12.09- A palavra

Prolegômenos
13 de junho de 2018 Pamam

É sabido que a insinceridade é o ponto no qual se apoia a imaginação. E se mesmo através da sinceridade a imaginação manifesta toda a irrealidade da vida, o que não dizer daquilo que ela manifesta através da insinceridade? Por aqui já se pode avaliar tudo aquilo que os seres humanos podem manifestar ao ocultar os seus próprios pensamentos imaginativos, revelando outros que não são originários do seu próprio modo de pensar, em conformidade com as suas intenções de natureza estritamente pessoal, que não sendo assim manifestadas, ensejam a que eles passem a se utilizar de palavras impróprias, inadequadas, inconvenientes, em função das suas falseabilidades. Conclui-se, então, que os seres humanos ainda não reconhecem o devido valor que possui o pensamento, e nem tampouco as palavras que dele são provenientes, através das quais eles manifestam as suas inteligências, por conseguinte, conclui-se também que as suas inteligências ainda são pouco desenvolvidas. Em resumo: a nossa humanidade é ainda muito atrasada, espiritualmente falando.

Não se inventam palavras para ocultar o próprio pensamento e manifestar outros que sejam condinzentes com os próprios interesses que se queiram revelar a outrem. Isto é falsidade, hipocrisia, dissimulação, fingimento.

Quando a pessoa se encontra impedida de manifestar o próprio pensamento em um determinado ambiente, ou mesmo a outrem, por um motivo ou outro, que permaneça em silêncio, pois que assim o seu espírito lucrará muito mais, deixando de incidir em um grave erro, agravando ainda mais o seu estado psíquico, que já não é dos melhores. As palavras devem ser diretamente proporcionais aos pensamentos, estando ligadas clara e abertamente a eles, e não aos próprios interesses, que causam a produção de falsos pensamentos. Assim, e somente assim, podem ser observados os homens de caráter, leais, francos, sinceros, os que são realmente detentores da moral e da ética, portanto, os verdadeiramente educados.

Sendo o espírito detentor da mais elevada moral em toda a nossa humanidade, em que o seu caráter sempre se revela de modo leal, franco e sincero, Luiz de Mattos tinha a plena consciência de tal realidade, como comprova em sua obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, a página 27, quando assim se expressa:

 “É isso que se conclui dessa e outras parábolas dos Evangelistas, atribuídas a Jesus, o Cristo, cuja autoria deve ser posta em dúvida em seu todo, como noutras cartas explicaremos.

Inventar palavras para ocultar pensamentos, querido Álvaro Reis, só é dado aos diplomatas, poços de mentiras convencionais, e não aos cristãos, que têm a obrigação de explanar e praticar a verdade por toda a parte.

Quer isto dizer que a palavra que não exprimir o sentir, o pensamentos do ser humano, não deve ser tomada a sério, e não se a pode atribuir a qualquer homem honrado (grifo meu), quanto mais a Jesus, o Cristo, o maior dos democratas e dos seres verdadeiros que à Terra têm vindo”.

O termo palavra é proveniente do grego parabolé, com o sentido de comparação, alegoria sob a qual se oculta uma verdade importante, e também do latim parabola. Ela possui vários significados, dentre os quais os seguintes:

  • O som articulado de uma ou mais sílabas, que tem um sentido;
  • Fonema ou grupo de fonemas com uma significação;
  • Termo, vocábulo, dicção;
  • Faculdade que o ser humano tem de exprimir as suas representações imaginativas por meio da voz, através da fala, ou da escrita, nesta por intermédio do livro, mas que no futuro deverá formar uma concepção para que possa exprimir as suas ideias;
  • Promessa verbal pela qual alguém se obriga a algo;
  • Afirmação, declaração;
  • Promessas vagas, discursos vãos, em oposição a ação, a obras;
  • Palavra dada, obrigação contraída;
  • A expressão do pensamento;
  • Etc.

Todos nós sabemos, e a História confirma plenamente, que nós, os seres humanos, desde os primórdios da nossa existência como humanidade, sempre sentimos uma grande necessidade de nos comunicarmos entre nós. Nesse permanente esforço de intercomunicação, nós fomos codificando os sons que éramos capazes de emitir, e, assim, começamos a formar as palavras com as quais hoje conseguimos exprimir as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, primeiramente através de representações das imagens, por intermédio da nossa imaginação, no âmbito da irrealidade, até que conseguimos exprimir os nossos sentimentos e os nossos pensamentos por intermédio da nossa concepção, quando então pudemos formular as nossas ideias no âmbito da realidade.

