12.06- A intuição

Prolegômenos
10 de junho de 2018 Pamam

O intuicionismo é uma doutrina que se funda na imaginação de que todos os conhecimentos existem por intuição. Mas por incrível que pareça, a ignorância humana é tamanha que essa doutrina foi estabelecida sem que os seres humanos até hoje soubessem o que sejam o conhecimento e muito menos a intuição, embora eles saibam de alguma maneira que esta existe e que é fundamental para a captação dos conhecimentos, por intermédio da percepção criptoscópica. No entanto, a intuição não é própria apenas do conhecimento, sendo ela própria também para a experiência, e não somente para isso, pois que ela é também utilizada em tudo na vida, e até em relação às práticas do bem e do mal.

Até os filólogos, quando tratam de definir o que seja a intuição, demonstram a sua mais completa ignorância em relação ao termo, e não somente isto, pois que eles mesmos sendo os especialistas no assunto, atrapalham-se com as suas próprias palavras e passam a entrar em contradição, sem atentarem para o verdadeiro significado das demais palavras que utilizam para definir o termo. Assim, logo quando tentam definir o termo em sua expressão verbal, o verbo intuir, demonstram claramente que se encontram atrapalhados e em contradição. Senão vejamos duas definições de Caldas Aulete e de Aurélio Buarque, dois dos mais famosos filólogos da língua portuguesa, que abaixo se encontram nesta ordem:

Intuir é deduzir ou concluir por intuição, sem a intervenção do raciocínio”.

Intuir é deduzir ou concluir por intuição; intuicionar”.

Como se pode claramente constatar, as duas definições são praticamente iguais, e ambas dão a entender que intuir é deduzir, o que comprova claramente que eles se encontram realmente atrapalhados, e que na realidade não sabem definir nem a intuição e nem a dedução, pois que esta é um método, como já vimos no tópico específico, e aquela não tem nada a ver com método, como veremos mais adiante. Mas a grande contradição nós vamos encontrar na primeira definição, quando o filólogo afirma a não intervenção do raciocínio. Neste caso, vamos todos involuir, retornando todos à fase da irracionalidade, para que assim possamos ser devidamente intuídos e dirigidos pelas intuições, já que o raciocínio não se faz mais necessário. Meu Deus! Como é que os seres humanos, inclusive os mais letrados, passaram bilhões e bilhões de anos evoluindo, até que conseguiram adquirir o raciocínio e o livre arbítrio, tornando-se espíritos, e quando nas ocasiões em que mais precisam raciocinar, vêm afirmar que não se precisa da sua intervenção? Pode-se constatar, então, que a imaginação é capaz de tudo, inclusive de abrir mão de algo tão valioso como o próprio raciocínio. Que pena!

E aqui vem o lado até certo ponto pitoresco da própria Filologia, pois que os filólogos tendo definido o verbo intuir de uma maneira, o termo intuição, que é a sua expressão substantiva, passa a ser definido de uma maneira totalmente diferente, como se não existisse qualquer ligação entre um e outro. E o pior de tudo é que as trapalhadas são tão gritantes, que eles misturam adivinhação e instinto com consciência. Vejamos agora o que os mesmos filólogos entendem pelo que seja a intuição, em seus entendimentos completos, na mesma ordem:

Intuição é a primeira vista; percepção pronta e clara. // Pressentimento, espécie de instinto pelo qual se adivinha, descobre ou conhece o que é ou deve ser; consciência. // Teologia: visão clara que os bem-aventurados têm de Deus; visão beatífica. // Filosofia: percepção, conhecimento claro, direto, imediato e espontâneo da verdade sem auxílio do raciocínio”.

1- Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara ou imediata; discernimento. 2- Ato ou capacidade de pressentir; pressentimento. 3- Filosofia: contemplação pela qual se atinge em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico. 4- Filosofia: apreensão direta, imediata e atual de um objeto na sua realidade individual”.

Saindo do campo da Filologia e adentrando no campo da Psicologia, de acordo com os seus próprios estudiosos, a intuição é um processo pelo qual os seres humanos passam, às vezes e involuntariamente, para chegar a uma conclusão sobre algo. Na intuição, o raciocínio que se utiliza para se chegar à conclusão de algo é puramente inconsciente, fato que faz muitos acreditarem que a intuição é um processo paranormal ou divino. O seu funcionamento e até mesmo a sua existência são um enigma para a ciência. Apesar de já existirem muitas teorias sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como sendo definitiva. A intuição leva o sujeito a acreditar com determinação que algo poderá acontecer.

Considerando a etimologia da palavra como sendo proveniente do latim intuitione, em que o seu formato é feito a partir da união de in, que significa em, ou dentro, e tuere, que significa olhar para, ou guardar; e considerando que a palavra no português seja provavelmente uma inflexão do francês intuition, também derivada do latim, que significa contemplação; eles definem a intuição como sendo um conhecimento imediato, um pressentimento que nos permite adivinhar o que é ou o que deve ser, o que influenciou diretamente a Filologia.

E assim, mesmo sem qualquer noção acerca da intuição, os estudiosos da Psicologia a dividem em três grupos, embora esses grupos não possuam termos oficiais para as suas nomenclaturas e nem mesmo sigam à risca a sua definição, conforme logo acima. Esses três grupos são os seguintes:

  • Tipo 1: é o tipo de intuição que envolve um raciocínio simples, tão simples que passa despercebido pela mente consciente. Nós chegamos a uma conclusão, mas não percebemos que raciocinamos para obtê-la. Quando vemos um copo caindo, por exemplo, nós já sabemos que ele se quebrará, e isto sem precisar pensar conscientemente. É o que chamamos o óbvio, o elementar;
  • Tipo 2: é o tipo de intuição que vem da prática. Quanto mais se pratica alguma coisa, mais a mente passa a tarefa de raciocinar sobre o assunto que está se desenvolvendo do campo consciente para o campo inconsciente. Enxadristas considerados mestres, por exemplo, ao olharem para um tabuleiro logo sabem que jogada fazer, pensando muito pouco ou literalmente não pensando. Um outro exemplo é no aprendizado de novas línguas, o aluno tem de pensar muito para construir frases do idioma que está aprendendo, enquanto o professor o faz naturalmente;
  • Tipo 3: é quando chegamos a uma conclusão de um problema complexo sem ter raciocinado. Popularmente essa intuição se refere aos clichês “como não pensei nisso antes?” e “eureka!”. Quando pessoas passam por esse fenômeno, elas não sabem explicar como raciocinaram para chegar ao resultado final, simplesmente falam que apareceu a resposta na mente deles.

Já no âmbito da Sociologia, para os seus estudiosos a intuição é considerada como sendo uma das fontes da verdade utilizada por milhares de anos para trazer orientação e explicar os fatos ao homem. Como conceito, a intuição é definida como sendo a capacidade de perceber, discernir ou pressentir uma explicação independentemente de qualquer raciocínio ou análise. A intuição também pode ser a responsável pela elaboração de hipóteses que posteriormente poderão ser comprovadas ou não. Ela não é satisfatória como fonte de conhecimento pela dificuldade em ser testada.

Mas antes mesmo que eu adentre na explanação acerca da intuição, faz-se necessário que a nossa humanidade tenha a convicção plena de que o acaso não existe, pois que nenhum fato e nenhum fenômeno podem ocorrer ao léu, à toa, tal como se fossem uma mera coincidência, uma vez que se assim fosse não poderiam existir as causas e os efeitos de tudo quanto existe, em função do determinismo. Então tudo aquilo que os seres humanos afirmam que foi “por acaso” é apenas uma demonstração clara da ignorância da causa que gerou o efeito refletido no pseudo acaso. Vamos, pois, retornar à antiguidade e comprovar que desde os tempos idos as grandes mentalidades já tinham a consciência de que o acaso não existe, sendo ele apenas fruto da ignorância humana.

