13.01.15- Capítulo XV – A Educação dos Filhos

A Era da Verdade
22 de abril de 2020 Pamam

Um velho e sábio aforismo ensina que ninguém pode dar o que não possui.

Na fase atual que o mundo atravessa, os homens e as mulheres preparados para ministrar aos filhos uma educação à altura das exigências da vida espiritual e material estão em lamentável minoria.

Os pais, verdadeiramente dignos desse nome, não são os que se limitam a procriar, irresponsavelmente, mas os que medem e pesam as responsabilidades decorrentes do matrimônio e se preparam para cumprir, com consciência, os pesadores deveres que a paternidade impõe.

O ato de reproduzir é meramente instintivo, dada a natureza dos corpos dos animais em geral, mas, em se tratando de seres humanos, as consequências que dele resultam são as mais sérias e graves.

Os filhos, via de regra, são o retrato dos pais. Com o imenso poder de assimilação que possuem na infância, gravam no subconsciente, indelevelmente, o que veem os adultos fazer, e procuram imitá-los.

Por isso, não é possível dissociar o lar da escola — que ele também é, acima de tudo —, escola boa ou má, da qual os pais, que são os mestres, estão continuamente a ministrar aos alunos — os filhos — lições e exemplos de disciplina ou indisciplina, de virtude ou de vícios, de trabalho ou de ociosidade, de honradez ou de desonra, de coragem ou de pusilanimidade, de verdade ou de impostura, de dignidade ou de envilecimento, de ordem ou de desordem, de vergonha ou de desfaçatez, de lealdade ou de traição, de sinceridade ou de hipocrisia.

O trabalho de educar se inicia no berço. Com poucos dias de nascida, a criança começa a manifestar inclinações e tendências que precisam receber estímulos quando boas, e repressão severa e intransigente sempre que se revelarem desarrazoadas e inconvenientes.

As responsabilidades do casal, durante a infância dos filhos, são imensas, exigindo da mulher e do marido, para a educação destes, além de vigilância permanente, todo o valor, sacrifício e espírito de renúncia de que forem capazes. Essa educação deverá ocupar o primeiro plano no interesse dos pais, e de ministrá-la não deverão eles nunca prescindir.

A COMPREENSÃO E O ENTENDIMENTO

Os pais não devem atemorizar os filhos com gritos e ameaças, mas proceder com calma, compreensão e entendimento para lhes conquistar a confiança, a amizade e o respeito. Um bom processo educativo consiste em manterem o hábito de estabelecer com eles frequentes palestras, das quais se aproveitam, inteligentemente, para abordar as faltas que tenham observado e auxiliá-los a se corrigir, indicando-lhes o que devem e precisam fazer para isso.

No fundo da alma, os filhos, ainda que não o demonstrem, são sempre gratos aos pais quando sentem o interesse destes pelo seu futuro, segurança, felicidade e bem-estar.

Ao castigo físico, que deve ser aplicado em casos extremos, e moderadamente, os pais deverão preferir a supressão de regalias, por determinado espaço de tempo.

Todavia, se a gravidade da falta o exigir, esse castigo somente deverá ser ministrado se o pai ou a mãe estiverem absolutamente serenos, pois o nervosismo e a consequente alteração do tom usual da voz, não só lhes subtrai toda autoridade para fazê-lo, como produz na alma dos filhos, além do sentimento de revolta, um efeito contrário ao que tinham em vista os genitores.

Toda ação educativa deve ter como finalidade e fonte de inspiração o desejo sincero dos pais de fortalecerem a personalidade e o caráter dos filhos. A censura diante de estranhos é de todo inconveniente, por humilhar a criança e ferir a sua sensibilidade.

PROCEDIMENTO CRIMINOSO

O modo de proceder de muitos pais descarregando sobre os filhos a “raiva” de que se achem possuídos e fazendo deles a válvula de escape do seu nervosismo e mau humor não é, apenas, uma atitude errada, mas profundamente criminosa, por contribuir para que eles os vejam como uns brutos, uns desalmados e se tornem falsos e dissimulados, passando a esconder as ações que antes praticavam na presença dos pais, a fim de fugirem ao castigo.

Os conselhos do pai e da mãe precisam ser ministrados sempre que se fizerem necessários e oportunos. A vigilância atenta e permanente, com a finalidade de descobrir as falhas de caráter que forem sendo reveladas, apontará o momento adequado.

Tendências vaidosas, impontualidade, desleixo, desmazelo, mexericos, mentiras, descortesias, falta de respeito, impolidez, delação, pusilanimidade, malvadez, farsa, deslealdade e fingimento são índices denunciadores de grandes falhas de caráter, exigindo que as crianças delas tomem conhecimento e ouçam, com a atenção e o respeito devidos, as admoestações educativas dos seus pais, que deverão ser ministradas com amor e interesse, em considerações claras, objetivas e incisivas.

Na educação dos filhos precisam imperar sempre — e acima de tudo — a sinceridade, a lealdade, a justiça e a verdade. A curiosidade natural dos pequenos seres deve ser satisfeita, nunca por meios de artificiosas mentiras convencionais, sempre desabonadoras, mas com explicações racionais e convincentes, ao alcance do intelecto infantil.

Na obra da natureza nada existe de feio ou vergonhoso, quando os limites das leis, dos princípios e dos preceitos forem respeitados. Vergonhosos são os vícios, a licenciosidade, a ofensa aos bons costumes e a falta de respeito e de senso moral.

Aos que se dispuserem a raciocinar e a fazer bom uso da inteligência, não faltarão recursos de linguagem para transmitir aos filhos uma ideia sã, relacionada com as delicadas funções da existência terrena.

A CONFIANÇA NOS PAIS

Os filhos precisam ser habituados a confiar nos pais para que estes possam orientá-los, esclarecê-los e ajudá-los a buscar a solução para os seus problemas. Essa confiança, porém, deixará de existir se os genitores não tiverem moralidade, decência, comedimento, sensatez, brio, coerência e conduta exemplar, em resumo: se não procederem como desejam que os filhos procedam.

Controle e vigilância discretos são duas práticas que se devem fazer sempre presentes na ação educativa ministrada pelos pais. “Dize-me com quem andas e te direi quem és”, eis o que um velho brocardo previne. As más companhias são sempre prejudiciais, e a tendência para o mal é uma realidade, tanto mais que para ela concorrem a influência sempre nefasta do astral inferior e os erros acumulados em encarnações passadas.

Não têm conta os desvios que se verificam por influência das más companhias, das liberdades excessivas, das contemporizações acima do razoável e das facilidades e concessões aparentemente inofensivas.

Meninos e meninas, moços e moças, devem procurar no lar, e não fora dele, o aconchego conselheiro, o ambiente ameno e confortador e o refúgio contra as tentações e os perigos.

Embora as transformações radicais não sejam possíveis, nem mesmo no próprio convívio do lar, nele, entretanto, podem ser alcançadas grandes conquistas para o aperfeiçoamento da personalidade. Mas quando isso não puder ser conseguido devido à rebeldia temperamental de certos espíritos encarnados, qualquer melhoramento deverá ser motivo de regozijo, porque essa conquista, por diminuta que pareça, tem sempre o seu valor.

Por corresponder a uma ação construtiva cujos resultados se multiplicam, de geração em geração, nunca serão demasiados os esforços desprendidos pelos pais na educação dos filhos, que deverá ser fundamentada, invariavelmente, nesta importante trilogia: trabalho, honradez e disciplina.

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