Foi exatamente para isso que os seres humanos criaram as palavras, para que pudessem se ligar entre si, desenvolvendo a linguagem e formando os diversos idiomas, em que podemos destacar o permanente esforço desprendido de se religarem ao infinito, a esse poderoso desconhecido que tanto temiam e respeitavam, desenvolvendo teologias e formando os mais diversos tipos de credos e seitas, no âmbito do sobrenatural, fugindo à naturalidade que existe na própria natureza, ansiosos por desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, até conseguirem alcançar a esse desiderato, por intermédio do Racionalismo Cristão.

O grande problema encontrado, até hoje, nas palavras, é que elas têm as suas formações provenientes das representações por imagens, em suas combinações, decorrentes da imaginação humana, que em uma determinada época representam as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza de uma determinada forma, em outra época de outra forma, e assim por diante, o que possibilita que com o decorrer do tempo as suas utilizações sejam alteradas, estando submetidas a estas influências, por isso vão perdendo o seu significado original e o conceito que elas encerram vai se alterando e se diversificando ao ponto de quase chegar a ser antagônico à representação imaginativa que lhe deu origem.

Se eu perguntar, neste momento, ao querido leitor, o que ele entende por religião, estou certo de que dificilmente iria encontrar uma igualdade de conceitos, muito embora, todos nós possamos saber agora o que ela na realidade significa. Esta possível constatação de divergências no conceito e incongruências da compreensão, pode, desde já, levar-nos a concluir que, religião, aproximava-se mais de um sentimento profundo do que propriamente do resultado de uma concepção mental, que nos possibilita a formulação de uma ideia ao seu respeito de que a religião, na realidade, é um tratado que se ocupa da captação de conhecimentos metafísicos acerca de uma parcela do Saber, com o objetivo de formar uma doutrina, a qual possa servir de fonte para as experiências físicas científicas correspondentes a essa parcela do Saber, pois já é sabido que os nossos órgãos mentais devem trabalhar segundo as suas funções e finalidades.

O próprio Luiz de Mattos afirma que “Palavras, leva-as o vento”, mas isto porque as palavras vêm carregadas de pensamentos, próprios das pessoas ou falseados, por isso elas vão se alojar na atmosfera terrena, quando oriundas de pensamentos negativos, e rompem a atmosfera terrena, quando oriundas de pensamentos positivos, não materializados.

Além do mais, as palavras não são esquecidas tão facilmente, principalmente aquelas que são proferidas nos momentos de discussões, de desentendimentos, de intrigas, e tudo o mais que seja correlato, pois que geralmente elas são ferinas, deixando na imaginação humana uma impressão penosa, que leva à mágoa, ao estado pesaroso, à inconformação pela agressão verbal sofrida, assim elas tendem a voltar à lembrança daquele que as ouviu e a desfazer, para sempre, toda a ilusão, fazendo estremecer a existência de um grande afeto.

A explicação para isso é que os sentimentos são os formadores dos conhecimentos e os pensamentos são os formadores das experiências que compõem o acervo da imaginação do ser humano, e todas as palavras são provenientes desse acervo, em que os atributos comandam as suas naturezas, sejam eles superiores ou inferiores, positivos ou negativos. Os sentimentos produzidos emitem as vibrações magnéticas, os pensamentos produzidos emitem as radiações elétricas, e as suas combinações produzidas emitem as radiovibrações eletromagnéticas, que cruzam a atmosfera terrena em todas as direções, formando os mais diversos tipos de correntes. Assim, como tudo isso é o gerador das palavras, estas são proferidas carregadas de vibrações magnéticas, de radiações elétricas e de radiovibrações eletromagnéticas, que influem diretamente nos corpos mentais daqueles que se encontram a ouvi-las, o que implica em dizer que nós, os seres humanos, a partir de agora, devemos formular uma ideia precisa acerca das palavras que proferimos, o que somente se consegue através da concepção acerca da realidade da vida, para que assim, cientes dos seus conceitos, possamos promover a felicidade geral aqui neste mundo Terra.

E não nos esqueçamos de que, fazendo a felicidade dos nossos semelhantes, faremos também a nossa felicidade, porque viver em um ambiente de felicidade, paz, serenidade e calma, cujo ambiente tanto pode ser o que nós interagimos diretamente como o que nós interagimos indiretamente, pois que devemos estar cercados da amizade espiritual por todos os lados, para que possamos oferecer e receber os carinhos afáveis de todos, sem exceção, e assim todos possam ficar ao abrigo da cobiça, do egoísmo, da ambição, do orgulho, da inveja, do pessimismo e de tudo o mais que possa entristecer e perturbar a alma, aí sim, a nossa humanidade poderá passar a conhecer verdadeiramente os primórdios da felicidade, em que através da amizade espiritual emerge a solidariedade fraternal.

