13.02- Luiz de Mattos

A Era da Verdade
6 de maio de 2020 Pamam

Luiz José de Mattos Chaves Lavrador, ou, simplesmente, Luiz de Mattos, encarnou na Vila de Chaves, província de Trás-os-Montes, em Portugal, no dia 03 de janeiro de 1860, e desencarnou no dia 15 de janeiro de 1926, no Rio de Janeiro, no Brasil. Era filho de José Lavrador, natural de Orence, província da Galiza, na Espanha, descendente em linha reta dos fidalgos Lavradores, e de Dona Casemira Júlia de Mattos Chaves, que por sua vez descendia dos grandes lutadores e fidalgos Mattos Chaves, fundadores da linda, hospitaleira e salubérrima Vila de Chaves.

Em 1873, aos treze anos de idade, veio para o Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro, onde o esperava o seu irmão Victorino de Mattos Lavrador, negociante em Santos, no Estado de São Paulo, que o internou no Colégio São Luiz, em Botafogo, para seguir os seus estudos. Porém, o desejo de Luiz de Mattos era ir para Santos, para ficar em companhia dos seus irmãos Victorino e João de Mattos Chaves. Assim, sendo autorizado pelos tios, partiu tempos depois para essa cidade, onde se empregou em uma importante casa de estivas do ramo de secos e molhados em grosso, passando mais tarde para o comércio de café, em que desenvolveu grande atividade.

Sendo detentor da maior mentalidade do Velho Mundo, já que Ruy Barbosa era o detentor da maior mentalidade das Américas, como ele mesmo afirmou posteriormente, a tudo assimilou com facilidade neste novo ramo de comércio, nada havendo que ele não soubesse fazer com perfeição, inclusive ensacar, empilhar, separar e qualificar o café, tanto que os seus chefes, que muito o estimavam e admiravam, despacharam-no para o interior de São Paulo e Minas Gerais, com a incumbência de comprar e obter consignações de café. Estando entregue a essa nova atividade, ele fez as mais importantes relações com políticos, fazendeiros, negociantes, industriais, literatos e outros, alcançando as maiores simpatias entre compradores e vendedores de café, tornando-se, em breve, o mais considerado dentre os seus colegas.

Aos vinte e três anos de idade, decidiu se despedir da casa em que trabalhava para se estabelecer como comissário de café, mesmo sendo detentor de um pequeno capital, mas as excelentes relações que tinha no interior, a sua grande simpatia, concorreram para que os fazendeiros lhe mandassem a maior parte das suas colheitas, ao saberem que ele havia se estabelecido. E assim foi ele fazendo uma casa importante, ao ponto de se tornar naquela época a maior casa portuguesa em Santos exportadora de café. Sendo conhecedor profundo do ramo cafeteiro, prestimoso na prestação de contas aos seus comitentes, alastrou-se a propaganda da sua casa de tal forma, que mesmo os fazendeiros que não o conheciam, faziam-lhe grandes consignações de café.

Aos vinte e seis anos de idade, conservando-se sempre ativo e trabalhador, Luiz de Matos já possuía uma considerável fortuna. Ele foi fundador de diversas empresas em São Paulo e em Santos, tais como a Companhia Internacional de Santos, o Banco de Santos, a Companhia Industrial, a Companhia Carris, etc. Convém observar que esta última foi organizada em época de grandes dificuldades financeiras, por isso somente o seu grande prestígio poderia conseguir traduzir em realidade uma ideia que demandava de pronto um avultado capital. Além destas e outras empresas, Luiz de Mattos foi igualmente fundador da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio, do Real Centro da Colônia Portuguesa, etc.

Entre outros serviços humanitários, destacam-se os que desveladamente fez à Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, que se encontrava em completa decadência, quando Luiz de Mattos, ainda materialista, mas impulsionado pela grande generosidade da sua alma, pôs ombros à espinhosa e árdua tarefa de a levantar da prostração em que se encontrava, e que a aniquilaria por completo, se à sua frente não se pusesse esse homem admirável, cujo semblante de austeridade se contradizia com a brandura da alma de que era dotado. Foi tanta a sua dedicação, tão desvelado, tão intenso o ardor com que se atirou a esse empenho, que em pouco tempo conseguia ver coroados do melhor êxito os seus nobilíssimos esforços. A Sociedade Beneficente de Santos ficou em ótimas condições, no mesmo pé de igualdade das mais importantes agremiações, suas congêneres, existentes no Brasil. O que Luiz de Mattos, como presidente dessa associação, despendeu do seu bolso em auxílio a portugueses enfermos e indigentes, eleva-se a avultada cifra, pelo que recebeu o título de Benemérito.

Eleito Diretor da Associação Comercial de Santos, por diversas vezes, a ininterrupta recondução ao cargo era a melhor prova da estima que brasileiros e portugueses lhe tributavam. Benemérito, por índole, de tudo que dava não admitia alarde, mas os beneficiados, porém, não se podiam conter e de boca em boca passavam o bem que ele fazia. No Asilo da Infância Desvalida de Santos, desde jovem foi ele incluído no número de seus grandes benfeitores. A todas as instituições humanitárias ele comparecia com prazer, auxiliando-as tanto quanto lhe era possível.

Grande abolicionista, amigo dedicado de José do Patrocínio, Júlio Ribeiro, Chico Glicério, Campos Sales, Bernardino de Campos, Santos Pereira, Luiz Gama e outros, bateu-se sempre pela abolição. Quando promulgada a Lei Áurea, Lei no. 3.353, sancionada pela princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, em 13 de maio de 1888, que concedeu a liberdade aos escravos que ainda existiam no Brasil, ele, o Dr. M. Homem de Bitencourt e outros brasileiros e portugueses, realizaram em Santos esplêndida festa em comemoração do grande acontecimento, que fazia entrar definitivamente o Brasil no convívio das nações civilizadas.

Em 1890, o seu nome foi incluído no Boletim Republicano dirigido ao eleitorado paulista, por ocasião do golpe de Estado do Marechal Deodoro. Sem qualquer sombra de dúvida, trata-se de importante documento para provar a alta estima que o povo paulista e os políticos tinham por Luiz de Mattos, que embora tenha nascido em Portugal, era para eles tão brasileiro quanto os aqui nascidos, visto ter sempre acompanhado, desde criança, com vivo interesse, o progresso e trabalhado com afinco pela felicidade do povo brasileiro, com ele e por ele se batendo ao lado dos nacionais honrados daquele tempo, os que acima dos interesses pecuniários sabiam colocar os da pátria.

Embora descontentando muitos amigos, esquivou-se de aceitar o lugar de representante do povo paulista como deputado, pois que a sua missão neste mundo era outra, além do mais não queria deixar o cargo de vice-cônsul de Portugal, o que vinha exercendo nobremente desde 1887, e mesmo por entender que não devia se naturalizar, pois um ato desse praticado por ele, naquele tempo, reputava indigno. Diz-se naquele tempo, porque depois que descobriu a verdade e passou a explanar a doutrina idealizada por Jesus, o Cristo, compreendeu e se convenceu de que a pátria é o planeta Terra, e que a seleção de povos e raças era como continua a ser uma consequência da ignorância em que vivem, ainda, todos os povos deste nosso mundo-escola.

Em relação ao assunto, eu, Pamam, reencarnei neste mundo para decretar o final de A Era da Verdade e estabelecer o início de A Era da Razão, em que nela as guarnições defensoras das fronteiras de cada nação tenderão a desaparecer, visto que à medida em que os povos forem se tornando antecristãos, conhecendo-se como espírito, partículas do Ser Total, como possuidor de um corpo fluídico e de um corpo de luz, que formam a alma, e como corpo carnal, produzindo a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal, irão desaparecendo os egoísmos, os interesses impróprios, as rivalidades, quando então uma só Constituição será estabelecida, por intermédio da qual tudo se regerá, imperando nessa altura uma legislação adequada, em conformidade com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais que tudo regem, com todos podendo cultivar os atributos morais e éticos, tornando-se educados.

Como autoridade consular em Santos, deve-se a Luiz de Mattos o final das cenas desagradáveis havidas naquela cidade entre trabalhadores e praças de polícia ali destacadas. Com o entendimento havido entre ele e o Dr. Bernardino de Campos, então chefe de polícia, em São Paulo, viram-se serenar os ânimos, restabelecer-se a ordem e voltar à calma e ao trabalho a cidade de Santos, sendo Luiz de Mattos alvo de grande manifestação popular.

No Rio de Janeiro, então capital federal, tinha ele também casa filial à de Santos para negócios de café, cuja direção estava confiada a um seu irmão. Em café, por mais de uma vez ganhou e perdeu fortuna. Era um empreendedor bastante criativo, um reformador ativo, pois no comércio de café criou o hoje desenvolvido sistema denominado de café “a termo”, que executado dentro dos seus moldes é um negócio inteligente, lícito, moderno e de grande vantagem tanto para o lavrador como para o intermediário e o comprador. Entre os comerciantes e corretores na praça de Santos, nada era resolvido sem que primeiro fosse ouvido o Luiz, como na intimidade comercial de café o tratavam. Qualquer negócio de vulto em café não era resolvido sem o seu conselho, sendo voz geral o dizer: “vai consultar primeiro o Luiz”.

Deixou os negócios de café para se recolher à vida privada, comprando então grandes áreas de terras em Santos e no Rio de Janeiro. Homem de vistas largas, que enxergava o horizonte mais além, previdente com relação ao futuro, tinha a certeza do grande valor que iriam adquirir os terrenos, quer urbanos, quer suburbanos ou rurais.

Mas estando ainda cheio de vitalidade, sentia-se mal fora da atividade comercial, e daí o ter deixado Santos para organizar e criar, na então Capital, o Rio de Janeiro, a Empresa do Lixo e o Monopólio das Carnes Verdes, empresas estas as mais importantes daquela época, que produziam rendas colossais. Tinha, porém, esse grande empreendedor o grave defeito de confiar em demasia nos outros, e daí o ser por vezes furtado nos seus haveres e no seu sossego.

Luiz de Mattos era escravo das suas obrigações e dos seus deveres, quer para com os negócios, quer para com a sua família, e mesmo para com os amigos. Quando fora dos negócios, vivia exclusivamente para a família. Nessas horas de repouso se entregava à leitura de obras de autores recomendáveis, e pessoa alguma era capaz de o encontrar sem uma ocupação útil. A sua biblioteca era rica, e já quando rapaz era mais fácil vê-lo agarrado a um livro, assimilando os ensinamentos, do que vê-lo a palestrar. Amigo da caça e da pesca, foi, por excelência, uma admirador da natureza. Fugia da sociedade para se entregar ao campo. A educação dos filhos foi esmerada, não consentia que lhes pousasse uma mosca. E não era somente aos filhos, mas também aos sobrinhos que lhe eram entregues para velar pela sua educação e instrução, como homem de moral e ética que era em tudo. Acompanhando o desenvolvimento de todos, ia fazendo um estudo psíquico de cada um, mas o seu enlevo, a sua preocupação maior, era para com o filho varão, a quem ele queria preparar para o substituir nas suas empresas. Somente permitia a frequência à sua casa de pessoas portadoras de qualidades e virtudes comprovadas.

Apesar de ser austero, era detentor de uma bondade praticamente sem limites, além de ser muito metódico e disciplinado, pois tinha horas para tudo. Com os filhos brincava, fazia ginástica e lhes ensinava tudo quanto era preciso saber, quer para estar na sociedade, quer para dela se defender, e assim dos perversos, ensinando-lhes a manejar tanto as armas brancas como as armas de fogo. As filhas vestiam todas por igual, mandando lhes ensinar tudo quanto quisessem aprender, com esses ensinos sendo ministrados em casa por professores ou professoras, sempre na presença de uma pessoa de respeito da família, pois a sós com professores ou professoras, pessoa alguma era capaz de vê-los. Tinha a noção exata da moral cristã e não admitia misturas. As suas filhas ou sobrinhas à rua não saíam sozinhas, nem tampouco passavam dias em casa de qualquer família, por mais íntima que fosse. Desde o calçado ao penteado a tudo ele observava, e quando algo se encontrava fora dos seus princípios, mandava imediatamente modificar. A uma das filhas cujo casamento estava próximo, mandou modificar o penteado com que certa vez se apresentara por outro mais de acordo com os seus princípios austeros, austeros mas artísticos. À sua mesa de refeições, todos tinham que se sentar com ordem e compostura, com cada filha servindo à mesa durante uma semana. As suas filhas sabiam de tudo, desde a cozinha à pintura, da música aos trabalhos de lavor, sabendo manejar diversos tipos de instrumentos, tanto na cozinha como na sala de visitas. Em sua casa nunca se podia estar sem uma ocupação, sempre lendo, bordando, pintando, costurando, etc.

Não tinha credo algum, tendo sido materialista até aos 50 anos, mas analisou os diversos credos através da história, e concluiu que os que não eram filhos da mitologia, eram animalizados. Dentre os oito mil credos que uma estatística de Barcelona relatava, destacava ele o Católico, tendo como seu chefe o papa, residente no pomposo Vaticano, dizendo-se representante de Jesus, o Cristo, na Terra, e o apresentando como se fôra um poltrão, pois que havendo apanhado uma bofetada em uma face, ofereceu a outra ao ofensor para provar sua humildade. Ora, ele, Luiz de Mattos, sendo um homem de ação, um lutador incondicional, não podia aceitar tamanha monstruosidade, e daí o se quedar livre pensador, materialista honrado, criando para si o credo da família, para a qual vivia.

Luiz de Mattos devia ter iniciado a sua missão neste mundo quando contava com apenas vinte e seis anos de idade, por isso aos cinquenta anos teve que passar por uma tremenda gnosiologia para despertar, sabendo-se que a gnosiologia é um processo pelo qual passam grandes espíritos para superar uma determinada situação posta pelo Astral Superior, a fim de que através desse processo venha a demonstrar os seus atributos morais ou éticos.

Assim, acometido de um colapso cardíaco, esteve às portas da sepultura durante alguns dias, não vendo na sua frente mais do que sete palmos de terra gélida, onde iria terminar o corpo. Então teve repulsa da vida e do viver humano, raciocinou e analisou que não era possível a vida de um homem se extinguir na sepultura, algo mais importante deveria existir, que era a alma, o que ela fosse, porém, não o sabia.

Melhorou ele, mas adoeceram os seus filhos, quando então o médico assistente, o seu velho amigo Dr. Oliveira Botelho, aconselha-o a não lhes dar remédios e sim uma alimentação escolhida, pois era caso perdido, já que estavam com tuberculose, por isso, caso cuidassem da alimentação, ainda poderiam prolongar a existência por mais algum tempo. Essa doença dos filhos foi um prolongamento da gnosiologia para levá-lo ao caminho da espiritualidade, tanto que o Dr. Oliveira Botelho, compadecido, disse ao amigo:

— Luiz, a medicina nada sabe, vive ainda de apalpadelas e suposições. Eu, se não fosse diabético e ignorasse que estou para morrer dentro de meses, iria estudar o Espiritismo, pois lá algo de científico existe.

