12.11- A leitura

Prolegômenos
14 de junho de 2018 Pamam

Todos sabem que a leitura é a ação de ler, mas todos deveriam ser sabedores também de que da leitura se obtém forçosamente um resultado para a alma do ser humano, cujo efeito tanto pode ser destrutivo, que o é na maioria dos casos, como instrutivo, que o é na minoria dos casos, falando-se em termos literários. Mas a leitura de obras científicas é bastante salutar, embora todas as ciências estejam esteadas na ilusão da matéria, assim como a leitura das obras técnicas e didáticas, sendo que a leitura das doutrinas dos credos e dos seus livros ditos sagrados são nocivos para quem acredita em todas as baboseiras neles contidos.

O efeito destrutivo é decorrente das leituras nocivas no âmbito literário, em que os autores das obras postas em livros que estão sendo lidos, primam por realçar o feio que existe neste mundo, assim como também em suas próprias almas, e que formam o ambiente terreno, estando eles previamente cientes de que tudo isso faz as maravilhas dos seres vulgares, que então passam a sonhar em participar da vida irreal em consonância com aquilo que iludidamente leem, imaginando serem os protagonistas de tudo aquilo que lhes vêm aos olhos, sem saberem que tudo aquilo que pertence a este mundo, neste mundo fica, e aquilo que de útil levamos para os nossos Mundos de Luz são apenas as boas obras que praticamos, que irão compor o nosso acervo espiritual, seja desenvolvendo o nosso corpo mental, seja adquirindo ou estendendo os nossos atributos superiores e positivos.

E assim, os maus escritores vão passando para os seus incautos leitores uma vida repleta de riquezas, em que nessas vidas mal vividas se destacam o luxo desmedido e desenfreado, as mansões nababescas, as maquinações intrigantes em busca de mais poderes e riquezas, o abatimento maquiavélico dos competidores, em que se revelam os golpes financeiros e empresariais, as espionagens industriais, as concorrências desleais, as traições, as intrigas, os desentendimentos, os conflitos de todas as naturezas, a soberbia, as conquistas amorosas e as seduções que descambam no sexo desregrado, os assassinatos, os crimes de toda a espécie, e tudo mais que é totalmente avesso à moral e à ética, portanto, aos bons costumes, como se esses canalhas e patifes que protagonizam essas obras malévolas fossem especiais e detentores de uma inteligência privilegiada, quando não passam de personagens inventados por esses autores de araque, de qualidades inferioríssimas, portanto, sem qualquer relevo digno de nota, pois que os gozos puramente materiais, quando desregrados e sem compostura, são nocivos à evolução do espírito, por serem bestiais.

Certa vez eu indaguei da minha odontóloga o seguinte:

— Doutora, na sua perspectiva, quais seriam os homens que deveriam figurar como sendo os grandes vultos da história do Brasil?

Ela alteou um pouco a cabeça, arqueou o sobrolho um tanto quanto pensativa, e, um pouco indecisa, respondeu em forma de indagação:

— Jorge Amado?

Tendo ficado mais ou menos perplexo com a sua resposta indagativa, sem acreditar naquilo que estava ouvindo, imediatamente eu retruquei também indagativamente, tentando confirmar aquilo que estava a ouvir, na vã esperança de que não estivesse ouvido aquilo que realmente ouvi da sua própria boca:

— Jorge Amado, doutora?

— Sim, Jorge Amado, o senhor não acha não?

Eu sorri, sem dizer a ela que eu “não acho”, pois aquilo que eu sei, afirmo, e aquilo que eu não sei sobre um determinado assunto, quando muito, apenas formulo hipóteses, raramente, nas ocasiões em que pretendo transmitir alguma ideia acerca de algo situado além do campo da minha visão, caso seja realmente necessário. E assim, sem também efetuar qualquer comentário a respeito do autor, para não ferir a sua susceptibilidade, portanto, para desta maneira não criar qualquer antagonismo da parte dela em relação a mim, apenas carinhosamente lhe disse:

— Bem, cada qual tem o direito de expressar a sua própria opinião a respeito de quem tem e de quem não tem realmente valor.

Eu sei perfeitamente que a maioria dos brasileiros tem uma grande admiração por Jorge Amado, inclusive muitos estrangeiros que leram as suas obras, o que confirma plenamente a minha afirmativa da imensa ignorância que medra no seio da minha nação e por todo o orbe terrestre, assim como também da existência dos seres vulgares, que não dão o mínimo trato ao raciocínio, e pouco ligam para a decência. Que se revoltem, pois, que me critiquem naquilo que quiserem, já que todos têm acesso ao “jus esperneamento”, como dizem os causíticos, e até a se revirarem no chão feito crianças inconformadas, uma vez que sou acostumado com tudo isso, e não ligo para as baboseiras, sem dar a mínima para aquilo que não tem procedência. Mas acontece que eu, por minha vez, tenho o direito pleno de expressar como queira os meus próprios pensamentos, direito este posto até na nossa Constituição, então não existe motivo para mais delongas sobre aquilo que penso, uma vez que não sou insincero como o é a maioria dos meus compatriotas e os demais seres humanos, que ainda vivem na fase da imaginação.

A verdade é que a espiritualidade merece respeito, e muito respeito, por parte de todos os seres humanos, principalmente por parte daquele que está a escrever uma obra que se refere diretamente a ela, como é o caso de Jorge Amado. Esse mau escritor, nocivo à coletividade, em sua obra de péssimo gosto, intitulada de Dona Flor e os Seus Dois Maridos, em que o próprio título já revela plenamente esse seu péssimo gosto, leva para o âmbito da espiritualidade toda a sua indecência e depravação, comprovando que não passa de um tremendo ignorante, de um ignorante de marca maior, como se diz popularmente.

Na leitura dessa sua malsinada obra, fica posto claramente quando o primeiro marido da protagonista da obra, chamado de Vadinho, põe-se a bulir descaradamente com as alunas de arte culinária da sua própria mulher, dentro do seu próprio lar, sem que haja qualquer represália para a sua correção. E, após algum tempo da sua desencarnação, depois que a sua ex-mulher volta a contrair matrimônio, ele retorna ao seu convívio, materializando-se, como se isso fosse possível, mantendo relações sexuais com ela, que assim passa a trair ao verdadeiro marido, passando a conviver com ambos, sexualmente falando.