Para tanto, torna-se agora necessário que um só idioma se torne a língua oficial de toda a nossa humanidade, e esse idioma é o Esperanto, o qual foi estabelecido em obediência ao plano para a nossa espiritualização. Ao ser estabelecido o Esperanto no seio da nossa humanidade, aqueles seres humanos mais evoluídos, que conseguiram formar uma concepção acerca da verdade, da sabedoria e da razão em seus corpos mentais, e que são os filólogos, deverão formar uma ideia precisa e acertada a respeito de cada uma das palavras, sendo cientes de que não existem duas palavras iguais, assim como não existem duas coisas iguais no Universo, e então procederem à elaboração dos novos dicionários, sem sinônimos, apenas a parecença entre as palavras.

Assim, todos os seres humanos poderão formar uma única ideia acerca de cada palavra, quando então passarão a utilizá-la com o mesmo conceito, o qual deverá representar o sentido que ela realmente representa. Quando tudo isso for posto em prática, os seres humanos passarão a se entender uns com os outros de maneira autêntica, real, verdadeira, ocasião em que as expressões “eu fui mal interpretado”, “você não me entendeu direito”, “não foi isso o que eu quis dizer”, “deturparam o sentido das minhas palavras”, “desculpe, eu não me expressei direito”, “eu falo em português e você entende em chinês”, “quanto mais eu falo, menos você compreende”, e tantas outras correlatas deixarão de ser proferidas.

Os dicionários, sendo assim elaborados, deverão ser os repositórios das verdadeiras palavras, que servirão de matérias-primas tanto para a fala como para a escrita, possibilitando aos seres humanos a comunicação ideal entre si e os registros dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, com todos ingressando na fase da razão, permitindo esse empuxe, sem que seja preciso voltar ao ponto inicial em que se encontravam, que é a fase da imaginação.

Por isso, quando se falar em dicionário, que representa o repositório das palavras, não se deve mais pensar nos sinais das escritas ocidentais e nem orientais, muitas até em extinção, mas sim e tão somente nos sinais trasmitidos pelo Esperanto, que deverá fornecer o conceito de cada palavra para toda a nossa humanidade, para que toda ela possa utilizá-la com um único propósito, o qual deverá se situar, rigorosamente, no âmbito da espiritualidade, já que todos nós somos espíritos, e não meros aglomerados de carne e osso, que servem apenas de invólucro temporário para que possamos habitar a este mundo.

Serão os dicionários, pois, que servirão de base para que os grandes escritores assumam de vez as suas posições no contexto da nossa humanidade, elaborando as suas obras esclarecedoras e as pondo em livros, que assim poderão ser eternas. Com os maus escritores, que hoje pululam por esse mundo afora, e que são os grandes responsáveis por incentivar as deturpações que vemos na vida, através dos seus escritos mal imaginados, postos em livros, novelas, filmes, e outros mais, deixando de lado a essas suas manias estúpidas de se tornarem escritores, pelo menos até que aprendam o suficiente para que se tornem úteis à coletividade.

As belas-artes têm como finalidade a produção do belo, mas são as palavras as grandes responsáveis pela descrição precisa do belo que elas encerram em si, pois apenas os olhos da cara não conseguem revelar todo o belo que se encerra na alma e que produz as belas-artes. São Tomás de Aquino define o belo como sendo id quod visum placet, ou seja, o que agrada ver, mas nessa sua definição ele esquece da alma, que é verdadeiramente quem produz o belo, o qual somente pode ser descrito através das palavras.

Quanto mais o ser humano é medíocre e vulgar tanto mais ele fica distante do belo. Mas isto não significa que o homem simples não possa produzir o belo, muito pelo contrário, pois que é exatamente na simplicidade em que o belo mais se destaca, já que tudo aquilo que é sofisticado, em que se prima pela complexidade, pode nos trazer apenas alguma produção do sentimento de admiração, mas não do belo, notadamente quando o autor se esforça por tornar complexo aquilo que poderia ser simples, expondo a sua própria vaidade e mania de grandeza, tornando feio aquilo que poderia ser belo.

