13.01.14- Capítulo XIV – A Família

A Era da Verdade
21 de abril de 2020 Pamam

As sociedades bem constituídas têm como base, como fundamento, como suporte, a família.

Quando a família se distingue pelo cultivo das superiores qualidades do espírito sem se deixar contaminar pelo vírus da corrupção, a sua contribuição para elevar os índices de aprimoramento das coletividades é relevantíssima.

Assim como a força de coesão mantém unidas as células dos corpos na fase utilitária e no meio em que se encontram, também as famílias necessitam dessa força de coesão para se ligarem uma às outras como células de um todo, e compor uma sociedade homogênea, progressista e pacífica, inclinada ao desenvolvimento das mais significativas virtudes.

Essa força de coesão só poderá resultar da afinidade de sentimentos elevados e de pensamentos positivos, das nobres aspirações alimentadas, da solidariedade nos atos de aperfeiçoamento e na desindividualização dos esforços empregados em benefício comum.

Quanto maior for o número desses núcleos familiares a desenvolver essa força de coesão, tanto mais altos serão os índices de moralidade e honradez no meio ambiente.

O comportamento da coletividade, refletindo o estado da maioria dos seus componentes, representa o nível médio de aperfeiçoamento de um povo, revelando a sua capacidade produtiva e realizadora, tanto no campo material, como no espiritual.

Nestas condições, cresce de importância, como um grande problema social, a constituição da família, como tal entendida não a união dos seres na desunião dos espíritos, mas o verdadeiro entrelaçamento espiritual e material dos cônjuges para as responsabilidades do lar e a perpetuação da espécie.

Aos que se casam, é indispensável a compreensão das obrigações e dos deveres de cada cônjuge, que não são, em regra, iguais, mas complementares.

É na associação de interesses voltados para o mesmo fim, sentidos com inteligência e realizados com dedicação, que se formam e consolidam os laços espirituais que prendem o marido à mulher e esta ao marido, pondo em segundo lugar o interesse físico que, quando deturpado, tanto inferioriza a nossa humanidade.

Ao encarnar, traz o espírito, entre outras obrigações e outros deveres, o de constituir família, decidido a honrá-la e a dignificá-la à custa de quaisquer sacrifícios.

Cometem, pois, grave delito espiritual os que, por ação ou omissão, contribuem para a ruína do lar e o desmoronamento da família.

As coletividades, de que se formam as nações, serão grandes e respeitadas sempre que os fundamentos de sua constituição moral, representados pelos elos espirituais que ligam as famílias umas às outras, possuírem um liame suficientemente forte para repelir os efeitos das correntes malignas pelas quais passam as vibrações, radiações e radiovibrações da corrupção, do sensualismo desenfreado, da egolatria e da imoralidade.

A família é o núcleo em que devem ser exercitadas as virtudes do afeto, da tolerância, da lealdade, do desprendimento, da renúncia, da fidelidade, do sacrifício, do respeito e da comunhão de sentimentos.

Como corolário, o lar é uma escola de aperfeiçoamento espiritual e um campo de desenvolvimento psíquico.

Como os erros são fáceis de cometer e difíceis de reparar, impõe-se, para evitá-los, a permanente vigilância do ser humano sobre si mesmo.

LIVRO ABERTO

Embora sejam grandes, as responsabilidades no lar que pesam sobre um casal não são maiores do que a sua capacidade de suportá-las.

De marido para a mulher e desta para o marido, precisa haver absoluta confiança. Para isso, é necessário que a alma de um esteja sempre em condições de poder se apresentar à do outro como um livro aberto. Nenhum ato devem praticar de que possam se envergonhar intimamente e se preocupem em esconder.

A situação de reserva, o fato de terem de ocultar faltas, de sentirem necessidade de mentir para sustentar as boas aparências é altamente prejudicial ao caráter, além de dificultar a evolução espiritual. A vida no lar será muito mais feliz se cada cônjuge fizer jus à confiança irrestrita e ao apoio moral do outro.