Todo o enredo dessa historieta de meia tigela, que é própria de quem tem uma mente sensualíssima e distorcida, é baseada unicamente em sexo, traição e macumba, quando todos sabem que esse ritual lida somente com os espíritos quedados no astral inferior, com todos os chefes de terreiro sendo ainda mais falsos e enganadores do que os próprios sacerdotes, além de mais perversos, com a diferença que o seu âmbito é restrito, sem tanta amplitude — o que também a isso eu fui constatar in loco, pessoalmente, pois que praticamente a tudo eu fui comprovar experimentalmente —, com todo esse enredo ocorrendo, vejam só, no âmbito da espiritualidade, da sublime espiritualidade, da qual todos nós, seres humanos, fazemos parte integrante, já que somos todos espíritos. E dizer que esse escritor de meia pataca ainda foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Mas foi tão grande o sucesso alcançado por esse escritor, que sempre quando a sua mulher dava entrevista em alguma emissora de televisão, exalava vaidade por todos os poros, o que até me fazia rir com certo divertimento, já que encarnei na terra mais moleque de todo o mundo, o meu querido Ceará, como se ela tivesse absorvido por uma espécie de osmose algum possível talento do desastrado marido, pelo que resolveu também a escrever, mas que nunca li qualquer uma das suas obras, pelo fato da fonte não ser recomendável, embora eu tenha lido de tudo, até certa idade, quando então passei a ser seletivo, na tentativa de observar os grandes vultos desta nossa civilização, para que assim pudesse realmente saber que tem e quem não tem valor neste mundo de meu Deus, do verdadeiro, jamais do deus bíblico e outros, que, na realidade, foram simplesmente inventados, por isso não existem como deuses, como sim como espíritos inferiores.

Há alguns anos trás, em um programa de televisão especializado em criticar a música popular brasileira, em que o apresentador era o Flávio Cavalcante, muito famoso na época, um autor foi ao programa mostrar a sua música que estava a fazer um imenso sucesso nas rádios de todo o país. Os jurados, então, fizeram severas críticas à música, que, na realidade, não era tão ruim assim para tanta severidade e dureza críticas. O autor ficou bastante indignado e deveras revoltado com tantas palavras depreciadoras da música de sua autoria, por isso, ao final da sua apresentação, em represália às críticas injustas recebidas, apossou-se do microfone e bradou em voz alta e altiva para os jurados: “A crítica é de vocês, mas o sucesso é meu!”. Os jurados, então, ficaram todos em pé e aplaudiram com entusiasmo o brado de revolta do indignado autor, reconhecendo as suas sábias palavras, já que não tinham resposta à altura para aquelas palavras fulminantes, e queriam de alguma maneira mostrar certa dignidade.

E aqui é o caso dos admiradores do autor bradarem de modo similar: “o saperólogo fica com a crítica, o autor fica com o sucesso, e nós com o deleite da leitura!”. Isso é certo, é justo, pois que todos têm o próprio livre arbítrio e podem fazer das suas vidas o que quiserem, desde que não maltratem e nem destratem ao próximo, tratando-o com o devido respeito. Mas, neste caso, além da crítica, o saperólogo fica também com a sua decência e a sua dignidade, o autor, além do sucesso, fica com a sua indecência e a sua depravação, e os leitores se deleitando com a indecência e a depravação do autor! Assim, cada um vai mantendo o lado que lhe é próprio, segundo a índole de cada um, consoante a natureza dos próprios pensamentos. Mas você, meu querido leitor, fique ciente de que a História é implacável com os seres humanos que adquirem saliência e que não pautam as suas vidas em conformidade com aquilo que estão realizando em suas funções na própria vida que estão vivendo.

O efeito instrutivo é decorrente da leitura de uma obra elaborada por quem realmente é escritor, um literata puro, autêntico, como o foram José de Alencar, Machado de Assis, e muitos outros que dedicaram as suas vidas para a literatura. E até muitos poetas, como Castro Alves, que foi um dos meus grandes amigos na minha encarnação passada como Ruy Barbosa, Catulo da Paixão Cearense, Guerra Junqueiro, e tantos outros que dedicaram as suas vidas para a escrita poética. Vejamos o que diz Olga B. C. de Almeida sobre um verdadeiro literata, ela que foi uma grande educadora, quando em sua obra Caminhos Certos, a página 158, vem se expressar elucidativamente acerca do assunto, confirmando as minhas afirmativas, da seguinte maneira:

Compor um livro cuja finalidade seja instruir ou educar é um trabalho de valor.

Foi isso que procurou fazer Érico Veríssimo, quando, em tão boa hora, escreveu o romance intitulado Olhai os Lírios do Campo.

As principais personagens são Eugênio e Olívia e toda a história se prende à formação moral dos dois”.

Vejamos também o que um outro grande escritor — que além de escritor era também filólogo, chamado de Júlio Ribeiro, que por sua vez foi grande amigo de Luiz de Mattos — escreveu em uma das suas obras denominada de Cartas Sertanejas, para que possamos sentir a colossal diferença entre um bom e um mau escritor, quando ele assim se expressa:

O homem que sabe se servir da pena, que pode publicar o que escreve, e que não diz aos seus compatriotas o que entende ser a verdade, deixa de cumprir um dever, comete o crime de covardia, é mau cidadão”.

Como se pode constatar com a mais absoluta clareza, não se pode confundir alhos com bugalhos, como assim se expressam os populares em jargões, ou seja, não se pode confundir a grandeza desses grandes e valorosos literatas com os jorges amados da vida, que somente escrevem imundícies, tais como são as suas próprias almas.

Mas eu não quero com isso dizer que os seres humanos leiam somente os grandes autores, os que primam por esclarecer e educar. Nada disso. Que leiam também os demais autores, mas que prestem bem atenção na leitura que estão realizando, sabendo interpretar a verdadeira intenção do autor, para que assim possam separar o joio do trigo, ou seja, aquilo que seja nocivo e contribua para a vida de mundanidade, daquilo que seja útil e contribua para uma boa formação moral e ética, com destaque para os atributos superiores e positivos.

Como a escrita é a maior invenção da nossa humanidade, então é óbvio que a leitura dos escritos é o que existe de mais salutar nesta nossa vida terrena, que é curta e temporária, por isso devemos aproveitá-la ao máximo, em termos de evolução espiritual, sem qualquer perda de tempo. É por intermédio da leitura que nós temos acesso aos conhecimentos e às experiências que são transmitidos pelos diversos autores, às descrições dos atributos superiores e positivos que vamos adquirindo no decorrer da nossa evolução espiritual, quando cá estamos neste mundo, inclusive com as suas demonstrações na prática, muitas vezes com rasgos de heroísmo, e sem ela nós não teríamos acesso as culturas dos diversos povos e a história desta nossa civilização não poderia ser preservada, assim como também transmitida de geração para geração. A importância da leitura, pois, é indiscutível.

