12.12- A lógica

Prolegômenos
16 de junho de 2018 Pamam

Às vezes se torna necessário que antes nós venhamos a discorrer sobre tudo aquilo que os estudiosos entendem a respeito de um determinado assunto, para que somente depois venhamos a discorrer a respeito desse determinado assunto. Outras vezes se faz necessário que antes nós venhamos a expor o entendimento correto acerca de outro determinado assunto, para que somente depois venhamos a expor o entendimento dos estudiosos acerca desse assunto. No caso da lógica, nós vamos antes expor o seu entendimento correto, para somente depois então expor o entendimento dos estudiosos acerca do assunto.

Antes de mais nada, nós devemos partir do seguinte princípio: a lógica é a arte de raciocinar com acerto. Então a lógica se liga diretamente ao raciocínio, como não poderia ser diferente. Ora, em todas as atividades humanas o raciocínio é sempre requisitado, em decorrência, a lógica sempre tem que se fazer presente em toda e qualquer atividade humana. A conclusão óbvia a que se chega é que a lógica deve ser aplicada com base na verdade, com a utilização do criptoscópio, tendo como escopo o sentimento, e com base na sabedoria, com a utilização do intelecto, tendo como escopo o pensamento, então ela faz parte integrante da razão, pois que diz respeito diretamente à consciência, que coordena o criptoscópio e o intelecto, assim como o sentimento e o pensamento, com vistas à amizade e ao amor espirituais.

Para se formar um conceito de uma palavra, há que se considerar, em primeiro plano, as faculdades criptoscópica e intelectiva do ser humano, que revelam a sua capacidade cognoscitiva, através do seu sentimento e do seu pensamento, que faz vir a luz na percepção e na compreensão humanas acerca dessa palavra a ser conceituada, para que assim nós possamos apreender uma noção precisa ao seu respeito, que deve se referir diretamente à concepção, que possibilita a formulação de uma ideia, que por sua vez associa esta palavra com outras. Em sendo assim, o conceito verdadeiramente correto de uma palavra não deve se referir diretamente à imaginação, que sendo representada por imagens, possibilita apenas a sua representação, que por sua vez combina esta palavra com outras, formando outras imagens, que são sempre distorcidas. Jamais a imaginação pode revelar de modo preciso a realidade da vida, que se revela através dos sentidos reais das palavras que são transmitidas.

A lógica, pois, pode ser conceituada como sendo o estudo dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, de onde emanam os poderes, com base nos atributos individuais superiores, e as leis espaciais, em que se faz valer o criptoscópio; e das suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, de onde emanam as ações, com base nos atributos relacionais positivos, e os princípios temporais, em que se faz valer o intelecto; para que todas as atividades humanas possam se situar estritamente no âmbito da razão, de onde emana o Saber, por excelência, com base na educação, e os preceitos universais, em que faz valer plenamente a consciência, com vistas à amizade espiritual, que faz emergir a solidariedade fraternal, que estando consolidada faz surgir o amor espiritual.

Nós já vimos anteriormente os métodos da dedução, da indução e da inferência em seus tópicos específicos, em que o raciocínio se faz valer através desses métodos, ficando claramente demonstrado que os seres humanos ainda não conseguiram formar uma ideia precisa acerca desses métodos. Vamos, pois, recapitular a esses três métodos:

O MÉTODO DA DEDUÇÃO

  • Somente com a devida racionalidade lógica universal, alguém pode conseguir afirmar que a dedução é um método por intermédio do qual os veritólogos e os religiosos adquirem a arte de deduzir, como se eles estivessem somando ou adicionando uma verdade da outra, mas que, na realidade, não estão, já que estão apenas se inspirando em um ou mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade para que dele ou deles possam deduzir outro ou outros conhecimentos metafísicos acerca da verdade, uma vez que a verdade é una, absoluta, ontológica, imutável, representando assim um todo universal que se situa no Espaço Superior, em cada uma das coordenadas do Universo, sendo, portanto, incriável, por isso a verdade diz respeito diretamente a todos os espíritos, devendo todos considerá-la sob um único prisma, sem qualquer dispersão, portanto, de uma única maneira, o que implica em dizer que a verdade é comum a todos, com todos a percebendo de uma única maneira, sem qualquer diversidade ou entendimento contraditório.

