13.01.07- Capítulo VII – A Desencarnação do Espírito

A Era da Verdade
17 de abril de 2020 Pamam

A vida humana está de tal maneira organizada que os acontecimentos ocorrem em época própria, assim considerada quando não são contrariados, no decorrer da existência, as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais.

É a violação dessas leis, princípios e preceitos a causa frequente de perturbações e desequilíbrios que, alterando o ritmo natural da vida, acarretam para o espírito profundos sofrimentos dolorosos.

A evolução requer tempo, trabalho e sacrifício. Normalmente, a desencarnação deverá ocorrer na velhice. Mas, para que isso aconteça, é preciso cuidar da saúde física e mental.

Muitos fatores na Terra, tais como a mudança brusca de temperatura, os abalos sísmicos, a poluição do ar, a insalubridade de certas regiões, os surtos epidêmicos, os abundantes meios de contaminação, os vícios e ainda a influência perniciosa dos espíritos quedados no astral inferior, contribuem para a desencarnação prematura dos seres humanos.

Há que considerar, ainda, determinados fenômenos sociais geradores de conflitos e guerras de extermínio.

De qualquer modo a desencarnação, antes da época própria, representa sempre um lapso na evolução, e só encontra um meio de ser reparada: a reencarnação.

Mas esta reencarnação não é problema fácil. Os candidatos a reencarnar são numerosíssimos, ultrapassando as possibilidades existentes, em conformidade com o plano de espiritualização elaborado para a nossa humanidade. Daí, a necessidade de espera.

Para não perderem tempo, muitos espíritos decidem encarnar em meios desfavoráveis, dispostos a enfrentar quaisquer dificuldades.

A constatação de que outros, da mesma classe, porque se esforçaram mais e souberam melhor aproveitar o tempo na vida terrena, ascenderam a classe superior, não deixa de lhes causar sofrimento, não propriamente por essa ascensão, mas pelo fato de não os poderem acompanhar e deles terem de se distanciar na jornada evolutiva.

O espírito de uma determinada classe pode observar o que se passa com outros espíritos da sua e das classes inferiores. Não o pode fazer, entretanto, no que se relaciona com as classes superiores.

Os que ficam, os que estacionam, perdem o contato com velhos e queridos amigos, companheiros de longas jornadas em muitas e muitas encarnações e sofrem, por isso, a dor igual à que sentem os que veem na Terra desencarnar os entes queridos.

Esse contato, entretanto, sabem-no os seres nos planos espirituais, poderá ser restabelecido. Mas, de que maneira? A resposta é óbvia. Se uma pessoa anda mais devagar do que outra que caminha mais depressa, logo se distanciam ambas. E se a que vai na frente não está disposta a reduzir os passos, a que lhe leva desvantagem terá que aumentá-los, se quiser alcançá-la.

Pois é precisamente isso que fazem muitos espíritos quando tomam a decisão de encarnar, decididos a enfrentar todos os sofrimentos da vida terrena, que sabem ser passageiros, para se enriquecerem de conhecimentos e experiências, valores morais e éticos, que os habilitem a ascender à classe imediata.

Com ânimo forte e redobrado esforço, conseguem recuperar o tempo que perderam e se reaproximar, fraternalmente, dos que lhes haviam passado à frente.

A desencarnação deverá ocorrer, normalmente, na velhice. O corpo humano é como a flor ou o fruto: nasce, cresce, viça e fenece. Quando fenece, deixa de ter qualquer utilidade para o espírito. Impõe-se, pois, uma solução natural, espontânea e sábia, que é a desencarnação.

Só em casos excepcionais a desencarnação poderá ter lugar antes do ser humano encarnado haver completado as quatro fases da existência terrena, sem prejuízo para ele. É quando, por exemplo, o espírito pertence à classe superior à 17ª. e baixa à Terra em missão especial de fazer despertar a nossa humanidade ou contribuir para transformações morais e éticas que possam acelerar o ritmo da evolução no planeta.

O que é, afinal, a desencarnação? Em que consiste? Como se processa?

A DESENCARNAÇÃO, FENÔMENO NATURAL

A desencarnação é um fenômeno natural na vida dos seres humanos. Ela significa o oposto à encarnação. O espírito encarna na ocasião em que se apossa do corpo, à natalidade, e desencarna no exato momento em que abandona definitivamente esse corpo.