Demócrito, que era um veritólogo e não um saperólogo como todos assim consideram, tendo gasto toda a sua fortuna, fez-se veritólogo, passou a viver na maior simplicidade, dedicou-se ao estudo, à investigação da verdade e à contemplação do Espaço Superior, o que lhe possibilitou afirmar o seguinte: “Eu preferiria descobrir uma única demonstração geométrica a conquistar o trono da Pérsia”, o que comprova que o Saber é um dos mais valiosos tesouros espirituais. Foi tamanha a produção desse espírito superior, que Diógenes Laércio fornece uma longa lista de suas publicações sobre os mais diversos campos, como Matemática, Física, Astronomia, Navegação, Geografia, Música e Arte. Alguns dos seus contemporâneos lhe deram o próprio nome da sabedoria, sophia, e Francis Bacon o considerou como sendo o maior de todos os filósofos da antiguidade.

Tal como Parmênides, que também era um veritólogo, Demócrito principia com a crítica dos sentidos, o que deveria servir de fonte para os cientistas atuais, que parece não dão atenção às grandes mentalidades, pois que para tudo eles consideram apenas os olhos da cara. Para fins práticos podemos confiar nos sentidos, ou seja, para as experiências físicas, mas a partir do momento em que começamos a lhes analisar as evidências, eles somente nos proporcionam conhecimentos obscuros, ou opinião, pois o verdadeiro conhecimento só se adquire por meio da investigação e do sentimento, enquanto que a verdadeira experiência só se adquire por meio da pesquisa e do pensamento. Embora ele se refira ao pensamento, que é físico, é através da produção do sentimento que realmente se adquire o conhecimento, pelo fato dele ser metafísico. E afirma com imensa sinceridade:

Realmente nada sabemos. A verdade está enterrada fundo. Não sabemos de nada certo, além das mudanças produzidas em nosso corpo pelas forças que com ele se chocam. Todas as sensações são devidas aos átomos projetados pelos objetos e que tocam os nossos órgãos sensoriais. Todos os sentidos são formas de tato”.

E aqui já se pode constatar plenamente que desde a antiguidade os homens já sabiam da imensa influência das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas produzidas por todos os seres, até os que formam o ar, inclusive os seres humanos, em seus sentidos, apenas não se referiam diretamente a elas e nem sabiam explicar todo o seu processo, assim como também a sua imensa importância na vida de todos os seres, humanos ou não. E eu faço aqui de logo o registro das vibrações, das radiações e das radiovibrações porque elas são de fundamental importância para a percepção e a compreensão do que seja a intuição.

Continuando o assunto, para comprovar realmente a sua elevada mentalidade, o grande veritólogo afirma que o homem sábio cultiva o pensamento, liberta-se das paixões, das superstições e do medo, procurando na contemplação e na compreensão a modesta felicidade possível entre os homens. A felicidade não provém das coisas externas, por isso o homem deve se habituar a encontrar dentro de si próprio as fontes da sua alegria, como a querer dizer que Deus se encontra em nós mesmos, e assim a felicidade, a alegria, a liberdade e tudo o mais que nos engrandece. A cultura vale mais que a riqueza, por isso não há poder ou tesouro mais valioso do que a extensão do nosso saber. A força física só é nobreza nos animais de carga, ao passo que a força de caráter é a nobreza do homem. As boas ações não devem ser praticadas por obrigação, mas sim por convicção, não com a esperança de recompensa, mas pelo simples amor à bondade. É mais diante de si próprio do que diante do mundo que o homem deve se envergonhar das suas más ações. Através dessas suas sábias palavras, aqueles que não procuram seguir aos seus valorosos ensinamentos não passam de seres humanos sem caráter, de índole má, por demais renitentes em relação à espiritualidade.

E assim, em complemento ao resumo desses valorosos ensinamentos, vem o mestre afirmar que o acaso não existe, pois que ele é uma ficção inventada para disfarce da nossa ignorância. E naturalmente ignorando a inexistência da matéria e o processo de criação de todos os seres, dada a época em que viveu, vem ele afirmar que a quantidade da matéria permanece sempre a mesma, que matéria alguma se cria ou se destrói, apenas as combinações de átomos mudam, como que assim quisesse penetrar no processo da evolução universal de todos os seres.

Adentrando no campo da Psicologia, Bacon chega a ser quase um determinista, pois que exige que se faça um exame rigoroso e um estudo profundo das causas e dos efeitos na natureza humana, em função disso, pretendeu eliminar a palavra acaso do vocabulário da ciência. E assim ele afirma que “Acaso é o nome de uma coisa inexistente”. E reforça ainda mais a sua convicção acerca da inexistência do acaso, como que se referindo diretamente à ignorância humana, quando também afirma que “O que é no Universo o acaso, também o é no ser humano”. Como que querendo dizer que os seres humanos devem se esforçar por estar em conformidade com a natureza, ele considera que “Não podemos dar ordens à natureza senão quando lhe obedecemos”. Sendo um veritólogo, e não um saperólogo, Bacon é naturalmente mais inclinado para o campo da moral do que para o campo da ética, mas mesmo assim ele consegue exprimir uma nova ideia, a ideia da Psicologia Social, quando assim se expressa:

Os filósofos deveriam diligentemente investigar sobre a força da influência do costume, exercício, hábito, educação, exemplo, imitação, emulação, companhia, amizade, elogio, censura, exortação, reputação, leis, livros, estudos, etc.; pois são as coisas que imperam na moral humana; o espírito é formado e disciplinado por estes fatores”.

Todas as grandes mentalidades que já passaram por este mundo de meu Deus, que nos revelam a existência dos grandes homens, sejam eles veritólogos, saperólogos, religiosos ou cientistas, e até outros estudiosos, sabem perfeitamente que o acaso não existe, somente os ignorantes, aqueles que não possuem o mínimo de espiritualidade em suas almas, teimam em afirmar a existência do acaso, e não somente por ignorância, mas por pura pirronice, ou mesmo nescidade. Borel, que foi um ilustre matemático, em relação ao acaso, utilizando-se dos termos relativos à própria parcela do Saber com a qual se ocupa, vem nos dizer o seguinte:

O acaso é só o nome dado à nossa ignorância; para um ser onisciente a probabilidade não existiria. Pode se observar em um mesmo tom que para um ser onisciente toda a ciência e toda a atividade humanas seriam vãs e sem finalidade; não é para esse ser que os homens criaram a ciência e a teoria das probabilidades; é para eles próprios que estão longe de ser oniscientes. Quaisquer que sejam os progressos e os conhecimentos humanos haverá sempre lugar para a ignorância e, por conseguinte, para o acaso e a probabilidade”.

E assim, meu nobre amigo leitor, após estas considerações iniciais, tanto você como todos os demais leitores se encontram agora aptos a compreender o que seja realmente a intuição em sua natureza intrínseca.

É sabido que todos os seres, inclusive os seres humanos, aos quais ora me refiro, produzem vibrações magnéticas, através dos sentimentos, radiações elétricas, através dos pensamentos, e radiovibrações eletromagnéticas, através das combinações dos sentimentos e dos pensamentos, em que elas ocorrem de aura para aura. Essas vibrações, radiações e radiovibrações quando produzidas por intermédio dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos, cruzam a atmosfera terrena em todas as direções, alterando-a profundamente, em função disso são formadas ondas volumosas, em que os seres infra-humanos mais atrasados são os mais afetados em suas formações, e estando assim tremendamente afetados, os espíritos quedados no astral inferior formam correntes de sentimentos inferiores e de pensamentos negativos, dando origens às tempestades, aos furacões, aos ciclones tropicais, aos vulcões,  etc., e, além disso, transformam os seres infra-humanos em outros seres que também irão afetar da mesma forma a vida da humanidade e de outros seres, propagando-se na forma de mil e uma doenças, sendo isso uma espécie de contrapartida, tal como se fosse uma reação contrária àquela que foi sofrida, como se assim a natureza estivesse se defendendo das agressões sofridas pela inferioridade e pela negatividade humanas, em obediência à lei do retorno.

