13.01.03- Capítulo III – Deus

A Era da Verdade
10 de abril de 2020 Pamam

OS DEUSES E OS CREDOS

Em relação aos deuses, o leitor deve realizar a leitura do tópico 11.03- Os deuses, contido no capítulo 11- A REALIDADE DE DEUS DE ACORDO COM A RAZÃO, na categoria Prolegômenos, que é destinado especialmente àqueles que estiverem dispostos a quebrar as algemas sectárias para, pela liberdade espiritual, tornarem-se capazes de ascender a regiões que o materialismo credulário jamais poderá alcançar.

Compreende-se perfeitamente, que o índio das selvas não tenha uma concepção da espiritualidade que vá além da mística de adoração ao fogo, ao raio, ao sol ou aos animais inferiores, por lhe faltarem bases de raciocínio para demovê-lo da perplexidade adoratória a que se entrega.

A primeira ideia de deus repelida pelos mais civilizados e aceita por esses seres primitivos, surge, precisamente, nas condições acima apontadas.

Nenhuma lei espacial, nenhum princípio temporal e nenhum preceito universal falham, inclusive o preceito universal da evolução. No tocante ao espírito, a evolução se processa — como foi explicado — através de incontáveis encarnações, e só por meio delas o raciocínio se vai desenvolvendo no amplo caminho da espiritualidade, sob cuja luz o misticismo perde a forma, o sentido, a significação, para dar lugar somente ao que o bom-senso e a lógica admitem como verdadeiro, com fundamento nas lições aprendidas no volumoso livro da vida.

Tão logo principia a raciocinar, na primeira fase de encarnação em forma humana, o espírito sente, ainda que de maneira vaga e confusa, a existência de uma Inteligência Superior que não é capaz de definir. Nasce, daí, a sua inclinação adorativa, que as condições da ignorância em que vive plenamente justificam.

Ao observador atento não é difícil avaliar o grau de espiritualidade dos seres pela tendência que manifestam para a adoração, assim como a maior ou menor intensidade dessa tendência.

O modo de adorar e o objeto adorado variam, na medida em que a consciência da vida vai despertando, até chegar ao ponto de poder a criatura repelir o sentimento de adoração.

Adora-se, de um modo geral, para mendigar favores e proteção. A adoração, pois, acusa uma condição de ignorância e inferioridade espiritual.

É no estado primitivo, na condição de selvagem, que o indivíduo sente o primeiro impulso, o primeiro gesto, o primeiro movimento adorativo.

De encarnação em encarnação ascende ele às classes ditas civilizadas, conservando esse mesmo sentimento, porém modificado na forma, já que mais polido, mais requintado, para satisfazer as condições sociais do meio, mas mantendo, no fundo, o mesmo pensamento e a mesma ideia que o geraram no passado.

Os credos utilizam sempre aparatos para impressionar os seus adeptos. A maioria deles é destinada a incentivar a adoração.

Grupos afins se reúnem para adorar, de um certo modo, um certo deus. Cada povo, cada raça, criou a imagem desse deus à sua própria semelhança.

Um chinês, por exemplo, jamais admitiria um deus com feições ocidentais, assim como um ocidental acharia absurda e até ridícula, a ideia da divindade de rosto asiático.

Na realidade, os deuses não passam de espíritos obsessores quedados no astral inferior, os quais comandam falanges de espíritos obsessores, que passaram a ser adorados e propiciados pelos seres humanos desde os tempos mais antigos, assumindo as mais diferentes formas, como Amon, o rei dos deuses e deusas do Egito, que era geralmente representado em forma humana, mas às vezes era também retratado com cabeça de carneiro, Themis, a deusa grega da justiça, Atena, a deusa grega da sabedoria, Gaia, a deusa da Terra para os gregos e romanos, e tantos e tantos outros deuses e deusas.

Atualmente os seres humanos são adeptos do monoteísmo, como são os casos de Jeová, o deus bíblico, e de Alá, o deus alcorânico, que também não passam de espíritos obsessores quedados no astral inferior. No caso de Jeová, o deus bíblico, os seus adoradores afirmam que foi ele quem criou o homem à sua imagem e semelhança, que aparece na Bíblia, no Velho Testamento, livro sagrado e intocável para tantos adoradores. Existem várias referência a esse deus de temperamento iracundo e vingativo da época. Esse vergonhoso sentimento, especialmente em um deus, nada mais é do que o reflexo do sentimento de um espírito obsessor. Mas a verdade é bem outra, e não é preciso ter grande imaginação para descobrir o logro multissecular de que tem sido vítima esses adoradores.

