13.01.06- Capítulo VI – A Encarnação do Espírito

A Era da Verdade
15 de abril de 2020 Pamam

O planeta Terra não é habitação permanente de nenhum espírito. Ele é um mundo-escola, um laboratório depurador, uma oficina de aprendizagem, de trabalho, onde o espírito se instrui, aperfeiçoa-se, desenvolve-se em tempo mais ou menos longo e em ambiente adequado a produzir a sua evolução.

Conforme esclarece o capítulo IV desta obra, os espíritos estão distribuídos em mundos próprios, por classes, de acordo com o estágio evolutivo em que cada um se encontra.

Os espíritos que evolucionam neste planeta pertencem às primeiras dezessete classes, separadas umas das outras, no Universo, na ordem da sua importância.

Ao encarnarem, porém, eles se misturam, intensamente, para a formação de povos de estrutura heterogênea, como convém a um mundo-escola. Os que sabem mais, os que dispõem de maior tirocínio, de maior lastro de conhecimentos e experiências, ensinam aos que sabem menos aquilo que, por seu turno, aprenderam de outros. Exatamente por esse fato é que se veem, com frequência, seres de espiritualidade bastante diferente em uma mesma família.

Para bem aprenderem as lições da vida, precisam os seres humanos encontrar no seu semelhante qualidades, conhecimentos e experiências que ainda não possuem.

O espírito é uma partícula do Ser Total. O corpo fluídico, ou perispírito, é formado por parcelas das propriedades da Força e da Energia, da mesma natureza da substância fluídica do mundo em que estagia no intervalo das encarnações, enquanto que o corpo de luz é formado por parcelas da propriedade da Luz também da mesma natureza do Mundo de Luz. Quanto mais adiantados forem os Mundos de Luz, mais diáfanos serão os corpos fluídicos e de luz, isto explica a razão de serem os corpos fluídicos e de luz mais diafanizados uns do que outros.

Já o corpo carnal é formado é formado por seres que formam este mundo, que são os seres hidrogênios, por outros seres atômicos, por seres moleculares, e por outros seres infra-humanos que pertencem a outros mundos.

Nenhum fato, nenhum acontecimento da vida humana pode ser ocultado aos planos espirituais. É que os nossos sentimentos produzem vibrações magnéticas, os nossos pensamentos produzem radiações elétricas, e ambos conjugados produzem radiovibrações eletromagnéticas, que se cruzam em todas as direções.

Por isso, antes mesmo de se operar uma fecundação, ela é imediatamente constatada nesses planos, e um espírito acorre a cumprir o mais importante preceito universal: a reencarnação; dentre os que aguardam, sem temor ou relutância, a sua vez, compenetrados dos deveres que lhes cumprem, em conformidade com o plano de espiritualização da nossa humanidade.

Determinado a reencarnar, e identificada aquela que lhe vai servir de mãe, o espírito assiste e acompanha a formação do seu corpo carnal durante a gestação, até completar a evolução fetal, quando dele toma posse inteira, absoluta à natalidade, ficando unido, ligado ao mesmo por cordões fluídicos. Quanto ao sexo com o qual o espírito vai encarnar, ele fica sob a responsabilidade do espírito, que acompanha a fecundação e opera no sentido de escolhê-lo.

O corpo carnal em formação vai sendo envolvido, molécula a molécula, pelo corpo fluídico, ou perispírito, do espírito, que sobre ele vibra magneticamente, radia eletricamente e radiovibra eletromagneticamente, postado do lado de fora do corpo da gestante, até o momento de vir à luz, quando então dele se apossa, inteiramente.

Consumada a encarnação, fica o espírito apoiado no seu corpo fluídico justaposto ao corpo da criança, do lado esquerdo.

Logo que o espírito encarna, passa o ser humano a ser constituído por quatro corpos:

  1. O corpo mental, que é o espírito;
  2. O corpo fluídico;
  3. O corpo de luz;
  4. O corpo carnal.

Com essa constituição terá de exercer as suas funções na Terra e viver, distintamente, as duas vidas: a vida terrena e a vida espiritual.

O corpo mental, para o qual estão voltadas as atenções dos estudiosos, é formado pelos órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, além dos atributos individuais e relacionais. Ele é o agente vivo e inteligente que governa os outros três corpos: o corpo fluídico, o corpo de luz e o corpo carnal; sendo, portanto, o grande responsável por todas as manifestações de poder, ação e vida. Sendo eterno e imutável, na sua essência, ele oferece, à medida que evolui, admiráveis demonstrações de potencialidade e valor.

