13.05.01.01.01- Tales de Mileto

A Era da Sabedoria
25 de setembro de 2018 Pamam

Tales de Mileto era um veritólogo que também estudou Matemática, Engenharia e Astronomia, nascido em Mileto, antiga colônia da Grécia, na Ásia Menor, a atual Turquia, mas de ascendência fenícia, em 623 ou 624 a.C., tendo desencarnado em 546 ou 548 a.C., o qual foi o fundador da Escola Jônica, tendo sido apontado como sendo um dos sete sábios da Grécia Antiga, embora ele não tenha sido propriamente um sábio, em face dos seus pendores veritológicos.

Esse grande veritólogo considerava a água como sendo a substância primária de todas as coisas, pois, de fato, a água é o maior constituinte dos seres vivos, assim considerada a vida pelos estudiosos, já que uma grande variedade de seres vivos habita as águas do planeta, a começar pelos vírus, que são abundantes sobretudo nas águas superficiais. De fato, a relação com os recursos hídricos terrestres vai muito além da sua necessidade fisiológica para a nossa humanidade, pois desde o início da história humana o desenvolvimento dos primeiros assentamentos não era realizado longe dos rios e dos lagos, onde a água trazia consigo grande abundância de alimentos.

Deve-se aqui ressaltar o seu esforço pioneiro na busca pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade para a explicação do mundo, procurando estabelecer as causas para a sua formação e o seu desenvolvimento.

Estando liberto das peias do sobrenaturalismo, Tales de Mileto esboçou os primeiros ensaios a respeito da evolução, aproximadamente 2.460 anos antes de Charles Darwin, ao afirmar que “O mundo evoluiu da água por processos naturais”.

Era tamanha a sua percepção, que sem nenhum instrumento que lhe armasse os olhos, foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao perceber que a Lua era iluminada pelo Sol, e tanto isto procede que Heródoto afirmou que ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C., o que fez com que Aristóteles viesse a se expressar sobre o fato, afirmando que tal feito marca o momento em que começa a Filosofia, onde por aqui já se pode constatar os primórdios da mescla existente entre a Veritologia e a Saperologia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse ocorreu em 28 de maio do mesmo ano mencionado por Heródoto.

O esforço desprendido por Tales de Mileto em buscar a verdade da vida na natureza, sem tanta preocupação com a sabedoria, levou-o a estabelecer relações com o magnetismo, que naquele tempo não passava de uma curiosa atração por objetos de ferro advindos de um tipo de rocha meteórica encontrada na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva. Há que se ressaltar aqui que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade têm o seu repositório no Espaço Superior, que contém o magnetismo, enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria têm o seu campo no Tempo Futuro, que contém a eletricidade, o que implica em dizer que o espaço e o tempo combinados contêm o eletromagnetismo.

Os fenícios consideravam que o Sol, a Terra, o Céu, o oceano, as montanhas, etc., eram forças autônomas, o que os levou a honrarem a tudo isso como se fossem deuses, conscientes e dotados de sentimentos, vontades e desejos, que constituíam a fonte e a essência de todas as coisas do Universo. Sendo de ascendência fenícia, esse era o ambiente em que Tales de Mileto se encontrava, mas que mesmo assim não se deixou levar por essa corrente avassaladora, pelo contrário, foi de contra a essa corrente avassaladora, alterando a esses sentimentos ao procurar perceber com a máxima exatidão as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, por isso os estudiosos denominam a esse Período Pré-socrático de período naturalista.

Quando buscam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os veritólogos formulam as suas especulações, antes das suas comprovações. Do mesmo modo, quando buscam as experiências físicas acerca da sabedoria, os saperólogos formulam as suas hipóteses, antes das suas comprovações.

Por isso, em sua busca pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, Tales de Mileto formulou as suas especulações, assim como também todos os veritólogos da Escola Jônica, tendo ele como ponto de partida a percepção da permanente transformação das coisas umas nas outras, chegando à conclusão de que todas as coisas são somente uma coisa fundamental, com todas possuindo uma única e mesma essência, ao que ele denominou de arché. Para uma melhor compreensão do leitor, é como se todas as coisas, do átomo ao ser humano, todas elas tivessem a mesma essência, pelo fato de serem todas partículas do Ser Total, com todas tendo a mesma importância, mas com os valores das suas propriedades sendo diferentes, que formam as suas almas.

Infelizmente, dos escritos de Tales de Mileto nenhum sobreviveu aos nossos dias, mas os seus conhecimentos veritológicos são conhecidos graças aos trabalhos de doxógrafos — compiladores gregos que reuniam extratos dos veritólogos e dos saperólogos antigos — como Diógenes Laércio e Simplício da Cilícia, além dos escritos de Aristóteles, que em sua obra intitulada de Metafísica vem nos dizer o seguinte:

Tales nos diz que o princípio de todas as coisas é a água, sendo talvez levado a formar essa opinião por ter observado que o alimento de todas as coisas é úmido e que o próprio calor é gerado e alimentado pela umidade. Ora, aquilo de que se originam todas as coisas é o princípio delas. Daí lhe veio essa opinião, e, também, a de que as sementes de todas as coisas são naturalmente úmidas e de ter origem na água a natureza das coisas úmidas”.

Neste ponto já se pode constatar que a Veritologia é a fonte da Saperologia, pois que os conhecimentos transmitidos por Tales de Mileto, que era um veritólogo, estavam servindo de fontes para Aristóteles, que era um saperólogo. E esse dizer de Aristóteles era apenas uma hipótese acerca das especulações de Tales de Mileto.

