13.01.09- Capítulo IX – O Livre Arbítrio

A Era da Verdade
18 de abril de 2020 Pamam

O livre arbítrio é uma faculdade espiritual controlada pela vontade e, quando bem utilizada, orientada pelo raciocínio.

Quanto maior for o poder de raciocinar, tanto mais fácil se torna o governo do livre arbítrio. Livre arbítrio quer dizer liberdade plena de ação, em conformidade com o pensamento do espírito, que pode ser tanto para o bem como para o mal.

Praticam o bem os que trabalham para o aperfeiçoamento de hábitos e costumes, promovendo a sua evolução. Os que, por ações ou pensamentos, fazem retardar essa evolução, incidem no mal, que acabará, cedo ou tarde, por atingi-los, com maior ou menor dureza.

A faculdade do livre arbítrio começa a despontar quando a partícula inteligente ascende à fase evolutiva que lhe dá condições de encarnar em corpo humano. Nessa fase, como é compreensível, o desconhecimento da verdade a respeito do processo da evolução é completo. O ser humano, porém, já possui a consciência do bem e do mal.

O mau uso do livre arbítrio resulta da curta capacidade de raciocinar, da aquisição de vícios e maus costumes e do cultivo de sentimentos inferiores, entre os quais tem papel de destacado relevo a perversidade.

Sob a influência dessas perniciosas aquisições inimigas da saúde e da evolução espiritual, a pessoa fica saturada de vibrações, radiações e radiovibrações animalizadas, que a fazem perder o respeito por si mesma, levando-a a cometer desatinos reprováveis. Todo mal cresce de vulto quando praticado conscientemente, e os que assim procedem terão, sem nenhuma dúvida, um triste e doloroso despertar.

Usar o livre arbítrio como arma contra o semelhante, utilizar-se dele para injuriar, intrigar, escarnecer, caluniar e desmoralizar o próximo, constitui crime da mais alta condenação.

Fujam os seres humanos, o quanto possam, da justiça terrena, tantas e tantas vezes falha na apreciação dos feitos do homem, mas jamais escaparão às sanções espirituais, que os farão colher, no devido tempo, o fruto das sementes que houverem lançado sobre a Terra.

Não é um tribunal astral, como se poderá supor, que vai impor ao delinquente a justiça espiritual. É o próprio espírito que a ela voluntariamente se submete, no momento em que — livre de toda a influência deste mundo — procede a detido exame de seus atos, quando nem um só escapa à sua apreciação e julgamento.

O remorso, nessa ocasião, queima-lhe a consciência, como se sobre ela tivesse sido posto um ferro em brasa. Dominado pelo arrependimento, anseia por nova encarnação, disposto a dar o máximo de si para recuperar, o mais possível, o tempo que perdeu na Terra.

É a queimadura de alto grau produzida pelo atrito da luta íntima entre a constatação do mal praticado e a consciência das obrigações e dos deveres deixados de cumprir que faz trabalhar o raciocínio, exercitando-o e o desenvolvendo.

A perversidade é uma demonstração inequívoca de inferioridade espiritual. Ela significa não estar o espírito ainda convenientemente lapidado e torna claro que as suas vibrações, radiações e radiovibrações são idênticas às das camadas espirituais de baixo desenvolvimento da espécie humana.

O livre arbítrio, em tais circunstâncias, reflete, no desacerto da orientação, o estado de ignorância do próprio espírito.

O espírito é força, energia e luz, e como tal brilha com a intensidade correspondente ao seu grau de progresso. Intensidade de luz quer dizer intensidade de raios de luz. Quanto maior for essa intensidade, mais acentuado é o conhecimento da vida, mais evidente a ação dinâmica espiritual, mais seguro o controle dos atos humanos e mais apurado o uso do livre arbítrio.

À medida que cresce a intensidade da vibração, radiação e radiovibração do espírito, assim como dos raios de luz, vai diminuindo a possibilidade de se deixar ele empolgar pelas correntes vibratórias, radiativas e radiovibrativas de baixas espécies e de praticar ações que a sua consciência reprove.