O corpo fluídico exterioriza o criptoscópio e o intelecto, além dos atributos individuais e relacionais, é o liame, a ligadura entre os corpos mental e carnal. Ele está preso, parcela por parcela, ao corpo mental, em virtude das vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas permanentes deste, e envolve todo o corpo carnal, ao qual se encontra unido por cordões fluídicos. Ele representa todas as coordenadas universais pelas quais o espírito passou em sua trajetória evolutiva. Por maiores, por mais extensas que sejam as distâncias que separam o espírito do seu corpo carnal, jamais a ligação entre eles se interrompe, não só porque tal interrupção significaria a desencarnação, como pela natureza dos cordões fluídicos, que se estendem sem limites. Deste modo, somente após a desencarnação, os corpos mental, fluídico e de luz deixam definitivamente o carnal.

O corpo de luz reflete a consciência do espírito, a sua educação, a profundidade do seu raciocínio, que direciona a utilização do seu livre arbítrio. É através dele que o espírito penetra as coordenadas universais por que passou, as quais se encontram gravadas no seu corpo fluídico.

O corpo carnal é uma admirável máquina concebida pela Inteligência Universal para proporcionar ao maquinista — o espírito — os recursos, os elementos, os meios com os quais leva a efeito em um mundo-escola um curso de aperfeiçoamento em múltiplas, em inumeráveis encarnações, indispensáveis à sua ascensão a um ambiente de maior espiritualidade, em um plano mais elevado da evolução.

Toda ciência médica dele se ocupa, estudando-o em seus mínimos detalhes. E não é pequeno o número de cientistas que já admite serem as desordens do espírito — nas quais se incluem, com destaque, as perturbações emocionais — a causa de grande parte dos desarranjos físicos, formando todo um quadro de anormalidades e doenças cuja etiologia não constitui mais segredo para eles.

Definido por traços normais, o corpo carnal pode ser apresentado como uma perfeita e acabada peça escultural.

O espírito, quando encarna, isola-se do seu passado, esquecendo-se por completo das encarnações anteriores, apenas retendo em seu subconsciente os conhecimentos e as experiências das provas pelas quais passou e as tendências resultantes do uso que fez do seu livre arbítrio.

Isso representa um grande bem para ele. Primeiro, porque a cortina da matéria, impedindo que se reconheçam desafetos de outros encarnações, possibilita a reconciliação destes, aproximando-os sem ressentimentos ou malquerenças. Segundo, sem a visão temporária dos erros do passado que tantas vezes humilham, envergonham e até subjugam, alienando a vontade, o espírito encarnado como que se inicia em uma nova existência, em cada uma das passagens terrenas.

Assim têm feito e continuam a fazer bilhões deles em sua trajetória por este mundo Terra, em uma longa série de encarnações.

Tudo quanto de bom adquiriu com esforço e trabalho conserva para sempre, e essa conquista, esses bens, esse patrimônio, prestam-lhe valiosa colaboração em cada encarnação, facilitando a aquisição de novos conhecimentos e de novas experiências, de novas qualidades e de melhor apuração dos seus atributos.

OS DEVERES DO ESPÍRITO APÓS A ENCARNAÇÃO

O espírito, quando encarnado, passa por fases distintas, em cada uma das quais poderá colher valiosos ensinamentos.

Essas fases são: a infância, a mocidade, a madureza e a velhice. Em todas elas tem deveres a cumprir, trabalhos a realizar, obrigações a satisfazer.

A dinâmica da vida exige ação permanente. Mas ação dignificante, proveitosa e construtiva, em benefício próprio e do semelhante.

As quatro fases mencionadas só possuem sentido no plano físico. Elas se relacionam, unicamente, com o desenvolvimento e a duração da máquina humana, servindo para estabelecer a diversidade de conhecimentos, experiências e ensinamentos no curso de uma encarnação.

A INFÂNCIA, A MOCIDADE E A MADUREZA

Dá-se o nome de infância ao período que se estende do nascimento à puberdade. Nela se constrói, por assim dizer, toda a base, todo o suporte que terá de sustentar o edifício da encarnação.

