12.05- A liberdade

Prolegômenos
10 de junho de 2018 Pamam

É certo que muito se fala em liberdade, mas o fato é que até hoje nenhum ser humano conseguiu formar um conceito que viesse a expressar o termo com precisão, pois que sempre a liberdade é compreendida como sendo uma faculdade inerente ao próprio ser humano em relação aos valores terrenos enquanto encarnado, e jamais na sua condição de ser espiritual. Em função disso, todos consideram que a liberdade seja própria do homem, ou seja, dele mesmo decidir aquilo que deve ou não deve fazer, em conformidade com o seu próprio critério, segundo a sua própria decisão, ou a sua própria determinação, que tanto pode ser acertada ou não, de acordo com aquilo que ele mesmo imagina. Neste caso, todos esquecem que os seus semelhantes existem, e que por isso as suas decisões ou as suas determinações não podem abalá-los, sob pena de gerar os conflitos e os desentendimentos que são tão comuns neste mundo. Vejamos dois dos conceitos de liberdade fornecidos pelos filólogos:

Liberdade é a faculdade de uma pessoa fazer ou deixar de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa”.

Liberdade é a faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação”.

Já é sabido que a faculdade é a capacidade adquirida pelo ser humano para a realização de algo que contenha alguma racionalidade, consoante a sua aptidão inata, a sua vocação, o seu talento, a sua tendência, a sua disposição, com tudo isso estando em conformidade com as suas liberdades para agir, mas tudo isso se encontrando no âmbito da imaginação, tais como:

  • A faculdade de representar as imagens no seu corpo mental, combinando-as;
  • A faculdade de evocar pelos sentidos as imagens das coisas, dos fatos e dos fenômenos que não foram captados pela sua percepção, reproduzindo outras imagens, denominada pelos estudiosos de imaginação reprodutora;
  • A faculdade de formar pelos sentidos as imagens das coisas, dos fatos e dos fenômenos que não foram captados pela sua percepção, ou de realizar novas combinações de imagens;
  • A faculdade de criar novas imagens mediante a combinação das imagens que já se encontram contidas no repositório do seu corpo mental;
  • A faculdade de fantasiar, ao associar as imagens que se encontram gravadas no seu corpo mental, causando o devaneio, assim como o devaneio dos poetas;
  • A faculdade da criação de crenças fantásticas que levam à crendice e as superstições, tais como as criações dos milhares e milhares de credos e seitas que se encontram espalhados por esse mundo afora, levando ao devaneio do sobrenatural;
  • A faculdade de invenção ou criação construtiva organizada pelas ciências, por oposição à fantasia e ao devaneio, levando à ilusão da matéria.

E como todos os seres humanos se encontram na fase da imaginação, eles não podem ser detentores da liberdade plena para agir, pois que tanto podem praticar o bem como o mal, mesmo que não se apercebam do fato, uma vez que o bem não deve ser imaginado, mas sim concebido, enquanto que o mal é totalmente imaginado, daí a razão da nossa humanidade ser obrigada a abandonar a fase da imaginação e ingressar na fase da concepção, para que nesta possa praticar o bem. Além do mais, quase todos os seres humanos agem segundo os seus próprios interesses pessoais, por isso geralmente encaram o mal como sendo tudo aquilo que lhes seja pseudamente prejudicial, sem atentarem para o fato de que muitas vezes eles podem ser sofridos com vistas a um bem maior, por isso se diz que não há um mal que não traga um bem. E geralmente eles encaram o bem como sendo tudo aquilo que lhes seja benéfico, materialmente falando, já que quase todos são materializados, sem atentarem para o fato de que muitas vezes eles podem ser sofridos com vistas a um mal maior. Sendo tudo isso em função do determinismo. E como os seres humanos não possuem qualquer noção acerca do determinismo, então eles pouco sabem acerca do bem e do mal.

É justamente por isso que todas as nações possuem as suas legislações segundo as suas próprias culturas, para que elas restrinjam as liberdades dos povos, que assim somente devem agir em conformidade com as leis e os princípios que foram determinados, por isso ocorre um cerceio em relação às suas ações, uma imposição por seguir determinadas regras, por agir conforme as normas que foram pré-estabelecidas, com tudo isso sendo uma privação das suas liberdades plenas. Mas mesmo assim o homem pode se considerar como sendo livre, pelo menos em termos, pois que é a própria sociedade que ele forma e que dela participa quem elabora as suas leis e os seus princípios, então ele deve se conformar em viver em função delas, obedecendo às leis, seguindo aos princípios e zelando pelos seus cumprimentos. Tratando acerca da liberdade, Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, as páginas 93 a 96, ensina-nos o seguinte:

O cerceio da liberdade é um bem, sempre que usado no sentido de conter o mal. E por mal se compreende tudo aquilo que contraria as boas normas de viver, pautadas pelas leis Supremas e Universais.