Luiz de Mattos, que abominava o Espiritismo, ao ponto de fazer as suas filhas copiar obras contra o mesmo, censurou o médico e lhe disse que parecia ter perdido o juízo, pretendendo ser espírita. O Dr. Oliveira Botelho confirmou o que dissera e aconselhou o amigo a estudar o Espiritismo. Ele, que já não suportava sectaristas e muito menos ainda espíritas, pois nessa gente só observava bêbados, mostrengados e doidos varridos, julgou um absurdo o conselho de Botelho.

Andam os tempos. Luiz de Mattos estuda Medicina para curar os seus, e chega à conclusão de que o Dr. Oliveira Botelho lhe dissera a verdade com respeito à Medicina, pois, analisando o corpo humano pelo estudo anatômico, concluiu não passar este de uma série de engrenagens, tão artisticamente ligadas que à mais pequena molécula afetada, todo o organismo tinha de se ressentir, e, assim sendo, o ser humano era anormal em maior ou menor grau.

O dentista Fonseca, de quem a família de Luiz de Mattos era cliente, frequentava assiduamente o Espiritismo Racional e Científico, por isso aconselhou a família que tirasse de lá receitas, afirmando que havia de colher resultado satisfatório, pois curas extraordinárias já se tinham constatado. Acedendo aos seus conselhos, foram as receitas tiradas, sem que disso soubesse Luiz de Mattos, assim, à medida que os enfermos iam usando os remédios, melhoras sensíveis eram consideradas.

Certo dia, o seu amigo M., negociante laborioso, proprietário de uma torrefação de café, estava-o esperando para lhe pedir que fosse com ele ao Espiritismo praticado por certa gente honesta, adiantando que curas importantes estavam sendo feitas. Disse mais que tendo gasto uma fortuna com o tratamento de sua esposa, que sofria de loucura, sem obter melhoras, estava esperançoso de lá encontrar o remédio para curar o mal que avassalava a sua companheira. Ouvindo-o atentamente, Luiz de Mattos diz ao amigo:

— Mas então, tu M., queres perder toda a tua fortuna? Não sabes que os praticantes do Espiritismo são uma corja de patifes? Toma juízo, M., e deixas disso, pois eu não posso te acompanhar a tais antros, onde só se encontram bugigangas, bêbados, exploradores e patifes da pior espécie. Não te metas com semelhante gente, que acabas mal.

O amigo ficou muito entristecido, mas não perdeu a esperança em conseguir a sua companhia, pois todos os dias Luiz de Mattos por ali passava e sempre entrava para cumprimentá-lo. E assim é que no outro dia volta ele a lhe pedir, com insistência que fosse com ele, não acedendo ainda desta vez Luiz de Mattos, que sustentou o que anteriormente dissera. No terceiro dia, como de costume, entra Luiz de Mattos no estabelecimento do amigo M. ; sentado a ler o jornal encontrava-se Luiz Alves Thomaz, que a esse tempo não mantinha relações íntimas com Luiz de Mattos, mas assistindo à reiteração insistente do pedido que M. fazia a Luiz de Mattos lhe diz aquele:

— Se o Comendador Mattos for com o M., eu também vou.

Luiz de Mattos, à vista do exposto e da insistência, disse:

— Pois bem, eu vou. Às tantas horas passem lá em casa para seguirmos.

Felizes pela resposta, despediram-se, e à hora marcada partiram para a casa de Luiz de Mattos, estando este já preparado, não se tendo esquecido do seu artístico punhal e do seu verdadeiro revólver “Smith and Wesson”, saíram a caminho do Espiritismo ainda desconhecido por eles, movidos mais por curiosidade do que pela vontade de praticá-lo.

O Astral Superior estava se utilizando de todos os meios para levar Luiz de Mattos para o caminho da espiritualidade, a fim de que ele viesse a fundar o Racionalismo Cristão, transmitindo os conhecimentos metafísicos acerca da verdade para a nossa humanidade.

Ao chegar à porta de um casebre, já o estava esperando um homem, que lhe diz:

— Sr. Comendador, o nosso presidente astral, padre Antônio Vieira, ordenou-nos que quando o senhor chegasse, nós lhe déssemos a presidência dos trabalhos.

— Estás maluco, homem, eu não entendo disso, eu fico aqui mesmo da porta a presenciar.

Mas diante da insistência, quer do homem que o esperava à porta, quer dos seus dois amigos, lá foi ele para a cabeceira da mesa.

Aberta a sessão, feitas as preces, que, na realidade, eram vibrações, radiações e radiovibrações, atua o guia médico no médium sentado à direita, e lidos diversos nomes a cada um eram prescritas instruções. Curioso e investigador, Luiz de Mattos, que atentamente presenciava tudo, pede após a terminação dos trabalhos, os originais das receitas, levando-os para sua casa em cujo escritório se fecha e se dirigindo à sua mesa de trabalho, senta-se, procura concentrar-se, fechando os olhos para fazer o mesmo que havia visto. Mal sabia ele que estava correndo um grande risco, podendo até desencarnar nesse momento, avassalado pelo astral inferior. Examinando o que havia escrito, verificou que o que o médium havia deixado no papel estava escrito em ordem, os tês traçados, os is ponteados. Procurou fazer o mesmo e não o conseguiu.

Principiou aí o início do seu raciocínio acerca da espiritualidade. Ele conhecia Medicina, era inteligente e nada pudera fazer, ao passo que o médium, quase analfabeto, tinha produzido trabalho admirável.

No dia seguinte, já não eram os amigos M. e Luiz Thomaz que precisavam pedir o seu comparecimento, era ele que desejoso de estudar, investigador que era, por natureza,  avisava-os para, às horas certas, não faltarem. Chegada a hora, de novo partiram para o Espiritismo e, como anteriormente, havia ordem no Centro, dada pelo presidente astral, padre Antônio Vieira, para que ele assumisse a presidência, logo que chegasse. Assumida por ele a presidência, na hora dos trabalhos, após o receituário e algumas instruções, o presidente astral pede que se concentrem e é dada, por escrito, uma comunicação em francês, legível, livre de erros, causando um sério espanto a Luiz de Mattos, tanto que ele chegou a perguntar, após a sessão, se o médium tinha ilustração, mandando-o escrever, após os trabalhos, a fim de se certificar se era verdade, ou não. Não fosse estar sendo vítima de alguma mistificação. Mas informado das condições morais, materiais e intelectuais do médium, ficou certo de que algo importante se passava.

Conversando com Luiz Alves Thomaz e o outro amigo, disse-lhes que o que vinha observando lhe causava um grande espanto, forçando-o a meditar sobre a causa dos efeitos que observara. No dia seguinte, para lá foram novamente.

Iniciados os trabalhos, pede ele receita para os seus, e, após receitar, o guia médico, Dr. Custódio Duarte, diz-lhe: “Já são meus enfermos, estão melhorando e hão de ficar bons“. Admirou-se e só nesse dia ficou sabendo que, de fato, já os seus se estavam tratando lá. Dada também uma comunicação em inglês, ele a analisou e verificou estar claramente legível.

No fim da quarta sessão que Luiz de Mattos, sem interrupção vinha presidindo, atua um espírito em um dos médiuns ao lado dele e o insulta barbaramente. Desconhecendo esse fenômeno e supondo que fosse o médium o insultador, leva a mão ao bolso para sacar o revólver, quando rapidamente fica atuado o outro médium e lhe fala o padre Antônio Vieira:

— Acalma-te! Quando para cá vieres deixa lá isso em casa; pois, então, não vês que o médium é um simples porta-voz dos espíritos? Como querias agir por essa forma, se no espírito não podias atirar, nem matar?

Continua o padre Antônio Vieira:

— Tem paciência, estuda, eu te ajudarei. Porém, é a ti que compete doutrinar, não só a esse, como a tantos milhares de outros que te irão aparecer, e assim precisas me ajudar a limpar a atmosfera da Terra dos jesuítas que nela se tem quedado para a prática, ainda mais desenvolvida, de crimes que também já praticavam quando encarnados. Acordaste tarde, era para aos 26 anos teres iniciado comigo estes trabalhos, mas já que despertaste agora e foi preciso que te sacudisse o ataque cardíaco para te lembrares que a vida não desce à sepultura e sim ascende ao Espaço Superior, a se ligar a outras vidas, não podes mais perder tempo. Ajuda-me, pois, meu filho, estuda, e outros a ti se juntarão para levar por diante a bela doutrina de Jesus, o Cristo.

E complementa o padre Antônio Vieira:

— Esse espírito que acabou de se manifestar-se é Ignacio de Loyola, teu e meu companheiro em diversas encarnações. Há 400 anos que ele se queda na atmosfera da Terra, como terrível obsessor e chefe de grandes falanges. Cabe a ti doutriná-lo e lhe mostrar o erro em que vive.

Acalmado tudo e encerrada a Sessão, não mais faltou Luiz de Mattos aos trabalhos nesse Centro, pobre materialmente falando, mas riquíssimo de luz, de inteligência, de saber, enfim.

Nas sessões seguintes, novamente se manifesta Ignacio de Loyola e, prevenido que estava Luiz de Mattos pelo padre Antônio Vieira, deixou Ignacio Loyola falar à vontade. De súbito, Luiz de Mattos entra em uma longa dissertação da natureza, referindo-se a Deus, não à semelhança do homem, mas como Inteligência Universal a radiar por toda parte onde existe vida.

Ignacio de Loyola se espanta do que ouve do seu ex-companheiro jesuíta, quando Frei Bernardo ou S. Bernardo, e lhe pergunta:

— Mas tu que, como eu, não acreditavas em Deus, tu que até há pouco eras ateu, eras materialista, como e onde foste aprender coisas tão belas como as que me explicaste?

— Amigo, o grande padre Antônio Vieira, de nós muito conhecido, disse-me ser preciso acordar, que no Universo apenas existem Força e Matéria (a matéria não existe, digo eu) e que na Terra os encarnados são instrumentos simplesmente do bem ou do mal. Portanto, se o que eu te disse te espantou, eu nada mais fui que porta-voz das Forças Superiores, que a seu encargo têm a remodelação do planeta e tu a elas precisas pertencer.

Grande foi o diálogo havido, porém o resumimos e damos apenas uma ideia de como se iniciou o chefe do Racionalismo Cristão nesta bela doutrina.

Enquanto Luiz de Mattos dissertava com sua voz de trovão, de orador, de impulsionador, Ignacio de Loyola cada vez mais iluminava sua alma e, rompendo do véu de negrura em que estava envolvido, ia vendo, luminoso, radiante, o espírito de Luiz de Mattos, assistido pelo padre Antônio Vieira, Camões, S. Pedro, Custódio Duarte e tantas outras almas suas conhecidas. Reconhecendo-se vencido pelas verdades que havia proferido Luiz de Mattos, Ignacio de Loyola lhe pede que irradie sobre a sua alma, reconhecendo que foi o maior dos desgraçados, que se sentia sem coragem para olhar para o quadro das suas obras, já agora tão nitidamente gravadas na sua aura e que, ao rememorar o passado, não via outra coisa senão barbaridades; que o ajudasse, com sua irradiação de valor, pois queria, desejava, precisava, entrar em lutas para o bem geral, onde mais depressa pudesse descontar as suas faltas.

Retirando-se Loyola, esclarecido, havia dado Luiz de Mattos o primeiro passo para a explanação dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tão desejada por Jesus, o Cristo. Os seus companheiros e amigos, presentes àquela Sessão, disseram-lhe que estavam apavorados com o que dele ouviram, ao que ele respondeu não mais se recordar do que dissera e que tudo aquilo lhe viera de momento, não sabendo mesmo explicar como se prestara a definir a Inteligência Universal, quando nem em Jesus, o Cristo, ele acreditava, visto lhe terem apresentado como um poltrão. Agora, porém, analisando a sua obra, concluía que ele fôra um homem lutador, valoroso e apto a reagir a todos os insultos no terreno da luta.

Além desses fenômenos, muitos outros foram precisos para que a alma investigadora de Luiz de Mattos não vacilasse. E assim levou ele ano e meio em consecutivos estudos, até que um dia o guia, Pinheiro Chagas, disse-lhe: “Meu filho, é necessário que te disponhas a iniciar a obra, pois estás demorando muito”. Nessa altura já o Centro não era mais no casebre, mas sim numa boa casa de propriedade de Luiz Alves Thomaz.

Luiz de Mattos, entretanto, ressentia-se ainda da prevenção que tinha com o baixo espiritismo e como via todos que nele se metiam acabar na miséria, pensava na família, pensava no que era preciso dispender com a criação de um Centro à altura de tão bela doutrina, e receava não poder arcar com tamanha responsabilidade. O Astral Superior, vendo-lhe no aura a preocupação, insiste, por intermédio do guia Custódio Duarte, que era preciso caminhar. Sendo assim assediado, responde Luiz de Mattos:

— Sim… estou pronto para a luta, contanto que aos meus nada venha a faltar.

— Satisfaz-nos a tua resposta — disse Custódio Duarte — e certo podes estar que nada te faltará a ti nem aos teus, e tudo há de aumentar e àqueles que junto de ti viverem nada faltará.
A ti, a parte espiritual, a Luiz Alves Thomaz a parte material. Sois os dois grandes responsáveis por esta doutrina. Caminhai unidos e por vós velaremos, uma vez que em pensamentos procureis vos religar a nós.

Assim foi iniciada a doutrina da verdade, em 1910, na cidade de Santos, construindo-se um edifício para a sua explanação à Avenida Ana Costa, no. 67, em 1912, outro no Rio de Janeiro à Rua Jorge Rudge, no. 121, para onde passou a chefia da doutrina por ordem Superior, visto ser a capital do país. Compreendida a doutrina por Luiz de Mattos, a ela se entregou de corpo e alma como lutador incansável, sem a menor dúvida ou vacilação.

Iniciou em Santos uma larga campanha de difusão dos princípios da doutrina, escrevendo uma série de artigos no jornal A Tribuna, em que explicava que a loucura, assim como outras enfermidades psíquicas julgadas incuráveis pela classe médica, tinham cura com o tratamento racional e científico. Os médicos de Santos ficaram perplexos e com ele se foram entender a fim de não escrever mais contra a classe médica. Eles reconheciam que o que dizia Luiz de Mattos era verdade, mas não o podiam acompanhar por lhes faltar coragem para vencer os preconceitos. Todavia, estavam prontos a assinar toda receita fornecida pelo Centro presidido por ele, e mais: um dos médicos imediatamente foi ao seu farmacêutico lhe dizer que aviasse todas as receitas enviadas por Luiz de Mattos que ele assumia inteira responsabilidade.