São de importância fundamental, por isso, os ensinamentos que forem ministrados ao ser humano nessa delicadíssima fase da vida, através de lições do mais alto sentido moral e, sobretudo, de exemplos repletos de valor, para que sejam bem assimilados e contribuam para a formação de uma valorosa e nobre personalidade.

Seguem-se à infância os anos de mocidade, que se situam entre os que geralmente se concebe por menor e adulto.

A mocidade começa na puberdade, alongando-se até a madureza. É a idade da razão, em que estão presentes, de um modo geral, as mais altas aspirações e os grandes ideais da vida. E a essas aspirações, a esses ideais, não é estranho o sentimento de espiritualização, desde que na infância tenha tido o ser humano a felicidade de receber princípios educativos elevados.

Uma nação será sempre grande na medida em que puder confiar na sua juventude, para a qual se voltam, permanentemente, as esperanças dos mais velhos.

À mocidade sucede a madureza, em que o ser humano tem, a seu favor, a experiência alcançada nos períodos anteriores da vida. Ele poderá ser, nessa fase, um timoneiro seguro e competente, muito lhe valendo a soma de conhecimentos e experiências adquiridos.

Na madureza atinge o ser humano o apogeu. As suas células orgânicas — notadamente as cerebrais — alcançaram a vitalidade máxima, permitindo ao espírito transmitir a plenitude da sua capacidade construtiva.

A VELHICE

Já a velhice representa, em cada encarnação, a última fase da vida. E isto é compreensível: o corpo físico não é mais do que a máquina a serviço da partícula do Ser Total, também denominada de espírito, de quem recebe o calor, o poder e a ação, o movimento e a vida. Essa máquina — como todas as máquinas — está sujeita a ação do tempo, aos desarranjos e desgastes que são maiores ou menores, de acordo com o trato que lhe dispensar o maquinista: o espírito.

E, convenhamos, não faltam os desatentos, os indiferentes e os desleixados. Não são poucos os que se atolam nos vícios, com que produzem no corpo carnal danos não raro irreparáveis, acarretando a sua ruína.

A vida bem vivida conduz a uma velhice sadia e feliz. Nessa fase, porém, ainda que plenamente lúcido, não pode o espírito, como é compreensível, manifestar a mesma fortaleza da juventude e o vigor e o dinamismo revelados nos períodos anteriores. E isto pela natural decadência do seu instrumento corpóreo.

Felizes os espíritos que sabem dar ao mundo, em cada passagem pela Terra, inequívocos exemplos de valor e honradez.

O interesse pelo bem-estar geral, o comportamento familiar, a preocupação constante voltada para a educação da prole, a disciplina e o amor ao trabalho são alguns desses exemplos.

A MORAL SOCIAL E A AUTOEDUCAÇÃO

As atividades neste mundo são diversas e muitos os meios pelos quais se processa a evolução.

Nem todos os seres humanos, no entanto, contam com iguais possibilidades, mas o que importa, acima de tudo, é enobrecer o sentido da vida, ainda que nos trabalhos mais rudes e humildes.

A moral social se define pela formação espiritualista, pela intransigente defesa dos bons costumes e a prática efetiva de hábitos salutares.

Cada povo possui uma concepção própria da vida. Mas quanto mais se caminha, quanto mais se avança no terreno da civilização, mais patentes, mais seguros, mais fortes se evidenciam os preceitos da moral, da ética e da honra, principalmente no que diz respeito ao lar, cuja formação constitui — como se esclarece no capítulo XIV desta obra, que trata da Família — um indeclinável dever de todo cidadão.

A educação dos seres humanos não se limita, não se restringe, não se circunscreve ao período da infância, em que mais atuam os pais.

Preparados para se dirigir por si mesmos, já adultos, devem ir recolhendo o maior lastro de conhecimentos e de experiências que lhes for possível alcançar, através da observação e do testemunho das coisas que ocorrem à sua volta ou de que tiveram tomado conhecimento.

O êxito ou o fracasso dos outros, as causas, as razões, os motivos das alegrias ou dos sofrimentos destes, constituem valiosos ensinamentos dos quais se devem aproveitar todas as pessoas para não incidirem nos erros que causaram a dor e o prejuízo alheios e para tomarem os mesmos caminhos que levaram o semelhante ao triunfo e ao bem-estar.

Se o ser humano se inferioriza diante do próximo quando pratica ações condenáveis, reveladoras de indigência de leis morais e princípios éticos, portanto, de educação, mais se sentiria inferiorizado e com vergonha de si mesmo, se tivesse a consciência espiritual vigilante e desperta para apreciá-las e analisá-las.