Mas no que se refere à leitura, todos nós temos que adquirir, obrigatoriamente, a arte de interpretar. E o primeiro passo para que possamos adquirir a essa arte tão importante para as nossa vidas é sondar, de imediato, a alma do escritor, logo nos primeiros momentos da leitura, pois, de acordo com o assunto que ele está abordando, nós podemos, de logo, observar as suas tendências pessoais, que se encontram em inteira conformidade com os comandos dos seus atributos espirituais, que vão obrigá-lo a expor de alguma maneira os seus sentimentos e os seus pensamentos, sejam eles falsos ou verdadeiros, os quais irão definir o seu estilo de escrever, sendo justamente aqui que nós podemos observar a força e a energia que emprega nas palavras, em formas de vigor e firmeza, tanto para mais como para menos, e até mesmo as ausências de ambos, não importando se o autor seja do sexo masculino ou feminino, pois em todas as escritas se pode observar o ritmo e o tom empregados nas frases, que vão dizer da masculinidade ou feminilidade de quem escreveu, uma vez que o vigor e a firmeza não implicam em qualquer indelicadeza ou mesmo grosseria, e o homem pode perfeitamente mostrar o seu vigor e a sua firmeza masculinos nos seus escritos, realçando toda a sua virilidade, assim como a mulher pode também perfeitamente mostrar o seu vigor e a sua firmeza feminina em seus escritos, realçando toda a sua feminilidade, e assim deve ser, uma vez que o importante é o sentido daquilo que cada um está a exprimir, sendo justamente no sentido que o vigor e a firmeza se tornam masculinos ou femininos, pois que mostram a natureza específica relativa a cada um dos sexos.

Aquele que adquiriu a arte de interpretar, pode perfeitamente detectar os verdadeiros sentidos que estão contidos no teor de uma obra posta em um livro, sob qualquer uma das suas formas, em conformidade com a intenção do seu próprio autor, desde que proceda a sua leitura com a devida atenção. Vejamos alguns desses sentidos consoante a intenção do autor:

  1. O autor de uma obra tem uma intenção a ser transmitida por escrito, neste caso ele deixa transparecer nitidamente a essa sua intenção e procura se utilizar das palavras que sejam as mais adequadas para esse seu intento, independentemente delas serem totalmente adequadas ou não, mantendo um ritmo e um tom que lhe é próprio, uma vez que a intenção é mais relevante do que o próprio talento, em que assim a sua sinceridade vem completamente à tona, provocando um maior interesse pela leitura e uma maior admiração pelo valor que tem o autor, com os acréscimos desse valor segundo o seu próprio talento, o que permite até que na própria leitura o leitor amplie e tente universalizar aquilo que o sentido vai revelando, já que nenhum autor consegue universalizar totalmente uma intenção, esgotando-a, pois que sempre existem as ideias complementares às suas, que mesmo assim não esgotam o assunto em seu conjunto. Façamos uma analogia com uma orquestra, em que aquele que possui o denominado ouvido absoluto, que é a capacidade adquirida mediante o aperfeiçoamento de um talento para classificar um intervalo entre dois ou mais sons, em um som único, e assim distinguindo os sons que constituem um acorde, apontando para aquele que saiu do ritmo ou do tom, analisa com precisão uma música. Assim é um livro, em que a obra do autor é como se fosse uma música, e em que as palavras representam os sons e as frases os acordes, formando um complexo sonoro, em que tudo deve estar de acordo e em harmonia, quando qualquer desarmonia altera o tom e o ritmo da leitura, levando o leitor a proceder à sua harmonia mentalmente, como se o autor estivesse desafinando ou atravessando o compasso, sendo até aceitável, caso a desarmonia não seja muito grosseira e venha a distorcer completamente o sentido. E isto não sou apenas eu que afirmo, outros autores têm quase a mesma compreensão acerca dessa arte de interpretar, como é o caso de José Oiticica, quando em sua obra Curso de Literatura, a página 127, ele afirma o seguinte: “Toda essa arte de escrever consiste em procurar, entre todas as estruturas da expressão de um pensamento, a mais artística, isto é, a mais acorde ao sentimento estético”;
  2. O autor tem uma intenção que é sua, apenas sua, que é inerente apenas e tão somente aos seus próprios interesses pessoais, sendo ela, pois, inconfessável, por isso ele tenta transmitir uma outra intenção para aqueles que estão procedendo à leitura dos seus escritos. Neste caso, ele deixa transparecer mais claramente a intenção que é destinada ao leitor, uma vez que ela não é natural, sendo artificial, mas que assim não consegue ocultar a sua verdadeira intenção, que fica exposta pela sua própria própria intenção artificial, pois que o bom intérprete deve sempre buscar aquilo que seja natural, que se revela justamente através dos próprios objetivos a serem alcançados pelo autor, que assim expõe claramente os comandos dos seus atributos e as naturezas dos seus sentimentos e pensamentos;
  3. O autor de uma obra tem uma intenção a ser transmitida por escrito, como, por exemplo, esclarecer a um assunto que possui uma certa complexidade, mas que mesmo não estando totalmente preparado para tal empreendimento, emprega o máximo esforço possível para oferecer um sentido lógico e o mais claro possível acerca desse assunto. Neste caso, ele deixa transparecer nitidamente a sua sinceridade e o esforço empregado em alcançar ao seu nobre objetivo, sendo sempre recompensado nesse seu afã, pois mesmo que não alcance ao seu objetivo almejado, ele abre um caminho que indica o rumo correto do alvo a ser alcançado, que tanto pode ser por ele atingido, posteriormente, como também por outros estudiosos que se interessam pelo mesmo assunto, podendo, inclusive, abrir novos caminhos para outros assuntos correlatos;
  4. O autor tem uma intenção a ser transmitida por escrito, como, por exemplo, esclarecer a um assunto que possui uma certa complexidade, mas sem que esteja totalmente preparado para tal empreendimento. Neste caso, ele deixa transparecer nitidamente a sua extrema vaidade e insinceridade, engrolando o assunto a ser esclarecido, para aumentar ainda mais a sua complexidade, procurando se utilizar dos termos que sejam mais complicados, alcançando um sentido que nem mesmo ele consegue compreender, por isso as frases ficam mal dispostas, ininteligíveis para o leitor comum, que é justamente o alvo do autor para adquirir a saliência de erudito. Mas acontece que aquele que é versado na arte de interpretar, consegue observar o sentido de tudo, e logo compreende que a intenção primeira do autor é a pura saliência erudita, e que a sua intenção segunda é o próprio assunto abordado, que, antes, precavidamente, ele pesquisou acerca da sua complexidade e dos pensamentos controversos em relação a ele, fazendo uma mixagem de tudo isso, como se fosse da sua própria lavra, uma vez que para ele tanto faz esclarecer ou não, pois já sabe de antemão que não o está fazendo;
  5. O autor tem uma intenção a ser transmitida por escrito, como, por exemplo, esclarecer a um assunto que não possui qualquer complexidade, mas que não seja tão comum, e ao qual ele julgue dominar. Neste caso, ele realmente consegue realmente transmitir aquilo que julga saber, mas secundariamente, sem maiores preocupações com aquilo que está transmitindo, uma vez que ele se preocupa mais em fazer citações aos autores de renome, preferencialmente os estrangeiros, que ele considera que tenham mais peso e causem mais impacto nas mentes dos leitores comuns, então a sua intenção de esclarecer passa a ser secundária, e a intenção de mostrar erudição passa a ser a primeira dos seus escritos, principalmente pelo fato dele desperdiçar o seu tempo na pesquisa dessas suas citações, que geralmente em nada acrescentam ao assunto, como se tivessem sido inseridas forçadamente no contexto dos escritos;
  6. O autor é nomeado por um político, ou por um empresário, ou por um executivo, ou por alguém que tenha adquirido alguma saliência social, para preparar um discurso a ser proferido em alguma solenidade ou em alguma ocasião especial, em que o primeiro desvio de pensamento do autor se revela logo quando da sua nomeação, ocasião em que ele se julga um grande escritor, um verdadeiro talento, sendo com esse pensamento que ele vai pegar da pena para escrever o discurso, no que emprega o máximo esforço para se utilizar dos termos que possam comprovar para todos esse seu pensamento de escritor talentoso, embora quase todos ignorem que seja ele o verdadeiro autor do discurso, mas os elogios que por certo virão, já que todos tendem a elogiar aqueles que adquiriram qualquer tipo de saliência, sendo isso comum em nossa humanidade, irão satisfazê-lo intimamente, no que ele dirige do proferidor que recebeu os elogios, diretamente para si, todas as honras, ficando ainda mais satisfeito por ter agradado plenamente àquele que o nomeou. No entanto, esse dileto autor ignora que o teor do discurso por ele escrito é frio e carente de força e energia, pelo fato dele não haver sabido empregar vigor e firmeza nas palavras, sempre vazias de um sentido que leve diretamente a um objetivo, em função das suas generalizações, que nada especificam de concreto, de absoluto, sendo tudo relativo a um contexto óbvio, dentro dos padrões gerais e comuns a todo e qualquer contexto discursivo que seja similar;
  7. Etc.

