13.05.01.01.05- Empédocles

A Era da Sabedoria
26 de setembro de 2018 Pamam

Empédocles encarnou no ano 490 a.C., em Agrigento, na Sicília, a Magna Grécia, no seio de uma renomada família, tendo desencarnado em 430 a.C., com a idade de sessenta anos, segundo Aristóteles. Pouco se sabe sobre a sua vida, mas o seu pai parece ter sido importante na derrubada do tirano de Agrigento, em 470 a.C., presumidamente Trasideu, filho de Terone. O veritólogo deu seguimento à tradição democrática da sua família ajudando a derrubar o governo oligarca seguinte. Ao que se sabe, ele foi liberal apoiando aos pobres, assim como liberais ou magnânimos deveriam ser todos aqueles que são providos de posses e bens materiais, foi também severo na perseguição dos abusos da aristocracia, e até declinou de governar a cidade quando lhe foi oferecido o governo.

A sua oratória eloquente, o seu conhecimento profundo da natureza para a época e a reputação dos seus poderes mediúnicos, incluindo-se a cura de doenças e a previsão de epidemias, produziram várias lendas e histórias em volta do seu nome. Uma dessas lendas conta que ele teria se atirado na cratera do Etna para provar que era um deus. Por isso ele era tido como mágico e controlador de tempestades, pois em seu famoso poema, intitulado de Purificações, parece ter prometido poderes miraculosos, inclusive a destruição do mal, a cura da velhice e o controle sobre a chuva e o vento, tornando-o um tanto quanto mítico e profeta. Era ligado por laços de amizade a vários pitagóricos e até a Parmênides e a Anaxágoras. O seu único discípulo mencionado é o sofista e retórico Górgias.

Timeu e Dicearco de Messina falaram da viagem de Empédocles ao Peloponeso e da admiração que lá lhe foi prestada. Outros mencionaram a sua estadia em Atenas e na então recém-fundada colônia de Thurii, em 446 a.C. Existem também alguns interessantes relatos da sua viagem ao extremo oriente, às terras dos magos.

Embora fosse familiarizado com as especulações dos eleatas e dos pitagóricos, alguns estudiosos consideram que Empédocles não pertencia a nenhuma escola definida, outros a uma escola que eles denominam de pluralista, julgando que ele era eclético no seu sentimento, mesmo combinando muito do que tinha sido sugerido por Parmênides, Pitágoras e pelos veritólogos da Escola Jônica. No entanto, Aristóteles o menciona entre os filósofos jônicos, apesar de nenhum deles serem realmente saperólogos, daí a sua classificação aqui nesta escola, e ainda o coloca em relação próxima com os atomistas e com Anaxágoras.

Era um adepto do orfismo, um culto misterioso oculto nas sombras das origens helênicas, que reapareceu em sua época sob uma forma considerada como sendo saperológica e que pregava preceitos mais puros da moral e da esperança na imortalidade feliz, recebendo tal denominação por se ligar a Orfeu a fundação do culto.

Ele é o último veritólogo grego a escrever em versos, cujos fragmentos que restam de suas lições estão em dois poemas intitulados de Purificações e Sobre a Natureza. Alguns estudiosos acreditam hoje em dia, porém, que havia apenas um poema, e que as Purificações formavam o início de Sobre a Natureza. No entanto, ele estava familiarizado com os poemas didáticos de Xenófanes e Parmênides, pois podem ser encontradas alusões a este último nos seus fragmentos. Mas ao que tudo indica ele parece tê-los superado tanto na animação e riqueza do seu estilo, como na clareza das suas descrições e dicção, já que Aristóteles o apelidou de Pai da Retórica, e, embora ele tenha apenas reconhecido a métrica como o ponto de comparação entre os poemas de Empédocles e os épicos de Homero, ele descreveu o veritólogo como sendo homérico e poderoso na sua dicção. Lucrécio também fala dele com entusiasmo, e o via como o seu modelo.

Nós conhecemos apenas cem versos da sua Purificações, os quais parecem ter sido uma visão mítica do mundo, o que, não obstante, foi parte da doutrina veritológica de Empédocles. As primeiras linhas do poema foram preservadas por Diógenes Laércio, que dizem o seguinte:

Amigos, que habitais a grande cidade, junto aos fulvos rochedos de Acragas, no alto da cidadela, amadores de nobres trabalhos, respeitáveis abrigos para os estrangeiros, homens inexperientes da maldade, eu vos saúdo! Eu, porém, caminho entre vós qual deus imortal, e não mais como mortal, por todos honrado como me convém, coroado de guirlandas floridas. Desde a minha entrada nas florescentes cidades, sou honrado por homens e mulheres; seguem-me aos milhares, a fim de saberem qual o caminho da riqueza; uns necessitando de oráculos; outros, feridos por atrozes dores, pedem uma palavra salvadora para as suas múltiplas doenças”.

