13.03- A cultura aqueana

A Era da Sabedoria
24 de setembro de 2018 Pamam

Há várias hipóteses sobre a origem do povo aqueano, desde Homero, que o considerava proveniente do sul da Tessália, ao inglês Sir William Ridgeway, em 1901, que o considerava como sendo celtas que desceram pelo Épiro e a Tessália no ano 2000 a.C. em diante, invadindo o Peloponeso, trazendo consigo o culto de Zeus.

Mas o certo é que os aqueanos foram uma tribo grega que se multiplicou e se expandiu da Tessália até o Peloponeso durante os séculos XIV e XIII a.C., coabitando com os miceneanos ali residentes e se transformando no povo dominante por volta do ano 1250 a.C., impondo as deidades adoradas pela população primitiva, os deuses das montanhas e do céu, pois não existem traços divergentes entre a cultura miceneana e a sua última fase, a aqueana, encontrada em Homero, já que ambas passam a compor uma só.

Os aqueanos eram os gregos da Idade Heroica. As lendas desta idade revelam fatos curiosos sobre a origem e o destino dos aqueanos, por isso não devemos ignorá-las, pois elas também revelam fatos históricos, aliás, elas fazem parte da cultura grega, tanto na poesia, como na tragédia e nas artes, o que para os historiadores se tornam fatores importantes.

Segundo a lenda grega, Zeus gerou Tântalo, rei da Frígia, que gerou Pelops, que gerou Atreu, que gerou Agamemnon e Menelau, os quais se casaram com Clitemnesta e Helena, filhas do rei Tindaro da Lacedemônia, os quais governaram todo o Peloponeso oriental, das suas respectivas capitais, que eram Micenas e Esparta. O Peloponeso, ou a Ilha de Pelops, foi assim denominado em memória do avô desses dois reis. Nesse ínterim, o restante da Grécia voltava a sua atenção para os heróis fundadores de cidades.

No século XV a.C., segundo a lenda grega, como que a confirmar as tradições das diversas catástrofes que extinguiram e obliteraram várias civilizações da face da Terra, a degeneração da raça humana provocou a ira de Zeus, o qual decidiu destrui-la com um dilúvio, do qual apenas um homem, Deucalião, e a sua mulher, Pirra, conseguiram se salvar, refugiando-se em uma arca que veio a ancorar no cume do Monte Parnasso. De Helen, filho de Deucalião, originaram-se todas as tribos gregas, que por isso adotaram o nome de helênicas. É por isso que os gregos são também denominados de helenos.

Além das suas lendas, tem que ser reconstruída a vida da Grécia aqueana, que compreende o período de 1300 a 1100 a.C., em Homero, cujos poemas épicos são três séculos mais recentes, e na sua arqueologia, que possibilitou transformar em realidade cidades como Troia, Micenas, Tirinto, Cnosso e outras citadas na sua Ilíada. Há também o fato de que as exumações dos restos de uma civilização miceneana é compatível com a que é descrita em Homero, o que leva a aceitar como verdadeiras as características centrais das suas narrativas.

Os aqueanos, ou os gregos da Idade Heroica, demonstraram ser um povo mais ignorante do que os precedentes miceneanos, e menos do que os dóricos que lhe seguiram. Segundo Homero, a cultura aqueana constitui uma transição entre uma e outra. Em sua moral, o homem bom não é aquele considerado como sendo bondoso, tolerante, leal, sóbrio, trabalhador, honesto e outros atributos superiores e positivos mais, mas sim aquele que sabe combater com bravura e habilidade; assim como o homem mau não é aquele considerado como sendo o que se excede em bebidas, mente, assalta, assassina, trai e outros atributos inferiores e negativos mais, mas sim aquele que se mostra estúpido, covarde e fraco.

 

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