Quando da leitura de obras esclarecedoras postas em livros, o leitor deve saber identificar e distinguir claramente aquilo que se refere aos conhecimentos metafísicos, que tratam acerca da verdade, seja eles veritológicos, religiosos, ou similares, daquilo que se refere às experiências físicas, que tratam acerca da sabedoria, sejam elas saperológicas, científicas, ou similares, desde que as obras não tragam a ambos coordenados através da razão.

Os conhecimentos metafísicos são transmitidos através de teorias “a priori”, quer dizer, através dos conhecimentos metafísicos que ainda não foram comprovados através das suas correspondentes experiências físicas, em que eles representam as causas. As experiências físicas são transmitidas através de teorias “a posteriori”, quer dizer, através das experiências físicas que ainda não foram comprovadas através dos seus correspondentes conhecimentos metafísicos, em que elas representam os efeitos. Note-se aqui, que os conhecimentos científicos são todos experimentais, tratando apenas dos efeitos, por isso a própria comunidade científica vem afirmar que eles não são definitivos, pois que lhes faltam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade correspondentes, que são as causas, mas que agora os religiosos são obrigados a captá-los do Espaço Superior e a transmiti-los através de teorias “a priori”, para que assim os cientistas venham a modificar as suas teorias “a posteriori”, com todos eles sendo munidos de novas bases para as suas investigações e pesquisas, que agora estão sendo fornecidas pelo Racionalismo Cristão. E os conhecimentos metafísicos e as experiências físicas são transmitidos, ao mesmo tempo, através das verdadeiras teorias, pelo fato de estarem sendo coordenados pela razão.

A leitura se torna algo bastante complexo quando é realizada no âmbito da imaginação, uma vez que as imagens combinadas que os seres humanos fazem acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos da natureza, postas neste mundo, são próprias de cada um, embora possam ser comungadas impropriamente pelas opiniões em comum, ou, então, através de experimentos repetitivos pela comunidade científica, em que as transformações das coisas trazem a tecnologia, que mesmo assim é desprovida das suas causas, já que todos ignoram o fato de que a menor porção da matéria, que é o átomo, é um ser, daí a razão de ninguém saber o que seja realmente um próton, um nêutron e um elétron, além das outras partículas subatômicas, e muito menos de onde vem o magnetismo, a eletricidade e o eletromagnetismo.

Mas, mesmo assim, pode-se observar claramente os sentimentos e os pensamentos dos seres humanos, já que os sentimentos são os responsáveis pelos seus próprios conhecimentos, que lhes dão o poder, enquanto que os pensamentos são os responsáveis pelas suas próprias experiências, que lhes dão as ações, mas com tudo isso sendo comandado pelos seus atributos, que tanto podem ser superiores como inferiores, positivos ou negativos, em que o conjunto permite observar as suas intenções, tanto as que lhes são próprias como as que tentam demonstrar ao leitor, quando então geralmente vêm à tona a sinceridade ou então a insinceridade. E aqui fica demonstrado mais uma vez que a insinceridade é o ponto de apoio da imaginação, que somente perderá a este ponto de apoio por intermédio da sinceridade.

No entanto, quando do empuxe da fase da imaginação para a fase da razão, os seres humanos poderão formar uma concepção acerca da realidade da vida, apreendendo em seus corpos mentais os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, no âmbito dos três tratados superiores, assim como em relação às parcelas do Saber e às profissões exercidas, quando toda a nossa humanidade poderá falar o mesmo idioma, o Esperanto, com as palavra tendo um único conceito para todos os seus integrantes. Aí sim, as ideias poderão ser formuladas com um único sentido, já que todos deverão primar pela sinceridade, ocasião em que poderá ser produzida a amizade espiritual, pois somente com a espiritualização a solidariedade fraternal poderá imperar neste mundo, modificando totalmente o seu ambiente, a sua aura, proporcionando o início da verdadeira felicidade e do autêntico progresso, que somente pode ser espiritual.

Somente um verdadeiro tolo poderá ser capaz de não se engajar neste movimento espiritualista encabeçado pelo Racionalismo Cristão, que não é de Luiz de Mattos, não é meu, e não é de ninguém, nem mesmo do próprio Jesus, o Cristo, pois que este instituto representa a Grande Causa da nossa humanidade, por isso não pertence a nenhum ser humano em particular, sendo ele, na realidade, de Deus, pelo fato Dele ser o Instituidor, já que representa o embrião do instituto do Cristo a ser produzido pela nossa humanidade, que, ao ser realmente produzido, deverá indicar o caminho reto e seguro que levará a todos os seres humanos em retorno ao Criador, sem qualquer exceção, pois não existe a tal de salvação, mas sim a evolução espiritual, uma vez que não devemos esquecer de que Jesus, tal como sendo o Cristo, afirmou que “Alguém somente poderá chegar ao Pai através de mim”, então é lógico, e não somente lógico, mas também óbvio, claro, evidente, que primeiro temos que produzir o nosso próprio Cristo, para que depois possamos nos tornar cristãos, produzindo o amor espiritual, tendo formado uma concepção acerca do que seja e do representa o verdadeiro e autêntico cristianismo.