Todos devem, por isto, satisfazer-se com a liberdade relativa que possuem, procurando viver uma existência controlada e pacífica. As leis foram criadas, precipuamente, para regular a liberdade, para impedir que qualquer um tome o freio dela e pratique o que quiser. Um mundo sem leis, seria um mundo selvagem. Logo, uma vez que as leis são indispensáveis, a liberdade tem de ser dosada e limitada nas suas manifestações.

Enquanto, porém, estiverem os seres sujeitos à evolução terrena, precisam se conformar com a liberdade relativa que desfrutam. Ela será usufruída por cada pessoa, na medida do seu adiantamento espiritual, da sua capacidade de realização, do seu merecimento e das condições previstas para a sua evolução.

As esposas e mães têm a sua liberdade grandemente cerceada, mas em holocausto a uma missão dignificante. Do mesmo modo, as crianças têm a liberdade também limitada, em favor de uma melhor educação e maior estabilidade. Sem exceção, os chefes de família, no seu devotamento ao lar e ao trabalho, subjugam toda e qualquer ideia de liberdade que prejudique a essa dedicação.

Assim, os seres em evolução na Terra só poderão alcançar uma parcela maior da liberdade no decorrer da existência, e deverão se julgar felizes por estarem sujeitos a essa restrição redentora, que opera em favor da coletividade e, particularmente, em benefício de cada um.

A falsa ideia de liberdade faz com que o ser se coloque um pouco à parte do conjunto humano; essa ideia desenvolve uma porcentagem de egoísmo, uma certa superioridade que não pode existir.

A simplicidade deve ser adotada como lema. De preferência, estimule-se a simpatia por aqueles que possuem dose menor na parcela de liberdade, por estarem suportando uma carga mais pesada.

O ser humano possui a liberdade identicamente ao livre arbítrio, para aprender a não fazer uso dela fora de limitadas condições, e essa aprendizagem é obra de milênios”.

Eu não vou aqui me referir aos diversos tipos de liberdade que os seres humanos imaginam, tais como a personificação simbólica dos pensamentos liberais, através da estátua da liberdade; a liberdade de expressão, através da utilização de toda e qualquer palavra; a liberdade de pensamento, através das imagens que expressam, tais como se fossem ideias; a liberdade de solteiro, através da recusa em se casar, quando o casamento é uma obrigação do ser humano para a constituição da família; a liberdade de imprensa, através da divulgação de todo o tipo de notícia e opinião acerca dos acontecimentos; a liberdade de associação, através do direito que todos têm de empregar em comum os seus esforços para qualquer finalidade lícita; a liberdade de cultos, faculdade que os sectários dos diversos credos e seitas têm de exercer o seu culto e professar as suas doutrinas; etc., e etc.; pois que o foco que eu quero alcançar é a liberdade na acepção da palavra, portanto, a liberdade plena, que é espiritual.

No entanto, eu vou abrir uma exceção para esta última das liberdades humanas, para a liberdade de culto, pelo fato dos credos e das suas seitas serem os maiores cerceadores da liberdade humana, sem que para isso concorra de fato para a sua educação, ou seja, para as aquisições da moral e da ética.

É um fato que os credos e as suas seitas, de maneira matreira e ardilosamente estratégica, dispõem-se às organizações de estabelecimentos de ensino com o intuito de monopolizar não propriamente o ensino, mas a educação do povo, em suas fases de infância e de juventude, quando as suas mentes são mais plasmáveis e mais vulneráveis às suas doutrinações, como se pode comprovar através dos colégios jesuítas, dos colégios dos irmãos maristas, dos colégios protestantes, e outros, embora essa matreirice ardilosamente estratégica tenha decaído nos últimos tempos, pois que a concorrência agora é simplesmente por dinheiro, uma vez que o preço do ensino se encontra de um modo tão elevado, que muitos pais de família não ganham para sustentar aos seus aquilo que as escolas e faculdades cobram em suas mensalidades, mesmo remunerando pessimamente aos seus professores. E todos esses tubarões do ensino ainda se consideram educadores. Quanta estupidez! Sendo tudo isso do conhecimento pleno de todos.

