12.04- A ignorância

Prolegômenos
9 de junho de 2018 Pamam

A Veritologia é o tratado da verdade, em que todos os conhecimentos metafísicos que lhe dizem respeito devem ser reunidos em um conjunto, que é transmitido em forma de doutrina. A Saperologia é o tratado da sabedoria, em que todas as experiências físicas correspondentes a essa doutrina devem ser reunidas em um conjunto, que é transmitido em forma de sistema. A Ratiologia é o tratado da razão, em que essa doutrina e esse seu sistema correspondente são coordenados, possibilitando o estabelecimento das finalidades universais. Estes são os três tratados superiores que possibilitam a apreensão do Saber, por excelência, em seus principais fundamentos, que deverão nortear o viver terreno de toda a nossa humanidade, esclarecendo-a sobre os porquês da existência e a espiritualizando, resolvendo todos os seus problemas da vida, sendo para esse desiderato que foi fundado o Racionalismo Cristão, por isso ele é o embrião do instituto do Cristo em nossa humanidade.

O Saber Total é por demais extenso, não podendo ser apreendido por qualquer ser humano em uma única encarnação, a não ser em seus principais fundamentos, como dito logo acima, e como deverá ser posto no decorrer das minhas obras explanatórias e na minha obra que se destina à fixação dos meus ideais na face da Terra, contidas no site pamam.com.br. Então o Saber, por excelência, tem que ser dividido racionalmente em parcelas, que devem ser denominadas de parcelas do Saber, para que assim as suas investigações e pesquisas possam ser realizadas através das suas respectivas especializações, com cada uma delas se aprofundando o máximo possível naquilo que é da sua competência.

As religiões são os tratados da verdade que dizem respeito a cada uma das parcelas do Saber, em que todos os conhecimentos metafísicos que lhes dizem respeito devem ser reunidos em um conjunto, que é transmitido em forma de doutrina. As ciências são os tratados da sabedoria que dizem respeito a cada uma das parcelas do saber, em que as experiências físicas correspondentes a cada uma das doutrinas devem ser reunidas em um conjunto, que é transmitido em forma de sistema. As religiociências são os tratados da razão que dizem respeito a cada uma das parcelas do Saber, em que as suas doutrinas e os seus sistemas correspondentes são coordenados, possibilitando o estabelecimentos das suas respectivas finalidades, que devem ser universais, e não relativas apenas a este mundo. Estes são os três tratados que possibilitam a apreensão das parcelas do Saber e que devem aprofundar o Saber, por excelência, correspondente a elas naquilo que é da competência de cada uma delas, sendo as parcelas do Saber subordinadas diretamente aos três tratados superiores.

Estando postos os fundamentos do Saber, por excelência, e estando eles servindo de base para o seu aprofundamento especializado através das parcelas do Saber, estas, por sua vez, deverão servir de base para o exercício de todas as profissões a serem exercidas na face da Terra. Note-se que somente desta maneira um novo edifício social poderá ser erguido no seio da nossa humanidade, sendo todo ele espiritual, com base na razão, uma vez que os edifícios sociais que foram erguidos com base na ilusão da matéria e no devaneio do sobrenatural foram todos implodidos com a dinamite da verdade, através de Luiz de Mattos e dos seus seguidores, já que todos eles eram mundanos, próprios do ambiente terreno, tendo sido erguidos com base na imaginação, estando situados, portanto, fora do contexto da realidade.

Estando posto tudo isso com a maior das clarezas e com a mais profunda das lógicas, então eu posso afirmar com a mais absoluta convicção que todos os seres humanos, sem que haja sequer uma única exceção, são todos ignorantes, uma vez que ainda não são universais, já que não pautam as suas vidas no âmbito da razão. E agora eu posso tirar uma pequena lasquinha em relação aos seus estados mentais, sem qualquer revanche ou revide maldosos, apenas por pura molecagem cearense, mas sem nada afirmar, somente indagando: e aquele que pauta a sua vida fora do âmbito da razão, é enquadrado em qual diagnóstico psiquiátrico? Caso alguém venha a responder que é no âmbito da imaginação, estará correto, mas também deverá estar obrigado a responder à seguinte indagação: e aqueles que imaginam que estão vendo vultos e que estão ouvindo vozes, ou mesmo que estão vivendo na realidade, mas pautando as suas ações em tudo aquilo que imaginam, é enquadrado em qual diagnóstico psiquiátrico?

Que me desculpem os valorosos militantes da doutrina do Racionalismo Cristão, que são os bravos e intrépidos continuadores da nossa Grande Causa, mas eu não posso me furtar da utilização da minha sinceridade, então sou obrigado a afirmar que todos eles, do Presidente ao mais humilde dos seguidores da verdade, vivem todos considerando que são totalmente esclarecidos, mas que, na realidade, não os são, por hipótese alguma, pois o que possuem são apenas pequenas noções acerca da verdade, sem ainda terem apreendido em seus corpos mentais que a verdade é a fonte da sabedoria, e que somente com a união, a irmanação, a congregação, entre ambas, pode-se alcançar a razão, e os militantes da doutrina do Racionalismo Cristão não procederam ainda a essa exigência racional, que somente agora está sendo procedida por este saperólogo, ou ratiólogo, que é o explanador do Racionalismo Cristão, o que implica em dizer que eles estão seguindo a verdade sem qualquer noção acerca da sabedoria e da razão, portanto, do Saber, por excelência, por isso terão também que apreender em seus corpos mentais tudo isto que ora está sendo transmitido por este explanador, para que assim possam formar as suas concepções acerca do Universo, quando então poderão formular as suas ideias no âmbito da razão. E isto é um imperativo inadiável.

Caso eu estivesse equivocado, o que absolutamente não estou, não teriam o Presidente e os seus diretores, e nem os demais militantes teriam permitido que fossem realizadas alterações na doutrina, principalmente em relação às irradiações, como assim são denominadas as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, alterando uma das formas de se evoluir, que é através do sofrimento, pelo termo crescimento, que é totalmente inadequado e nada tem a ver com a evolução, pois em tudo que é passível de crescimento, envolvendo todas as coisas, encontra-se até o rabo do animal irracional, que cresce de cima para baixo, e não de baixo para cima. E não somente isto, pois todos os atributos individuais inferiores e relacionais negativos são também passíveis de crescerem em extensão, aumentando as suas intensidades, em conformidade com a inércia dos seus detentores, e se o crescimento é agora uma das formas de se evoluir, então eu vou voltar aos meus tempos na encarnação passada, regredindo na minha evolução espiritual, fazendo crescer o meu ciúme, a minha inveja, a minha vaidade e os meus desejos de vingança, os quais foram apontados diretamente a mim por Luiz de Mattos, para que assim eu possa evoluir mais rapidamente, conforme os tempos atuais propostos pelos novos dirigentes da doutrina do Racionalismo Cristão, mesmo estando em pleno desacordo com aquilo que nos transmitiu Luiz de Mattos e os seus seguidores. Mas não é assim que estão doutrinando atualmente os seus novos dirigentes? Cuidado, meus queridos companheiros, não alterem aquilo que foi posto pelo espírito da verdade! Não se atrevam ousada e petulantemente a querer transformar e alterar aquilo que não compreendem! Não tentem modificar aquilo que foi posto pelos grandes espíritos que integram a plêiade do Astral Superior!