Quando isso acontece, o espírito faz com que se desprendam os laços fluídicos que transmitiam a vida ao corpo carnal, e dele se afasta com o seu corpo fluídico e o seu corpo de luz.

Não percamos de vista, no entanto, que a denominação de espírito só é dada à partícula do Ser Total que haja adquirido condições evolutivas para encarnar em corpo humano.

Uma vez abandonado pelo espírito, o corpo carnal nada mais é do que um composto de seres infra-humanos. A sua fonte de vida já não existe. Cessada esta, pelo afastamento do espírito, cai no domínio das leis químicas, desintegra-se, e as suas moléculas passam a compor outras formas de vida e a construir outros organismos.

É natural o sentimentos dos que ficam, diante da ausência dos que partem. O sentimento, sim, o desespero, não. A saudade é compreensível e se admite. A mortificação, jamais.

O esclarecimento a respeito de como se processa a evolução é um grande bem, por ser o único meio capaz de levar o ser humano a encarar, com naturalidade, a desencarnação, pelo reconhecimento de se tratar de acontecimento tão normal quanto a encarnação no desdobramento da vida.

Por não perder de vista os seus amigos encarnados, o espírito desencarnado não sente, como estes, a separação. Ele não pode, é verdade, conversar, como o fazia antes. Dispõe, entretanto, do sentido telepático, por meio do qual é capaz de transmitir pensamentos ao espírito dos seres encarnados, que os recebe como se fossem os seus próprios pensamentos.

E o que é pior: não transmite, enquanto presos a influências terrenas, apenas pensamentos. Também sentimentos, muito doentios, perniciosos, obcecantes.

Precisam, pois, os seres encarnados auxiliar com pensamentos positivos os entes queridos a ascenderem aos seus mundos de origem, onde a vida é sentida realisticamente, sem as influências perturbadoras do plano terrestre.

A CRENÇA INFUNDADA

Já é tempo de abandonar a crença de que os espíritos desencarnados necessitam de rezas, de preces ou orações. Isto não é verdade. No campo espiritual, onde as influências perturbadoras não existem, a vida é sentida com inteira realidade. A lucidez do espírito é completa. Ele tem plena consciência da eternidade da vida e do processo da sua evolução.

Céus beatíficos e paradisíacos, purgatórios estagiários e infernos ou demônios e caldeiras incandescentes são imaginosas criações humanas que o próprio bom-senso repele. O mesmo acontece com um supostos julgamento divino. É pura invencionice. Não existem deuses para julgar os que desencarnam.

Deixada a atmosfera terrestre — e com ela todos os fatores de confusão e perturbação —, os espíritos veem, com alegria, o que fizeram de bem, e com profundo pesar as ações condenáveis.

Os cemitérios e as igrejas onde se fazem mentalmente evocações de seres desencarnados, constituem pontos de atração de espíritos quedados no astral inferior, pelas correntes fluídicas afins que os pensamentos de encarnados e desencarnados formam nesses locais. Por isso, sempre que o ser humano tiver de penetrar em tais ambientes, deve fazê-lo com a consciência esclarecida, para não tomar parte nas vibrações, radiações e radiovibrações dessas correntes.

Quando estiver, por exemplo, na obrigação moral de acompanhar os restos mortais de uma existência humana, deve desviar o pensamento da comunhão enfraquecida e erguê-lo sereno, claro, límpido, consciencioso ao Astral Superior, que é a meta para onde se dirigem todos os espíritos libertos de suas ligações com o ambiente terreno e das influências fluídicas originárias das emoções inferiores de que este planeta está saturado.

O ESTACIONAMENTO NA ATMOSFERA DA TERRA

Já sabemos como se opera a desencarnação do espírito. Ao abandonar, definitivamente, o corpo carnal, retira-se com o corpo fluídico e o corpo de luz, imponderáveis aos sentidos comuns.

Quando o ser desencarna, se não possui, como acontece com a maioria, esclarecimento a respeito da vida espiritual, são as coisas intimamente relacionadas com vida terrena que mais o influenciam nos momentos que antecedem e sucedem a desencarnação, da qual comumente não se apercebe.

Essa influência é mais forte, mais dominadora ainda quando o espírito viveu enchafurdado nos vícios, com o pensamento voltado para os prazeres proporcionados pelo ambiente terreno.