Não devemos colocar o carro diante dos bois, não devemos atropelar a ordem dos fatos, não queiramos dar um passo maior do que as próprias pernas, vamos ser lógicos, vamos tentar seguir em parte a um método, como o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, de Descartes, então vamos dividir a nossa evolução em partes, neste período mais crítico e mais importante por que estamos passando em nossa jornada evolutiva, partindo da parte mais fácil para a mais difícil, seguindo sempre uma ordem lógica e racional. Vamos, pois, primeiro produzir a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal, até que todos a estejam produzindo com maturidade e eficácia, estando inteiramente conscientes da sua produção, ocasião em que será possível extinguir de vez com o mal neste mundo, fazendo fluir o bem entre todos os seres humanos, até que também venham a ser extintas as mais diversas nações espalhadas em territórios pelo mundo, e venha a ser estabelecida uma única nação na Terra, a Nação Humana, com a formação de um Estado Mundial no planeta. Esta é uma das finalidades que se encontram postas nos meus ideais.

Mas, por enquanto, praticamente todos os seres humanos são anticristãos, pois que a fase da imaginação não permite saber acerca do verdadeiro e autêntico cristianismo, que não é fruto da imaginação de quem quer que seja, por isso muitos violam as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, evidenciando os seus interesses egoístas, ambiciosos, interesseiros, mesquinhos e exclusivistas, vivendo da carne para a carne, bestialmente, enlamando a todo o ambiente terreno, cometendo os mais diversos tipos de crimes, cujo ambiente enlameado eu fui sentir in loco, tendo que também me enlamear em holocausto à minha missão, mas sem jamais praticar o mal, apenas fazendo sangrar a minha própria alma, em prol da minha amada humanidade, e assim, nessas violações, vivendo à margem das leis, dos princípios e dos preceitos, os seres humanos imaginam, equivocada e estupidamente, que seguem ao cristianismo, considerando-se seguidores de Jesus, o Cristo, que nem sequer à nossa humanidade pertence, vociferando a plenos pulmões que são cristãos.

E o mais antagônico de tudo isso, é que mesmo sendo praticamente todos os seres humanos anticristãos, embora se digam cristãos, ainda ficam imaginando a vinda de um Anticristo, cuja expressão não passa de uma corrupção do verdadeiro termo que deveria ser empregado, que é Antecristo, em que o atributo inferior do medo fica estampada na expressão de quase todos os seres humanos, que é amenizada com a criação imaginativa da vitória final dos exércitos dos deuses inventados, principalmente do deus bíblico, de carne e osso, que assim foi inventado à imagem e semelhança do homem, tendo por base também uma inventada fé, que é credulária e toda imaginativa, sem qualquer racionalidade, portanto, posta fora do âmbito da realidade.

Quem realmente precisa de exércitos são aqueles com a mania de conquistadores, são aqueles ambiciosos do poder, que não possuem a mínima ideia daquilo que ele representa, pois que o seu conceito se situa fora do âmbito da imaginação, pois que situado no âmbito exclusivo da verdade, em que a sabedoria fornece a ação correspondente, por isso o poder e a ação dizem respeito diretamente à razão. Em função disso, esses ambiciosos do poder não conseguem aliar o poder à ação, já que sendo detentores do poder apenas material, que é simples ilusão, uma vez que não é de natureza espiritual, delegam as ações aos seus exércitos, desrespeitando acintosamente às outras nações, com as investidas bélicas desses seus exércitos, sem atentarem para o fato de que não gostariam que as suas nações fossem também atacadas, desde que sejam pelo menos um pouco patriotas, já que verdadeiramente patriotas, na acepção da palavra,  não o são, pois caso o fossem respeitariam a pátria alheia, assim com querem que os outros respeitem as suas próprias pátrias, não atacando e não explorando comercial e financeiramente a essas pátrias, tão queridas quanto as suas.

Mas o fato é que esses tempos já passaram, pois que para as épocas pretéritas os exércitos eram úteis, para que os espíritos encarnados pudesse adquirir os atributos que diziam respeito às guerras, assim como também para que as diversas nações fossem se formando, dissolvendo-se e formando novas nações, mesmo que através de ambientes belicosos, até que se definissem e se estabilizassem, como agora estão todas as nações quase que totalmente estabilizadas, para que assim pudesse surgir o Racionalismo Cristão, com o fim de demolir com todos os edifícios que foram construídos com base na imaginação, e, logo após a essa demolição, ele mesmo reconstruir um novo edifício social com base na razão.

O próprio deus bíblico se diz possuidor de exércitos. Neste caso, é de se indagar: como é que o verdadeiro Deus poderia ter exércitos e inimigos, se Ele mesmo é o Todo? Isso é ou não é a mais pura lógica? Mas o fato é que, na realidade, não existem inimigos de nenhuma espécie, que é uma obra pura da imaginação humana, que ainda vive na ilusão da matéria e do sobrenatural. Pode-se constatar que os compêndios não conseguem formular um conceito preciso acerca do que seja inimigo, por mais que os filólogos se esforcem para tanto, já que eles procuram conceituar as palavras por intermédio das leituras daquilo que os escritores põem em seus escritos, uma vez que eles não são os legítimos formadores dos termos, mas apenas os observadores dos seus sentidos nos diversos escritos que leem. Senão vejamos os seus mais diversos conceitos:

  • Aquele que é hostil, adverso, contrário a alguém é um inimigo;
  • Aqueles que pertencem a grupos, facções ou partidos opostos são inimigos;
  • Aquele que prejudica, ou causa dano a alguém, sendo-lhe nocivo, é inimigo;
  • Aquele que odeia ou detesta alguém é inimigo;
  • Aquele a quem se mata por ordem de outrem é considerado inimigo, assim como inimigos deste são o mandante e o matador;
  • Aquele que é declarado inimigo em claro manifesto é inimigo jurado;
  • Aquele que é perigoso à ordem social é inimigo público;
  • O deus bíblico e os seus adoradores são inimigos do Diabo;
  • A nação norte-americana era inimiga da nação soviética;
  • A nação israelense é inimiga da nação palestina.

Tudo isso é efeito da ilusão da matéria e do sobrenatural, que são próprios da imaginação humana, o que comprova plenamente que os seres humanos não se conhecem a si mesmos, caso contrário, saberiam que são todos irmãos, em essência.

Em sendo todos os seres humanos irmãos em essência, vamos então partir do princípio de que todos nós passamos a formar juntos uma humanidade, habitando ao mesmo Mundo de Luz, quando, em conjunto, passamos a adquirir o raciocínio e o livre arbítrio, com todos alcançando a condição de espíritos, em que havia uma certa harmonia entre nós, o que é a realidade.