O MÉTODO DA INDUÇÃO

  • Somente com a devida racionalidade lógica universal, alguém pode conseguir afirmar que a indução é um método por intermédio do qual os saperólogos e os cientistas adquirem a arte de induzir, como se eles estivessem somando ou adicionando uma sabedoria da outra, mas que, na realidade, não estão, já que estão apenas se inspirando em uma ou mais experiências físicas acerca da sabedoria para que dela ou delas possam induzir outra ou outras experiências físicas acerca da sabedoria, uma vez que a sabedoria é diversa, relativa, empírica, mutável, que tende para a perfeição, representando assim uma criação que corresponde aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e que se situa no Tempo Futuro, em cada uma das coordenadas do Universo, sendo, portanto, criável, por isso ela geralmente não é comum a todos os espíritos, mas partindo das coordenadas mais distantes do Universo, todos devem se esforçar por considerá-la sob este prisma, sem maiores dispersões, portanto, desta única maneira, o que implica em dizer que assim posta ela deve ser comum a todos, com todos se esforçando por compreendê-la de uma única maneira, com o mínimo de diversidade ou contradição.

O MÉTODO DA INFERÊNCIA

  • Somente com a devida racionalidade lógica universal, alguém pode conseguir afirmar que a inferência é um método que nos dá o rumo, o caminho, o Norte, para que possamos chegar a uma finalidade aspirada de um ponto de partida a outro ponto de chegada almejado, em que de posse dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, das causas e dos seus correspondentes efeitos, das leis e dos seus correspondentes princípios, do absoluto e do relativo, do poder e da ação, cujas consequências são ampla e devidamente demonstradas com lógica e racionalidade pela razão, traçamos o nosso caminho a ser percorrido desde o ponto de partida ao outro ponto de chegada almejado.

Assim como existem os métodos da dedução, da indução e da inferência, em toda e qualquer atividade humana há que se empregar um método adequado com base na racionalidade lógica universal. No entanto, praticamente todos os seres humanos são ignorantes, pois que se deixam levar pela ilusão da matéria ou pelo devaneio do sobrenatural. Assim, imaginando a tudo isso, eles jamais poderiam raciocinar com lógica, caso os tempos não fossem chegados para que o Racionalismo Cristão viesse a desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, pondo os seres humanos de frente com a realidade da vida, que é universal.

Para Aristóteles, que era uma autêntico pensador, a lógica não é ciência, mas sim um meio — podendo esse meio ser entendido como sendo uma arte — para o modo correto de raciocinar. Tanto que, para ele, o objeto da lógica é o silogismo, que é uma das formas de raciocinar, mais comumente utilizadas por intermédio dos métodos da dedução e da indução. Note-se que o grande saperólogo sempre buscou as causas para tudo, pois que era ciente de que apenas os efeitos não se tornavam plenamente lógicos.

Já Platão, sendo a encarnação anterior à encarnação de Jesus, o Cristo, o seu evoluidíssimo espírito buscava sempre a razão. E como que concebendo que a nossa humanidade ainda se encontrava na fase da imaginação, era ciente que o mundo posto não era o verdadeiro, sendo apenas imaginário, pois para ele a realidade não podia se encontrar naquilo que se podia ver, ouvir e apalpar. Ele era convicto acerca da existência da verdade, e tanto isto procede que ele dizia que ela não se modifica nunca, que é permanente, eterna, embora não tenha procurado percebê-la e captá-la do Espaço Superior, como que estando ciente de que os conhecimentos metafísicos a ela inerentes estavam sendo aguardados para a Grande Era que iria se seguir à Era da Sabedoria, com a fundação do Racionalismo Cristão.

Para o notável saperólogo, com características de ratiólogo, existem dois mundos:

  1. O mundo que podemos perceber através dos sentidos, este é o mundo imaginário, irreal;
  2. O mundo que podemos conceber através das ideias, onde tudo tende à perfeição e a imutabilidade, este é o mundo concebido, real.

E que somente o pensamento positivo, o verdadeiro, pode nos fazer conceber o mundo real. E aqui Platão nos faz ver que a lógica não se torna possível através dos sentidos — que ressalta a imaginação, como são os casos das ciências, que apenas empregam os sentidos, imaginando a tudo, desprezando-se aqui o devaneio do sobrenatural, que não possui a mínima racionalidade —, mas apenas através da concepção, por se se formulam as ideias.