A natureza é simples em sua feitura, então quanto mais a inteligência for em conformidade com a natureza, em sua simplicidade, tanto mais ela mostrará o belo em consonância com a própria natureza. Então o belo é o objeto da inteligência.  Tendo o ser humano apreendido em seu corpo mental a concepção dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, adentrando com ambas no âmbito da razão, fatalmente os seus atributos superiores e positivos poderão comandar todas as suas ações, fazendo com que ele produza somente o belo.

Aonde podemos observar mais atentamente o belo, é de se indagar: Naquele que luta pela espiritualização da nossa humanidade, ou naquele que luta para deixá-la medrando na ignorância, para disto tirar proveito para si? Naquele que sacrifica a própria vida pela sua pátria, ou naquele que a trai com as suas ações corruptas e desleais, pensando apenas em seus próprios interesses pessoais acéfalos? Naquele que é liberal ou magnânimo em sua dedicação ao próximo, ou naquele que é egoísta e deseja tudo para si, e, ainda não satisfeito com tudo o que tem, deseja ainda mais, cada vez mais? Naquele que é virtuoso e se esforça por levar uma vida decente com base na moral e na ética, portanto, na educação, preservando a sua honra, ou naquele que se deixa levar por uma vida criminosa, passando ao largo dos preceitos educacionais, manchando indelevelmente a sua honra? Naquele que é pai de família e prima por dar o bom exemplo aos seus familiares, ou naquele que dá o mau exemplo através das suas ações indignas e injustas? Naquela que é mãe e que se dedica com esmero aos cuidados da sua prole, educando-a e a preparando para a vida, ou naquela que a abandona para cuidar exclusivamente da sua profissão e dos seus lazeres destemperados? Naqueles que formam um casal repleto de amor e companheirismo, em que as dedicações recíprocas e as fidelidades mútuas são as tônicas da relação amorosa, ou naqueles casais que brigam entre si, agridem-se mutuamente, e traiem uns aos outros, manchando e tornando a luz do lar uma verdadeira mancha enegrecida de trevas?

Tudo isso e muito mais é o que deve servir de campo para que os escritores possam pautar os seus escritos no belo que existe na vida, ressaltando e incentivando o viver pautado nas linhas retas e certas do bom viver ordenado, elaborando as suas obras e as transmitindo através dos livros, ou mesmo através da comunicação eletrônica, sendo justamente isso o que os grandes escritores fazem em suas vidas. Mas os maus escritores, os medíocres, os devassos, que são os partidários do luxo, das intrigas, dos conflitos, das traições, das violências, do egoísmo, do sexo desregrado, da ambição, agem exatamente ao contrário do que deveriam agir, em que as suas almas escuras ficam expostas em suas obras nocivas à coletividade. Estes, ao invés de utilizarem as suas obras para aprimorar os sentimentos e os pensamentos dos seres humanos, conduzindo-os para a decência e para a honra, utilizam-nas para a indecência e a desonra, materializando-os cada vez mais, e ainda se julgam grandes escritores, simplesmente porque vendem aos montes as suas porcarias postas em livros, ignorando completamente que as suas almas se encontram neles expostas, à vista daqueles que realmente sabem observar e compreender o teor de tudo aquilo que se encontra escrito nas mais diversas obras que existem.

É certo que o belo é acessível também aos sentidos e os põem em um estado de bem-estar e de satisfação, quando o ouvido se encanta com uma boa música e os olhos se comprazem com as harmoniosas formas plásticas. Mas isto é decorrente, por um lado, das condições da arte, que representa quase uma encarnação de uma representação em uma matéria, e, por outro lado, dos sentidos do ser humano tentarem penetrar a razão, em função da unidade — verdade, sabedoria e razão — tenderem a fazer parte do composto humano. A inteligência, com efeito, deve sempre intervir, seja de uma maneira ou de outra, caso contrário não poderá haver a percepção e a compreensão propriamente dita do belo, uma vez que toda percepção e compreensão do belo supõe a existência de um juízo, que se encontra implícito, o que significa dizer que o belo é obra da nossa inteligência.

A nossa humanidade se encontra em constante e ininterrupta evolução, obtendo cada vez mais a consciência acerca do pensamento, o qual antecede as nossas ações, e como ele antecede as nossas ações, antecede também às formações das palavras. Na realidade, nós não pensamos com palavras, mas sim com ideias, mas como estamos encarnados em um mundo de relatividade, devemos exprimir as nossas ideias formuladas pelos pensamentos, através de palavras, daí a extrema necessidade de toda a nossa humanidade falar apenas um só idioma, com cada palavra tendo apenas um único conceito, para que todos os seres humanos possam se entender uns com os outros, o que somente é possível através da espiritualização, e esta somente o Racionalismo Cristão é capaz de proceder.