Os afins se atraem e os contrários se repelem. Partindo deste princípio, os seres humanos que produzem sentimentos inferiores e pensamentos negativos são atraídos pelas correntes afins que se encontram na atmosfera terrena, então eles tendem a agir em consonância com essas correntes. Estando já à mercê dessas correntes, os espíritos obsessores que se encontram quedados na atmosfera terrena, fazendo parte integrante do astral inferior, veem nas auras desses infelizes as suas propensões para a prática de más ações. Então eles se aproximam e passam a vibrar, a radiar e a radiovibrar de forma bem mais intensa, tornando ainda mais pesada, volumosa e deletéria a corrente que se encontra formada, levando a esses seres humanos o desejo incontrolado de praticar os crimes para os quais se encontram mais propensos, em conformidade com os seus desejos intemperados e as suas ambições desmedidas. E assim os seres humanos mais atrasados são intuídos para a prática do mal. E em relação a esse tipo de intuição eu paro por aqui, pois que quando eu explanar acerca do astral inferior o assunto deverá ser tratado em seus detalhes mais precisos, por isso eu vou tratar apenas das intuições superiores e positivas.

As vibrações, as radiações e as radiovibrações quando são produzidas por intermédio dos sentimentos superiores e dos pensamentos positivos, percorrem toda a atmosfera terrena, promovendo a sua limpeza, tornando-a mais leve e sadia, e não somente isso, ultrapassando-a e passando a percorrer todo o Universo, pelo menos até o ponto em que a sua superioridade e a sua positividade conseguem alcançar, ou se estender, até às coordenadas universais mais distantes. Assim, em obediência à lei da afinidade e ao princípio da atração, os espíritos componentes do Astral Superior, em seus Mundos de luz, passam a vibrar, a radiar e a radiovibrar em consonância com as vibrações, as radiações e as radiovibrações recebidas, pois que tudo no Universo se comunica, em função das interações que existem entre todos os seres, limpando ainda mais a atmosfera terrena e também promovendo a limpeza do corpo fluídico, ou perispírito, e do corpo de luz dos vibrantes, radiantes e radiovibrantes, formando assim uma corrente poderosíssima, pois que os espíritos de luz também obedecem à lei do retorno, principalmente eles, em face de se encontrarem livres do ambiente terreno.

A aura é o campo que circunda o corpo fluídico, ou perispírito, de todos os espíritos, quer eles se encontrem encarnados, quer não, assim como também de todos os seres infra-humanos, cuja finalidade é a troca dos acervos que foram adquiridos no decorrer do processo da evolução, para que assim todos eles possam evoluir em conjunto, ou seja, em função um do outro. O corpo fluídico, ou perispírito, é formado pelas propriedades da Força e da Energia. A propriedade da Força, em resumo, contém o espaço, onde se encontram os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, com ela sendo a responsável pelo desenvolvimento do órgão mental denominado de criptoscópio. A propriedade da Energia, em resumo, contém o tempo, onde se encontram as experiências físicas acerca da sabedoria, com ela sendo a responsável pelo desenvolvimento do órgão mental denominado de intelecto. Em sendo assim, quando os seres humanos se encontram bem assistidos, vibrando, radiando e radiovibrando em consonância com as vibrações, as radiações e as radiovibrações mais elevadas, é formada uma corrente bastante poderosa que liga este mundo ao mundo espiritual superior, então os espíritos de luz enviam as informações necessárias para o bom desempenho das atividades humanas, sejam elas para conduzir as próprias vidas dos seres humanos, sejam elas para a apreensão dos conhecimentos, através do criptoscópio, ou das experiências, através do intelecto, que se fizerem necessários, além de aumentar a extensão dos atributos individuais superiores e relacionais positivos já adquiridos e possibilitar a obtenção de novos atributos.

Em tudo isso se pode comprovar perfeitamente que a intuição é o resultado das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas que são produzidas e recebidas por intermédio da aura do espírito, estando tudo isso sujeito à lei da afinidade e também ao princípio da atração.

Além da aura, o espírito possui também a sua auréola. A auréola é o campo que circunda o corpo de luz de todos os espíritos, quer eles se encontrem encarnados, quer não, cuja finalidade é a troca dos acervos adquiridos na espiritualidade, mais precisamente da amizade e do amor espirituais, para que assim todos eles possam evoluir em conjunto, ou seja, em função um do outro, através dos raios de luz. O corpo de luz, portanto, é formado pela propriedade da Luz.

O nosso corpo fluídico representa a parte do Universo que nos diz respeito, de acordo com o estágio evolutivo em que nos encontramos, em que o nosso corpo de luz penetra a todas essas coordenadas do Universo que diretamente nos dizem respeito, onde se encontram os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, em que a propriedade da Luz desenvolve também ao órgão mental denominado de consciência, que coordena aos outros dois órgãos mentais, que são o criptoscópio e o intelecto. Então, como se poder compreender, é através da consciência que o espírito adquire o Saber, por excelência, em seus principais fundamentos.

No entanto, os espíritos não vibram, não radiam e nem radiovibram por intermédio da auréola, somente através da aura, pois que os espíritos, além de produzirem as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, produzem também as raiações luminosas, cujos raios de luz produzidos através da auréola iluminam cada vez mais a existência da amizade espiritual e, após esta, o amor espiritual.

Como os seres humanos ainda não aprenderam a vibrar superiormente, a radiar positivamente e a radiovibrar nesse conjunto, em que apenas os militantes da doutrina racionalista cristã vibram através da produção dos seus sentimentos superiores, sobremaneira, pois que são seguidores da verdade, considerando equivocadamente que estão apenas “irradiando”, em que este equívoco é decorrente do fato deles não serem seguidores da sabedoria, pois que a radiação ocorre através da produção dos seus pensamentos positivos, de qualquer maneira, eles vibram, radiam e radiovibram, pois que além da produção dos sentimentos superiores, eles também produzem pensamentos positivos, embora estes sejam produzidos em menor escala em relação àqueles, pois que os que seguem a verdade são criptoscopiais, enquanto que os que seguem a sabedoria são intelectuais.

Daí a razão pela qual este explanador do Racionalismo Cristão tanto se esforça por estabelecer a amizade espiritual em nossa humanidade, pois que ela não depende apenas da intuição, que é recebida pelo criptoscópio e pelo intelecto pelas produções das vibrações, das radiações e das radiovibrações, através da aura; mas depende sim, sobremaneira, da luz, que é recebida pela consciência, através da produção da raiação, cujos raios de luz ocorrem por intermédio da auréola. No entanto, é através das vibrações, das radiações e das radiovibrações que ocorre naturalmente a limpeza do corpo fluídico, ou perispírito, ensejando a que o corpo de luz possa receber os raios de luz advindos da alta espiritualidade, e assim possa tornar visível a existência da consciência, para que então os seres humanos possam enfim produzir os raios de luz em direção uns dos outros, estabelecendo a amizade espiritual neste mundo Terra. Quando os raios de luz produzidos por toda a nossa humanidade estiverem iluminando a amizade espiritual por todo o planeta Terra, é quando a nossa humanidade estará pronta para o passo seguinte, ou seja, apta para intensificar ainda mais a toda essa luminosidade, quando então poderá produzir os raios de luz que dizem respeito ao amor espiritual. Aí sim, ela se tornará realmente cristã.

Um ponto fundamental em relação à intuição deve ser aqui devidamente esclarecido.