Tendo sido inaugurado no Rio de Janeiro o Centro Espírita Redentor, iniciou a explanação da doutrina no jornal Tribuna Espírita e, algumas vezes, pela imprensa em geral. Quatro anos depois, por ordem de um dos guias, o padre Fonseca, foi fundado o jornal A Razão, em 19 de dezembro de 1916. Nesse jornal, o mais liberal que já houve, independente e orientador, eram doutrinados governos, ciência, clero, sectaristas, classes armadas e civis, desde o industrial, ao operário, desde o lavrador ao vendedor, consumidor, etc. Nesse órgão oficial do Racionalismo Cristão, gastou ele a sua energia e a sua vida. Sustentou as campanhas mais sérias de que até hoje temos notícia. Sendo que a havida com o clero, da qual resultou a criação da obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, causou espanto ao mundo. As verdades eram duras, o cardeal de tão revoltado, ficou maluco, ordenando o papa providências para a vinda da Bahia de D. Sebastião Leme para coadjutor, visto o cardeal estar inutilizado do espírito. Sustentou campanhas também contra o protestantismo, da qual resultou a obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, contra o próprio Espiritismo, da qual resultou a obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, e ainda contra a psiquiatria, da qual resultou a obra Pela Verdade.

Nós podemos considerar Luiz de Mattos como sendo o intermediário entre o Astral Superior e os seres humanos, inclusive se declarando como sendo o espírito da verdade prometido por Jesus, o Cristo, até nos Evangelhos. E assim, como intermediário, detinha a moral suficiente para transmitir um recado do Nazareno ao Cardeal Arcoverde, como ele mesmo afirma em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, quando assim se expressa:

Ouvi o Espírito da Verdade, a que se referem os vossos Evangelhos, e que já está na Terra a revolucionar e a esclarecer a Humanidade, pela explanação (leia-se transmissão, digo eu) da verdade, a única esclarecedora e libertadora de corpos e de almas, como Jesus, o Cristo, afirmou.

Ele vos manda dizer, mestre cardeal Arcoverde, que de fato os tempos são chegados (grifo meu), não só para que toda a Humanidade se esclareça, como para que o Vaticano, e assim vós e todos os vossos escravos e parceiros, tomem novos rumos e se cristianizem, como cristianizar-se devem todos os povos, até ao fim do presente século. Mais: que não ficará pedra sobre pedra de tudo quanto existe, especialmente referente às 8 mil seitas que na Terra pontificam para provar que ninguém se entende, que o viver humano é uma balbúrdia, que todas estão erradas, e grandemente criminosa é a católica romana, porque se assim não fosse, uma só baseada num só Grande Foco existiria e se denominaria como se está denominando o Racionalismo Cristão, único aceitável por ser a Doutrina da verdade”.

Vale aqui ressaltar que embora Luiz de Mattos fosse o grande responsável por transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade para a nossa humanidade, o jornal por ele fundado não se chamou A Verdade, mas sim A Razão. Isto se explica pelo fato do Racionalismo Cristão ainda se encontrar em sua fase de doutrina, devendo ser devidamente explanado, para que então seja incorporado um sistema à sua doutrina. Note-se que o explanador do Racionalismo Cristão alcançou a condição do nosso Antecristo. Por outro lado, encarnado como Hermes, o espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, como sendo o seu Antecristo, o explanador do Racionalismo Cristão da sua humanidade deu início a uma Grande Era, A Era da Sabedoria. Posteriormente, ao encarnar como Jesus, tendo alcançado a condição do Cristo, decretou o final de A Era da Sabedoria e deu início a uma nova Grande Era, A Era da Verdade. Com a desencarnação de Luiz de Mattos, Jesus, o Cristo, retornou para a sua própria humanidade, deixando-o como sendo o chefe da nossa humanidade. Cabe agora ao nosso Antecristo explanar o Racionalismo Cristão, implantar os seus ideais na face da Terra, promovendo a produção da amizade espiritual entre os seres humanos, fazendo emergir a solidariedade fraternal, e assim decretar o final de A Era da Verdade e estabelecer o início de A Era da Razão, daí o motivo pelo qual o jornal recebeu essa denominação. Assim, após a sua desencarnação, o nosso Antecristo deverá se deslocar para a humanidade que segue a nossa na esteira evolutiva do Universo, e lá desempenhar o mesmo papel que Jesus, o Cristo, desempenhou no seio da nossa humanidade, formulando um plano para a sua espiritualização.

Por mais de uma vez tramaram o assassinato de Luiz de Mattos e não o conseguindo nas emboscadas traiçoeiras que lhe armavam, ao passar o seu carro, incumbiram dessa criminosa tarefa um bandido que se dizia seu companheiro na doutrina. Esse hipócrita e infeliz, todos os dias à noite lhe beijava a face e dele se despedia, como se tocado pelo sentimento de verdadeiro amigo ou de um filho que o sabe ser. Mas, no entanto, a lhe ruminar a alma trazia o crime e o premeditou com uma covardia vilíssima.

Certo dia, alegando precisar lhe falar com toda a urgência, às cinco e meia da manhã, desce Luiz de Mattos dos seus aposentos, em pijama, na sua simplicidade de homem puro, às pressas para atender ao suposto amigo, que lhe dava beijos com a boca, mas fel com a alma, e, supondo que alguma enfermidade ou coisa grave houvesse em sua casa, pronto para ouvi-lo, ao descer a escada, vê-se inopinadamente alvejado à queima roupa por quatro balas de revólver, tendo a última ainda lhe chamuscado a manga do pijama. Vendo-se frustrado em sua tentativa de eliminar o benfeitor, fugiu, covardemente, supondo que Luiz de Mattos o processaria ou lhe mandaria fazer o mesmo. Enganou-se, porém, visto Luiz de Mattos ser de homem para homem, jamais vingativo, por isso sempre temido e respeitado pelas suas nobres ações.

Aos bandidos ele respondia no terreno e na oportunidade da ofensa. Passando daí, vê-los, era o mesmo que ver caninos, e mais: se lhe mandassem pedir alguma coisa, não era capaz de negar. O quanto tinha de enérgico, guerreiro ou lutador, na defesa da família, dos amigos, da sua pátria e do Brasil, tinha também de bondoso, superior e altruísta. Na sua alma não se aninhava rancor ou intenções de vingança. Para ele a palavra “não” devia desaparecer. O que mais lhe custava era negar, era deixar de servir a quem o procurava. A sua bondade era excessiva e por vezes até prejudicial. Era um homem que saía com dinheiro na algibeira e se alguém o não acompanhasse para impedir a aproximação de certa gente que vivia de expediente, de exploração, ele dava tudo que levava, a ponto de algumas vezes regressar à casa sem um real. Eram palavras dele: “Tomem conta de mim, não deixem se aproximar certa gente; já sabem que não posso ouvir lamúrias; guardem-me o dinheiro“.

Lutador igual ainda não houve. A sua indômita coragem, o seu grande valor, tornaram-se evidentes quando à frente da A Razão, no seu artigo a Nota, diariamente doutrinava, esclarecia, orientava governos, ciência, clero e povo. Foi com sua pena manejada à vontade do Astral Superior que o Brasil entrou na guerra, e se os seus governantes tivessem sabido seguir o que ele ensinava, hoje o país estaria cheio de ouro, como ficou a América do Norte. Foi com a sua Nota que ministros se viram na contingência de se demitir, tendo, todavia, mandado lhe oferecer grandes somas para não prosseguir em seus escritos.

Foi através de sua Nota que Ruy Barbosa ficou ciente e convencido de que nunca seria presidente da República, por ter sido considerado como ingrato filho. Tendo levantado a sua candidatura civilista para combater e derrotar a militar de Hermes da Fonseca, abalou-se para os Estados em propaganda política, recusando-se a representar o país na Liga das Nações.

Durante a existência do jornal A Razão, coisas assombrosas se passaram, mas nem assim quiseram despertar.

Os galfarros foram muitos, aves de rapina sem asas, voavam no patrimônio do jornal A Razão, e daí alguns terem se enchido às custas do jornal, porém é ditado velho: “o alheio chora o seu dono”. E dessas aves rapineiras, as que ainda andam por esse mundo afora, sofrem, vivem como corvos, a alma talvez mais enegrecida do que as penas do próprio corvo.

Quando o Racionalismo Cristão inaugurou a sua sede na Rua Jorge Rudge, 121, já havia improvisado, no segundo andar, um hospital para dementes, tendo Luiz de Mattos retirado alguns do hospício e da Casa de Saúde Dr. Eiras, considerados incuráveis, com a intenção de os normalizar.

Decorridos dois meses de tratamento, convencido da normalização dos internados, solicitou ao Ministro da Justiça a nomeação de uma comissão de psiquiatras para examinar os ex-loucos, comparecendo ao Centro Redentor, chefiando a comissão, o Dr. Juliano Moreira, então diretor do Hospital Nacional de Alienados, que depois de rigorosos exames constaram que estavam todos normais. Admirados e mal acreditando no que viam, o Dr. Juliano Moreira disse a Luiz de Mattos:

— Por que não propõe ao governo ir realizar sessões de Limpeza Psíquica no hospício, para a cura dos loucos?

Luiz de Mattos respondeu, sorrindo:

— Não é essa a nossa finalidade. Quisemos apenas provar que a loucura é mal do espírito e não do corpo.

Palestraram, ainda, por algum tempo e a Comissão se retirou satisfeita e impressionada com o que acabava de presenciar, mas mesmo assim os psiquiatras não se dispuseram a estudar a vida fora da matéria, ao que tudo indica com medo das críticas que por certo receberiam daqueles que insistem em procurar o mal da loucura no cérebro.

Cumprindo esse dever, o fundador do Racionalismo Cristão pediu aos responsáveis pelos internados que os fossem buscar, e os entregou lúcidos e esclarecidos, não mais internando ninguém, pois no andar superior residia com a sua família.

É certo que o ambiente terreno não contém os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, cujo repositório é o Espaço Superior, e nem as experiências físicas acerca da sabedoria, cujo campo de atuação é o Tempo Futuro, por isso, caso tenhamos a pretensão de obtê-los, temos que transcender a este mundo, livrando-nos das influências terrenas. Luiz de Mattos era ciente desta realidade, e como era um conhecedor, por excelência, elevava-se sempre ao Espaço Superior, para que lá pudesse perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade. É o que ele mesmo comprova, quando em sua obra Pela Verdade, a página 229, vem afirmar o seguinte:

“… é preciso que coloque apenas os pés no mundo físico e ligue a sua partícula da Força (do Ser Total, digo eu) à Inteligência Universal, para bem compreender os porquês das coisas e convencer-se de que não deve tomar a figura humana ou qualquer corpo organizado deste planeta, para modelo de coisa alguma”.

Geralmente quando os seres humanos escrevem algo que sempre vem da imaginação, eles entram em contradição, pois que a memória não consegue guardar tudo aquilo que venha a ser imaginativo, uma vez que a imaginação não traduz a realidade das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Por outro lado, quando se trata de transmitir a verdade, nunca se entra em contradição, uma vez que estando apreendidos os seus conhecimentos, sempre se trata da realidade das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Sendo convicto de que transmitia os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, Luiz de Mattos jamais entrou em contradição, como ele mesmo afirma em sua obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, a página 115, da seguinte maneira:

Os cristãos não podem cair em contradições, visto que, dizendo somente a verdade, com o único fim de beneficiar indivíduos, coletividades e a humanidade em geral, estão sempre certos, e é isso o que se dá conosco, cujo ideal consiste em beneficiar o todo, que é a humanidade, auxiliando-a a raciocinar, sem o que não se pode salvar das garras da ignorância sectária, origem de todos os males. A verdade, dita seja como for, se queima e esmaga o ser físico, também lhe fortifica e eleva a alma e a torna apta para a tremenda luta pela vida, para o sagrado cumprimento do dever para com o Grande Foco e para com a humanidade”.

Luiz de Mattos era seguro de si, convicto da sua missão neste nosso mundo-escola para fundar o Racionalismo Cristão e transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, portanto, ciente de que era um espírito superior, sendo intermediário entre o Astral Superior e os seres humanos em geral, tanto que se inclui como integrante das Forças Superiores, mesmo estando encarnado. Na mesma obra, a página 181, ele faz a seguinte afirmativa:

E porque o dever do Astral Superior é destruir o erro e implantar a Verdade, e, consequentemente castigar o vício e premiar a virtude, é que ele, esse arreliento Astral Superior aqui está, por nosso intermédio (grifo meu)”.

Era notável a maneira como Luiz de Mattos penetrava o passado em encarnações pretéritas, afirmando não somente as suas, mas também a de terceiros, como é o caso da de Gustavo Macedo, a quem ele dirigiu notas que deram origem à obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, quando às páginas 213, 215, 217 e 218, ele diz o seguinte:

Meu caro Gustavo Macedo, meu adorável Frei Solanus e frade de todos os tempos.

Que te tomem como místico, como Frei Solanus, no fundo, embora na forma o não pareças, é também o que eu desejo, porque é mil vezes preferível esse ‘fradejar’, do que parecer, embora ligeiramente, espírita em provação, da primeira ou última hora.

Resolvi palestrar contigo, meu caro Gustavo, porque se tens prazer em ‘fradejar’ as tuas atitudes, ditas por ti espiritualistas, e assim dar às suas ‘pregações’ um fundo e uma forma Mont’alvernianas, bem fradescas, portanto, bem tuas, meu Gustavo, também eu tenho prazer em conservar o meu velhíssimo hábito, que hoje os novos denominam de velharias, de correspondência epistolar.

Assim, por este velhíssimo sistema epistolar tão usado pelo nosso incomparável mestre, Padre Antônio Vieira, pelo Cavalheiro de Oliveira, no século XVII (vide as suas cartas da Holanda), Padre Gusmão e muitos outros do século XVIII, pode minh’alma, muito amiga da tua, mostrar aquilo que de fato é, e não o que parece: ultrafeia, atrevida e má, como a consideram todos os feiticeiros, todos os ridículos praticantes dessa torpeza que eles denominam Espiritismo”.

Os tempos são chegados, é preciso que os seres humanos se espiritualizem e passem de logo a produzir a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal, quando então os médiuns videntes poderão ver e narrar os raios de luz partindo em direção uns dos outros. Já nos Mundos de Luz o que prepondera é o amor espiritual, quando então raios de luz ainda mais esplendorosos partem em direção uns dos outros, como nos diz Luiz de Mattos, na mesma obra, a página 252, da seguinte maneira:

É maravilhoso ver, meu Gustavo, como se desprendem das partículas do Grande Foco as centelhas de luz esplendorosas, que vão ascendendo, em cintilações vibrantíssimas, até se ligarem no Espaço infinito, onde se encontram as Forças Astrais Superiores.

É certo que todas as intenções de humanos esclarecidos e raciocinadores se refletem nos pensamentos em cintilações de variadíssimas cores e intensidade, conforme o grau de pureza e força impulsionadora da vontade ou ação refletida, da concentração espiritual de cada ser, em particular, ou da comunhão em geral”.