O deus corpóreo figura em todos os credos. No credo — que é a oração principal de uma delas — aparece com o filho sentado ao seu lado direito, compondo um quadro da vida material comum.

O conceito de divindade, embora variando de raça para raça, não modifica a tendência geral relativamente à concepção do deus-rei todo-poderoso, distribuindo prêmios e castigos.

A indigência de conhecimentos impõe certa condição de dependência. Esta verdade, que se constata na vida terrena, ainda é mais evidente quando envolve questões espirituais.

O que interessa ressaltar, para que fique bem claro, é o modo pelo qual o ser processa a sua marcha evolutiva, em que conquista, passo a passo, a independência espiritual.

Quando o ser humano, de evolução em evolução, chegar a compreender que é, como espírito, força, energia e luz, indispensáveis à formação da inteligência, quando se convencer de que possui atributos morais e éticos para vencer, racionalmente, quaisquer dificuldades, quando adquirir a consciência da sua condição de partícula do Ser Total, Dele inseparável, fazendo parte do universo espiritual, caem por terra, como inautênticas e ridículas, as ideias primitivas de um deus protetor ao qual vivia jungido.

Os credos perdurarão enquanto puderem contar com adoradores para protegê-los e sustentá-los. Não importa que os objetos da adoração sejam os astros, as manifestações da natureza, os animais inferiores ou as imagens alegóricas de barro, de madeira ou mesmo de ouro.

A verdade é que os adoradores pertencem todos a uma classe idêntica, embora de diferentes categorias. São candidatos a reencarnações sucessivas neste laboratório psíquico que é o mundo Terra, até que o amadurecimento espiritual os faça compreender a realidade das coisas.

No conhecimento da vida fora da matéria estão os lúcidos elementos de convicção, por meio dos quais o ser humano adquire suficiente valor para se libertar das falsas concepções que o trazem preso às douradas fantasias dos mistérios, do milagre e do sobrenatural.

OS CONHECIMENTOS SECRETOS

Já é tempo da nossa humanidade compreender que não existem conhecimentos secretos. Existem, isto sim, interesses secretos, inconfessáveis, e por causa deles a verdade tendo sido duramente sacrificada.

É lamentável que em um século de tamanho avanço tecnológico, prevaleça, ainda, arraigada em tantos espíritos, a imaginação deísta divinal, de sentido adoratório.

O espírito é uma partícula do Ser Total, que evolui por intermédio das propriedades da Força e da Energia, formando o seu corpo fluídico, e por intermédio da propriedade da Luz, formando o seu corpo de luz, que formam a sua alma. O espírito também desenvolve os seus órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, os quais são comandados pelos seus atributos individuais e relacionais. Como possuem o livre arbítrio, todos, sem exceção, estão sujeitos à mesma legislação universal, ao mesmo processo evolutivo. Não existem espíritos privilegiados, como seriam os deuses e os seus supostos filhos.

A sistemática da evolução se enquadra no regime das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, que são iguais para todos. Invariavelmente todos fazem o mesmo curso e percorrem o mesmo ciclo, onde se encontra um alto e meritório princípio de justiça.

Os que rendem culto a um deus abstrato, considerarão, ao longo de tantas encarnações quantas forem necessárias para alcançar o necessário esclarecimento, tão tolo é esse culto, quanto ridícula os civilizados agora entendem ser a imaginação, que também já alimentaram no passado, de adorar deuses representados por elementos da natureza ou animais inferiores.

Para a maioria, o seu deus é uma entidade que se presta a promover castigos, a distribuir graças e a lavrar, em caráter eterno ou temporário, condenações ou absolvições.

Grandes espíritos movidos por ideais reformadores vieram a este mundo, encarnando, com enorme sacrifício, para ver se conseguiam a desbrutalização da mente humana que se deixara empolgar pelo sentimento do gozo e dos prazeres apenas materiais.

Esses valorosos espíritos, porém, além de não haverem sido compreendidos, acabaram sendo divinizados pela massa ignara, como aconteceu como Jesus, o Cristo, Confúcio e Buda.

Concretizada a imaginação da divinização, foram criados os credos respectivos que correspondem a várias formas especuladoras de adoração, somando-se, em seguida, os adeptos de cada uma.

Assim, em um mundo-escola como este, em que se confundem almas encarnadas de várias classes, e no qual a maioria ainda vive mais para a matéria do que para os valores espirituais, não foi difícil agrupar, sob a flâmula de cada credo, incontáveis legiões de adoradores.

No Brasil, e em muitos outros países, adora-se a Jesus, o Cristo. Não há, entretanto, qualquer diferença entre tais adoradores e os outros que se voltam para Confúcio, Buda ou mesmo Maomé.