Provavelmente era esse poema que continha uma história sobre almas, onde nos é dito que existiram em tempos antigos espíritos que viviam em um estado de êxtase, mas tendo cometido um crime, ao qual ele não especifica, foram punidos ao serem forçados a se tornarem seres mortais, reencarnando de corpo para corpo. Os humanos, os animais e as plantas são esses espíritos, cuja conduta moral recomendada no poema pode permitir se tornarem deuses novamente.

Pode-se aqui perfeitamente constatar que o veritólogo atirou no que viu e acertou no que não viu, pois os espíritos que viviam em estado de êxtase não habitavam o mundo Terra, mas sim os seus Mundos de Luz, de onde por força das exigências do preceito da evolução, por ainda não haverem concluído os seus estágios evolutivos neste mundo, que ele confundiu com crimes, embora os tenham cometidos, são forçados a reencarnar. E em cada encarnação, desde que sigam a conduta moral recomendada em seu poema, retornam de imediato aos seus Mundos de Luz, tornando-se deuses novamente, sem a necessidade de ficarem decaídos na atmosfera terrena, fazendo parte integrante do astral inferior. E assim como os humanos têm alma, os outros animais e as plantas também a têm, faltando apenas ele concluir que todos os demais seres também possuem alma ou um corpo fluídico, a qual é proveniente das parcelas das propriedades da Força e da Energia que vão adquirindo no decorrer do processo da evolução.

Já no poema Sobre a Natureza, existem quatrocentos e cinquenta versos, incluindo setenta que foram reescritos de fragmentos de papiros, conhecidos como Strasbourg Papyrus. O poema consistia originalmente de dois mil versos hexâmetros e fôra feito para Pausânias. Era esse poema que mostrava a sua doutrina veritológica. Nele, Empédocles tenta explicar não apenas a natureza e a história do Universo, incluindo a sua teoria dos quatro elementos, em que ele descreve as suas especulações da causa, da percepção e do sentimento, assim como também as explicações dos fenômenos terrestres e os processos biológicos.

Foi Empédocles quem estabeleceu a ideia de que o mundo era constituído por quatro elementos básicos: água, terra, fogo e ar; aos quais ele denominou de raízes. No entanto, ele nunca utilizou o termo elemento, o qual foi utilizado pela primeira vez por Platão. Tudo no mundo seria uma determinada mistura desses quatro elementos, em maior ou em menor grau, e seriam o que de imutável e indestrutível existiria no mundo. De acordo com as diferentes proporções em que esses quatro elementos indestrutíveis e imutáveis são combinados uns com os outros é produzida a diferença da estrutura. É na agregação e segregação dos elementos que assim resulta, que Empédocles, assim como os atomistas, encontrou o verdadeiro processo que corresponde ao que é popularmente denominado de crescimento, aumento ou diminuição. Nada de novo vem ou pode vir a ser, a única mudança que pode ocorrer é uma mudança na justaposição de elemento com elemento. Essa especulação dos quatro elementos se tornou o padrão dogmático nos dois mil anos seguintes.

Para o veritólogo, existem duas forças fundamentais responsáveis pela manutenção do Universo: o amor, que unia os quatro elementos, aos quais ele denominava de raízes, explicava a atração das diferentes formas da matéria; e o ódio, que os separava. Todos nós fazíamos parte do Todo que se renovava em ciclos, reunindo-se com o nascimento e se separando com a morte, com esta sendo apenas a desagregação dos elementos.

Com relação à esfera de Empédocles, há que se dizer que como estado original e o melhor, houve um tempo em que os elementos puros e os dois poderes coexistiam em uma condição de repouso e imobilidade na forma de uma esfera. Os elementos existiam juntos na sua pureza, sem misturas ou separações, e o poder da união do amor predominava na esfera, com o poder separador do ódio guardando as bordas mais extremas da esfera. A partir daí, então, o ódio ganhou mais balanço e a ligação que mantinha as substâncias elementares puras juntas na esfera foi dissolvida. Os elementos se transformaram no mundo de fenômenos que assistimos hoje, cheio de contrastes e oposições, operados tanto pelo amor como pelo ódio. A esfera sendo a personificação da existência pura é a personificação ou a representação de Deus. Assim, ele assumia um Universo cíclico onde os elementos regressam e preparam a formação da esfera para o próximo período do Universo.