Ao evoluir, sobremaneira, por intermédio da propriedade da Força, que contém o magnetismo, o espírito desenvolve mais o seu criptoscópio em relação ao seu intelecto, pois que ele é órgão mental que tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são as causas de tudo e que se encontra no Espaço Superior, para tanto ele tem que desenvolver os atributos individuais superiores que formam a moral. Nessa elevação, ele produz sentimentos superiores, cujas vibrações magnéticas ficam sintonizadas com o magnetismo espacial, por isso ele capta os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e os decodifica, transmitindo-os através das palavras. Assim, o espírito recebe as vibrações magnéticas da alta espiritualidade, captando ainda mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade, caso a sua percepção esteja desenvolvida o suficiente para decodificá-los, pois que assim ele foi merecedor das intuições advindas do alto.

E ao evoluir, sobremaneira, por intermédio da propriedade da Energia, que contém a eletricidade, o espírito desenvolve mais o seu intelecto em relação ao seu criptoscópio, pois que ele é o órgão mental que tem a função de compreender e a finalidade de criar as experiências físicas acerca da sabedoria, que são os efeitos de tudo e que somente podem ser estabelecidas no Tempo Futuro, para tanto ele tem que desenvolver os atributos relacionais positivos que formam a ética. Nesse transporte, ele produz pensamentos positivos, cujas radiações elétricas ficam sintonizadas com a eletricidade temporal, por isso ele cria as experiências físicas acerca da sabedoria e as decodifica, transmitindo-as através das palavras. Assim, o espírito recebe as radiações elétricas da alta espiritualidade, criando ainda mais experiências físicas acerca da sabedoria, caso a sua compreensão esteja desenvolvida o suficiente para decodificá-las, pois que assim ele foi merecedor das intuições advindas do alto.

Mas o espírito evolui tanto por intermédio da propriedade da Força como por intermédio da propriedade da Energia. Nessa evolução simultânea, ele produz sentimentos superiores e pensamentos positivos, concomitantemente, cujas radiovibrações eletromagnéticas ficam sintonizadas com as radiovibrações universais, por isso ele tanto capta os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, como cria as experiências físicas acerca da sabedoria, e os decodifica, transmitindo-os através das palavras. Assim, o espírito recebe as radiovibrações eletromagnéticas da alta espiritualidade, captando ainda mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade e criando ainda mais experiências físicas acerca da sabedoria, caso a sua percepção e a sua compreensão estejam desenvolvidas o suficiente para decodificá-los, pois que assim ele foi merecedor das intuições advindas do alto.

No entanto, ao que tudo indica, principalmente em relação ao que determina a mais pura lógica, as intuições recebidas para a captação dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, são em maiores proporções do que as intuições recebidas para a criação das experiências físicas acerca da sabedoria. A explicação para isso é que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade formam um todo, de onde são provenientes as leis, sendo todos estabelecidos por Deus, por isso eles são absolutos, imutáveis, ontológicos, incriáveis, razão pela qual deve ser facilitada ao máximo a sua captação, para que assim todos tenham acesso à verdade e às leis espaciais. Já as experiências físicas acerca da sabedoria devem corresponder a esses conhecimentos metafísicos acerca da verdade, de onde são provenientes os princípios, sendo todos estabelecidos pelos espíritos, por isso eles são relativos, mutáveis, empíricos, criáveis, razão pela qual deve ser estimulado o esforço do espírito para a sua criação, para que assim possa ocorrer o mérito do espírito em reciprocidade ao seu esforço empregado, através do reforço para as grandes iniciativas no âmbito da espiritualidade, por isso o esforço e a iniciativa devem ser estimulados ao máximo, razão pela qual a intuição deve ser utilizada somente quando for absolutamente necessária. Pode-se comprovar a realidade deste fato por intermédio de Luiz de Souza, quando em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, as páginas 30 e 39, o notável veritólogo afirma o seguinte:

Todos possuem a mediunidade intuitiva, e esta se desenvolve com o desabrochar da espiritualização. É por meio dessa faculdade que se estabelece o contato espiritual com as Forças Superiores, e se recebe aquilo que se chama inspiração ou intuição.

Cumpre não adormecer diante de uma boa iniciativa que se haja formulado para o bem comum, para o estímulo de outras da mesma espécie e para a elevação do nível social. O espaço está impregnado de boas ideias, emitidas por mentes esclarecidas, que se forem captadas e convertidas em iniciativas, devem florescer e frutificar para regozijo da coletividade. Cumpre, no entanto, não exagerar as virtudes da inspiração, PARA NUNCA ATRIBUIR A FORÇAS EXTERNAS AS SUAS PRÓPRIAS IDEIAS (grifo e realce meus)”.

Assim, fica devidamente esclarecida a razão pela qual a intuição é associada geralmente ao conhecimento, e não à experiência. Por isso o intuicionismo é uma doutrina veritológica, e não saperológica, mas como a Veritologia vem sendo mesclada com a Saperologia desde a antiguidade, desde o início dos estudos transcendentais, sob a denominação imprópria de Filosofia, os estudiosos do assunto afirmam a existência do intuicionismo filosófico.

O intuicionismo, pois, segundo os estudiosos, é uma doutrina caracteristicamente francesa, tendo Bergson como sendo o seu fundador e o seu expoente máximo, em que ele afirma que o verdadeiro conhecimento não é proveniente do intelecto, mas da apreensão imediata, ou seja, da intuição, pelo fato dele ignorar que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade têm o seu repositório no Espaço Superior, e que se faz necessária a aquisição dos atributos individuais superiores que formam a moral verdadeira para que o espírito possa a ele se elevar e, através das vibrações magnéticas produzidas pelos sentimentos superiores, perceber e captar a esses conhecimentos metafísicos, através do criptoscópio, decodificando-os e os transmitindo através de palavras. Daí a razão pela qual ele não procurou seguir com uma maior firmeza no caminho da espiritualidade.

Mas acontece que, quando o espírito produz as vibrações magnéticas, através dos seus sentimentos superiores, eles entram em sintonia com as vibrações magnéticas advindas da alta espiritualidade, que assim transmite os conhecimentos metafísicos acerca da verdade através da intuição, desde que o criptoscópio do espírito tenha a condição de percebê-los, para que então possa apreendê-los, decodificá-los e transmiti-los através das palavras.

E assim, ignorando a existência do criptoscópio e a elevação ao Espaço Superior para lá perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, assim como Luiz de Mattos e os seus seguidores procederam, Bergson distingue duas formas de conhecer as coisas, olvidando dos fatos e dos fenômenos, que são as seguintes:

  1. Conceito: o caminho dos conceitos, dos juízos, dos silogismos, da análise e da síntese, da dedução e da indução, são os métodos utilizados até agora pelos filósofos e pelos cientistas. O conhecimento da realidade pelos conceitos fragmenta e deforma a realidade fluente, aproxima-se do objeto externamente, por meio de símbolos de abstrações, mas lhe escapa a verdadeira realidade;
  2. Intuição: é intuição imediata que nos proporciona o conhecimento intrínseco, concreto, absoluto, chega ao objeto internamente, penetra a verdadeira realidade, naquilo que ela tem de real.

Deste modo, ignorando completamente a existência do órgão mental denominado de criptoscópio, Leonel Franca, em sua obra Noções de História da Filosofia, a página 229, em sua tentativa por compreender e transmitir o significado da intuição, mas sem qualquer noção acerca da sua procedência, afirma o seguinte:

A intuição é um modo de conhecimento superintelectual (grifo meu), que nos manifesta a realidade por dentro, de modo absoluto e simples”.

Mas o fato é que não existe qualquer conhecimento intelectual, em virtude de todos os conhecimentos serem metafísicos, e somente o criptoscópio lida com o metafísico, enquanto que o intelecto lida somente com o físico, que são as experiências. Então não existe o conhecimento superintelectual, sendo esta expressão descabida. O que pode haver é um intelecto bastante desenvolvido, assim como da mesma forma um criptoscópio, em que a consciência coordena ao dois para que assim a verdade e a sabedoria possam ser unidas, irmanadas, congregadas, e então se possa alcançar a razão.