Por trás das aparências de todos eles, esconde-se a ação subserviente e bajulatória, com a qual esperam receber maiores recompensas presentes ou futuras ou o perdão para as suas faltas cometidas.

Essas atitudes constituem uma prática destrutiva de enfraquecimento do próprio caráter.

Se aos seres encarnados que sejam esclarecidos, repugnam as bajulações, os atos de subserviência e os incensos, não é difícil se imaginar o que isso produziria em espíritos desencarnados altamente evoluídos, se tais sentimentos pudessem chegar até eles.

Os fiéis podem adorar um pedação de pau talhado com feições humanas, porque o livre arbítrio não lhes nega o direito de satisfazer a sua irracional vontade adorativa.

Nenhum adorador é capaz de dissociar a ideia de adorar, da de pedir. A razão é óbvia: adorar e pedir são duas muletas iguais para uma só invalidez mental.

E, note-se: o deus, a quem são dirigidos os pedidos, é de tal maneira desavisado e vive tão alheio, tão arredio, tão indiferente aos problemas humanos, que a sua atenção para esses problemas é despertada apenas pelos apelos que recebe.

É preciso que lhe peça piedade, para que se apiede; que se lhe suplique misericórdia, para se tornar misericordioso; que se lhe implore a paz, para que pacifique; que se lhe rogue justiça, para que seja justo.

O FANATISMO CONDENÁVEL

Se todo fanatismo é condenável pelo poder que tem de obliterar a capacidade de raciocinar e impedir que o raciocínio seja exercitado, o credulário é mais nocivo ainda, porque gerando ódios e paixões, é capaz de levar os seres humanos a cometerem os atos mais desalmados e os crimes mais abomináveis.

Na história da humanidade, não existem guerras tão bárbaras, tão implacáveis, tão cruentas, tão ferozes, tão brutais, tão espantosamente perversas e desumanas quanto as credulárias.

Jamais o mundo assistiu a ações de tamanha crueldade e vandalismo como as que praticaram os cruzados, cujo ódio os levou a despedaçar indefesos e aterrorizados velhos, mulheres e crianças.

A pavorosa noite de S. Bartolomeu e as fogueiras acesas pela Inquisição para queimar vivas, depois de horrivelmente martirizadas e mutiladas, as vítimas do ódio gerado pelo fanatismo credulário no espírito dos próprios sacerdotes-inquisidores, são um exemplo bem ilustrativo dos extremos a que esse fanatismo pode levar o ser humano.

Na melhor das hipóteses, o fanatismo credulário — e ninguém, por mais que demonstre estar por ele dominado, considera-se fanático — enfraquece, aliena e reduz à impotência a vontade humana.

O homem que é, por excelência, um espírito criador, quando influenciado pela falsa ideia do milagre e da ajuda divina, à espera dos quais se detém, inerte, em lugar de se esforçar para se ajudar a si mesmo, chega, muitas e muitas vezes, ao fracasso, por não saber se utilizar de duas forças poderosas que possui e que, se devidamente exercitadas, o teriam conduzido ao triunfo.

Essas forças, que na maioria dos seres jazem ignoradas e adormecidas, chamam-se: vontade e pensamento.

Os deuses mitológicos, representados por espíritos obsessores, também fizeram milagres, na imaginação fantasista dos adoradores, e daí a autoridade e o prestígio que desfrutaram junto aos seus fiéis.

Não há diferença sensível, por isso, entre os deuses milagreiros considerados como sendo mitológicos, e os não menos milagreiros dos variados credos atuais. Estes apenas progrediram e aperfeiçoaram os métodos de adorar, que se tornaram, como já foi dito, mais finos, mais distintos, mais requintados.

OS LIVROS SAGRADOS

Os credos possuem, em regra geral, livros considerados sagrados pelos seus adeptos. Entende-se por sagrado o que é puro, o que não tem mácula, o que é perfeito e intocável. Dentro desses livros, porém, podem existir os maiores absurdos, a mais clara ofensa ao decoro e ao bom-senso, pode a verdade ser transformada em mentira, o justo em injusto, o honrado em desonrado, pode a lógica sofrer todas as agressões e violências, que nenhuma crítica é admitida.

Lendo tais coisas e observando tantos disparates, o leitor pode estarrecer, mas não tem o direito de falar e, muito menos, de analisar. Na Bíblia, todos o sabem, foram alterados diversos textos originais, com o fim de favorecer a uma vantajoso sistema capaz de propiciar fundos suficientes para o sustento das legiões o mantêm.