Foi justamente por isso que o próprio Platão criou a Alegoria da Caverna, fazendo uma analogia entre os seres humanos que se encontram cativos do ambiente terreno, com um grupo de cativos que se encontram no interior de uma caverna escura, podendo olhar apenas para a parede do fundo, estando esses cativos acorrentados de costas para a entrada da caverna, ou para a sua saída, que podemos considerar como sendo o Espaço Superior, que é o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e o Tempo Futuro, que é o campo das experiências físicas acerca da sabedoria, sendo, portanto, o Universo, onde se encontra o Saber, por excelência. Nessa Alegoria da Caverna, a luz de uma fogueira, que podemos considerar como sendo as luzes estelares, que fornecem as coordenadas universais, projeta nessa parede as sombras de tudo o que existe lá fora, cujas sombras os cativos consideram como sendo a realidade, pois que nunca viram a luz, em outras palavras, os cativos nunca romperam a atmosfera terrena em busca da verdade, da sabedoria e da razão. Em resumo: nunca transcenderam a este mundo.

Assim, para Platão, a vida dos seres humanos é tal qual a vida dos cativos da caverna escura. Eles veem as coisas, os fatos e os fenômenos universais, mas procuram enxergá-los apenas através dos sentidos, julgando que sejam reais, porém não passam de sombras, de ilusão. A verdade, a sabedoria e a razão se encontram fora do ambiente cavernoso, podendo ser concebidas somente no universo das ideias. Em sendo assim, não se deve confiar naquilo que os olhos e os ouvidos nos apontam, ou seja, não podemos confiar naquilo que o nosso corpo nos aponta, pois que o nosso corpo é como se fosse um túmulo que aprisiona a nossa alma, sendo um obstáculo ao nosso pensamento. E mais: são os apelos do corpo que nos levam às paixões descontroladas e nos afastam da verdade.

Como se pode claramente compreender, é o próprio Platão quem vem afirmar que a lógica ainda não se fez valer neste mundo, pois que ele faz a distinção entre o mundo dos sentidos e o universo das ideias, afirmando que tudo aquilo que os seres humanos veem ao seu redor são cópias malfeitas das ideias, as quais tendem para a perfeição e a eternidade. Em relação a esta realidade, os próprios estudiosos chegam a concluir que é como se a natureza e as pessoas fossem cópias de modelos que somente existem no universo das ideias, e que assim Platão tinha a pretensão de distinguir o verdadeiro do falso, o semelhante do diferente, a essência da mera aparência, em que esta não pode retratar a realidade universal.

É certo que existem determinados procedimentos que os seres humanos consideram como sendo lógicos, mas sem que realmente o sejam. Isto ocorre para que assim eles possam pautar as suas vidas com base em alguma racionalidade, mesmo com todos se encontrando na fase da imaginação, pois que no âmbito restrito da imaginação, esses procedimentos podem ser considerados como sendo lógicos, mas que, no âmbito universal, eles passam a se tornar ilógicos, uma vez que a imaginação não ultrapassa ao ambiente terreno.

Encontrando-se na fase da imaginação, os seres humanos não conseguem de modo algum raciocinar com base na lógica. E isto se explica em razão deles sequer saberem o que seja a lógica, na realidade. E a prova disso nós vamos encontrar nos compêndios filológicos que tratam acerca do significado das palavras. Senão vejamos:

CALDAS AULETE

  • Lógica: s. f. a parte da filosofia que estuda as leis do pensamento e que expõe as regras que se devem observar na invenção e exposição da verdade. // O livro, compêndio ou tratado que ensina esta ciência. // A aula onde se professa esta disciplina. // Raciocínio encadeado; ligação nas ideias; coerência entre os princípios e as conclusões. (Pop.) Palavreado, artimanhas para enganar; lábia. // F. lat. Logica, gr. Logike.

AURÉLIO

  • Lógica: [Do gr. logiké, pelo latim logica.] S. f. Filos. Na tradição clássica, aristotélico-tomista, conjunto de estudos que visam a determinar os processos intelectuais que são condição geral do conhecimento verdadeiro. [Distinguem-se a lógica formal e a lógica material.] 2. Filos. Conjunto de estudos tendentes a expressar em linguagem matemática as estruturas e operações do pensamento, deduzindo-as de número reduzido de axiomas, com a intenção de criar uma linguagem rigorosa, adequada ao pensamento científico tal como o concebe a tradição empírico-positivista; lógica simbólica. 3. Filos. Conjunto de estudos, originados no hegelianismo, que tem por fim determinar categorias racionais válidas para a apreensão da realidade concebida como uma totalidade em permanente transformação; lógica dialética. [São categorias dessa lógica a contradição, a totalidade, a ação recíproca, a síntese, etc.] 4. Tratado ou compêndio de lógica. 5. Exemplar de um desses tratados ou compêndios. 6. Coerência de raciocínio, de ideias. 7. Maneira de raciocinar particular a um indivíduo ou a um grupo; a lógica da criança; a lógica do primitivo; a lógica do louco. 8. Fig. Sequência coerente regular e necessária de acontecimentos, de coisas.

