12.03.02- Do átomo aos seres humanos todos são seres

Prolegômenos
8 de junho de 2018 Pamam

De um modo geral, os seres humanos não se preocupam com uma teoria acertada acerca do ser, pois eles ignoram que dos seres atômicos aos seres humanos todos são seres, como demonstrarei claramente no site pamam.com.br, na obra explanatória relativa ao sistema, quando da explanação da ilusão da matéria. A existência do ser implica na evolução de milhares e milhares de seres de diferentes espécies, partindo do princípio da própria evolução das espécies, com as formações dos diferentes tipos de mundos, até quando do alcance da espiritualidade, com as formações dos Mundos de Luz. Os antigos já tinham percebido essa despreocupação humana em relação ao ser, pois tratando acerca da dialética, Aristóteles afirmou o seguinte:

Mas a verdade é que o argumento dialético não se ocupa com nenhuma espécie de ser, não demonstra coisa alguma em particular, e nem sequer é um argumento da espécie daqueles que encontramos na filosofia geral do ser. Porque todos os seres não estão contidos em uma só espécie, nem, se estivessem, poderiam estar submetidos aos mesmos princípios (grifo meu). E assim, nenhuma arte que seja um método de demonstrar a natureza do que quer que seja procede por via de inquisição, pois não permite que o outro venha a escolher a que mais lhe agradar das suas alternativas propostas em uma pergunta, visto não ser possível que ambas forneçam uma prova. A dialética, ao contrário, procede por meio de perguntas, ao passo que, se tivesse por fim demonstrar coisas, abster-se-ia de fazê-las, senão a respeito de tudo, pelo menos a respeito dos primeiros princípios e dos princípios especiais que regem o tema particular em debate. Porque, se o oponente se recusa a conceder estes, já não haverá bases para argumentar contra a objeção”.

Todos os seres são reais, dos seres atômicos aos seres humanos, mas os seres humanos desconhecem a existência dessas realidades, desconhecendo, inclusive, as suas próprias existências, já que, por um lado, a comunidade científica propaga a existência apenas da matéria, que não existe, sendo apenas uma ilusão, não esclarecendo de onde viemos, quando encarnamos, e nem para onde vamos, após a desencarnação, e muito menos a nossa origem no Universo, sem que haja qualquer finalidade para a nossa própria existência. Por outro lado, a classe sacerdotal propaga a existência apenas do sobrenatural, que também não existe, sem sequer ser uma ilusão, não passando de um simples devaneio, em nada esclarecendo também acerca da finalidade da nossa existência, já que não existe a esdrúxula salvação. Como que se referindo a tudo isso, e tentando definir o processo da evolução, Farias Brito, em sua obra A Base Física do Espírito, as páginas 48 e 163, diz o seguinte sobre o ser:

Por ser se compreende todo o real, como todo o possível, o que passa e o que persiste, o que começa e o que se acaba, o que é fixo e imutável e o que a todo o momento muda e se transforma: o que se conhece e o que não se conhece.

Mas se é certo que o teu ser, por qualquer modo, prende-se ao mecanismo do mundo e entra como elemento na obra comum da evolução universal, deverás, só por isto, compreender que a tua existência não pode ser de momento”.

Não se pode fornecer qualquer crédito a esse Jeová, o deus bíblico, um simples espírito quedado no astral inferior, que afirma para médiuns obsedados que criou as coisas do nada, já que o nada não existe, e ainda mais descansando no sétimo dia, sem que tenha feito qualquer esforço, pois dizer “faça-se isso”, “faça-se aquilo”, “faça-se aquilo outro”, não requer um mínimo de esforço que venha a perdurar por seis dias todo esse faz de contas, para que depois ele vá assentar as suas nádegas carnudas em um trono, no sétimo dia. Todo o processo da criação será demonstrado racionalmente na minha obra explanatória relativa ao Sistema, contida no site pamam.com.br, o que implica em dizer que o verdadeiro Criador é ativo e fecundo na criação, embora Ele aja apenas indiretamente, já que a lógica não admite que Deus se individualize e saia pelo Universo provocando fatos e fenômenos de toda ordem, uma vez que o Universo se encontra Nele contido, pois que Ele é o Todo, por isso as ações pelo Universo são realizadas por intermédio das suas partículas, com todas elas obedecendo às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais. Sabe-se que pela propriedade da Força se adquire o poder, que pela propriedade da Energia se adquire a ação, em que o poder e a ação representam a vida, e que pela propriedade da Luz a coordenação entre o poder e a ação, por intermédio da consciência, que coordena o criptoscópio e o intelecto. Mas mesmo ignorando a tudo isso, assim como também ignorando que não existe o não ser, Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, a página 37, afirma o seguinte:

Um Deus que não fosse criador também não seria Deus, porque todo ser passivo é um não-ser. Ser quer dizer agir. Ser é viver — e todo viver é dinâmico, a essência da vida é a energia”.