Somente a palavra perdão, habilmente introduzida naquele livro, tem proporcionado imensa, incalculável renda.

Durante muitos séculos, os credos propugnaram pela ignorância dos seres humanos. Essa ignorância convinha aos interesses dos orientadores credulários. Isto porque ricos e ignorantes sempre viveram ás mil maravilhas com as seitas credulárias que introduziram na Bíblia este versículo repleto de malícia: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

A OBSESSÃO CREDULÁRIA

A obsessão credulária tem as suas fontes, as suas origens na infância dos seres humanos, quando eles começam a se sentir deslumbrados diante dos quadros que lhes pintam do céu, do inferno, do purgatório, nas figuras do pai celestial e da coorte de anjos, que não passam de espíritos obsessores, segundo as suas hierarquias.

O que mais os impressiona, sobretudo, são as narrativas dos milagres, das recompensas e dos castigos divinos.

Não é preciso possuir muita imaginação para compreender o que essas fantasias representam no delicado período de formação da personalidade e do caráter do ser humano, e de como elas contribuem para lhe embotar o raciocínio e dificultar ou tornar impossível a sua expansão no amplo terreno da espiritualidade.

Dentre os mais graves erros dos credos, ocupa lugar de destacado relevo o perdão para as faltas praticadas e, até mesmo, para os crimes cometidos por seus adeptos.

A absolvição dos pecados satisfaz ao rebanho, produzindo grande alívio na consciência deste. A alma fica supostamente livre da culpa. Com essa impunidade que a absolvição lhe assegura, não hesita em cometer novas faltas, novos erros, novos crimes, dos quais sabe que receberá a absolvição quando lhe for dada a extrema-unção, no momento final.

Resgatam-se as dívidas morais com as confissões, como as mercantis com o dinheiro. E o bom pagador tem sempre aberto o crédito para novas operações.

É comum se atribuir a um certo deus, cujos desígnios afirmam ser impenetráveis, a responsabilidade de grande parte das coisas que acontecem na Terra.

Desta maneira, se desencarna uma pessoa da família, foi esse deus quem a levou. Se acontece um desastre, esse deus assim o quis. Se alguém escapa de ficar sob as rodas de um automóvel, a esse deus passa a ser creditado o salvamento da quase vítima.

A individualidade fica sempre subordinada à ação de uma terceira entidade, e essa subordinação exerce esmagadora influência negativa sobre o espírito humano.

Por aí se vê quanto os credos são incapazes de transmitir aos seus adeptos a verdadeira noção da vida espiritual, pela completa ignorância em que se mantêm com relação à existência da vida fora da matéria.

POR QUE NEGAR A REENCARNAÇÃO?

Por que os credos ocidentais tanto se empenham, tanto se esforçam, tanto se obstinam em negar a reencarnação? Por que tão intransigentemente a combatem, a despeito das gritantes e insuspeitas provas da sua existência real? Por que persistem no desconhecimento de tantos e tantos fatos que exaustivamente a comprovam, de que está cheia a história da humanidade?

A resposta é fácil: reencarnação e salvação são ideias que se atritam, que se agridem, que se chocam, porque antagônicas e irredutivelmente inconciliáveis.

Ora, no conceito de salvação — intimamente ligado aos favores do perdão — está precisamente a base em que se apoiam esses credos.

Se as organizações credulárias revelassem a verdade aos seus adeptos no tocante à fantasia dos perdões, da salvação eterna, da mansão celestial, do divino pai, do inferno, do demônio, do purgatório e de tantas outras invencionices, nenhuma delas se manteria de pé.

Desapareceriam as fontes de renda representada pela indústria dos santos de madeira e de barro, das relíquias, dos dízimos do “senhor”, das esmolas para os “santos”, das rezas e de muitas outras práticas artificiosas.

Quando o indivíduo se convencer de que se praticar o mal terá, inapelavelmente, de resgatá-lo, sem possibilidade de perdão; que em uma encarnação se prepara para a encarnação seguinte; que esta será mais ou menos penosa consoante o uso que tenha feito do seu livre arbítrio, na prática do bem ou do mal; que as ações boas revertem em seu benefício e as más em seu prejuízo; que não pode contar com o auxílio de ninguém para libertá-lo das consequências das faltas que cometer e que terá de resgatar com ações elevadas — qualquer que seja o número de encarnações para isso necessárias —, por certo pensará mais detidamente, antes de praticar um ato indigno.

Os que sabem avaliar o peso da responsabilidade que arrastam com os próprios atos, fazem todo o possível para se firmar nos ensinamentos reais que transmitem o conhecimento da verdade, rompendo com as entorpecentes mentiras credulárias.

