12.07- O Quociente de Inteligência – QI

Prolegômenos
10 de junho de 2018 Pamam

Torna-se até um tanto quanto pitoresca a petulância de determinados seres humanos, que sem qualquer noção acerca da inteligência, tanto da sua origem como do seu processo de desenvolvimento, assim como dos seus mecanismos, seja ela humana ou infra-humana, atreverem-se a medi-la em relação aos seus semelhantes. Ignoram esses seres humanos que todos nós somos partículas de Deus, dos seres atômicos aos seres humanos, e que, portanto, somos partes da Inteligência Universal, por isso estamos em ascensão a Ela, por intermédio do processo evolutivo, o que implica em dizer que todos os seres possuem uma inteligência que lhes é característica, consoante o estágio evolutivo em que se encontram.

E além de não possuírem qualquer noção acerca da inteligência, não possuem também qualquer noção acerca do processo da evolução, notadamente acerca da evolução espiritual. Caso esses seres humanos soubessem que a evolução é o maior dos preceitos universais, ao qual todas as leis, princípios e os demais preceitos se submetem, poderiam compreender que os espíritos podem lançar mão de incontáveis recursos para que possam evoluir, o que implica diretamente nas manifestações das suas inteligências aqui neste mundo-escola.

Assim, temos o exemplo de muitos espíritos que possuem os seus intelectos muito desenvolvidos, mas que não souberam fazer uso a contento desse órgão mental, por isso eles reencarnam como meros trabalhadores braçais, como simples operários, como comuns escriturários, como singelos trabalhadores rurais, etc., deixando latente a sua utilização que antes era posta em primeiro plano, para que então possam desenvolver os atributos que julgam necessários para a sua utilização a contento, ou mesmo para que possam desenvolver aos outros dois órgãos mentais. Tudo isso para que possam evoluir de maneira mais equilibrada.

Há ainda aqueles que se destacam em relação aos demais na literatura, na poesia, na música, na pintura, etc., por isso são tidos como sendo grandes inteligências, quando, na realidade, não as são, estando apenas desenvolvendo os seus intelectos em uma maior amplitude, para que no futuro possam utilizá-los mais a contento. A educadora Olga B. C. de Almeida, em sua obra Retalhos de Vida, a página 182, tratando acerca do desenvolvimento intelectual, afirma o seguinte:

Música e poesia são dois estágios importantes no caminho do progresso intelectual”.

É tamanha a ignorância dos seres humanos em relação à espiritualidade, que muitos pais se sentem extremamente orgulhosos quando os seus filhos se destacam em relação aos demais, seja na escola, seja nas artes, seja em que setor da vida for, e daí saem propagando ao mundo a genialidade dos seus filhos, impregnando em suas almas o orgulho, a vaidade, a soberbia, a prepotência, fazendo com que eles se sintam como se fossem especiais, mais merecidos que os demais, em função do destaque apresentado. E não somente os pais os colocam em patamares mais elevados, pois os demais seres humanos passam também a considerá-los como se fossem “gênios”, quando não existe qualquer genialidade, tanto nas crianças precoces como mesmo nos adultos, apenas a manifestação do valor do espírito conquistado em sua evolução espiritual. No entanto, esses que são considerados como se fossem “gênios” têm tudo facilitado em suas vidas para que possam aprimorar cada vez mais os talentos que adquiriram no decorrer do processo evolutivo, em detrimento dos demais. Mas o fato é que quando um espírito possui uma certa superioridade, ele por si só alcança os patamares da vida que foram traçados previamente em plano astral, subindo degrau por degrau a escada do progresso, através do seu próprio esforço, em que frutifica o seu merecimento, pois quanto mais obstáculos ele encontrar pela frente, tanto mais esforços deverá empregar, fortalecendo-se cada vez mais. Em relação a essas crianças tidas como se fossem “gênios”, Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias de 1964 e 1965, a página 313, faz a seguinte afirmativa:

Quanto às ‘crianças gênios’, hão de surgir sempre. São espíritos de certa evolução e que não tendo cumprido os seus deveres, reencarnaram trazendo bagagem espiritual proveitosa. Por vezes os pais não estão preparados para receberem esses gênios, e concorrem para o seu avassalamento”.

