13.01.17- Capítulo XVII – A Mediunidade

A Era da Verdade
24 de abril de 2020 Pamam

Uma das faculdades do espírito humano que mais reclamam atencioso e demorado estudo é a mediúnica, da qual lamentavelmente se têm muito pouco ocupado as organizações científicas. É esta, sem dúvida, uma lacuna que terá de ser preenchida com o progressivo desenvolvimento espiritual dos seres humanos.

A mediunidade, que se manifesta de múltiplas maneiras — de acordo com o grau de evolução de uma ou mais de suas modalidades —, é faculdade inata no espírito de todos os seres encarnados que dispõem, pelo menos, da intuitiva, a qual varia, ainda assim, de indivíduo para indivíduo, em conformidade com o desenvolvimento que vai obtendo, de encarnação em encarnação.

A mediunidade é sempre útil, quando bem aproveitada, mas altamente prejudicial se colocada ao serviço do mal. Os bons ou maus pensamentos se atraem, na razão direta da sua afinidade, e o seu instrumento de captação é a faculdade mediúnica.

O espaço e o tempo ocupados pela atmosfera terrena estão repletos não só de espíritos como de sentimentos e pensamentos, daí resultam as vibrações, radiações e radiovibrações de duas correntes distintas, classificadas como do bem e do mal.

Todo ser humano de caráter bem formado que mantenha os sentimentos e os pensamentos voltados para as realizações úteis e alimente o desejo sincero de progredir espiritualmente, esforçando-se por alcançar a esse alto objetivo, terá a envolvê-lo as correntes do bem, fortalecidas pelas vibrações, radiações e radiovibrações das Forças Superiores. Com essa benéfica assistência o êxito é mais fácil.

De igual modo, quando se predispõe à prática do mal, as suas vibrações, radiações e radiovibrações espirituais estabelecem os polos de atração das correntes afins do astral inferior, e passam então os obsessores, valendo-se da mediunidade intuitiva do infeliz, a influenciá-lo, mentalmente, para o levar a cometer desatinos.

O fato, em si, não tem nada de extraordinário: as más intenções, refletidas nos sentimentos e pensamentos, no espaço inferior situado na atmosfera que envolve o planeta, produzem correntes organizadas que a tais intenções se justapõem pela identidade formada entre vibrações, radiações e radiovibrações da mesma natureza.

Os que, grandes ou pequenos, ricos ou pobres, humildes ou poderosos, vivem à margem dos atributos morais e éticos; os que praticam, oculta ou ostensivamente, ações indignas; os que trazem afivelada ao rosto a máscara da bondade e escondem na alma as mais feias vilanias; os assassinos, os ladrões, os traficantes, os vigaristas, os salafrários, os traidores, os desleais, os falsos, os hipócritas, os mentirosos, os valentões, os desordeiros, os pusilânimes, os vadios e, em geral, todos os patifes, não passam, sem o saber, de seres humanos escravizados a falanges obsessoras que os tornam instrumentos dóceis da sua vontade e os levam a praticar as mais abomináveis ações.

Essas falanges encontram todas as facilidades no ambiente da vida física, em virtude da mediunidade dos seres humanos e da corrente de apoio que os maus sentimentos e pensamentos humanos dão aos obsessores.

Quanto mais desenvolvida tiver a mediunidade, tanto maiores serão os perigos a que o ser humano está exposto no seu viver cotidiano.

É de máxima importância, por isso, que cada um se esforce por conhecer o grau de desenvolvimento da sua faculdade ou das suas faculdades mediúnicas, a fim de poder se orientar, com acerto, no controle dos sentimentos e pensamentos.

Muitos loucos são médiuns desenvolvidos que chegaram à obsessão pelo desconhecimento das suas faculdades mediúnicas. A loucura é, via de regra, produto da ignorância da vida fora da matéria.

No dia em que as organizações científicas, despidas de preconceitos ou influências sectárias, dispuserem-se a estudar a mediunidade, sob os seus vários aspectos e peculiaridades, compreenderão a necessidade inadiável de ser feita uma campanha de esclarecimento da nossa humanidade por meio da mais ampla divulgação dos resultados desses estudos, para que os seres humanos se compenetrem de que precisam imprimir uma orientação sadia à sua vida, a fim de que o número de loucos se reduza aos descuidados, aos negligentes e aos desatentos.