Os vários níveis sociais que existem na Terra, justificam-se, em parte, não só por se tratar de mundo-escola, como também pelas falhas que se observam na educação dos seres humanos que a habitam.

O indivíduo mal educado restringe o seu campo de ação ao próprio nível em que vive, tornando-se indesejável nos planos superiores de educação, e daí a necessidade que tem o espírito encarnado de não poupar esforços no sentido de melhorar as suas condições sociais, contribuindo para a elevação dos índices de moralização do planeta.

EXEMPLOS DE HONRADEZ E DE DEDICAÇÃO AO TRABALHO.

Os exemplos de honradez constituem a mais alta contribuição que os seres humanos podem dar à sociedade.

A honradez não se limita à pontualidade nos pagamentos, à exatidão nas transações e à fidelidade nos ajustes. Ela exige, acima de tudo, firmeza de caráter, intransigente lealdade e indesviável retidão no cumprimento do dever.

Os que não possuem elevação de sentimentos e positividade de pensamentos, desprendimento e valor, não podem ter a pretensão de se considerar honrados, por serem esses importantes atributos inseparáveis da honradez.

Os exemplos de dedicação ao trabalho são dos mais úteis à causa da nossa humanidade.

O Universo, considerado em si mesmo, é todo movimento e ação. Os grandes artífices do progresso do mundo foram trabalhadores incansáveis.

Os que vivem na ociosidade não passam de parasitas sociais e aproveitadores do trabalho alheio, ainda mesmo quando disponham de fortuna e se julguem grandes personagens.

Tanto se enobrece e se dignifica o ser humano no trabalho braçal quanto no intelectual, artístico ou científico.

O que dá proveito ao espírito não é a natureza do trabalho, mas o seu valor moral e a satisfação com que é realizado.

Devem, pois, todos procurar o trabalho que corresponde à sua vocação para executá-lo com alegria e entusiasmo, considerando-o não um castigo, mas um prêmio, uma vez que sem ele jamais dariam um passo no caminho da evolução.

AÇÕES MERITÓRIAS E ERROS VOLUNTÁRIOS E INVOLUNTÁRIOS

As obras culturais que se escrevem, as escolas que se instalam, as bibliotecas que se fundam, as organizações científicas que se estabelecem e os trabalhos que se realizam com a finalidade de instituir e incrementar, em todas as latitudes, o intercâmbio criptoscopial, intelectual, espiritual e físico entre os seres humanos, são ações meritórias do mais alto interesse humano.

Sob este aspecto, incluem-se também as iniciativas destinadas a fomentar a produção industrial, mineral e agrícola para elevar o padrão de vida da coletividade.

Todos os habitantes deste mundo-escola são imperfeitos. Uns, evidentemente, mais do que os outros. Não há, pois, quem não esteja sujeito a erros. Muitos desses erros são involuntários. Outros resultam do mau uso do livre arbítrio.

Diz-se que errar é humano. Nada mais certo. Uma vez, porém, advertido e convencido do erro, cumpre ao ser humano honestamente reconhecê-lo e se esforçar para não voltar a errar.

Esconder os erros em lugar de combatê-los é prática comum, mas altamente prejudicial ao aperfeiçoamento do espírito.

A maioria dos seres humanos raramente procede com isenção ou justiça no julgamento íntimo dos seus atos. Mesmo os que encaram com severidade as más ações alheias, para as quais têm sempre palavras de censura e condenação, não fogem à tendência geral com relação às suas próprias faltas, que é a da justificativa ampla, indulgente e absolutória.

Com esse procedimento acabam os erros por se incorporar aos hábitos e costumes humanos, perdendo o ser humano o respeito que deve a si mesmo e corrompendo o caráter e a dignidade.

O que todos devem e precisam fazer é encarar, corajosamente, as faltas cometidas e se dispor a eliminá-las com o poder da sua vontade.

O APERFEIÇOAMENTO E O MAL DA IGNORÂNCIA

O aperfeiçoamento deve construir a principal preocupação do ser humano em todos os ramos da sua atividade.

Todo ser humano tem necessidade de se esmerar no desempenho das suas obrigações e dos seus deveres, procurando executar o trabalho com o devotamento do que for capaz.