Parece até que os seus atuais dirigentes não têm algo útil com que se ocupar no cotidiano da vida, então ficam a querer engendrar alguma maneira de alterar a doutrina racionalista cristã posta pelos verdadeiros veritólogos, não com o intuito de aprimorá-la, pois que em suas crassas ignorâncias deveriam saber que a verdade não se aprimora, não se altera, não se modifica, pelo simples fato dela ser absoluta, imutável, ontológica, já que a lógica não permite que a verdade hoje seja uma e amanhã venha a ser outra diferente, uma vez que isto não tem o menor cabimento nos âmbitos da lógica e da racionalidade.

Mas os seus dirigentes atuais estão tentando modificar a verdade, ao que parece pelo simples fato de poderem com orgulho e soberbia exclamar: isto era assim, mas nós alteramos para assim outro! Que me desculpem esses dirigentes atuais pelos termos que vou utilizar, mas eu tenho que ser sincero e inflexível na defesa da nossa Grande Causa. Isso tudo é vaidade, uma tremenda e estúpida vaidade ocasionada por uma profunda ignorância, aliada ainda a uma intenção oculta em querer aparecer aos olhos de todos, em querer figurar na história racionalista cristã como sendo os formadores da doutrina, quando, na realidade, o que estão fazendo é tornar torto aquilo que se encontra posto de modo retilíneo, embaraçando a compreensão dos seus militantes, ao invés de esclarecer a todos eles através da doutrina original, que é a legítima. E como esses atuais dirigentes não possuem a mínima noção acerca da importância do Racionalismo Cristão, no contexto da nossa humanidade, danam-se a alterar a doutrina da verdade. Ainda bem, para a felicidade deles, que a alteração foi de pouca monta.

Assim, mudaram também o termo sessão para o termo reunião.

Ora, uma reunião representa um acontecimento qualquer, que tanto pode ter uma finalidade de trabalho, de condôminos, particular, íntima, recreativa, dançante, e outras, que proporciona o encontro de diversas pessoas em um determinado local, como em uma sala de reuniões no local de trabalho, no salão de um condomínio, em uma praça pública, em uma residência, em um clube, em um restaurante, e em outros locais que sejam apropriados ao tipo de reunião a ser realizada, consoante o assunto a ser abordado, por isso a reunião tanto pode ser formal como também informal. As reuniões também podem ser realizadas por pessoas cujas decisões e atos são decisivos em determinados setores, quando então são denominadas de reuniões de cúpula. Mas as reuniões também podem se referir às demais coisas, quando elas formam um conjunto qualquer, em geral da mesma natureza, reunidas, ajuntadas, enfeixadas, quando, por exemplo, publica-se uma reunião de contos, de poesias, de crônicas, ou quando se reúnem esculturas, pinturas, fotografias, para exposições.

Já uma sessão é completamente diferentes, pois se caracteriza como sendo um período de tempo durante o qual se realiza um trabalho, que no caso da doutrina do Racionalismo Cristão consiste no fato dos seus colaboradores — presidentes, esteios, médiuns e auxiliares — procederem com as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas a Deus e ao Astral Superior para a limpeza dos seus corpos fluídicos e de luz, da assistência e do ambiente terreno, fornecendo os esclarecimentos espirituais que forem sendo considerados necessários para a evolução espiritual dos seres humanos, além das comunicações dos espíritos superiores e inferiores, para que todos possam ser convictos acerca da existência da alta e da baixa espiritualidades e possam também avaliar as condições do ambiente terreno em que vivem. Note-se que apenas os colaboradores tomam parte direta da sessão, enquanto que a assistência apenas assiste, sem tomar parte direta da sessão. Assim, o termo reunião não pode se aplicar a todos os que se encontram presentes, já que a assistência não participa diretamente, então o termo reunião é inadequado.

Caso os dirigentes atuais lessem com um pouco mais de atenção as obras doutrinárias racionalistas cristãs, pensariam duas vezes antes de realizar qualquer alteração no seu corpo de doutrina, pois que muitos espíritos superiores encarnaram neste mundo-escola para nele deixar resplandecer as suas luzes, como sendo polos de atração para o viver segundo as leis da moral, os princípios da sabedoria e os preceitos da educação. Vejamos, pois, dois exemplos clássicos desses polos de atração, o primeiro com Pitágoras e o segundo com Buda:

Pitágoras era um veritólogo que encarnou para fixar a sua luz neste mundo e dela fazer um polo de atração. Vivendo na ilha de Samos, no mar Egeu, em meados do século VI a.C., era um jovem cujo nome simbólico Pitágoras representava um elo de ligação entre a Veritologia e as profundas concepções de Hermes do Egito, que foi a primeira encarnação de Jesus, o Cristo, neste nosso mundo-escola. A pítia ou pitonisa era o nome de uma médium que no templo de Delfos, na Grécia, proferia os famosos oráculos da antiguidade. O termo goras, que em sânscrito significa guru, é uma palavra derivada de um radical que possui o significado de guiar, de conduzir. De maneira que o nome Pitágoras significa “guiado pela pítia”, ou seja, conduzido pelo espírito de luz que se manifesta através da pítia. A missão de Pitágoras no Ocidente possui uma estreita afinidade com a de Buda no Oriente.

Esse espírito de luz, então, deixando a sua terra natal com o intuito de cumprir com a sua missão na Terra, visitou os grandes centros que detinham alguma espiritualidade na antiguidade, viajando pela Fenícia, pelo Egito e pela Babilônia, indo até a Índia. Finalmente, regressando para a Grécia, após algumas dezenas de peregrinações, foi encontrar a mais alta espiritualidade em Delfos, aonde se encontrava a pítia, de onde seguiu para a Itália meridional, estabelecendo-se, por fim, em Crotona, sobre o golfo de Tarento, ao oeste do mar Adriático.

Em Crotona, atendendo aos desafios dos poderes públicos, expôs ao senado uma síntese minuciosa da sua doutrina altamente moralista, uma espécie de protótipo do Racionalismo Cristão, que era destinada a regular a vida dos seres humanos em todos os setores das suas atividades, em conformidade com as leis estabelecidas pela verdade. Tão sensatos pareceram os seus ensinamentos espiritualistas aos ignorantes senadores, que estes lhe outorgaram ampla liberdade e até lhe cederam uma verde colina sobranceira à cidade para que ali erigisse a sua cidade à maneira veritológica. E logo, sendo realista, não demorou a ministrar os seus ensinamentos espiritualistas, permeando com eles a vida individual, social, política e doutrinária dos seus discípulos voluntários.