Luiz de Mattos teve uma perturbação cardíaca e, como resultado, o seu espírito se desdobrou, pensando ele que havia chegado o seu momento de desencarnar. Estando assim desdobrado, pretendeu ir para o seu Mundo de Luz, mas foi impedido por São Pedro, ficando assim bastante contrariado, pois lhe pareceu haver chegado o momento de deixar o ambiente trevoso da Terra, pelo que indagou ao porteiro dos Mundos de Luz por quanto tempo ainda ficaria quedado na Terra, pelo que S. Pedro respondeu apenas quando ele fechasse com lucro o balanço realizado pelo Racionalismo Cristão. É o que ele mesmo nos conta, em linguagem um tanto alegórica, também na mesma obra, as páginas 362 e 363, assim:

Deves ter notado a falta das minhas cartas e até pensado que elas não continuariam. Natural essa falha, meu Gustavo. Uma perturbação cardíaca, obrigou-me a partir, no dia 28 de novembro, para as portas da eternidade, que me não foram abertas por determinação de São Pedro, nosso camarada e amigo velho. De lá voltei, há dias, muito contrariado, pois me parecia que já era tempo de deixar este alambique depurador de almas. Fui de aeroplano, mas tive de voltar em carro de bois, por ser essa a condução que São Pedro fornece aos apressados em bater-lhe a porta, que guarda com muito carinho.

Perguntando a São Pedro (o legítimo, o autêntico, calvo e barbudo, que antes de o ser se chamou Cícero, na sua bela Roma Tribunícia, e não o que está encarnado no ‘nosso compadre’ Leopoldo Cisne, como ele e o esbelto compadre seu Inácio afirmam por toda parte), por quanto tempo ainda teria de quedar-me neste terrível ambiente de animalizados, que tu denominas de espiritualistas de todas as cores e feitios, respondeu-me o boníssimo mordomo do céu, o maioral daquela célebre corte que nós inventamos, no decorrer de encarnações diversas, para mais facilmente dominarmos os papalvos e o belo sexo, fregueses dos nossos confessionários, que quando eu houvesse fechado, com lucro, o balanço da casa verdadeiramente espiritualista, que é o Centro Redentor, me daria licença para entrar lá no céu e assentar-me ao lado direito de Deus, fazendo parte do grupo dos que bem cumpriram o seu dever”.

É certo que a nação brasileira é formada em sua maioria por aqueles que dão preferência ao intelecto, enquanto que a nação portuguesa é formada em sua maioria por aqueles que dão preferência ao criptoscópio, daí a razão pela qual os brasileiros costumam zombar da inteligência dos portugueses, fazendo piadas a respeito, por ignorarem a formação da nossa inteligência. Por essa razão, Luiz de Mattos se mudou de Portugal para o Brasil, a fim de cultivar ainda mais o seu intelecto, em função do ambiente fluídico, e aprimorar ainda mais a sua moral, além do mais o Brasil continha o povo prometido por Jesus, o Cristo, a Afonso Henriques, uma das encarnações anteriores de Luiz de Mattos, como sendo uma grande sementeira. É o que nos conta Antônio Cottas, em discurso proferido  por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 58, da seguinte maneira:

Mas para empreender a tua obra se tornava necessário vir para o Brasil e aqui formar o seu intelecto, a sua personalidade moral (grifo meu).

Atribuindo-lhe a sua progenitora rebeldia pelos estudos, pois, fugia das escolas para ir caçar, talvez não erremos hoje se dissermos que ele estava sendo empolgado por uma força invisível aos olhos de todos os seus, para assim proceder, a fim de que, tido como refratário ao estudo, a sua Mãe alimentasse a ideia de mandá-lo para o Brasil para junto dos irmãos Manoel e Vitorino, pessoas já naquele tempo conceituadas no alto comércio de Santos e Rio, e mais tarde, principalmente Manoel Lavrador, na política e na revolução de 1893, pois era amigo de Saldanha Gama”.

A atmosfera terrena é repleta de vibrações magnéticas oriundas dos sentimentos, de radiações elétricas oriundas dos pensamentos e de radiovibrações eletromagnéticas oriundas das suas combinações, que são produzidas pelos seres humanos, o que faz com que elas venham a ser captadas por outros seres humanos com maior ou menor sensibilidade, por isso elas são transmitidas com maior ou menor intensidade. No artigo A Voz do Povo é a Voz de Deus, escrito por Luiz de Mattos, ele critica Alexandre Herculano em um trecho do seu livro Lendas e Narrativas, quando esse filósofo, sábio, erudito e primeiro historiador de Portugal, recorre ao milagre e ao sobrenatural ao abordar o tema relativo a uma espécie de presciência inata dos seres humanos, em conformidade com o ditado popular que diz “a voz do povo é a voz de Deus”, cujo artigo se encontra na obra Páginas Antigas, as páginas 19 a 24, assim:

“A folhas 236, das Lendas e Narrativas, 1º. Volume, escreve Alexandre Herculano:

‘Uma das inumeráveis questões que, em nosso entender, eternamente ficarão por decidir, é a que versa sobre qual dos dois ditados a voz do povo é a voz de Deus ou a voz do povo é a voz do diabo — seja o que exprime a verdade.

É indubitável que o povo tem uma espécie de presciência inata, de instinto, divinatório.

Quantas vezes, sem que se saiba como ou porquê, corre voz entre o povo que tal navio saindo do porto, tão rico de mercadorias como de esperanças, se perdeu em tal hora em praias estranhas.

Passa o tempo, e a voz popular realiza-se com exatidão espantosa.

Assim de batalhas, assim de mil fatos. — Quem dá estas notícias? — Quem as trouxe? — Como se derramam? — Que mistério é esse que ainda ninguém soube explicar?

— Foi um anjo? — Foi um demônio? — Foi algum feiticeiro? — Mistério. — Não há nem haverá, talvez nunca, filósofo que explique, salvo se tal fenômeno é uma das maravilhas do magnetismo animal. Esse meio ininteligível de dar solução a tudo o que se não entende é acaso a única via de resolver a dúvida?

Se é, os sábios explicarão o que nesse momento ocorria na igreja de Santa Maria da Vitória’.

Parece impossível que o que aí fica saísse da pena do chamado primeiro filósofo da península Ibérica, o primeiro historiador de Portugal, o mais honrado dos escritores. Entretanto é tudo dele, inteiramente seu, do seu saber, do seu raciocínio, como vulgarmente se diz.

Por assim ser é que nós o transcrevemos para aqui e vamos analisar e provar a triste ignorância do grande Herculano sobre a vida fora da matéria e assim dos porquês das coisas, que ele, filósofo, sábio, erudito, primeiro historiador de Portugal, ignorou até desencarnar.

… despropósitos contidos na Bíblia, do princípio ao fim, foram aceitos por Herculano, mereceram dele a classificação ultrassuperior de divina, entretanto, o mesmo Herculano nega a aparição de Cristo a Afonso Henriques, em Campos de Ourique, e acha impossível que alguém possa explicar com acerto a voz do povo e todos os demais fenômenos que por toda parte se observam, inclusive a presciência que o povo tem.

O que tal Bíblia e tais Evangelhos falsos, como quem os inventou, duzentos anos depois de Cristo (grifo meu), têm conseguido com relação ao povo, é a conservação da sua crassa ignorância, a escravização pelos grandes, a loucura em geral, e nada mais.

E como é triste observar-se um homem como Herculano negar a verdade, pender para o sobrenatural e nivelar-se com os ignorantes crassos, e assim, com nulos e fanáticos, sem o menor senso, que todos os absurdos aceitam, desde que venham da Bíblia, dos livros sagrados, do padre, do especulador, enfim.

Ele que veio para combater a mentira e explanar a Verdade por toda a parte (grifo meu), nada mais fez do que fortificar a primeira e deixar nas trevas a segunda.

Por assim ser, preciso se torna que a verdade se consolide e impere por toda a parte. Vamos, pois, à explicação do inexplicável, do impossível, por Herculano, e o fazemos assim:

A alma se religa pela irradiação (vibração e radiovibração, digo eu) ascendente a outros mundos mais adiantados, dos quais recebe os elementos de que necessita para se manter na Terra. É na atmosfera da Terra, que é o reflexo da própria Terra, onde se acham almas perturbadas, ignorantes do que seja a vida real.

Por essa atmosfera passam as correntes fluídicas do Astral Superior, com as quais são dominados muitos dos espíritos maus que originam perturbações e avassalamentos.

Daí a afirmativa de notáveis experimentadores de fenômenos, especialmente os magnetizadores, de que o Espaço se acha cheio de impressões, boas e más.

Tudo o que é reconhecido como invisível, nos cerca por todos os lados. — O corpo físico é a manifestação da alma que o engendra por intermédio do seu corpo astral, fluídico, verdadeiro mediador plástico entre o mundo visível e o mundo invisível, entre o homem físico e o homem astral. Assim se observa, que:

    1. existe uma atmosfera que envolve a Terra;
    2. nessa atmosfera existem forças várias (e energias várias, digo eu), inclusive pensamentos, coisas saturadas de poder, que o ser humano atrai ou repele, conforme o seu esclarecimento, a sua vontade, o seu sentir;
    3. essa atmosfera se acha ligada a outros mundos, dos quais recebe tudo quanto necessita para alimentar e conservar em atividade todas as partículas da Inteligência Universal;
    4. Existem muitos outros mundos a se movimentarem no Espaço, habitados por espíritos, forças superiores, portanto, partículas já mais evoluídas da Inteligência Universal, mas sempre em ascensão para outros planos de maior espiritualização.

o ser humano é apenas um instrumento receptor e expedidor (ele fala como veritólogo, mas o ser humano é também criador, digo eu), uma máquina acionada por uma partícula da Inteligência Universal, a qual recebe forças (e energias, digo eu), que são invisíveis para os encarnados, mas que atuam e os influem, conforme os seus conhecimentos e a educação da vontade das criaturas. E por assim ser, é que se afirma que tudo nos vem de fora e vive fora de nós, inclusive os pensamentos.

A criatura humana sendo, pois, receptora e expedidora de sentimentos e pensamentos, que fora de si pairam, em qualquer parte em que se ache, torna-se o espírito intermediário das forças (e energias, digo eu) que existem na atmosfera da Terra e das que vêm de outros mundos, e por assim ser, é que se afirma que todos ser humano é médium intuitivo. É por meio dessa faculdade natural que recebe as intuições das Forças Superiores ou das inferiores.

Assim, o ser humano é, portanto, um instrumento, que recebe com mais ou menos clareza, o que de fora lhe é intuído, conforme o seu estado psíquico e a educação da sua vontade.

Desde que todo o ser humano é um médium, é um instrumento receptor de boas e más impressões, que lhe vêm de fora e vivem fora dele, é claríssimo ser ele um instrumento para o bem ou para o mal, como receptor de elementos, de forças (e energias, digo eu) invisíveis, de intuições, de tudo quanto se passa na atmosfera, no meio ambiente, e que lhe é intuído pelos espíritos que vivem nela ou a ela vêm para auxiliar o progresso dos seres e do próprio planeta.

É em sonhos e intuitivamente, além da vidência e audição, que os seres humanos recebem notícias boas ou más, e ao que o povo chama de a Voz de Deus, a que Herculano se refere e que não soube explicar, mas que o Racionalismo Cristão explica, racionalmente.

É assim que se explica, com clareza absoluta, a presciência que o povo tem, bem como os fenômenos levados à conta de milagres, fatos sobrenaturais, etc., e assim se atira por terra o mistério , pois na Vida tudo tem a sua explicação racional e científica, não há nela mistérios. Há, sim, coisas ainda inexplicáveis quando se passe à vida transcendental, mas dentro do mundo físico, tudo pode ser esclarecido à luz da razão (grifo meu) e, portanto, da Verdade”.

A atmosfera da Terra contém apenas vibrações de sentimentos, radiações de pensamentos e radiovibrações de suas combinações produzidas pelos seres humanos e as que vem de outros mundos mais adiantados. Em sendo assim, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram no Espaço Superior, que é o seu repositório natural, enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria se encontram no Tempo Futuro, que é o seu campo de atuação natural. Assim, para se obter os verdadeiros conhecimentos e as verdadeiras experiências, faz-se mister que o ser humano espiritualizado transcenda a este mundo, elevando-se ao Espaço Superior e se transportando ao Tempo Futuro. Há que se ressaltar aqui, que o progresso da nossa humanidade obedece ao plano de espiritualização formulado pelo Antecristo que se deslocou da sua humanidade para a nossa, por isso, ao se elevar ao Espaço Superior e se transportar ao Tempo Futuro, o ser humano consegue visualizar parte desse fabuloso plano de espiritualização, prevendo os acontecimentos futuros, além de outras coisas. Daí a razão pela qual Luiz de Mattos, em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, a página 25, vem afirmar o seguinte:

O homem, quanto mais espiritualizado, mais consegue o poder de elevar a sua alma além das condições do tempo e do espaço, e de penetrar as coisas do passado e do futuro, por ínfimas que sejam; mais obedece ao amor e à bondade, e maior alegria, maior contentamento sente aquele que concorrer para que outros compartilhem da sua felicidade, minorando-lhes os padecimentos e prodigalizando-lhes somente benefícios”.

Quando Luiz de Mattos transmitiu os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os meios de comunicação eram ainda muito precários, mesmo com ele os divulgando por intermédio do jornal A Razão. De qualquer maneira, a transmissão desses conhecimentos, mesmo com a inserção de experiências físicas acerca da sabedoria, caracterizava apenas uma doutrina, a doutrina da verdade, e essa doutrinação era de difícil absorção por parte dos seres humanos daquela época, principalmente por parte da mocidade. Daí a grande importância da minha explanação, em que incorporo à doutrina da verdade um sistema de sabedoria, e todos já são cientes de que verdade + sabedoria = razão.

É, pois, com base na razão que a minha explanação acerca do Racionalismo Cristão se funda, tendo como meio de transmissão a internet, em que por intermédio de dois sites: A Filosofia da Administração – Abrindo Mentes e pamam.com.br; eu consigo transmitir a todos os seres humanos do mundo aquilo que compreendo seja o Racionalismo Cristão, em que neste último site eu venho obedecer às determinações de Jesus, o Cristo, quando ele disse que “Muitos serão chamados, poucos serão os escolhidos”, pois que nesse site serão avaliados todos os assinantes. É certo que Luiz de Mattos era mais perceptivo do que compreensivo, embora a sua compreensão fosse imensa, pelo fato dele ser um veritólogo, do mesmo modo que eu sou mais compreensivo do que perceptivo, embora a minha percepção já esteja bastante desenvolvida, pelo fato de eu ser um saperólogo, agora ratiólogo, por isso quando em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, a página 142, ele veio afirmar o seguinte

Se a mocidade estivesse preparada para compreender a vida fora da matéria e o valor que ela tem (grifo meu), estamos certos de que não se entregaria tanto ao vício, e procuraria antes compreender a vida que terá de viver, porque a vida terrena é um momento, comparada com a vida do espírito, que é eterna.

Se a mocidade tivesse quem lhe explicasse, com base, com honra e critério, quais os deveres a que estão sujeitos os seres humanos, uns para os outros, neste momento (04 de fevereiro de 1918, digo eu).

Existe um plano para a espiritualização da nossa humanidade, e em conformidade com esse plano espiritualizador se encontrava o estabelecimento da doutrina racionalista cristã, idealizada pelo Astral Superior, que se serviu de dois grandes instrumentos na Terra, Luiz de Mattos como sendo o grande responsável por fundar o Racionalismo Cristão e transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e Luiz Alves Thomaz, o grande responsável por dotar a esse instituto com os recursos monetários exigidos. Em sua obra A Felicidade Existe, a página 305, Luiz de Souza nos fornece uma ideia dessa realidade, quando afirma o seguinte:

Pode parecer, aos menos avisados, que a Doutrina Racionalista Cristã é mais uma filosofia entre tantas (grifo meu), mas, na realidade, ela foi estruturada pelos Espíritos do Astral Superior, que se serviram dos fundadores Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz, como esteios (não médiuns) e intermediários dos seus pensamentos (grifo meu)”.

