13.01- A Cultura cretense

A Era da Sabedoria
24 de setembro de 2018 Pamam

Assim como na Índia, quando Sir John Marshall anunciou ao mundo que os seus colaboradores haviam achado em Mohenjo-daro resquícios de uma civilização, ainda mais antiga do que todas dadas a conhecer até agora aos historiadores, havia também na Grécia uma ilha denominada de Creta, primeiramente citada por Homero, no século IX a.C., que havia dominado o mar Egeu com uma poderosa esquadra e que também havia dominado o continente, tendo lá se desenvolvido mil anos antes do cerco de Troia. Ao que tudo indica é a essa cultura que Homero se refere quando fala na Idade do Ouro, em que os seres humanos haviam se degenerado.

A redescoberta da civilização cretense é uma das maiores proezas da arqueologia moderna. Essa ilha era estrategicamente situada tanto para o comércio como para a guerra, pois ficava tanto entre a Fenícia e a Itália, como entre o Egito e a Grécia. O próprio Aristóteles lhe assinalava a sua estratégica posição, a qual permitia a Minos se senhorear do mar Egeu. Embora a história de Minos fosse considerada como sendo uma lenda, em 1878 um comerciante cretense, Minos Kalokairinos, desenterrou lá algumas antiguidades. Em 1893, Arthur Evans, arqueólogo inglês, adquiriu em Atenas algumas pedras usadas pelas mulheres gregas como amuletos. Altamente perspicaz, ficou extremamente curioso ante os hieróglifos gravados nessas pedras e que ninguém decifrava. Sendo devidamente intuído pelo Astral Superior, atribuiu a origem dessas pedras a Creta, então se dirigiu para lá e vagou pela ilha recolhendo fragmentos daquilo que supunha ser a velha escrita cretense.

Em 1900, adquiriu o restante das terras que Schliemann e a Escola Francesa de Atenas haviam identificado como sendo o sítio de Cnosso. Escavando nessas terras, conseguiu exumar um dos mais ricos tesouros da moderna arqueologia, o palácio de Minos. Tanto nesse palácio como em outras ruínas, descobriu milhares de selos e tabletes de argila, com hieróglifos semelhantes aos dos amuletos adquiridos em Atenas, confirmando totalmente a intuição recebida do Astral Superior. E por lá Arthur Evans ficou trabalhando por muitos anos.

Logo a seguir, pesquisadores de muitos países se reuniram em Creta. Um grupo de italianos, Halbherr, Pernier, Savignoni e Paribeni, desenterrou em Hagia Triada, Santa Trindade, um sarcófago decorado de cenas da vida cretense, e descobriu em Festo um palácio quase tão grande quanto o de Cnosso. Dois americanos, Seager e Hawes, realizaram descobertas em Vasiliki, Mochlos e Gournia. Quatro ingleses, Hogarth, Bosanquet, Dawkins e Myres exploraram Polaicastro, Psicro e Zacro. Os cretenses também se interessaram pelas escavações, e os arqueólogos Xanthoudides e Hatzidakis descobriram antigas residências, grutas e túmulos em Arkalochori, Koumasa e Chamaizi.

Arthur Evans datou as relíquias encontradas de acordo com a profundidade das camadas, levando em consideração a gradação dos estilos das cerâmicas e a correspondência entre aqueles objetos e outros similares exumados em outras terras, cuja idade era mais ou menos conhecida. A metade da escavação mais profunda mostrava objetos da Era Neolítica, cerâmicas muito primitivas, rocas de fiar, ídolos de argila representando deusas de grandes nádegas e instrumentos e armas de pedra polida, mas nada de bronze, cobre ou ferro. Classificando a cerâmica e correlacionando tudo o mais com o equivalente da Mesopotâmia e do Egito, ele dividiu a cultura pré-histórica e pós-neolítica de Creta em três idades: a Antiga, a Média e a Última, subdividindo cada uma delas em três períodos.

As primeiras amostras do cobre nos estratos revelam o lento emergir de uma nova civilização após o neolítico, o Calcolítico. Depois os cretenses aprenderam a misturar o cobre com o estanho e a sua Idade do Bronze teve início. Não se tem registro da Idade do Ferro, pois uma catástrofe ocorre, deixando a sua marca impressa no chão, pois o palácio de Cnosso afunda, como se fôra tragado por uma convulsão sísmica. Igual destruição cai sobre Festo, Mochlos, Gournia, Polaicastro e várias outras cidades da ilha, pois os objetos de cerâmica aparecem cobertos de cinzas. Ao que tudo indica a sua destruição ocorreu através do fogo.

No mais recente período minoano tudo recomeça novamente. São erguidos novos palácios e novas construções. Seres humanos considerados como sendo nobres, todos ornados com valiosas joias, enchem os salões com festas e banquetes, servidos em mesas onde tudo é feito de bronze e de ouro. Os séculos XVI e XV a.C. marcaram o zênite do povo cretense, a Idade do Ouro em Creta. Mas a Creta antiga permanecerá oculta à nossa compreensão enquanto não aparecer outro Champollion que consiga decifrar os seus hieróglifos antigos.

No entanto, como todos os povos em todos os tempos, os cretenses tinham as suas crenças, que os estudiosos denominam equivocadamente de religiosidade, por ignorarem completamente a verdadeira função da religião, mas que na verdade é credulariedade.

Em Creta, eles adoravam montanhas, cavernas, rochas, árvores, o Sol, a Lua, cabras, cobras, pombas, touros, e até o número 3. Como percebiam a presença dos espíritos do astral inferior, concebiam o ar como cheios de espíritos bons e maus. Mas como eram supersticiosos, transmitem à Grécia uma população etérea repleta de dríades, silenos e ninfas. Como o índice de desencarnação é elevado, eles prestam homenagem à fecundidade e quando chega ao estágio do deus humanizado ele se representa com o sexo feminino, como sendo uma deusa-mãe de opulentas mamas e largos flancos, com serpentes a se lhe enrolarem pelo corpo e pelos cabelos. Nela eles veem que na natureza o maior inimigo do homem é a desencarnação, a qual é sobrepujada pela reprodução, cujo poder é específico da mulher, assim eles identificam esse poder com a divindade. A deusa-mãe, então, representa a fonte de toda a vida, nas plantas, nos animais, e, inclusive, no homem. Se ele lhe rodeia a imagem com produtos da flora e da fauna é porque também a flora e a fauna só existem por força da fertilidade criadora da deusa-mãe. Geralmente a deusa-mãe aparece trazendo nos braços do seu divino filho Velcanos, o que indica certa unidade desta cultura com a de outros povos, que também traziam Ísis e Hórus, Ishtar e Tamuz, Afrodite e Adônis, e mais recentemente a imagem católica de Maria com Jesus.

Creta é esquecida da história até o aparecimento de Licurgo na ilha, por volta do século VII a.C., embora haja indícios de que os aqueanos a visitaram pelas suas extensas incursões pela Grécia nos séculos XIV e XII a.C., e de que os conquistadores dóricos nela se fixaram ao final do segundo milênio a.C., mas foi lá, segundo muitos cretenses e gregos, que Licurgo e Solon, este em menor escala, encontraram os modelos das suas leis.

 

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