12.02- A concepção

Prolegômenos
7 de junho de 2018 Pamam

Geralmente aqueles que mais se destacam dos demais procuram transmitir de alguma maneira aquilo que julgam haver concebido em seus corpos mentais, geralmente através das suas obras postas em livros ou em outros meios de comunicação, desconsiderando aqui aqueles que escrevem por escrever, que sem possuir qualquer conteúdo de valor que venha a ser útil aos seus semelhantes, danam-se a escrever as obras mais nefastas possíveis, que fazendo as delícias imaginativas dos seres humanos mais atrasados que se dispõem a lê-las, os quais são em grande número, julgam-se os maiorais em termos de literatura, como se fossem escritores de grande sucesso, somente porque vendem essas suas obras nefastas em grandes quantidades, quando não passam de uns verdadeiros medíocres, que nem sequer conseguem imaginar algo que realmente tenha algum valor literário. No entanto, eles estão exercendo o pleno direito de serem aquilo que realmente são, embora não sejam aquilo que julgam ser, direito esse que não lhes pode ser negado, uma vez que é o público vulgar quem adquire as suas obras medíocres, mas são os homens de valor quem devem julgá-las, e não os críticos literários, que criticam em função dos seus próprios paladares, em que a maioria, ou a sua quase totalidade, não possui o valor requerido para o julgamento dessas obras.

Aquilo que os seres humanos julgam haver concebido em seus corpos mentais, é justamente o repositório das imagens que formam as suas imaginações, onde são retiradas ou criadas as representações imaginativas que irão definir a natureza benéfica ou maléfica das suas obras que serão postas em livros ou em outros meios de comunicação, afirmando se eles são ou se não são bons escritores, se eles possuem ou se não possuem os conteúdos do belo em suas almas, não importando se esses conteúdos estejam situados dentro ou fora do contexto da realidade da vida.

A noção exata da concepção, portanto, que é o próprio arcabouço gerador da formulação de todas as ideias, é de fundamental importância para que se possa avaliar com a devida precisão o contexto de cada obra humana, certificando se o teor da obra que a traduz é realmente útil ou então nocivo à coletividade, seja ele literário, poético, científico, ou mesmo filosófico, como assim ainda hoje denominam aos tratados superiores.

Mas a imaginação dos seres humanos é completamente diferente da concepção que possibilita a formulação das ideias a respeito da realidade das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, pois eles ainda não possuem apreendidos em seus corpos mentais os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e nem as experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim possam ser conscientes da existência da razão.

Assim, estando ainda cativos da fase da imaginação, os seres humanos conseguem captar apenas as imagens das coisas, dos fatos e dos fenômenos que os rodeiam, por intermédio dos sentidos, principalmente da visão dos olhos da cara, ou então armados dos aparelhos que inventam, considerando que tudo isso é conhecimento científico, quando, na realidade, não o é, e jamais poderia sê-lo, sendo apenas experiências oriundas da imaginação, que mesmo assim ainda servem de base para os sistemas científicos, sendo útil para algum objetivo, por isso lhes faltam as correspondentes doutrinas e as suas finalidades.

Ou, então, eles abandonam por completo os sentidos, principalmente a visão dos olhos da cara, desconsiderando todo o natural em tudo o que existe, quando passam a imaginar o sobrenatural, fugindo completamente à realidade da vida, criando os conhecimentos sobrenaturalísticos, quando já se sabe que os conhecimentos não se criam, por serem metafísicos, absolutos, ontológicos, imutáveis, tendo que ser captados do Espaço Superior, fora do ambiente terreno, transcendendo a este mundo. E como que querendo tornar verdadeiro o sobrenatural, como que querendo tornar real o irreal, e ainda, como que querendo substituir a verdade pela mentira, eles vêm afirmar que quase tudo aquilo que eles mesmos criaram, não são propriamente criações suas, mas sim de um deus que transmitiu tudo isso, cujo deus não passa de um espírito obsessor quedado no antral inferior, daí a criação corresponder à imagem e a semelhança humana, por isso os seres humanos projetam Deus para fora de si mesmos, sendo inspirados por esses conhecimentos sobrenaturais transmitidos por alguns médiuns obsedados pelo astral inferior, ou então por profetas que também são médiuns obsedados, que escreveram as suas baboseiras irrefletidas em livros, os quais são considerados como se fossem sagrados, traduzindo as palavras desse próprio deus. É por isso que esses conhecimentos sobrenaturais formam as milhares de doutrinas que em números ultrapassam aos trinta mil, dando origens aos mais diferentes credos, sem que possibilitem o estabelecimento de quaisquer sistemas correspondentes, por isso elas mesmas estabelecem as suas próprias finalidades, que são esdrúxulas, perversas e irracionais, como a tal da salvação, que aguça o irracionalismo da fé credulária, pelo medo terrível da condenação eterna, do que se aproveita a famigerada classe sacerdotal para extorquir os parcos recursos dos seus arrebanhados. Quanta ignorância!