A infidelidade e a prevaricação são atos que além de ferirem a decência, mancham, indelevelmente, a conduta traçada no plano espiritual para uma encarnação.

Pensamentos honestos e força de vontade em ação são armas poderosas que o ser humano deve utilizar para se proteger das investidas das forças inferiores que tentam envolvê-lo nos fluidos perniciosos de suas correntes deletérias, tão logo percebam a afinidade de um sentimento inclinado à prevaricação.

A mulher e o homem se completam no lar como duas medidas de compensação no equilíbrio de uma situação que deve e precisa ser permanente.

Assim como o corpo fluídico se liga a todo o conjunto corpóreo por cordões fluídicos, para possibilitar o equilíbrio das funções humanas, também a ação espiritual se desdobra na constituição do lar, para delegar ao homem atribuições da mais alta capacidade de pensamento e de apurado tirocínio, e à mulher funções que mais se prendem à sensibilidade e docilidade do seu sentimento, sem excluir os dotes do intelecto tantas e tantas vezes por ela demonstrados.

Dessa maneira, é necessário que cada qual se esforce por desempenhar bem o seu papel. Unidos, cumprirão a árdua e dignificante tarefa; distanciados em espírito, semearão a discórdia e o desentendimento, e a obra ficará por fazer.

ENTENDIMENTO E COMPREENSÃO

Assim como o violino e o arco são dois corpos diferentes que se unem para produzir sublimes sons musicais nas mãos do artista, também os dois seres que unem pelo casamento, embora dotados de qualidades e atribuições diferentes, têm o mesmo dever de se auxiliar, mutuamente, sob a influência das vibrações, radiações e radiovibrações harmônicas do entendimento e da compreensão.

Homens e mulheres nunca devem se preocupar com os valores da contribuição que oferecem, por serem eles aferidos por medidas diferentes. Os líquidos são medidos por unidade de volume, enquanto que os tecidos o são por unidades lineares. Não pode, por isso, haver comparação e equivalência entre os dois corpos.

É impossível, de igual modo, estabelecer comparação equitativa entre a produção masculina e a feminina, por lhe faltar a unidade fundamental, de onde se conclui que as atribuições do homem e da mulher, embora de igual valor, não podem ser invertidas sem contrariar as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, e sem produzirem o desequilíbrio correspondente a essa inversão.

O espírito não tem sexo, ainda que se verifiquem na Terra tendências e ações masculinas e femininas. Não é ele próprio quem delibera a respeito do sexo que vai adotar, quando vai encarnar, já que encarna em estrita obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade.

Em regra geral, se encarna como mulher, é para ser mãe. E essa tendência é tão acentuada que demonstra mal começa a dar os primeiros passos na vida terrena, quando manifesta interesse especial pelas bonecas, cujo corpo afaga como se fosse a mãe a acarinhar o filho. O mesmo se dá com o menino, que volta a sua atenção para os cavalinhos, os automóveis ou caixas de ferramentas.

O instinto materno desperta na mulher desde os albores da infância, e ser mãe — de corpo e alma devotada a essa missão — é o mais nobre e elevado dos seus deveres na Terra.

As atenções que forem dispensadas à esposa para auxiliá-la a cumprir com as suas obrigações e deveres no lar, e à filha para que se torne boa mãe, por maiores que sejam, jamais poderão ser consideradas exageradas. A mulher precisa receber desvelado tratamento para não falhar nos seus elevados ideais sintetizados na grandeza do lar e da prole.

Na obra da regeneração dos costumes da nossa humanidade desempenha ela um papel da mais alta relevância, para cumprimento do qual precisa estar em contato permanente com os filhos — que serão os pais e os dirigentes de amanhã —, esforçando-se por educá-los nos moldes de uma conduta moral repleta de virtudes.