AS MODALIDADES MEDIÚNICAS

Não há somente a mediunidade intuitiva, que é a mais comum. Outras existem e, entre elas, a de incorporação, peculiares, apenas, a certos seres humanos.

Denomina-se mediunidade de incorporação aquela em que a ação do espírito atuante é facilmente notada sobre o corpo físico do médium. Se muitas das faculdades mediúnicas podem passar despercebidas, o mesmo não acontece com a de incorporação, cuja observação a ninguém escapa, no momento da atuação.

Poderão lhe dar outros nomes, atribuir-lhe outras causas para justificar o ignorado, mas a verdade é uma única e, mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento da mediunidade de incorporação, como faculdade espiritual, terá de se impor, pela sua evidência, como todas as coisas palpáveis do planeta.

As modalidades mediúnicas mais comuns que se observam neste mundo, são a intuitiva, a olfativa, a vidente, a auditiva, a psicográfica, a clarividente e a de incorporação, com os correspondentes fenômenos de desdobramento, de materialização, de levitação e de transporte.

A faculdade mediúnica varia, em suas manifestações, de indivíduo para indivíduo, de acordo com o seu temperamento, o sistema nervoso, a sensibilidade, o sentimento que o anima e o grau de evolução.

O médium de incorporação nem mesmo precisa se concentrar para receber a influência dos espíritos do astral inferior, pois a sua sensibilidade e o sistema nervoso estão de tal forma predispostos que lhe basta, para ser brutal ou brandamente atuado — conforme sejam os sentimentos que animaram o obsessor atuante — a ação do pensamento.

Uma vez, entretanto, concentrado com o propósito de se deixar atuar, a justaposição do espírito atuante ao seu corpo se fará com intensidade, sem que o instrumento mediúnico perca a consciência.

Esse espírito se serve da mediunidade do instrumento de incorporação para exteriorizar o seu pensamento, deslocando-se, ligeiramente, o espírito do médium em concentração da posição normal para facilitar a captação dos pensamentos transmitidos.

A telepatia — conforme já se esclareceu no capítulo XVI desta obra — é faculdade ainda não sensivelmente desenvolvida na espécie humana. Apesar disso, alguns espíritos encarnados já a possuem.

A mediunidade intuitiva está intimamente ligada à estrutura do embrionário órgão telepático, que é um reflexo da sensibilidade psíquica cujo desenvolvimento se irá, ao seu tempo, denunciando.

Consequentemente, a mediunidade intuitiva, a de incorporação e as funções rudimentares do incipiente órgão telepático perfazem, em ações coordenadas e complementares, uma soma de três predicados espirituais cujo desenvolvimento, quando sob rigoroso controle, oferece os mais perfeitos resultados na captação de pensamentos de espíritos desencarnados ou não.

Nas correntes do Astral Superior os médiuns transmitem voluntariamente, de um modo geral, o que os espíritos lhes intuem. Como, porém, não perdem o controle de si mesmos, deixam de proferir as inconveniências acaso intuídas, quando atuados por obsessores, pois que nas sessões públicas realizadas pelas casas racionalistas cristãs, há um momento em que os espíritos do astral inferior se manifestam, para que assim possam expressar os seus sofrimentos nesse antro, pois que ao serem arrebatados ainda se encontram um pouco atordoados.

O MAL DA IGNORÂNCIA

Em todas as camadas sociais há indivíduos que possuem, sem o saber, além da intuitiva, da qual todos os seres humanos são portadores, a mediunidade de incorporação. Por se conservarem nessa ignorância, uns acabam praticando o suicídio, outros desaparecem em desastres, muitos superlotam os hospitais, as cadeias e penitenciárias, e grande parte desses indivíduos, com a faculdade menos desenvolvida, vive a provocar desordens, a se perder no jogo, a se deprimir no álcool e a se arruinar na sensualidade desenfreada.

Os espíritos desencarnados que perambulam no astral inferior rapidamente identificam os encarnados que possuem a mediunidade de incorporação, ao notarem a facilidade com que eles recebem as suas intuições, o que não se dá com os demais.

