Mas uma vez que tem um limite extremo, está completo de todos os lados, à maneira da massa de uma esfera bem redonda, em equilíbrio a partir do centro, em todas as direções, pois não pode ser algo mais ali e algo menos ali”.

Parmênides considera que o Ser Absoluto, ou o Ser Total, não pode vir a ser, e que não podem existir vários Seres Absolutos, pois que para separá-los precisaria haver algo que não fosse um Ser, em decorrência, existe apenas a unidade eterna. Teofrasto relata a essa consideração de Parmênides da seguinte maneira:

O que está fora do Ser não é Ser. O não ser é nada. O Ser, portanto, é a existência”.

Sendo um veritológico que não se deixa levar jamais pelos sentidos, obviamente que Parmênides não deixa se enganar por aquilo que as coisas revelam através dos sentidos, assim como até hoje as ciências deixam se enganar. Os sentidos revelam as múltiplas propriedades das coisas, que assim se apresentam coloridas, quentes ou frias, duras ou moles, grandes ou pequenas, sejam elas animais, árvores, rochas, barcos feitos pelo homem, e outras. Mas que consideradas com o outro órgão mental, no caso o criptoscópio, que é o órgão da percepção, por intermédio do Nous, ou do Ser Total, do Todo, ou de Deus, as coisas apresentam uma propriedade sumamente importante e comum a todas elas, pois antes de serem brancas, ou roxas, ou quentes, elas simplesmente são seres, em que aqui o ser aparece como sendo a essência de todas as coisas, tal como todas as coisas sendo constituídas pelo Ser Total, como sendo realmente constituída da Sua Essência, que depois se haveria de denominar de um predicado real, cujo predicado real nós podemos considerar como sendo as suas propriedades, que não se manifesta senão por intermédio do Nous, ou seja, por intermédio de Deus.

Surge aqui então uma conexão entre a Essência e as Propriedades do Ser Total e a essência e as propriedades de todos os seres, tais como sendo coisas, de modo que não pode haver uma dissociação entre ambos, em razão de todos os seres possuírem as mesmas substâncias de Deus. Neste sentido, Parmênides afirma que ambos são idênticos, pois sob a visão do Nous tudo é uno, tal como se todos os seres fossem partículas do Ser Total, que formassem um único Todo. E mais: evoluindo por intermédio das Suas Propriedades.

É em Parmênides, portanto, que começa a cisão dos dois mundos, o mundo que retrata a realidade da vida, percebido apenas por intermédio da verdade, e o mundo que retrata a irrealidade da vida, através da opinião, que é falsa, ilusória e sensorial, sendo apenas aparência, quando considerada em relação à verdadeira realidade posta pela verdade.

Das citações fragmentárias do seu poema, temos de logo o grande Platão, a penúltima encarnação de Jesus, o Cristo, depois Aristóteles, Plutarco, Sexto Empírico e Simplício, entre outros. Às vezes um mesmo grupo de versos é citado por vários destes autores, e com estes dados os estudiosos puderam determinar mais facilmente qual é a cópia que se assemelha mais ao original. Mas em outras ocasiões a situação é diferente, quando a citação é única. A reconstrução do texto, a partir da reunião de todas as citações existentes, começou no Renascimento e foi concluída com a obra de Hermann Diels intitulada de Die Fragmente der Vorsokratiker, em português Os Fragmentos Pré-socráticos, em 1903, que compilou os textos da maioria dos veritólogos anteriores a Platão. Nesta obra, figuram dezenove fragmentos, presumivelmente originários de Parmênides, dos quais dezoito estão em grego e um em uma tradução para o latim. Do poema foram conservados cento e sessenta versos. Segundo estimativas de Hermann Diels, estes versos representam cerca de nove décimos da primeira parte, a via da verdade, mais um décimo da segunda parte, a via da opinião.

