13.01.13- Capítulo XIII – O Caráter

A Era da Verdade
21 de abril de 2020 Pamam

O caráter é representado pela soma das qualidades morais e éticas do ser humano, em que se destacam as suas virtudes e o conjunto de valores espirituais conquistados de encarnação em encarnação.

Esse valioso atributo expressa o nível de espiritualidade do ser humano, que pode ser aferido pela firmeza e retidão com que procede em seus atos cotidianos.

Mais do que pela honestidade da conduta nas transações comerciais ou no exercício de qualquer função, o caráter se revela pela intransigente repulsa à pusilanimidade, à intriga, à inveja, às atitudes dúbias, à prevaricação, aos movimentos traiçoeiros, enfim, a todas as ações indignas.

São poucos, na realidade, os seres humanos possuidores de caráter verdadeiramente lapidado. Isto porque somente nas últimas encarnações terrenas essa lapidação poderá ser considerada perfeita.

Nem sempre o indivíduo culto possui o melhor caráter, pois um grande número deles faz da cultura um instrumento de esperteza.

Não se pode negar, entretanto, a vantagem, e mais do que a vantagem, a necessidade da instrução e da cultura, por oferecerem uma larga contribuição ao desenvolvimento da inteligência e da capacidade de raciocinar, meio pelo qual o espírito analisa, confronta, deduz, induz e conclui, para poder chegar ao conhecimento da verdade da vida.

É o caráter um dos mais ricos e preciosos bens do espírito. A sua aquisição, porém, não é nada fácil. Ao contrário, exige prolongados períodos de meditação em numerosas encarnações, ao longo das quais as conclusões vão amadurecendo sob as duras provas da experiência.

Só depois de incontáveis desenganos e de sofrer muitos agravos, injustiças e ingratidões, é que o indivíduo mede, no íntimo da sua natureza espiritual, a extensão das misérias humanas, contra as quais se revolta, enojado dessas baixezas, fato que o leva a sentir repugnância por elas.

Assim, de repugnância em repugnância às mazelas reconhecidas e experimentadas, o espírito vai se libertando das ações inferiores para se colocar, por convicção haurida do esclarecimento, nas linhas rígidas de uma conduta modelar.

Em qualquer setor da atividade — e não apenas nas lides literárias e científicas —, pode o ser humano se exercitar no desenvolvimento da inteligência, nas fábricas, no comércio, na agricultura, na escola, na oficina, no lar. Qualquer ambiente de trabalho honrado lhe oferece constantes oportunidades para o aprimoramento do seu caráter, sempre obedecendo a uma progressão normal em que não cabem transformações radicais nem regenerações sumárias. Jamais, entretanto, se poderá operar sem esforço, boa vontade e, acima de tudo, sem a consciência esclarecida aliada à noção das obrigações e dos deveres e ao interesse legítimo em cumpri-los.

Os pais e professores que estiverem à altura de transmitir aos filhos e aos discípulos — no tocante à retidão do caráter — a linguagem viva e altissonante do exemplo, exercerão excepcional influência no espírito destes, que se traduzirá em acatamento, obediência e respeito.

Não há exagero na afirmação de que o mundo carece, cada vez mais, de pais e professores competentes e honrados. Porque os que são realmente, possuem em suas mãos prodigiosos instrumentos de lapidação, com os quais muito contribuem para o aperfeiçoamento do caráter dos adolescentes que têm aos seus cuidados.

Há pais cujo caráter se revela inferior ao dos filhos, assim como existem professores que o são, apenas, pelos seus dotes intelectuais. Os maus exemplos, porém, não são limitados pelos que têm discernimento espiritual para senti-los e condená-los. Pais e professores de mau caráter de um lado, e filhos e alunos mais evoluídos do outro, marcham sempre em rotas diferentes, buscando cada um satisfazer os seus anseios, sejam estes enfermiços e viciosos, ou benéficos e purificadores.

A tarefa do professor não deve se limitar à instrução pedagógica dos alunos. A escola, por complementar o lar, impõe aos mestres o irrecusável dever de levar conceitos remodeladores aos discípulos, capazes de torná-los bons cidadãos.

Se a ação dos professores é altamente meritória no aperfeiçoamento do caráter dos discentes, de maior relevo é, ainda, a dos pais, a quem impende o inescusável dever de observarem as linhas gerais do caráter dos filhos, quando pequeninos, por ser essa a fase em que a correção oferece melhores resultados.

MEIO-TERMO

Na definição das linhas do caráter, todos deverão considerar o meio-termo, a posição equidistante dos extremos, em que o equilíbrio se estabelece.

O critério, a equidade, o bom-senso, a pontualidade, a lealdade, a harmonia, a coragem, a hombridade, o bom-humor, a dignidade, a gratidão, a polidez, a fidelidade, o comedimento, a veracidade, o respeito próprio e pelo semelhante, e o zelo, são atributos que, cultivados devidamente, constituem virtudes primaciais enobrecedoras do espírito, para as quais se volta o ser humano desejoso de conquistá-las para a moldagem e o enriquecimento do seu complexo espiritual, do qual depende o caráter aprimorado.

O medo e a temeridade são dois extremos, em cujo ponto médio está a coragem, virtude componente da fisionomia do caráter.

Todos os atributos morais estão equidistantes desses dois extremos. Ainda em posições extremas, situam-se o perdulário e o avarento, mas o comedido fica no centro, que representa a posição ideal para todos os seres humanos de caráter bem formado.

Nessas mesmas condições extremas estão as qualidades negativas que inferiorizam o espírito, enquanto que no centro, ao contrário, refulgem as positivas, ideais, construtivas, que o engrandecem, fazendo-o crescer na escala ascendente da evolução.

Como o perdulário e o avarento, também a malquerença e a adoração ocupam pontos extremos, mas a amizade espiritual e a virtude têm lugar destacado no centro.

Homens e mulheres se despencam pelos flancos de perigosos abismos, por não quererem compreender que entre duas forças iguais e opostas existe sempre um ponto central de equilíbrio, em que deveriam se manter para poderem desfrutar as vantagens que ele oferece.

Tanto a malquerença como a adoração criam situações condenáveis: enquanto a malquerença desperta o sentimento de aversão, de ódio e de vingança, com os mais perniciosos efeitos para o agente, a adoração conduz ao temor, à humildade subserviente e subalterna, à subjugação das iniciativas, à alienação da vontade, à falta de confiança do ser humano em si mesmo, sempre em desprestígio do espírito e em flagrante anulação do seu próprio valor.

Em ambos os sentimentos aqui apenas citados como exemplos, a evolução ou se retarda ou não se produz, o que muito prejudica o caráter. Trabalhar para aperfeiçoar, cada vez mais, esse grande, esse incomparável atributo, é acumular riqueza espiritual de inexcedível valor.

Os bens materiais, já se fez ver, ficam na Terra. Os espirituais, não. Estes nunca se separam de quem os sabe acumular. E a melhor fortuna que o ser humano pode aspirar, é a que se forma através de ações nobilitantes que refletem sempre a grandeza do caráter.

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