12.03- A teoria do ser

Prolegômenos
8 de junho de 2018 Pamam

O ser pode ser considerado como sendo o verbo de ligação que serve para afirmar a existência dos atributos adquiridos pelos seres no exercício das suas atividades básicas, para que assim eles possam ser considerados como sendo coisas.

No entanto, quando já estão afirmados todos os atributos possíveis de serem adquiridos, o ser logicamente perde a sua função de ligação, passando a se escrever em maiúsculo, assim: o Ser; pois que ele passa, então, a ser, por excelência, o próprio Verbo, ou seja, o verbo substantivo, que afirma, exclusivamente, sem auxílio de qualquer outra palavra, a existência do Ser Total, de Deus, que é a Essência, juntamente com as Suas Propriedades, que é a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, para que assim Ele possa ser considerado como sendo a Coisa Total. E quando ainda não está afirmado nenhum atributo possível de ser adquirido, o ser ainda não nasceu para o Universo, encontrando-se ainda no seio do Ser Total, não se encontrando ainda individualizado, dando a falsa impressão de que ele não existe. Ora, as partículas de Deus existem sem atributos, com poucos atributos, com muitos atributos e com todos os atributos. Em todos os seus aspectos, esse conjunto é Infinito e Finito, Ilimitado e Limitado, Perfeito e Imperfeito, que no aspecto geral é equivalente ao Todo, a Deus.

O substantivo, considerado gramaticalmente, é a palavra que serve para designar as pessoas e as coisas. Ora, pessoas e coisas são palavras que têm um mesmo significado, uma vez que ambas indicam os seres, os seres humanos e os seres infra-humanos, com as suas respectivas parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, esta última no caso dos seres humanos, que foram adquiridas também em formas de atributos. Assim, podemos afirmar que o substantivo é a palavra que designa, exclusivamente, sem o auxílio de outra, as substâncias que compõem as coisas, as quais podemos denominar de formas substantivas. Nas coisas, a substância principal é aquela que designa a sua essência, que são os seres, portanto, os substantivos próprios, e as substâncias secundárias são aquelas que designam as suas propriedades, que são os seus atributos adquiridos das propriedades da Força e da Energia, portanto, os seus adjetivos, em que na propriedade da Luz se adquire a amizade e o amor espirituais. Vale aqui ressaltar, que na linguagem gramatical os seres que não são identificados individualmente, os quais são levados em conta como simples coisas, e que por isso não têm nome próprio, são considerados como sendo substantivos comuns.

Os adjetivos, dizem os compêndios, são muitas vezes tomados como substantivos. Mas, na realidade, todos os adjetivos são substantivos, senão vejamos:

Quando os atributos deixam de ser considerados em si mesmos e se juntam diretamente aos seres, passando a determiná-los, eles então deixam de ser substantivos comuns e passam a ser adjetivos. Assim, podemos afirmar que adjetivo é o atributo que se junta diretamente ao ser para determiná-lo, quer dizer, é o substantivo comum que se junta ao substantivo próprio para determiná-lo. Esta é a verdadeira razão pela qual os gramáticos definem o adjetivo como sendo a palavra que tem o atributo, ou como sendo a forma adjetiva de uma palavra, quer dizer, a forma adjetiva de um substantivo comum.

Os atributos são aquilo que os seres adquirem no exercício das suas atividades básicas, portanto, as suas propriedades particulares, ou os seus adjetivos, que determinam os seus modos individuais e relacionais de serem, e os transformam em coisas, para que assim eles possam ser considerados tais como são, distinguindo-se uns dos outros, já que em essência são todos iguais, por isso somos todos irmãos, sem qualquer exceção. Deixando de lado a inferioridade e a negatividade espirituais, eu posso afirmar que os atributos se dividem nos seguintes: atributos individuais superiores que formam a moral, que são os atributos adquiridos por intermédio da propriedade da Força; e atributos relacionais positivos que formam a ética, que são os atributos adquiridos por intermédio da propriedade da Energia. Quando esses atributos superiores e positivos se encontram completados nas almas dos espíritos, eles são coordenados por intermédio da propriedade da Luz, que assim nessas coordenações proporcionam aos espíritos de luz, os mais evoluídos, a verdadeira educação, que é de âmbito universal.