Conhecer-se a si mesmo não é apenas conhecer a sua composição astral e humana, em que na composição humana se encontram os seres deste e de outros mundos, por isso a doutrina racionalista cristão faz analogia do ser humano com o próprio Universo, e na composição astral se encontram o corpo fluídico, ou perispírito, e o corpo de luz, que formam a alma, o corpo mental e os atributos, que são próprios do espírito, os formadores da sua inteligência, pois que temos que conhecer a nossa origem como seres a partir do Criador, assim como também todo o processo evolutivo por que passamos, até que tenhamos alcançado a condição de espíritos, quando então, a partir daí, reunimos as condições evolutivas necessárias para que possamos conhecer as coisas, os fatos e os fenômenos universais, apreendendo o Saber, por excelência. Além do mais, quando Jesus, o Cristo, afirmou “conhece-te a ti mesmo”, ele não estava se referindo apenas a este tipo de conhecimento, mas sim especificando um certo estágio evolutivo adquirido pelos espíritos em cada uma das humanidades, como será devidamente demonstrado quando eu tratar acerca da Cristologia, mais especificamente quando estiver explanando os seus valiosos ensinamentos.

De qualquer maneira, o adágio “conhece-te a ti mesmo”, já existia no templo de Delfos, que o relacionando com o ser, Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, a página 63, diz-nos o seguinte:

Na fachada do templo de Delfos, o mais famoso santuário da antiguidade, estavam gravadas as palavras lapidares: gnöth seautón! Isto é, conhece-te a ti mesmo. Sintetizava essa legenda, brevíssima e imensa, a alma de toda a Filosofia e religião. Não pode o homem conhecer o mundo ao redor dele (kosmos), nem o mundo acima dele (theos), sem primeiro conhecer o mundo dentro dele (ânthropos), uma vez que o instrumento-chave que ele emprega para qualquer conhecimento é o seu próprio Eu”.

Como nós temos as mesmas Substâncias do Criador, que são a Essência e as Propriedades da Força, da Energia e da Luz, torna-se mais fácil organizá-Lo perante toda a nossa humanidade, assim como nos conhecermos a nós mesmos, pois tal Pai, tal filho, assim como compreendeu Jesus, o Cristo, uma vez que não seria lógico que o Pai Celestial, assim como Jesus, o Cristo, chamava a Deus, tivesse uma filiação — representada por um número incalculável de seres — formada com substâncias diversas da Sua, pois neste caso nós não poderíamos ser os seus legítimos filhos. E assim era também compreendido desde a antiguidade e estendido aos tempos mais atuais, pois que vem novamente Huberto Rohden, na mesma obra, agora a página 92, afirmar o seguinte:

Pitágoras insiste em que ninguém pode conhecer a Divindade sem ser o que Ela é. A lei do conhecer é a lei do ser (grifo meu). A completa identificação com o infinito no plano do ser é que faculta ao homem a possibilidade de ter o verdadeiro conhecimento do Infinito. Só se sabe aquilo que se é (grifo meu). O ser é a chave para o saber.

Como a flor de lótus nasce nas escuras e lamacentas profundezas do lago, e daí se ergue, em delgada haste, através das águas, rumo às alturas, até atingir a luminosa superfície e desdobrar as suas imaculadas pétalas aos beijos solares — assim principia o homem a sua jornada ascensional por entre as trevas da ignorância, e, impelido pela intrínseca divindade de sua alma, dessa alma ainda dormente, ou semidormente, demanda às alturas (e ao transporte no tempo, digo eu), através das zonas crepusculares da consciência em vários graus, até, finalmente, atingir a luz meridiana de pleniconsciência de si mesmo e do Deus imanente (grifo meu). Entretanto, por mais que a flor suba, não se desprende do fundo do lago; une as alturas celestes com as profundidades terrestres, o meio-dia com a meia-noite — da mesma forma não deve o homem espiritual deixar de ser desta terra; deve se interessar por todos os departamentos correspondentes à sua tríplice natureza; deve viver intensamente no vasto cosmos espiritual da alma, no imenso oceano intelectual da mente e no mundo multicor e multiforme do corpo material”.

