13.01.18- Capítulo XVIII – A Obsessão

A Era da Verdade
25 de abril de 2020 Pamam

A obsessão é um dos males de que mais sofre a nossa humanidade.

O seu perigo maior está precisamente em não ser percebida nos seus aspectos menos chocantes pelos que desconhecem as verdades espiritualistas que o Racionalismo Cristão difunde, principalmente na parte referente à vida fora da matéria.

A obsessão pode se apresentar de forma sutil, amena, periódica, permanente, branda ou violenta.

Nas formas sutis e amenas, manifesta-se por manias, pavores, esquisitices, fobias, cacoetes, excentricidades, exotismos, extravagâncias, paixões, fanatismos, covardia, indolência e por todos os excessos, como os sexuais, os de comer, os de rir ou chorar, e muitos outros.

No capítulo XVII, que trata da mediunidade, vimos como agem os espíritos obsessores sobre os seres humanos que os atraem com pensamentos afins.

Apesar de toda a ação deletéria que as forças do astral inferior exercem sobre a nossa humanidade, forçoso é reconhecer que a culpa da obsessão cabe, em grande parte, às próprias vítimas, por haverem, quando sãs, alimentado os pensamentos com que formaram correntes de atração em que se apoiaram os espíritos obsessores.

Encontra-se exaustivamente demonstrado nesta obra — e os fatos o vêm, todos os dias, confirmando —, que os pensamentos de perversidade, de vingança, de ódio e outros semelhantes, vibram, radiam e radiovibram em todas as direções da atmosfera terrena, estabelecendo imediato contato entre quem os emite e os espíritos obsessores.

As baixas camadas do astral inferior estão, pois, ligadas, por estreita afinidade, aos seres humanos mal humorados, aos vingativos, invejosos, irritados e desonestos, assim como àqueles que alimentam fraquezas e vícios.

Esses seres humanos, ainda mesmo que não aparentem estar obsedados, criam um clima profundamente danoso a si mesmos e aos membros das famílias ou pessoas com quem convivem, forçados uns e outros a participar do mesmo ambiente, sem possuírem os esclarecimentos capazes de minimizar os efeitos perniciosos da má assistência.

O resultado, quase sempre, é a perturbação ou obsessão dessas pessoas, em qualquer das formas branda ou violenta.

Nem sempre o espírito obsessor tem consciência do mal que produz. Ele também é vítima dos erros que praticou, quando encarnado, pelo desconhecimento da vida fora da matéria.

Essa lamentável ignorância fê-lo prisioneiro do ambiente atmosférico da Terra, levado pela cegueira de falsas crenças e persuadido de que nada mais existe para os que desencarnam além do ilusório meio em que passaram a viver.

Procura, então, desenvolver qualquer atividade nesse ambiente, passando a intuir os seus ex-parentes, amigos e conhecidos, na suposição de que pratica uma boa ação ou por sentir prazer nessa atividade.

Essas intuições, se bem aceitas, fornecem estímulo para outras, estabelecendo intensa coparticipação dos espíritos do astral inferior com os seres encarnados. Quando isso acontece, o caminho para a obsessão está aberto.

Os obsessores, sempre que a afinidade for intensa, não se apartam da vítima, pelo prazer que têm de permanecer onde se sentem bem. Quando a obsessão é provocada por espíritos que foram inimigos do obsedado na Terra, a ação perturbadora é exercida com maior violência contra ele, tornando-se mesmo comum as crises furiosas.

A INEXISTÊNCIA DA MORTE

A concepção da morte resulta de um conceito da vida completamente errado. Na verdade ela jamais existiu. O espírito — será necessário repeti-lo? — é um ser imperecível. Por isso, não morre nunca.

Devem, portanto, os seres humanos se esforçar por se refazer, o mais depressa possível, do choque causado pela desencarnação de parentes e amigos, para não se enfraquecerem espiritualmente.

Diz a sabedoria popular, com justa razão, “que o que não tem remédio, remediado está”. É perfeitamente inútil permanecer alguém a lamentar uma situação passada. A preocupação deve estar voltada para o presente, do qual depende o futuro.