Os atributos individuais superiores que formam a moral se relacionam em primeiro plano com os veritólogos e os religiosos, que podem ser considerados como sendo seres espaciais, pois que através deles esses espíritos conseguem se elevar ao Espaço Superior, nas suas investigações dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

Podemos citar como exemplos dos atributos superiores que formam a moral os substantivos comuns, cuja natureza seja individual, permanente, e que demonstrem poder, tais como: a atenção, a autoridade, a bondade, a constância, a convicção, a coragem, a disciplina, o equilíbrio, o esforço, a honestidade, a integridade, a prudência, a sinceridade, etc. No entanto, para que esses atributos individuais superiores que formam a moral possam ser revelados, eles têm que ser manifestados por intermédio dos próprios seres, quando estes expõem os seus modos de ser em relação a eles. Em decorrência, são sempre afirmados através dos correspondentes adjetivos que os vão qualificando sempre de maneira permanente, sendo essa a razão pela qual se diz que os seres são atenciosos, autoritários, bondosos, constantes, convictos, corajosos, disciplinados, equilibrados, esforçados, honestos, íntegros, prudentes, sinceros, etc. E como eles manifestam esses atributos morais em variadas escalas ou em diferentes níveis, sempre ascendentes, rumo à perfeição, eles ainda podem ser afirmados através das suas formas superlativas, sendo esta a razão pela qual se diz também que um ser é muito atencioso, pouco autoritário, pouco bondoso, pouco constante, muito convicto, o menos corajoso de todos, disciplinadíssimo, equilibradíssimo, pouco esforçado, muito honesto, o mais íntegro entre todos, muito prudente, o menos sincero entre todos, etc.

Os atributos relacionais positivos que formam a ética se relacionam em primeiro plano com os saperólogos e os cientistas, que podem ser considerados como sendo seres temporais, pois que através deles esses espíritos conseguem se transportar ao Tempo Futuro, nas suas pesquisas das experiências físicas acerca da sabedoria.

Podemos citar como exemplos dos atributos relacionais positivos que formam a ética, os substantivos comuns cuja natureza seja relacional, temporária, e que indique ação, tais como: o administrante, o brincante, o casante, o chorante, o declarante, o jogante, o medicante, o olhante, o pulante, o trabalhante, etc. No entanto, para que esses atributos relacionais positivos que formam a ética possam ser revelados, eles têm que ser manifestados por intermédio dos próprios seres em interação direta com os demais, quando estes expõem os seus modos de ser em relação a eles, justamente por isso eles são relacionais.

Neste ponto, vale ressaltar que, embora o ser seja o verbo de ligação para afirmar a existência dos atributos relacionais positivos que formam a ética, adquiridos pelos seres no exercício da atividade básica denominada de Saperologia, ou ciência, para que assim eles possam ser considerados como coisas, tanto eles como os próprios atributos éticos podem ser substituídos pelas suas correspondentes expressões verbais, que são as palavras que contêm, ao mesmo tempo, o verbo ser e um adjetivo, sendo este o próprio atributo ético.

Essas expressões verbais são denominadas de verbos qualificativos, que quando nessas substituições permitem as exposições verbais que qualificam temporariamente os seres, e, em suas conexões, determinam os modos temporários de ser das suas existências, pois que eles lidam com o tempo, já que são seres temporais. Assim, quando do exemplo dos seres serem administrantes, vale por administrar; dos seres serem brincantes, vale por brincar; dos seres serem casantes, vale por casar; dos seres serem chorantes, vale por chorar; dos seres serem declarantes, vale por declarar; dos seres serem jogantes, vale por jogar; dos seres serem medicantes, vale por medicar; dos seres serem olhantes, vale por olhar; dos seres serem pulantes, vale por pular; dos seres serem trabalhantes, vale por trabalhar; etc.; em todas as conjugações. Podendo, ainda, estas expressões serem utilizadas nas suas formas superlativas.