Bergson conseguiu a percepção acerca da existência da intuição, mas nada conseguiu saber a respeito dela, nem da sua origem, nem da sua natureza, e muito menos do modo como ela se realiza. Nem ele e nem qualquer outro ser humano considerado como sendo estudioso conseguiu tal proeza, simplesmente porque quase todos se referem à espiritualidade, mas nunca procuram estudar em profundidade a Espiritologia, ficando apenas pela rama, limitando-se simplesmente em se referir a ela, e essa referência não passa de alusão, de menção, que assim não busca o esclarecimento acerca das causas das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Vejamos um exemplo disso através de Frederico Klimke, em sua obra Historia de la Filosofia, a página 689, que procurando interpretar o que seja a intuição posta por Bergson, vem nos transmitir o seguinte:

Mediante a intuição podemos conhecer, imediata e perfeitamente, pelo menos uma realidade: a do nosso eu. O nosso eu, enquanto permanece no tempo, passa sem solução de continuidade de um ato para outro, e é, apesar da diversidade, algo que incessantemente flui, vive e avança. A nossa essência e a de todo o universo consiste nessa duração sucessiva e preenchida com atos vitais sempre novos. A fonte da qual brotam todas as coisas, quer as materiais, quer as espirituais, é o impulso vital, um impulso consciente ou supraconsciente de produzir por evolução sempre novas e maiores formas. Esse impulso não é uma realidade substancial, imutável, e sim uma força, um desejo obstinado e inextinguível de avançar. Originariamente, todas as propriedades e forças desse impulso vital estavam indivisas e não desenroladas nele; logo, a própria evolução obrigou o impulso vital a marchar para diversas direções, de sorte que aquelas forças se desenrolaram e dividiram; umas se desenrolaram com mais perfeição, outras se apagaram na fase inicial. Assim, o impulso vital primitivo se dividiu, primeiro, em duas grandes correntes: a vida vegetativa, produzindo a clorofila, e a vida animal, dando origem ao sistema nervoso. Mediante o sistema nervoso, o impulso vital, de natureza psíquica, esteve em condições de se libertar aos poucos da matéria; esta não passa de uma degeneração da realidade psíquica. Tal degeneração tem lugar quando se espalha pelo espaço, assim como a intuição vital e única do poeta desaparece quando encerrada em palavras, sílabas e letras. A libertação do cárcere da matéria geométrica não se efetua de uma vez e sem sacrifícios. Na base do reino animal o instinto e a inteligência se acham, todavia, indiferentes, como que adormecidos; ao correr, porém, da evolução se forma nos animais só o instinto, sem inteligência, e no ser racional se forma a inteligência sem o instinto. No homem, o impulso vital chega até à plena consciência e à liberdade. Simultaneamente, porém, perde o instinto, faculdade que apreende só as essências das coisas, porque a inteligência conhece não coisas, e sim apenas relações, não matéria e sim forma. Noutras palavras: o instinto perfeito é a faculdade de criar e aplicar instrumentos orgânicos; a inteligência perfeita é a faculdade de criar e aplicar instrumentos inorgânicos. O homem, portanto, deveria se chamar, propriamente, Homo faber (ou o homem artífice, locução empregada por Henri Bergson para designar o homem primitivo ante a necessidade de forjar ele próprio os utensílios indispensáveis à manutenção da vida, digo eu) e não Homo sapiens”.

Muitas vezes os seres humanos são intuídos pelo Astral Superior para transmitirem determinados conhecimentos ou determinadas experiências, ou mesmo determinadas informações, sem que aqueles consigam perceber ou compreender todo o alcance daquilo que transmitiram. Isto acontece para que outros possam aproveitar tudo o que foi transmitido e completar o alcance dessas transmissões, ou então para a comprovação de um fato transcendental que escapa de longe à compreensão humana, uma vez que todas as leis e todos os princípios, aliás, tudo se subordina ao preceito da evolução. Para que esta realidade possa ser devidamente comprovada, eu vou citar pelo menos três exemplos que acredito sejam suficientes para demonstrá-la:

No primeiro exemplo, no próprio intuicionismo de Bergson está posto que a intuição é um ato que exige violência, esforço laborioso pelo qual o filósofo, deixando de lado todos os meios intelectuais, tenta penetrar dentro da essência das coisas e chegar ao verdadeiro conhecimento, à verdadeira Filosofia, que não pode admitir opiniões contrastantes.

Parece até um contrapor à intuição recebida do Astral Superior a afirmativa de que a intuição é um ato que exige violência, posto que na alta espiritualidade não existe a violência. Mas acontece que o ato da violência é praticado aqui na Terra por aquele que recebeu a intuição advinda do Astral Superior e que se encontra encarnado, e não pelos espíritos superiores que se encontram em seus Mundos de Luz. No entanto, é através desta afirmativa que eu vou comprovar o tremendo processo gnosiológico pelo qual tive que passar, quando, através dele, eu fui intuído fortemente pelo Astral Superior, e, nesta intuição, eu me encontrei sozinho no inferno para enfrentar o próprio Satanás e todos os seus demônios, como sendo o último dos anjos enviados para resgatar aos demais anjos que nele se encontravam decaídos, tendo para tanto que me utilizar da violência, pois a finalidade desta intuição era que o antro infernal viesse todo a se encontrar sob o meu domínio. Que ninguém vá imaginar que eu estou afirmando a existência do inferno, do Satanás e dos seus demônios, pois que não entro em contradições, por isso tenho que reafirmar a inexistência do sobrenatural, pois que tudo isso foi apenas um processo gnosiológico, o qual será explicado em seus detalhes no seu tópico específico, em conformidade com a natureza do assunto, já que este processo gnosiológico foi presenciado por várias pessoas.

No segundo exemplo, também no próprio intuicionismo de Bergson, encontra-se posto que a intuição é uma faculdade cognoscitiva do filósofo, mas que devo estender a todos os seres humanos. No entanto, somente com um imenso esforço é que o ser humano poderá chegar à intuição, pelo menos às intuições advindas do alto da espiritualidade, devo acrescentar. Mas um dia a nossa humanidade deverá chegará a desenvolver a intuição de um modo tão elevado, que deverá ser a faculdade mais utilizada para conhecer as coisas, no que também devo acrescentar, os fatos e os fenômenos. Então desaparecerão todas as escolas saperológicas, consideradas ainda hoje como sendo filosóficas, daí a existência de várias filosofias, e haverá somente uma saperologia verdadeira conhecedora da verdade e do ser absoluto, no que ainda devo acrescentar, será a saperologia do Racionalismo Cristão, em sua forma de doutrina, após ser devidamente explanada por este ratiólogo.

Os estudiosos abordam e transmitem o assunto do intuicionismo, mas parece que não dão trato a ele, não procuram penetrá-lo em toda a sua extensão, e não procuram sequer a realizar qualquer comentário ao seu respeito. Mas o fato é que com o esclarecimento espiritual de toda a nossa humanidade, os seres humanos se tornarão racionalistas cristãos, quando então poderão compreender o imenso valor que têm as correntes formadas pelas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas. Compreendendo o imenso valor formado pelas correntes das vibrações, das radiações e das radiovibrações, assim como das raiações de luz, assim, é óbvio que eles também compreenderão a natureza da aura e da auréola que todos possuem em suas almas, as quais serão explanadas ainda nesta explanação de A Filosofia da Administração. E assim, como a partir dos seres atômicos há uma troca de acervos de conhecimentos, de experiências e de atributos através da aura, da mesma forma ocorre essa troca de acervos entre os seres humanos, com a grande diferença que na espiritualidade, além das vibrações, das radiações e das radiovibrações, os espíritos também raiam, e esses raios de luz se referem às produções da amizade e do amor espirituais.