Assim, as palavras têm a função de representar os nossos pensamentos humanos, que para serem devidamente representados e compreendidos pelas palavras, estas têm que constituir uma única unidade de toda a linguagem posta neste mundo. Desta maneira, muitas palavras que se juntam para formar uma terceira deixarão de existir, para que apenas uma única palavra a represente, conceituando-a e a definindo, como são os casos das palavras compostas, tais como guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca, que, queiramos ou não, são palavras postas dentro de palavras, em virtude da linguagem adotada ainda não ser propícia para a adoção de uma única palavra para as coisas, os fatos e os fenômenos universais, como é o caso do Esperanto.

Todos nós, seres humanos, somos médiuns intuitivos, sendo através desta mediunidade de intuição que os espíritos atrasados integrantes do astral inferior se aproximam de nós para nos intuir para o mal e para as práticas dos mais diversos tipos de vícios, e, quando não, através de outras mediunidades, como as da vidência, audição, incorporação e outras, com os mesmos objetivos. Assim como também os espíritos de luz que integram a plêiade do Astral Superior também se aproximam de nós para nos intuir para o bem e para a prática de ações salutares, que visam tanto ao nosso bem como ao bem comum. Tudo segundo a natureza dos nossos pensamentos, com os quais atraímos o mal ou o bem.

Quando os seres humanos estiverem mais esclarecidos e passarem a receber apenas as intuições superiores, poderão então constatar plenamente que na intuição recebida, os espíritos de luz nos mostram o caminho a ser seguido, mas sem afirmarem taxativamente aquilo que devemos ou não devemos fazer, pois que temos o nosso livre arbítrio e o discernimento racional para podermos decidir aquilo que devemos ou não devemos fazer, devendo a decisão acertada caber a nós mesmos, pois que não somos teleguiados. Essas intuições deverão ser recebidas em modos de ideias, as quais poderão ter as suas formas produzidas através das palavras, quando então a semântica deixará de ser o estudo das mudanças ou translações sofridas no espaço e no tempo, pela significação das palavras, já que cada uma delas terá o seu próprio conceito, com as ideias devendo coincidir com a escrita, o seu aspecto gráfico, pelo menos até que a telepatia venha a se fazer valer neste mundo, quando então tudo será comunicado e transformado através da produção do pensamento.

Pode-se observar claramente uma ação decorrente da intuição, que também pode ser decorrente da irreflexão, quando alguém toma uma decisão súbita e, ao mesmo tempo, pauta a sua ação em função dessa decisão. Em seu aspecto gráfico, as expressões mais utilizadas são as seguintes: “de repente”, “repentinamente”, “de súbito”, “subitamente”.

Sempre quando nos referimos à palavra enquanto um conjunto formado por letras, ela é parte da linguagem escrita ou gráfica. Mas quando nos referimos à palavra enquanto um conjunto de sons, ela é parte da linguagem falada ou glótica. Contudo, em ambos as partes, a palavra assume o aspecto físico daquilo que se quer comunicar, e a este aspecto físico nós denominamos de vocábulo, ou seja, a palavra que faz parte de uma língua. Daí a razão pela qual a nossa humanidade tem que falar apenas uma língua, para que o seu vocabulário venha a ser formado de um único conceito para cada palavra, exprimindo assim uma única ideia a respeito de cada uma delas, cuja ideia deve ser comum a todos, facilitando assim as interpretações corretas das frases, e sem a necessidade de traduções e melhores interpretações.

Atualmente, as palavras não exprimem ideias, mas sim representações imaginativas através de imagens, em suas combinações, pois que os seres humanos não possuem qualquer ideia do que seja a realidade, uma vez que ainda devem formar uma única concepção ao seu respeito, por isso eles possuem apenas imagens daquilo que julgam conhecer, que formam as suas imaginações. Enquanto os seres humanos não apreenderem em seus corpos mentais a concepção acerca da realidade, as suas representações imaginativas carregarão sempre um sentido diferente por trás das palavras escritas ou faladas que empregam, mais acentuadamente nas faladas, em que o termo das palavras empregadas geralmente não expressam o termo do propósito do falante, havendo, pois, sempre dois termos.

