13.05.01.01.02- Anaximandro

A Era da Sabedoria
25 de setembro de 2018 Pamam

Anaximandro era um veritólogo que também estudou Geografia, Matemática, Astronomia e Política, encarnado em 610 e desencarnado em 546 a.C., tendo sido discípulo de Tales de Mileto na Escola Jônica. Os relatos doxográficos contam que ele escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza, mas esta obra se perdeu.

Não é possível que aqueles que ainda sejam renitentes considerem como sendo uma simples obra do acaso a encarnação de Anaximandro como sendo o continuador da obra de Tales de Mileto, pois já deveriam saber que toda encarnação de qualquer espírito obedece, necessária e obrigatoriamente, a um plano de ação traçado pelo Astral Superior. Então não é à toa, por hipótese alguma, que os espíritos vão encarnando neste mundo Terra, pois todos que para aqui vêm são encarregados de obrigações e deveres previamente elaborados em plano astral, com alguns sendo encarregados de determinadas missões, geralmente bastante espinhosas, por isso extremamente necessárias à evolução da nossa humanidade.

Além do mais, sem esta noção clara acerca da espiritualidade, os historiadores jamais conseguiriam retratar com fidedignidade a verdadeira história desta nossa civilização, limitando-se, como sempre, a apenas narrar os fatos acontecidos, com as suas próprias interpretações imaginativas, sem que possuam a mínima ideia de que todos esses fatos foram devidamente arquitetados em plano astral, em conformidade com o plano de espiritualização formulado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, para que assim acontecessem.

E se mais progressos ainda não obtivemos, deve-se a uma imensa escassez de espíritos realmente evoluídos que saibam conduzir com honra e honestidade a massa humana, sem o apego desvairado e antropodemente carrapatal ao poder, como os menos evoluídos, que se sentem mais importantes e mais poderosos do que os seus semelhantes, quando de maneira alguma não os são, pois que o poder é individual, isento de comparsas para o seu exercício, além de usufruírem e se servirem do povo de maneira nababescamente egoísta, quando, na realidade, aqui vieram para servi-lo da maneira como em seus Mundos de Luz se propuseram, quando mais raciocinantes e mais lúcidos, aliás, bem mais lúcidos. Pois foi justamente em obediência a esse determinismo, que o espírito de Anaximandro encarnou praticamente na mesma época da encarnação de Tales de Mileto, em 610 a.C., na Grécia.

Foi realmente pura obra do acaso? Minha nossa, que coincidência! E na mesma época também encarnou Anaxímenes. Foi também pura obra do acaso? Minha nossa, que outra grande coincidência! Eu acho, e aqui eu posso utilizar corretamente tal expressão, para assim mostrar o meu “achômetro”, que vou denominar o planeta Terra de O Mundo do Acaso, ou o Mundo das Coincidências, já que aqui tudo coincide com tudo, pois tudo que é obra do acaso está coincidindo com tudo o que deveria ser. E mais: serão tantas as coincidências daqui para frente proporcionadas pelo acaso, que as encarnações dos grandes espíritos, uns coordenados com os outros, irão reunir as condições necessárias para que a nossa humanidade se esclareça e tome novos rumos, com o advento da espiritualização, ao ingressar na Era da Razão. Como o acaso é divino, ao proporcionar as maravilhosas coincidências que nos levam ao progresso! É ou não é, meu caro e estimado leitor, que ainda se conserva renitente?

Mas se quiser que continue assim, feliz como considera se encontrar, e, no caso de ser credulário, totalmente encabrestado pela classe sacerdotal, cujos deus bíblico e outros realizam os mais espetaculares milagres em prol da sua vida, curando-o, dando-lhe bens materiais, mas não aos sacerdotes, que arrancam dos seus fiéis à custa das suas lábias sobrenaturalísticas e dogmáticas, abençoando-o, livrando-o dos perigos, e tudo o mais que tal classe sacerdotal diz que esses deuses fazem, inclusive o livrando de ir para o temido inferno, algo que o homem verdadeiramente honrado e corajoso não teme, sendo capaz de enfrentar cara a cara até o terrível e manhoso Satanás, mas assim, desde que não peque e siga aos cultos e ritos adoratórios que essa classe peçonhenta promove. Então que assim seja, que assim seja feliz, aliás, cretinamente feliz.