DESPERTAR PARA A REALIDADE

O Racionalismo Cristão — sem outra ideia, outro intuito, outro interesse que não seja o de fazer a nossa humanidade despertar para a realidade da vida — propõe-se a lhe revelar os esclarecimentos de que ela necessita para sair da obscuridade espiritual em que ainda se encontra, tão danosa, tão prejudicial à sua evolução.

Por não ser credo, mas escola espiritualizadora, não possui esta doutrina deuses nem adoradores.

Almas libertas da escravidão sectária, os estudiosos do Racionalismo Cristão aprenderam a confiar em si mesmos, na sua capacidade espiritual e no poder da vontade para lutar e vencer.

Não são, por isso, adoradores, nem pedinchões, nem lamuriosos, nem farrapos mentais. Todos sabem que são grandes os obstáculos que surgem, a cada passo, no caminho da vida, mas que os poderão vencer com os próprios recursos morais do que dispõem.

Em toda esta obra se ensina que o espírito é uma minúscula fração da Inteligência Universal evoluindo. Nela também se demonstra ser o Universo constituído das propriedades da Força e da Energia, formadoras das estrelas, que fornecem as coordenadas universais, onde gravitam os mundos ao seu redor.

A Inteligência Universal é apresentada nesta obra sob uma denominação comum: Deus; formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades, em que a Essência é o Ser Total, e as propriedades são a Força, a Energia e a Luz.

A propriedade da Força, que contém o espaço e outros, é associada à propriedade da Energia, que contém o tempo e outros, e a propriedade da Luz penetra todo o Universo, por isso a doutrina racionalista cristã chama a Inteligência Universal de Grande Foco.

A doutrina racionalista cristã procura por todos os meios evitar a mais ligeira afinidade com o vocábulo “Deus”, já tão desmoralizado pelo sentido mesquinho e materialista que lhe emprestam os adoradores de todos os credos.

Em primeiro lugar, deve-se justificar a utilização da palavra Deus para designar a existência do nosso Criador, da Inteligência Universal, da Coisa Total, do Todo, pois que ainda é o termo mais apropriado, apesar da utilização de várias outras palavras. Referindo-se diretamente à palavra Deus, Renan vem afirmar o seguinte:

Caso abandonássemos a palavra Deus, seria destruir todos os hábitos da linguagem, que empregada nas belas poesias e consagrada pelos respeitos da humanidade, tem por si uma longa prescrição. Dizei aos simples de viver de aspirações à verdade moral, e estas palavras não terão para eles nenhum sentido. Dizei-lhes de amar a Deus, de não Lo ofender, e eles vos compreenderão, perfeitamente. Deus, providência, imortalidade, são velhas, mas boas palavras, um pouco pesadas talvez, QUE A FILOSOFIA A INTERPRETARÁ EM SENTIDOS DE MAIS A MAIS SUTIS, mas que não poderá substituir com vantagens (grifo e realce meus)”.

E aqui, conforme foi previsto acertadamente por Renan, a Saperologia, com base na razão, portanto, com base na Ratiologia, tendo a verdade como sendo a sua legítima e autêntica fonte, vem interpretar acertadamente a Deus como sendo o nosso Criador, a Inteligência Universal, a Coisa Total, o Todo, formado de Substâncias. Já vimos anteriormente que a substância, de um modo geral, pode ser definida como sendo tudo aquilo que subsiste por si mesmo, independentemente de todo e qualquer acidente determinado. Então eu posso reafirmar que o Ser Total é a Essência, e que a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Propriedades, as quais formam as Substâncias de Deus, e todas elas são infinitas, daí não caber a ideia da prática de qualquer ação por parte de Deus, uma vez que Ele só age indiretamente, por intermédio das suas partículas, que somos nós, os seres, ou as suas criaturas, principalmente quando se encontram no âmbito da espiritualidade.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Era da Verdade

13.03- O Antecristo

Eu, Marcos Valente Serra, cognome Pamam, encarnei na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, em quatro de março de 1953. Estudei no Colégio Cearense, dos irmãos maristas,...

Leia mais »
Prolegômenos

01- AVISO

Se você realmente vai se dispor a ler o que aqui está escrito, recomendo a não se espantar e muito menos se admirar sobre tudo aquilo que aqui irá...

Leia mais »
Prolegômenos

02- INTRODUÇÃO

Eu vou desenvolver a esta explanação acerca de A Filosofia da Administração, utilizando-me logo de um método: o da repetição. Não se deve radicalizar severa e abruptamente contra a...

Leia mais »
Romae