A cidade espiritual estabelecida no topo da colina de Crotona, fundada e dirigida por esse espírito de luz, não possuía legislação civil e nem policiamento de espécie alguma, sendo os seus habitantes orientados unicamente por uma sensata e luminosa racionalidade, que é ímpar nos anais da história da nossa humanidade, antes da encarnação de Jesus, o Cristo. E caso fosse possível comparar a imensidão da luz do Racionalismo Cristão com a luz da cidade pitagórica em pequena escala, não tardaria a espiritualidade ser proclamada sobre a face da Terra, após algum tempo.

De maneira surpreendente e deveras admirável, Pitágoras afirmava que ninguém podia conhecer a Deus sem ser o que Ele é, embora não mencionasse que nós possuímos as Suas mesmas Substâncias para realmente sermos o que Ele é, na realidade. Assim, a lei do conhecer é a lei do ser. A completa identificação com o infinito no plano do ser é que faculta ao ser humano a possibilidade de ter o verdadeiro conhecimento do infinito, pois somente se sabe aquilo que se é, uma vez que o ser é a chave para todo o saber.

É de Pitágoras que vem o fabuloso ensinamento de que ninguém pode adequadamente compreender as partes antes de compreender o Todo, cujo princípio deve ser seguido por todos. Com este seu lúcido ensinamento, toda a nossa humanidade pode apreender agora o fato de que não se pode compreender o planeta Terra, que é uma parte, sem que antes venha a se compreender o Universo, que é o todo, por conseguinte, nada se pode compreender sem a organização de Deus perante o intelecto de todos os seres humanos. Daí a razão pela qual eu tive que me tornar um ratiólogo, universalizando-me, para que assim pudesse explanar o Racionalismo Cristão, cuja doutrina foi transmitida por Luiz de Mattos e os seus seguidores, através do site pamam.com.br, e agora através de A Filosofia da Administração, neste site.

A doutrina de Pitágoras, em termos gerais, ensina que o ser humano ignorante necessita, antes de tudo, desprender um imenso esforço no sentido de adquirir os atributos individuais superiores que formam a moral, para que assim possa remover os empecilhos que se encontram no seu caminho, que o impedem de prosseguir na sua jornada rumo a Deus, abandonando o mal que estava a praticar e adentrando ao bem que deixou de praticar. Depois de auferir a tudo isso, devia se preparar para receber a iluminação divina, porque ainda é espiritualmente cego e não enxerga claramente o caminho a trilhar. Por fim, virá a íntima ligação de todo o seu ser com a Divindade, que se revela claramente em inefável beatitude.    

Os grandes ensinamentos doutrinários de Pitágoras serviram de iluminação para os verdadeiros saperólogos que surgiram posteriormente na Grécia, como Sócrates, Platão, Aristóteles, os neoplatônicos e outros, pois, como dito, ele pode ser considerado como sendo o traço de união, ou a ponte de ligação entre os ensinamentos transcendentais do mundo ocidental mais recente, e a sabedoria do mundo oriental, vinda de Hermes, no Egito, de Krishna, na Índia, e de outros povos de cultura milenar.

Sempre quando terminavam a frugal refeição vegetariana, os estudantes se entregavam à meditação veritológica sob a direção de grandes mestres, com todos sendo presididos por Pitágoras. Quando as faculdades mentais se achavam exaustas dos longos estudos e meditações, todos se espalhavam pelos campos circunvizinhos, aonde se entregavam aos trabalhos agrícolas, extraindo da terra fecunda os vegetais com que alimentavam os seus corpos carnais, assim como a luz espiritual lhes alimentava os espíritos.

Mas, infelizmente, as potências avassaladoras do mal prevaleceram sobre esse farol de luz, sobre essa sublime realização de um espírito de luz, que tinha os pés solidamente firmados na terra e a alma elevada ao Espaço Superior, banhada nas luzes da alta espiritualidade, tal como Luiz de Mattos. E foram as paixões provenientes dos partidos políticos que destruíram tudo o que esse espírito superior construiu. Nunca se soube do fim de Pitágoras. Alguns afirmam que ele pereceu no caos da revolução política, enquanto outros afirmam que ele fugiu para Atenas. A sua luz, porém, ilumina hoje apenas as almas humanas que compreendem os seus maravilhosos ensinamentos espiritualistas.

Quando Buda entrou no cenário da vida, encontrou as salas, as ruas e até as florestas da Índia recheadas de disputas intelectuais, com os intelectuais demonstrando grandes tendências ateístas e materialistas. O último dos Upanichades e os mais velhos livros budistas estão cheios de referências a essas tendências heréticas. Uma grande classe de sofistas itinerantes — os Paribbajaka, ou Viajantes — gastavam parte do ano em ir de uma localidade a outra em procura de discípulos ou adversários para as pendengas intelectuais. Alguns deles ensinavam uma lógica puramente dialética como sendo a arte de provar tudo quanto se queira provar apenas com palavras. Outros demonstravam dialeticamente a inexistência de Deus e até a inutilidade da virtude. Grandes assistências se reuniam para ouvir a essas preleções e a esses debates. Grandes salas foram construídas para acomodá-los, e, às vezes, os príncipes ofereciam recompensas vultosas aos vencedores de tais justas intelectuais. Foi uma época de absoluta liberdade de pensamento e de inúmeras experiências no campo intelectual, mas sem a demonstração de qualquer sabedoria.

Em uma escola de materialistas hindus conhecidos pelo nome de um deles, os charvakas, os seus integrantes diziam que a verdade nunca podia ser conhecida, exceto através dos sentidos. Nem na própria razão podemos confiar, porque cada inferência depende, para a sua validade, não só da acurada observação e do correto raciocínio, como também da admissão de que as coisas no futuro se comportarão como no passado, e disto não podemos ter certeza. O que não é percebido pelos sentidos, afirma Charvakas, não existe, portanto, a alma é uma ilusão, e Atman uma mistificação. Não observamos, através da experiência ou da história, nenhuma interposição de forças transcendentais ou mesmo sobrenaturais nas coisas e nos acontecimentos deste mundo. Todos os fenômenos são naturais, e só os ingênuos os relacionam a deuses e demônios. A matéria é a única realidade; o corpo, uma combinação de átomos; o espírito, mera matéria pensante; o corpo, não a alma, sente, vê, ouve, pensa; ao que indaga: “— Quem já viu a alma separada do corpo?”. Não há imortalidade, não há reencarnação. O credo é uma monstruosidade, uma doença ou uma patifaria. A hipótese de um Deus é inútil para a explicação e a compreensão do mundo. Julgam os homens o credo ser necessário porque, estando a ele afeitos, sentem um vácuo sempre que o crescer do conhecimento destrói a fé credulária. A moralidade também é natural, não passando de uma convenção social e de uma conveniência, pois nada tem de divino. A natureza é indiferente ao bom ou ao mau, à virtude ou ao vício. O Sol brilha indistintamente sobre os ladrões e os santos. Se há na natureza alguma qualidade ética, só pode ser a sua transcendente imoralidade. Não é necessário controlar o instinto e a paixão, porque disso se encarrega a natureza — são as instruções da natureza ao homem. A virtude é um equívoco, pois o propósito da vida é viver, e a única sabedoria é a felicidade.