A lógica não varia, sendo uma só, devendo ser utilizada em toda e qualquer atividade humana, que são as mais variadas possíveis, pois que ela se liga diretamente ao raciocínio. Em sendo assim, o raciocínio é lógico quando é condizente com uma atividade humana que seja racional, que por sua vez não depende de tipos de lógicas, que não existem, como dito. Existem sim, diversos tipos de métodos que devem ser empregados nas atividades humanas, mas com todos esses métodos tendo por base a lógica.

Os estudiosos não se ocupam com a lógica em si, pois que eles ainda se encontram na fase da imaginação, então eles não sabem o que seja realmente a lógica. E assim, estando emaranhados em suas representações imaginativas, ao invés de aplicarem a lógica em conformidade com as atividades humanas, eles invertem os papéis, passando a descrever diversos tipos de lógica em conformidade com as atividades humanas. Senão vejamos alguns tipos de lógica que se encontram postos na Wikipédia:

LÓGICA FORMAL

A lógica formal, também denominada de lógica simbólica, preocupa-se basicamente com a estrutura do raciocínio. Ela lida com a relação entre os conceitos, fornecendo um meio para compor provas de declarações, cujos conceitos são rigorosamente definidos, em que as orações são transformadas em notações simbólicas precisas, compactas e não ambíguas, com as letras minúsculas p, q e r, em fonte itálica, sendo convencionalmente utilizadas para denotar proposições. Exemplo:

p : 1 + 2 = 3

Esta declaração define que p é 1 + 2 = 3, e que isso é verdadeiro.

Duas ou mais proposições podem ser combinadas por meio dos denominados operadores lógicos binários — assim, tais como os operadores aritméticos representam uma classe sobre variáveis ou elementos predefinidos —, formando conjunções, disjunções ou condicionais. Essas proposições combinadas são denominadas de proposições compostas. Exemplo:

p: 1 + 1 = 2 e

Neste caso, o e é uma conjunção. As duas proposições podem diferir totalmente uma da outra.

Na Matemática e na ciência da computação, pode ser necessário enunciar uma proposição, dependendo das variáveis.

p: n é um inteiro ímpar.

Essa proposição pode ser verdadeira ou falsa, dependendo do valor assumido pela variável n.

Um fórmula com variáveis livres é denominada de função proposicional com domínio de discurso D. Para formar uma proposição, devem ser utilizados quantificadores. “Para todo n”, ou “para algum n”, podem ser especificados por quantificadores, o quantificador universal ou quantificador existencial, respectivamente. Exemplo:

Para todo n em D, P (n).

Isto pode ser escrito da seguinte maneira:

Para todo n elemento de D, P  (n)

Quando existem algumas variáveis livres, a situação padrão na análise matemática, desde Karl Weierstrass, um matemático alemão, as quantificações para todos… então existe ou então não existe… isto para todos, e analogias mais complexas podem ser expressadas.

  • Como se vê, essa lógica formal tem a sua estrutura no raciocínio, assim como todas as lógicas propostas pelos estudiosos, então ela não pode ser considerada como sendo um tipo de lógica, pois que a lógica é uma só, devendo, pois, ser considerada como sendo uma forma racional de se raciocinar, mais propriamente através de um método de raciocínio, que se aplica a uma atividade humana.

LÓGICA MATERIAL

Trata-se da aplicação das operações do pensamento, em conformidade com a matéria ou a natureza do objeto a se conhecer. Neste caso, a lógica é a própria metodologia de cada ciência. Portanto, é somente no campo da lógica material que se pode falar da verdade, em que o argumento é válido quando as premissas são verdadeiras e se relacionam adequadamente com a conclusão.