Em tal estado, porque o corpo fluídico lhe dá a impressão do carnal, vagueia pela superfície da Terra, andando como se fosse qualquer transeunte, aborrecido com a falta de atenção dos encarnados, que não se apercebem, é claro, da sua presença. Não lhe faltam, porém, oportunidades para fazer relações com outros espíritos desencarnados, em situação idêntica.

Os movimentos na superfície terrestre dos espíritos desencarnados obedecem às condições dos seus corpos fluídicos. Se estes estão impregnados de elementos grosseiros pela conduta viciosa que tiveram aqueles, locomovem-se, a passo, como o fazem os seres encarnados.

Os que levaram, no entanto, uma existência terrena menos materializada, deslizam na atmosfera, de acordo com a densidade dos seus corpos fluídicos, impelidos pela ação do pensamento.

Apesar desses espíritos compreenderem, com relativa facilidade, o fenômeno da desencarnação, os seus pensamentos se fixam, em demasia, nos acontecimentos da vida terrena, com o desejo de continuarem a sentir as emoções e os prazeres dessa mesma vida, passando então a atuar sobre as criaturas encarnadas, e essa atuação, quando persistente, acaba por se tornar obsessiva. É esse o desejo que os leva a permanecer na atmosfera da Terra, em uma atividade semelhante à que tiveram como encarnados.

Os que foram médicos, por exemplo, procuram exercer as suas atividades onde encontram mediunidade desenvolvida e desprotegida da disciplina racionalista cristã.

Acontece, porém, que não dispondo os espíritos na atmosfera da Terra de meios para ampliar os seus conhecimentos e as suas experiências, não podem evitar as mistificações nem se livrar das influências deletérias do ambiente em que vivem.

São, por isso, sempre prejudiciais as suas atuações, enquanto se mantiverem na atmosfera da Terra, qualquer que seja o grau de evolução que tenham alcançado.

O ASTRAL INFERIOR

A camada atmosférica que envolve o planeta Terra é denominada de astral inferior. Nessa camada estão espíritos que pertenceram a todas as classes sociais e que na sua vida de encarnados se deixaram empolgar pelas emoções terrenas.

Essas emoções não faltam no astral inferior, que é também ambiente impregnado de misticismo credulário.

Inúmeros daqueles que iludiram o semelhante com promessas do céu e ameaças do inferno, ali também se acham presentes. É o paraíso de todos os materialões e gozadores.

Nenhum espírito encarna tendo como ponto de partida o astral inferior. Ele passa do astral inferior para o mundo correspondente à sua classe, e somente desse mundo poderá vir a encarnar.

No astral inferior os conhecimentos e as experiências do espírito são limitados aos que teve na Terra. Os que foram materialistas, mais ainda se apegam à materialidade, já que o meio não é favorável à mudança de opinião.

Ali constatam que não há deus, a não ser que considerem a Jeová, o deus bíblico, como se fosse um deus, nem demônios, nem santos, nem céu, nem inferno, e se riem dos adoradores que estão ainda entorpecidos pela influência das suas crenças.

Os credulários educados no regime do temor se acovardam, inicialmente, ao penetrar no astral inferior, pensando no purgatório e no inferno.

Observando, a seguir, que foram enganados, perturbam-se, perdem a noção do seu estado, em uma situação de completa perplexidade e acodem, desorientados, às igrejas, como que em busca de um roteiro, de um guia, de uma tábua de salvação.

Com o correr do tempo, vão se familiarizando com o ambiente e travando conhecimento com outros espíritos desencarnados, em situação idêntica.

Não é sem decepção e sofrimento que muitos veem ruir e se desfazer o castelo de fantasias que construíram na mente com o abundante material sugestivo da mística credulária.

Mesmo assim, é tal o apego a santos e aos deuses e tão grande, tão profundamente enraizado o temor de serem castigados, que nem mesmo nesse estado de semiconsciência espiritual são capazes de fazer funcionar o atrofiado raciocínio para a libertação que tantos benefícios lhes proporcionaria.

É relativamente pequena a transformação que o desencarnado observa, ao penetrar no astral inferior: vê que possui um corpo igual ao carnal e enxerga o quadro da vida terrena como sempre o conheceu.

Expressando-se como os demais desencarnados, pela ação do pensamento, como se estivesse falando, pode mesmo ouvir o timbre do som que lhe dá a impressão de ser da sua própria voz.

Esse fenômeno é perfeitamente compreensível: os pensamentos possuem diferentes densidades e, em decorrência, um som especial, característico e individual.