Não existe o atavismo psíquico, então os pais tanto podem gerar crianças normais, como também podem gerar essas crianças tidas como se fossem gênios, como ainda podem gerar as crianças com deficiências mentais. No caso destas últimas, essas crianças podem possuir uma bagagem evolutiva muito superior à bagagem evolutiva das crianças tidas como sendo “gênios”. No entanto, além de não haverem cumprido com as suas obrigações e com os seus deveres espirituais, elas fizeram mau uso da bagagem evolutiva adquirida, portanto, do livre arbítrio, tendo em consequência que reencarnar nessas condições para que assim aprendam a se utilizar a contento daquilo que adquiriram em suas evoluções espirituais.

A esses pais que cuidam com dedicação e esmero das suas proles que encarnaram com algum tipo de deficiência mental ou mesmo física, nós, os espíritos de luz integrantes da plêiade do Astral Superior, dedicamo-lhes um preito de agradecimento e um tributo de profundo respeito pelos pesados encargos assumidos em relação a esses espiritos, incentivando continuamente a sua prática salutar. E aos pais que se orgulham tanto das suas proles tidas como sendo “gênios”, que se dediquem à espiritualidade e procurem não concorrer para o avassalamento daqueles a quem geraram, cientificando-se de que não existe nenhum espírito que seja especial, sendo todos iguais uns aos outros, sem que nenhum seja mais merecido do que o seu semelhante, tendo todos a mesma importância em relação ao Todo, do ser atômico a Jesus, o Cristo, diferenciando-se apenas em relação ao valor adquirido, pelo fato deste ser fruto do esforço individual desprendido no decorrer do processo da evolução.

Como se pode perfeitamente constatar, os seres humanos primeiro têm que adquirir as primeiras noções de inteligência, apreender o mecanismo do processo da evolução, para somente depois então se disporem a mensurar as suas próprias inteligências. Em relação a essa mensuração, as suas vaidades são tamanhas, as suas ignorâncias são tão extremadas, que eles desconhecendo que são os atributos que comandam aos órgãos mentais, passam a realizar testes de inteligência em todos os setores da vida, inclusive para a contratação de mão-de-obra e o exercício de outras funções importantes na estrutura social, em que esses testes de inteligência se encontram todos voltados para a capacidade cognitiva. Ao invés desses testes de inteligência, principalmente para a contratação de mão-de-obra, assim como também para o exercício de alguma função importante, deveriam fazer testes para avaliar os atributos individuais superiores e os atributos relacionais positivos dos candidatos que se apresentam para essas funções, pois que estes sim, são os que vão realmente determinar a nobreza de caráter dos seres humanos, em virtude de comandarem os órgãos mentais.

Em relação ao Quociente de Inteligência, em que a utilização comum da expressão é abreviada para QI, trata-se de uma medida padronizada obtida por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades congnitivas dos seres humanos, que no caso em questão são consideradas como sendo as suas inteligências. Como a ignorância medra, sobremaneira, praticamente entre todos os seres humanos, é óbvio que não existe um padrão único para essa avaliação, sendo desenvolvidas várias escalas avaliativas. Na escala de Wechsler, os escores são aferidos em comparação ao seu grupo etário, considerando que a população mundial tem um QI médio igual a 100 e que a dispersão dos escores se distribui normalmente com desvio-padrão igual a 15. Na escala de Stanford-Binet é também adotada uma média igual a 100, mas o desvio-padrão é igual a 16. E na escala Cattell, a média adotada ainda é 100, porém o desvio-padrão é igual a 24. Em Probabilidade e Estatística, o desvio padrão é a medida mais comum da dispersão estatística, que mostra o quanto de variação ou dispersão existe em relação à média, que é o valor esperado. Um desvio padrão baixo indica que os dados tendem a se encontrar próximos da média, enquanto que um desvio padrão alto indica que os dados se encontram afastados da média por uma gama de fatores.