Por fim, no terceiro exemplo, para que eu não me limite apenas ao intuicionismo de Bergson, devo partir em busca de outra seara, de outra mente também desenvolvida, que no caso aqui em questão se trata de Descartes. O método por ele elaborado e por ele denominado de Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, trata-se de uma intuição por ele recebida do Astral Superior para que posteriormente, após poucos séculos, eu pudesse adotar a esse método para demonstrar na prática como se evolui de cientista para saperólogo. Ele então compreendeu o seu próprio método de uma determinada maneira, inclusive através de sonhos, enquanto os cientistas compreenderam de outra maneira completamente diferente, mas todos poderão constatar que, na realidade, ao ser demonstrado na prática, este método teve uma única finalidade, cuja finalidade foi dirigida diretamente a este ratiólogo, portanto este método não poderá ser utilizado por mais nenhum ser humano, já que ele perderia toda a sua característica, mais propriamente a sua originalidade, pois que ele é único e específico. Vide O Método no site pamam.com.br.

Quando afirmei mais acima que para que esta realidade pudesse ser devidamente comprovada, eu citaria pelo menos três exemplos, que acreditava serem suficientes para demonstrá-la, eu estava me referindo diretamente àqueles que raciocinam com mais profundidade, cujos raciocínios não são mais silogísticos, estando evoluindo para o raciocínio sinóptico. Mas acontece que existem aqueles cujas visões ficam embaçadas quando são postas frente a frente com a realidade. Assim, com a intenção de desembaraçar a essas visões ainda um tanto quanto infantis, eu vou retroagir alguns séculos antes de Cristo e demonstrar uma intuição recebida do Astral Superior por Aristóteles, para que tudo fique bem claro. Assim, em relação à coragem o grande saperólogo desta maneira se expressou:

O fim de toda atividade é a conformidade com a correspondente disposição de caráter. Ora, a coragem é nobre; portanto, o seu fim também é nobre, pois cada coisa é definida pelo seu fim. Donde se conclui que é com uma finalidade nobre que o homem bravo age e suporta conforme lhe aponta a coragem.

A covardia,  a temeridade e a bravura se relacionam com os mesmos objetos, mas revelam disposições diferentes para com eles, pois as duas primeiras vão ao excesso ou ficam aquém da medida, ao passo que a terceira se mantém na posição mediana, que é a posição correta. Os temerários são precipitados e desejam os perigos com antecipação, mas recuam quando os têm pela frente, enquanto os bravos são ardentes no momento de agir, mas fora disso são tranquilos.

O homem corajoso escolhe e suporta coisas porque é nobre fazê-lo, ou porque é vil deixar de fazê-lo”.

É certo que Aristóteles era um ser humano extremamente corajoso, caso contrário ele não teria reunido as condições necessárias para ser um dos maiores saperólogos da nossa humanidade. Mas assim mesmo eu indago: o que foi que Aristóteles teve como ação e suportou conforme lhe apontou a coragem? Na realidade, essa intuição recebida do Astral Superior por Aristóteles foi preparatória para as minhas experiências científicas realizadas neste mundo Terra, o qual me serviu de um grande laboratório para que eu pudesse demonstrar experimentalmente a influência do astral inferior na vida dos seres humanos, certificando como cientista a sua existência, além de andar lado a lado com o mau para apreendê-lo em minha alma e então poder combatê-lo em todas as linhas, mas sem jamais praticá-lo, e assim poder resolver os magnos problemas do mundo.

E não somente esse dizer de Aristóteles foi preparatório para a minha vinda a este mundo, mas também muitos dizeres de outros autores e dos doutrinadores racionalistas cristãos, como serão devidamente demonstrados no decorrer desta minha explanação acerca de A Filosofia da Administração. Por isso, eu tive que me sujeitar aos maiores traumas morais já suportados por qualquer outro espírito de luz integrante da plêiade do Astral Superior, justamente porque era nobre fazê-lo, e vil deixar de fazê-lo, uma vez que a finalidade era nobilíssima, tanto em relação à espiritualização da nossa humanidade, como em relação à resolução dos magnos problemas do mundo, e como ainda em relação aos demais encargos inerentes à minha missão neste mundo. E não somente isso, pois que no processo gnosiológico pelo qual eu passei, em que o Astral Superior me colocou sozinho no inferno, por intermédio da intuição, ninguém iria conseguir enxergar a minha coragem e muito menos a minha bravura, pelo contrário, iriam me denominar de covarde e também de doido, como assim realmente me denominaram. Mas o fato é que em tudo isso eu agi conforme me apontou a coragem, pois que ela me faz suportar seja lá o que for, sempre que eu possa alcançar a uma grande finalidade, desde que em primeiro plano não fira a minha masculinidade, e, em segundo plano, eu não venha a desencarnar ao meu semelhante. Nesta explanação contida neste site, quando no ensaio das minhas experiências científicas, tudo isto deverá ser devidamente detalhado.

Na espiritualidade, quando em seus Mundos de Luz, os espíritos não encarnam conforme as suas conveniências, mas sim em conformidade com um plano espiritualizador para a nossa humanidade, o qual foi elaborado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, que em nossa humanidade alcançou a condição do Cristo. E isto vem ocorrendo sempre, desde a elaboração desse plano, antes mesmo desse espírito haver resolvido encarnar como Hermes, no Egito, que foi a sua primeira encarnação neste nosso mundo-escola. Então é óbvio que existe o determinismo, pois sempre quando os espíritos encarnam é para que possam exercer uma função que lhes é própria e específica no contexto desse plano espiritualizador, uma vez que no Universo cada ser tem uma função que lhe é própria e específica, desde o ser atômico mais simples ao espírito mais evoluído.

Assim, antes do espírito encarnar ele recebe todas as instruções e orientações do seu mentor espiritual para que possa realizar com êxito a sua função neste mundo-escola, mas é ele mesmo quem planeja e traça o seu próprio caminho a ser percorrido, já que possui o livre arbítrio. Quando ele segue a contento o caminho que traçou para si mesmo, ele então é intuído pelo seu mentor espiritual e pelos espíritos auxiliares para que todas as suas ações ocorram em consonância com aquilo que ele mesmo planejou. No entanto, quando o espírito segue por caminho diverso àquele que foi planejado em plano astral, ele passa então a ser intuído pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, quando as suas ações passam a ser regidas por esses espíritos conforme sejam as suas tendências materialísticas. De qualquer maneira, seja desta forma ou da outra, todas as suas ações foram devidamente previstas pelo Astral Superior, o que implica verdadeiramente na existência do determinismo. O Dr. Pinheiro Guedes, em sua obra Ciência Espírita, as páginas 177 a 179, tratando acerca do assunto dos mentores espirituais, aos quais ele denomina de mestres, ensina-nos o seguinte:

O mundo é para a alma humana, — Espírito apenas individualizado, ainda no início de sua evolução, uma oficina de trabalho e uma escola de educação.

A alma, verdadeiro aprendiz, que apenas acaba de fazer a sua entrada na oficina, o mundo apresenta, oferece e fornece matéria-prima para ser manipulada, e mestres para guiarem-na.

Os mestres são os espíritos cujo tirocínio está concluído, auxiliado por outros cujos conhecimentos, cujo desenvolvimento, conquanto não seja completo, é, não obstante, suficiente para lhes permitir a direção em certos trabalhos.

São considerados, ordinariamente, e erroneamente chamados ‘anjos da guarda’, ‘protetores’, ‘guias’, — os mestres; os espíritos auxiliares são os que têm afinidade espiritual com o encarnado.

Essa é a norma nas nossas oficinas e escolas onde os mestres e chefes entregam à direção de um aprendiz, mais adiantado, um ou mais condiscípulos.

E se sente, e se reconhece que assim é de fato, realmente; nem podia ser de outro modo; não se aprende sem mestres (grifo meu).