Do mesmo modo, as expressões ser administrante, ser brincante, ser casante, etc., imprimem certa conotação de natureza permanente a esses atributos éticos, quando, na realidade, ela é temporária, uma vez que os seres quando administram, não brincam e nem casam, quando brincam, não administram e nem casam, e quando casam, não administram e nem brincam. Por isso, o verbo ser pode ser substituído pelo verbo estar, a sua forma temporal, porquanto significa ser em um dado momento, que, quando nessas substituições, utilizado com o gerúndio das expressões verbais, permitem expor com mais clareza os atributos éticos que qualificam temporariamente os seres, e, em suas conexões, determinam os modos temporários de ser das suas existências. Assim, quando dos exemplos dos seres serem administrantes, brincantes, casantes, chorantes, declarantes, jogantes, medicantes, olhantes, pulantes, trabalhantes; diz-se estavam ou estiveram ou estão ou estarão ou estariam ou estejam ou estivessem ou estiverem administrando; brincando, casando, chorando, declarando, jogando, medicando, olhando, pulando, trabalhando.

Igualmente, o verbo ser pode ser substituído pelo verbo ter, uma sua outra forma temporal, porquanto significa ser possuidor, ou gozador, ou desfrutador, ou usufruidor, de um atributo ético em um dado momento, ou estar no gozo ou posse de um atributo ético em um determinado momento, que, quando nessas substituições, utilizado com o particípio das expressões verbais, permitem expor com mais clareza os atributos éticos que qualificam temporariamente os seres, e, em suas conexões, determinam os modos temporários de ser das suas existências. Assim, quando dos exemplos dos seres serem administrantes, brincantes, casantes, chorantes, declarantes, jogantes, medicantes, olhantes, pulantes, trabalhantes; diz-se tinham ou tiveram ou têm ou terão ou teriam ou tenham ou tivessem ou tiverem administrado, brincado, casado, chorado, declarado, jogado, medicado, olhado, pulado, trabalhado.

O verbo ser pode ainda ser substituído pelo verbo haver, porquanto significa a pretensão, ou o desejo, ou a necessidade, de ser, portanto, de alcançar, de obter, de conseguir atributos, que tanto podem ser morais ou éticos. Nestes últimos, quando nessas substituições, utilizados com o infinitivo ou o particípio, permitem expor com mais clareza os adjetivos que qualificam temporariamente os seres, e, em suas conexões, determinam os modos temporários de ser das suas existências. Assim, quando dos exemplos dos seres serem administrantes, brincantes, casantes, chorantes, declarantes, jogantes, medicantes, olhantes, pulantes, trabalhantes; diz-se haviam ou houveram ou hão ou haverão ou haveriam ou hajam ou houvessem ou houverem de administrar ou administrado, de brincar ou brincado, de casar ou casado, de chorar ou chorado, de declarar ou declarado, de jogar ou jogado, de medicar ou medicado, de olhar ou olhado, de pular ou pulado, de trabalhar ou trabalhado.

Daí a razão pela qual se diz que os verbos ser, estar, ter e haver são auxiliares.

Em razão disso, devemos considerar o verbo ser como sendo o verbo propriamente dito, uma vez que ele é quem realmente exprime as relações entre os seres e os seus atributos superiores e positivos, os quais, como visto, dividem-se em morais e éticos, com estes sendo de natureza relacional e temporária, e aqueles de natureza individual e permanente, pois o espaço é próprio de cada um, não podendo o mesmo espaço ser utilizado por vários, e o tempo é próprio de todos, podendo o mesmo tempo ser utilizado por vários. Em consequência, caso não servissem para facilitar o uso da linguagem humana, todos os demais verbos poderiam até ser suprimidos dos idiomas, pois que nada mais são do que derivativos dele.