Os termos, assim mesmo, no plural,  podem ser considerados como sendo as áreas circunscritas que compreendem o sentido intencional do falante e o sentido que este pretende dar às palavras que se encontra a proferir. O ouvinte, então, pode agir segundo o sentido que mais for conveniente para ele, seguindo literalmente aquilo que o falante pronunciou, cujas palavras não pode mais retirar, a não ser que seja muito cínico, hipócrita e mentiroso, ou seguindo aquilo que conseguiu perscrutar na intenção do falante, correndo o risco deste negar a sua intenção e repetir literalmente aquilo que pronunciou. É por isso que a imaginação tem como o seu ponto de apoio a insinceridade.

Quando o correto é o termo, assim mesmo, no singular, que possibilita a determinação de um único sentido para as palavras empregadas, uma vez que o seu teor tem um fim, um remate, uma conclusão. Mas isto somente somente pode ser posto em prática através da concepção da realidade, em que as ideias podem ser formuladas universalmente, com cada palavra tendo apenas um único conceito, quando então a concepção terá como ponto de apoio a sinceridade, em oposição à imaginação, que tem como ponto de apoio a insinceridade.

Note-se que o termo pode também dizer respeito a outras coisas, como as formas de se haver, as formas das maneiras, as formas do proceder, e outras formas, mas o que mais se adequa para o termo é o modo de escrever ou de falar, quando então surgem os termos empregados nas escritas ou nas falas, quando pode se dizer que alguém escreveu em termos eruditos, em termos científicos, em termos sobrenaturais, etc., ou então que alguém falou em  termos sérios, em termos de brincadeira, em termos de gozação, etc., quando então muitos utilizam a palavra tons, ao invés de termos.

É óbvio que uma palavra deve ter um e apenas um conceito daquilo que ela significa, sem que haja um sinônimo para ela, caso contrário o seu sentido será alterado, pois que o sinônimo implica na mesma significação da palavra, estabelecendo a sua igualdade, e, como já posto, não existem duas coisas iguais no Universo, pode sim, estabelecer a igualdade para uma espécie, como a da espécie humana e outras, mas sabendo de antemão que todos os seres humanos são diferentes uns dos outros, assim como os outros seres, assim como também estabelecer a mesma classe para as coisas, e outros termos correlatos.

Então as palavras podem ser combinadas para que possam formar as frases, que assim poderão ensejar um único modo de falar, sem muito esforço para a sua interpretação, já que o seu conjunto passa a formar um sentido completo, desde que sejam bem concatenadas nas orações e nos períodos. Assim, pode-se extinguir com o escrever ou o falar engrolado, através de frases sonoras, de efeitos, mas pobres ou vazias de sentido. E então construir um novo escrever e falar, dispondo as ideias em frases, que realmente vão expressar os verdadeiros pensamentos de quem escreveu ou falou, com sinceridade.

Há que sempre se levar em conta a utilização dos morfemas, em que a palavra morfo significa a forma que completa a terminação do fonema, sendo este o conjunto dos órgãos fonadores, cujo efeito acústico representa, em uma enunciação, o mínimo segmento distintivo. Todos sabem que as línguas que são faladas atualmente não têm os seus fonemas correspondentes necessariamente às letras das suas grafias usuais, e somente em transcrição fonética são indicados de maneira rigorosa e sistemática. O fonema s, por exemplo, é representado por c antes de e e i; por ç antes de a, o e u; por s; por ss, entre vogais; e por x.

O morfema, então, é o elemento que confere o aspecto gramatical ao sematema, que encerra o significado da palavra, relacionando-o na oração e delimitando a função e o significado, podendo ser dependente, tais como os afixos, as desinências, etc., e independentes, tais como as preposições, as conjunções, etc. Mas o morfema pode ser mais bem compreendido como sendo o elemento que faz parte de um todo linguístico, como na palavra, na frase, no som, etc., que se pode separar ou conceber separada desse todo, mediante a análise. Então o morfema, o sematema, o fonema, o acento, etc., são elementos que se podem separar.

Em sua estrutura, a palavra é composta de um núcleo semântico, que é a sua base mórfica ou raiz. Além dela, os demais elementos são periféricos. Assim, a palavra pode ser composta apenas pelo seu núcleo, a sua base, como em mar, feliz, ou então possuir morfemas periféricos, como em marinho, infeliz.

O morfema gramatical desempenha a função estritamente gramatical em transformar um adjetivo em adverbio. Na palavra felizmente, por exemplo, dizemos que feliz é um morfema lexical ou lexema, por ter um sentido dicionarizável, ou seja, podemos fornecer uma definição de feliz. No entanto, a palavra mente, sendo um morfema gramatical, encontra-se desempenhando a função de tranformar o adjetivo feliz no advérbio felizmente.