A matéria-prima, que o mundo apresenta e fornece ao espírito, não é toda da mesma natureza, e tem origens diversas: é o fluido etéreo, simplesmente polarizado; a molécula vegetal, e a substância animal; são os fenômenos cósmicos e os pensamentos e fatos sociais; sentimentos das criaturas.

É evidente o trabalho do espírito, quando encarnado, mas o do desencarnado, conquanto seja menos apreciável, não é menos real, é mesmo mais intenso e de mais difícil execução; pois que se exerce sobre a matéria-prima de todas as origens.

Os espíritos são os instrumentos da Providência; são os executores das leis universais”.

Fica assim esclarecido, então, que quando temos os nossos pais, as nossas esposas ou maridos, os nossos filhos, os nossos amigos, colegas, as nossas profissões, os nossos lazeres, etc., e até quando nos encontramos com algum conhecido, nada disso ocorreu por acaso, pois que este não existe, sendo tudo gerado pelo determinismo, que é fruto de um planejamento em plano astral, antes da encarnação. Para a comprovação da existência do determinismo não precisa de muito raciocínio, basta apenas observar as diversas funções que são destinadas aos seres humanos no cotidiano da vida, com umas sendo mais simples e outras mais complexas, conforme seja o estágio evolutivo em que se encontra o espírito e as suas conveniências no processo da evolução. E se isso não basta para satisfazer a compreensão daqueles mais renitentes, pode-se observar as quantidades de espíritos que encarnam com o sexo masculino ou com o sexo feminino, em que há um perfeito equilíbrio nessas encarnações. Tudo neste mundo-escola ocorre em estrita obediência ao determinismo.

Eu não vou aqui entrar no mérito da discussão em relação ao proposto pelos estudiosos de que o intuicionismo é uma corrente caracteristicamente francesa, tendo Bergson como sendo o seu fundador e expoente máximo, pois então eu teria que adentrar no âmbito das ideias e fatalmente me desviar do meu objetivo, que é a intuição em si. No entanto, Bergson encarnou em 1859 e desencarnou em 1941. Mas alguns séculos antes da sua encarnação, Descartes, que encarnou em 1596 e desencarnou em 1649, já tratava acerca da intuição, embora a sua saperologia tenha sido denominada de racionalismo. Em sua obra Regras Para a Direção do Espírito, as páginas 36, 42, 43, 55 e 82, ele trata da intuição da seguinte maneira:

É preciso notar, em segundo lugar, que há apenas um restrito número de naturezas puras e simples que se podem ver por intuição primeiro e em si próprias, não em dependência de outras, mas nas próprias experiências ou graças a uma luz que nos é inata. Dizemos que é preciso considerá-las cuidadosamente, pois são elas que em cada série chamamos as mais simples. Para todas as outras naturezas, não podem ser percebidas de outra forma senão as deduzindo as primeiras, e isso quer imediatamente, quer unicamente, por duas ou três ou várias conclusões diferentes, cujo número também deve ser notado, a fim de se reconhecer se mais ou menos graus as afastam da proposição que é a primeira e a mais simples.

É preciso notar, além disso, que, por enumeração suficiente ou indução, entendemos apenas aquela que nos dá a verdade na sua conclusão com mais certeza que qualquer outro gênero de demonstração, salvo a simples intuição.

Mas se tirarmos uma só consequência de um grande número de coisas separadas, muitas vezes a capacidade do nosso entendimento não é suficiente para lhe permitir abarcá-las todas em uma só intuição.

Depois de termos exposto as duas operações da nossa inteligência, a intuição e a dedução, que são as únicas de que nos devemos servir para apreender as ciências.

Não há vias abertas ao homem para conhecer com certeza a verdade fora da intuição evidente e da dedução necessária”.

Se alguns séculos antes de Bergson o próprio Descartes conseguiu perceber a existência da intuição, é óbvio que Spinoza também seguiu a essa mesma linha perceptiva acerca da intuição. E não somente vamos encontrar a intuição no âmbito do racionalismo, mas também nos âmbitos do criticismo e do idealismo. Toda essa análise nos é fornecida magistralmente pelo nosso Farias Brito, que em sua obra Finalidade do Mundo – 2° Volume, as páginas 138, 139, 179 e 180, e em sua obra Finalidade do Mundo – 3° Volume, as páginas 309, 310 e 359, vem nos dizer o seguinte sobre o assunto:

As ideias originárias são dadas por intuição; as noções derivadas são tiradas, por dedução, das ideias originárias. A intuição e a dedução — tais são, pois, os dois grandes elementos da lógica, segundo Descartes.

‘Eu entendo por intuição’, diz Descartes, ‘não a crença ou o testemunho variável dos sentidos ou os juízos ilusórios da imaginação, mas a concepção de um espírito são e atento, tão fácil e distinta que nenhuma dúvida possa restar sobre o que compreendemos; ou antes, e o que é a mesma coisa, a concepção firme que nasce em um espírito são e atento, unicamente das luzes da razão.

A intuição fornece princípios que são aceitos como incontestáveis pela razão, independente de qualquer prova. Estes princípios são o ponto de partida da Filosofia; o mais vem por dedução de análise.

Toda a questão da verdade e do método consiste em saber perceber com distinção e clareza as ideias primeiras e saber encadear o raciocínio, sem fazer interrupção em nenhum dos termos da dedução.

Só há, pois, segundo Spinoza, um meio para chegar ao conhecimento da verdade, ou, como diria em liguagem moderna, para estabelecer sobre base positiva o conhecimento científico: é a dedução. Mas, para deduzir com segurança necessário é partir de uma verdade primeira, fundamental. Esta, como é intuitiva, não é derivada, mas originária; não vem por dedução, mas por percepção imediata; não é o resultado da especulação dialética, mas um produto espontâneo, direto, da intuição intelectual (leia-se criptoscopial, digo eu) pura.

É certo que o exercício dos sentidos é condição necessária para o desenvolvimento de nossa atividade intelectual, mas o exercício dos sentidos não dependerá, por sua vez, de alguma condição necessária? Há uma primeira condição: a organização fisiológica. É o dado material. Há uma segunda condição: as intuições necessárias. É o dado metafísico ou psíquico. O primeiro se resolve na organização da sensibilidade, confundindo-se assim com os próprios sentidos: são os sentidos mesmos considerados objetivamente, isto é, em sua conformação material. Mas o segundo também poderá ser compreendido e explicado como um produto dos sentidos? Mais claramente: é também como obra dos sentidos que devem ser interpretadas as nossas intuições necessárias?

Não entrará em contribuição com a obra dos sentidos para a formação do conhecimento, algum elemento de outra procedência?

Nisto está realmente o problema capital da filosofia crítica. Agora o que é preciso saber é em que consiste este elemento, quer dizer, o elemento necessário, o elemento puro do conhecimento, isto é, esse elemento que é independente da experiência e anterior à experiência e que deve ser reconhecido como a condição necessária… Kant acredita poder determiná-lo; e tal foi precisamente o fim a que se propôs em sua crítica.

Uma concepção traz em gérmen a intuição idealista, e outra a intuição realista da existência, explicando-se, segundo o criticismo, o objeto em função do sujeito; e se explicando ao contrário, segundo o positivismo, o sujeito em função do objeto: mas as consequências são as mesmas quanto ao valor do conhecimento que, quer em um, quer em outro sentido, só se pode admitir de modo relativo; o que equivale a dizer: de modo incompleto, imperfeito e em proporções limitadas, e sem que se possa de modo algum alcançar aquilo que se pode chamar a aspiração natural e o ideal supremo do espírito, isto é, a posse da verdade”.