As crianças possuem um subconsciente plasmável que as torna sensíveis a receber a influência da orientação que lhes for ministrada — educação que deve ser pautada nos princípios de honestidade e dos amor ao trabalho e à verdade — para se tornarem, no futuro, bons cidadãos, excelentes maridos e mulheres e pais exemplares.

BOM HUMOR

Aos componentes de lar, jamais deverão faltar a serenidade e o bom humor, cujo cultivo é da maior necessidade. Inconciliável com o pessimismo, de que é grande inimigo, o bom humor abre o caminho ao triunfo, já que desarma os pensamentos derrotistas e os receios infundados, afugentando o nervosismo.

O ser humano bem humorado reflete alegria no semblante, confiança em si mesmo e dispõe do essencial para gozar boa saúde.

O lar exige dos seus integrantes desprendimento e tolerância para não faltarem entre eles a harmonia e o entendimento e não se enfraquecerem os laços de amizade que os devem unir cada vez mais solidamente.

Tenha-se sempre em vista que sendo todos imperfeitos, suscetíveis de incorrerem em erros, estes não devem ser encarados com indignação ou revolta, mas com calma e compreensão, para o que é necessário dominar o temperamento impulsivo, violento e intempestivo.

O temperamento do casal pode diferir do homem para a mulher como difere o dos filhos de uns para os outros, mas essa diferença é perfeitamente compreensível desde que se levem em conta as diversas categorias espirituais existentes nos membros de uma mesma família.

Uma das grandes virtudes humanas consiste em saber respeitar o ponto de vista alheio e jamais perder o hábito da polidez.

O homem precisa contribuir com uma parcela de esforços tão pesada quanto a da esposa, para manter a união e a unidade da família. À sombra do seu nome honrado, todos no lar devem se sentir felizes.

A autoridade moral dos pais tem como fundamentos mais importantes, mais profundos, os atos e os exemplos da sua vida, e essa autoridade será maior ou menor consoante a lisura, a sensatez e a honestidade do seu procedimento.

Os bons pais vão buscar os exemplos na indesviável retidão da sua conduta, quando precisam dar lições aos filhos, nunca admitindo que estes adquiram vícios, e não poupam esforços para que se espelhem na sua própria vida e os imitem no comportamento, na dedicação à família, na honradez e no amor ao trabalho.

Os filhos, por sua vez, precisam ouvir os ponderados conselhos paternos para se premunirem contra os riscos e perigos a que vão ficar sujeitos no curso da vida.

A remodelação da nossa humanidade começa pela remodelação dos costumes da família. É princípio firmado que cada indivíduo é o que quer ser, dentro das possibilidades humanas. Do mesmo modo se confirma o adágio de que cada povo tem o governo que merece.

Daí, a necessidade de serem elevados, sempre e sempre, os índices de constituição da família, para que as nações possam ter uma direção à altura do seu desenvolvimento espiritual e da sua consciência moral.

O bem-estar e a felicidade de um povo facilmente se aferem pelos sentimentos que o prendem ao lar e à família. Os que se recusam, sem motivo sério, a constituir família, faltam às suas obrigações e aos seus deveres, ofendem a sociedade e não podem ser considerados bons cidadãos.

Continue lendo sobre o assunto:

A Era da Verdade

13.03- O Antecristo

Eu, Marcos Valente Serra, cognome Pamam, encarnei na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, em quatro de março de 1953. Estudei no Colégio Cearense, dos irmãos maristas,...

Leia mais »
Prolegômenos

01- AVISO

Se você realmente vai se dispor a ler o que aqui está escrito, recomendo a não se espantar e muito menos se admirar sobre tudo aquilo que aqui irá...

Leia mais »
Prolegômenos

02- INTRODUÇÃO

Eu vou desenvolver a esta explanação acerca de A Filosofia da Administração, utilizando-me logo de um método: o da repetição. Não se deve radicalizar severa e abruptamente contra a...

Leia mais »
Romae