Essas são as imagens que foram apreendidas pelos órgãos mentais dos seres humanos e que formam os repositórios dos seus conhecimentos e das suas experiências, de onde todos eles retiram as suas representações imaginativas. Então fica bastante claro, assim como por demais evidente, que nós não podemos formar uma ideia do que quer que seja formando imagens, que são captadas através dos nossos sentidos, principalmente dos olhos da cara, ou dos aparelhos inventados, dando como resultado a ilusão da matéria, ou criando as imagens do que não existe, dando como resultado o devaneio do sobrenatural,  pois que tudo isso pode ser considerado como sendo os frutos da imaginação humana, os quais transmitem somente a irrealidade da vida, nada mais do que isso.

Mas antes de eu prosseguir com a explanação acerca da concepção propriamente dita, vejamos primeiramente o que o Dr. Pinheiro Guedes, em sua obra Ciência Espírita, a página 155, diz sobre ela, em que ele o faz da seguinte maneira:

A CONCEPÇÃO cria ideias (grifo meu); é um aparelho constituído pela memória, atenção, compreensão, percepção…”.

A concepção, pois, é o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria que estão contidos nos órgãos mentais, que possibilita mentalmente o poder de captar novos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, através da produção dos sentimentos e das deduções, e a ação de criar novas experiências físicas acerca da sabedoria, através da produção dos pensamentos e das induções, com a consciência coordenando a todos eles, com tudo isso sendo completamente diferente das representações materiais e sobrenaturais provenientes da imaginação.

É sabido que o criptoscópio capta os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, através da percepção; que o intelecto cria as experiências físicas acerca da sabedoria, através da compreensão; e que a consciência coordena o criptoscópio e o intelecto, unindo-os, irmanando-os, congregando-os, para que assim, e somente assim, possa ser alcançada a razão. Com o mesmo valendo para tudo aquilo que diz respeitos às religiões, às ciências e às religiociências, podendo ainda ser estendido para o restante de todas as atividades humanas, sejam elas profissionais ou não.

Quando nós concebemos as coisas, os fatos e os fenômenos universais, somos obrigados a apreender em nosso corpo mental tanto os conhecimentos como as experiências a respeito deles, para que assim possamos formular uma ideia precisa acerca da realidade posta pelo Universo, que nos permite chegar à razão de tudo o que existe, ocasião em que podemos formular nesse contexto todos os tipos de ideias, através da consciência, já que umas podem ser decorrentes de outras, pois que elas se associam racional e logicamente, ao contrário da imaginação, que apenas combina imagens, nada mais do que isso. É através das ideias que nós exteriorizamos e tornamos físico tudo aquilo que seja proveniente do metafísico, daí a razão da existência da doutrina e do sistema, mas, como dito anteriormente, não materializamos nada.

Note-se que os conhecimentos acerca da verdade são absolutos, por isso eles não se modificam, sendo imutáveis, perenes, eternos, ontológicos, abstratos, justamente por isso eles são metafísicos, portanto, incriáveis pelo ser humano, daí a razão pela qual eles formam um todo universal, embora se encontrem distribuídos em cada uma das coordenadas do Universo, em conformidade com o estágio evolutivo em que os seres se encontram. Enquanto que as experiências acerca da sabedoria são relativas, por essa razão elas se modificam para o aperfeiçoamento, sendo mutáveis, transitórias, passageiras, empíricas, concretas, justamente por isso elas são físicas, mas não materiais, portanto, criáveis pelo ser humano. Mas como os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ter as suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, é óbvio que com essa ligação direta as ideias a respeito de ambos ficam assim associadas.