Pensar — já se tem dito muitas vezes — é atrair. Todos os que se prendem pelo pensamento a seres desencarnados estacionados no astral inferior, não só os estão atraindo e perturbando mais, como retardando a sua marcha para o mundo a que pertencem, estimulando-os a permanecer em contato com as coisas terrenas, inclusive os problemas da vida familiar, e concorrendo para torná-los obsessores.

Convém insistir: os espíritos que levaram, quando encarnados, uma vida irregular, materializada e abundante de falhas, permanecem no astral inferior, não raro por decênios, agindo perversamente contra os encarnados. A sua preocupação é a intuição para o mal. Servem-se, para isso, de seres humanos de vontade fraca que usam como instrumentos passivos para a consumação dos seus crimes. Daí os homicídios, os suicídios e tantas outras calamidades sociais.

Esses espíritos atuam isoladamente ou em falanges obsessoras bem adestradas, para melhor alcançar os seus objetivos. As suas organizações possuem vigias atentos em vários pontos, prontos para dar o sinal no instante preciso e promoverem a convocação de outros obsessores para a ação em conjunto.

Como a união faz a força, obtêm geralmente resultados satisfatórios sobre os encarnados desprevenidos e alheios às suas tramas, ora os obsedando, ora os levando a cometer tresloucadas ações, com os sentidos inteiramente perturbados.

Sem este esclarecimento não há quem possa fugir à influência obsessora, nem impedir que forças externas interfiram nos seus atos e em seu “eu” espiritual.

Só os esclarecidos que têm consciência do valor dessas poderosas forças que se chamam: vontade e pensamento, são capazes de manter à distância os espíritos obsessores.

OS CAMINHOS DA OBSESSÃO

Em vários dos capítulos desta obra estão claramente indicados os caminhos que levam à obsessão, doença psíquica causada pelo mau uso do livre arbítrio, da vontade mal educada, da incontinência e desregramentos sexuais, do descontrole nos atos cotidianos, do nervosismo irrefreado, dos desejos insuperáveis, da ambição desmedida e do temperamento voluntarioso.

Ao fazer mau uso do livre arbítrio, contraria o ser humano as leis, os princípios e os preceitos que estabelecem normas de vida correta, seguras e apropriadas. Essa faculdade assegura a cada um o direito de se conduzir a si mesmo, com liberdade e independência de ação, como convém aos seres dotados de raciocínio, mas o torna responsável por todos os atos que pratica.

Com o raciocínio bem exercitado na solução dos problemas que constantemente se apresentam, tendo sempre presente o aspecto honrado da questão, todos podem se manter dentro das regras de boa conduta, fazendo assim uso adequado do livre arbítrio.

Os que se afastam desse caminho o fazem porque querem, porque se deixaram enfraquecer, e o enfraquecimento enseja a atração de espíritos do astral inferior que, em maior ou menor espaço de tempo, acabam por produzir a obsessão.

A vontade mal educada provém da indolência, da indiferença e da negligência para com as coisas sérias da vida. O indolente está sempre à espera de que os outros façam o que ele próprio deve fazer. Não gosta de horários e tem horror à disciplina. Inimigo do trabalho e da ordem, nada faz pelo progresso.

Está, por isso, situado no plano dos parasitas. Enquanto o mundo exige atividade, dinamismo e ação, o indolente observa o que se passa sem vontade de participar ativamente do movimento que reclama a sua presença.

Ninguém se pode eximir do dever de trabalhar e de procurar no trabalho a verdadeira satisfação da vida. O Universo inteiro é uma oficina de trabalho permanente, em que todos precisam ser operários ativos e diligentes.

Os que assim não procedem ficam colocados espiritualmente em um plano inferior da vida, não passando de marginais, como marginais são os espíritos do astral inferior, com os quais, por força do princípio da atração, associam-se.

Na incontinência e desregramentos sexuais, estão os germes do materialismo obsedante, cujos pilares são a luxúria e outros vícios. Subjugado a esse estado, dá o ser humano expansão aos seus instintos animalizados, proporcionando franco acolhimento aos espíritos do astral inferior, seus afins, que concorrem para obsedá-lo.

Todos os atos cotidianos precisam ser executados com o maior critério e honestidade. A organização social obedece a um esquema cujos traços principais definem a posição que os seres humanos devem adotar no intercâmbio das relações humanas, sem perder de vista o respeito próprio e o devido ao semelhante.