Há também escalas que não envolvem escores normalizados, como os primeiros testes de Binet realizados em 1905, em que o QI era determinado pela divisão da idade mental pela idade cronológica e o resultado deste quociente era multiplicado por 100, daí a utilização do termo quociente. E há ainda escalas que utilizam a teoria da resposta ao item, nas quais os escores não são necessariamente normalizados, e são consideradas geralmente mais apropriadas porque são mais semelhantes a escalas intervalares.

Mas os testes de inteligência são bem mais antigos do que muitos seres humanos imaginam, tendo o seu início na China, no século V, e somente começaram a ser utilizados como se fossem cientificamente na França, no século XX. Em 1905, Alfred Binet e Theodore Simon criaram a Escala de Binet-Simon, que foi utilizada para identificar estudantes que pudessem precisar de ajuda nas suas aprendizagens escolares. Mas os autores dessa escala comprovaram que os baixos resultados nos testes realizados indicavam apenas uma necessidade para uma maior intervenção dos professores no ensino dos alunos, e não necessariamente que estes tivessem alguma deficiência inteligencial, ou mesmo uma inabilidade no aprendizado. Esta tese é defendida por muitos autores modernos que não são especialistas nas áreas psicométricas. O próprio Binet, em seu artigo denominado de New Methods For The Diagnosis Of The Intellectual Level Of Subnormals, afirma o seguinte:

Esta escala, propriamente falando, não permite a medida da inteligência, porque as qualidades intelectuais não são sobreponíveis e, portanto, não pode ser medida como as superfícies lineares são medidas, mas são, pelo contrário, uma classificação, uma hierarquia entre as diversas inteligências, e para as necessidades da prática dessa classificação é equivalente a uma medida”.

E se o próprio Binet também afirma que os seres humanos podem aprimorar a sua atenção, a sua memória, o seu julgamento e literalmente se tornarem mais inteligentes do que jamais foram, parece que quis permanecer limitado apenas a essa sua afirmativa, sem atentar para o processo da evolução espiritual, pois que tudo isso que ele também afirmou se trata do processo evolutivo.

Em 1912, Wilhelm Stern propôs o termo Quociente de Inteligência para representar o nível mental, e introduziu os termos idade mental e idade cronológica. Nessa sua proposta, Wilhelm Stern supôs que o QI de seres humanos com menos de 16 anos de idade fosse determinado pela divisão da idade mental pela idade cronológica. Assim, uma criança com idade cronológica de 10 anos e nível mental de 8 anos teria um QI igual 0,8; porque 8 / 10 = 0,8. Se a pessoa tivesse mais de 16 anos, a curva de desenvolvimento intelectual em função da idade estaria quase no seu limite, e a fórmula então deixaria de fazer sentido.

Em 1916, Lewis Madison Terman propôs multiplicar o QI por 100, a fim de eliminar a parte decimal. Assim, a fórmula seria a seguinte: QI = IM / IC x 100; em que IM = idade mental e IC = idade cronológica. Através desta fórmula, a criança citada no exemplo acima teria um QI igual a 80. A classificação proposta por Lewis Madison Terman era a seguinte:

  • 121 – 130: superdotação;
  • 110 – 120: inteligência acima da média;
  • 90 – 109: inteligência normal, ou média;
  • 80 – 89: embotamento;
  • 70 – 79: limítrofe;
  • 50 – 69: raciocínio lento;
  • 20 – 49: raciocínio muito abaixo da média.

Para determinar o QI de um ser humano, Lewis Madison Terman desenvolveu um teste que continha perguntas que iam desde problemas matemáticos até itens vocabulares, o qual pretendia apreender a “inteligência geral”, para assim demonstrar uma habilidade mental inata que ele julgava tão mensurável quanto a altura ou o peso do ser humano. Essa constante fundamental a que Lewis Madison Terman denominava de um “dote original”, não seria alterada pela educação, pelo ambiente familiar ou pelo trabalho cotidiano.