Todos esses fatos contribuem para que o desencarnado se acomode no astral inferior, na ignorância dos males que lhe advêm dessa permanência em um meio em que a evolução é paralisada, com o agravante de armazenar, para resgate futuro, ônus mais ou menos pesados, conforme a atividade a que se entregou nesse setor de baixa espiritualidade.

A EXPANSÃO AOS VÍCIOS E O CONTATO PERIGOSO

Os espíritos desencarnados dão, no astral inferior, expansão aos vícios que alimentaram em corpo humano. Assim, se têm vontade de fumar, encostam-se ao encarnado que está fumando e experimentam, por indução, o mesmo prazer que este sente.

De igual modo procedem com relação aos demais desejos, daí se podendo concluir que todos os espíritos encarnados possuidores de vícios se entregam, como instrumentos inconscientes, à satisfação dos que alimentam os espíritos do astral inferior.

Há, ainda, um ponto a esclarecer: nem sempre os desejos viciosos partem das criaturas encarnadas. Muitas vezes são os obsessores viciados que as acompanham que os despertam e as intuem para saciá-los.

O perigo do contato com os espíritos do astral inferior não está somente em se sujeitar o ser humano às más influências intuitivas que resultam em desatinos, em obsessões, em conflitos domésticos, em ressentimentos infundados, em desentendimento com a família, em prevaricações e infidelidades.

Há também o risco de acidentes e desastres motivado pelo estado de perturbação a que eles podem fazer chegar os seres humanos. A esses males, acrescentam-se as moléstias infecciosas que os espíritos do astral inferior geralmente ocasionam ou agravam, levando o ser humano à desencarnação.

O processo é relativamente simples para eles: colhem nos focos de coisas pútridas os miasmas contaminadores e os depositam no corpo da vítima, aproveitando-se das lesões ou ferimentos expostos, da debilidade do paciente e de todos os elementos favoráveis à propagação ou desenvolvimento do mal.

A PERVERSIDADE SEM LIMITES

A perversidade com que podem agir os espíritos quedados no astral inferior é quase ilimitada. À ação deletéria desses espíritos são devidas muitas e muitas desgraças.

Maiores seriam elas, no entanto, se os espíritos do Astral Superior não dispusessem de correntes mais fortes formadas pelas vibrações magnéticas dos sentimentos, radiações elétricas dos pensamentos e radiovibrações eletromagnéticas das suas combinações, dos seres encarnados e esclarecidos a respeito das suas obrigações e dos seus deveres espirituais, que podem conservar a mente limpa e se manter em condições de reagir contra qualquer influência maléfica.

Como os espíritos quedados no astral inferior não ignoram que todos os seres humanos possuem mediunidade intuitiva, dela se aproveitam para incutir no mental dos mesmos ideias absurdas e disparatadas.

Daí a razão de andarem certos seres humanos com mania de perseguição, de verem outros as coisas sempre pelo lado negro e de muitos se suporem vítimas de doenças diversas.

Cumpre acentuar — e este detalhe é de maior importância — que nem todos os males de que é vítima a nossa humanidade são produzidos pela ação dos espíritos quedados no astral inferior. Cada ser humano possui tendências, temperamento, modo particular de sentir e ver as coisas, livre arbítrio para tomar decisões e individualidade própria. A ele cabe, por conseguinte, a responsabilidade direta pelos sucessos ou fracassos que tiver na vida.

Se é verdade que as forças do astral inferior são atraídas por sentimentos e pensamentos afins e intervêm na vida dos seres humanos, causando diversos males ou agravando os já existentes, não é menos verdade que eles podem se defender perfeitamente dessas forças inferiores, com as poderosas armas do pensamento e da vontade.

A FORMAÇÃO DE FALANGES

Existem na Terra indivíduos que governam e outros que são governados. Se esses indivíduos não forem capazes de imprimir às atividades terrenas a que se entregam um sentido espiritualista, ingressam, quando desencarnam, no astral inferior, conservando as mesmas inclinações de mando e de obediência.

Formam-se, assim, as falanges, sempre dirigidas por um chefe. Se o seu comandante é perverso, também o são os comandados, pois o que os une é, precisamente, a afinidade de sentimentos.

Essas falanges coordenam as suas atividades perniciosas com as dos encarnados, que se entregam à prática da magia negra e de suas numerosas derivações.