Com isso, o ser humano dotado dessa faculdade será fatalmente vítima de tais espíritos obsessores, se não estiver esclarecido e preparado para repelir o seu contato maléfico.

Contam-se aos bilhões, no astral inferior, os espíritos alcoviteiros, intrigantes, desleais, facciosos e amantes de discussão que encontram, na mediunidade de incorporação dos encarnados, campo aberto para satisfazer os desejos malignos que alimentam e saciar as suas más paixões nos lares onde a disciplina preconizada pelo Racionalismo Cristão não é praticada.

É bom não se perder de vista que os afins se atraem e cada um se revela de acordo com o seu modo de pensar. Quem gosta da maledicência, da intrujice, do mexerico, produz pensamentos correspondentes e atrai, para junto de si, obsessores de igual gosto.

Quando, porém, o autor de tais pensamentos é um médium de incorporação, a situação se torna muito mais grave, por ficar ele sujeito a receber constantes cargas dos afins desencarnados que o incitam contra os seus desafetos e os inimigos dos próprios obsessores.

A DISCIPLINA DO PENSAMENTO

A disciplina do pensamento, que é prática indispensável a todos, muito mais deve ser, ainda, dos médiuns. Estes, embora muitas vezes bem intencionados, podem se tornar vítimas de ciladas do astral inferior e cometer desatinos de graves consequências.

O médium precisa saber selecionar as pessoas de suas relações e evitar conversas impróprias. As preocupações demasiadas e os trabalhos excessivos não são recomendáveis. Deve se cuidar física e espiritualmente, para manter em boa forma a sua capacidade de reação contra o desânimo e o desalento.

O trabalho, além de constituir um forte estímulo para o corpo físico, é a mais proveitosa das distrações para o espírito, cuja atenção deve estar constantemente voltada para as coisas úteis e honestas.

Não há dúvida de que todos têm necessidade de descanso, repouso e recreação nas horas próprias. Nunca, porém, deverá alguém se entregar à ociosidade, que é sempre prejudicial, principalmente em se tratando de médiuns.

A NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO

A discussão constitui um forte ímã de atração das forças do astral inferior. Dela nascem o desentendimento, a mágoa e o ressentimento que tanto contribuem para diminuir a harmonia e a afetividade.

Os médiuns, por serem muitos sensíveis e vibráteis, são facilmente empolgáveis com que os outros dizem ou fazem que se ajuste ou choque com as emoções do seu temperamento.

Daí a necessidade que têm de esclarecimento, para se saberem defender, no ambiente em que vivem, dos golpes desferidos pelas terríveis forças maléficas que envolvem o mundo e têm, como ponto de apoio, os milhões de médiuns ignorantes, displicentes e incautos dispersos pelo planeta.

A mediunidade como todas as faculdades espirituais, desenvolve-se, progressivamente, de encarnação em encarnação. Desde o primeiro grau de evolução nas camadas humanas mais atrasadas, nos ritos selvagens, na prática da magia, começam certos indivíduos a desenvolvê-la sem preparo psíquico, sem conhecimento dos riscos a que se expõem pela inobservância da disciplina que deveria acompanhar tal desenvolvimento.

Isso explica o fato de se encontrar o mundo repleto de seres humanos perturbados e anormais, de paranoicos e desequilibrados, de obsedados e dementes.

Quem desenvolve a mediunidade fora da disciplina aconselhada pelo Racionalismo Cristão — é bom repetir — corre todos os riscos, inclusive o da loucura.

A garantia do médium está precisamente em saber se resguardar da ação das forças inferiores para não se tornar um instrumento inconsciente ao serviço da perversidade e da mistificação dessas forças do mal.

Para viver com aproveitamento, precisa o ser humano se conhecer a si mesmo, partindo do princípio básico e fundamental de que é composto de um corpo mental, o espírito, de um corpo fluídico e de um corpo de luz, além do corpo carnal, que é apenas o veículo, o instrumento, o meio de que ele se serve para promover a sua evolução neste mundo-escola.

A faculdade mediúnica é das mais importantes, pela influência que exerce na vida de cada um.

Procurar, pois, estudá-la, para conhecê-la através de sua complexidade e múltiplas manifestações, é dever que se impõe a todos os seres humanos que querem viver conscientemente e não vegetar.

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