Mas o fato é que teste nenhum consegue mensurar o intelecto do ser humano, pois que nenhum estudioso conseguiu saber ainda a sua função e a sua finalidade, pelas razões postas mais acima. E como os estudiosos ignoram também as funções e as finalidades dos outros dois órgãos mentais, que são o criptoscópio e a consciência, assim como também que eles são comandados pelos atributos individuais e relacionais que formam a moral e a ética, respectivamente, é de se indagar: como eles pretendem mensurar a inteligência do ser humano? Além do mais, existem inteligências superioríssimas, muito mais elevadas do que as inteligências desses estudiosos, o que assim também é de se indagar: como uma inteligência inferior pode conseguir mensurar uma inteligência superior?

Mas mesmo assim, Lewis Madison Terman conseguiu surpreender os Estados Unidos com esse seu teste, através do lançamento da sua obra intitulada The Measurement Of Intelligence, cuja obra em uma de suas metades é um manual de instruções e teste de QI, e em outra sua metade testes universais. Em seu pequeno teste que uma criança poderia terminar em apenas cinquenta minutos, embora nada esclarecesse em relação à realidade da vida, estava prestes a revolucionar o que os alunos aprendiam e a representação imaginativa que eles faziam de si mesmos. Após isso, poucas crianças norte-americanas passaram pelo sistema educacional nos últimos oitenta anos sem fazer o teste Stafor-Binet, ou alguns dos seus concorrentes. O teste de Lewis Madison Terman deu aos educadores dos Estados Unidos o que eles julgam a primeira maneira simples, rápida, barata e aparentemente objetiva de “acompanhar” os estudantes ou destiná-los a cursos diferentes, em conformidade com as suas habilidades de estudo.

Em 1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, Lewis Madison Terman ajudou a desenvolver testes para avaliar recrutas do exército, nos quais mais de 1,7 milhão de convocados se submeteram a esses testes, ampliando ainda mais a propagação dos testes de QI.

O teste de QI fez de Lewis Madison Terman um líder do movimento para levar testes do gênero para além das escolas e das bases militares. Os integrantes desse movimento consideravam a inteligência a mais valiosa das qualidades humanas, por isso queriam testar cada criança e cada adulto para determinar os seus lugares na sociedade. Os “testadores de inteligência”, em cujo grupo se encontravam muitos eugenistas, os esdrúxulos partidários das condições mais propícias à reprodução e melhoramento da raça humana, que muitos estúpidos consideram tal aberração como se fosse uma ciência, viam isso como se fosse uma ferramenta para engendrar uma nação mais forte, mais segura e mais eficiente, controlada por aqueles considerados como sendo os mais qualificados para liderá-la. Na visão que tinham de uma América do Norte nova e vibrante, os resultados de QI ditariam não só que tipo de educação um ser humano receberia, mas também que função ele poderia desempenhar, assim como também que emprego poderia conseguir. As vagas mais importantes e recompensas em empresas, nas profissões liberais, nas universidades e no governo ficariam para cidadãos considerados como sendo os mais brilhantes. Os seres humanos com pontuações muito baixas seriam internados e desencorajados ou proibidos de terem filhos.

Que vergonha! Ignoram esses estúpidos eugenistas que os seres humanos são espíritos, e não animais irracionais, e que a inteligência se cultiva por intermédio do desenvolvimento dos órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, e por intermédio da educação, através do desenvolvimento dos atributos individuais superiores que formam a moral e dos atributos relacionais positivos que formam a ética, e não através do aprimoramento genético, já que não existe atavismo psíquico. Em sendo assim, os próprios eugenistas são os verdadeiramente néscios, e caso tais mentalidades medíocres viessem realmente a liderar as nações, o mundo em que vivemos atualmente se atolaria ainda mais no caos, nos conflitos e nos desentendimentos, sem qualquer perspectiva de espiritualização. No entanto, mal sabem esses eugenistas que eles mesmos podem reencarnar com alguma deficiência mental. E então, vale a eugenia também para eles? Hitler, que é um dos seres humanos mais criticados em todos os tempos desta nossa civilização, foi um eugenista, então por aí se vê a classe espiritual a que esses partidários do eugenismo pertencem.