O grau de perversidade de cada falange depende da inferioridade espiritual dos seus membros. As que se dispõem a colaborar nos mais requintados atos de selvageria, assistem aos indivíduos encarnados mais violentos e perversos, do mesmo modo que outras, de instintos menos agressivos, intuem aos médiuns de sentimentos idênticos: os macumbeiros, os adivinhadores, os trapaceiros, os oráculos, os arrumadores de negócios, as cartomantes e todos os intrujões que mercadejam com a credulidade e a ignorância alheias.

A grande maioria dos suicídios, dos casos de loucura, das desavenças, das arruaças, dos conflitos, das agressões, das discussões, das desordens, das intrigas e das convulsões por paixão política, é provocada pela interferência das forças do astral inferior.

Os espíritos que ali estagiam estão todos envolvidos em fluidos densos e grosseiros, impregnados de correntes vibratórias, radiativas e radiovibrativas malsãs, como a inveja, o ciúme, a corrupção, o ódio, a mentira, a ingratidão, a hipocrisia, a traição, a falsidade e outros sentimentos equivalentes.

Esses espíritos agem, frequentemente, com manha e brandura, exteriorizando nos centros em que atuam, geralmente os centros kardecistas, os quais não devem ser confundidos com as casas racionalistas cristãs, os mais puros e nobres sentimentos e as mais doces e melodiosas expressões de amor ao próximo, quando, na realidade, a nossa humanidade ainda não se encontra preparada para produzir o amor espiritual, tendo, antes, que produzir a amizade espiritual.

OS ESPÍRITOS BEM INTENCIONADOS

Não se pense que no astral inferior impera somente a maldade. No mesmo ambiente das almas pervertidas estagiam outras que tiveram a intenção de ser boas, quando encarnadas, mas que falharem nesse propósito, por haverem conservado adormecido o raciocínio, na lamentável inconsciência do que representa, no curso da vida, o sentimento de justiça e a prática efetiva do bem, não somente limitada em pensamento.

É bom insistir em que nada podem fazer as forças do astral inferior de útil à nossa humanidade, apesar de se encontrarem nesse meio espíritos bem intencionados.

A razão facilmente se compreende: as melhores intenções desses espíritos são neutralizadas pela ação fluídica do ambiente, acabando por produzir males cuja intensidade varia de acordo com o seu grau de espiritualidade.

Somente no mundo relativo à classe a que pertencem, para onde terão que seguir antes de voltarem a encarnar, é que os espíritos — livres de toda perturbação e em plena lucidez — reconhecem o grande atraso que traz à evolução do ser humano a desencarnação prematura.

Na atmosfera da Terra, de um modo geral, consideram melhor a vida que levam, sob certos aspectos, do que a dos encarnados. Por isso, desejam, muitas vezes, que os amigos que deixaram na Terra também desencarnem, para lhes fazer companhia, e passam a trabalhar astralmente para isso, sem que estejam movidos por qualquer sentimento de animosidade.

A ASCENSÃO AOS MUNDOS A QUE PERTENCEM

É erro supor que todos os espíritos que desencarnam estagiam no astral inferior. Muitos ascendem imediatamente aos mundos de sua classe, sem um só instante se deterem na atmosfera da Terra.

Esses são os que sabem viver espiritual e materialmente, os que veem no trabalho honrado uma das sérias razões da vida, os que mantêm puros, limpos e incontaminados os seus sentimentos e pensamentos.

Os que assim vivem, sentem e pensam atraem, frequentemente, as Forças Superiores que os assistem, principalmente no momento da desencarnação, auxiliando-os a se trasladar para os seus respectivos mundos.

Já vimos que o Astral Superior conta, para a sua obra de saneamento do planeta, com vários pontos de apoio na Terra, pois sem tal apoio o seu trabalho seria mais difícil ou mesmo impossível.

Onde quer que se encontre um ser humano a vibrar magneticamente sentimentos elevados, a radiar eletricamente pensamentos positivos e a radiovibrar eletromagneticamente as suas combinações, aí estará um polo de atração, um instrumento de apoio à ação das Forças Superiores. A limpeza psíquica que as casas racionalistas cristãs realizam, não tem outra finalidade.

Com o auxílio das correntes fluídicas nelas formadas, penetram os espíritos do Astral Superior na atmosfera da Terra, arrebatando obsessores de toda espécie, dos mais pacatos aos mais agressivos.