Que me desculpe o querido leitor realmente interessado no que aqui está sendo explanado, pelo pequeno desabafo digressivo. Mas o fato é que aqui e acolá acontece um leve descuido no exercício pleno da paciência, já que passar grande parte da existência sendo tachado de doido, de perturbado, de vaidoso, de inútil, de irresponsável, de soberbo e de outros adjetivos mais, pelo simples fato de me dedicar à investigação veritológica e a pesquisa saperológica, revelando sinceramente quem havia sido na encarnação passada, apesar deste fato não ser corriqueiro para aqueles que nunca se dedicaram com afinco e ardor à investigação e a pesquisa de qualquer assunto, por mais trivial que seja esse assunto, e que por isso não sabem escrever nem sequer um “o” com uma quenga de coco posta em suas mãos, como se diz comumente por aí, quanto mais escrever assuntos realmente sérios, que por isso são estúpidos e ignorantes, e ainda mais se tornam quando se dispõem a esboçar um sorriso “sibiota” — de alguém metido a sábio, mas que não passa de um idiota — de escárnio, de zombaria, de desdém, em relação aos assuntos que se situam além das suas capacidades intelectivas, chega às vezes a causar certo cansaço, mas que logo passa, já que passa a compor o cotidiano próprio da vida.

Pois bem, os relatos doxográficos nos dão conta de que Anaximandro escreveu uma obra intitulada Da Natureza, o que comprova que ele realmente seguiu a Tales de Mileto, afastando-se corajosa e destemidamente da imaginação sobrenatural e mística da época, cuja imaginação ainda perdura até aos dias de hoje. Contudo, para o nosso grande desgosto, esta obra não foi preservada, já que se perdeu, restando dela apenas alguns fragmentos.

Em complemento a Tales de Mileto, que teve como ponto de partida a percepção da permanente transformação das coisas umas nas outras, chegando à conclusão de que todas as coisas são somente uma coisa fundamental, com todas possuindo uma única e mesma essência, ao que ele denominou de arché, Anaximandro procurou como ponto de partida a percepção da origem de todas as coisas, o arché das coisas, que para ele era o ápeiron, algo infinito no qual todas as coisas se cindem, em que esse ápeiron é algo insurgido, não tendo surgido no espaço e no tempo, tendo sempre existido, sendo imortal. Temos aqui, portanto, a confirmação da busca do veritólogo pela existência de Deus, mais especificamente do Ser Total, de onde provém todos os seres, cuja busca é totalmente segregada dos devaneios do sobrenatural.

Anaximandro não mede esforços para perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, então ele parte para investigar a razão de como as coisas se originam do ápeiron e por que elas dele se originam, afirmando que o mundo é formado dos contrários, que se autoexcluem o tempo todo, em suas transformações, o que se explica pelo caminho individual que cada ser percorre em sua evolução pelo espaço, e que o tempo é o juiz que permite que ora um exista, ora outro, mas isto pseudamente, o que se explica pelo percurso coletivo que os seres percorrem em suas evoluções pelo tempo, em suas interações, como é exemplo a água, que ora existe como molécula, mas que os seus átomos componentes, em interação, também existem.

Assim, não atentando para a existência da justiça universal, ele passa a afirmar que o mundo surge de duas grandes injustiças: a primeira é a da cisão dos opostos, que fere a unidade do princípio, o que se explica pelo princípio da repulsão; a segunda é a luta entre as origens, onde sempre um deles quer tomar o lugar do outro para poder existir, o que se explica pela lei da coesão. Por isso, há a necessidade que fará regressar todas as coisas ao fim último a que se destinam, sem injustiças, que é o ápeiron, o Ser Eterno, onde os contrários não predominam uns sobre os outros, com o tempo fazendo com que as coisas regressem a essa Unidade, a essa quietude e indeterminação de onde vieram. Aquele que leu o capítulo que trata da A Realidade de Deus de Acordo com a Razão, pode compreender perfeitamente a esses dizeres do grande veritólogo, em seu pioneirismo veritológico.