Nós devemos partir do princípio universal de que temos as mesmas substâncias do Criador, que é o Todo, então todos os seres existem, seja no próprio Ser Total, no Universo, ou reintegrado a Ele, ou seja, tudo é Deus, então não existe o não ser. Em sendo assim, a nossa inteligência tende para a Inteligência Universal, onde nessa evolução nós tendemos a apreender tudo para podermos fazer um juízo acerca do Saber, por excelência, onde se encontram as coisas, os fatos e os fenômenos do Universo. Mas isto somente é possível quando abandonamos a fase da imaginação e ingressamos na fase da concepção, na qual podemos formar a nossa razão, de onde brotam todas as ideias que são formuladas. Esta nossa ideia inteligencial é descrita, ao seu modo, de maneira razoável, por R. Jolivet, em sua obra Curso de Filosofia, a página 197, da seguinte maneira:

A ideia de ser, que resulta da primeira visão da inteligência sobre as coisas, dá imediatamente origem a juízos que se chamam primeiros princípios, que só fazem exprimir as leis do ser, intuitivamente apreendidas no ser. São estes: o princípio da entidade; o que é, é, ou, ainda: o ser é idêntico a si mesmo, — e o princípio de contradição, a mesma coisa não pode, ao mesmo tempo e na mesma circunstância, ser e não-ser.

Cabe citar agora, entre as noções que nos dá intuitivamente, ainda que confusamente, o primeiro contato do espírito com as coisas, as noções de causa, ou ‘aquilo-que-produz-alguma-coisa’, — de substância, ou ‘aquilo-que-subsiste na transformação’, de fim, ou aquilo por que uma coisa é feita’. — Como a ideia de ser, estas noções dão origem a princípios universais: princípios de causalidade, de substância, de finalidade”.

Mais na frente, o autor, na mesma obra, as páginas 263 e 273, diz o seguinte:

A ontologia (ou Metafísica geral) é a ciência do ser enquanto ser e dos caracteres que pertencem ao ser como tal. A noção do ser é a mais alta abstração a que podemos chegar, quando tivermos despojado de alguma forma os seres singulares de tudo o que os distingue e deles faz tal ou qual ser determinado.

O ser não existe sob a forma absolutamente indeterminada em que o considera, por abstração, a Metafísica. Apenas os seres, quer dizer, os indivíduos, existem verdadeiramente, sendo todo o resto, não ser absolutamente, mas maneiras de ser dos indivíduos. Ora, esses diversos seres, indivíduos ou não, podem ser grupados por sua vez em grandes categorias que constituem as primeiras divisões ou determinações mais gerais do ser. Essas grandes divisões são as da substância e os diversos acidentes. Além disto, o ser pode por sua vez se dividir, em toda a sua amplitude, em ato e potência. Como esta última divisão é mais geral ainda que a das categorias, por ela é que devemos começar”.

Fica posto aqui, então, que o ser propriamente dito, quando se encontra no Universo, como essência, inicia-se como ser atômico, especificamente como ser hidrogênio, ao alcançar esse primeiro estágio evolutivo, passando como coisa a adquirir as propriedades da Força e da Energia, até que passa a adquirir a propriedade da Luz, adquirindo o raciocínio e o livre arbítrio, quando então adquire a denominação de espírito. Essas substâncias dos seres são as mesmas Substâncias do Criador. Por ocasião do processo evolutivo, os seres vão formando os seus corpos mentais, que são o criptoscópio, que tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos, sendo estes as causas de tudo, o intelecto, que tem a função de compreender e a finalidade de criar as experiências, sendo estas os efeitos de tudo, e a consciência, que tem a função de coordenar e a finalidade de unir, irmanar, congregar o criptoscópio e o intelecto.

No processo evolutivo, já como espíritos, além de desenvolver os seus corpos mentais, os seres vão adquirindo em maiores proporções os seus atributos individuais, que tanto podem ser superiores como inferiores, e relacionais, que tanto podem ser positivos como negativos, em que os inferiores e os negativos vão tendendo a ser sopitados, até que adormeçam de vez, já que se referem ao âmbito da imperfeição, e os superiores e os positivos tendendo a se estender cada vez mais, uma vez que a meta dos filhos é serem iguais ao Pai, como assim chamou Jesus, o Cristo, a Deus, já que eles se dirigem ao âmbito da perfeição. São os atributos que comandam os nossos poderes e as nossas ações, causando e produzindo efeitos, daí a razão pela qual o verbo ser liga o sujeito aos atributos.

 

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