Contam-se entre os espíritos arrebatados pela corrente fluídica organizada por essas Forças do Bem, cuja luz esplendente ilumina e desperta as consciências, mesmo as mais empedernidas, inumeráveis perturbadores do equilíbrio da vida terrena, uns de grande inteligência, outros de enorme obtusão, outros, ainda, de intelectualidade incipiente, mas todos atolados no mais fundo materialismo: escamoteadores contumazes, magistrados venais, audazes mistificadores, impenitentes charlatães, ministros envaidecidos, presidentes impatriotas, reis megalomaníacos, papas adoradores e de mental obscurecido pelos dogmas, etc.

O primeiro dever do espírito, depois que desencarna, é ascender ao mundo a que pertence, sem se deter na atmosfera da Terra.

Como, porém, ninguém pode cumprir o dever sem estar para isso preparado, os espíritos desencarnam em sua maioria envoltos na névoa embriagadora das sensações materiais, agravada pelas fantasias criadas pelas místicas credulárias, e passam, assistidos por obsessores, a engrossar as hostes dos que estagiam na atmosfera da Terra.

Somente os que não se esquecem, quando encarnados, dos deveres espirituais e a eles condicionam toda a grandeza da vida, estão preparados para a ascensão aos mundos a que pertencem, sem resvalar pelos correntes impuras do astral inferior.

Se a nossa humanidade pudesse compreender que todos os acontecimentos ocorrem dentro das condições naturais, de acordo com o estado de alma ou sujeitos ao desenvolvimento espiritual de cada ser humano, não se mortificaria nem se deixaria abater pelo desespero e as amarguras a que constantemente se entrega.

Todos os espíritos do Astral Superior têm essa nítida consciência. E porque a possuem, observam, com o entendimento esclarecido, as desgraças que se lamentam no planeta, sem que elas produzam qualquer alteração nos seus sentimentos, pensamentos e atividades.

VIDA É PODER E AÇÃO

Vida é poder e ação. Onde há poder e ação conscientes, estão o cumprimento das obrigações e dos deveres. Como a vida é dinâmica e sem interrupções, as obrigações e os deveres que recaem sobre o espírito estão sempre presentes, e os seus cumprimentos representam uma imposição inadiável que no Astral Superior é cumprida rigorosamente.

Ali não há lugar para o cansaço, a preguiça, a indolência e a displicência, nem se deixa para depois o que deve ser feito no momento exato. A fadiga resulta dos trabalhos terrenos que não atingem o espírito.

No Universo inexistem o dia e a noite. A luz que o ilumina é proveniente da propriedade da Luz, que o espírito penetra com a sua luz astral, em conformidade com o seu estágio evolutivo.

Os espíritos estagiados no astral inferior se encontram fora da lei espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, mas dentro do código penal do Universo, digamos assim, por isso se encontram impedidos de cumprir com as obrigações e com os deveres que lhes são afeitos, por ser o astral inferior um meio criado pelo erro, pelo abandono daquilo que lhes compete, pela submissão aos vícios, pela atrofia e embrutecimento do sentido espiritualista e pela expansão das tendências inferiores vindas de encarnações passadas, que não se interessaram e nem se esforçaram por extinguir.

Em tal ambiente, os espíritos se encontram completamente iludidos a respeito da vida, na dependência de serem despertados para ela. E esse despertar não é fácil, se levarmos em conta a influência dos fluidos perturbadores que os envolvem.

Sem a lucidez indispensável ao clareamento do embotado senso das obrigações e dos deveres, vegetam em uma situação inferior à que mantinham quando encarnado, por não disporem no astral inferior de nenhuma possibilidade de melhorar o seu estado espiritual, por não haver ambiente fluídico propício para isso.

Enganosos aspectos da vida terrena podem enlear o espírito, mas apenas enquanto encarnado ou na atmosfera terrestre. No seu mundo, livre de todas as influências terrenas, a vida real se apresenta com a limpidez da razão. Nele as obrigações e os deveres têm uma só interpretação, não havendo, por isso, sofismas, modos de ver, alternativas, situações dúbias, vacilações, dúvidas ou incertezas. Obrigações e deveres firmados e obrigações e deveres cumpridos, são princípios que se confundem em uma só consumação.