Sem atenção, interesse, conhecimento, experiência, esforço, dedicação, alegria, bom-humor e inabalável disposição de alcançar resultados positivos, não se caminha para o aperfeiçoamento, e este, indissoluvelmente ligado à evolução, é a razão principal da vinda do espírito à Terra. Não há possibilidade de progresso espiritual fora do campo do aperfeiçoamento.

Ninguém se deve poupar no combate à ignorância, por ser a causa da maioria dos males que assoberbam a nossa humanidade. A ignorância é uma força inteiramente negativa. Faz sempre mal e, se não puxa para trás, dificulta, no terreno da evolução, a dar um passo à frente. Evolução significa luz, luz que quanto mais clareia, quanto mais esplende, quanto mais refulge, mais afugenta as trevas da ignorância.

É a ignorância, por isso mesmo, a grande, a poderosa, a irreconciliável inimiga do espírito encarnado. Combatê-la em todas as oportunidades e por todos os meios, é dever que se impõe aos que desejam realmente progredir, aproveitando bem a encarnação.

Estes, como não têm tempo a perder, procuram aprender hoje o que ainda ontem não sabiam, conscientes de que cada conhecimento e experiência novos representa mais um bem, mais um valor que se incorpora ao patrimônio espiritual.

Aos que não tiveram a felicidade de frequentar escolas, devemos lembrar que o próprio mundo Terra é uma Escola onde poderão aprender as mais variadas lições, pois ensinamentos bons não faltam a todos.

Muitas são as matérias de que se compõe o curso que compete ao espírito fazer neste mundo, nas inumeráveis reencarnações. Os alunos desleixados, desatentos e relapsos estão sempre a repetir as lições.

Se a nossa humanidade se compenetrasse do que representa na vida do espírito uma encarnação bem aproveitada, não se constatariam tantas falências e tamanho descaso na Terra pelos valores espirituais.

Quanto mais adiantado o ser humano, mais reconhece a longa, a interminável distância que o separa do saber absoluto, que exige uma eternidade de estudos. Os verdadeiros sábios não perdem a consciência das suas limitações, porque se esforçam por aprender sempre mais e mais. São, de um modo geral, modestos e despretensiosos, ao contrário dos medíocres que andam sempre preocupados em se exibir e se fazerem passar por indivíduos de grande talento e importância.

Muitos não se apercebem do ridículo a que se expõem quando fazem de si mesmos — da sua inteligência, da sua bondade, do seu valor — o objeto da conversa.

Esse alarde de atributos hipotéticos ou reais não fica bem a ninguém. Por isso, há necessidade de comedimento, de moderação em todos os gestos e atitudes que deverão constituir um sadio hábito na vida do ser humano, para poder se conduzir sempre com exemplar dignidade.

O PRINCÍPIO DA AUTORIDADE

Indissociável da fidelidade aos ditames da moral, da moderação e da justiça, o princípio da autoridade jamais deverá ser exercido com despotismo e intolerância.

Embora muitas pessoas se imponham pelo temor que os seus atos infundem, a verdadeira autoridade, a mais autêntica, a mais legítima é magnânima e justa, e por isso se torna querida e respeitada.

Isto não quer dizer que abdique ela do direito — e até do dever — de usar de energia e severidade quando se tornarem necessárias. O que não deve, nunca, é se exceder o ser humano que a detenha e se tornar prepotente e arbitrário.

A autoridade precisa refletir bastante antes de tomar qualquer medida, para reduzir ao mínimo a possibilidade de incorrer em erro e praticar injustiças.

A ECONOMIA

Sempre que os recursos o permitirem, a economia não deve afetar a boa apresentação nem a plena suficiência na vida terrena, moral e ética do ser humano.

Tão condenável é a dissipação quanto a mesquinhez e a miserabilidade. Todos se devem abster do supérfluo, repelir os vícios, opor-se ao desperdício e ao esbanjamento, mas sem se privarem do necessário.

É preciso que se compreenda que os bens materiais pertencem à Terra e nela ficarão, não sendo os seres humanos mais do que administradores ou depositários temporários desses bens.

Proceder egoisticamente, escravizar-se aos valores puramente materiais na falsa suposição de que deles depende a felicidade, é erro, e dos mais graves, em que incorre grande número de seres humanos.

O patrimônio que o espírito acumula, ao longo de cada jornada terrena, é representado, exclusivamente, pelas ações meritórias que pratica.

Essas são, na verdade, os únicos bens que leva consigo ao desencarnar, bens que o vão encher de alegria e felicidade no plano espiritual.