A obra de Hermann Diels foi reeditada e modificada por Walther Kranz, em 1934. Esta edição teve tanta influência nos estudos relativos ao assunto, que hoje em dia se cita Parmênides, assim como aos outros veritólogos, considerados como sendo “filósofos” pré-socráticos, segundo a ordem dos autores e os fragmentos desta edição. Parmênides ocupa nesta edição o capítulo 28, pelo qual se cita com a abreviatura DK 28, adicionando depois o tipo de fragmento, da seguinte maneira: A = os comentários antigos sobre a sua vida e a sua doutrina; B = os fragmentos do poema original; e, finalmente, o número do fragmento, como, por exemplo: DK 28 B1. Ainda que esta edição seja considerada canônica pelos filólogos, que em nada influi se realmente foi canonizada ou não, pois a Igreja de nada entende a respeito da busca pela verdade, pois que prefere pregar a mentira pelo orbe terrestre, acima de tudo, conservando assim o povo na mais completa ignorância, olvidando da afirmativa de Jesus, o Cristo, de que “A ignorância é o grande mal da humanidade”, mesmo se dizendo a sua seguidora; ela, esta edição reeditada, deu origem a numerosas outras reedições, que propuseram uma nova ordem dos fragmentos, e alguns especialistas, como Allan Hartley  Coxon e Néstor Luis Cordero, realizaram comparações sobre os manuscritos onde se conservam algumas das citações e colocaram em dúvida a leitura e o estabelecimento do texto de Hermann Diels.

Mas o que interessa realmente nos poemas de Parmênides é aquilo que diz respeito à sua busca pela verdade, algo com que os estudiosos do assunto deveriam concentrar as suas atenções, mas, infelizmente, os assuntos relativos a essa busca pela verdade são olvidados.

Parmênides aprofunda algo diferente na Veritologia ao não considerar o concreto, mas sim o abstrato, diferenciando assim o conhecimento, que é metafísico, da experiência, que é física. Em seu sentimento, há uma recusa da sensação como meio de se chegar à verdade, pois para ele a sensação é um caminho errado para a investigação, porque engendra contradições e confunde o que existe com o que não existe, o ser com o não ser. É por isso que ele divide o seu sentimento em duas partes distintas: uma que trata do caminho da verdade, aletheia; e outra que trata do caminho da opinião, doxa, ou seja, daquilo onde não há nenhuma certeza.

Os estudiosos do assunto afirmam que a doutrina de Parmênides, de modo simplificado, sustenta o seguinte:

  1. A unidade e a imobilidade do Ser;
  2. O mundo sensível é uma ilusão;
  3. O Ser é uno, eterno, não gerado e imutável;
  4. Não se confia naquilo que se vê, refutando assim a visão dos olhos da cara.

Em razão disso, esses estudiosos veem no poema de Parmênides o próprio surgimento da Ontologia, que eles ainda não sabem o seu real significado, mas que compõe a parte da metafísica que trata dos conhecimentos universais, pelo fato destes serem imutáveis, não sendo criados, significando o tratado dos seres em geral, que formam todas as substâncias que existem,  assim como dos fatos e dos fenômenos universais, pelas causas, independentemente da matéria e de outras especulações. O termo ontológico é utilizado em oposição ao termo empírico, pois enquanto este diz respeito às experiências físicas acerca da sabedoria, que são mutáveis, por serem criáveis, já que tendem a um maior aperfeiçoamento; aquele diz respeito aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são imutáveis, incriados, por isso podem ser considerados como sendo perfeitos. É por isso que para esses estudiosos, a ontologia trata do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos, portanto a cada um dos seres objeto dos seus estudos.

O sentimento de Parmênides é tradicionalmente considerado como sendo o oposto ao de Heráclito de Éfeso, o que não procede, pois ele fixa na metafísica ocidental a distinção entre o ser e o não Ser, para daí afirmar que toda mutação é ilusória, mas querendo se referir ao Ser Total, que é impenetrável, ou mesmo aos seres em geral, que são partículas da Essência do Ser Total, também impenetráveis, enquanto que Heráclito de Éfeso ensinava que tudo estava em perpétua mutação, referindo-se às coisas em geral, no que está absolutamente correto. No entanto, ao afirmar toda a unidade e a imobilidade do Ser, Parmênides fixa corretamente a sua investigação na pergunta “o que é?”, tentando perceber e captar com o seu poderoso criptoscópio aquilo que se encontra por detrás das aparências e das próprias transformações.

