13.02- A cultura miceneana

A Era da Sabedoria
24 de setembro de 2018 Pamam

Heinrich Schliemann, um dos maiores arqueólogos de todos os tempos, se não o maior, nasceu na Alemanha, em 1822. Seu pai, um estudioso da história antiga, educou-o na leitura dos poemas de Homero sobre o cerco de Troia e as aventuras de Odisseu. Ficou decepcionado quando soube que Troia desaparecera sem deixar qualquer vestígio. Ainda com a idade de oito anos, mas demonstrando uma enorme precocidade espiritual, resolveu já nesta tenra idade dedicar a sua existência à descoberta da cidade desaparecida. Fazendo-se inicialmente de comerciante, aos vinte e cinco anos já possuía comércio em três continentes. Aos trinta e seis anos, considerando-se suficientemente rico, afastou-se da atividade comercial e se dedicou de corpo e alma à arqueologia, fazendo valer a sua legítima vocação e o que prometera ao seu pai, quando disse:

Em meio ao turbilhão dos negócios, eu jamais esquecera Troia, ou a promessa de exumá-la, que havia feito ao meu pai”.

Que isto sirva de exemplo aos desgraçados que teimam em adquirir cada vez mais fortuna, sem manifestar qualquer espírito de solidariedade para com o próximo, e muito menos as manifestações de magnanimidade e de liberalidade, sem saberem que nas encarnações seguintes poderão vir na mais extrema pobreza, para sentirem na alma o que os próprios semelhantes sentem, e assim poderem se regenerar, adquirindo a consciência de que nada levarão deste mundo, nem sequer um mísero centavo, a não ser as boas ações que se refletirão em suas evoluções espirituais.

Partiu então para a Grécia e logo tratou de estudar o grego, chegando a ler o grego antigo e o moderno tão fluentemente quanto o alemão, o que não causa espanto, pois ele também falava fluentemente o inglês, o francês, o holandês, o espanhol, o italiano, o russo, o sueco, o polonês, o árabe e até o português. Somente os seres humanos de mente muito atrasada não podem perceber a sua missão idealizada em plano astral, assim como a evolução espiritual, pois era tão intensa a vontade de realizar a essa sua missão, que ele não titubeou em deixar a sua esposa, uma russa, que se recusou a deixar o seu país na companhia do marido. Então ele fez um anúncio público, declarando estar precisando de uma esposa grega, estabelecendo determinadas condições para o enlace, o que o fez se casar novamente aos quarenta e sete anos de idade com uma noiva de dezenove, escolhida pelas fotografias que lhe haviam sido enviadas. Sendo um grande admirador de Homero, deu aos filhos os nomes de Andrômaca e Agamemnon, recusando-se corretamente em batizá-los, e se o fez solenizou a cerimônia pondo sobre a cabeça das crianças uma cópia da Ilíada e lendo em voz alta os hexâmetros homéricos.

Em 1870, partiu para Troade, a ponta noroeste da Ásia Menor, e contrariando o parecer de todos os cientistas, firmou a convicção de que a Troia de Priamo estava soterrada sob o monte Hissarlik. Com muita paciência, predicado comum dos grandes homens, após um ano de intensas negociações, conseguiu a permissão do governo turco para escavar o local. Após um ano de escavações, descobriu um vaso de cobre que continha milhares de objetos de ouro e prata. Enviou mensagens aos seus amigos da Europa dizendo que acabara de desenterrar o Tesouro de Priamo.

O fato é que ninguém o levou em consideração, chegando inclusive a ser acusado de haver previamente posto os objetos no local e de estar extraindo ouro do solo turco. Mas estudiosos como Virchow, Dorpfeld e Burnouf foram ao local das escavações, constataram a veracidade do relato de Schliemann e resolveram prosseguir com ele nas escavações. Então começa a surgir uma Troia sob a outra. O problema, então, deixa de girar em torno da existência de Troia, passando a girar em torno de se saber qual das nove Troias exumadas havia sido a Ílios da Ilíada de Homero.