A intuição se aplica em todos os setores da vida, uma vez que ela faz parte integrante da espiritualidade, tanto em relação aos espíritos que integram o Astral Superior, como em relação aos espíritos obsessores que integram o astral inferior, uma vez que ela é decorrente das vibrações magnéticas, produzidas pelos sentimentos, das radiações elétricas, produzidas pelos pensamentos, e das radiovibrações eletromagnéticas, produzidas pelas suas combinações, com tudo isso ocorrendo por intermédio da aura. E quem vem comprovar que a intuição se aplica em todos os setores da vida é Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filósófico da Antiguidade, as páginas 49, 50, 101, 137 e 138, que além disso vem também afirmar que ela é puramente espiritual, mesmo desconhecendo que os espíritos são os executores das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, quando diz o seguinte:

Pela intuição racional (ou espiritual) entra o homem em contato direto e imediato com o Todo, a Realidade absoluta, total, indefinida, eterna, onipresente.

Pode existir a mais alta intuição espiritual em um homem cientificamente analfabeto e sem erudição intelectual. Muitas vezes, a erudição intelectual é até um obstáculo à intuição espiritual, não em si mesma, mas porque o homem altamente intelectualizado facilmente se convence de que, além do plano intelectivo, nada mais existe digno de ser atingido, caindo assim vítima de uma deplorável autocomplascência narcisista, que fecha todas as portas a uma evolução ulterior, rumo ao conhecimento intuitivo.

A ciência física demonstrará, um dia, o que a intuição metafísica sabia desde os tempos antiquíssimos. Uma coisa é saber, outra coisa é demonstrar. As verdades mais profundas podem ser sabidas com absoluta certeza, sem serem experimentalmente demonstráveis. Em última análise, a certeza não vem de provas de laboratório, mas da intuição espiritual.

A distância que me separa do mundo, diz o asceta e o neoplatônico, é a medida que me aproxima de Deus, e vice-versa (daí a razão pela qual eu afirmo que a liberdade está em Deus, digo eu).

A percepção de Deus ou do mundo divino não é uma continuação daquilo que os sentidos e o intelecto nos oferecem; mas é um novo início, algo inteiramente diferente, novo, original e inédito.

Intuir não é o prosseguimento nem a culminância do sentir — é um ato tão oposto como o sim é oposto ao não, como a luz é oposta às trevas.

Sentir é algo que o homem faz. Intuir é algo que Deus faz. O homem não é a causa e fonte do intuir (mas ele também intui, porque vibra, radia e radiovibra, digo eu), assim como é do sentir. O homem não percebe a Deus pelos sentidos, nem o concebe pelo intelecto (concebe sim, desde que tenha a verdade como sendo a sua legítima fonte, digo eu) — Deus é que se revela ao homem através da intuição devidamente apurada (sabendo-se que Deus se encontra em nós mesmos, em conformidade com o nosso estágio evolutivo, digo eu).

Deus se revela a todo homem idôneo de receber essa revelação. Mas nem todos os homens são suficientemente idôneos para receber a revelação de Deus; por isto, nem todos sabem o que é Deus.

Para que Deus se revele ao homem, deve este preencher certas condições preliminares indispensáveis ao advento e à atuação dessa mensagem do além”.

Einstein, que não era um veritólogo e muito menos um saperólogo, mas sim um religioso que se ocupava de uma das parcelas do Saber denominada de Física, tendo sido ele considerado como sendo brilhante naquilo que se dedicava, apesar de intuído pelo astral inferior haver causado indiretamente grandes males à nossa humanidade, como demonstrarei plenamente no site pamam.com.br, quando na obra relativa ao Sistema eu tratar ao seu respeito, conseguiu perceber a existência das leis espaciais, já que pelo fato de ser religioso tratava mais das leis espaciais do que dos princípios temporais, e assim como ele conseguiu perceber a existência das leis espaciais, conseguiu também perceber a existência da intuição, em sua primordialidade. E tanto isso é verdade, que ele mesmo afirmou o seguinte:

Não existe nenhum campo lógico para a descoberta das leis do Universo — o único caminho é a intuição”.

Deve-se considerar que as intuições fazem parte integrante da nossa inteligência, completando-a, pois que em muitos momentos das nossas vidas como encarnados, somos conduzidos por elas, tanto pelas intuições advindas do Astral Superior, como pelas intuições advindas do astral inferior. E mesmo quando falamos ou escrevemos estamos transmitindo algo aos nossos semelhantes, influenciando as suas vidas, o que não deixa de ser um intuição, que tanto pode ser benéfica, como as que são recebidas do Astral Superior, como pode ser maléfica, como as que são recebidas do astral inferior.

Todos sabem que no cotidiano da vida uma pessoa de boa índole faz de tudo para que outra não pratique uma ação que seja considerada como sendo nociva, seja em que sentido essa ação seja dirigida, empregando as palavras que julga sejam as mais adequadas para a ocasião, sempre na tentativa de sensibilizar ao praticante, o que não deixa de ser um intuição, chegando às vezes até a impedir que a ação seja praticada, através da utilização da força física. Por outro lado, também no cotidiano da vida, uma pessoa de má índole faz de tudo para que outra pratique uma ação que seja considerada como sendo nociva, tanto para a prática do crime como em outros sentidos, empregando as palavras que julga sejam as mais adequadas para a ocasião, sempre na tentativa de induzir ao praticante para o erro, o que também não deixa de ser uma intuição. Embora ignorando completamente a natureza da intuição, os nossos legisladores são cientes dessa influência que as pessoas exercem umas sobre as outras, sendo por isso que o nosso Código Penal prevê esse tipo de crime, mas apenas em relação ao suicídio, quando em seu artigo 122, reza o seguinte:

Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça”.

Por fim, partindo do princípio de que Deus se encontra em nós mesmos, em conformidade com o nosso estágio evolutivo, e, por conseguinte, que a nossa inteligência é proveniente da Inteligência Universal, pois que estamos em demanda de Deus, portanto, da Inteligência Universal. E partindo do princípio de que todos os seres são partículas do Ser Total que evoluem na aquisição das propriedades da Força e da Energia, posteriormente na aquisição da propriedade da Luz, ao alcançarem a condição de espíritos. Então eu posso afirmar, convictamente, que as almas humanas são derivações e partes da Alma Universal, por isso há nelas uma atividade racional, superior, que anseia para o inteligível, assim como ainda há uma atividade irracional, inferior, proveniente dos instintos, atávica da irracionalidade.

Daí a grande importância da organização de Deus perante toda a nossa humanidade, em Sua real existência, assim como também a consciência de que quanto mais evoluído for o espírito, tanto mais Deus estará nele contido. Desta maneira, todos poderão ter a intuição de Deus em suas vidas como encarnado, para que assim possa ser estabelecida uma hierarquia neste mundo, consoante o estágio evolutivo em que cada um se encontra, com os mais evoluídos se situando mais acima dos menos evoluídos nesse organograma evolutivo, para que assim, e somente assim, todos possam ter uma maior consciência a respeito de Deus, à medida em que os maiores estágios evolutivos forem sendo alcançados neste nosso mundo-escola.

É óbvio que estando encarnado eu não posso ter a mesma consciência que se tem nos Mundos de Luz, por isso eu não sei se lá os espíritos têm a intuição direta de Deus, portanto, do absoluto, ou, como deverá ser no futuro neste mundo-escola, se têm a intuição de Deus através dos espíritos mais evoluídos. No entanto, Plotino, que encarnou em 205, considerado pelos estudiosos como sendo a maior expressão do neoplatonismo, vem afirmar que as almas humanas, quando em uma vida pré-mundana, ou seja, quando em seus Mundos de Luz, gozavam da intuição do Absoluto; daí decaem, ou seja, encarnam, e são encerradas no cárcere do corpo carnal por culpada e por possuir inclinações para a matéria. Então a alma mais evoluída, ou seja, o espírito superior, que constitui a essência inteligível do homem, duplica-se em uma alma inferior, por estar precisamente presa ao corpo carnal. Esta queda das almas, ou seja, a encarnação, não se realiza uma vez por todas, mas se repete ciclicamente, com o veritólogo estando em conformidade com a clássica doutrina grega do eterno retorno.

 

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