Em função disso, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos pelos veritólogos não devem ser apreendidos pelos sentidos, através da visão dos olhos da cara, que formam as imagens, mas sim através da visão do pensamento, o único que permite a concepção a respeito da realidade da vida, que assim apreendidos irão se juntar às experiências físicas acerca da sabedoria, possibilitando a criação das ideias por parte da consciência, cuja essência é a modalidade, por onde se alcança a razão, já que é a consciência quem faz valer a luz astral que todos nós possuímos e que em tudo penetra.

A modalidade é a maneira peculiar que determina as características reais e verdadeiras das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais organizados pela consciência, em que esta revela o modo das suas existências, no âmbito da realidade. É o pensamento, por ser físico, através das experiências saperológicas, quem certifica o caráter verdadeiro dos conhecimentos acerca da verdade, com base no sentimento, pelo fato deste ser metafísico, demonstrando-os experimentalmente e os certificando como sendo reais e autênticos, estabelecendo ao mesmo tempo um sistema e uma finalidade para a sua doutrina, declarando improcedentes aos que não correspondem com a realidade universal. E tudo isso está sendo realizado agora por intermédio do Racionalismo Cristão.

Quando os conhecimentos metafísicos acerca da verdade começam a penetrar no corpo mental do ser humano, digamos assim desta maneira, sendo por ele apreendidos, eles começam a formar um repositório para o seu armazenamento em sua alma, e quanto mais os conhecimentos metafísicos vão penetrando, tanto mais eles vão aumentando a esse repositório, até que todos eles sejam consolidados e permitam uma concepção acerca da realidade universal da vida, quando então se faz a juntada com as experiências físicas acerca da sabedoria. Esta juntada dá como resultado a concepção, que é justamente o aparelho citado pelo Dr. Pinheiro Guedes, o qual forma um arquivo consolidado pela memória, que com o uso da atenção devida proporciona a que ele proporcione a consciência de tudo o que existe, fazendo emergir a capacidade da aquisição do Saber, por excelência, que existe no ser humano, já que a consciência é a grande responsável pela formulação das ideias acerca da realidade universal.

Os seres humanos ainda não possuem uma noção precisa acerca da concepção, sendo por isso que de modo análogo ao exposto acima, eles confundem a verdadeira concepção com a fecundação, ou a fertilização, como no processo em que o espermatozoide penetra no oócito, que em embriologia é a célula originária do óvulo, antes da formação dos corpos polares, como nos casos dos seres humanos e da maioria dos mamíferos, ou mesmo em outras espécies nos restantes dos animais, e até quando o tubo polínico penetra no óvulo das plantas durante o processo de reprodução. Os espermatozoides, depois do ato sexual, movimentam-se em direção às tubas uterinas. Os líquidos nutritivos do esperma e um muco do sistema reprodutor feminino facilitam o seu movimento em direção ao oócito II, que foi libertado pelo ovário e se encontra em uma das tubas uterinas. Imediatamente após a fecundação, as células foliculares glandulares que envolvem a célula reprodutora feminina se retraem, liberta-se o conteúdo dos grânulos corticais formando a membrana de fecundação, que não vai permitir a entrada de mais espermatozoides em seu meio.

Após estar completa a divisão II da meiose, que é o processo de divisão pelo qual as células filhas têm metade dos cromossomos da célula mãe, e formado o óvulo, os núcleos dos dois gametas se fundem e se forma o ovo, com uma associação de genes totalmente nova que vai caracterizar o futuro indivíduo por toda a sua vida, sob o ponto de vista genético.