No mundo correspondente à sua classe não pode — como esta obra esclarece — o espírito evoluir. Essa impossibilidade resulta de todos ali possuírem o mesmo estágio evolutivo, o mesmo grau de desenvolvimento. Nada têm, assim, para ensinar uns aos outros. É preciso, pois, que os espíritos mais evoluídos lhes incumbam de trabalhos astrais para que possam evoluir.

Mas este planeta está — como já foi dito — preparado para receber espíritos de dezessete classes diferentes que aqui se misturam, auxiliam-se, confraternizam-se, para a troca de conhecimentos e experiências.

Não é necessário salientar, mais uma vez, o papel que essa desigualdade de valores representa no processo evolutivo da nossa humanidade. Ela é tão importante, tão valiosa, tão necessária, que até os membros de uma mesma família são, via de regra, de espiritualidades diferentes.

A VISÃO DO PASSADO

Às faculdades dos espíritos, não escapa nenhum detalhe, nenhum movimento, nenhum fato referente à sua vida pregressa. Têm eles gravada em esteira fluídica, com a mais absoluta fidelidade, toda a vida pretérita, desde a sua origem, como ser atômico, até a presente, e a continuam gravando, até que retornem ao seio do Ser Total.

É difícil fazer uma ideia precisa do que significa o registro nessa imensa, nessa quase interminável esteira fluídica de todos os atos da vida de cada ser humano, estando nela perfeitamente focalizados como se fossem filmes cinematográficos, cujas cenas podem ser vistas em qualquer época e a qualquer momento.

Tão logo alcança o mundo a que pertence, o espírito revê toda a sua vida passada. Examina-a, detida e minuciosamente, faz confrontos, observa as encarnações perdidas, calcula o tempo que desperdiçou nas parcialmente aproveitadas, raciocina, analisa e estuda a posição em que se encontra, com o fim de estabelecer um novo plano para a encarnação seguinte.

Se verifica que estacionou no astral inferior, deplora, intimamente, não haver utilizado melhor os seus próprios recursos espirituais, com os quais teria adicionado outros valores ao seu patrimônio moral e ético.

OS POLOS DE ATRAÇÃO

Já sabemos — porque isto foi explicado nas páginas anteriores ­— que os espíritos realizam o seu progresso reencarnando neste mundo-escola, até alcançarem o décimo sétimo grau de evolução. Daí para cima a evolução é processada no Universo, mas todos fazem parte integrante do Astral Superior, pois que têm a consciência plena das suas obrigações e dos seus deveres.

Entre outras muitas obrigações e entre outros muito deveres, têm os espíritos do Astral Superior o de contribuir para o progresso dos seres encarnados, respeitando, em regra geral, o livre arbítrio destes, cujo livre arbítrio pode ser coarctado quando ultrapassa os limites que venham a prejudicar a sua evolução espiritual.

Sem o estabelecimento dos polos de atração suficientemente fortes, seria difícil ou quase impossível aos espíritos do Astral Superior alcançarem a Terra. Para isso, além dos seres humanos esclarecidos que neste planeta lhes servem de instrumento, contam com o concurso dos espíritos dos mundos opacos que estão ao seu serviço.

Esses espíritos deveriam fazer a sua evolução reencarnando, como geralmente acontece. Tantas foram, porém, as encarnações perdidas e tamanhos os sofrimentos por que passaram, sem proveito, que se decidiram a trabalhar no Universo, embora sabendo que ali o seu progresso espiritual é bastante lento.

Entretanto, milita a favor desse processo a circunstância de não haver perda de tempo, como acontece na Terra, onde milhões e milhões de espíritos encarnados se atolam nas baixas paixões mundanas e se deixam dominar pelos falsos prazeres da vida terrena.

Os espíritos classificados nos mundos opacos são da sexta à décima primeira classes. Os seus corpos fluídicos se compõem de fluidos mais ou menos densos, e com eles se podem locomover, facilmente, na superfície deste planeta. Rigorosamente disciplinados pelas Forças Superiores, as suas atividades são valiosas, já que podem penetrar em qualquer ambiente, por piores que sejam.

Oferecem, ainda, os espíritos dos mundos opacos, estreita colaboração aos espíritos encarnados, quando em desdobramento no regime doutrinário explanado nesta obra, para que as Forças Superiores possam promover grandes limpezas psíquicas no astral inferior, dele arrebatando terríveis obsessores. No Astral Superior dispõem os espíritos dos mais amplos recursos para o cumprimento das suas obrigações e dos seus deveres.

 

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