Empédocles, tal como os demais veritólogos jônios e os atomistas, tentou encontrar a base de toda a mudança ocorrida nas coisas. No entanto, caso eles tivessem conseguido perceber e captar a existência do corpo fluídico, já conhecido pelos egípcios com a denominação de Ka, a verdadeira base de toda a mudança ocorrida nas coisas, não teriam perdido tanto tempo com especulações perceptivas que geralmente vêm acompanhadas com a utilização de termos alheios à compreensão comum da nossa humanidade, de que se aproveitam os eruditos de meia tigela para dificultar ainda mais a compreensão desses termos, inserindo raciocínios desprovidos de lógica, por serem ignorantes acerca da vida fora da matéria, acompanhados de expressões ainda mais complexas do que as originais, por serem vaidosos e quererem ser considerados por todos como sendo o suprassumo da inteligência humana, notadamente por aqueles que adotam o mesmo procedimento, para que assim possam agir com a devida reciprocidade, com um elogiando a inteligência do outro, sem possuírem a mínima noção de como se forma e de como se desenvolve a inteligência dos seres, notadamente a dos seres humanos.

Na realidade, são os veritólogos e os saperólogos os que representam realmente o suprassumo, o requinte, a culminância da inteligência humana, já que a Veritologia é a legítima fonte da Saperologia; vindo em segundo plano os religiosos e os cientistas, que tratam das suas respectivas parcelas do Saber, já que as religiões são as legítimas fontes das ciências; vindo em terceiro plano aqueles que vão se destacando nas parcelas do Saber a que se dedicam, seja no âmbito da percepção e captação dos conhecimentos, o lado religioso, seja no âmbito da compreensão e criação das experiências, o lado científico. E assim por diante.

Mas se igualando a todos os descritos logo acima, chegando muitas vezes até a superá-los, vamos encontrar a mulher-mãe, estando assim descrita quando representando o seu verdadeiro papel neste mundo; que zela pela sua prole, como a maioria pode zelar; que alimenta a sua prole, como a maioria pode alimentar; que agasalha a sua prole, como a maioria pode agasalhar; que higieniza a sua prole, como a maioria pode higienizar; que cuida da saúde da sua prole, como a maioria pode cuidar; que instrui a sua prole, como a maioria pode instruir; mas que educa a sua prole como raríssimas podem educar; pois que ela, ciente do seu dever de mãe neste mundo, não abandona jamais o título mais honroso que possa existir: o de Rainha do Lar. Sendo neste ambiente familiar, o qual representa um verdadeiro universo, que ela, apenas ela, e mais ninguém, sabe tornar cheio de amor, para que assim possa sentir com autenticidade os atributos superiores e positivos da prole, incentivando-os e fixando no espírito dos jovens a sua prática no cotidiano; sentindo também com autenticidade os atributos inferiores e negativos, corrigindo-os aos poucos e escrevendo em estilo enérgico qual conduta deve ser seguida na estrada da vida. E tudo isso sem jamais colocar os seus em patamares acima dos demais, sem permitir que levem qualquer vantagem em detrimento dos demais, seja em que situação se apresente, pois ela sabe que agindo assim estará contribuindo para que as outras mães também procedam da mesma maneira para com os seus, colaborando então para que se estabeleça a justiça no seio da nossa humanidade. Este sim, é o verdadeiro amor de mãe!

É certo que o veritólogo não conseguiu encontrar a base das mudanças ocorridas nas coisas, mas em compensação ele disse que a vinda à existência da não existência, bem como da morte para a aniquilação completa, são impossíveis, pois o que chamamos de vir à existência e a morte é apenas a mistura e a separação do que estava misturado, ou, em outras palavras mais atuais: a encarnação e a desencarnação.

Foi no Naturalismo, doutrina veritológica concebida e adquirida pela ação exclusiva das faculdades humanas, independentemente do sobrenaturalismo da revelação, em que se revela o estado do que é produzido pela ação da mãe-natureza, que Empédocles esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do sentimento da teoria “a priori” evolucionista, quando afirmou que “Sobrevive aquele que está mais bem capacitado”, antecipando a Charles Darwin em 2.300 anos, aproximadamente. Há que se ressaltar, que ele seguiu a mesma linha de raciocínio evolutivo de Tales de Mileto: “O mundo evoluiu da água por processos naturais”.

 

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