Esses pensamentos dos charvakas, para a época revolucionários, foram benéficos para a cultura da Índia, pois eles puseram fim à era dos Vedas e dos Upanichades, enfraqueceu o poder dos brâmanes sobre a mente do seu povo e deixou na sociedade indiana um vácuo propício para o surgimento de um foco de luz superior. Mas o trabalho dos materialistas fôra muito profundo, tão profundo que as duas novas doutrinas que viriam substituir a doutrina védica, por mais estranho que pareça, seriam doutrinas sem deuses, mas não ateísticas. Ambas pertenceram ou faziam parte do Nastika, ou movimento niilista; e ambas se originaram, não de nenhum brâmane, mas de membros da casta guerreira, os xátrias, em uma reação contra a teologia e o cerimonialismo sacerdotal. Com o advento do jainismo e do budismo, uma nova época iria ter começo na história da Índia. Mas aqui o que nos interessa é o budismo.

Buda ensina que aqueles que possuem muitos desejos, que são muito apegados à matéria, que buscam muitas vantagens para si mesmos, em conformidade com os seus próprios interesses pessoais, são por isso acometidos de muitos sofrimentos dolorosos, mas não aqueles que têm poucos desejos, que não são apegados à matéria, que nada buscam para si mesmos, por isso não são detentores de maiores preocupações em relação à vida. Assim, os que têm poucos desejos alcançam o Nirvana, ou a alta espiritualidade.

Procurando sempre seguir o seu próprio caminho, em cumprimento da sua missão espiritualizadora neste mundo Terra, sem a orientação de qualquer poder sobrenatural, confiando apenas no seu próprio esforço e nas intuições do Astral Superior, ele desenvolve o seu criptoscópio e aprimora o seu poder de percepção, passando então a ver as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza consoante a realidade. Desta maneira, consegue captar alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, da natureza da vida e do determinismo que a rege. Assim, aos 35 anos de idade, após haver vencido as intuições do astral inferior, que os estudiosos afirmam ser Mara, o demônio das ilusões, ele cai em profunda meditação, quando então se eleva ao Espaço Superior, que para os estudiosos é o momento em que ocorre a sua iluminação. A partir daí, ele passa a perceber que o mal é a causa de todos os sofrimentos humanos e vislumbra os meios pelos quais poderia conseguir triunfar sobre ele. Desse momento em diante, ele passa a ser Buda, o Desperto, o Iluminado.

E assim, ele passa a transmitir os seus diversos ensinamentos, em que a essência da sua doutrina consiste na Lei Eterna, que reza que tudo tem uma origem causal, e que aquele que achou a verdade mostrou as causas de tudo. No budismo é o próprio ser humano quem traça o seu caminho, não havendo deuses a adorar, nem rezas e orações, nem qualquer sacrifício a realizar, e muito menos qualquer tipo de sacerdócio. E como que a querer antecipar a realidade de que os seres humanos devem depositar as suas fés racionais nos espíritos de luz que contêm Deus em si mesmos, na proporção exata dos seus estágios evolutivos, Buda afirma que o verdadeiro culto não consiste em oferecer incenso, flores, ou outros objetos materiais, e muito menos cerimônias, mas no esforço desprendido por seguir o caminho correto daqueles a quem se reverenciam, que são os espíritos de luz. E todos os seres e todas as coisas são constituídas de uma mesma essência, embora pareçam diferentes segundo as formas que tomam, em consequência das influências que recebem em suas existências eternas e universais, que hoje sabemos ser provenientes das propriedades da Força e da Energia.

O budismo se espalhou por todo o oriente, alcançando grande difusão. Mas, infelizmente, a sua luz foi aos poucos se apagando, em virtude das transformações, adaptações locais às crenças existentes nas diversas nações em que se implantou. De todas as ramificações existentes, podemos distinguir três grandes correntes, que os estudiosos denominam de os três veículos, que são as seguintes:

  1. O Pequeno Veículo (Hinayana): que se restringiu aos ensinamentos originários de Buda, não permitindo adaptações, sendo esta a linha mais ortodoxa que se difundiu primordialmente no Ceilão, na Birmânia, na Tailândia e na Indonésia;
  2. O Grande Veículo (Mahayana): que procura dar interpretações filosóficas mais aprofundadas aos ensinamentos de Buda, procurando realçar o aspecto social, tal como se fosse a sua explanação, mas sem qualquer sabedoria, impondo-se, sobretudo, na China, na Coreia e no Japão, onde se misturou ao xintoísmo local e de onde se originou o zen-budismo;
  3. O Veículo Tântrico (Vajrayana): que se utiliza de processos mágicos e de força tida como sendo divina para se chegar à iluminação, implantando-se, principalmente, nas regiões do Tibete e da Mongólia.

O Racionalismo Cristão pode ser considerado como sendo uma esfera de luz posta neste mundo por Luiz de Mattos para iluminar todo o orbe terrestre, extinguindo de vez com a escuridão de há muito posta pela ignorância, uma vez que Jesus, o Cristo, afirmou que a ignorância é o grande mal da nossa humanidade. Por isso a sua luz deverá raiar ainda por alguns milênios, até que a nossa humanidade possa ter o seu próprio Cristo em seu seio. Então não será jamais a ignorância quem irá modificar a sua doutrina e tentar apagar toda a sua luz que ilumina a nossa existência eterna e universal. Deveriam, pois, os seus atuais dirigentes atentar para uma das obras doutrinárias escrita por Humberto Fecher, denominada de Perspectivas Perante a Inteligência Universal, que as páginas 57 a 59, diz o seguinte:

Em todo o planeta Terra existem Esferas de Luz; umas brilham mais, outras menos, de acordo com a concentração e os sentimentos provenientes de criaturas abnegadas, espiritualizadas, comprometidas com a verdade e movidas pela vontade forte e irresoluta de esclarecer o seu semelhante. Essas criaturas proporcionam às forças do bem, ou seja, aos Espíritos de Luz do Astral Superior, a possibilidade de, através desse polo de atração, promover a limpeza espiritual no planeta Terra, arrebatando espíritos quedados nesta atmosfera (astral inferior).