Luiz de Mattos era um ser humano que não possuía uma só nódoa em sua moral impoluta, homem virtuoso e de caráter nobre confiava em demasia naqueles que o rodeavam, assim como que em acordo ao ditado popular que diz “cada um julga os outros por si”, por isso foi vítima de um desfalque por parte de um dos seus auxiliares. O abalo foi tão grande que o fez perder dez quilos e contrair a diabetes por sofrimento moral, o que contribuiu para a sua desencarnação prematura. Em resposta a um missivista, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1960, as páginas 42 e 44, Antônio Cottas vem nos narrar o que se segue:

Sua admiração por Cristo e Luiz de Mattos, leva-o a vê-los apenas como missionários e a não enquadrá-los dentro das leis naturais reguladoras da vida na Terra.

Esteja certo de que nenhum espírito encarna para desencarnar prematuramente. A desencarnação prematura opera-se, ou por abuso do livre arbítrio, pelos descuidos, ou então por consequências alheias à sua vontade.

Cristo veio para viver muitos anos na Terra. Na idade de trinta e um anos e seis meses, estava ilustrado entre os homens e deu início às suas sábias preleções. ‘A Verdade Sobre Jesus’ esclarece bem os motivos porque o mataram.

Luiz de Mattos veio para fundar o Racionalismo Cristão e prosseguir na obra de Jesus. Precisava independência material e, aos vinte e seis anos, a possuía, mas, enojado pelo que observava nas práticas religiosas (leia-se credulárias, digo eu), tornou-se livre pensador crítico, não acreditava em Deus nem em Jesus, como eles eram apresentados (grifo meu).

Mas, em 1910, enlouqueceu a esposa de um seu grande amigo, e este pedia-lhe para ir com ele a um determinado Centro. Recusou-se, mas, diante da insistência do amigo, que sofria pelo estado mental da esposa, terminou por aceder e foi com ele ao Centro. Ali constatou fenômenos da vida fora da matéria e, daí, começou o Racionalismo Cristão. Como homem culto, começou a fazer conferências sobre o Espiritismo, fundando o Jornal ‘Tribuna Espírita’ e, em 1916, ‘A Razão’.

De 1916 a 1922, foi um dos maiores tribunos da imprensa. Sustentou campanhas políticas e doutrinárias belíssimas. Disse a Ruy Barbosa que ele nunca seria presidente da República e lançou a candidatura de Epitácio Pessoa, o qual foi eleito (grifo meu).

Homem valoroso, mas desprendido, confiava em demasia nos seus auxiliares. Fez de Vitor da Silveira diretor d’ ‘A Razão’, e dá-lhe este um prejuízo colossal. Tão grande, que teve de paralisar esse jornal. Pagou a todos os credores. Mas, em oito dias, Luiz de Mattos havia perdido dez quilos. Contraiu a diabetes por sofrimento moral, que é o pior.

‘A Razão’ parou em 1922. Luiz de Mattos desencarnou em 1926.

O espírito dependia do corpo; este não lhe oferecia garantia, como máquina que era. Cumpriu-se a lei da desencarnação, porque o corpo estava doente. Não tivesse acontecido isso, e Luiz de Mattos iria aos oitenta ou mais anos, pois sua irmã Maria de Mattos viveu noventa e oito anos.

Aí estão os motivos das desencarnações prematuras e, como homem inteligente que é, há de reconhecer que ninguém pode alterar as leis da vida, por serem naturais, comuns e imutáveis. Deus, ou Grande Foco, ou Inteligência Universal é o centro dessas leis, portanto Ele mesmo é a lei e não a pode alterar”.

É certo que o Astral Superior inseriu de permeio na Bíblia algumas passagens para que fossem utilizadas por quem de direito. Uma dessas passagens se encontra inserida em João 16:12 a 14, que diz o seguinte:

Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las. No entanto, quando esse chegar, o espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade, pois não falará do seu próprio impulso, mas falará as coisas que ouvir e vos declarará as coisas vindouras. Esse me glorificará, porque receberá do que é meu e vô-lo declarará”.

Como se pode claramente constatar, Jesus, o Cristo, não disse a verdade porque o povo não podia suportá-las, mas que ele enviaria o espírito da verdade para falar em seu nome, porque este iria receber o que era seu, a verdade, e a declararia. Então se pode também claramente constatar que Luiz de Mattos era realmente o espírito da verdade, e que falando em nome de Jesus, o Cristo, fundou o Racionalismo Cristão e a transmitiu ao mundo. Portanto, era Luiz de Mattos o verdadeiro mensageiro de Jesus, o Cristo, é o que comprova Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias de 1971 e 1972, a página 36, quando ele afirma:

Quando o Mestre Luiz de Mattos despertou para a realidade das coisas espirituais, como mensageiro do além (grifo meu), depois de haver-se dedicado a intensos e demorados estudos da vida fora da matéria”.

Jesus, o Cristo, ao aparecer a Afonso Henriques, uma das encarnações anteriores de Luiz de Mattos, disse-lhe que estava preparando uma grande sementeira em terras muito afastadas, cuja terra era o Brasil, por isso deveria caber justamente ao Brasil a fundação do Racionalismo Cristão, daí a razão pela qual Allan Kardec haver encarnado na França para transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, mas tendo falhado em sua missão, ao fundar o Espiritismo, ao invés do Racionalismo Cristão. Mas, mesmo assim, foi de alguma utilidade, pois que foi através do Espiritismo que Luiz de Mattos despertou para a vida transcendental. Nessa sua mesma obra, as páginas 44 e 45, Antônio Cottas nos diz o seguinte:

Allan Kardec encarnou, realmente, com a missão de divulgar os princípios que o Racionalismo Cristão ora difunde. Era, como Luiz de Mattos, um espírito altamente intuitivo. Ao receber as intuições da constituição do Universo, deixou-se influenciar por multisseculares crendices, e acrescentou aos princípios Força e Matéria (a matéria não existe, digo eu), a excrescência Deus (leia-se o deus bíblico, digo eu). Daí a embarafustar pelo terreno sinuoso da Bíblia, foi, apenas, um passo, já que a essa altura, sem o saber, estava inteiramente influenciado por sagazes obsessores bíblicos. No terreno das ideias, não há dúvida, prestou um desserviço à causa do esclarecimento humano, contribuindo para aumentar o ambiente de confusão a respeito da vida fora da matéria e para a formação desse indimensionável oceano de confabulação e de mistificação em que o mundo parece viver submerso.

Fracassando Kardec, tomou o espírito evoluidíssimo de Luiz de Mattos a resolução de encarnar, para dar cumprimento à missão em que falhara esse espírito, e na qual quase também fracassara, pois só aos cinquenta anos de vida física, nos quais se conduzira com exemplar dignidade, como livre pensador, se pôde deixar influenciar por seus companheiros astrais que se serviram de todos os recursos intuitivos de que dispunham para fazê-lo dar os primeiros passos na larga caminhada (grifo meu) que, com seu admirável companheiro Luiz Alves Thomaz, fez para deixar fincados na Terra, de maneira definitiva, os sólidos alicerces que servem de suporte ao Racionalismo Cristão”.

Muito se tem reportado a Luiz de Mattos como livre pensador, quando, na realidade, ele não era um pensador, por excelência, mas sim um sentimentalizador, já que tinha o seu criptoscópio mais desenvolvido do que o seu intelecto, embora este fosse largamente desenvolvido. Mas acontece que ele somente via bandalheira nos credos mundanos, por isso enveredou pelo caminho de livre pensador, preferindo ser um materialista honrado do que um adepto de qualquer credo abandalhado. Também na mesma obra, as páginas 111 e 112, Antônio Cottas vem afirmar o que se segue:

Seu marido, lendo o livro ‘Racionalismo Cristão’ atentamente, se convencerá de que ele contém os ensinamentos de Cristo e este nunca batizou nem casou ninguém. Ele soube doutrinar e deixou Princípios que, apesar de todos os pesares, puderam chegar até nós, e Luiz de Mattos o homem livre pensador que não acreditava em Cristo nem em Deus, tal a forma por que os apresentaram (grifo meu), foi quem, em 1910,  se atirou ao estudo da vida fora da matéria e ei-lo a codificar o Racionalismo Cristão e a lutar como jornalista de valor e honra, pelo engrandecimento do Brasil e esclarecimento da humanidade, através das colunas do jornal A RAZÃO, que foi fundado em 1916”.

É certo que Luiz de Mattos tinha prevenção contra todos os credos, principalmente contra o credo espírita, mas por experiência própria, já que foi iniciado na espiritualidade através do Espiritismo, ele considerou que poderia haver alguma honra em seu meio, pois admitia que existiam alguns espíritas honrados. Assim, ele tomou a iniciativa de viajar de Santos ao Rio de Janeiro, a fim de se reunir com os dirigentes da Federação Espírita Brasileira, a quem expôs os resultados dos seus estudos espiritualistas, com a esperança de convencer a esses dirigentes de que não mais encarassem o Espiritismo como credo, vivendo à sombra da crendice, mas sim como ciência. Sendo todos os espíritas obsedados, apenas fingiram aceitar os argumentos espiritualistas de Luiz de Mattos, quando, na realidade, encontravam-se acasalados com os fluidos deletérios dos espíritos com quem lidavam, tornando infrutífera a iniciativa do grande veritólogo. Esse episódio nos é narrado por Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1986, as páginas 117 a 119, da seguinte maneira:

O Mestre Luiz de Mattos tentou, realmente, unir, sob uma só bandeira, o mundo espírita. Com essa missão veio à Terra, como também Allan Kardec havia vindo e falhado.

Espírito profundamente investigador, analisou os prós e contras do Kardecismo. Observou que a base de Allan Kardec foi principalmente a bíblia — uma bíblia repleta de contradições, de absurdos e de escabrosidades do sexo.

À agudez do seu espírito altamente evoluído, nenhum detalhe escapou, depois de terminada a dissecação dessa obra, para cujo trabalho se servira, acima de tudo, do bisturi do raciocínio.

Do espaço superior, recebia também intuições, que lhe eram enviadas pelos grandes amigos que lá deixara, quando veio à Terra, à frente dos quais se encontrava o Padre Antônio Vieira.

Cheio de esperança, viajou de Santos para esta cidade, onde procurou avistar-se com os maiorais do espiritismo Kardecista, inclusive os dirigentes da Federação Espírita Brasileira, a quem expôs o resultado das suas observações e estudos, propondo que o espiritismo passasse a ser encarado como ciência séria, devotada à pesquisa, a ciência das ciências, e não como mais uma religião (leia-se credo, digo eu), a viver parasitariamente, à sombra da árvore frondosa da crendice, substituindo os santos e deuses milagreiros das seitas, por entidades também milagreiras do espiritismo.

O estudo de Luiz de Mattos foi recebido com fingido entusiasmo. Acordos foram estabelecidos para a adoção dos Princípios que norteiam o Racionalismo Cristão. Tudo, da parte dos elementos procurados, não passou, porém, de fogo de artifício. Eles nada queriam com a Verdade. A ideia de um Universo regido por leis naturais e imutáveis, absolutamente iguais para todos, positivamente não os seduzia.

O ser humano dirigir-se por si mesmo, sem as muletas mentais dos ‘guias protetores’? Não, nada disso. E continuaram com as suas pedições e rogatórios aos espíritos que invocavam para acudir aos necessitados de orientação, inclusive para negócios materiais, não raro nada lícitos, dos ‘irmãos’ que os procuravam.

Convencido, portanto, que os kardecistas em sua maioria nada queriam com o movimento que se esboçava para restaurar a Verdade com Luiz de Mattos e Luiz Thomaz à frente, ordenou o Astral Superior a Luiz de Mattos (grifo meu) que se transferisse para a antiga capital do país e desse imediatamente início à ampla campanha no sentido de divulgar o Racionalismo Cristão.

A luta que teve de enfrentar para o esclarecimento do povo, fazendo conferências que se tornaram célebres e até fundando um jornal diário de grande circulação na época — ‘A Razão’, é por demais conhecida.

Só nos alongamos neste assunto, por sentirmos que o senhor é um jovem estudioso que deseja enveredar por caminhos certos. O que nos admira é que tendo lido as obras que menciona, editadas pelo Centro Redentor, não tenha compreendido a impossibilidade de serem misturadas doutrinas que mutuamente se repelem.

Como pode admitir, por exemplo, que espíritos do Astral Superior desçam à Terra para produzirem romances, poesias e coisas que tais? Não lhe ocorrem atividades que são provenientes de intelectuais que estagiam, quase materializados, na atmosfera da Terra, mistificando, com relação aos nomes que adotam, para se fazerem passar por esses conhecidos espíritos?

Como aceitar que um Guerra Junqueiro, por exemplo, cujos poemas escritos quando encarnado, de extraordinária beleza, o tornaram célebre em todo o mundo, passasse a fazer versos tão medíocres depois de desencarnado?

Medite bem sobre o que lhe dizemos, para se colocar em situação de poder separar o joio do trigo, não permitindo que a verdade possa ser confundida com a impostura”.

São muitas as obras editadas pelo Racionalismo Cristão, todas de grande importância, mas que podemos destacar as obras Ao Encontro de Uma Nova Era, A Felicidade Existe e A Morte Não Interrompe a Vida, todas escritas pelo notável veritólogo Luiz de Souza, que além do seu fabuloso criptoscópio era também detentor de um intelecto bastante desenvolvido. Porém todas as obras editadas tinham como escopo os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos por Luiz de Mattos, sendo complementares, como assim afirma Antônio Cottas na mesma obra, a página 131, quando assim se expressa:

Tudo que consta nos livros editados pelo Centro Redentor provém das pesquisas feitas pelo fundador do Centro Redentor.

Em 1910, o Comendador Luiz de Mattos, homem de grande cultura, grande exportador de café, livre pensador, mas sempre grandemente humano…”.

Aqueles que produzem sentimentos superiores e pensamentos positivos podem se considerar como sendo instrumentos do Astral Superior, assim como foi Luiz de Mattos, o maior de todos os veritólogos, que era um instrumento manejável dos espíritos superiores, em que alguns desses espíritos superiores são citados por Antônio Cottas, por ocasião do seu discurso proferido no aniversário de desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1927, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 15, quando o Consolidador do Racionalismo Cristão assim vem afirmar:

Enfeixando pois o sentir feliz, de todos os amigos e companheiros que neste momento aqui se acham, vamos elevar, ainda mais, o nosso pensamento às Esferas Superiores, para não só, Luiz de Mattos, mas, nosso Monsenhor Moreira, Presidente Astral deste Centro, e todos os seus filiados, assim como os seus companheiros Astrais: Paulo Crato, Eunyce, Maria Thomazia, Paulo Barreto, Pinheiro Machado, Sacadura Cabral, Domingos do Couto, Henrique de Castro e tantos outros, assim como os nossos ex-dirigentes Astrais: Padre Venâncio de Aguiar Café, Antônio do Prado, Zara Vieira, Camilo Castelo Branco, Mont’Alverne e Quintino, possam uns, descer até nós, outros, receberem, através de outros, a irradiação pura de nossas almas e saibam que ainda nos encontramos servindo à causa com a mesma dedicação como quando eles nossos Chefes Astrais e que servindo-se do seu manejável instrumento Luiz de Mattos (grifo meu), coisas importantes davam para o esclarecimento da humanidade”.