E como os credos e as suas seitas foram até aqui os grandes instituidores do gênero humano, eles preencheram a esse desiderato às suas maneiras, em conformidade com as suas maiores e mais malévolas intenções: semear a ignorância credulária nas mentes dos seres humanos, cujo princípio de educação era sempre a autoridade sacerdotal; o seu meio, a obediência aos dogmas credulários e aos sacerdotes; e o seu fim, a virtude credulária, em sua forma de santidade, que nada tem a ver com a moral e a ética verdadeiras; por conseguinte, a santidade utópica, e jamais a liberdade. Este é o retrato quase fiel do pensamento de um notável saperólogo chamado Farias Brito, que além disto considera que quando o pensamento da liberdade é apreendido pela alma humana, mesmo que no âmbito da imaginação, em seguimento à educação credulária, não é um fruto natural e preparado pelo credo mesmo, é a reação de um espírito sobre o qual pesa enfim o jugo de uma tutela que se prolonga além da medida, ou o abrimento necessário de uma inteligência que não espera senão a idade da madureza para se produzir em sua força e em sua liberdade.

Então o espírito, quando adquire certa consciência, escapa às mãos que querem lhe reter, libertando-se de uma autoridade desconfiada e suspeita, tratando de se refugiar por sua conta e risco no asilo da ciência, que apesar de ser materialista é muito mais racional, ou então nos braços da Veritologia ou da Saperologia. No entanto, em todos os casos não acontece nunca que a separação se faça amigavelmente, pois que é uma ruptura muitas vezes violenta de parte a parte, sempre misturada de pesar, tristeza e amargura, o que não poderia ser diferente, pois que na educação dita cristã, por não ser propriamente cristã, mas sim credulária, nada prepara e nada dispõe a transição do estado credulário para o estado veritológico, ou saperológico, ou verdadeiramente religioso ou científico. Mas é apenas no âmbito da Veritologia, ou então da Saperologia, que o espírito passa repentinamente da disciplina absoluta imposta pela doutrina e pelos cultos credulários ao regime do livre exame, do mistério sobrenatural à luz transcendental, das visões da imaginação às ideias da razão pura.

Esta passagem do estado credulário para o estado verdadeiramente religioso ou científico, ou então para o estado veritológico ou saperológico, produz uma grande agitação mesmo nas almas mais fortalecidas, em que a História se encontra repleta de inumeráveis exemplos desta dolorosa transição, como em Pascal, em Jouffroy e em Vacherot. Isto explica a extrema lentidão com que se operam as evoluções criptoscopiais e intelectuais, e mais ainda da consciência, por conseguinte, dos atributos individuais inferiores para os superiores, dos atributos relacionais negativos para os positivos, em que agora, ao final desta Grande Era e início de uma nova Grande Era, as sociedades deverão passar do estado científico, agregado à ilusão da matéria, e credulário, agregado ao devaneio do sobrenatural, para os estados verdadeiramente religioso, científico e religiocientífico, e para os estados veritológico, saperológico e ratiológico.

E como disse o próprio Vacherot, esta evolução não está feita, mas há de se fazer. Sim, esta evolução que há de se fazer está sendo feita agora por intermédio do Racionalismo Cristão, pois que a nossa humanidade já chegou ao seu estágio evolutivo definitivo e último em relação à ignorância, em que o mal prepondera em todos os recantos do mundo, devendo se esclarecer espiritualmente, para que assim abandone a fase da imaginação e ingresse de vez na fase da concepção, onde se podem formular as ideias a respeito do bem, por conseguinte, onde se pode produzir a amizade espiritual, que é a nossa próxima meta a ser alcançada, para que assim possa ser estabelecida a solidariedade fraternal. Estas são as palavras de Jesus, o Cristo: “Somente a verdade poderá livrar os homens da ignorância e torná-los livres”. E a liberdade começa com a verdade, que é a fonte da sabedoria, em que através de ambas coordenadas se alcança a razão.