Para esse fim, precisam ter controle nas suas atitudes, domínio sobre si mesmos e o raciocínio em ação. O descontrole em atos e palavras, além de gerar ofensas e, muitas vezes, arrependimentos, dá causa a frequentes ressentimentos que custam a passar e criam antipatias e inimizades.

A IRRITAÇÃO, O DESCONTROLE E A AMBIÇÃO DESMEDIDA

Os espíritos do astral inferior gostam de se aproveitar dos seres humanos descontrolados, irritadiços e irrefletidos que não pensam antes de falar, para se divertirem com os efeitos de sua atuação.

Seres humanos descontrolados são, pois, instrumentos do astral inferior e, se não estão obsedados, caminham para a obsessão.

O nervosismo desenfreado traz a irritação, a intolerância, a irreflexão e a imprudência — males que conduzem a deplorável estado psíquico — pelo que deve ser severamente controlado, por ser o agente de perturbação que mais facilita a atuação de espíritos obsessores.

O neurótico, de um modo geral, cuida pouco da saúde e não se esforça por dominar os seus ímpetos. O resultado é estar sempre caindo nas malhas insidiosas do astral inferior, seguindo o caminho desastrado da obsessão.

Desejos insuperáveis são aspirações inatingíveis. Há indivíduos de desmedida ambição que nunca se contentam com o que possuem. Sempre queixosos, acham que merecem mais, vivendo em permanente estado de insatisfação.

É perfeitamente racional — e até elogiável — que cada um procure melhorar as condições de vida e não poupe esforços para alcançar essa melhoria. Isso não se consegue, porém, com desânimo e lamúrias que só servem para agravar as situações difíceis e debilitar as energias espirituais.

A ambição sem limites, associada à revolta íntima, produz mau humor, do qual se aproveitam os espíritos do astral inferior para atuar sobre os revoltados, incutindo-lhes na mente os mais sombrios pensamentos capazes de os levarem à obsessão e, por via dela, a outros males.

O princípio da atração não falha. Ao seu império, todos estão sujeitos. O ser humano precisa se compenetrar da transitoriedade das coisas que pertencem à Terra. A escravização aos valores materiais, tão facilmente perecíveis, além de atrasar a evolução espiritual, tem causado muitos e muitos sofrimentos.

A ambição comedida é natural. A desenfreada, uma fobia em que o egoísmo e a egolatria influem decisivamente. Os ambiciosos e desmedidos não olham os meios para obter os fins: lesam, usurpam e açambarcam. Domina-os a ideia obsessiva do ganho rápido, mesmo através de manobras extorsivas e escorchantes.

Para esses, não existem contemplações nem meios-termos. A determinação é avançar. Arquitetam golpes ousados, pouco lhes importando que eles firam os atributos morais e éticos da honradez.

O mundo está cheio desses tipos que são, em grande parte, a causa do seu desequilíbrio econômico. Eles estão divididos em dois gigantescos blocos: um na Terra especulando e agindo com enorme desembaraço e astúcia, e outro, igualmente ativo e astucioso, no astral inferior, composto de desencarnados que procediam neste mundo como procedem os seus atuais parceiros encarnados.

Os dois blocos, intimamente associados, gozam da mesma volúpia que alimenta a obsessão de um e de outro.

O TEMPERAMENTO VOLUNTARIOSO

O temperamento voluntarioso reflete a personalidade egocêntrica dos que entendem que a razão está exclusivamente do seu lado e querem impor aos outros os próprios pensamentos.

Esses indivíduos estão frequentemente em choque com os demais, mesmo que tais choques não sejam exteriorizados, e nada é mais divertido para os espíritos do astral inferior do que assistirem aos choques humanos. Isso assanha os obsessores. Como andam sempre à espera do momento propício que lhes permita a atuação, o indivíduo voluntarioso vive marcado por eles. A cada passo lobrigam o ensejo de armar um atrito. Na falta de outra ocupação esta, para eles, é absorvente.

O voluntarioso se irrita, facilmente, quando o ponto de vista alheio não coincide com o seu, tornando-se um fomentador de contrariedades.

Não é preciso salientar o que essa forma de obsessão — aliás comuníssima — representa para os seres humanos.

