13.05.01.03-01- Xenófanes

A Era da Sabedoria
2 de outubro de 2018 Pamam

Xenófanes encarnou no ano 570 a.C., em Cólofon, na Jônia, atual costa ocidental da Turquia, e desencarnou no ano 460 a.C., com a idade de cento e dez anos, segundo o relato dos historiadores, tendo muito cedo deixado a sua cidade natal para percorrer as terras da Helade, levando cerca de sessenta e sete anos nessa sua peregrinação. A antiga Hiele, a Velia romana, conhecida na história por Eleia, porque Platão assim a denominou e porque somente os seus veritólogos são lembrados, foi o destino de Xenófanes de Cólofon, no ano 510 a.C., aproximadamente, o notável fundador da Escola Eleática, que fez questão de desencarnar após mais de um século de vida no planeta Terra.

Era um espírito detentor da mais extrema moral, dada a sua natureza veritológica, mas às vezes escorregava na ética, já que vagou durante sessenta e sete anos, como ele mesmo o narra, percorrendo de um lado para o outro as terras da Helade, fazendo por onde passava observações e inimigos. Denunciou Homero e Hesíodo pelas suas ímpias libertinagens e criticou o sobrenatural, zombando das superstições e criticando tenazmente o antropomorfismo, pois segundo Clemente de Alexandria, em sua obra intitulada Tapeçarias, ele se expressou da seguinte maneira:

Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses todos os feitos que causaram a vergonha e a desgraça da humanidade: o roubo, o adultério e a fraude. Jamais houve ou haverá homem que saiba algo certo a respeito dos deuses… Os mortais imaginam que os deuses nascem, usam roupas e possuem voz e formas semelhantes às suas. Todavia, se os leões e os bois tivessem mãos e pudessem pintar e criar imagens como fazem os homens, haveriam de pintar os seus deuses à sua própria semelhança; aos cavalos pinta-los-iam como cavalos; os bois, como bois. Os etíopes representavam os seus deuses negros e de nariz achatado; os trácios se referem aos seus olhos azuis e cabelos ruivos… Existe um Deus, supremo entre deuses e homens, nada semelhante aos mortais, nem em forma e nem em espírito. O seu Todo vê, o seu Todo pensa, o seu Todo ouve. E sem trabalho governa todas as coisas unicamente pelo poder do espírito”.

Na realidade, Xenófanes era um veritólogo extremamente espiritualizado, e nesta condição, sendo detentor de uma elevada moral e de uma percepção ímpar, não admitia que se imputasse aos espíritos de luz que o assistiam as mesmas características dos humanos, que para ele eram os deuses, por isso combatia tanto o antropomorfismo. No entanto, ele ignorava completamente os espíritos obsessores quedados no astral inferior, que, na realidade, eram os grandes responsáveis pelas causas da vergonha e da desgraça da nossa humanidade, daí a razão pela qual ele criticou a Homero e a Hesíodo.

De acordo com Diógenes Laércio, o Deus descrito por Xenófanes foi identificado pelo próprio veritólogo como sendo o Universo, pelo que assim podemos identificar corretamente a Deus como sendo a Inteligência Universal, o Todo, ou mesmo o Criador, pois que o Universo Nele se encontra contido. E tanto isto procede, que o veritólogo considera que a distinção entre as coisas, sob o fluxo e a variedade das formas, representa uma unidade imutável, tal como todas as coisas sendo provenientes e pertencentes ao Todo, ou à Coisa Total, cuja unidade imutável constitui a mais profunda realidade de Deus.

O próprio Aristóteles vem afirmar que foi Xenófanes o primeiro que unificou todas as coisas em um Todo, quando em sua obra intitulada de Metafísica afirma o seguinte:

Pois Parmênides parece se referir ao Um segundo o conceito, e Melisso ao Um segundo a matéria, por isso aquele diz que o Um é limitado, e este, que é ilimitado. Xenófanes, o primeiro a postular a unidade, nada esclareceu, nem parece que vislumbrou nenhuma dessas duas naturezas, mas, dirigindo o olhar a todo o céu, diz que o Um é Deus”.