Temos, então, de um lado, a liberdade puramente material, própria do ambiente terreno, em que a própria ignorância humana limita e restringe as ações humanas, em função das obrigações e dos deveres assumidos em plano astral, como no casamento, ao se constituir família, nos trabalhos referentes a todos os tipos de profissões, na política, etc., e, principalmente, nas legislações que são estabelecidas nas nações para se refrear o mal que campeia por esse mundo afora. E de outro, a liberdade puramente espiritual, a que se goza em sua plenitude, que tratarei logo mais adiante.

Em relação à liberdade puramente material, própria do ambiente terreno, a notável educadora Olga B. C. de Almeida, em sua obra Retalhos de Vida, ensina-nos o seguinte:

Fala-se muito em liberdade, cujo sentido é tão pouco conhecido. E os que mais a proclamam, quando se referem ao amor conjugal, são justamente os que menos a compreendem.

Isso importa em um esclarecimento sobre o que seja realmente a liberdade humana, porque ela não existe no sentido absoluto.

O indivíduo pensa ser livre, embora a sua liberdade esteja condicionada à individualidade.

Todos são livres na escolha da profissão, mas fracassarão, se não tiverem, para ela, a aptidão necessária.

Uma sociedade é livre para investir capitais em algum negócio, mas será desastroso tal negócio, se não possuir fundamento econômico.

Uma nação é livre de seguir determinada política, mas sob a condição de levá-la a bom termo.

Assim também acontece com a liberdade do nosso corpo, que está sempre sujeita a condições impostas pela leis orgânicas.

Liberdade é palavra que reflete vida material e espiritual; uma coisa ela é para o indivíduo isolado, outra para o casal, o lar, a comunidade, a organização profissional, o Estado.

Para cada forma de vida, nova forma de liberdade.

A criatura que sincera e honestamente quer ser livre, tem que, antes, pensar na liberdade do outro”.

Mas o fato é que a verdadeira liberdade, a liberdade plena, somente pode ser conseguida no âmbito da espiritualidade, pois que somente nela, e unicamente nela, pode realmente se refletir, assim como afirma a notável autora, pois que para ser verdadeiramente livre o espírito, estando encarnado ou não, tem que preencher, obrigatória e necessariamente, aos dois requisitos básicos seguintes:

  1. Desenvolver aos seus órgãos mentais em patamares bastantes elevados, para que assim o seu criptcoscópio possa apreender ou captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, o seu intelecto possa apreender ou criar as experiências físicas acerca da sabedoria, e a sua consciência possa coordenar aos outros dois órgãos mentais, alcançando assim a razão, sobressaindo-se assim a consciência em todos os aspectos da existência eterna e universal;
  2. Desenvolver aos seus atributos individuais superiores e relacionais positivos em patamares bastante elevados, para que assim o conjunto dos atributos individuais superiores possam formar a sua moral e o conjunto dos atributos relacionais positivos possam formar a sua ética, ambos em suas respectivas completitudes, possibilitando a que espírito se torne verdadeiramente educado, que é a condição exigida para que ele se torne um ser universal, pois que somente pode se universalizar o espírito que seja realmente educado.

Como se pode perfeitamente comprovar, a liberdade se encontra ligada diretamente à inteligência do espírito, por isso somente pode ser exercida em sua plenitude em função da inteligência, uma vez que os atributos individuais superiores e relacionais positivos comandam o poder e a ação do espírito, respectivamente, com os órgãos mentais obedecendo de pronto a esses comandos e estabelecendo o caminho adequado a ser seguido, em inteira conformidade com a virtude. Estando esse caminho em inteira conformidade com a virtude, é óbvio que ele também estará em inteira conformidade com as leis espaciais, com os princípios temporais e com os preceitos universais, o que implica em dizer que ele é um ser universal. E em sendo ele um ser universal, uma parcela do Universo estará contida em sua alma, consoante o estágio evolutivo em que ele se encontra, com ele tendo a consciência plena de toda a harmonia que se encontra nessa parcela universal que encontra contida nele mesmo.

Em sendo assim, o espírito não possui qualquer limitação para agir em conformidade com a parcela do Universo que se encontra contida nele mesmo, em função disso os seus poderes e as suas ações estarão voltadas sempre para a harmonia que nele mesmo se encontra, o que implica em dizer que a sua liberdade é plena. Ora, o Universo se encontra contido em Deus. Uma parcela do Universo se encontra contido no espírito, em conformidade com o seu estágio evolutivo. Então Deus está contido no espírito, dada a filiação que existe entre o Criador e a criatura, sempre em conformidade com o estágio evolutivo espiritual.