A evolução — nunca é demais repetir — é regida por leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais. Às suas normas imperativas ninguém pode se subtrair.

Essa legislação coloca todos no mesmo rigoroso pé de igualdade no tocante aos meios que cada qual dispõe para fazer uso, com toda a liberdade, do patrimônio espiritual que for conquistando, de maneira mais rápida ou mais lenta, conforme a direção que tenha dado ao livre arbítrio.

CONSTRUIR O PRÓPRIO FUTURO

A evolução não só pode ser retardada, como até paralisada pela indolência, displicência ou negligência do ser humano. Essa situação de indiferença, de relaxamento e abandono das obrigações e dos deveres que a vida impõe, é muitas vezes atribuída a uma suposta predestinação ou ao jugo de um destino inexorável e cruel, contra os quais muitos pensam que seria inútil lutar.

Esse modo falso de encarar coisas tão sérias é de consequências desastrosas. O espírito encarnado tem suficiente poder para mudar, em qualquer tempo, os rumos da vida, manejando, corretamente, o livre arbítrio. Do seu futuro bom ou mau, do triunfo ou do insucesso, é ele o artífice.

O ser humano esclarecido prepara hoje o dia de amanhã. Isso significa que o futuro será o que estiver sendo projetado e trabalhado no presente.

Como há muito o que fazer, cumpre-lhe esta sempre atento às suas obrigações e aos seus deveres, procurando utilizar o livre arbítrio em lances que protejam o seu futuro e lhe facilitem a jornada.

A dor moral — se acompanhada de desorientação — produz vibrações, radiações e radiovibrações suscetíveis de atrair e reter influências e fluidos deletérios.

No entanto, desde que o ser humano possua algum conhecimento da vida e perceba as associações existentes entre o corpo e o espírito — sem perder de vista a precariedade e a transitoriedade dos valores terrenos —, compreenderá a necessidade de opor reação imediata ao sofrimento, para não se deixar dominar por ele, aos pensamentos de fraqueza que o poderão conduzir à depressão espiritual e física, causa de tantos avassalamentos.

A ninguém é solicitado mais do que pode dar. O bom uso do livre arbítrio está dentro da capacidade de cada um. Por que, então, cometer erros que fazem da vida um tormento? Por que se deixarem tanto absorver pelas esfuziantes emoções dos sentidos materialistas, tão precárias quanto enganadoras?

É, pois, do máximo interesse humano o conhecimento da responsabilidade que cada um tem no governo da sua faculdade arbitral. Essa responsabilidade faz parte integrante da vida, sendo, por isso, irrecusável e intransferível. É inútil negá-la, como é inútil a tentativa de escapar às suas consequências.

A mística do perdão para os crimes, falcatruas e prevaricações não tem qualquer sentido na vida espiritual.

O que se impõe, acima de tudo, é a necessidade imperiosa e inadiável de cada ser humano enfrentar com coragem, determinação e valor os problemas e as responsabilidades da vida.

O perigo precisa ser conhecido para poder ser evitado. São incalculáveis os males resultantes do ignorância do que representa o livre arbítrio na existência humana, pois com essa faculdade bem conduzida, não teríamos tantas encarnações perdidas.

É longo, sem dúvida, o jornadear do espírito pela Terra, em sucessivas etapas. Todas elas, porém, poderão ser galgadas sem inúteis repetições, se os princípios racionalistas cristãos forem rigorosamente observados, e deles faz parte destacada o importante tema deste capítulo.

Grande parte da nossa humanidade pouco sabe a respeito do livre arbítrio. Muitos desconhecem, até mesmo, a sua existência. Para essa ignorância tem contribuído, decisivamente, o erro multissecular de se limitar a vida a uma única encarnação, erro pelo qual os seres humanos têm pago um altíssimo preço.

Quando se decidirá a nossa humanidade a despertar para a realidade da vida? Quando se sentirá com forças para romper as cadeias que a prendem, como escrava, a concepções falsas?

Isto terá que acontecer um dia. Quando, não importa.

 

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