13.05.01.01.03- Anaxímenes

A Era da Sabedoria
25 de setembro de 2018 Pamam

Anaxímenes encarnou em 588 a.C., na cidade de Mileto, tendo desencarnado em 524 a.C. Foi um dos três veritólogos milésios que os estudiosos consideram como sendo discípulos de Anaximandro, na Escola Jônica. Escreveu a obra intitulada Sobre a Natureza, em prosa, que se encontra perdida, mas temos referência a ela a partir de Diógenes, que disse que ele escrevia em dialeto jônico e em um estilo conciso, cujo estilo é próprio dos veritólogos, enquanto que o estilo dos saperólogos é amplo, já que eles explanam.

Segundo menciona Plínio, o Velho, em sua obra intitulada História Natural, Livro II, Capítulo LXXVI, Anaxímenes foi o primeiro a analisar geometricamente os aspectos das sombras para medir as partes e as divisões do dia, tendo desenhado um relógio solar que denominava de sciothericon. Foi um dos primeiros a afirmar que a luz da Lua é proveniente do Sol.

Enquanto Tales de Mileto considerava a água como sendo a substância primária de todas as coisas, pois, de fato, a água é o maior constituinte dos seres vivos, assim considerada a vida pelos estudiosos, já que uma grande variedade de seres vivos habita as águas do planeta, a começar pelos vírus, que são abundantes sobretudo nas águas superficiais, Anaxímenes considerava o ar como sendo a substância primária de todas as coisas, pois, de fato, o ar é a mistura de gases que compõem a atmosfera da Terra, sendo composto principalmente de nitrogênio, oxigênio e argônio, que juntos constituem a maior parte dos gases da atmosfera.

No entanto, para que possamos compreender a contento a essa consideração do veritólogo, nós temos que levar em consideração que todos os mundos começam a ser formados através de uma nebulosa. A nebulosa, portanto, é o nome dado pela Astronomia às manchas mais ou menos difusas que à semelhança de delgadas névoas branquejam no firmamento constelado, representando aglomerações cósmicas, pouco luminosas, que, observadas com o telescópio, e sendo planetárias, apresentam-se como se fossem massas de gás em forma de disco ou anel. É por isso que, figurativamente, o termo nebulosidade é geralmente empregado como falta de clareza, ou para expor uma situação em que se observa certa confusão. Porém, na realidade, não existe falta de clareza e nem confusão alguma, apenas a gênese das coisas, os primórdios da criação das coisas, cuja evolução dá em resultado um planeta do sistema solar. E foi assim que a Terra começou a ser formada, como também começaram a ser formados, indubitavelmente, todos os outros planetas, deste e de outros sistemas solares.

Foi por isso que Anaxímenes considerou o ar como sendo a substância primária de todas as coisas, a partir da qual todas as outras coisas eram feitas. Assim, contrapondo-se a Tales de Mileto, ele argumentava que quando o ar se condensa, torna-se visível, como o nevoeiro e outras formas de precipitação, e enquanto o ar arrefece, ele supõe que se formaria a terra e posteriormente a pedra.

Simplício, em sua obra intitulada de Física, vem afirmar o seguinte:

Anaxímenes de Mileto, filho de Eurístrates, companheiro de Anaximandro, afirma também que uma só é a natureza subjacente, e diz, como aquele, que é ilimitada, porém não indefinida, como aquele diz, mas definida, dizendo que ela é ar. Diferencia-se nas substâncias, por rarefação e condensação. Rarefazendo-se, torna-se fogo; condensando-se, vento, depois nuvem, e ainda mais água, depois terra, depois pedras, e as demais coisas provêm destas. Ele também faz eterno o movimento pelo qual ocorre a transformação”.

É lógico que havia um limite de escopo para a época, mas, mesmo assim, tendo concluído que a substância primária de todas as coisas era o ar, Anaxímenes procurou utilizar a sua percepção criptoscópica para tentar explicar as origens da natureza da Terra e dos corpos celestes ao seu redor, adentrando assim no âmbito da Cosmogonia.