Para Anaximandro, o Universo era eterno e infinito, em que um número infinito de mundos existiu antes do nosso, e que após a sua existência se reintegraram no ápeiron, quando então outros mundos tornaram a nascer. Para uma melhor compreensão acerca do assunto, vale relembrar que os seres individualizados se desprendem do Ser Total, formando as nebulosas, que se transformam em mundos. Que os seres que formam esses mundos passam a evoluir por intermédio das propriedades da Força e da Energia, até que alcançam a espiritualidade, ao evoluírem também por intermédio da propriedade da Luz, continuando assim as suas marchas evolutivas pelo Universo, até que se reintegram novamente ao Criador. Por isso, uma quantidade incalculável de outros mundos existiu antes do nosso, entendendo-se como nosso este mundo-escola, que no início se formou através de uma nebulosa, até que se transformou em um mundo, em um mundo-escola, que evolui pelo Universo, e assim continuará, até que se transforme em um Mundo de Luz, e, finalmente, reintegre-se a Deus.

Sendo sabido que todos os seres, provenientes da Essência de Deus, como partículas que são da Sua Essência, do Ser Total, saltam do seio Paterno e se individualizam, passando a adquirir as propriedades da Força e da Energia, como as coisas mais elementares que existem, nas condições de seres atômicos, passando a formar os mundos, que vão evoluindo até se tornarem Mundos de Luz, como o planeta Terra ainda irá se tornar. Em relação ao assunto, Anaximandro consegue exprimir um arremedo desse profundo conhecimento esclarecedor para a nossa humanidade, ainda tão ignorante quanto aos segredos da vida e aos enigmas do Universo, quando diz que dessa massa infinita nasce uma interminável série de novos mundos, que para Ele voltavam pela mesma infinita sucessão à medida que evoluíam e se transformavam.

Como Anaximandro não acreditava nos deuses postos pelos credos, o que comprova a sua aversão pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior e pelo sobrenatural, ele buscou conhecer a Deus como sendo o Todo, para que assim pudesse justificar que todos os ciclos da criação e da evolução eram provenientes de causas naturais, que ocorriam a partir do ponto em as coisas abandonavam e se separavam do ápeiron, tal como estivessem se desprendendo de Deus, como se fossem partículas de Deus, uma vez que o ápeiron era a realidade da origem e da finalidade de todas as coisas, que assim continham a natureza do divino em si próprias, quer dizer, tinham a essência e as propriedades em si mesmas.

Assim, todas as coisas que existem, existem somente em função do Ser Eterno, que é o Ser Total, que, ao Dele se desprenderem, são dignas de castigo, como que a revelar as dores e os sofrimentos por que todas as coisas têm que passar, em suas jornadas evolutivas pelo Universo. Buscando perceber a origem de todas as coisas e as dores sofridas pelas coisas em suas jornadas evolutivas pelo Universo, em face das suas imperfeições, Anaximandro afirma o seguinte:

De onde as coisas têm o seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade, pois têm que pagar penitência e de ser julgadas por suas injustiças, conforme a ordem do tempo”.

Como que em referência à natureza das coisas consideradas como sendo matéria, Anaximandro afirma que tudo o que nasce, um dia vai morrer; tudo o que é quente, um dia vai esfriar; tudo o que é grande, pode ser quebrado em pedaços menores, o fogo pode ser combatido com a água e, como resultado, fogo e água deixam de existir. Assim, o veritólogo chega à conclusão de que a essência de todas as coisas não pode jamais possuir a essas propriedades determinadas que são consideradas como sendo matéria, pois que sucumbem ao longo do tempo, daí a razão do seu conceito de ápeiron, como sendo algo ilimitado, infinito, indeterminado e eterno, ou seja, Deus.