O MEDO, A EFICIÊNCIA E O RESPEITO

O medo é um dos perniciosos males que mais inquietam, angustiam e martirizam a nossa humanidade. As suas raízes profundas começam a crescer na primeira infância, quando tantas coisas erradas são incutidas no espírito das crianças.

Certas histórias ridículas que lhes são contadas, em que entram bichos-papões, fantasmas, lobisomens e tantas invencionices, respondem pelo complexo de temor que se vai apoderando das crianças e pela nefasta influência que tal complexo passa a exercer durante toda a sua vida.

Combater, no processo de educação das crianças, tudo quanto possa contribuir para torná-las tímidas e medrosas, evitando, necessariamente, os caminhos extremos que conduzem à imprevidência e a temeridade, é dever que se impõe a todos os que tiverem uma parcela de responsabilidade para com elas.

Viver com eficiência quer dizer viver plenamente, no bom sentido, isto é, cuidar da saúde moral, ética e física, participar ativamente do esforço comum da nossa humanidade para melhorar as condições do mundo e proceder sempre com disciplina, método e ordem.

Os seres humanos devem se respeitar a si mesmos e ao próximo, já que não é concebível uma existência terrena digna e bem ajustada ao interesse comum, sem respeito.

O respeito deve existir entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre irmãos e, de um modo geral, de indivíduo para indivíduo. Não há germe mais pernicioso, mais contaminador, mais destruidor da produção de amizade, do que a falta de respeito. A intimidade não dispensa, de maneira nenhuma, o tratamento respeitoso.

Tratar sem respeito o semelhante é revelar carência de princípios educativos e cometer uma indignidade passível de toda condenação. Mas, para que seja respeitado e tratado com consideração, precisa o ser humano proceder corretamente em todos os atos da vida.

O ZELO E O TRABALHO

O desempenho de qualquer função exige zelo, dedicação e interesse por alcançar o melhor resultado possível. Os exemplos, porém, devem partir de cima, uma vez que só tem autoridade para exigir aquele que sabe cumprir com os seus deveres.

A falta de zelo no desempenho de qualquer função fere o caráter, deslustra o indivíduo e inferioriza a conduta, errando contra si mesmo o ser humano cuja atividade se caracteriza pelo descuido, pelo desleixo e pelo relaxamento.

O trabalho humano, ainda quando pareça isolado, é de coordenação, nele estando diretamente interessados todos os seres encarnados. Os que executam mal a sua parte por falta de zelo e dedicação, revelam qualidades negativas e indigência do senso de responsabilidade.

Para ser bem aproveitado o tempo, deve cada um organizar um plano inteligente de trabalho, de maneira que cada compromisso seja executado na sua hora própria. Trabalhar, recrear e descansar são três necessidades igualmente imperiosa para produzirem um mesmo resultado, que é o bem-estar físico e espiritual.

Cada qual deve escolher o horário que melhor atenda às suas conveniências e às exigências do trabalho, mas sem negligenciar o repouso e o recreio.

Somente assim encontrará prazer no trabalho, proveito no descanso e alegria no divertimento, fatores que contribuirão para a sua saúde e bem-estar.

A INTEGRIDADE

A integridade deve constituir permanente preocupação do espírito encarnado, que muito lucrará se em cada existência neste mundo conseguir brunir, pelo menos, uma das muitas facetas desse precioso tesouro moral.

Ninguém pode chegar ao fim das encarnações terrenas enquanto não tiver alcançado o mais alto nível de integridade.

Não faltam expedientes neste mundo astuciosamente criados para proporcionar situações vantajosas, mas desonestas.

Os fracos, diante deles, sempre capitulam. Os fortes resistem, os que resistem vencem, e as vitórias fortalecem. Pois é da soma dessas vitórias que se forma o ser humano verdadeiramente íntegro. Mas, entenda-se: não se apura a conduta moral apenas porque não se vende a consciência. É preciso mais, é necessário sentir a vida em toda a sua grandeza e plenitude, para reconhecer que só é perfeitamente íntegro quem — além da honra — está sempre disposto a contribuir para o bem geral, e é justiceiro, digno, leal e valoroso.