  • Essa lógica material proposta pelos estudiosos é totalmente incongruente, em nada se relacionando com a lógica em si. Logo de início, deve-se fazer a sua devida correção, pois que as operações são postas pelo raciocínio, que tanto pode se revelar através do criptoscópio, pelos sentimentos, do intelecto, pelos pensamentos, e pela consciência, que coordena aos outros dois órgãos mentais. Logo após, vem o despropósito, pois que não se conhece através do pensamento, em que o intelecto é o órgão mental da compreensão e da criação, portanto, da experiência, e o conhecimento não se cria, já que ele diz respeito à verdade, conhece-se sim, através do sentimento, em que o criptoscópio é o órgão mental da percepção e da captação, portanto, do conhecimento. Em seguida, os estudiosos passam a confundir a lógica com a metodologia empregada por cada ciência, quando, na realidade, cada método tem que ser utilizado com base na lógica, para que assim se possa alcançar a uma determinada finalidade. Por fim, os estudiosos afirmam que é no campo da lógica material que se pode falar da verdade, ignorando que os conhecimentos acerca da verdade são metafísicos, para logo depois falarem do argumento, tratando das premissas, em que aqui a lógica se deve fazer valer através dos métodos da dedução e da indução.

LÓGICA MATEMÁTICA

A lógica matemática é a utilização da lógica formal para se estudar o raciocínio matemático, ou, como propõe Alonzo Chuch, “a lógica tratada pelo método matemático”. No início do século XX, lógicos e saperólogos tentaram provar que a Matemática, ou parte da Matemática, poderia ser reduzida à lógica, como são exemplos Gottlob Frege, que tentou reduzir a aritmética à lógica, Bertrand Russell e A. N. Whitehead, que tentaram reduzir toda a Matemática então conhecida à lógica, que passou a ser denominada de lógica de segunda ordem. Um das doutrinas lógico-semânticas era que a descoberta da forma lógica de uma frase, na verdade, revela a forma adequada de dizê-la, ou revela alguma essência previamente escondida. Há um certo consenso que a redução falhou, ou mesmo que precisaria de ajustes, assim como há um certo consenso que a lógica, ou alguma lógica, é uma maneira precisa de representar o raciocínio matemático, cuja ciência tem por objeto o estudo dos métodos e princípios que permitem distinguir os raciocínios válidos de outros não válidos.

  • Em primeiro lugar, descarta-se de logo a utilização da lógica formal, pois que esta não existe, uma vez que a lógica é uma só, seja em que atividade humana ela for aplicada, pois que ela sempre será a lógica em si. Desta maneira, utiliza-se simplesmente a lógica para se estudar o raciocínio matemático, ou mesmo para se estudar a qualquer outra parcela do Saber, sempre se utilizando de um método matemático, como propõe Alonzo Chuch. No entanto, nada se reduz à lógica, pois que a lógica não absorve para si nenhuma parcela do Saber, ou mesmo alguma atividade humana, pois que ela é utilizada para estruturar as parcelas do Saber e as atividades humanas, por intermédio do raciocínio, daí a razão pela qual essa tentativa de redução falhou, havendo um certo consenso de que a lógica representa o raciocínio matemático, devendo-se acrescentar, não somente o raciocínio matemático, mas o raciocínio em si, seja ela representado pelo método silogístico ou sinóptico. É por isso que existem os raciocínios válidos, aqueles que são constituídos de lógica, e os raciocínios inválidos, aqueles que são destituídos de lógica.

Os estudiosos consideram também outros tipos de lógica, como a lógica de predicados, a lógica de vários valores e a lógica aplicada a computadores. E ainda não satisfeitos com tantos tipos de lógica, eles passam a dividi-la em duas categorias com várias subcategorias, quais sejam:

  • Complementares da lógica clássica:
    • Lógica modal;
    • Lógica epistêmica;
    • Lógica deôntica;
    • Lógica temporal.
  • Lógicas anticlássicas:
    • Lógica paraconsistente;
    • Lógica paracompleta;
    • Lógica difusa.

Na realidade, a lógica, que é uma em si, somente pode ser aplicada ao raciocínio que se encontra voltado para os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as suas correspondestes experiências físicas acerca da sabedoria, fazendo trabalhar os três órgãos mentais e os atributos individuais superiores, que formam a moral, e os atributos relacionais positivos, que formam a ética, tornando o ser humano verdadeiramente educado. É na verdadeira educação, pois, que nós podemos encontrar a autêntica lógica.

 

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