13.01.11- Capítulo XI – A Evolução

A Era da Verdade
20 de abril de 2020 Pamam

O princípio fundamental da vida no Universo é a evolução. Nela reside a base do entendimento de tudo quanto se passa dentro e fora do alcance visual humano.

Não há explicação lógica e nem racional para a existência, quando a evolução não é devidamente considerada.

Neguem-na por ignorância uns, por pirronismo outros, por interesse sectarista tantos, empreguem, para reforçar essa negativa, todos os sofismas, todos os floreios, todos os artifícios de linguagem de que forem capazes, e ela estará sempre presente , sempre viva, sempre atuante em todas as manifestações da vida, desde quando esta começa a despontar.

Por que tanto se interessam determinadas seitas em negar a evolução? Por que tão intransigentemente se opõem a ela? Por que não se curvam diante dela e a admitem e aceitam? O motivo não é difícil de encontrar se considerarmos que o reconhecimento da evolução reduz a frangalhos a mística da salvação.

A aceitação, pois, de tal verdade implicaria na destruição de um sistema de que participam, direta ou indiretamente, milhões de seres humanos, cujas conveniências pessoais são colocadas acima dos superiores interesses da nossa humanidade.

Nem todos os adversários da evolução estão convencidos da sua inexistência. Não é pequeno o número dos que, mesmo a combatendo, intimamente a admitem. Alguns a negam por não lhes ser profissionalmente conveniente a verdade. Outros por subordinação a dogmas que os tornaram fanáticos e obscurantistas.

Martelando a representação imaginativa da salvação na mente da criança, essa fantasia vai se impregnando no seu perispírito, até criar raízes profundas. Mais tarde, quando adulta, repete, maquinalmente, o que se habituara a ouvir, sem querer submeter o caso ao raciocínio, por sentir um desagradável choque entre o falso, por tanto tempo armazenado no subconsciente, e o verdadeiro, latente no sentido consciente.

FALSAS IDEIAS

Além do absurdo, é o dogma da “salvação” um estímulo ao comodismo. O trabalho, a luta que o ser humano precisa travar, o esforço a que não se pode deixar de entregar para conseguir a evolução espiritual e o progresso material, não são entendidos pelos sectaristas que melhor confiam na “graça”, nos “favores”, na proteção da suposta divindade, do que em tudo mais.

Ainda mesmo que se trate de vadios, parasitas e malandros, isso não modifica a sua imunidade celestial se vieram ao mundo como eleitos de “deus” e a salvo, portanto, das consequências dos pecados terrenos. De qualquer maneira, não estão aí os representantes da divindade para conceder aos delinquentes as absolvições e, com elas, o passaporte para o céu?

Os mais fundos desentendimentos humanos, que tantas tragédias, tantos males, tantas desgraças geraram no mundo — sem excluir o ódio, as guerras e mesmo a miséria e a fome —, têm as suas origens, próximas ou remotas, na soma das falsas ideias que as inumeráveis seitas incutem nos seres humanos.

Vítima inconsciente desses males, a nossa humanidade vem sendo impelida para a dor, em uma sequência, quase interminável, de encarnações perdidas.

Uma coisa, porém, é certa: a evolução tem que ser operada, a qualquer custo. Assim o impõem as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais. E estes são indiferentes ao tolo pretensiosismo dos que pensam poder iludi-los ou anulá-los.

Deve, por isso, todo ser humano imprimir uma superior orientação à vida para encurtar o processo da sua evolução, esforçando-se por ser operoso e progressista e ter a atenção voltada para o aprimoramento da própria personalidade.

A evolução se faz sentir em tudo: na semente que brota para se transformar em uma flor; na árvore que se agiganta e frutifica na trajetória de um ciclo; no ser humano que penetra na escola analfabeto e dela sai cientista; no desenvolvimento das artes, das letras, das ciências, da música, dos laboratórios, das indústrias, das invenções e das utilidades sociais.

Os seres atômicos existem desde os primórdios da vida. E por que só há pouco os cientistas foram capazes de identificá-los e desintegrar os seus corpos fluídicos, tais como se fossem núcleos atômicos? Por que não o fizeram antes? Mesmo no terreno biológico, por que, sendo o homem, na escala animal, o ser mais evoluído, o seu aparecimento na Terra não precedeu ao dos demais animais?

A resposta é óbvia: o homem surgiu neste mundo como resultado da evolução dos animais que o precederam. E, apesar do adiantamento atual do planeta, a marcha evolutiva nos três reinos da natureza prossegue sem qualquer interrupção ou alteração. Apenas os que agora iniciam o seu progresso em corpo humano, encontram, na época presente, condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento mental.

Embora possam esses seres humanos primitivos ser considerados bastante evoluídos em relação aos animais de categoria inferior pelos quais já passaram, são tão pobres, tão indigentes de inteligência, que mais se deixam orientar pelo instinto do que pela razão.

TRAJETÓRIA EVOLUTIVA

A história da nossa humanidade está assinalada por inumeráveis marcos indicativos da sua longa, da sua imensa trajetória evolutiva. E porque é impossível percorrer todo esse extenso caminho em uma só existência física, os que se apegam ao tradicionalismo credulário se negam a admitir a evolução para não serem forçados a reconhecer o elemento pelo qual ele se processa, na fase animal ou humana: a reencarnação.