Então nós passamos a encarnar no planeta Terra, para podermos evoluir com mais rapidez e fazer a este mundo também evoluir. O véu da ilusão da matéria encobre a realidade da vida, enquanto estivermos na fase da imaginação. Então passam a existir os choques, os conflitos, os desentendimentos, que são próprios da nossa ignorância, imperfeitos que somos, em função de todos nós procurarmos satisfazer em sua plenitude aos nossos próprios desejos, caprichos, ambições e interesses pessoais terrenos, quando assim passamos a combater àqueles que se encontram em nossos caminhos, de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Tudo isso faz aflorar em nossos espíritos a máxima ignorância, mas que é uma imperfeição que não deixa de ser racional, possível de se compreender, já que a ignorância possui um limite para cada humanidade, de onde surge todo o mal que vemos no dia a dia, então o mal também é limitado para cada humanidade.

Em sendo assim, aquilo que julgamos seja o mal faz revelar o nosso acervo de imagens, em suas combinações, compondo e desenvolvendo a nossa imaginação para a realização de tudo, ou quase tudo, aumentando cada vez mais o potencial do nosso corpo mental e dos nossos atributos negativos e inferiores, que começam a se desenvolver cada vez mais por intermédio de todos esses conflitos originados do mal. São esses conflitos que fazem com que os mais destacados passem a imaginar o bem, mudando a natureza das suas imaginações, quando os seus corpos mentais e os seus atributos passam por grandes mudanças, com todas estando voltadas para o bem, em que conseguem imaginar até a perfeição, em demanda do verdadeiro bem, mas não conseguem concebê-la, pois que ela não é própria da imaginação. É assim que nós passamos a imaginar o bem, pondo-o em prática, através dos nossos poderes e das nossas ações.

Todos esses conflitos são como se fossem fios de tecer, que vão formando o tecido do ambiente terreno, que atualmente se encontra repleto de miasmas deletérios. Então nós aprendemos a evoluir de todas as maneiras e com tudo com que nos relacionamos, tanto com aqueles que são familiares ou amigos, como com aqueles que consideramos inimigos, uma vez que os nossos sentimentos e pensamentos são dirigidos tanto para estes como para aqueles, fazendo desenvolver cada vez mais ao nosso corpo mental e aos nossos atributos, que por sua vez irão comandar a esses nossos sentimentos e pensamentos, que são postos em contrastes aparentes entre o bem e o mal, e que é a maneira mais acelerada para que possamos conhecer e experimentar de tudo neste mundo. Assim, tanto os familiares e amigos, como os inimigos, são nossos aliados, na luta constante pela evolução espiritual. A nossa inteligência seria amorfa, caso não existissem os contrastes da vida, tendo de um lado o limitado e de outro o ilimitado, tais como o finito e o infinito, a imperfeição e a perfeição, o mal e o bem, a ignorância e o Saber, por excelência, etc.

E o mais importante de tudo isso é que os inimigos são temporários, pois ao desencarnarem, quando de retorno para os Mundo de Luz que lhes próprios, tudo é diferente, quando lá se harmonizam fraternalmente. E não apenas isso, pois muitos dos que foram inimigos quando encarnados, voltam posteriormente a encarnar como sendo filhos, irmãos, marido e mulher, uns dos outros, e tudo o mais que venha a comprovar que o inimigo não existe, na realidade. Como Luiz de Mattos poderia evoluir ao estágio em que se encontra se não fossem os demais espíritos que integram a nossa humanidade? Tudo isso serviu para compor o seu acervo espiritual, já que ele tem que conhecer, obrigatoriamente, a praticamente todos os contrastes.

Para os medrosos e temerosos do Diabo, que o consideram como sendo o seu maior inimigo, por conseguinte, medrosos e temerosos do inferno, em outras páginas eu vou comprovar experimentalmente como um simples ser humano pode ser colocado dentro do antro do inferno, e, sozinho, sem a ajuda de quem quer que seja, apenas com a sua inteligência, coragem e boa vontade, enfrentar de peito aberto ao próprio Diabo e a todos os seus demônios reunidos, e não liquidá-los em função da mais elevada de todas as éticas existentes em nossa humanidade. E mais: sair vencedor!

E agora o caro leitor pode logicamente indagar:

— Mas como isso é possível, se o próprio autor afirma que o nem Diabo e nem o inferno existem?

Então eu mesmo respondo:

— Meu amado leitor, assim como você vive na irrealidade pensando que está vivendo na realidade, eu também fui posto na irrealidade pelo Astral Superior, que me induziu a pensar que estava agindo realmente na realidade, comprovando assim que são os pensamentos quem antecedem às nossas ações. No entanto, no âmbito da imaginação, fica vedada a compreensão desta gnosiologia pela qual eu passei, sob o comando do Astral Superior, que somente pode ser apreendida no âmbito da Espiritologia. Esta minha gnosiologia não tinha muito ver com a minha moral, tinha sim, muito a ver com a minha ética. E a razão é a seguinte:

Se eu me expus moralmente neste mundo, arranhando a minha moral para sentir todo o mal contido no ambiente mundano em minha própria alma, para depois combatê-lo em todas as linhas, promovendo a sua extinção, por conseguinte, fazendo emergir todo o bem, ao completar de vez a minha moral racionalista cristã, esta minha gnosiologia serviu de motivo para que todos pensassem que eu tivera um surto psicótico, por isso passaram a considerar que eu era doido e desmoralizado.

Mas, na realidade, o fato é que sendo Luiz de Mattos o detentor da mais elevada moral de toda a nossa humanidade, tendo isso demonstrado para todo o mundo, eu, pelo meu lado, sou o detentor da mais elevada ética de toda a nossa humanidade, tendo que isso também demonstrar para todo o mundo. Isto implica em dizer que o valor que tem a moral para a verdade, tem a ética o mesmo valor para a sabedoria, sendo por isso que a sua coordenação dá como resultado a educação, que é o valor próprio da razão. E foi assim, meu querido leitor, que eu tive que passar por uma tremenda gnosiologia, por determinação e aos cuidados do Astral Superior, para que assim pudesse comprovar toda a minha ética, e depois, posto fora do âmbito da imaginação, por ter apreendido a verdade e a sabedoria, tendo adentrado com ambas no âmbito da razão, foi então então que eu pude formar a minha concepção universal, que é o repositório do qual eu formulo todas as minhas ideias acerca do Saber, por excelência. A esta gnosiologia pela qual passei, eu descreverei em páginas outras.

Assim, tendo formado a minha concepção universal acerca do Saber, por excelência, para cada palavra que escrevo, eu procuro estabelecer um conceito próprio ao seu respeito, para que assim possa formular uma ideia real e consistente a respeito daquilo que estou escrevendo, a fim de que deste modo possa servir de base para um novo edifício social a ser construído neste mundo, pois que é somente no mundo das ideias que se pode conceber um verdadeiro ideal, que alavanque a nossa humanidade do estado precário em que ela ora se encontra, provocando uma verdadeira revolução no ambiente terreno.