Os linguistas distinguem quatro tipos de morfemas gramaticais:

  1. Bases: a estrutura primária da palavra em que os demais fonemas se ligam;
  2. Afixos ou morfemas derivacionais: na língua portuguesa os afixos podem ser classificados conforme seja a posição em que são colocados na palavra em relação ao radical, da seguinte maneira: prefixos, que é o afixo que se acrescenta antes do radical, como em bibliografia, internet, quando o acréscimo muda o sentido básico do radical, e sufixos, que é o afixo que se acrescenta depois do radical, como em plantação, globalização, quando o acréscimo muda o sentido básico e até a própria classe gramatical da palavra, o que implica em dizer que na língua portuguesa não há infixos, o que certamente ocasionaria alguma confusão no meio das palavras;
  3. Vogais temáticas: são as vogais que se acrescentam a alguns radicais, antes das desinências, sendo que esses morfemas são necessários em alguns casos para que uma palavra receba desinências ou sufixos, os quais são classificados da seguinte maneira: vogais temáticas nominais, que são vogais com a, o ou e, acrescidas às palavras paroxítonas ou proparoxítonas, tais como bola, livro, estudante, e vogais temáticas verbais, que são vogais como a, e ou i, acrescidas a radicais verbais, em que estas vogais formam as chamadas conjugações, com a vogal a caracterizando os verbos de 1ª conjugação, o e os de 2ª conjugação, e o i os de 3ª conjugação, tais como alegrar, torcer, sorrir, sabendo-se que o tema é a união entre o radical e a vogal temática;
  4. Desinências ou morfemas flexionais: a desinência é um morfema, o elemento final, o elemento morfológico, o sufixo gramatical, ou, simplesmente, a terminação que indica a flexão de uma palavra em gênero, número, modo, tempo, etc., podendo ser classificadas em dois tipos essenciais, a saber: desinências nominais, são as que indicam o gênero e o número nos nomes, tais como substantivos, adjetivos, etc., em que, geralmente, as desinências são o e a, para indicar o gênero, desconsiderando os casos especiais como avô e avó, bom e boa, e s, ou a sua ausência, para indicar o número, temos como exemplo a palavra meninas, em que menin é o radical, a, é a desinência de gênero feminino, e s, é a desinência de número, e desinências verbais, que são as que indicam a pessoa, o número, o modo e o tempo nos verbos, que são classificadas da seguinte maneira: desinência número-pessoal, indica o número e a pessoa, e a desinência modo-temporal, indica o modo e o tempo, tendo como exemplo a palavra abraçaríamos, em que abraç, é o radical, a, é a vogal temática, r, é a desinência do infinitivo, ía, é a desinência modo-temporal, e mos, é a desinência número-pessoal.

Em morfologia, um morfema gramatical é um monema dependente, ou seja, um fragmento mínimo capaz de expressar um significado ou a menor unidade significativa que se pode identificar. É um constituinte morfológico. Assim, as palavras, ao contrário do que pode parecer, não correspondem às menores unidades gramaticais da língua, pois uma palavra como infelicidade, por exemplo, resulta da combinação de três elementos menores, quais sejam, o prefixo in, o radical feliz, em que o z tem o som de s, então muda para c na formação da palavra, para não perder as eufonia, a vogal de ligação i, para proporcionar eufonia, e o sufixo dade, o qual é acrescido a adjetivos para formar substantivos que expressam a ideia de estado, situação ou quantidade, como em leal + dade, que se torna lealdade, algo que os políticos e os demais servidores públicos corruptos deveriam ter para com a sua pátria, não a traindo e dela não se locupletando.

Cada um desses elementos é um morfema da língua portuguesa, e nenhum deles pode ser fragmentado, sob o ponto de vista morfológico, pois todos são unidades mínimas sob o ponto de vista da linguística estrutural. Cada um desses morfemas é utilizado para a construção de outras palavras. O prefixo in, por exemplo, ocorre também em infeliz, indistinto, involuntário e insatisfeito; o radical de feliz aparece também em felicidade, felizmente, infelicitar e felizardo; e o sufixo idade, ocorre também em velocidade, castidade, maioridade e habilidade. Com isso, cada morfema carrega um significado básico ou uma função, e a união deles designa, modifica ou se opõe ao significado inicial, criando novos significados.