Sempre com base no ditado popular que diz “cada um julga os outros por si”, Luiz de Mattos considerava a todos que o rodeavam e com ele convivesse como se fossem honrados iguais a ele. Sendo um homem que não aceitava maledicências, também não aceitava que falassem mal daqueles com quem convivia, pois mesmo que estes fossem dotados de atributos inferiores e negativos, acreditava sempre em suas regenerações. Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1928, constante da obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 17, sobre esta peculiaridade de Luiz de Mattos, afirmou o seguinte:

Tinha Luiz de Mattos a elevada virtude de não julgar mal de ninguém, criatura que de si se aproximasse e que consigo começasse a conviver, podiam-lhe dizer dessa criatura o que quisessem, apontar-lhe mil defeitos que ele nada aceitava. Acreditava na regeneração de todos apesar dele mesmo explicar, que para a alma se regenerar, modificar, preciso era força de vontade, e portanto, vontade educada e ainda, espiritualidade relativa”.

Agora vejamos o que disse Aristóteles sobre esta peculiaridade de Luiz de Mattos:

A amizade entre os bons, e só ela, também é invulnerável à calúnia, pois não damos ouvidos facilmente às palavras de qualquer um a respeito de um homem que durante muito tempo submetemos à prova; e é entre os bons que são encontradas a confiança, o sentimento expresso pelas palavras ‘ele nunca faria uma deslealdade’, e todas as outras coisas que se requerem em uma verdadeira amizade”.

Na vida terrena é de muita importância a existência de companheiros de jornada, pois que são os companheiros que nos ajudam e nos dão a força necessária para prosseguir na luta. Luiz de Mattos teve como companheiro de jornada a Luiz Alves Thomaz, um encarregado de fundar o Racionalismo Cristão e transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, o outro para alicerçar de bases financeiras o instituto fundado. Antônio Cottas, o Consolidador do Racionalismo Cristão, teve ainda mais companheiros de jornada, apesar de alguns deles serem falsos, mas, mesmo assim, Luiz de Mattos louvou a existência desses companheiros. É o que vamos encontrar no discurso proferido por Antônio Cottas, por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1929, constante na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 23 e 24, quando ele afirma:

“… lembramo-nos bem das suas palavras: ‘SERÁS MAIS FELIZ DO QUE EU, PORQUE ENCONTRARÁS COMPANHEIROS A AJUDAR-TE’. Sim, de fato, nos julgamos mais felizes, porém, os companheiros que ele supunha ajudar-nos, começaram por nos fazer sofrer, e como sabeis, eram eles M. e R. Àquele movia-o a vaidade, e não era a amizade a Luiz de Mattos e à Doutrina, que o mantinha entre nós, e sim, o lugar de Chefe do Racionalismo Cristão que ambicionava. O segundo, embora desconhecesse as pretensões do primeiro, sofria do mesmo mal… outro tanto não se deu com aqueles que lhe citamos nome por nome, dizendo naquela ocasião como ainda hoje dizemos, e esperamos continuar a dizê-lo até a desencarnação, que à Doutrina se entregaram, amando-a, e respeitando-a, e portanto, são amigos verdadeiros do Mestre — Luiz de Mattos — o qual, hoje, constata que, de fato, somos mais felizes, do que ele”.

Vale aqui acrescentar, que na minha missão como explanador do Racionalismo Cristão, eu tive que me sujeitar a muitos sofrimentos, sofrimentos esses atrozes, a abalos morais terríveis, fazendo sangrar a minha alma, no modo de dizer, pois eram necessárias essas experiências, já que a arte de planejar depende dos recursos da experiência, e ao me deslocar para a humanidade que segue a nossa na esteira evolutiva do Universo, na condição do nosso Antecristo, eu terei que elaborar um plano para a sua espiritualização, justamente por isso não tive companheiros de jornada, pois, como disse Aristóteles:

“… os homens de natureza varonil se abstêm de fazer os seus amigos sofrer com eles e, a não ser que tenha uma extraordinária insensibilidade à dor, em tal homem não pode suportar a dor que causa aos seus amigos, e, em geral, não admite companheiros de aflição, porque ele próprio não é dado a se afligir (grifo meu)”.

Alexandre Herculano, mesmo sendo o primeiro historiador de Portugal, nega a realidade da aparição de Jesus, o Cristo, a Afonso Henriques, em Ourique, contra os maometanos, porque era totalmente ignorante acerca dos fatos transcendentais, notadamente em relação ao plano de espiritualização da nossa humanidade.

Sim, Jesus, o Cristo, apareceu realmente a Afonso Henriques na batalha de Ourique, onde nasceu o reino português, não somente para provar a moral de que este era dotado, como também para que ele aceitasse o título de rei de Portugal, que ele, Jesus, o Cristo, iria estabelecer o seu reino sobre pedra firme, para que assim ele pudesse possibilitar aos seus descendentes, no caso Portugal, as condições necessárias para levar o seu nome às nações estranhas. E mais: que ele iria sair vitorioso na sua batalha contra os mouros, assim como também em todas as batalhas travadas contra os inimigos, como veremos mais adiante em sua encarnação como Nuno Álvares Pereira. Em seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 59 e 60, o Consolidador do Racionalismo Cristão diz o seguinte:

Já como Afonso Henriques, no momento mais crítico da peleja contra os reis mouros, houve sempre a inspirá-lo a fé que tinha em Cristo.

E tão crítica se tornou em certo dia a luta, que ele adormeceu pensativo e dizendo: ‘Se quereis que eu seja morto às mãos dos inimigos, cumpra-se a vossa vontade. Se me concedeis a vitória será vossa toda a glória’.

Alta noite vê e ouve alguém falar-lhe, convidando-o a certa hora da noite ir a determinado lugar, e dizendo-lhe: ‘Confia, que vencerás’. Foi.

E quem lhe aparece?

— Cristo.

Ao deparar com ele, larga as armas e sapatos e prostra-se junto do seu vulto, saído dentre um foco de luz mais brilhante do que o Sol e tendo dos lados outras formas humanas também resplandecentes e inclinadas para Cristo, e banhado em terníssimas lágrimas, comovido, quase sem poder expressar-se, exclamou:

‘Para que vindes a mim, Senhor? Quereis aumentar a minha fé? Nela educado desde menino, vos confesso. Ide manifestar-vos aos infiéis, para que todos em vós creiam’. E sem nada se turbar rogava ao Senhor confortasse seus vassalos.

— Confia Afonso — diz-lhe Cristo —, venho estabelecer os princípios de teu reino sobre pedra firme, vencerás não só agora, mas sempre que tomares armas contra os inimigos. Acharás os teus alegres, aceita o título de rei que te derem, pois eu, a quem só pertence o edificar e destruir os impérios, QUERO EM TI E TEUS DESCENDENTES, ESTABELECER PARA MIM UM REINO, PURO NA FÉ, amável na piedade, que dele seja levado o meu nome às nações estranhas.

Animado e confortado com o sucedido, retorna o comando da tropa e em 25 de julho de 1139, consagra-se a Vitória de Ourique, e volta aclamado Rei para Coimbra trazendo presos dois reis Mouros, D. João e D. Geraldo de Sia.

Minhas senhoras e meus senhores!

Estarei, talvez maçando-vos com o alongamento destes fatos, mas ao falar-se de alguém que foi rico em feitos, preciso se torna que os passemos aos vindouros, não os deixando ficar esquecidos nas obras esparsas das bibliotecas, que mofam por falta de consulta”.

Talvez algum leitor ainda venha a duvidar da narrativa de Antônio Cottas, mas acontece que Afonso Henriques, o próprio rei, mandou fazer uma escritura declarando o real acontecimento que houve com ele. Em 1506, o Frei Bernardo de Brito, cronista-mor de Portugal, encontrou a essa escritura no Mosteiro de Alcobaça, um pergaminho de letra antiga, já gastada, com o selo do rei. Vale aqui ressaltar o dizer de Jesus, o Cristo, sobre o Brasil, quando ele afirma “porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas e ele, escolhidos por Meus semeadores, em terras muito remotas”. Vale aqui também ressaltar o dizer de Jesus, o Cristo, sobre a formação e a destruição de impérios, em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, quando ele afirma: “Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios”. A declaração de Afonso Henriques é a seguinte:

Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do conde Henrique e neto do grande rei Dom Afonso, diante de vós, Bispo de Braga e Bispo de Coimbra e Teotônio e todos os mais vassalos do meu reino, juro em esta cruz de metal e neste livro dos Santos Evangelhos em que ponho minhas mãos, que eu, miserável pecador, vi com esses olhos indignos a Nosso Senhor Jesus Cristo, estendido na Cruz, do modo seguinte:

Eu estava com o meu exército nas terras de Alentejo, nos campos de Ourique para dar batalha a Ismael e outros quatro reis mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens. E minha gente, temerosa de sua multidão estava atribulada e triste sobremaneira. E entanto que publicamente diziam alguns, ser temeridade acometer tal jornada. E eu, enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo o que faria.

E como estivesse na minha tenda um livro em que estava escrito o Testamento Velho e o de Jesus Cristo, abri-o e li nele a vitória de Gedeão e disse entre mim mesmo: Mui bem sabeis Vós, Senhor Jesus Cristo, que por amor vosso tomei sobre mim essa guerra contra os Vossos adversários. Em Vossa mão está dar a mim e aos meus fortaleza para vencer a esses blasfemadores do Vosso Nome.

Ditas essas palavra, adormeci sobre o livro, e comecei a sonhar que via um homem velho vir para onde eu estava, e que me dizia: ‘Afonso, tem confiança, porque vencerás e destruirás a esses reis infiéis, e desfarás a sua potência e o Senhor se te mostrará’.

Estando eu nessa visão, chegou João Fernandes de Souza, meu camareiro, dizendo-me: ‘Acordai, senhor meu, porque está aqui um homem velho que vos quer falar’. Entre, respondi, se é católico. E tanto que entrou, conheci ser aquele que no sonho vira, o qual me disse:

— Senhor, tendes bom coração; vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor porque, sem dúvida, pôs sobre vós e sobre vossa geração, depois de vossos dias, os olhos de Sua misericórdia até a décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão, mas nela assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda vos dizer que quando na seguinte noite ouvirdes a campainha da minha ermida, na qual vivo há 66 anos, guardado no meio dos infiéis com favor do mui alto, saiais fora do real sem nenhum criado, porque vos quer mostrar a Sua grande piedade.

Obedeci, e prostrado em terra com muita reverência, venerei o embaixador e quem o mandava. E, como posto em oração, aguardava o som, na segunda vela da noite, ouvi a campainha, e armado com espada e rodela, saí fora dos reais. E subitamente vi, à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente, indo-se pouco a pouco clarificando; a cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi, de repente, no próprio raio, o sinal da cruz mais resplandecente que o Sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais, creio que seriam os Santos Anjos. Vendo, pois, essa visão, pondo à parte o escudo e a espada, lancei-me de bruços e, desfeito em lágrimas, comecei a rogar pela consolação de seus vassalos, e disse sem nenhum temor:

— A que fim me apareceis, Senhor? Quereis, porventura, acrescentar fé a quem já tem tanta? Melhor é, por certo, que vos vejam os inimigos, e creiam em vós, que eu, que desde a fonte do batismo vos conheci por Deus verdadeiro, filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos reconheço agora.

A cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados (4,5 metros, digo eu). O Senhor, com um tom de voz suave, que as minhas orelhas indignas ouviram, disse:

— Não te apareci deste modo para acrescentar a tua fé, mas para fortalecer o teu coração neste conflito e fundar os princípios do teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja; e te pedirá que entres na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti, em teus descendentes, fundar para Mim um império por cujo meio seja o Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que os teus descendentes reconheçam quem lhes dá o reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu remi o gênero humano, e daquele por quem fui comprado pelos judeus, e ser-me-á reino santificado, puro na fé e amado na minha piedade.

Eu, tanto que ouvi essas coisas, prostrado em terra, adorei-O, dizendo:

— Por que méritos, Senhor, me mostrais tão grande misericórdia? Ponde, pois, os Vossos benignos olhos nos sucessos que me prometeis e guardai salva a gente portuguesa. E se acontecer que tenhais contra ela algum castigo aparelhado, executai-o contra mim e livrai esse povo que amo como filho único.

Consentindo nisso, o Senhor me disse:

— Não te apartará deles, nem de ti, nunca a Minha misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas e eles, escolhidos por Meus semeadores, em terras muito remotas (grifo meu).

Ditas essas palavras, desapareceu. E eu, cheio de confiança e suavidade, tornei-me para o real. E para que isso passasse na verdade, juro eu, D. Afonso, pelos Santos Evangelhos de Jesus Cristo, tocados por estas mãos. E, portanto, mando aos meus descendentes que para sempre sucederem, que em honra da Cruz e das cinco Chagas de Jesus Cristo, tragam em seu escudo os 5 escudos partidos em cruz, em cada um deles os 30 dinheiros, e, por timbre, a serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. E seja este o troféu da nossa geração. E se alguém intentar o contrário, seja maldito do Senhor e atormentado no inferno, como Judas, o traidor. Foi feita a presente carta em Coimbra, aos 29 de outubro, era de 1152. Eu, El Rei Dom Afonso”.

Para aqueles que não acreditam na reencarnação, o que é uma realidade, diga-se de passagem, aconselha-se que de logo se espiritualizem para que possam preparar os seus futuros, assim como fez Luiz de Mattos em encarnações passadas. Lembremo-nos antes da promessa de Jesus, o Cristo, quando ele se encontrava encarnado como Afonso Henriques, ao afirmar que em todas as pelejas ele sempre sairia vencedor. E, de fato, em sua encarnação como Nuno Álvares Pereira, Jesus, o Cristo, cumpriu com o prometido, pois que ele iria se bater com apenas mil e quatrocentos homens, contra cinco ou seis mil soldados da hostes de Castela.

Vejamos agora esse episódio da sua encarnação como Nuno Álvares Pereira, o condestável, que antigamente era o posto militar de maior graduação no exército de Portugal, abaixo apenas da suprema chefia do rei, narrado por Antônio Cottas, em seu discurso proferido no aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1934, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 43 a 45, que também ressalta a importância do ambiente fluídico, da seguinte maneira:

Na sua encarnação de Nuno Álvares Pereira (o condestable) está a História Portuguesa a testemunhar as nossas asserções, senão vede:

— ‘Aquele alardo ainda não quebrou o ânimo dos menos temerários. Se com aquilo, com aqueles mil e quatrocentos homens, se haviam de ir bater cinco ou seis mil soberbos homens de guerra, que eram os de Castela para as bandas do Crato!