Em resumo: a liberdade está em Deus.

Através desta minha explanação fica compreendida, então, a razão pela qual a nossa inteligência ascende para a Inteligência Universal. E somente podemos ascender para Ela procedendo ao nosso retorno para Deus, ou para o Criador, tornando-nos verdadeiramente educados, e tendo a consciência plena do valor que temos no âmbito da espiritualidade, do tanto que Deus em nós se encontra contido, que representa a parcela universal que temos em nossas almas, e jamais do valor que temos em relação a este mundo, pois que este valor se encontra ligado apenas aos demais seres humanos, sendo ele unicamente mundano. E mais: caso o espírito não seja realmente detentor do valor que julga possuir, ele será considerado pelos espíritos de luz que se encontram encarnados neste mundo como sendo um mero espírito atrasado, que se encontra colhendo as experiências necessárias para que depois adquira realmente o valor que julga possuir, pois que esse seu valor é pífio no âmbito da espiritualidade.

Todos são unânimes em considerar o Presidente dos Estados Unidos da América como sendo o homem mais poderoso do mundo. Muitas revistas até apontam algumas celebridades como sendo as mais poderosas e influentes do mundo, apenas porque são famosas e possuem rios de dinheiro, sem que, no entanto, consigam enxergar um palmo diante do nariz. E agora eu indago: quais são os seus poderes e as suas ações? O fato é que nenhum e nem outro são realmente poderosos, pois que o poder verdadeiro emana do próprio espírito, independentemente do cargo, posição, riqueza, ou seja lá do que for, já que esses falsos poderes são dependentes de terceiros, pois que emanando apenas do espírito, sem a interveniência de terceiros, ele alia o poder que detém às suas próprias ações, ou seja, a potência ao ato, sem que para isso venha a depender de terceiros, caso contrário o seu valor será incipiente. Mas este fato eu somente deverei comprovar por inteiro em outra obra explanatória, contida no site pamam.com.br, quando então eu demonstrarei através da experiência o significado do verdadeiro poder e da verdadeira ação.

O que eu quero com isso dizer, é que para se ter a liberdade plena, esta tem que se situar no âmbito universal, em que todo o acervo do espírito tem que se revelar por intermédio da sua consciência, por isso este órgão mental, necessária e obrigatoriamente, tem que ser universal, e não restrito a este mundo, pelo fato dele ser repleto de dores e misérias, frutos da ignorância. Embora não tenha sabido explicar o significado da verdadeira liberdade, pelo fato de ser um veritólogo, e não um saperólogo, Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, as páginas 93 e 94, apresenta-nos uma ideia bastante precisa acerca de tudo quanto ao seu respeito aqui foi explanado, quando diz assim:

Há um estado de elevação espiritual em que as leis terrenas seriam dispensáveis ao indivíduo, em virtude de tal equilíbrio moral (e ético, digo eu) já haver conquistado e tal poder de consciência adquirido. Para esse, essas leis poderiam ser consideradas como supérfluas, mas, já aí, ele obedece a outras leis, leis cósmicas, que se aplicam nos planos siderais e que precisam ser rigorosamente observadas, para que o Universo se mantenha na sua marcha normal: são as leis (os princípios e os preceitos, digo eu) da espiritualidade.

Nessa circunstância, o anseio do ser é de tal forma consciente, que a sua liberdade de ação coincide, rigorosamente, com a necessidade, não havendo, pois, desejos contrariados, contenções ou limitações (grifo meu)”.

Os seres humanos ainda são escravos do ambiente terreno, pois que são influenciados pelas paixões, dependentes do egoísmo, da vaidade, da soberbia, da egolatria, em que grande parte faz de tudo para satisfazer às ambições do poder superficial e da liderança do povo, embora ignore completamente a ambos, com todos agindo em conformidade com os seus próprios interesses pessoais, então a liberdade da humanidade é cerceada por ela mesma, no intuito de combater o mal, por isso poucos foram aqueles que adquiriram o direito de ter iniciativa, pois que poucos são aqueles que adquiriram a coragem suficiente para assumir os seus próprios atos, daí a razão pela qual campeia a insinceridade neste mundo, o ponto em que a imaginação se apoia, fruto da própria irrealidade em que todos vivem, decorrente da própria imaginação.