Assim, dado o limite de escopo para a época, o veritólogo passou a considerar o ar para criar o disco plano da Terra, que dizia ser da forma de pão e mesa, que se comportava como uma folha a flutuar no ar, mantendo a consideração de que os corpos celestes eram como bolas de fogo no céu, propondo que a Terra libertasse uma exalação de ar rarefeito, como se fosse uma respiração, que se transformava em fogo, formando no final as estrelas. Mas o Sol não seria composto de ar rarefeito, mas sim de terra, assim como a Lua, em que o seu aspecto de ignição não viria da sua composição, mas sim do seu rápido movimento, como que por fricção, ou atrito. A Lua é também considerada como sendo plana, flutuando em fluxos de ar, e quando se oculta abaixo do horizonte, não passa por debaixo da Terra, sendo obscurecida por partes mais elevadas da Terra, enquanto faz o seu circuito e se torna mais distante. O movimento do Sol e dos outros corpos celestiais em volta da Terra é similar, ao modo de como um chapéu pode ser rodado na cabeça de uma pessoa.

Essa luminosa época de Mileto produziu não somente os primeiros passos realmente investigativos da Veritologia, com base na natureza, como também criou a prosa e a primeira historiografia da Grécia, pois lá a poesia parecia natural na adolescência dessa nação, quando a imaginação corria à solta em detrimento dos conhecimentos e das experiências, em que o irracionalismo da fé credulária emprestava uma personalidade às forças da natureza, nos campos, nas florestas, no mar e no céu, já que é difícil para a poesia evitar o animismo, ou mesmo para o animismo evitar a poesia. A prosa é a forma do conhecimento e da experiência que procura se libertar da imaginação e da fé credulária, apesar de raramente isso acontecer, por ser a linguagem das coisas, dos fatos e dos fenômenos da natureza, pois tudo que seja secular e até mesmo mundano têm que ser prosaico.

Daí a razão dessa luminosa época de Mileto mostrar o emblema da maturidade da nação grega e o epitáfio da sua adolescência, pois até então quase toda a literatura grega adotara a forma poética, com a educação traduzindo em versos a doutrina e a moral da nação, até que esses grandes espíritos encarnaram e lutaram por se libertar da mitologia, do animismo e da metáfora. Foi, portanto, um grande acontecimento quando eles expuseram as suas doutrinas em prosa, pois outros espíritos evoluídos da época, aos quais os gregos denominam de logographoi, os escritores da razão ou da prosa, começaram a historiar os anais dos seus Estados pelo novo processo, como Cadmo, que escreveu em 550 a.C. a crônica de Mileto, Eugaeon, a de Samos, e Xanto, a da Lídia.

Anaxímenes também ousou especular sobre os diversos fenômenos da natureza, e se não estava correto, isto é o esperado, já que em sua época a nossa humanidade ainda estava apenas engatinhando no sentido de perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Daí a razão dele dizer que os terremotos eram o resultado da falta de umidade, a causa pela qual a Terra sofria fraturas de tão seca que estava, ou por excesso de umidade, que também causava fraturas pelo excesso de água; em ambos os casos, a Terra se tornava fraca pelas fraturas e os montes colapsavam, causando terremotos. Os relâmpagos são causados por uma separação violenta de nuvens pelo vento, causando uma iluminação brilhante semelhante ao fogo. O arco-íris é formado quando o ar densamente comprimido é tocado pelos raios do Sol.

Todos esses exemplos nos mostram como Anaxímenes, assim como os outros milésios, procuravam captar os conhecimentos metafísicos acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais dentro da própria natureza, a fim de proporcionar à nossa humanidade uma visão real deste mundo, na tentativa heroica de identificar as causas de todos os efeitos que ocorressem, ao invés de atribui-las aos deuses ou a personificar os elementos da natureza.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Cristologia

01- INTRODUÇÃO

É sabido que existe um número incalculável de humanidades que evolui por todo o Universo, encarnando em seus respectivos mundos-escolas, que as abrigam desde as primeiras encarnações como espíritos....

Leia mais »
A Cristologia

03- A VERDADEIRA UNÇÃO

A verdadeira e autêntica unção consiste na contemplação direta de Deus, cuja contemplação permite a própria comunicação com a Inteligência Universal, já que não mais existe um ser que...

Leia mais »
Romae