E agora, que nunca o meu dedicado e atento leitor se esqueça do seguinte: é o pensamento positivo quem transforma e constrói tudo, pelo fato dele ser carregado de energia, que é totalmente física, em que a sua eletricidade já é fartamente comprovada através do eletroencefalograma, no qual os registros das correntes elétricas que se originam nos pensamentos — mas que os adeptos do materialismo afirmam se originar do encéfalo, por ignorarem que o espírito se manifesta através do corpo carnal —, mediante eletrodos colocados no couro cabeludo, mas que assim eu tenho que me desculpar com os carecas pelas suas omissões, então, digamos na superfície externa encefálica, ou mesmo dentro da substância encefálica, constituindo um método para a constatação de perturbações nervosas. Que me desculpem os carecas por esta molecagem genuinamente cearense.

Então, eu posso afirmar com convicção que, além destas páginas, ainda escreverei mais centenas e centenas de outras páginas, tratando dos mais diversos tipos de assuntos, com um detalhe importantíssimo: sem jamais entrar em contradição, com cada um dos assuntos que diga respeito aos demais se encaixando uns aos outros, em plena harmonia, sempre no mesmo tom e ritmo que costumo escrever, com as suas modulações, pois que tenho o meu próprio estilo.

Quero com tudo o que acima foi exposto, dizer que, qualquer tipo de leitor, mesmo aquele que não é muito letrado, pode ser capaz de com certa facilidade observar nitidamente as minhas intenções postas com a devida clareza em todas as minhas obras, assim como também todos os sentidos rervelados. E tudo isto foi assim posto através do meu próprio esforço, para então atenuar o máximo possível o esforço do leitor, no que se refere à sua arte de interpretar. Então é a lógica quem vai comandando o tom e o ritmo de todas as palavras que vão sendo empregadas nas minhas frases, com as suas devidas modulações. Eu sei também perfeitamente que em todas as minhas obras o meu corpo mental e os meus atributos serão todos revelados, mas que assim seja, já que uma das minhas intenções é mostrar realmente a minha alma, em sua plenitude, caso isto seja realmente possível.

E assim deve ser, pois que tenho a convicção plena de que a leitura das minhas obras postas em sites, tanto neste site de A Filosofia da Administração como no site pamam.com.br, serão de grande utilidade para a nossa humanidade, caso contrário eu não poderia ser o explanador do Racionalismo Cristão.

A leitura dos bons livros devem transmitir o saber, assim como também evidenciar os atributos superiores e positivos, por isso os seres humanos devem muito aos livros que têm como escopo a transmissão de tudo isso, pois que foram eles quem permitiram que cada geração fosse passando para geração futura aquilo que ela conseguiu aprender, através das grandes obras elaboradas pelos homens da sua época. Por isso, quando nós estamos efetuando a leitura de bons livros, estamos também interagindo e apreendendo o saber dos espíritos mais valorosos sobre os mais diversos tipos de assuntos, os quais irão compor o nosso acervo de conhecimentos e de experiências, estendendo o nosso corpo mental e os nossos atributos superiores e positivos.

Outrossim, a leitura de bons livros, que sejam instrutivos e educativos, ajuda a desenvolver a nossa capacidade de ler e de interpretar qual seja a real intenção do autor e também o sentido que ele pretende transmitir em suas obras, aumentando cada vez mais o nosso senso crítico, para que possamos observar e influir positivamente no cenário da vida relativa a este mundo Terra, permitindo que nos posicionemos de maneira correta e efetiva em favor das ações voltadas para o bem, e de maneira contundente e inflexível contra as ações voltadas para o mal, até que consigamos aboli-lo por completo do seio da nossa humanidade. Os nossos posicionamentos devem ficar situados no âmbito da espiritualidade, que retrata com fidedignidade a realidade da vida, para que assim possamos nos utilizar de parâmetros reais, evidenciando tanto as causas como os seus correspondentes efeitos de todas as nossas ações, demonstrando a razão de tudo, discernindo o bem do mal, o útil do inútil, o correto do incorreto, o superior do inferior, o positivo do negativo, o agradável do desagradável, o simples do complexo, o vulgar do invulgar, e assim por diante, para que então possamos inovar e receber as inovações.

Somente os bons livros transmitem a verdadeira cultura, que é aquela proveniente da leitura em que o espírito se aplica aos assuntos que julga sejam de relevância para si, como a cultura dos tratados superiores, das parcelas do Saber, das profissões, da literatura, da poesia, das belas-artes, dos costumes dos outros povos, e outras mais, em que ocorre o desenvolvimento por intermédio dos cuidados assíduos às faculdades naturais, que elevam a alma, enobrecendo o espírito, tornando-o apurado, esmerado, e até elegante, pois que passa a adotar um comportamento que traduz o respeito pelas instituições e pelos valores da sociedade em que vive.

E quanto mais a leitura for sendo praticada no dia a dia, tanto mais o espírito vai se tornando culto, até que essa sua cultura passa a se transformar em um vasto saber, mormente em todos os assuntos do domínio da História, que é vastíssimo e abrange a todos os assuntos que poporcionaram a evolução desta nossa civilização ao estágio em que hoje ela se encontra, quando então ele se torna um erudito. A partir desse ponto de erudição, as suas observações e citações assumem a conotação daquele que realmente denota saber, notadamente nos detalhes surpreendentes que vão especificando tudo aquilo que se encontra ao nosso redor.

E assim a leitura vai contribuindo sistematicamente para que o espírito vá aprimorando cada vez mais a sua escrita, adotando um estilo próprio de escrever, que o identifica como um bom escritor, ao contrário daqueles que leem pouco, que tendem a escrever mal, sem estilo, por não saberem determinar um tom e um ritmo próprio para aquilo que escreve. Quando escrevemos, nós estamos transmitindo de uma maneira direta aquilo que sabemos, e em que profundidade nós sabemos, uma vez que os argumentos utilizados são revestidos da lógica inerente ao saber, assim como também da utilização das palavras mais simples e claras que irão tornar mais consistentes os argumentos.

Quando o espírito adquire o hábito da leitura, o que somente se consegue com o emprego de algum esforço inicial, para que assim ele possa sair da inércia em que se encontra, e então possa cultivar a esse hábito mais do que salutar, o seu tempo dedicado à leitura vai passando a ser cada vez mais prazeroso, principalmente quando ele sabe selecionar bons livros para ler, já que neles pode observar as almas dos homens de bem, as verdadeiras almas que são úteis à coletividade, através das quais a inteligência vai se revelando neste mundo. É como se os bons autores levassem os seus leitores a viver aquilo que eles viveram, pelo menos em parte.