Por isso, somente quando os seres humanos estiverem devidamente espiritualizados, devidamente esclarecidos sobre os segredos da vida e os enigmas do Universo, tendo um ideal espiritualista a ser seguido, com tudo isso sendo proporcionado apenas pelo Racionalismo Cristão, é que eles poderão ter a consciência plena de si mesmos e do quanto Deus está contido em cada um, aí sim, poderão aos poucos ir conquistando a liberdade, até que ela se estabeleça plenamente em cada um dos espíritos que aqui ora se encontram encarnados, ou que vão encarnados se encontrar. Farias Brito não tinha a verdade como fonte para transmitir toda a sabedoria que se encontrava contida dentro da sua alma, mas esse grande espírito tinha uma noção considerável acerca da liberdade, no âmbito da espiritualidade, e tanto é assim, que em sua obra Finalidade do Mundo – 2° Volume, as páginas 155, 164, 237 e 238, afirma o seguinte:

Com efeito conhecer é se libertar. Isto equivale a dizer: ser livre é conhecer. De onde se vê que é da noção do conhecimento que resulta o conceito de liberdade. E deste modo se verifica que já Malebranche não ficou longe de perceber que é a consciência da ação que constitui a essência da liberdade.

E é deste modo que assim como se descobre em Malebranche o gérmen desta verdade: — a liberdade é a consequência da ação; — também esta outra ainda mais acentuadamente se encontra no fundo do seu pensamento: Deus é a luz. Tais são, penso eu, as duas afirmações fundamentais de que resultará A RENOVAÇÃO RADICAL DA FILOSOFIA (grifo e realce meus).

As nossas ações podem ser devidas ou à influência das paixões ou à inspiração do conhecimento. A ação sob a influência exclusiva da paixão constitui o que chama o filósofo o estado de escravidão. A ação sob a inspiração do conhecimento constitui o estado de liberdade. Quer dizer: o homem dominado pelas paixões é escravo; o homem dominando as paixões, é livre. Ora, para dominar as paixões só há um meio, o conhecimento; portanto, para ser livre só há também um meio: é ainda o conhecimento. O conhecimento é, pois, a condição fundamental da liberdade, o princípio e a vida da ordem moral (e ética, digo eu).

Em outros termos e para apresentar a teoria em uma fórmula sintética: para ser livre, conhecer; para viver conforme a moral (e a ética, digo eu), ser livre. Por isto estabelece Spinoza: ‘O fim supremo do homem que é guiado pela razão, o seu desejo supremo, esta vontade pela qual tanto se esforça de regular todos os outros, é, pois, a vontade que o leva a conhecer de uma maneira adequada a si e a todas as coisas QUE CAEM SOB A SUA INTELIGÊNCIA(grifo e realce meus).

Em Spinoza a verdadeira liberdade e a única possível, isto é, a consciência da ação, ou como ele diz: A VIDA CONFORME A RAZÃO (grifo e realce meus)”.

E agora se pode compreender perfeitamente a razão pela qual a palavra liberdade é empregada em muitos sentidos, os quais eu não me dei ao trabalho de explanar, a não ser a liberdade de culto, pelo fato dela se encontrar atrelada à educação e ser nociva ao desenvolvimento moral e ético da nossa humanidade, principalmente da nossa juventude. No entanto, os diversos sentidos empregados para a liberdade dão aos seres humanos o significado geral de poder proceder ou não proceder de alguma maneira, então eles são livres para poderem fazer o que quiserem, quando podem agir sem coação ou obstáculo por parte da sociedade. Sob este ponto de vista, haverá tantas liberdades quantas forem as formas de proceder.

Sabendo-se assim que a verdadeira liberdade está em Deus, pode-se agora compreender com mais perfeição que o espírito verdadeiramente livre é aquele que adquiriu a consciência plena de que Deus está contido em si mesmo, em conformidade com o seu estágio evolutivo, e que assim ele tira de si mesmo tudo aquilo que se refere ao Criador, tal como Jesus, o Cristo, assim procedeu, chamando-O de Pai. É justamente por isso que os espíritos que ainda não adquiriram a verdadeira liberdade, têm que depositar as suas fés racionais naqueles espíritos mais evoluídos que adquiriram essa consciência, e estes nos espíritos ainda mais evoluídos que eles, com a fé racional se estabelecendo de baixo para cima, como se a fé racional de cada espírito estivesse em demanda de Deus. E, em contrapartida, os espíritos mais evoluídos têm que depositar as suas convicções nos espíritos menos evoluídos, desde que estes tenham adquirido a essa consciência, como se a convicção da existência de Deus estivesse em demanda de cada espírito.