Na realidade, sendo um saperólogo e não um veritólogo, Aristóteles não conseguiu compreender a realidade dos sentimentos perceptivos de Xenófanes e de Melisso, em razão do limite de escopo para a sua época, que por isso não conseguiu fazer eco na sua compreensão, desvirtuando o seu pensamento. Assim, o grande saperólogo não conseguiu compreender aquilo que os grandes veritólogos estavam concebendo em relação a Deus, como sendo o Ser Total, na condição do Todo, por ser um conhecimento metafisico acerca da verdade, pois que Aristóteles era mais afeito às experiências físicas acerca da sabedoria, e que por isso o Ser Total não possuía nenhum atributo conhecido pelos homens, simplesmente porque Ele era o Todo, e, nesta condição, Infinito, Perfeito e Ilimitado. No entanto, através das suas partículas que Dele se desprendem e se individualizam, passando a habitar o Universo, Ele também não pode deixar de ser Finito, Imperfeito e Limitados, pois caso não fosse assim, não poderia ser o Todo, faltando-lhe estes últimos atributos. Tanto que o saperólogo assim dizia:

Deve-se dar ao divino uma pura e elevada ideia, pois o verdadeiro Deus é único, com poder absoluto, clarividência perfeita, justiça infalível, que em nada se assemelha aos deuses homéricos, sempre a perambular pelo mundo sob o império das paixões”.

As suas críticas aos credos e seitas eram plenamente justificáveis, mas não tinham por escopo apenas um ataque aos mesmos, mas sim emprestar ao Criador uma pura e elevada concepção acerca da sua existência, concebendo o verdadeiro Deus como sendo único, absoluto, com perfeita clarividência, com uma justiça perfeita, que em nada se assemelhava aos deuses homéricos, sempre a passear pelo mundo sob o império das paixões, querendo dizer que só existe um Deus único, eterno, não gerado e puro. Assim, podemos constatar que Xenófanes procura identificar a Deus apenas como sendo o Ser Total, em essência, ou em espírito, sem as propriedades da Força, da Energia e da Luz, apesar de Diógenes Laércio considerar que ele O identifica com o Universo.

Mesmo ignorando a existência do átomo, a primeira forma assumida pelos seres, após saltarem da Essência do Criador e passarem a constituir os seus corpos fluídicos, através das primeiras parcelas das propriedades da Força e da Energia, mesmo assim, ele consegue penetrar fundo na origem dos seres, quando diz que todas as coisas, mesmo os seres humanos, são derivados da terra e da água, por força das leis naturais, uma vez que todas as mudanças ocorridas no decorrer da história e toda a distinção entre as coisas não passam de fenômenos superficiais, pois sob o fluxo e a variedade das formas repousa uma unidade imutável, a qual constitui a mais profunda realidade de Deus. Aqui ele está se referindo à própria essência dos seres, que é proveniente do Ser Total, ou de Deus, sendo a variedade de formas decorrente das modificações do corpo fluídico, que vai ocorrendo à medida que os seres vão adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força e da Energia, até que adquirem o raciocínio e o livre arbítrio, quando então passam a evoluir também através da propriedade da Luz, recebendo a denominação de espíritos.

Dos seres humanos que se destacaram pelas suas investigações e pesquisas em relação aos conhecimentos metafísicos e as experiências físicas, respectivamente, Xenófanes foi o primeiro a utilizar a observação de fósseis como evidência para que pudesse se formar pelo menos uma suposição acerca da história geológica da Terra, quando ele verifica a existência de fósseis de peixe e conchas em terras secas, chegando à conclusão acertada de que tais locais, em outras épocas, estavam embaixo da água.

Sendo considerado por grande parte dos estudiosos como sendo um reformador religioso, tal como se quisesse retirar as religiões das garras aduncas da classe sacerdotal e colocá-la como sendo as verdadeiras fontes das ciências, de onde se pode constatar, desde priscas eras, o combate aos credos e seitas pelas grandes mentalidades, ele buscava na natureza intrínseca da matéria a causa para todas as transformações das coisas, como que em busca de desvendar os segredos da evolução dos seres, dizendo que o Ser Absoluto, a essência de todas as coisas, era o Um. E de acordo com Teofrasto, uma das fórmulas contidas nos ensinamentos de Xenófanes era que “Tudo é o Um e o Um é Deus”. Assim, pode-se constatar claramente que Deus é o Todo, e jamais um espírito trevoso quedado no astral inferior, como Jeová, Alá e outros.

 

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