Torna-se difícil compreender a razão para tanta preguiça mental por parte da maioria dos seres humanos, que preferem desperdiçar os seus tempos em atividades inúteis, com muitos preferindo dormir além do necessário, do que na atividade da leitura. É certo que escrever requer um esforço muito maior do que o empregado na leitura, uma vez que a pessoa tem que puxar muito pelo raciocínio e pelo seu poder criador, além de se esforçar bastante para encontrar as palavras mais adequadas para a formação das frases que irão dar o sentido correto àquilo que se intenciona transmitir.

O ser humano que adquiriu o bom hábito da leitura pode participar de qualquer roda de conversa e discorrer sobre os mais variados assuntos, mas deve ter o cuidado para não monopolizar a conversa e fazer da sua cultura ou erudição o centro das atenções. Mas aquele que não tem esse hábito tão salutar da leitura, praticamente não possui assuntos mais profundos para conversar, então a sua conversa gira sempre em torno do trabalho e do cotidiano da vida, quando não, é deslocada para os assuntos mais fúteis possíveis, geralmente falando das pessoas de quem se dizem amigos, e outros assuntos mais, que também sejam maçantes, e até a contar piadas indecorosas e de mau gosto. E haja paciência para tanta superfluidade!

No meu caso em particular, eu seleciono um assunto e passo a desdobrá-lo em relação àquilo que intenciono transmitir, procurando sempre estendê-lo o suficiente para a sua devida compreensão mais pormenorizada, posicionando-me na média, adotando o máximo cuidado para não passar dos seus limites extremos, nem para lá, para não me tornar prolixo, ou muito analítico, e nem para cá, para não me tornar insuficiente, ou muito sintético. E assim, eu passo horas e horas escrevendo, mensurando o esforço mental desprendido, para não exagerar na dosagem, e assim não estafar o cérebro através do qual eu me manifesto neste mundo, já que uma vez extrapolei os seus limites, pois não parei até que tivesse conseguido alcançar aquilo que eu estava pretendendo desvendar, por isso fui acometido de uma gravíssima estafa mental, pelo que considero o cérebro humano ainda muito frágil para a pretensão do meu repuxo, tanto para adquirir como para transmitir o saber.

Após isso, quando eu percebo que o cérebro está dando sinais de cansaço, como que pedindo arrego, pela impossibilidade de continuar suportando a uma situação de extrema intensidade posta para si, eu dou uma pausa e passo imediatamente a revisar aquilo que escrevi, mas sem lhe fornecer qualquer descanso total. Porém, a leitura para mim é prazerosa, então eu fico em uma espécie de relachamento quando estou apenas revisando aquilo que escrevi. Daí a minha afirmativa mais acima de ser difícil a compreensão da razão para tanta preguiça mental por parte da maioria dos seres humanos. Meu Deus, como é que alguém pode não sentir um imenso prazer na leitura, estando ciente de que está apreendendo o saber, ou mesmo estendendo os seus próprios atributos, que comandam os seus órgãos mentais!

A leitura pode ser considerada como se fosse uma estrada bem pavimentada que não tivesse um fim, ou um ponto de chegada, em que a paisagem vai se modificando a cada quilômetro, assim devagarinho, para que possa ser contemplada em toda a sua extensão, e assim permita exibir ao contemplador cada um dos seus detalhes exuberantes, tornando-se cada vez mais bela a cada quilômetro percorrido, pois que um assunto sempre leva a outro mais elevado, então a viagem por essa estrada tem que ser eterna, pois que não cansa a vista, muito pelo contrário, vai a aguçando cada vez mais, a todo o instante, pois que o leitor vai ultrapassando de maneira confortável a todas as barreiras que impedem o saber, já que nessa viagem o tempo é um aliado, pois que não modifica a velocidade em função do espaço.

Muitas pessoas expressaram os seus pensamentos acerca da leitura. Mas eu não vou recomendar e nem fornecer o meu parecer sobre esses pensamentos, para que assim o amado leitor possa analisá-los e tirar as suas próprias conclusões sobre cada um, fazendo o seu raciocínio trabalhar no sentido de interpretá-los consoante o seu saber. Esses pensamentos são todos variados, sendo provenientes dos mais diversos tipos de seres humanos. Então eu vou apenas reproduzi-los, citando as suas fontes geradoras, que são os seguintes:

Autor desconhecido:

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde”.

André Maurois:

Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo”.

Hermann Hesse:

A leitura, após certa idade, distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar”.

Albert Einstein:

Com a fama, você sabe, você pode ler sobre você, alguém dá ideias sobre você, mas o que é importante é como você se sente sobre si mesmo, de sobrevivência e de vida do dia a dia com o que surge”.

Marilyn Monroe:

A leitura é a chave para se ter um universo de ideias e uma tempestade de palavras”.

Pedro Bom Jesus:

Um dia triste, um bom lugar para ter um livro e o pensamento lá em você”.

Djavan:

Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer”.

Jerome David Salinger:

Pegue a sua xícara e leia à vontade: um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente… e não a gente lendo ele”.

Mário Quintana:

O ato da leitura é muito bom. Expande os horizontes, aumenta o vocabulário e nos torna mais flexíveis para argumentar”.

Ninah Alves:

Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas”.

Goethe:

É interessante ler tantas opiniões. Cada mente é um mundo diferente. O importante é ser feliz e deixar a sua natureza dirigir a sua vida”.

Ricky Martin:

Hei garoto! Sabe ler com ironia? Lá vai: você foi muito importante para o meu amadurecimento”.

Mariana Lobo:

Ler um bom livro… algo tão poderoso capaz de mudar o rumo da sociedade. Leia”.

Edson Andrey de Araújo Falcão:

Ler é importante, aprender é essencial, mas saber interpretar é fundamental”.

Autor desconhecido:

Ler é fundamental, escrever é só consequência”.

Marinho Guzman:

Eu penso e escrevo. Eu escrevo e leio. Nao importa se ficou bom ou não! Só importa que eu pus a mente a funcionar!”.

João Alves:

Um bom livro ajuda a fugir da realidade bruta. Leia para amadurecer mais do que se é necessário!”.

Moema Miranda:

Se nada der certo hoje relaxe, fume um cigarro, tome um café e leia um bom livro, ou até mesmo ouça uma boa música, pois assim que estiver com a alma leve e a cabeça livre tudo se ajeita”.

Serginho Maschi:

Eu só quero alguém que me leia como um bom livro e desfrute de cada capítulo na ânsia desesperada de conhecer o final dessa história”.

Day Anne:

A leitura de um livro de qualquer autor é análoga à leitura da aura de qualquer espírito, pois através de ambos podemos observar a alma de quem se nos apresenta”.

Pamam:

De início leia tudo aquilo que lhe vem às mãos, para que assim possa adquirir uma cultura diversificada. Quando se julgar realmente instruído a respeito das mais diversas culturas, passe então a selecionar as suas leituras, em conformidade com o seu melhor julgamento.

 

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