Em sua obra intitulada Da Alma, vem Aristóteles nos dizer o seguinte:

E afirmam que ela, a alma, está misturada no todo. É por isso, talvez, que Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses.

Parece também que Tales, pelo que se conta, supôs que a alma é algo que move, se é que disse que a pedra (ímã) tem alma, porque move o ferro”.

Se Tales de Mileto, sendo mais perceptivo e menos compreensivo, teve como ponto de partida a percepção da permanente transformação das coisas umas nas outras, chegando à conclusão de que todas as coisas são somente uma coisa fundamental, com todas possuindo uma única e mesma essência, ao que ele denominou de arché, que assim todas as coisas, do átomo ao ser humano, todas elas tinham a mesma essência, mas com os valores das suas propriedades sendo diferentes, que formam as suas almas, torna-se óbvio que Aristóteles, sendo mais compreensivo e menos perceptivo, não chegou a perceber a afirmativa do veritólogo, pelo que considerou que a alma estava misturada no todo, não conseguindo concluir que todas as coisas tinham alma, mas sim que elas estavam cheias de deuses, e que se é a alma que se move, então as coisas que formam a pedra tem alma, porque move o ferro. Por outro lado, o mundo estaria repleto de almas, ou espíritos, ou cheio de deuses, como diz Aristóteles.

Neste ponto, há que se fazer a devida diferenciação entre a investigação e a pesquisa. Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade sempre existiram, pois que eles não são criados, sendo percebidos e captados, tendo o seu repositório no Espaço Superior; por isso, para que eles possam ser percebidos e captados com adequação, pode-se dizer que esse procedimento se faz pelo processo da investigação. Enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria nunca existiram, pois que elas não são captadas, sendo compreendidas e criadas, tendo o seu campo de atuação no Tempo Futuro; por isso, para que elas possam ser compreendidas e criadas com adequação, pode-se dizer que esse procedimento se faz pelo processo da pesquisa.

Portanto, esse esforço investigativo por parte de Tales de Mileto para descobrir a essência das coisas, que representa uma unidade comum a todas elas, que seria a causa das suas existências, assim como também a alma que elas possuem, passa a representar um grande avanço do conhecimento do homem perante a Cosmologia, pois que ele abandonou as esdrúxulas explicações credulárias até então vigentes e busca, através da verdade, um novo sentido de âmbito universal.

A priori, devemos partir do princípio de que todas as coisas evoluem pelo espaço, que é o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e pelo tempo, que é o campo de atuação das experiências físicas acerca da sabedoria, e que todas as coisas têm alma. O espaço contém o magnetismo, o tempo contém a eletricidade, e ambos combinados contêm o eletromagnetismo. Eis a realidade do Universo.

Assim, podemos compreender que quando Tales de Mileto afirmou que todas as coisas têm alma, na qualidade de veritólogo, ele se posicionou no âmbito do magnetismo, supondo corretamente que o magnetismo é oriundo da existência das almas contidas nos minerais. Deste modo, ele não estava invocando a existência da essência, da alma e de Deus no sentido credulário, como até hoje se invoca, mas sim percebendo intuitivamente a formação da matéria, embora não chegasse a afirmar a sua inexistência, em sua ilusão.

Não se pode afirmar que as suas conclusões cosmológicas estivessem erradas, apenas ele as expôs em conformidade com a sua percepção, cabendo, pois, aos saperólogos, lançarem mão das suas compreensões e explanar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que ele transmitiu ao mundo, pelo que se pode afirmar que ele foi um dos precursores da Veritologia neste mundo, um dos seus pioneiros no progresso em busca da verdade.

Os primeiros biógrafos não divulgavam os fatos que consideravam menos importantes concernentes à personalidade das grandes mentalidades, por isso as vidas dos grandes homens gregos são frequentemente conhecidas de modo incompleto, pois julgavam as suas descobertas mais que suficientes para que fossem considerados como seres superiores aos comuns mortais, e como tal deveriam ter uma imagem semelhante à dos deuses. Caso não fosse assim, poderíamos constatar que Tales de Mileto valorizava acima de tudo a sua moral, que é a condição sine qua non para que o espírito possa se elevar ao Espaço Superior e lá consiga perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, mas não que ele não tivesse lá consigo a sua ética bem desenvolvida.

Não sendo esclarecido acerca da espiritualidade, embora seja um estudioso, Kirk Raven vem afirmar que a cosmologia de Tales de Mileto é muito fraca e imprecisa, por isso somente pode ser tomada como base para especulação. Mas isso em razão do estudioso não levar em conta o pioneirismo do veritólogo e a sua percepção muito desenvolvida para a época, pouco ou nada compreendendo a respeito dos conhecimentos que ele nos transmitiu.

Agora vejamos a posição de Nietzsche acerca de Tales de Mileto, quando em sua obra intitulada A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos, afirmou o seguinte:

A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário nela nos determos e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida (estado latente, prestes a se transformar), está contido o pensamento: “Tudo é Um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o retira dessa sociedade e o mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego“.

Há que se considerar que Nietzsche era um veritólogo, e não um saperólogo, e como tal fez uso da sua percepção, por isso conseguiu captar de modo mais realístico os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos por Tales de Mileto, em razão das suas afinidades veritológicas, fato que não ocorreu com o estudioso Kirk Raven, que ainda não conseguir evoluir o suficiente para as condições de veritólogo e de saperólogo. E quando Nietzsche afirma que no pensamento de Tales de Mileto está contido que Tudo é Um, ele faz referência a Deus, em que todas as coisas Nele estão contidas, em razão Dele ser o Todo.

 

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