O RACIOCÍNIO

Foi visto no capítulo V que, tomando por base a definição de R. Jolivet, podemos dizer que é através do raciocínio que os seres humanos conseguem os resultados proporcionados pelos métodos da dedução, da indução e da inferência, quando então realizam a operação de concluir sobre duas ou mais relações conhecidas, que decorrem logicamente uma da outra, cujas relações são expressas pelos juízos, o que implica também em dizer que o raciocínio pode ser também definido como sendo a operação que consiste em tirar de dois ou mais juízos um outro juízo contido logicamente nos primeiros.

Em sendo assim, podemos afirmar que o raciocínio trabalha tanto com o conhecido como com o desconhecido, sendo através dele que se abre a passagem do conhecido para o desconhecido.

A expressão verbal do raciocínio é o argumento.

O poder do raciocínio constitui valioso atributo de que dispõe o espírito para analisar os fatos da vida e tirar dos acontecimentos as lições que lhe puderem ser úteis.

O raciocínio é como que uma luz projetada sobre os problemas difíceis da existência para torná-los claros e compreensíveis.

Além de nortear o espírito no curso da sua evolução, ele representa, ainda, uma poderosa arma de defesa contra o fanatismo, contra o convencionalismo mundano, contra as crenças místicas que produzem a cegueira da fé credulária e outras subordinações indicativas de formas agudas ou amenas de avassalamento.

Se tantas coisas erradas se fazem na Terra, é porque os seres humanos não se dão ao trabalho de raciocinar demoradamente antes de praticar qualquer ato, para poderem prever as suas consequências. O raciocínio, quanto mais exercitado, mais se desenvolve.

Por comodismo, por indolência, por preguiça mental, muitos atribuem aos outros a tarefa de pensar por eles e passam a aceitar, como próprias, as ideias alheias.

Nascem daí os movimentos sectários com numerosos rebanhos, estes sempre propensos a acreditar naquilo que os outros acreditam, ou fingem acreditar, por mais absurdo que seja o objeto da crença, principalmente no terreno amplo e escorregadio do misticismo, em que a investigação espiritualista para a apuração da verdade não é admitida.

Com o poder penetrante de investigação e pesquisa que o raciocínio possui, não é difícil distinguir o racional do absurdo, o lógico do ilógico, o certo do errado, e divisar o caminho que levará o ser humano convictamente à verdade.

ATRAIR O BEM, REPELIR O MAL E CUMPRIR O DEVER

Todos os seres humanos são dotados, dentre outras, da mediunidade de intuição, faculdade mais receptiva e mais sensível em uns do que em outros.

Por meio dela, os espíritos desencarnados que perambulam na atmosfera da Terra, em estado de perturbação, denominado de astral inferior, interferem na vida e nos sentimentos e pensamentos dos espíritos encarnados, levando-os — quando estes não reagem por meio do sentimento elevado e do pensamento positivo, acionados pela vontade consciente — a cometer as piores ações, fazendo-os chegar, frequentemente, à obsessão.

Contra essas influências são perfeitamente inúteis os apelos a hipotéticos deuses e santos, geralmente formulados pelos que desconhecem esses princípios básicos e fundamentais da vida universal: atração e repulsão, ação e reação, causa e efeito.

Precisam os seres, por isso mesmo, conhecer o poder do sentimento e a ação do pensamento, o poder da vontade, a força psíquica de atração que tanto poderá ser exercitada para o bem como para o mal, conforme seja a natureza dos sentimentos e dos pensamentos que a dinamizam e, consequentemente, os recursos, os meios, os elementos que todos indistintamente possuem para atrair o bem e repelir o mal.

Só os ignorantes poderão preferir em lugar da verdade espiritualizadora, tão claramente consubstanciada nos princípios racionais desta obra, o materialismo, credulário ou não, que a tantos e tantos fracassos e falências tem conduzido os seres humanos.

Os deveres materiais e morais precisam estar sempre presentes na consciência de cada um.

A vida reclama de todo ser humano, a cada passo, uma atitude, um movimento, um gesto, uma palavra, que traduzam o cumprimento do dever.

Cumprir o dever significa ser honrado, respeitar-se a si próprio e agir com dignidade, elevação e consciência esclarecida.

Cada dever cumprido representa um resgate de obrigação, um impulso para frente, a marcação de mais um ponto no quadro da evolução.

Cabe ao espírito encarnado se manter sempre vigilante, sempre alerta, sempre atento aos seus deveres, convencido de que se deixar de cumpri-los em uma encarnação, os estará infalivelmente acumulando para as encarnações subsequentes.

 

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