Em diferentes épocas, espíritos de evolução bastante avançada, encarnam no planeta Terra, com o objetivo de despertar as criaturas humanas para os valores espirituais, usando da sua capacidade de liderança e contando com a ajuda de outras pessoas bem-intencionadas, começam a formar uma Esfera de Luz, cujo brilho vai aumentando de acordo com o benefício proporcionado à coletividade física e astral à qual pertencem. Este globo evolutivo formado por espíritos encarnados e desencarnados evoluirá de acordo com o aproveitamento que fizeram dos conhecimentos adquiridos do seu líder. Em muitas ocasiões, uma doutrina é implantada e acaba sendo deturpada pela ganância e pela vaidade de seus seguidores, que modificam os seus princípios fundamentais de forma a atender aos seus interesses pessoais. As lições deixadas, originalmente, pelo mestre são completamente adulteradas e, neste caso, todo o bloco perde, em forma de evolução, sofrendo por séculos e às vezes até milênio, até que o caminho seja retomado (grifo meu).

Um bloco evolutivo pode estar restrito a um pequeno grupo ou pode englobar cidades, estados, países, continentes e até o planeta todo, dependendo da potência da mensagem e da sinceridade dos seus membros. O planeta Terra já poderia estar mais adiantado no processo evolutivo, dando melhores condições aos seus membros de efetuarem o seu progresso espiritual com um pouco mais de paz, tranquilidade e até mesmo felicidade, se os ensinamentos proporcionados por Espíritos Superiores como Cristo, Buda e tantos outros, tivessem sido melhor aproveitados. Na ocasião em que viveram esses espíritos de grande evolução, formaram-se em volta deles grupos de seguidores com propósitos sinceros e valorosos e, consequentemente, a Esfera Luminosa brilhava intensamente. Entretanto, com o passar dos tempos e com a desencarnação daqueles membros que constituíam o núcleo inicial, elementos estranhos àquelas teorias foram se infiltrando no grupo e, vislumbrando aquisições materiais e poder, passaram a manipular tais princípios de acordo com os seus interesses pessoais. O fanatismo de alguns seguidores facilitou enormemente a ação desses elementos mal intencionados, que acabaram por transformar esclarecimentos de extraordinária importância para a evolução dos espíritos encarnados em um amontoado de histórias fantásticas às quais, se a lógica for aplicada, não lhes pode dar o menor crédito. Assim, a Luminosidade da Esfera foi se apagando até se tornar opaca e se apagar de vez, não servindo mais como fonte esclarecedora e nem como porta de saída para o Astral Superior”.

E agora todos os militantes do Racionalismo Cristão podem compreender por que se fez tão necessária a presença de Antônio Cottas como o seu Presidente, após a desencarnação de Luiz de Mattos, pois que ele tinha como missão ser o consolidador da doutrina do Racionalismo Cristão, para que principalmente não permitisse que os seus ensinamentos fossem alterados por qualquer ignorante, deturpando aquilo que o espírito da verdade e os seus seguidores transmitiram para toda a nossa humanidade.

A ignorância, pois, é a ausência completa do Saber, por excelência, e para todo e qualquer Saber, seja ele Total ou parcelado, tem que haver, obrigatória e necessariamente, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, as experiências físicas correspondentes acerca da sabedoria, e a síncrese de ambos, que estabelece as finalidades para tudo, somente possível no âmbito da razão. A ignorância, então, é a condição do ser humano que não é instruído pelo Saber, ou seja, a ausência do Saber, por excelência, que obriga a esse ser humano pautar a sua vida no âmbito da irrealidade. Então não se trata apenas da ausência de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, mas também da ausência de experiências físicas acerca da sabedoria, uma vez que somente com os dois coordenados é que se possibilita a apreensão da razão, portanto, do Saber, por excelência, onde se encontra posta toda a realidade da vida. Assim, a ignorância é o estado de quem ignora as coisas, os fatos e os fenômenos universais, o estado de quem não possui o Saber real e verdadeiro sobre eles.

Existe somente um meio da nossa humanidade sair da ignorância em que se encontra, destruindo-a por completo, é apreendendo os fundamentos do Saber, por excelência, que agora se encontram postos pelo Racionalismo Cristão, em sua doutrina, em seu método, em seu sistema e em suas finalidades, portanto, espiritualizando-se. E existe somente um meio da nossa humanidade resolver todos os seus problemas do mundo, é também se espiritualizando e seguindo rigorosamente aos meus ideais, que deixarei estabelecidos na face da Terra. Para isso, ela terá 4.000 anos para agir em busca desse desiderato. Luiz de Souza, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, a página 144, fornece para todos uma boa noção a respeito da ignorância, quando se expressa da seguinte maneira:

Ninguém, sendo ignorante, poderá preparar um futuro em boas condições. Os que semeiam o produto da ignorância, colhem os frutos da dor. Destruir a ignorância, não é só cuidar de adquirir acervo intelectual, mas, muito mais, e, principalmente, buscar conhecer a ciência (leia-se Saber, digo eu) da vida, através da espiritualização (grifo meu).

A espiritualização, abre o caminho aos demais conhecimentos e revela outras perspectivas que, por nenhum outro meio, podem ser oferecidas, daí a importância de se promover a espiritualização da humanidade, para que possa construir um futuro modelar de satisfações e alegrias, de paz e entendimento, de saúde e felicidade”.

Os seres humanos ainda não possuem uma diretriz de vida, pelo fato de não serem espiritualizados, sendo todos ignorantes. E como pautam as suas vidas no âmbito da imaginação, os seus atributos individuais inferiores e relacionais negativos sempre passam a comandar as suas ações, fazendo com que os seus corpos mentais trabalhem para encontrar o caminho mais fácil para que possam satisfazer aos seus interesses pessoais, geralmente egoístas, ambiciosos e carregados de vaidade, então praticam todos os tipos de crimes, imaginando, equivocadamente, que ninguém está acompanhando as suas ações maléficas e nem vendo atentamente os seus sentimentos inferiores e os seus pensamentos negativos, que julgam estar ocultos, guardados apenas para si, sem saberem que nada no Universo pode ser ocultado da espiritualidade.

Os espíritos quedados no astral inferior são os que mais se alegram com esses tipos de sentimentos inferiores e de pensamentos negativos, no que se aproveitam para se aproximar e intuir aos seres humanos para a prática do mal, que quando assim intuídos praticam todos os tipos de crimes, com a insinceridade sendo o ponto de apoio para todas as suas más ações praticadas. Estando obsedados, os seres humanos pensam equivocadamente que a intuições que recebem dos espíritos quedados no astral inferior são todas originadas de si mesmos, pois que ainda não aprenderam a pensar de maneira positiva, então, como imaginam tudo, pensam que essas intuições malévolas são frutos das suas imaginações, no que passam a obedecê-las, praticando todos os tipos de males que presenciamos no cotidiano da vida.

