13.01.12- Capítulo XII – O Valor

A Era da Verdade
20 de abril de 2020 Pamam

O valor, que todos os espíritos possuem em maiores ou menores dimensões, é um dos ângulos marcantes da personalidade humana.

Quanto mais o caráter se consolida nas rudes asperezas do trabalho cotidiano e na luta pela conquista do bem, mais sente o espírito a necessidade de pôr à prova esse grande atributo, a fim de que os resultados correspondem aos esforços empregados.

Sempre que o ser humano, ao se definir por uma conduta, tiver que apelar para o próprio valor e dele se socorrer para traçar a diretriz a seguir, ganha o seu acervo espiritual mais um reforço, mais um estímulo, mais uma parcela de enriquecimento.

E não há quem não tenha a oportunidade de externá-lo, a cada passo, por algum feito, por repousar nele o verdadeiro bem-estar íntimo que satisfaz a consciência, alegra o semblante e, como recompensa maior, transmite ao ser humano o agradável sentimento do dever cumprido.

Todas as faculdades tendem a se estiolar, quando não são regularmente exercitadas. O exercício fortalece e revigora. Ele é tão necessário à mente, quanto ao corpo. O exercício da mente consiste na prática habitual de atos e pensamentos de valor, que precisam ser estimulados desde a infância.

Esses atos e esses pensamentos podem ser revelados no lar quando o adolescente assume a responsabilidade das suas faltas, quando se solidariza com as dificuldades e os sofrimentos dos seus pais e irmãos e quando é capaz de um gesto de desprendimento e renúncia em favor do próximo.

Revelam-se também na escola, quando o estudante sabe ganhar e perder nas pelejas esportivas, quando procede com dignidade no estudo e nos exames, quando reconhece os esforços dos pais e tudo faz para se tornar merecedor do sacrifício destes.

Exercitados pelo adolescente esses altos atributos espirituais, entrará ele na segunda fase da juventude com um preparo moral em que se refletirão, nitidamente, nos traços de valor de que é dotado.

Isso o habilitará a resistir às tentações mundanas próprias da idade, a viver com método e disciplina, a encarar o trabalho como um prêmio e a exigir para si o mesmo respeito que dispensa ao semelhante.

Na idade madura, em que — como esclarece o capítulo VI — as células do organismo atingem a máxima vitalidade e o espírito conserva o precioso tesouro representado pelos ensinamentos colhidos na adolescência e na juventude, precisa o ser humano contar com esse bom cabedal para não ser influenciado pelos erros e vícios que predominam no meio ambiente.

Atividades de valor acima de tudo desassombradas, quando preciso, arrojadas, se o momento o exigir — mas sempre serenas e tranquilas, ponderadas e justas, inflexíveis e retas —, eis a característica principal desse notável atributo.

Todo indivíduo que vive sob os ditames da honra, das obrigações e dos deveres, que moldam os seus hábitos e costumes com a argamassa dos princípios cristalinos da moral cristã e se mantém sob o dinâmico estímulo das vibrações, radiações e radiovibrações do bem, estará permanentemente envolto em uma couraça impenetrável às arremetidas do mal.

Essa couraça, ainda que invisível, conserva toda a sua rigidez enquanto o ser humano se mantiver vigilante. Um descuido pode pôr tudo a perder. Mas os fortes, apoiados no esclarecimento, fazem por não se descuidar, e a finalidade do Racionalismo Cristão é, precisamente, orientar e esclarecer aos fortes para que não se descuidem, e os fracos para se tornarem fortes.

O valor do indivíduo principia onde começa o domínio de si mesmo. A qualidade essencial, necessária ao desenvolvimento do valor, consiste em saber ele controlar os nervos e os pensamentos, subjugando os ímpetos e as inclinações condenáveis para que o raciocínio possa lhe apontar as melhores soluções.

O ser humano que tiver de exercer cargos de direção precisa, antes, aprender a se corrigir a si mesmo e a dar exemplos de serenidade, de coragem, de honra e valor, contendo-se diante dos quadros emotivos que a vida lhe oferece, para não se descontrolar nem causar prejuízo aos seus subalternos.

ATOS DE JUSTIÇA

Os atos de justiça são praticados, em regra, quando o espírito procede com serenidade, imparcialidade e interesse pela verdade. O mundo carece tanto de justiça quanto de homens de valor e honra.

Para isso, ser justo, valoroso e honrado, deve constituir a mais séria aspiração do espírito humano. Mas, entenda-se: ninguém pode ser justo sem ser tolerante e moderado, sem compreender a vida na sua complexidade, na sua feição espiritual e conteúdo realista.