‘Mas, com a sua fé e o seu esforço, para Nun’Álvares nenhum poder havia que lhe fizesse medo!

‘À frente daquela sua pequena hoste se abalou de Extremoz, porém, logo notara que a pionagem mais bisonha não ia de boa vontade. Mandou então fazer alto à beira de um regato e a todos nós falou com o coração nas mãos, como se costuma dizer.

‘Supondo ter aqui alguma gente receosa de que esses de Castela, que vamos a buscar, sejam umas poucas de vezes mais do que nós somos, começou a dizer-nos.

‘`Pois assim receosos os que não quero eu levar comigo. Para minha hoste não servem esses tais; porém, olhai que se não enganam na conta dos que vamos combater. Hão de ser quatro ou cinco dos de lá contra cada um dos nossos, se comigo forem todos os que tenho aqui.

‘Deixá-lo. Eu por mim não volto atrás. Maior glória para nós para a nossa terra, se os vencermos, e menos honra e soberbia para eles, se nos vencerem a nós.

‘Agora esses que estão aqui de ânimo encolhido, que vão com Deus. Eu irei para diante e com o que me ficarem.

‘Quem tiver alma para me seguir que passe desse regato para cá, os medrosos que fiquem da banda de lá. Assim extremados já eu sei quem tenho para ir bater os de Castela, ou para ficar lá pelas custas da contenda.

— Ficaram alguns? — Perguntou Magriço, aproveitando a pausa feita pelo narrador.

— Louvores a Deus, nem um! Abalamos de ânimo erguido e espírito resoluto, e quando íamos a meia légua de distância, no sítio chamado Atoleiros, demos vista da hoste inimiga.

‘Formamos em cerrado, no meio Nun’Álvares com a sua devota bandeira. E, quando os de Castela se não decidiam a vir sobre nós, Nun’Álvares ajoelhou para orar, e todos a uma ajoelhamos com ele; rostos para a campanha em cada uma das quatro faces do cerrado, os cantos das lanças bem firmes no chão.

‘De súbito, uma algazarra de trombetas da banda deles, um trovão no tropel de mil cavalos que deitam à desfilada sobre nós, um novelão de poeira que vem cegar-nos, e esse brado de cinco ou seis mil vozes, que todos nós sentimos no coração.

‘Santiago y Castila!

‘S. Jorge e Portugal! Gritou Nun’Álvares, e toda aquela quadrela de homens lhe repetiu o grito, assim como se a alma do maior fosse a alma de todos a dentro do cerrado!

‘Tão unidos, que até sentíamos a bandeira a esvoaçar na aragem daquela manhã de abril, e tão afincada àquele chão da nossa terra, que a onda dos castelhanos veio quebrar-se contra nós e bateu para trás quase desfeita.

‘Outra arremetida, e estávamos com a Vitória.

‘Gloriosa batalha!

Era ou não era um homem de convicções Nun’Álvares? Era sim, meus amigos! Mas, notásteis como ele possuía a noção do valor da irradiação?

Percebendo, tendo a intuição (grifo meu)  de que aqueles que o acompanhavam, estavam receosos de ser vencidos, ele fala-lhes, porque a entrarem assim timidamente em combate, seria desastre certo, já por serem menos, já porque rodeado de medrosos seria criar-lhe um ambiente trevoso, de má assistência, pois se não fôra a assistência das Forças Superiores, 1400 portugueses não poderiam vencer 6 mil espanhóis, e melhor miliciados. Mas a questão de Portugal era de honra, e a da Espanha de assalto, e por isso, tinha de estar com Portugal a boa assistência, e o esteve sempre, quer nesta batalha dos Atoleiros, quer na célebre de Aljubarrota, e outras.

Penetrei nestes fatos históricos para, mais uma vez, relatar casos demonstrativos do valor do pensamento, a capacitar-nos de que, quando no cumprimento do dever, devemos ser todos por um e um por todos, para que haja uma só corrente, a do Bem, com a qual possamos atrair as Forças Superiores para beneficiarmos os que sofrem e guiarmos aqueles que queiram se esclarecer.

A discordância dum pensamento, quando nos trabalhos, é o bastante para que entre em ação o astral inferior, prejudicando assim o bom êxito dos mesmos.

Tomemos boa nota disso, e em tudo façamos por conquistar a convicção dessa Alma, cuja passagem entre nós com o nome de Luiz de Mattos, hoje rememoramos.

Privar com ela na intimidade era ter-se a confirmação do que a História narra.

Na luta era um guerreiro destemido! Na família, ou entre os íntimos, era consolador, enfermeiro sem igual, prestimoso, gracejador, ironista, não havia mutismo onde ele estivesse, mas na intimidade.

Na Doutrina, ele e Luiz Thomaz foram o símbolo da convicção e da submissão aos Princípios. Ambos foram companheiros nos grandes feitos do passado. E se lá eles eram crentes, na Doutrina, neste novo encontro, deixaram de ser os crentes para ser os convictos. Ora, desde que formamos a nossa convicção a seu lado, como não seguir-lhe a rota?”.

Luiz de Mattos teve várias encarnações em que nelas sempre se sobressaiu como um espírito forte, destacado dos demais, tal como se estivesse sendo preparado por Jesus, o Cristo, em conformidade com o plano de espiritualização da nossa humanidade, para exercer a grande missão de toda a sua existência, a fundação do Racionalismo Cristão e a transmissão dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, na qualidade do nosso veritólogo maior, ou, como queiram, do espírito da verdade, previsto até nos Evangelhos. Vejamos algumas dessas suas encarnações citadas por Antônio Cottas, por ocasião do seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 56, quando ele afirma:

Mas, em todas as tuas passagens pelo mundo, e de nós conhecidas, jamais te deixaste vencer na luta; Guerreiro e Diplomata como jamais vimos quem te igualasse.

Como Afonso Henriques e Nun’Álvares Pereira, Guerreiro!

Como D. Diniz, mandaste cultivar a terra, plantar pinheiros para a construção de caravelas que haviam de trazer a luz da civilização ao mundo. Enquanto cuidavas da terra, cultuavas as letras e a arte.

Rei-Lavrador, te cognominaram! Mas, Rei Sábio foste também.

Como S. Bernardo eras a estrela mais brilhante dos jesuítas de antanho!

Como Cavalheiro de Oliveira, diplomata português na Holanda, basta recapitular a grande série de cartas passadas a livros com o título Cartas de Holanda, de Xavier de Oliveira. Quanta verdade! Como acalentavas os sofredores e causticavas os potentados corruptos, os titulares venais!

Em 1860, no dia 3 de janeiro, para felicidade da Humanidade e nossa especialmente, porque tivemos a fortuna de, no último quartel da tua existência física, privar na maior intimidade contigo, nascias novamente para o mundo, recebendo o nome de Luiz, e passaste a ser o grande e imortal — Luiz de Mattos”.

Os seres humanos em suas crassas ignorâncias, tendem a seguir os credos, pois que as suas mentes ainda muito atrasadas também tendem para os misticismos e o sobrenatural, pois que assim não dão trato ao raciocínio, navegando na Terra ao sabor do vento, sem saberem que se encontram em uma tormenta, tormenta essa provocada pelos sacerdotes, ignorantes uns, espertalhões outros, mas todos cuidando de arrebanhar cada vez mais prosélitos, para que assim possam manobrar livremente os seus rebanhos, que seguem as suas manobras como se fossem inocentes cordeiros sendo enviados para a tosa, para que lhe sejam aparadas a felpa, sendo, pois, necessária a minha explanação para fazer eco na compreensão humana, sacudindo as almas de boa vontade, para que abandonem os credos e sigam o racionalismo de Jesus, o Cristo, tornando-se todos antecristãos, deixando de ser anticristãos.

A verdade é dura, e não aceita contemplações, os próprios racionalistas cristãos julgam que compreendem todo o contexto da doutrina que praticam, lendo apenas as suas obras doutrinárias, mas ainda se encontram muito longe de compreender a todo esse contexto, principalmente porque ignoram completamente que deverá ser por intermédio do Racionalismo Cristão que iremos produzir o nosso Cristo. É somente com a minha explanação que a doutrina racionalista cristã deverá ser inteiramente compreendida, daí a razão pela qual Luiz de Mattos vir afirmar que a doutrina racionalista cristão não seria compreendida por muito tempo. Vejamos a manifestação do seu espírito por ocasião do aniversário de sua desencarnação, em 15 de janeiro de 1935, contida na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 51 a 53, quando ele diz o seguinte:

“… venho… demonstrar-vos a minha intensa satisfação pelo pugnar constante da nossa bela Doutrina, Doutrina esta que ainda não é compreendida, que ainda não o será por muito tempo (grifo meu), mas que é de fato elevada nos seus fins, e de acordo com os seus princípios, fará a felicidade de quem a praticar com a confiança necessária.

O seu progresso é intenso, e seria ainda maior se não faltassem instrumentos convictos dos seus deveres para nos servirem de apoio. Contudo os alicerces espirituais da Doutrina estão firmes (grifo meu).

Por isso, amigos, aqui estou a participar de tudo, a ver tudo, a vos incitar para a luta, porque só assim é que vos podereis tornar felizes, lutando sempre, sempre em prol da nossa querida Doutrina”.

Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ser transmitidos com a inserção de algumas experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim possa fazer eco na compreensão humana, formando um corpo de doutrina, portanto, por intermédio de teorias “a priori”, embora para os estudiosos o termo “a priori” venha a ser o conhecimento independente da experiência, mas isto se justifica porque a experiência é utilizada em pequena monta, não sendo necessário que o conhecedor venha a passar por experiências mais profundas, assim como se fizesse um curso analítico, não convencional, próprias de um verdadeiro experimentador. Galen Strawson vem afirmar que um argumento “a priori” é aquele em que “você pode ver que é verdadeiro apenas deitado no sofá, sem que seja preciso dele se levantar e sair para examinar a forma como são as coisas no mundo físico, não sendo preciso fazer qualquer ciência”. Como se pode claramente constatar, o mundo metafísico é totalmente diferente do mundo físico.

Já as experiências físicas acerca da sabedoria devem ser transmitidas com a inserção de alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, para que assim possa fazer eco na percepção humana, formando um corpo de sistema, portanto, por intermédio de teoria “a posteriori”, como foi o caso de Aristóteles, que compilou os conhecimentos transmitidos pelos veritólogos das escolas pré-socráticas, tanto que para os estudiosos o termo “a posteriori” é o conhecimento dependente da experiência, ou seja, depende de o objeto do qual será retirado o conhecimento que esteja disposto aos sentidos, em que o ser humano precisa ver, ou sentir, ou tocar, para a partir dessa premissa, começar o raciocínio. Um exemplo de conhecimento “a posteriori” seria a indagação: qual o efeito de espíritos obsessores sobre um obsedado? Pode-se compreender que esse questionamento não pode ser respondido na íntegra sem que o obsedado tenha se recuperado, após passar por essa dolorosa experiência.

Aqueles que escrevem através de teorias “a posteriori” se utilizam de muito mais palavras para descrever as experiências, do que aqueles que escrevem através de teorias “a priori” para descrever os conhecimentos, por isso estes escrevem geralmente em parágrafos curtos, mais sintéticos, enquanto que aqueles escrevem em parágrafos longos, mais ampliados. Daí a razão pela qual Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos em 15 de janeiro de 1940, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 101, vem afirmar o seguinte:

Luiz de Mattos não era um teorista (grifo meu), mas sim um Mestre consciente, sábio e prático”.

A prova disso é que Luiz de Mattos não era um experimentador, por natureza, mas sim um conhecedor, por excelência. Tanto que o seu curso da vida foi analítico, relativo a análise das coisas através dos livros, e não convencional, relativo a análise das coisas através da experiência vivida, como, por exemplo, ele não passou pela experiência de ser internado em um hospital psiquiátrico como louco para narrar tal experiência, pois que tal experiência não fazia parte da sua natureza de conhecedor, mas sim da minha, como experimentador. Antônio Cottas, em seu discurso por ocasião da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 58 e 59, retrata bem essa sua natureza, quando assim se expressa:

Agora, vejamos Luiz de Mattos, rapaz, no comércio de estiva e café.

Rodeava-se de amigos nos dias de folga? Sim. Mas que amigos escolhia ele para as suas relações: Voltaire, Cícero, Virgílio, Catulo, Marquês de Pombal, Nun’Álvares (mal sabia rever-se ele próprio), Vasco da Gama, Camões, Emílio Zola, Cayuru, e tantos outros.

Podiam deparar com ele sozinho no seu barco a pescar, mas junto doutros rapazes, era difícil. Suas relações estavam arraigadas com aqueles grandes amigos e conselheiros — os livros.

Seu curso tinha que ser analítico e não convencional (grifo meu).

E eis porque ele foi quem é e é quem foi! Onde sua rebeldia aos estudos, se livre, viveu sempre cercado dos livros, e que livros?

Estava escrito. Ele, embora tarde, tinha que executar o que executou.

E se por grandes provas passou, foi porque assim se tornou preciso, para caldear-lhe o espírito para os grandes embates.

Não era homem de se deixar intimidar.

Vindo, de fato, para o Brasil, devido à severidade da sua genitora, foi ele internado num Liceu em Botafogo, onde pouco se demorou, dizendo aos irmãos que queria seguir o comércio, o que fez, porque estava traçado o seu programa espiritual, e se enveredasse por outro caminho, difícil seria criar o seu ideal — a Doutrina da Verdade.

A sua cultura tinha que se fazer acompanhada duma obrigação material, onde dia a dia fosse conhecendo os homens, as suas maldades, fraquezas ou necessidades, o desamor ao próximo, a corrupção moral e material, enfim, estando no palco da vida como ator e espectador, mais fácil seria a formação do seu caráter e o cumprimento do seu desiderato”.

Há que se ressaltar sempre a natureza dos espíritos, uns desenvolvem mais o seu criptoscópio, estes são dados à Veritologia ou às suas filhas, as religiões, enquanto outros desenvolvem mais o seu intelecto, estes são dados à Saperologia ou às suas filhas, as ciências. Os criptoscopiais, portanto, são dados a perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, estes são conhecedores, por excelência, enquanto que os intelectuais são dados a compreender e a criar as experiências físicas acerca da sabedoria, estes são experimentadores, por excelência.

Acontece que a arte de planejar depende dos recursos da experiência, e o explanador do Racionalismo Cristão, através de experiências físicas, alcança a condição do Antecristo, devendo após a sua explanação, ao desencarnar, deslocar-se para a humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, e lá formular um plano para a sua espiritualização.