E como o verbo ser exprime a relação entre os seres humanos e os seus atributos individuais superiores e relacionais positivos, determinando-os, ele então restringe o valor das suas existências àquilo que os seus próprios atributos determinam que eles sejam, para que desta maneira eles possam reunir as suas qualidades individuais e relacionais, e se diferenciarem entre si, limitando-se em relação à Divindade.

Entretanto, à medida que um determinado ser vai evoluindo, o verbo ser o vai ligando cada vez mais à plenitude dos atributos morais e éticos, tornando-o verdadeiramente educado, possibilitando assim a sua universalização, até que ele ascende a um estágio tal em que chega a um nível quase ininteligível para o gênero humano, alcançando a um grau situado além da imperfeição, no limite da perfeição, de onde ele já consegue contemplar a perfeição, portanto à Inteligência Universal, ao Todo, a Deus. Neste estágio evolutivo, o ser vai tendendo a perder a sua própria individualidade e tendendo a assumir aos poucos a Grandeza de Deus, pois que Deus se encontra em cada um de nós, em conformidade com os nossos estágios evolutivos. A partir daí, então, o verbo ser começa a perder o seu sentido de ligação, pois não procede, principalmente em termos literários, a afirmativa de um ser, ser quase ou o infinitamente tudo, quando ele já adquiriu todos os atributos individuais superiores que formam a moral e todos os atributos relacionais positivos que formam a ética, ressaltando a educação universal.

Procede assim, então, a afirmativa de se considerar um único ente como o Ser, com o verbo ser perdendo o seu sentido de ligação com a contemplação do infinitamente Tudo, que é a contemplação de Deus. Neste caso, o ser se confunde com o próprio SER, com o VERBO, com o CRIADOR, com a INTELIGÊNCIA UNIVERSAL, com o TODO, com a DIVINDADE, sendo esta a razão pela qual se diz que Jesus, o Cristo, o ser ligado ao gênero humano mais evoluído que existe, é o verbo divino, ou, simplesmente, o verbo, o filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade, pois que ele tira de si mesmo tudo aquilo que existe em relação a Deus, mas que eu não sei dizer o que ele conseguiu contemplar em Deus para chamá-Lo de Pai, pois que não consigo formular uma mínima ideia acerca dessa sua contemplação.

Porém, eu posso afirmar que assim como Jesus, o Cristo, é filho de Deus, todos os demais seres também o são, pois que também posso contemplá-Lo para que assim possa afirmar com convicção a filiação de todos os seres, não que a minha contemplação possa se comparar com a magnitude da contemplação de Jesus, o Cristo, mas sendo ela o suficiente para assim afirmar convictamente, em conformidade com o meu atual estágio evolutivo, já que agora eu sou um ratiólogo, um ser universal, e por isso consigo contemplar os seus rastros luminosos, seguindo-os o mais de perto possível, com todo o esforço que consigo desprender de mim mesmo, pois que sou absolutamente consciente dos tremendos encargos que pesam sobre os meus ombros, no âmbito universal, e somente seguindo os rastros luminosos de Jesus, o Cristo, é que conseguirei me desincumbir das minhas responsabilidades espirituais.

É por essa razão, sem conseguirem compreender o elevadíssimo estágio evolutivo alcançado por Jesus, o Cristo, no contexto da espiritualidade, tendo ele assim abandonado o âmbito da imperfeição e ingressado no âmbito da perfeição, onde verdadeiramente se pode contemplar diretamente a Deus, que a classe sacerdotal, por intermédio dos credos e das suas seitas que praticam, vem ignorantemente afirmar que ele é o filho unigênito de Deus, daí o fato dele ser adorado em conjunto com o deus bíblico, assim como também com o seu espírito santo, formando as três pessoas dessa trindade. Mas o verdadeiro mistério da Santíssima Trindade eu já desvendei por inteiro, pois que não existe mistério algum no Universo, e vou revelar a sua procedência com toda a lógica e racionalidade quando eu adentrar na categoria que diz respeito à Cristologia.

 

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