Aquele que possui o raciocínio um tanto mais profundo, pode constatar claramente que Anaximandro chegou bem próximo de revelar a existência dos fluidos, que são as incomensuráveis combinações existentes entre as propriedades da Força e da Energia, que se revelam em todos os estágios na natureza, quando ele parte do princípio da existência do vasto indefinido-infinito, denominado de ápeiron, massa sem limites nem qualidades específicas, mas se desenvolvendo por suas composições inerentes em todas as variadíssimas realidades do Universo. Esse infinito animado e eterno, que nada mais é do que as propriedades da Força e da Energia, duas das Propriedades de Deus, através das quais vamos evoluindo, sempre adquirindo cada vez mais as suas parcelas, é o único Deus da doutrina de Anaximandro, que Luiz de Mattos também considerou como sendo Deus, quando afirmou que Ele é Força, referindo-se a uma de Suas Propriedades. Ressalte-se aqui que muitos consideram os fluidos, sob a denominação de éter, como sendo Deus.

É sabido que existem as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, que são os seguintes: lei da coesão, lei da afinidade e lei da expansibilidade; princípio da atração, princípio da repulsão e princípio do calórico; preceito da polarização, preceito da fermentescibilidade e preceito da integração; que se encontram explanados neste site de A Filosofia da Administração. Pois da mesma maneira, tal como um arremedo dessa legislação universal, Anaximandro diz que dessa massa infinita se encontram todos os opostos, tais como o calor, o frio, a umidade e a secura, o líquido, o sólido e o gás, que essas qualidades potenciais se tornam reais e formam coisas diversas e definidas, e, em dissolução, essas qualidades opostas se reintegram ao infinito, que com esses surtos e quedas dos mundos, os vários elementos entram em luta uns com os outros, procurando se anular mutuamente, com a hostilidade de adversários, pagando a oposição com a própria dissolução, que é justamente a transformação das coisas em outras coisas, com os mesmos elementos que as criam.

As suas concepções astronômicas incorretas são logicamente compreensíveis, pois armado apenas com o seu poderoso criptoscópio, o órgão mental de elevação ao Espaço Superior para a percepção e a captação de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tendo por base a moral, desprovido de qualquer instrumento auxiliar para a época, conseguiu ainda ultrapassar a Tales de Mileto, concebendo a Terra como sendo um cilindro a pairar livremente no centro do Universo e sustentado apenas pela sua equidistância de todos os astros, com o Sol, a Lua e as estrelas se movendo em círculos ao seu redor.

Para ilustrar a tudo isso, talvez tendo se baseado em modelos babilônicos, Anaximandro construiu em Esparta um gnômon, ou relógio solar, parte do relógio solar que possibilita a projeção da sombra, a medição das distâncias das estrelas e o cálculo da sua magnitude, sobre o qual demonstrou o movimento dos planetas, a sucessão dos solstícios, equinócios e estações, e ainda a obliquidade da eclíptica, assim denominada porque é sobre ela que se efetuam os eclipses do Sol e da Lua, que é um grande círculo formado no espaço pela aparente passagem anual do Sol, e desde que o plano desse círculo, ou eclíptica, é também o plano da órbita terrestre, a obliquidade da eclíptica é o ângulo oblíquo, mais ou menos 23 graus, entre o plano do equador da Terra e o da sua órbita ao redor do Sol. Assim ele pode ser considerado como o iniciador da astronomia grega. Com a colaboração do seu companheiro milésio Hecateu, elevou a Geografia a uma parcela do Saber, desenhando sobre uma placa de latão o primeiro mapa conhecido desta nossa civilização, embora os egípcios já houvessem traçado mapas, mas restritos apenas de distritos limitados.

Anaximandro conseguiu formar uma concepção acerca da evolução deste planeta e dos seres, apesar de não ser precisa e nem representar fidedignamente a realidade, mas não deixa de ser um esboço bem parecido, considerada a sua ingenuidade, quando diz que a Terra se encontrava em estado fluido, com o calor vindo a secá-la em parte, formando as terras, e a evaporar em parte, que se transformou em nuvens, e as variações do calor na atmosfera assim formada deram origem aos ventos. Que os organismos vivos foram surgindo em fases graduais, originando-se da umidade inicial, e os animais terrenos foram em princípio os peixes e só com o ressecamento da Terra adquiriram a forma atual. Que o ser humano também foi em princípio peixe, pois não podia ter nascido de início como nasce hoje, uma vez que seria por demais indefeso para obter alimentos e teria sido destruído.

 

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