Todos os políticos e funcionários públicos corruptos são traidores da pátria e negam descaradamente as suas más ações, no caso da política, sendo muito comum o fato de um acusar ao outro de qualquer ato indigno, quando vemos claramente a mentira e a insinceridade aflorar tanto de um lado como do outro. Eles sempre fingem que são sinceros! E como sempre é assim, eles passam a negar as suas más ações, afirmando também, descarada e demagogicamente, que tudo não passa de interesse político para prejudicá-los. Quanta insensatez! Nessas situações assaz lamentáveis e deveras reprováveis, caso esses maus políticos não fossem uns verdadeiros patifes e impatriotas, deveriam abandonar a política e tratar de preservar as suas próprias honras, o que assim não procedem, simplesmente por não possuí-las, em nenhum grau, de nenhum modo, já que a vaidade e o apego ao poder para que possam se locupletar do erário público falam bem mais alto do que aquilo que deveriam possuir e preservar.

Eu também fui político na minha encarnação passada como Ruy Barbosa, assim como também fui advogado, jornalista, escritor, e até filólogo, mas nunca atacaram a minha honra, porque eu tive sempre o cuidado de não deixar nenhum safado traiçoeiro me atacar pelas costas, pois que escudava a minha honra em minha probidade, em minha sinceridade, em minha decência e em minha honestidade, uma vez que os atributos relacionais positivos que formavam a minha ética já se encontravam completos em minha alma, e os atributos individuais superiores que formavam a minha moral já se encontravam quase todos completos, com a exceção daqueles que deixei estrategicamente em minha alma para que pudesse cumprir com a minha missão nesta minha encarnação atual como Pamam, sendo extremamente leal à minha pátria, a quem agora amo muito mais do que dantes, se é que isto seja possível, tudo isso refletido em meus comportamentos moral e ético. Porém, mesmo assim, não me faltaram os críticos em posição de ataque, mas que se limitaram a atacar apenas as minhas decisões políticas, advocatícias, jornalísticas, ou mesmo de escritor, sem que jamais ousassem atacar a minha própria honra, pois que nada tinham em mãos para que pudessem atacá-la. Eu também mantive as minhas polêmicas, mas todas elas voltadas para a seara intelectual, em termos eruditos, como a que mantive com o meu antigo mestre, que foi considerada pelos estudiosos como sendo a maior polêmica filológica da Língua Portuguesa, em todos os tempos.

E não somente os maus políticos e os funcionários públicos corruptos, mas todos os demais criminosos negam descaradamente as suas más ações. Peguemos o mal praticado pela classe sacerdotal, toda ela nega descaradamente que explora aos seus incautos arrebanhados, quando com a força dos seus pífios argumentos sobrenaturais obrigam a esses infelizes de procederem aos pagamentos dos dízimos, das ofertas, das mensalidades, das aquisições das suas mercadorias de diversas naturezas, dos cultos, das ajudas para as caridades, e todas as demais contribuições de cunho que identifica claramente o estelionato. E ainda mais descaradamente afirma que o dízimo é bíblico, que é para contribuir com a obra do seu deus bíblico quedado no astral inferior, para evangelizar, apoiando-se maldosa e velhacamente no negrume da fé credulária, quando qualquer um é sabedor, desde que não seja cretino, que tudo vai somente para a bolsa dessa classe maléfica e perniciosa. Ora, se essa classe peçonhenta afirma em todos os tons que o deus bíblico é o deus das causas impossíveis, é de se indagar: por que, então, esse deus asqueroso não lhe remunera diretamente em espécie para as suas pregações mentirosas, tendo ela que explorar constantemente aos seus incautos arrebanhados?

Peguemos agora os demais criminosos de todos os tipos e de todas as classes, todos eles agem geralmente em bandos e armados contra as suas vítimas, e quando agem sozinhos estudam antecipadamente as suas vítimas, que estarão sempre indefesas contra as suas investidas com armas e contra o agravante torpe da surpresa, mas sempre, invariavelmente, às escondidas, e quando não assim, na frente de todos, como nos congestionamentos do trânsito, com rapidez e com as fugas para as suas tocas já antecipadamente preparadas.

Mas somente existem esses males em nossa humanidade em função da ignorância, pois caso todos os seres humanos fossem esclarecidos, tivessem sido espiritualizados, não haveriam tantos males assim. O próprio Jesus, o Cristo, afirmou que “a ignorância é o grande mal da humanidade”. O grande problema é que ninguém dá a mínima atenção para aquilo que o Nazareno ensinou, pois que todos os seres humanos são anticristãos, apesar de grande parte vociferar a plenos pulmões ser cristã, é quando a ignorância mais se faz valer neste mundo, em sua plenitude, sobre tudo e sobre todos, já que ninguém tem a mínima noção do que seja realmente o cristianismo e daquilo que representa o instituto do Cristo para cada humanidade, uma vez que, obrigatoriamente, cada uma delas tem que produzir o seu próprio Cristo, como assim veremos, detalhadamente, quando eu tratar acerca da Cristologia.

A nossa humanidade vive constantemente em desentendimentos, esbarrando lamentavelmente nos mais diversos tipos de conflitos, sempre em função da sua própria ignorância, de onde provém todos os males da imperfeição, em que cada um trata apenas dos seus próprios interesses pessoais, em que se destacam a ambição, a cobiça, o egoísmo e a vaidade, com as suas ações sempre incidindo em erros. Todos sabem disso, mas preferem se iludir com o devaneio do sobrenatural do que procurar a verdadeira espiritualização, que tem como base a verdade, somente transmitida por intermédio do Racionalismo Cristão. Farias Brito, em sua obra A Base Física do Espírito, a página 35, dá-nos uma ideia precisa acerca do erro em que insiste permanecer a nossa humanidade, que asssim carece das ausências da verdade, da sabedoria e da razão, quando diz o seguinte:

A causa real de todos os conflitos, de todas as lutas, de todas as tradições do espírito, como de todas as convulsões sociais, é o erro, o erro que se disfarça por mil modos e domina como senhor onipotente. Se não o erro, mas a verdade dominasse, todo o conflito desapareceria, e a paz reinaria, sem interrupção, entre os homens. Somos, pois, obrigados a proclamar, no caso particular que nos ocupa, que a ciência que se opõe à Filosofia, é uma falsa ciência. Do mesmo modo devemos reconhecer que a Filosofia que se opõe à religião (à verdadeira, não aos credos, digo eu), é uma falsa filosofia. E assim é, porque todas estas produções do espírito, Filosofia (e Veritologia, digo eu), religião e ciência, são necessárias e correspondem a aptidões reais e vivas que têm o seu fundamento natural e orgânico no mecanismo mesmo da nossa vida espiritual”.