A compreensão clara e verdadeira da vida habilita o ser humano a acelerar o desenvolvimento e a apuração das suas qualidades espirituais para diminuir o número de reencarnações neste mundo-escola de ambiência sofredora, onde a ignorância gerou o materialismo em que a nossa humanidade se afunda e, com ele, a degradação moral infiltrada em todas as camadas sociais.

Essa compreensão dá ao ser humano um sentimento prático de renúncia às coisas terrenas, pela certeza da transitoriedade da sua permanência neste planeta e de que são de uso provisório as riquezas materiais, com as quais somente poderá conseguir alguns objetivos de limitado alcance.

As riquezas materiais não pertencem ao ser humano, mas ao mundo que as empresta aos seus habitantes para as administrar e delas fazerem bom uso, como efêmera recompensa pelos seus esforços e realizações.

O espírito de renúncia, de desprendimento, de abnegação, de sacrifício e de solidariedade humana é, pois, o resultado da superior compreensão da vida que aproxima fraternalmente os seres uns dos outros, como partículas irmãs de um único Todo.

Não se confunda, porém, esse elevado sentimento espiritual com o desinteresse pelas coisas, originado nos desenganos e nas desilusões que fazem os seres humanos apáticos, céticos, solitários, boêmios, exóticos ou sectaristas fanáticos.

O espírito esclarecido e, por isso mesmo, forte, não se deixa abater por desilusões ou desenganos. Compreende as causas das fraquezas e da maldade dos seres humanos, não confia em perfeições, que sabe não existirem, e aceita os acontecimentos com racional entendimento.

Verdadeiro, leal, honesto e equilibrado, não se esquece, nos momentos de perigo, que a sua integridade moral deve pairar acima de todas as considerações e interesses, e não teme as consequências da sua posição inflexível contra a corrupção.

CAVAR O PRÓPRIO ABISMO

As forças do mal — tenha-se isto sempre em mente — jamais prevalecerão sobre as do bem. Estas, no final de todas as convulsões, serão as únicas que permanecerão eternamente. Aquelas agem transitoriamente, em um período de tempo que marca a sua própria destruição. Todos os maus atos danificam gravemente o caráter de quem os pratica, e deixam na personalidade espiritual marcas difíceis de apagar.

Fortalecer, pois, os atributos de valor para resistir aos procedimentos indignos, é uma necessidade imperiosa e inabalável.

Não são poucos os egoístas e inescrupulosos que, com falsas aparências, vivem a enganar o próximo, procurando tirar proveito de todas as situações. Indiferentes à desgraça alheia, só se comprazem com a satisfação dos seus interesses, por mais vis que sejam.

Com esse indigno procedimento, entretanto, cavam, sem se aperceberem, o próprio abismo, para cujo fundo estão caminhando e do qual somente poderão sair à custa de indizíveis sofrimentos.

Os gestos de grandeza espiritual em que reluzem os índices testificadores do valor, são os que mais enobrecem os seres humanos e lhes proporcionam a almejada felicidade. O valor está para a luz como a fraqueza para as trevas. Ambos mutuamente se repelem.

Nenhum ser humano consciente poderá preferir a ação negativa à positiva, o nada ao todo, o atraso ao progresso, a dúvida à certeza, o fracasso ao êxito, o medo à coragem e a escuridão à luz.

Os que fazem a troca do belo pelo horrendo, no simbolismo dessas comparações, são seres humanos obliterados que puseram de lado o bom-senso e estão ao sabor de uma consciência apática, inteiramente deformada na apreciação dos valores autênticos.

Em todas as suas obras o Racionalismo Cristão propugna pela transformação desse infeliz estado de consciência da nossa humanidade, em parte motivado por seu abandono a uma sectarismo obscurantista que desconhece o processo evolucionário da vida e as obrigações e os deveres espirituais dos seres humanos.

As ações boas ou más, além de nunca se perderem, acarretam consequências correspondentes, por força das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, cuja legislação rege todo o Universo.

As consequências da paralisação do coração é a desencarnação; da explosão de uma bomba a destruição; da rotação da Terra em torno do seu próprio eixo, o dia e a noite.

Assim — e irrevogavelmente — as boas ou más ações determinam para o seu agente, como consequência, um resultado que corresponde, invariavelmente, à natureza dos pensamentos que as geraram.

Enganam-se, portanto, aqueles que pensam poder escapar aos efeitos dos seus atos através do perdão ou de outros expedientes. Não existem perdões no plano espiritual, nem deuses para perdoar.

Urge raciocinar para bem viver. Urge proceder com independência, valendo-se, cada qual, dos próprios recursos morais, éticos e espirituais de que dispuser. Quem fizer o mal terá que resgatá-lo, inapelavelmente, mais cedo ou mais tarde.

Somente os atos de valor engrandecem a personalidade e enobrecem o caráter. Os que os praticam se tornam colaboradores eficazes na obra de pacificação e espiritualização das massas humanas.

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