Em seguida, ocorre a fase embrionária, com uma duração aproximada de 16 semanas, que se inicia ainda na trompa com a divisão celular, por mitose, dando origem à formação do embrião, ao mesmo tempo em que se dirige para o útero. Para que este mantenha o endométrio em estado de desenvolvimento conveniente para o embrião, tem que continuar a receber hormônios ovários, mas como a hormona luteinizante, ou hormônio luteinizante, ou luteoestimulina, ou ainda LH,  do inglês Luteinizing Hormone, que é um hormônio produzido pela adenoipófise, vai acabar por deixar de ser produzida, devido ao retrocontrole negativo, o próprio embrião produz o hormônio gonadotrópico HCG, que vai impedir a regressão do corpo amarelo e manter a produção de progesterona e de estrogênios.

A manutenção da produção desses hormônios continua a inibir o hipotálamo de produzir o hormônio liberador de gonadotrofina, também conhecido pela sigla GnRH, do inglês Gonadotropin-Releasing Hormone, que é um hormônio dipeptídico produzido no hipotálamo e, por consequência, manter interrompido o ciclo éstrico. Chegado ao útero, a zona pelúcida que envolve o embrião é destruída e este começa a crescer em virtude do fornecimento de nutrientes pelas glândulas do endométrio. O embrião vai começar a afundar no endométrio pela ação de enzimas que liberta, sendo ao mesmo tempo envolvido por outras células, que é a nidação. Após este fenômeno começam a se formar as estruturas embrionárias: placenta, cordão umbilical e o saco amniótico, que vai conter o líquido amniótico que serve de proteção ao novo ser.

Por volta da quinta semana a placenta passa a produzir ela própria os estrogênios e a progesterona para manter o endométrio, deixando de ser produzida a gonadotrofina coriônica humana, a HCG, que é uma glicoproteína hormonal produzida pelas células trofoblásticas sinciciais, o que leva à regressão do corpo amarelo. Ocorre igualmente a produção de um hormônio pela placenta que leva à preparação das glândulas mamárias para o aleitamento. Esta fase termina quando estiverem esboçados os diferentes órgãos do novo indivíduo. Segue-se a fase fetal, em que o que vai ocorrer essencialmente é o crescimento e a maturação dos órgãos, o que termina aproximadamente ao fim de 40 semanas, seguindo-se o nascimento.

Eis aí, portanto, de modo muito resumido, como ocorre a complexa concepção de um ser humano no organismo de uma mulher. Mas o que poucas pessoas sabem é que a mulher não tem esse poder de concepção, pois que ela nada sabe a respeito disso, sendo apenas um instrumento para a concepção de um espírito que vai encarnar e se tornar um ser humano, pois que é justamente o espírito o verdadeiro autor da concepção, já que é ele quem realiza todo esse processo para formar o corpo carnal no qual vai encarnar, por ocasião dele vir à luz neste mundo Terra, já que ele detém todos os conhecimentos e experiências para essa realização, sendo a ideia da forma do seu corpo carnal dele mesmo originária, obviamente que obedecendo ao atavismo biológico dos seus pais, mas sem que haja o atavismo psíquico, já que este é herdado das suas encarnações pretéritas, cujos traços de caráter e de personalidade se encontram em sua esteira evolutiva.

E assim como a mulher, os seres humanos não possuem uma noção precisa do que seja a concepção, já que os mais estudiosos passam a considerá-la como sendo uma ideologia. No senso comum, o termo ideologia é sinônimo do termo ideário. Ora, a concepção é o arcabouço dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, de onde brotam todas as ideias que digam respeito à realidade. E o ideário é o conjunto das falsas ideias formuladas pela imaginação, que não passam de simples representações de imagens, estando elas simplesmente combinadas umas com as outras, mas que os seres humanos consideram equivocadamente como sendo ideias políticas, sociais, econômicas, etc., tal como o ideário da Revolução Francesa, pelo fato de serem cativos do ambiente deste mundo. E agora eu indago: qual é a origem, a fonte, o arcabouço de onde surgiu todo esse ideário humano? E ninguém sabe responder, pois que todos ignoram a realidade da verdadeira e autêntica concepção.