São muito poucas, raríssimas até, as pessoas que conseguem se aperceber de um fato que é bastante comum em nossa humanidade, o qual diz respeito a uma espécie de antagonismo, uma incompatibilidade que se instala no corpo mental de alguns seres humanos, nas ocasiões em que eles quanto mais estudam e vão se tornando eruditos, tanto mais vão se tornando ignorantes, chegando ao cúmulo de se tornarem os mais renitentes de todos os ignorantes que existem neste mundo de meu Deus, que queiram ou não há de prevalecer o esclarecimento espiritual e a justiça em seu seio. Descartes, que era um autêntico veritólogo, e não um saperólogo, conseguiu essa percepção, quando em sua obra Regras Para a Direção do Espírito, a página 15, afirma o seguinte:

Porque julgaram indigno de um homem letrado confessar que ele ignora alguma coisa, habituaram-se de tal forma a enfeitar as suas razões fictícias que acabaram insensivelmente por se convencerem delas a eles próprios e, a partir daí, por fazê-las como verdadeiras”.

A explicação para isso é que todos os conhecimentos adquiridos por esses seres humanos são relativos apenas a este mundo, restritos a ele, pelo fato de haverem sido obtidos do seu próprio ambiente, o qual não retrata a realidade, por isso obviamente não são reais, pelo fato da verdade não ser própria do mundo Terra e nem estar contida em seu ambiente, mas sim no Espaço Superior. Então esses seres humanos julgam que sabem de tudo, ou praticamente sabem de tudo, quando, na realidade, de nada sabem, sendo todos uns tremendos ignorantes acerca da verdadeira vida, que é universal, e não apenas terrena. Associando eles esses falsos conhecimentos terrenos a uma estúpida vaidade e a uma tremenda soberbia, e estando convencidos de que sabem de tudo, quando sequer sabem se expressar com a devida correção, passam a considerar que nenhum outro ser humano é capaz de conhecer algo que eles desconheçam, em que toda essa basofilia que denota uma grosseira afinidade pelo ambiente terreno faz com que eles desprezem a capacidade intelectiva alheia, unindo a vaidade a um orgulho excessivo, um orgulho excessivo a muita arrogância, muita arrogância a uma presunção estúpida, então eles mesmos ignoram o significado da palavra soberbo, o predicado próprio para ser utilizado para tanta ignorância em tão poucas pessoas.

Quando todos esses soberbos, assim como também toda a comunidade científica, todos os teólogos e todos os demais estudiosos conseguirem baixar um pouco mais as suas cristas das ondas, como se diz popularmente em relação àqueles que se consideram em situação relevante em qualquer setor da vida, reconhecendo que realmente são ignorantes, em nada passando desse estado, que até é normal, em função da fase da imaginação em que vivem, poderão se tornar receptivos para apreender em suas almas tudo aquilo que diz respeito à verdade e a sabedoria, portanto, à razão, esclarecendo-se sobre os segredos da vida e os enigmas do Universo.

É sabido que na Grécia Antiga a pitonisa era uma médium que profetizava oráculos. Quando certo dia um amigo de Sócrates, na companhia deste, foi ter com a célebre pitonisa, médium ou profetiza, de Delfos, perguntou-lhe o seguinte:

— Quem é o maior sábio da Grécia?

Ela respondeu imediatamente:

— Sócrates, de Atenas.

E quando o saperólogo ouviu essa mensagem, disse ao amigo:

— Sabes por que a pitonisa me considera mais sábio que todos os outros? É porque eu conheço a minha própria ignorância, ao passo que os outros ignoram as suas próprias ignorâncias. O conhecimento da própria ignorância é o início da sapiência.

Como está bastante claro, os seres humanos têm que tomar conhecimento de que são todos ignorantes, convencendo-se disso com convicção, para que assim possam todos apreender em suas almas os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, a fim de que possam também com ambas ingressar no âmbito da razão, adentrando no contexto da realidade da vida, já que somos partículas da Essência do Criador e evoluímos adquirindo as Suas Propriedades, pois como diz Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, as páginas 66 e 67, referindo-se ao assunto:

A alma humana é Deus mesmo, em forma individualizada. A alma é, pois, eterna em sua essência divina, embora seja temporal na sua individualização corpórea…

A existência do homem é anterior à sua encarnação — como também será posterior à sua desencarnação”.

Quando todos os seres humanos adquirirem a consciência de que como sendo partículas da Essência do Criador são todos espíritos, que evoluem adquirindo as Suas Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz, para que assim formem as suas almas, poderão deixar de ser ignorantes e passar a cultivar a amizade espiritual, ainda não o amor espiritual, que está reservado para quando a nossa humanidade tiver o seu próprio Cristo em seu meio, pois como diz também Huberto Rohden, na mesma obra, a página 69, em relação à ignorância:

Sendo que todos os homens possuem, em última análise, a mesma natureza ou essência — a essência divina — não há motivo real para os homens se odiarem e guerrearem uns aos outros; mas é natural e espontâneo que cada um ame ao semelhante como a si mesmo. A virtude de ética do amor universal nasce da sapiência metafísica sobre a verdadeira natureza do homem. A única razão por que o homem comum odeia aos seus semelhantes é a ignorância da sua verdadeira natureza. O homem ignorante identifica o seu ego individual (corpo) com a sua natureza íntima, o seu Eu universal (alma), e, devido a essa ignorância e essa confusão, o homem insipiente julga dever prejudicar os outros a fim de tirar vantagem para si mesmo.

Segundo os socráticos, a ignorância é o grande pecado do homem — como o contrário da ignorância, a sapiência, é a grande virtude do homem.

O pecador é o ignorante — o santo é o sábio”.

São os sentimentos produzidos os grandes responsáveis por captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os quais dão origem ao poder e servem de fontes para as experiências físicas acerca da sabedoria, as quais deverão dar origem à produção dos pensamentos, que por sua vez dão origens às nossas ações, com tudo isso sob o comando dos atributos, que deveriam ser todos superiores e positivos. O ignorante não produz pensamentos com base na realidade, mas sim com base na imaginação, então a natureza dos seus pensamentos é toda imaginativa, daí a razão pela qual ele erra e comete os mais diversos tipos de crimes. Enquanto que o sábio produz pensamentos com base na verdade, tirando da sua concepção tudo aquilo que proporciona a formulação das ideias, já que vive na realidade universal, então ele só pode ser detentor de atributos individuais superiores e relacionais positivos, que comandam o seu corpo mental, fazendo com que este trabalhe no sentido de construir, de embelezar, de progredir, juntamente com tudo aquilo que o rodeia, já que não é egoísta e nem tem ambições descabidas, apenas aquelas que beneficiem toda a coletividade, pois que é próprio dele praticar o bem.

