13.05.01.01- A Escola Jônica

A Era da Sabedoria
25 de setembro de 2018 Pamam

Iniciando o Período Doutrinário, ou as escolas Pré-socráticas, ou ainda, o Período Naturalista, como a este último denominam os estudiosos do assunto, surge a denominada Escola Jônica, proveniente da Jônia, que se situava na costa da Ásia Menor, pela extensão de cento e setenta quilômetros, em que montanhas se alinham às terras costeiras do Mar Egeu, com quarenta quilômetros de largura. Das doze cidades jônias, Mileto, a que ficava mais ao sul, era no século VI a.C. a mais rica cidade do mundo grego, sendo nela que a Escola Jônica teve o seu início. Por ser um centro mercantil, estava em constante contato com os antigos povos orientais, o que facilitou absorver as suas culturas. Depois da conquista persa de toda a Ásia Menor, acontecida em 548 a.C., continuou ainda a prosperidade de Mileto. No entanto, em 494 a.C., quando a cidade se tornou o principal centro da resistência contra o domínio persa, ela foi destruída, e embora os milésios procedessem a reconstrução da sua cidade, ela jamais retomou a sua antiga prosperidade e importância.

Era Mileto uma cidade grega independente quando nela encarnou e se celebrizou Tales como sendo o primeiro expoente do sentimento grego. E continuou ainda independente quando encarnaram posteriormente Anaximandro e Anaxímenes.

Outros grandes espíritos também encarnaram na Jônia, tais como Pitágoras de Samos, Melisso de Samos e Xenófanes de Colofon, que emigraram para o Ocidente, ou seja, para as então cidades gregas do Sul da Itália, as quais formavam assim a denominada Magna Grécia.

E ainda outros grandes espíritos que encarnaram para formar a Escola Jônica nasceram mais ao norte de Mileto, tais como Heráclito de Éfeso e Anaxágoras de Clasomene. A eles se juntou, por identidade de sentimento, o ocidental Empédocles de Agrigento, situado cronologicamente entre os dois precedentes.

É lamentável que a destruição da cidade em tempo tão antigo tenha resultado na perda de quase todos os documentos da sua história, os quais se tivessem sido preservado teriam servido de lastro para que os historiadores pudessem compor ainda mais informações históricas sobre essa cultura extremamente adiantada para a época. Mas como quase nada restou, só resta mesmo a conformação de nos utilizarmos daquilo que nos veio às mãos.

O primeiro problema veritológico enfrentado pela Escola Jônica foi saber a origem da substância primordial de tudo o que existe, a arché, em grego, que hoje sabemos ser a essência, e que todas as coisas são formadas de uma essência individualizada, uma partícula da Essência do Ser Total, de Deus, da Inteligência Universal, do Todo.

Foi em busca desses conhecimentos profundos que os seres humanos, pela primeira vez em nossa história, buscaram a explicação da natureza dentro da própria natureza, afastando-se do irracionalismo e dos devaneios do sobrenaturalismo, do misticismo e dos dogmas, que toldam o raciocínio e atravancam a evolução rumo ao caminho do esclarecimento, portanto, da espiritualidade. Esse comportamento veritológico leva também ao abandono das explicações mitológicas que eram dadas anteriormente ao desenvolvimento da Veritologia, aquilo que alguns historiadores gregos costumam denominar de milagre grego, ou seja, a passagem do conhecimento mítico para o sentimento racional veritológico.

Na qualidade de veritólogos, os sentimentalizadores jônios podem ser considerados como sendo os precursores das verdadeiras religiões, aquelas cujos conhecimentos metafísicos servem de fonte para as ciências, apesar de ainda não serem conhecidas originalmente como tais, pois foram indevidamente apropriadas pela classe sacerdotal, por isso sempre confundidas com as ciências, assim como a Veritologia sempre foi confundida com a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, daí a razão pela qual os estudiosos consideram Tales de Mileto como sendo o primeiro ser humano legitimamente considerado como cientista, algo que ele absolutamente não era, mas sim um veritólogo, ainda mais acima do que um religioso.

A Escola Jônica não foi uma escola filosófica como os estudiosos assim consideram, mas sim uma escola veritológica que se encontrava localizada na cidade de Mileto, na Jônia, que vigorou entre os séculos VI e V a.C., na Grécia. Foi na Jônia que se concentrou uma plêiade de espíritos superiores que se preocupou em perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, em seus primeiros rudimentos, sem que tenham debandado para o âmbito do sobrenatural, uma vez que o foco dessas grandes mentalidades pioneiras da verdade se concentrou na natureza, em toda a sua vastidão, daí a razão pela qual os estudiosos consideram que os seus pontos de vista são tão divergentes, que não conseguem afirmar que tenham pertencido a uma escola filosófica específica, já que consideram a todos os seus expoentes como se fossem filósofos, mais propriamente saperólogos. Essa classificação de escola jônica foi estabelecida pela primeira vez por Sócion, que foi um historiador dos assuntos transcendentais do século II.

Aristóteles passou a chamar a esses grandes espíritos de physiologoi, com o significado de aqueles que discursavam sobre a natureza. Por aqui já se pode constatar claramente que os conhecimentos transmitidos por esses veritólogos serviram de fontes para o grande saperólogo, como veremos ainda mais claramente quando tratarmos ao seu respeito.

Esses veritólogos, que foram os pioneiros dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, buscavam explicar a natureza da matéria, sendo tão desenvolvidas as suas percepções para a época, que embora soubessem que a matéria mudasse de uma forma para outra, mesmo assim, conseguiram perceber que a matéria tinha algo em comum, de natureza inalterável, como que à procura daquilo que lhe proporcionava a mudança de uma forma para outra, que são os elementos que a constituem.

Mas em razão do pioneirismo, não concordavam entre si na formação de todas as coisas que existiam, e como eram mais afeitos à percepção, na busca por captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e menos afeitos à compreensão, na busca por criar as experiências físicas acerca da sabedoria, não faziam experimentos para as suas descobertas, apenas meditavam sobre as coisas, os fatos e os fenômenos universais, ao que os estudiosos denominam de racionalização abstrata, ao invés de se apoiarem nos credos ou na mitologia para as explicações, tornando-se assim os pioneiros da Veritologia da tradição ocidental.

Outros veritólogos posteriores das demais escolas pré-socráticas complementaram os seus estudos veritológicos, incluindo outras áreas do conhecimento, mas eles formaram o primeiro grupo que se dedicou verdadeiramente ao estudo da Veritologia que se tem notícia, vindo daí a sua importância histórica. Devemos, pois, ressaltar os expoentes que se destacaram nesse grupo de veritólogos, que foram os seguintes:

  • Tales de Mileto;
  • Anaximandro;
  • Anaxímenes;
  • Heráclito, o Obscuro;
  • Empédocles;
  • Anaxágoras.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Cristologia

01- INTRODUÇÃO

É sabido que existe um número incalculável de humanidades que evolui por todo o Universo, encarnando em seus respectivos mundos-escolas, que as abrigam desde as primeiras encarnações como espíritos....

Leia mais »
A Cristologia

03- A VERDADEIRA UNÇÃO

A verdadeira e autêntica unção consiste na contemplação direta de Deus, cuja contemplação permite a própria comunicação com a Inteligência Universal, já que não mais existe um ser que...

Leia mais »
Romae