E afirmo convictamente que ninguém sabe responder a esta minha indagação, porque nenhum ser humano possui ainda uma concepção acerca dos conhecimentos metafísicos veritológicos, que possibilite a formação de um repositório consolidado com as experiências físicas saperológicas, cujo arcabouço é a própria concepção, em que esta possa vir a servir como estrutura real para a criação das suas ideias, em relação à realidade da vida. Tudo o que a nossa humanidade conseguiu, até hoje, foi raciocinar com as imagens que foram apreendidas e se encontram retidas em sua memória, formando a sua concepção equivocada, por isso, totalmente falsa, razão pela qual todas as suas ideias também são falsas, por serem frutos da sua imaginação, portanto, fora do âmbito da realidade.

Mas mesmo assim, nem mesmo a própria imaginação humana pode ser capaz de impedir a contemplação do belo, para que tudo o que for contemplado possa servir de inspiração para a elaboração de obras instrutivas e salutares, transmitidas através dos livros, para que estes assim possam ser úteis à coletividade, já que ser útil é a sua grande finalidade. Mas nenhuma ideologia pode ser capaz de permitir a contemplação do belo, pelo fato dela ser totalmente subjetiva e retratar apenas os anseios de um indivíduo, ou de um pequeno grupo de indivíduos, que comungam com esses mesmos anseios.

É justamente por isso que essa ideologia, ou esse ideário, carrega consigo o sentido neutro de um conjunto de representações irreais, de pensamentos imaginativos, que formam algumas doutrinas inconsistentes, as quais não permitem a elaboração de um sistema realístico que possa definir uma finalidade em que todos comunguem com ela e, em conjunto, esforcem-se por alcançá-la, uma vez que elas retratam as visões do mundo por intermédio do poder imaginativo de apenas um ser humano, ou por intermédio dos poderes imaginativos de um ou mais grupos de seres humanos, que por isso são geralmente orientados para as ações políticas ou sociais, em que a própria política e a própria sociedade retratam com fidedignidade o tremendo caos em que vivemos, de onde surgem os desentendimentos e os conflitos de toda ordem, seja no campo político, seja no campo social, ou mesmo em qualquer outro campo.

É também justamente por isso que para alguns autores que utilizam o termo ideologia sob uma visão crítica, um pouco mais racional, apesar de também ser imaginativa, a ideologia pode ser considerada como sendo um instrumento de dominação que age por meio do maior convencimento, persuadindo aos demais seres humanos a seguirem na mesma trilha sinuosa, por força dos argumentos mais plausíveis que o comum, mas mesmo assim alienando completamente a consciência humana, como são grandes exemplos os partidos políticos, que não agem por meio da força física de forma prescritiva, mas através de ordens ou preceitos dos seus líderes, aonde podemos observar normalmente o fanatismo dos seus correligionários, que tanto brigam uns com os outros como brigam com os de partidos diferentes e rivais, e não raramente até matam os seus oponentes, assemelhando-se ao fanatismo credulário, pois que na disputa pelo poder parece que tudo vale, evidenciando o maquiavelismo e uma tremenda ignorância e estupidez, já que aquele que por pura ambição e vaidade procura o poder para a satisfação pessoal, na ânsia por ocupar cargo eletivo, sem que este lhe venha naturalmente em conformidade com as suas legítimas aspirações, sendo assim imposto pelas obrigações e deveres assumidos em plano astral, vai encontrar apenas sarna para se coçar, não passando de um néscio, de um estúpido, de um idiota, que poderá comprovar exatamente esses seus atributos inferiores quando após a desencarnação, em seu Mundo de Luz, ao constatar ser além disso um tremendo PATIFE, que o é em letras garrafais, na realidade.

Para alguns desses autores um pouco mais esclarecidos, como Karl Marx, a ideologia age massacrando a realidade. Aqueles que são adeptos da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, considerados como se fossem pensadores, mas que não são, por hipótese alguma, afirmam a ideologia como sendo uma ideia, um discurso ou uma ação que mascara um objeto, mostrando apenas a sua aparência e escondendo as suas demais qualidades. Também o sociólogo contemporâneo John B. Thompson oferece uma formulação crítica ao termo ideologia, mas que é derivada da mesma representação imaginativa oferecida por Karl Marx, pois que lhe retira o caráter de ilusão e do massacre da consciência da realidade, e se concentra apenas no aspecto das relações de dominação.