Os seres humanos detentores de uma espiritualidade mais elevada criticaram os testes de QI desde o seu início, como é exemplo o jornalista Walter Lippmann, que considerou os “testadores de inteligência” como se fossem o “Esquadrão da Morte Psicológica”, buscando um poder sem paralelo sobre o futuro de uma criança. Entre 1922 e 1923, Walter Lippmann e Lewis Madison Terman debateram nas páginas da revista The Republic. Walter Lippmann se utilizando de um termo impróprio para qualquer debate, ou mesmo para a sua utilização no cotidiano da vida — o ódio —, mas estando correto em sua manifestação por escrito, disse o seguinte:

Eu odeio a insolência por trás da afirmação de que cinquenta minutos podem julgar e determinar a aptidão predestinada de um ser humano para a vida. Odeio a sensação de superioridade que ela cria, e a sensação de inferioridade que ela impõe”.

Em sua réplica, Lewis Madison Terman comparou Walter Lippmann ao criacionista William Jennings e outros oponentes do progresso científico, ignorando completamente que os testes de QI não se enquadram em nenhuma das parcelas do Saber, ou das ciências, como ainda hoje elas são assim denominadas. Em seguida, atacou o estilo da escrita de Walter Lippmann, classificando-o como sendo “verborrágico demais para ser citado ao pé da letra”. Em teor, a escrita de Walter Lippmann estava inteiramente correta, apenas com restrição ao termo ódio por ele utilizado, como já dito. Por conseguinte Lewis Madison Terman estava totalmente errado.

Ora, mesmo que os testes de QI pudessem indicar alguma superioridade inteligencial de alguns seres humanos em relação aos demais, determinando algumas características por meio das quais se pudesse prognosticar as probabilidades de sucesso acadêmico e profissional, de forma objetiva e minimamente influenciada por idiossincrasias do examinador, como ainda hoje ocorre com professores que tendem a se inclinar a sobreavaliar os alunos com os quais simpatizam, ou subavaliar os alunos com os quais antipatizam, o que se constitui na falta de talento e aptidão para o ensino, mesmo assim, o processo da evolução contém em seu escopo o fato de que muitos espíritos encarnam com o objetivo primeiro de debelar ou minimizar alguns atributos individuais inferiores ou relacionais negativos, ou então para conseguir primeiramente algo que lhes seja mais premente, para somente depois então despertar e poder revelar todo o seu talento.

O exemplo clássico deste fato vamos encontrar na encarnação de Antônio Vieira, no famoso “estalo de Vieira”, que não era propriamente um sacerdote, tendo encarnado como tal para sentir em sua nobre alma todo o mal, toda a empáfia e tudo o mais que de nefasto e nocivo existia na classe sacerdotal, para que assim pudesse planejar o Racionalismo Cristão em plano astral, sendo ele um intelectual, uma vez que os recursos do planejamento são provenientes da experiência física acerca da sabedoria. Mas deixemos que Antônio Cottas, através da sua doutrinação fornecida em sessão pública de 12 de junho de 1950, contida na obra Páginas Antigas, a página 140, descreva-nos este fato:

Antônio Vieira, esse espírito, veio encarnar, talvez, para ser um segundo Cristo. Ele começou a ser guerreado, principalmente, pelos espíritos que se quedavam na atmosfera da Terra. Não foi um menino precoce, pois aos treze anos estudava, mas compreendia mal; decorava, mas a memória não guardava. Uma prova de avassalamento para aqueles que não acreditam na existência da vida fora da matéria: um dia, na Bahia, aflito com a sua mediocridade, entrando na Sé, dirigiu-se ao altar da Virgem e, orando concentradamente, pediu-lhe para que a sua inteligência despertasse, em meio da súplica sentiu qualquer coisa, como que um estalido na sua cabeça, e eis que o menino se torna prodigioso; isto faz parte da sua biografia”.