Com relação ao morfema livre, assim considerado, podemos dizer da palavra feliz, que pode aparecer sozinha formando a palavra, como também na palavra veloz e outras. Já o morfema preso nunca pode aparecer sozinho, como no prefixo in e nos sufixos idade e mente, pois que eles precisam sempre se ligar a pelo menos um outro morfema no interior de uma palavra. Quando a ausência do morfema é significativa, a função é considerada cumprida pelo morfema zero, o que implica em dizer que o morfema também pode ser um morfema ausente.

A alomorfia é a passagem de uma forma para outra, diferente, como em uma metamorfose, já que, idealmente, um mesmo morfema deveria ter sempre uma única forma constante e um único significado ou função constantes. Mas, na realidade, os morfemas variam em sua forma, dependendo da posição onde ocorrem, ao que denominamos de alomorfia. Temos como exemplo disso o morfema saúde, que tem uma forma quando aparece nas palavras saúde e saudável, mas que tem outra forma quando aparece na palavra salutar e insalubre. Analogamente, o prefixo in apresenta formas diferentes nas palavras insincero, impossível e ilegal, ao que chamamos a essas formas de variantes alomorfas do morfema.

Alguns autores utilizam o termo monema, ou seja, a unidade mínima de significação, que pode ser um radical primário, um sufixo, uma desinência, etc., para designar tanto os lexemas, sabendo-se que o termo lex é proveniente do grego e significa a ação de ligar, que encerra o significado das palavras, como os morfemas gramaticais. Outros utilizam o termo morfema para designar qualquer tipo de monema, seja um monema dependente ou não dependente.

As palavras podem ser variáveis ou invariáveis. Estas, são sempre empregadas da mesma forma, como cada, alguém, apresentando-se sempre da mesma forma como constam em um dicionário, então as preposições, as conjunções e advérbios são sempre invariáveis. E aquelas podem se apresentar de maneiras diferentes de acordo com as suas especificações morfossintáticas, como o, a, os, as, leia, leem, então os artigos, os pronomes e verbos quase sempre são variáveis, assim como também os adjetivos e os substantivos quase sempre são variáveis, apesar de existirem alguns invariáveis, como simples, tórax, bônus.

As palavras primitivas são aquelas cujas formações não tiveram origens a partir de outros radicais, como em pedra, flor, casa, livro, papel, etc. Estas palavras em um processo derivacional podem dar origens a novas palavras, como em pedraria, florescer, caseiro, livararia, papelaria, etc.

Sabendo-se que a escrita é a maior invenção da nossa humanidade, é óbvio então que somente através das palavras a escrita pode ser exercida. E quanto mais as palavras forem sendo formadas com correção e conhecidas por um único conceito, tanto mais os seres humanos conseguirão se entender entre si. Muitos se consideram eruditos por se julgarem sabedores de muitos sinônimos, ignorando que todos os sinônimos são falsos. Então, o verdadeiramente erudito é aquele que procura fornecer o verdadeiro conceito para cada palavra, tornando cada uma delas como sendo a detentora do seu próprio sentido.

Pode-se compreender ainda melhor o significado das palavras com elas representando as trocas dos acervos entre os seres humanos. Para tanto, façamos uma analogia com as trocas dos acervos entre os seres atômicos, uma vez que dos seres atômicos aos seres humanos todos são igualmente seres, e que por isso trocam os acervos entre si, cujos acervos foram adquiridos no decorrer do processo da evolução.

Em um ser atômico, os acervos que ele tem para fornecer partem do seu corpo fluídico e passam a formar os prótons, de onde seguem para formar os elétrons, em que estes são fornecidos aos demais seres atômicos, que, por sua vez, recebem a esses elétrons, os quais partem para formar os nêutrons, de onde seguem diretamente para os corpos fluídicos dos seres atômicos que os receberam. Os elétrons, portanto, são as unidades das trocas de acervos que ocorrem entre os seres atômicos.

Em um ser humano, os acervos que ele tem para fornecer partem do seu corpo mental e passam a formar as palavras, de onde seguem para formar os livros e outros, inclusive as conversações, palestras, seminários, etc., em que essas palavras são fornecidas aos demais seres humanos, que, por sua vez, recebem a essas palavras, as quais partem para formar os seus acervos de conhecimentos e de experiências, inclusive para formar os seus atributos, através das suas apreensões e da formação de um juízo a respeito. As palavras, portanto, são as unidades das trocas de acervos que ocorrem entre os seres humanos.

Há que se constatar, pois, uma verdadeira analogia entre os elétrons e as palavras.

 

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