Basta apenas raciocinar para se compreender que nenhuma oposição séria pode ser feita ao preceito da evolução. Sem ela todos os seres possuiriam o mesmo grau de inteligência, adiantamento e espiritualidade.

Não é admissível que o “deus” que as seitas ensinam a adorar, fosse criar um espírito mais atrasado do que o outro e fizesse, conscientemente, o imbecil e o sábio, em uma arbitrária, defeituosa e injusta maneira de proceder.

Quando os sectaristas puderem divisar esse absurdo na consumação das práticas divinas, não mais repelirão o que é racional, lógico e intuitivo, pois encontrarão na evolução do espírito — que parte de uma origem comum, muito remota — a explicação de todos os fenômenos da vida.

Essa origem — convém insistir —, é uma só. Ao se iniciar o processo evolutivo, cada partícula do Ser Total conta com as mesmas possibilidades, os mesmos recursos, encontra-se em idênticas condições e possui iguais valores latentes.

Por isso se desenvolve na mesma proporção até alcançar a denominação de espírito, quando passa a dispor do raciocínio e do livre arbítrio para se conduzir por sua conta e risco. Já vimos, no capítulo IX desta obra, como o mau uso do livre arbítrio retarda a evolução espiritual.

O observador que quiser enxergar, tem diante dos olhos o quadro da evolução do espírito na vida terrena. Não existem dois indivíduos iguais, embora os haja semelhantes. Cada um está promovendo o seu progresso ao seu modo e à sua custa, de acordo com o procedimento que tem adotado no transcurso das encarnações passadas, em um período de milhões de anos.

Os que usaram melhor o livre arbítrio — é evidente — conseguiram evoluir mais do que outros menos cuidadosos, no mesmo número de encarnações.

Aí está uma das razões que explicam a grande heterogeneidade de mentalidades, disparidade de sentimentos, pensamentos e divergências de conceitos que se observam no meio do povo.

É que o número de encarnações realizadas varia de indivíduo para indivíduo, como varia também o aproveitamento que cada qual adquiriu e o esforço dispendido por cada um.

Pode haver quem tenha perdido duzentas encarnações em consequência de uma vida desregrada, e quem, em igual período, tenha perdido apenas vinte. Este, sem dúvida, está muito mais evoluído do que aquele.

REVELAÇÃO SIMPLES E DESARTIFICIOSA

Veja-se como esta revelação da vida transmitida ao conhecimento humano, é diferente da que os sectaristas apresentam, cheia de incoerências, absurdos e contradições, porque baseada nas sandices bíblicas inspiradas por espíritos galhofeiros do astral inferior, em sua quase totalidade, conhecidos como “profetas”, que se serviram, não raro, de médiuns confabuladores, iguais aos muitos que por aí andam a explorar o imenso filão de crendice, do qual auferem grandes lucros em pretensas ciências.

Quando foram escritos, há milhares de anos, os livros que ainda hoje, no século das luzes, embevecem e atrofiam o raciocínio de milhões de adoradores, estava este mundo em condições bem inferiores às atuais.

Quem faz evoluir o planeta são os elementos que nele vivem. Os seus habitantes, naquela época, possuíam um grau de evolução bastante abaixo do atual, e nada sabiam a respeito da mediunidade e dos seus efeitos e consequências. O fenômeno mediúnico, corriqueiro nos dias de hoje, era tido como dom divinatório e sobrenatural.

A compreensão e o conhecimento das coisas são frutos da evolução do espírito, e muitos dos que hoje estão encarnados já consideram a vida sob um aspecto que se aproxima, cada vez mais, da verdade.

Não se pense que os fanáticos vão admitir, como reais, as verdades aqui proclamadas. O fanatismo tolda a inteligência e não deixa raciocinar. Para o fanático, há livros sagrados ditados por “deus”, dos quais ele não pode e nem deve duvidar, sob pena de cometer grande pecado e pôr em risco a sua “salvação”.

Eis, na realidade, o que se passa. Mas nem tudo está perdido. O crente tem o direito de reencarnar tantas vezes quantas forem necessárias à aquisição na vida terrena dos conhecimentos e das experiências que o levem a aceitar, de plena consciência, a verdade antes recusada.

Ninguém pode passar a um mundo mais evoluído enquanto neste se mantiver saturado de enganosas imaginações sobre a vida e proceda, erroneamente, de acordo com elas.

É lamentável que o ser humano transforme, por ignorância, a larga estrada da evolução em um estreito, áspero e sinuoso caminho, repleto de obstáculos difíceis de transpor.

Todos terão de compreender, cedo ou tarde, que a nossa humanidade caminha em uma mesma direção e para alcançar um idêntico fim — que é o aperfeiçoamento —, só atingível pelo esforço próprio bem orientado, pelo trabalho individual disciplinado e pela conquista do saber à custa de atividade intensa e permanente.

Deve o ser humano se procurar a si mesmo, e em si mesmo aprender a confiar, consciente de serem imensos e inavaliáveis os recursos espirituais que possui para levar a bom termo cada existência física.

Com este pensamento ficará sincronizado com a corrente de evolução por onde fará a sua ascensão espiritual, sem grandes tropeços e sem maiores sacrifícios.

 

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