Em uma interpretação mais aprofundada dos fragmentos de Parmênides e de Heráclito, podemos encontrar um mesmo Todo para os dois, sem qualquer oposição entre as suas visões acerca do Todo.

Parmênides comparava as qualidades umas com as outras e as ordenava em duas classes distintas, como a luz e a escuridão, que para ele esta segunda qualidade nada mais era do que a negação da primeira. Assim, ele diferenciava as qualidades positivas e negativas e se esforçava para encontrar esta oposição fundamental em toda a natureza. Tomava também outros opostos, como o leve e o pesado, o ativo e o passivo, o quente e o frio, o masculino e o feminino, o fogo e a terra, a vida e a morte, aplicando a mesma comparação do modelo luz e escuridão, pois para ele tudo o que corresponde à luz é a qualidade positiva, e o que corresponde à escuridão é a qualidade negativa. Em corolário, o pesado era apenas uma negação do leve, e assim por diante. Por fim, o nosso mundo se dividia em duas esferas, quais sejam: aquelas das qualidades positivas e aquelas das qualidades negativas. A esfera negativa, pois, era apenas uma negação da esfera positiva, isto é, a esfera negativa não continha as propriedades que existiam na esfera positiva.

Já Heráclito, quando passa para o terceiro elemento da sua verdade, a unidade dos opostos, a interdependência dos contrários em relação aos outros, que leva a harmonia da luta, traz uma concepção similar à das qualidades positivas e negativas.

Ao invés das expressões “positiva” e “negativa”, Parmênides utiliza os termos metafísicos de ser e não ser, com este sendo apenas uma negação do ser. Mas ser e não ser são imutáveis e imóveis. Em sua obra intitulada de Metafísica, Aristóteles expõe esse sentimento do veritólogo da seguinte maneira:

Julgando que fora do ser o não ser é nada, forçosamente admite que só uma coisa é, a saber, o ser, e nenhuma outra… Mas, constrangido a seguir o real, admitindo ao mesmo tempo a unidade formal e a pluralidade sensível, estabelece duas causas e dois princípios: quente e frio, vale dizer, fogo e terra. Destes dois princípios ele ordena o quente ao ser, e o frio ao não ser”.

Como os veritólogos desenvolvem mais a percepção e menos a compreensão, as suas concepções acerca dos conhecimentos metafísicos que eles tentam transmitir são geralmente um tanto quanto nebulosas, escritas em uma linguagem não muito clara, chegando às vezes a alcançar até a ininteligibilidade. Por esta razão, muitos estudiosos até se abstêm de ler os seus escritos, pela dificuldade encontrada na leitura, julgando equivocadamente que são filósofos, mais propriamente saperólogos. Daí surgir uma das causas da aversão que todos têm pela até então denominada Filosofia, agora Saperologia, principalmente porque esses conhecimentos metafísicos tendem a se unir, irmanar, congregar, com as experiências físicas, e, sendo ambos mesclados, ocorre naturalmente uma certa ininteligibilidade na compreensão daqueles que ensaiam os seus estudos.

E se aproveitando disso, alguns eruditos de meia tigela ainda tentam complicar ainda mais a linguagem perceptiva dos veritólogos e a sua explanação compreensiva por parte dos saperólogos, inserindo nela as suas próprias representações imaginativas, em que eles procuram dificultar o entendimento ao máximo, para mostrar inteligência e erudição, cujas representações imaginativas nem mesmo eles sabem explicar a contento, e nelas inserindo também termos não muito usuais, para que assim possam ser admirados e considerados como sendo detentores de uma inteligência e de uma erudição incomuns, quando, na realidade, ignoram completamente como se forma a inteligência do ser humano e em que patamares vão se destacando as inteligências dos seres vulgares, dos seres religiosos e dos seres cientistas, até alcançarem a Veritologia e ou a Saperologia.