Em 1876, Schliemann resolveu confirmar a epopeia de outra maneira, provando que Agamemnon também existira. Com base na descrição da Grécia feita por Pausânias, o qual viajou por toda essa região, em 160 da era cristã, descrevendo essa viagem em uma obra intitulada Periegesis, iniciou trinta e quatro escavações em Micenas, no Peloponeso oriental. Quando descobriu esqueletos, vasos, joias e máscaras douradas, comunicou ao rei da Grécia que havia descoberto os túmulos de Agamemnon e Atreu. Mas tal comunicado não correspondia à realidade. No entanto, à medida que outros pesquisadores como Dorpfeld, Muller, Tsountas, Stamatakis, Waldstein e Wace ampliavam as escavações no Peloponeso, enquanto outros exploravam a Ática e as ilhas, como também a Eubeia, a Beócia, a Fócida e a Tessália, o solo da Grécia foi revelando relíquias de uma cultura pré-histórica, pois lá também demonstrava a existência dos povos que haviam se erguido do barbarismo para a civilização, em decorrência de civilizações antigas que haviam sido extintas.

Como se pode claramente constatar, as civilizações são bem antigas, bem mais velhas do que se imaginava, cujas histórias se perderam no fluxo do tempo, mas esta nossa civilização é bastante recente e há de prosperar com o esclarecimento de todos acerca espiritualidade, pois se aproxima o advento da Era da Razão.

Em uma pequena elevação, a uns vinte quilômetros ao norte de Argos, no século XIV a.C., aproximadamente, segundo Pausânias, Perseu construiu Micenas, a maior capital da Grécia considerada antes da história propriamente dita. Séculos mais tarde, Homero descreveu Micenas como sendo uma cidade muito bem construída, de largas ruas e opulenta em ouro. A um canto da muralha se encontra a famosa Porta dos Leões, e junto a ela Schliemann desenterrou dezenove esqueletos e relíquias tão preciosas que compensam o seu equívoco do comunicado ao rei da Grécia. Ali estavam também esqueletos masculinos e femininos com coroas, diademas e máscaras de ouro, e ainda vasos pintados, caldeirões de bronze, contas de âmbar e ametista, objetos de alabastro, marfim, adagas e espadas ornamentadas, vários objetos de ouro, como sinetes e anéis, alfinetes e botões, taças e contas, braceletes e peitorais, vasos de toalete e até mesmo roupas bordadas com palhetas de ouro. Tudo isso não podia deixar de pertencer à realeza e aos nobres.

Até onde os estudiosos calculam, os miceneanos eram provenientes dos frígios e dos carianos da Ásia Menor, e dos minoanos de Creta. Nos leões de Micenas há uma conotação com o estilo mesopotâmico, o qual deve ter chegado à Grécia através da Assíria e da Frígia. A tradição grega denominava aos miceneanos de pelasgos, talvez lhes querendo dar a significação de Povo do Mar, ou seja, pelagos, e os considerava como tendo vindo da Trácia e da Tessália para a Ática e o Peloponeso, em um passado tão remoto que os gregos os denominavam de aborígenes. Heródoto aceitou tal conclusão e atribuiu aos deuses olímpicos a origem pelasga, mas nem ele e nem ninguém sabe afirmar com certeza qual o idioma pelasgo.

Após a queda de Cnosso, Micenas prosperou e a crescente riqueza da dinastia reinante ergueu grandes palácios sobre os montes de Micenas e Tirinto. A arte miceneana adquiriu caráter próprio e conquistou os mercados do mar Egeu. O comércio do continente em sua expansão atingiu ao leste a ilha de Chipre e a Síria; ao sul, chegou ao Egito; ao oeste, através da Itália, chegou à Espanha; ao norte, através da Beócia e da Tessália, foi ao Danúbio; vendo-se impedido apenas em Troia. Assim, Micenas espalhou a sua cultura de um extremo ao outro do mundo mediterrâneo, mas não se tem registros da sua Veritologia, Saperologia, ou mesmo dos seus credos e seitas.

 

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