Luiz de Mattos pretendia reencarnar para concluir a sua obra doutrinária, segundo manifestou em seu segundo dia após haver desencarnado, mas acontece que ele não é um experimentador, por excelência, e essa sua pretensão talvez se devesse ao fato de eu ter que passar por experiências terríveis, querendo ele me poupar de sofrimentos atrozes, ou, quem sabe, que eu viesse falhar em minha missão, já que eu encarnei rigorosamente dentro dos limites da minha capacidade necessária a tal empreendimento. Há ainda uma outra alternativa, talvez ele tivesse ainda muitas outras coisas a dizer, já que deveria ter começado a sua missão aos vinte e seis anos de idade, e somente começou ao cinquenta anos de idade, mas, como diz o ditado popular “para o bom entendedor, meia palavra basta”, e essa sua “meia” palavra eu entendi perfeitamente. Caso ele tivesse reencarnado, com certeza falharia em sua missão para com a humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, pois que não teria acumulado a experiência necessária para formular um plano para a sua espiritualização. De qualquer maneira, ele se convenceu de que não precisaria mais encarnar. Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 54, vem comprovar inteiramente esta minha afirmativa, quando assim diz:

Em 1926, no segundo dia após a sua desencarnação, em Sessão Especial de Doutrinação, dizia ele que voltaria a encarnar para concluir a sua obra. Mas, para felicidade nossa e dele, não se torna mais precisa a sua volta à Terra em corpo carnal”.

Luiz de Mattos, além de ser o nosso veritólogo maior, o espírito da verdade, era também magnânimo, pois assim como Luiz Alves Thomaz, doou tudo o que tinha para o Racionalismo Cristão, para que este, independente, pudesse executar a sua obra de esclarecimento da nossa humanidade, diferentemente dos credos e das suas seitas, que procuram arrebanhar prosélitos para que assim possam encher cada vez mais os seus cofres, praticando verdadeiramente um ato de estelionato. Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1941, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 108 e 109, confirma isso quando diz:

Luiz de Mattos deu à humanidade o Racionalismo Cristão, mas, não estando ainda satisfeito, como Luiz Thomaz, legou tudo o que era seu ao Redentor para que este, com natural independência, pudesse executar a sua Obra Cristianizadora”.

Muitos podem ignorar a grande importância que teve Luiz de Mattos no contexto da política brasileira, principalmente por intermédio do jornal A Razão, notadamente porque o seu nome não consta nas obras da nossa história. Mas ele influía decisivamente no contexto político, tanto que fez cair o ministro das Relações Exteriores, Lauro Muller, e colocar em seu lugar Nilo Peçanha. Tanto os oficiais do exército como os da marinha queriam saber das suas opiniões antes da tomada de qualquer decisão. No decorrer da 1ª. Grande Guerra os combatentes recebiam gratuitamente o jornal A Razão, e quando veio o Armistício ele protestou contra a paz de mentira, prevendo a ocorrência da 2ª. Grande Guerra. Antônio Cottas, nesse mesmo discurso, contido na mesma obra, as páginas 111 a 113, faz a seguinte afirmativa:

Em 1914 é declarada a grande guerra. Em dezembro de 1916 era fundada a “A Razão” e, à sua frente, Luiz de Mattos agitava a alma brasileira. Soubemos como ele fez cair Lauro Muller, ministro das Relações Exteriores, e colocar no seu lugar o grande republicano e democrata Nilo Peçanha.

Altas patentes do Exército e da Marinha quiseram sempre conhecer a sua opinião antes de tomarem certas e determinadas atitudes.

Desde os oficiais aos marujos via-se “A Razão” sendo lida com interesse. Aqueles que ao serviço da Pátria partiram para a grande guerra, recebiam esse jornal gratuitamente, e um representante especializado da “A Razão” foi conservado no campo de guerra.

Veio o Armistício em 11 de novembro de 1918.

Luiz de Mattos protestou contra a paz de mentira então assinada e disse que pior guerra iríamos ter.

E ela aí está. Bárbara, destruidora e devastadora!

Até onde ela irá ninguém o pode dizer.

Mas, seja como for, aos racionalistas cristãos não deve causar surpresas.

Desde que a doutrina de Wilson (Thomas Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos no período de 1913 a 1921, digo eu) faliu, tudo era de se esperar.

Entretanto, para bem do continente americano, um espírito de maior valor e ação parece estar encarnando todo o querer e sentir de Luiz de Mattos entre 1914 e 1918 e, em constante vigília com o Brasil e demais povos do Continente Americano, é de crer que soframos as consequências da guerra, mas não cheguemos a ser lançados na fogueira brutal que está aniquilando povos de outros continentes.

Roosevelt (Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos no período de 1933 até a sua desencarnação em 1945, digo eu), esse grande homem, é visto por nós apenas através de seus sentimentos cristãos.

Senhores!

A vitória está com Roosevelt porque ele está com a Verdade!

Luiz de Mattos disse a Wilson que sua visita ao Vaticano originou o seu avassalamento e a falência da Liga das Nações.

Wilson pouco tempo depois desencarnou vítima de traumatismo moral.

Wilson faliu. Roosevelt triunfará, porque é despido de vaidades e honrarias e encarna a vontade de Luiz de Mattos”.

Após haver codificado o Racionalismo Cristão, em 1910, Luiz de Mattos pôs em prática na Terra os princípios repassados a ele quando se encontrava em plano astral, pois não se pode pôr em dúvida que Jesus, o Cristo, foi o seu mentor quando ele ainda se encontrava em seu Mundo de Luz, preparando-o para exercer a sua missão neste nosso mundo-escola, que era justamente fundar o Racionalismo Cristão e transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião do centenário de nascimento de Luiz de Mattos, em 01 de janeiro de 1960, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 174, transmite-nos este fato da seguinte maneira:

Codificado o Racionalismo Cristão, em 1910, analisando a vida doutrinária de Luiz de Mattos, reconhecemos que ele firmou os Princípios Morais difundidos por Jesus, o Cristo, e trabalhados por este nas encarnações de Confúcio e Platão (grifo meu). Para Confúcio, ‘o homem superior, preza a sua alma, o homem inferior, os seus bens. O homem superior, sempre se lembra das penas que passou por seus erros, o homem inferior, sempre se lembra dos presentes que recebeu’.

‘O homem superior é liberal para com as opiniões alheias, sem as acatar; o homem inferior, aceita as opiniões alheias, mas não é liberal para com elas’.

‘O homem superior é forte, mas não briga; mistura-se facilmente aos outros, mas não se arrebanha’.

‘O homem superior culpa a si próprio; o inferior, culpa os outros’.

‘Ao homem superior é fácil servir, difícil é agradar, pois só o que é direito lhe agrada, e ele sabe empregar as pessoas de acordo com as habilidades de cada uma’.

‘O homem superior é sempre ingênuo e desinteressado. Cresce para cima; o homem inferior, cresce para baixo’.

‘O homem superior é digno, mas sem orgulho; o homem inferior é orgulhoso, mas sem dignidade’.

‘O homem superior passa pela vida sem nenhuma linha de ação preconcebida, sem nenhum tabu; resolve a cada momento, a sua maneira de agir’.

‘O homem superior não faz questão de boa comida e boa morada; atém-se aos seus deveres e cuida de sua linguagem, e se encontra um grande homem, segue-o como a um guia. Tem o que se pode chamar a paixão de aprender’.

‘O devoto que pretende buscar a verdade, mas se envergonha de comer mal e se vestir mal, não merece que se lhe dirija a palavra’.

É ainda Confúcio que afirma: ‘os bonzinhos são os ladrões da virtude’”.

Vale sempre bater na tecla de que mesmo aqueles que são estudiosos ardorosos da doutrina racionalista cristã, que investigam a verdade, julgando-se esclarecido, não conseguem penetrar nos meandros do Racionalismo Cristão, na série de curvas do traçado do seu percurso, porque a verdade sozinha não produz muito efeito, notadamente porque ela é a causa, tendo que se juntar à sabedoria para que se possa produzir o efeito necessário, alcançando a razão. Daí o motivo pelo qual se faz necessária a presença de um saperólogo para explanar a sua doutrina, para agregar a sabedoria à verdade e alcançar a razão, corrigindo os erros do seu curso, como, por exemplo, que o Universo é composto de Força e Matéria, quando é falsa esta afirmativa, uma vez que a matéria não existe. É por isso que eu vim decretar o final de A Era da Verdade e estabelecer o início de A Era da Razão, para que assim o Racionalismo Cristão venha a ser compreendido em seu todo. Antônio Cottas, nesse mesmo discurso citado anteriormente, contido na mesma obra, a página 16, vem corroborar inteiramente com esta minha afirma, quando afirma:

A sua obra (de Luiz de Mattos, digo eu) ainda é vagamente definida, mesmo pelos se julgam esclarecidos e conhecedores da Doutrina. Daqui a alguns anos, será assombrosa (grifo meu).

As almas que encarnando vêm, quando chegadas à idade do raciocínio, assombrarão os velhos sem coragem, sem força moral, para se vencerem e corrigirem os vícios. Felizes serão aqueles que tão bela Doutrina souberem passar aos vindouros”.

É o raciocínio, sem sombra de dúvidas, a faculdade fundamental que nos diferencia dos demais animais, além do livre arbítrio e da forma do corpo carnal, porque é através dele que nós fazemos o exercício do nosso juízo, formulando ideias, deduzindo ou induzindo algo a partir de duas ou mais premissas, para que assim possamos inferir.

Mas, infelizmente, os seres humanos aceitam tudo que venha dos credos e das suas seitas, ou mesmo das ciências, sem que venham a dar trato ao raciocínio, para que assim possam aceitar somente aquilo cujo juízo foi formado com base na racionalidade. É triste ver esse quadro doloroso, presenciar o fato dos seres humanos não se utilizarem daquilo que se revela como sendo a mais valiosa das faculdades.

Quando um espírito é extremamente evoluído, ele sofre profundamente pela falta de raciocínio dos demais seres humanos, embora tenha que se conformar com essa situação dolorosa, mas fazendo de tudo para que o raciocínio venha à tona, para que assim possa satisfazer aos seus elevados anseios. Luiz de Mattos era um desses espíritos, empregando todos os esforços para que os demais seres humanos dessem trato ao raciocínio. Antônio Cottas, em seu discurso proferido por ocasião da inauguração da nova sede da filial de São Paulo, em 1973, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, as páginas 184 e 185, afirma esta realidade, quando assim se expressa:

Do discurso do Dr. Emir Nunes de Oliveira, em 20 de outubro de 1956, dia em que se inaugurou a nova sede da Casa Chefe do Racionalismo Cristão, vamos transcrever pequeno trecho alusivo a Luiz de Mattos.

‘Possuidor de uma cultura notável sobre os mais diversos ramos de conhecimentos, versado em medicina e história, verdadeiro iniciado em religião (leia-se credo, digo eu) e filosofia.

apontando defeitos, corrigindo erros, obrigava seus adversários a lerem seus escritos e esse era seu desejo, repetia sempre, ‘queria que os homens raciocinassem mesmo contra a própria vontade (grifo meu)’”.

Os Mundos de Luz são tão evoluídos que nós, estando encarnados aqui na Terra, não fazemos qualquer ideia daquilo que comporta as suas nuances, das diferenças sutis que por lá se passa, postas em contraste, como é o caso do espírito de Luiz de Mattos ter que se submeter a permanecer em zonas espirituais menos elevadas, a fim de que pudesse exercer a presidência astral do Racionalismo Cristão, de acordo com Antônio Cottas. Humberto Rodrigues, então presidente do Racionalismo Cristão na Terra, em sua doutrinação após a manifestação do espírito de Luiz de Mattos, em sessão pública de 13 de junho de 1983, contida na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 201, afirma o seguinte sobre o assunto:

Há muitos anos, nosso Presidente Perpétuo Antônio do Nascimento Cottas dizia que o espírito de Luiz de Mattos, pelo seu acentuado grau de evolução, já podia estar em zonas espirituais mais elevadas, mas que se submetia ao sacrifício de permanecer em zona menos evoluída, a fim de que lhe fosse permitido o exercício da Presidência Astral no planeta Terra.

Agora, essa realidade se confirma. Imediatamente, após a desencarnação de Antônio do Nascimento Cottas, Luiz de Mattos ascende ao seu verdadeiro Mundo de Luz, e Antônio do Nascimento Cottas assume a posição de Presidente Astral!

Antônio do Nascimento Cottas, sucessor de Luiz de Mattos no plano físico também é seu sucessor no Plano Astral!”.

Como já é do conhecimento de todos, o espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, ainda na condição do seu Antecristo, a fim de elaborar um plano para a nossa espiritualização, tendo que encarnar várias vezes neste nosso mundo-escola com o objetivo de auferir à consecução desse seu fabuloso plano espiritualizador, tendo encarnado como Hermes, no Egito, como Krishna, na Índia, como Confúcio, na China, como Platão, na Grécia, e, finalmente, como Jesus, na Palestina, quando então alcançou a condição do Cristo, mas do Cristo da sua humanidade, cumpriu integralmente com o seu dever para com a nossa humanidade, pois com a fundação do Racionalismo Cristão, a produção do nosso Cristo poderia surtir efeito, assim como também a espiritualização de todos os seres humanos que formam a nossa humanidade.

Desta maneira, tendo cumprido com o seu dever para com a nossa humanidade, com a fundação do Racionalismo Cristão, nada mais tinha que fazer entre nós esse evoluidíssimo espírito, podendo então retornar para a sua própria humanidade, a fim de dirigir o seu rumo em direção ao Ser Total, deixando Luiz de Mattos como sendo o chefe da nossa humanidade. Antônio Cottas, o Consolidador do Racionalismo Cristão, em seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1939, contido na obra Discursos de Antônio do Nascimento Cottas, a página 91, faz a seguinte afirmativa:

No espaço como na Terra, a ação de Luiz de Mattos, é a que durante séculos coube a Cristo (grifo meu). A este, como àquele, jamais o preocuparam os julgamentos humanos. Seus conhecimentos racionais da vida distenderam-se e só o cumprimento do dever os absorvia”.

É sabido que Jesus, o Cristo, chamou a Deus de Pai, o que implica em dizer que ele se colocou na posição de Filho, mas o porquê disso nós ainda não o sabemos, uma vez que a sua transcendência supera a todas as nossas ideias a respeito. Mas acontece que Jesus é o Cristo da humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, e não o nosso, tanto que para lá já retornou, para a felicidade desses seres humanos.

É sabido também que Luiz de Mattos é o nosso veritólogo maior, o espírito da verdade, que pelo fato de ser puro de espírito, sem que haja qualquer mancha ou nódoa em sua alma, pode ser considerado como o Espírito Santo, o nosso Espírito Santo.

Temos, pois, o Pai citado por Jesus, o Cristo, e o Espírito Santo, mas não o Filho, visto que Jesus, o Cristo, pertence à humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo.

O nosso Antecristo deverá se deslocar para a humanidade que segue a nossa na esteira evolutiva do Universo, para lá desempenhar o mesmo papel que Jesus, o Cristo, desempenhou em nossa humanidade, quando lá deverá alcançar a condição do Cristo, quando então deverá saber exatamente qual o significado da expressão Pai utilizada por Jesus, o Cristo, quando poderá se colocar na condição do Filho, e retornar ao nosso meio.

Somente nessa ocasião é que poderemos ter o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Eis aí o Mistério da Santíssima Trindade!

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Era da Verdade

13.03- O Antecristo

Eu, Marcos Valente Serra, cognome Pamam, encarnei na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, em quatro de março de 1953. Estudei no Colégio Cearense, dos irmãos maristas,...

Leia mais »
Romae