Assim, a linguagem perceptiva e um tanto quanto nebulosa de Parmênides quanto às mudanças e transformações materiais, que ele denomina de vir a ser, que a todo instante vemos ocorrer no mundo, o veritólogo as explicava como sendo apenas uma mistura participativa de ser e do não ser. Ao vir a ser é necessário tanto o ser como o não ser. Se eles agem conjuntamente, então resulta um vir a ser. Exemplifiquemos a questão, para uma maior compreensão:

No decorrer do processo da evolução, o ser atômico, que é um ser, vai se transformar em um ser molecular, que é o vir a ser. Em uma molécula de água, por exemplo, o ser hidrogênio é um ser, o outro ser hidrogênio é um também um ser, o ser oxigênio é ainda um ser, ocorrendo, pois, uma mistura participativa do ser, que são os seres atômicos, e do não ser, que é o ser molecular, que eles ainda não são, daí a razão do termo não ser. Assim, ao vir a ser, quer dizer, ao ser atômico passar a ser um ser molecular, torna-se necessário tanto o ser, tal como ser atômico que ele é realmente, como o não ser, tal como ser molecular, que ele virá a ser. Deste modo, se eles agem conjuntamente, ou seja, os seres atômicos com o ser molecular, então resulta um vir a ser, isto é, o ser atômico se transformando no futuro em um ser molecular.

Teofrasto relata assim essa percepção advinda do sentimento de Parmênides:

O que está fora do Ser não é ser; o Não Ser é nada; o Ser, portanto, é”.

Mas tal relato não condiz com a realidade, pois não se pode conceber uma mistura participativa entre o ser e o nada, pois que o nada não existe, sendo uma negação da existência, como também a necessidade do ser e do nada, e muito menos o agir em conjunto do ser e do nada.

Então, para maiores esclarecimentos, só me resta recorrer ao Ser Total como sendo o Criador, e os seres com sendo as Suas criaturas. Agora sim, vamos encontrar o verdadeiro sentido, pois tal mistura participativa, conforme ele assim se expressa, entre o ser e o não ser, nada mais é do que o retrato fiel do preceito da integração, em que os seres processam as suas evoluções através das propriedades da Força e da Energia, transformando-se continuamente, passando sempre de uma coisa para outra, à medida que vão evoluindo, que ele denomina de ser e de vir a ser, em que se faz necessário que os seres se integrem uns com os outros, agindo conjuntamente, como no caso da molécula de água.

Daí a razão pela qual vem o veritólogo dizer que o desejo era o fator que impelia os elementos de qualidades opostas a se unirem, pois é sabido que os seres mais evoluídos necessitam dos seres menos evoluídos para poderem evoluir em conjunto, e vice-versa, sendo o resultado disso um vir a ser, por força das transformações resultantes dessas interações. E segundo as suas palavras, quando esse desejo está satisfeito, o ódio e o conflito interno impulsionam novamente o ser e o não ser à separação, para que assim novas combinações impulsionem as coisas a novas transformações.

Parmênides, então, chega à conclusão de que toda a mudança é ilusória, querendo dizer com isso que a matéria é pura ilusão, pois que os seres com os seus corpos fluídicos, a partir do átomo, formam toda a matéria que existe, a qual, realmente, não passa de uma ilusão, pois o que existe na realidade são os seres com os seus corpos fluídicos, que possibilitam a ilusão da matéria. E só o que existe realmente é o ser e o não ser, ou seja, aquilo que é o que virá a ser.

Desfeita assim a nebulosidade da sua percepção criptoscópica, o veritólogo vai se tornando mais claro, quando diz que toda a nossa realidade é imutável, estática, e que a nossa essência está incorporada na individualidade divina do Ser Absoluto, ou do Ser Total, o qual permeia todo o Universo. Esse Ser Absoluto é onipresente, já que a sua presença é equivalente a existência do seu oposto, no caso as suas partículas, o ser e o não ser, que são as Suas criaturas. Em razão disso, o Ser Absoluto não pode vir a ser, e, também, não podem existir vários Seres Absolutos, pois para separá-los precisaria haver algo que não fosse um ser. Consequentemente, existe apenas a unidade eterna.

 

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