Insidiosamente, vai ela penetrando, com lentidão, no subconsciente, até tomar conta do ser humano. Este, não se apercebendo do envolvimento de que está sendo vítima, não reage, não se opõe, não dá importância ao mal que, por força do hábito, acaba por se lhe tornar agradável, facilitando o domínio dos obsessores que passam a ser mais atuantes, mais violentos e difíceis de afastar.

Todo cuidado é pouco, e só o conhecimento de como se processa a evolução assegura ao ser humano as condições, os recursos, os meios de se defender da obsessão.

As atrações apaixonantes, pelo prazer e o impulso convidativo com que impelem as vítimas para as suas cariciosas redes, são as mais perigosas. Até os esclarecidos primários rolam, às vezes, por esse despenhadeiro.

OS ABALOS MORAIS E O ROTEIRO SEGURO

Ninguém se deve deixar abater. Há momentos na vida em que os abalos morais — alguns de grande intensidade — sacodem, impiedosamente, a alma humana. A esta, porém, não faltam forças para reagir e dominar a situação, principalmente quando se apoia no conhecimento da vida real e da verdade. São esses conhecimentos as suas armas e os seus escudos mais fortes porque, quando bem manejados, levam sempre ao triunfo.

Quantas e quantas vezes a simples partida de um ente querido para o além — algo tão natural na vida — conduz ao inconformismo, à aflição e ao desespero!

Com isto o espírito ao desencarnar, não sendo esclarecido, aflige-se, sofre, procura intuir para acalmar e, como não o consegue, acaba por se tornar obsessor, perturbando e levando à obsessão o intuído.

O melhor procedimento dos que ficam para com os que partem é elevar o pensamento às Forças Superiores com firmeza e convicção, envolvendo-os na ternura e no calor das vibrações, radiações e radiovibrações amigas para auxiliá-lo a romper a camada atmosférica terrestre e a seguirem para os mundos a que pertencem.

Empenha-se o Racionalismo Cristão em oferecer aos seres humanos um roteiro seguro para uma vida sadia e evolutiva. É a finalidade desta obra.

Grande parte da nossa humanidade é vítima da obsessão, exatamente por desconhecer os recursos, os elementos, os meios que tem ao seu alcance para evitá-la ou se livrar dela.

Alguns sintomas do estado inicial da obsessão podem ser observados nos seguintes casos:

  1. Tendência para dar risadas sem motivo ou a pretexto de coisas fúteis;
  2. Manifestação de cacoetes;
  3. Vontade de chorar, sem razão plausível;
  4. Comer exageradamente;
  5. Estar sempre com sono;
  6. Sentir prazer na ociosidade;
  7. Exteriorização de manias;
  8. Ideias fixas;
  9. Fazer gracinhas tolas;
  10. Amofinar, persistentemente, o próximo;
  11. Repetir, mecanicamente, o mesmo dito;
  12. Deixar-se dominar por paixões;
  13. Prevenções descabidas;
  14. Casmurrices;
  15. Práticas viciosas;
  16. Atos de ostentação;
  17. Explosões temperamentais;
  18. Mistificação;
  19. Dizer mentiras;
  20. Expressar-se licenciosamente;
  21. Revelar covardia;
  22. Usar palavrões;
  23. Demonstrar fanatismo;
  24. Gesticular e falar sozinho;
  25. Ser sistematicamente importuno;
  26. Ouvir e ver coisas fantásticas;
  27. Gastar acima do que deve e pode;
  28. Manias de doença;
  29. Descuidar-se das obrigações no lar e no trabalho;
  30. Abandonar os deveres caseiros, ausentando-se do seio da família;
  31. Viver em um mundo distante, sonhadoramente;
  32. Provocar ou alimentar discussões.

Qualquer destas atitudes, ainda mesmo quando não constitua um estado de anormalidade mental adiantada, predispõe à obsessão.

Não é demais insistir neste ponto: a linguagem dos espíritos desencarnados é o pensamento. Pelo pensamento identificam eles os sentimentos dos seres humanos, as suas intenções e tendências, e disso se prevalecem os obsessores para estimular, pela intuição, os vícios e as fraquezas humanas.

Por higiene mental, não se deve pensar em intrigantes, caluniadores, desafetos e, em geral, nas pessoas de maus sentimentos.

Pensar em tais seres humanos é se ligar à sua má assistência espiritual, receber influências malignas e correr o risco de avassalamento.

 

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