Quando todos os espíritos que integram a nossa humanidade assim estiverem procedendo, será estabelecida uma hierarquia espiritual neste nosso mundo-escola nos moldes da hierarquia que existe na alta espiritualidade, mais propriamente nos Mundos de Luz. Deste modo, os espíritos que mais contêm Deus em si mesmos serão aqueles que ocuparão o topo da hierarquia humana aqui na Terra, assim como eles ocupam nos Mundos de Luz. Então, com o decorrer do processo evolutivo, todos os seres humanos poderão contemplar a Deus em si mesmos e nos demais seres humanos, compreendendo então que todos nós somos espíritos, portanto, irmãos por natureza, e que estamos em demanda para Deus. E desta maneira a produção da amizade espiritual poderá se fazer valer em toda a sua plenitude entre os seres humanos, quer dizer, entre os espíritos, que é a nossa grande meta a ser alcançada na Grande Era que se aproxima. E assim deverá ser, até que toda a nossa humanidade possa alcançar a liberdade em sua plenitude, quando então estará preparada para produzir o amor espiritual.

Todo aquele que se encontra na fase da imaginação é um cativo do ambiente terreno, pelo fato de se encontrar preso à sua atmosfera, sujeito a ser conduzido pelas correntes deletérias provenientes das produções dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos, cujas vibrações, radiações e radiovibrações decorrentes formam essas correntes, por isso todos se encontram sujeitos a serem influenciados pelas intuições malévolas dos espíritos quedados no astral inferior. Esta é a realidade em que todos vivem, embora disso não se apercebam.

O fato de que os seres humanos foram à Lua é procedente, pois que a Lua se encontra na atmosfera da Terra, mas não procede o fato de que mandaram naves para sondar os demais planetas, inclusive o Sol, através da tecnologia científica, em que tudo isso não passa de uma tremenda ilusão, pois que para transpor a atmosfera da Terra se torna absolutamente necessário que os seres humanos tenham adquirido os atributos individuais superiores que formam a moral, para que assim possam se elevar ao Espaço Superior, e os atributos relacionais positivos que formam a ética, para que assim possam se transportar ao Tempor Futuro, tornando-se, portanto, educados, que é a única maneira de explorar o Universo, o que somente pode ocorrer através do desdobramento, por intermédio da volição, obviamente que sem a companhia dos seres infra-humanos, que não podem transpor a aura da Terra.

Além do mais, há que se levar em consideração que o planeta Terra é o mundo próprio dos seres hidrogênios, e que para ele vão os seres dos outros mundos mais adiantados, a partir dos seres hélios até aos seres humanos, em que estes são provenientes dos seus Mundos de Luz, para que assim possa ocorrer uma integração universal, com todos os seres interagindo uns com os outros, e essas naves tidas como se fossem espaciais são construídas com seres que pertencem aos outros mundos que aqui se encontram, além dos seres hidrogênios que o formam, e não é dado aos seres humanos deslocá-los do ambiente terreno em que eles se encontram interagindo uns com os outros, por força da evolução universal.

Eu sei perfeitamente que a imaginação pode ser capaz de fazer com que os iludidos venham a sorrir com desdém destas minhas afirmativas, pelo fato de julgarem haver visto as imagens do homem na Lua fornecidas pela NASA, além de outras imagens obtidas pelas suas naves exploradoras. Mas eu aconselho a que não venham a sorrir com desdém antes do tempo, pois que atrás de tempo, tempo vem, pois eu vou provar e comprovar também através de imagens, que tudo isso é falso, com a exceção da Lua, não passando de uma tremenda ilusão. E vou provar e comprovar na obra prolegômena, contida no site pamam.com.br, quando tratar do tópico que se refere ao astral inferior no espaço terreno, pois que os espíritos nele decaídos podem enganar a quem se encontra ainda na fase da imaginação, mas a um espírito superior que já se encontra na fase da concepção, formulando ideias de âmbito universal, eles não enganam jamais.