Pelo fato de eu haver reencarnado com a minha ética já estando completa, da qual nunca me apartei, pude me transportar ao Tempo Futuro e aqui proceder com as experiências físicas saperológicas correspondentes aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos pela doutrina do Racionalismo Cristão, certificando-os como sendo autênticos e verdadeiros. E pelo fato de eu haver completado a minha moral racionalista cristã, após haver sopitado os atributos individuais inferiores que havia deixado estrategicamente em minha alma, que faltavam para completá-la, pude com ela me elevar ao Espaço Superior, em sentimento, para aqui comprovar experimentalmente que o ser humano pode ser capaz de tal proeza, como assim fizeram os veritólogos que transmitiram a doutrina racionalista cristã. E assim, estando posto no Universo, eu ingressei com a verdade e a sabedoria no âmbito da razão, que é universal, uma vez que o espaço e o tempo fornecem as coordenadas do Universo. Então eu tenho a convicção plena da minha existência eterna e universal, por conseguinte, de tudo isto que estou escrevendo para a minha humanidade. E mais: de tudo que ainda escreverei, para o bem e a felicidade geral de todos os seres humanos.

Tudo isso me levou a apreender em minha alma o Saber, por excelência, pelo menos em seus principais fundamentos, pois que não disponho de tempo para me ocupar de cada uma das parcelas do Saber, tendo que deixar isso a cargo dos religiosos e dos cientistas. E também porque o Universo me espera, pois tendo me tornado um ratiólogo, ou um ser universal, muitos encargos foram postos sobre os meus ombros, e deles tenho que me desincumbir consoante o esperado, dando rigoroso cumprimento a todas as minhas incumbências.

Mas o ignorante, pelo fato de nada saber em relação às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais, julga que todo o mundo também se encontra no mesmo estado de desconhecimento de tudo isso, na mesma condição de ignorância, quando tal julgamento não tem a menor procedência, pois que somos todos diferentes uns dos outros, e todos vamos evoluindo em retorno para o Criador, em que a nossa inteligência evolui em demanda da Inteligência Universal, quando uns vão seguindo à frente, por serem mais lutadores e mais esforçados, e outros mais atrás, por serem mais passivos e mais acomodados, sem contar com os retógrados, que insistem em permanecer inertes. Então os que vão seguindo à frente são os veritólogos e os saperólogos, seguidos de perto pelos religiosos e os cientistas, como assim vai se estabelecendo a hierarquia da organização da nossa humanidade, em âmbito astral.

Assim, se o ignorante se considera incapaz de apreender o Saber, por excelência, em seu corpo mental, não deve pensar jamais que os demais seres humanos também sejam igualmente incapazes, pois que lhe falta a noção da tremenda luta e do imenso esforço que os demais espíritos empregam para adquirir cada vez mais luz em seus espíritos. Se praticamente todos os seres humanos se encontram em estado de ignorância, isto não significa que haja unanimidade em relação a ela, pois alguns são capazes de certos empreendimentos no âmbito da razão, que aqueles que se encontram no âmbito da imaginação são incapazes de imaginar, já que é impossível formular as ideias universais sem que antes tenha sido formada a concepção acerca da realidade.

Quando o ser humano consegue formar em seu corpo mental a concepção acerca da realidade, ele também consegue formular ideias que sejam universais. Caso contrário, o ser humano consegue formar apenas a sua própria imaginação acerca da irrealidade, representando as imagens que são próprias do ambiente terreno. Então ele não tem convicção sobre o que quer que seja, sendo obrigado a declarar que os seus conhecimentos não são definitivos, como assim declara acertada e sinceramente a comunidade científica, ou então declara que possui conhecimentos sobrenaturalísticos, afirmando até com peremptoriedade esse seu conhecimento estapafúrdio, mas ignorando que se encontra perdido nas trevas da fé credulária, cujo negrume geralmente o leva ao fanatismo, a ser renitente acerca dos esclarecimentos espirituais.

Mas mesmo assim, o ser humano pode fazer as suas próprias suposições, levantar as suas próprias hipóteses acerca de tudo aquilo que o rodeia. Por isso, torna-se necessário que ele venha a conhecer o pensamento de um autor que realmente se esforça por definir o estado de ignorância em que se encontra a nossa humanidade, como também o estado de esclarecido, para que assim possa ser dotado de mais subsídios e então tirar as suas próprias conclusões sobre eles, que sejam acertadas. R. Jolivet, em sua obra Curso de Filosofia, a página 62, pensa o seguinte sobre tudo isso:

O espírito, em relação ao verdadeiro, pode se encontrar em quatro estados diferentes: o verdadeiro pode ser para ele como não existente: é o estado da ignorância; — o verdadeiro pode lhe aparecer como simplesmente possível: é o estado da dúvida; — o verdadeiro pode lhe aparecer como provável: é o estado de opinião; enfim, o verdadeiro pode lhe lhe aparecer como evidente: é o estado de certeza.

A. A ignorância.

1. Definição. – A ignorância é um estado puramente negativo, que consiste na ausência de todo conhecimento relativo a um objeto.

B. A dúvida.

1. Definição. – A dúvida é um estado de espírito entre a afirmação e a negação, resultado daí que os motivos de afirmar contrabalançam os motivos de negar.

C. A opinião.

1. Definição. – A opinião é o estado de espírito que afirma com temor de se enganar. De forma contrária à dúvida, que é uma suspensão do juízo, a opinião consiste, pois, em afirmar, mas de tal maneira que as razões de negar não sejam eliminadas por uma certeza total. O valor da opinião depende assim da maior ou menor probabilidade das razões que fundamentam a afirmação.

D. A certeza e a evidência.

1. Definições.A certeza é o estado do espírito que consiste na adesão firme a uma verdade conhecida, sem temor de engano. A evidência é o que fundamenta a certeza. Definimo-la como a clareza plena pela qual o verdadeiro se impõe à adesão da inteligência (grifo meu)”.

Note-se que eu aderi firmemente a uma verdade por mim já conhecida, por intermédio da pesquisa e da investigação, por isso não possuo qualquer temor de engano. No entanto, não é a evidência que fundamenta a minha certeza, mas sim a comprovação in loco, através de experiências científicas e saperológicas, e, por conseguinte, a devida certificação da verdade, em todo o seu teor. Então eu posso tranquilamente alterar o termo certeza para o termo convicção, que considero menos popular, já que todo mundo afirma que tem certeza disso, daquilo e daquilo outro, mas acaba sempre por se enganar; e bem mais revestido de confiança racional, decorrente dos tratados superiores, daí o fato da adesão da minha inteligência à verdade transmitida pela doutrina do Racionalismo Cristão.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

12.06- A intuição

O intuicionismo é uma doutrina que se funda na imaginação de que todos os conhecimentos existem por intuição. Mas por incrível que pareça, a ignorância humana é tamanha que...

Leia mais »
Prolegômenos

12.08- O gênio

Desde os tempos antigos, notadamente em Roma, que os seres humanos são conhecedores das intuições advindas da espiritualidade, só não sabiam explicá-las no âmbito da realidade, lançando mão da...

Leia mais »
Romae