Para aqueles que ainda são pouco raciocinantes e inclinados para os credos e as suas seitas, esse grande espírito não foi atendido em função das preces e orações dirigidas à Virgem Maria, que não era virgem coisa nenhuma, pois que sendo casada com José coabitou com ele e teve Jesus, o Cristo, pelas vias normais, pois que isto faz parte da natureza, mas sim pelo Astral Superior, em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade. Além do mais, nem mesmo o próprio Deus ou o Astral Superior podem dotar um ser humano de inteligência de outra maneira que não seja através do processo da evolução, pois assim estariam transgredindo a esse que é o maior dos preceitos universais, como também beneficiando a um espírito em detrimento dos demais, o que seria uma tremenda injustiça, ensejando o constrangimento do beneficiado, no caso dele ser realmente detentor de alguma superioridade, uma vez que o espírito superior somente almeja e considera como sendo realmente seu aquilo que conquistou pelo próprio esforço, na tremenda luta que trava por evoluir cada vez mais, portanto, com honra. Então a sua inteligência antes já existia, tendo apenas se manifestado por intermédio do seu corpo carnal a partir daquele momento, em que esse “estalo” representa essa sua manifestação.

Em 1939, David Wechsler criou o primeiro teste de QI desenvolvido diretamente para adultos, tendo abandonado o sistema da divisão da idade mental pela idade cronológica, que ao invés da utilização dos métodos anteriores, os testes passaram a ser determinados de uma tal maneira que o resultado médio fosse 100, com um desvio-padrão de 15.

Em 2005, o teste mais utilizado no mundo foi o Raven Standard Progressive Matrices, sendo o teste individual mais utilizado o WAIS-III. O teste de QI individual mais utilizado em crianças e adolescentes de 6 a 16 anos é o WISC-III, tendo sido originalmente desenvolvido em 1949; revisado em 1974, o WISC-R; em 1991, o WISC-III; em 2003, o WISC-IV. Tanto o WAIS como o WISC foram criados por David Wechsler. A última versão do WAIS consiste em 14 subtestes destinados a avaliar diferentes faculdades cognitivas, e o WISC se encontra constituído por 13 subtestes. Os subtestes são subjetivamente estratificados em dois grupos: escala verbal e escala de execução, que é também denominada de escala performática. Mas as análises objetivas por parte de alguns estudiosos, baseadas em análise fatorial, não oferecem respaldo à classificação subjetiva em vigor.

A classificação originalmente proposta por Davis Wechsler era a seguinte:

  • QI acima de 130: superdotação;
  • 120 – 129: inteligência superior;
  • 110 – 119: inteligência acima da média;
  • 90 – 109: inteligência média;
  • 80 – 89: embotamento ligeiro;
  • 66 – 79: limítrofe:
  • 51 – 65: debilidade ligeira;
  • 36 – 50: debilidade moderada;
  • 20 – 35: debilidade severa;
  • QI abaixo de 20: debilidade profunda.

Essa pretensão de medir a inteligência não passa de uma simples e mera imaginação, mas mesmo assim muitos acreditam que seres humanos com um QI elevado, quando adultos, têm menores índices de morbidade e mortalidade, e apresentam também um menor risco de sofrerem de desordens relacionadas ao estresse pós-traumático, depressão acentuada e esquizofrenia. Por outro lado, sofrem um risco maior de padecimento de transtorno obsessivo-compulsivo. Mas como a inteligência não pode ser medida pelos seres humanos, não existe qualquer possibilidade dessa correlação existir, mesmo que as pesquisas indiquem que os seres humanos com um QI mais alto têm em média indicadores sócio-econômicos mais elevados, possibilitando um maior acesso à saúde e informação, pois que também há estudos que indicam que a maioria das grandes mentalidades são pobres, a começar por Jesus, o Cristo, a maior mentalidade de todos os tempos.

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