A verdadeira tecnologia não se encontra na transformação das coisas infra-humanas em outras coisas com base nos conhecimentos científicos que somente tratam da matéria, em sua ilusão, pois que tais conhecimentos são todos falsos, uma vez que a comunidade científica nada sabe a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, já que ignora que essas coisas são seres, e que evoluem, por isso elas aqui se encontram para evoluir, interagindo umas com as outras, em conformidade com os seus estágios evolutivos.

Na realidade, a verdadeira tecnologia se encontra em nós mesmos. Por isso, à medida que os seres humanos forem se esclarecendo acerca da espiritualidade, quando as religiões passarem realmente a exercer os seus papéis de aprofundar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade em relação às parcelas do Saber com as quais se ocupam, formando um corpo de doutrina para cada uma delas, e quando as ciências passarem realmente a exercer os seus papéis em realizar as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes a esses conhecimentos metafísicos acerca da verdade, formando um corpo de sistema para cada uma delas, e quando as religiociências passarem a coordenar a esses conhecimentos metafísicos acerca da verdade e a essas experiências físicas acerca da sabedoria que dizem respeito a cada uma das parcelas do Saber, poderão então transformar as coisas que aqui se encontram com vistas às suas evoluções, por intermédio do pensamento, como assim deverá ser feito. Mas isto somente quando adquirirem a moral e a ética necessárias, tornando-se verdadeiramente educados, que é a condição sine qua non para que se possa explorar o Universo.

O espírito é uma partícula do Ser Total. O corpo fluídico, ou perispírito, são as parcelas que foram adquiridas das propriedades da Força e da Energia. O corpo de luz são as parcelas que foram adquiridas da propriedade da Luz. A alma, portanto, é representada pelo corpo fluídico, ou perispírito, e pelo corpo de luz. Sabe-se que as propriedades da Força e da Energia formam todo o Universo, e que as estrelas são formadas por estas duas propriedades, fornecendo as coordenadas universais. Então todas as coordenadas universais pelas quais os espíritos passaram no decorrer do processo evolutivo, passam a estar contidas em suas almas, uma vez que o Universo está contido em Deus, e como os espíritos estão em demanda de Deus, em que Deus está contido em todos os espíritos, em conformidade com o estágio evolutivo em que eles se encontram, isto implica em dizer que parte do Universo está contido no corpo fluídico, ou perispírito, dos espíritos. Sabe-se também que a propriedade da Luz penetra todo o Universo, isto implica em dizer que a parcela da propriedade da Luz que forma o corpo de luz e que integra a alma de todos os espíritos, pode penetrar a parte do Universo que se encontra contida em seu corpo fluídico, ou perispírito.

Assim, à medida que os seres humanos forem se tornando efetivamente educados, adquirindo a consciência plena de que Deus se encontra contido neles mesmos, por conseguinte, que uma parte do Universo que lhes cabe pode ser percorrida por eles, em que as coordenadas universais que correspondem a essa parte do Universo pode ser penetrada por intermédio dos seus corpos de luz, eles então poderão verdadeiramente explorar o Universo, mas apenas nas coordenadas que lhes dizem respeito.

Resta agora apenas saber de que modo isto pode ocorrer.

A nossa alma fica ligada ao corpo carnal por intermédio dos cordões fluídicos, que se ligam diretamente ao coração e ao cérebro, cujos cordões fluídicos podem se entender indefinidamente. Quando dormimos, a nossa alma se afasta do corpo carnal e se dirige aos locais com quais ela possui uma maior tendência, em obediência à lei da afinidade e ao princípio da atração, mas permanecendo ligada ao corpo carnal por intermédio dos cordões fluídicos, ao que se denomina de desdobramento, mas raras vezes nós recordamos desses locais, apenas remotamente, por isso todos denominam a isso de sonhos.

Quantas e quantas pessoas já relataram haver visto o seu corpo carnal enquanto dormiam. Quantas e quantas pessoas já relataram haver visto o seu corpo carnal deitado em uma cama de hospital, enquanto os médicos faziam os seus procedimentos clínicos, relatando detalhadamente a esses procedimentos, inclusive as suas conversas entre si nesses procedimentos. Isto prova, sobremaneira, a realidade do desdobramento.

É assim, desdobrando-se, que no futuro os seres humanos poderão explorar o Universo, indo a outros mundos, por mais distantes que eles se encontrem da Terra, desde que estejam realmente educados para tal exploração, mas sempre limitados às coordenadas universais que lhes dizem respeito.

É por isso que eu afirmo: a liberdade está em Deus.

 

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