A origem do termo ideologia ocorreu com Destutt de Tracy, que criou a palavra e lhe deu o primeiro dos seus significados: a ciência das ideias. Mas que a ideologia não tem nada de ciência, e muito menos de ideia. Posteriormente, os estudiosos concluíram que esta palavra ganharia um novo sentido quando Napoleão Bonaparte denominou Destutt de Tracy e os seus seguidores de ideólogos, no sentido de “deformadores da realidade”. No entanto, os pensadores da Antiguidade Clássica já haviam se referido corretamente ao mundo das ideias, enquanto que os estudiosos da Idade Média já entendiam a ideologia como sendo o conjunto de ideias e opiniões acerca de uma sociedade, em contraposição ao realismo clássico formulado na Grécia.

Mas foi Karl Marx quem desenvolveu uma hipótese a respeito da ideologia, considerando-a como sendo uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho manual e o intelectual, mesmo não sabendo o que seja a consciência e nem a função e a finalidade do intelecto. Essa divisão ocasionou o surgimento dos ideólogos tidos como sendo intelectuais, que passaram a operar em favor da dominação ocorrida entre as classes sociais, por meio de representações imaginativas, não de ideias, capazes de reformar a compreensão sobre o modo de como se processam as relações de produção. Neste sentido, a ideologia geraria a inversão ou a camuflagem da realidade, enquanto falsa consciência, contrariando assim os interesses da classe dominante.

Entretanto, Karl Marx não trata do tema ideologia apenas em sua obra A Ideologia Alemã, em seus outros escritos se pode constatar nitidamente as suas inconsistências em relação ao assunto, o que indica que ele não possui uma definição única e precisa sobre o significado do termo ideologia, o que já era uma certeza de se esperar. O sociólogo John B. Thompson procedeu a uma análise minuciosa acerca de três desenvolvimentos que ele encontrou ao longo da obra de Karl Marx sobre o termo ideologia, registrando as convergências e as divergências entre si, que foram denominadas da seguinte maneira: 1) Polêmica; 2) Epifenomênica; e 3) Latente.

Depois de Karl Marx alguns outros estudiosos abordaram a temática da ideologia. Enquanto muitos mantiveram a sua concepção original, apesar de inconsistente, como Karl Korsch e George LuKacs, outros passaram a abordar a ideologia como sendo a representação de uma visão do mundo, considerada como sendo uma visão neutra, inclusive alguns tidos como sendo marxistas, como Lênin, que os estudiosos explicam este fato em virtude da obra A Ideologia Alemã, de Karl Marx, na qual ele expõe os seus escritos sobre a ideologia, haver sido publicada em 1926, dois anos após a sua desencarnação. Vários outros estudiosos desenvolveram análises sobre o conceito de ideologia, tais como Karl Mannheim, Louis Althusser, Paul Ricoeur e Nilton Viana, mas sem que nenhum se aproximasse do fato real de que o mundo das ideias é formado a partir da concepção.

A ideologia foi também abordada por uma corrente considerada como sendo saperológica, denominada pelos estudiosos de pós-estruturalismo, a qual é apontada por muitos autores como sendo uma superação do marxismo.

O estruturalismo, em geral, é a denominação dada aos estudos linguísticos compreendidos entre o início do século XX e o advento, em 1957, da gramática gerativo-transformacional, que é uma teoria linguística que procura estabelecer um modelo geral baseado em princípios universais, do qual derivam as gramáticas de cada língua em particular. Os seres humanos ainda não conseguem compreender, mas o estruturalismo é um esboço um tanto quanto grosseiro que retrata uma débil tentativa de unificação dos diversos idiomas em um único idioma mundial, já que representa o seu reconhecimento, o que fatalmente ocorrerá por intermédio do Esperanto.

Então o estruturalismo pode ser considerado como sendo todo o estudo linguístico baseado no pressuposto metodológico de que qualquer ciência deve optar pela observação rigorosa do maior número possível de fatos, com vista a bem fundamentar as suas proposições e generalizações, viabilizando, assim, a descoberta da estrutura, em que esta compreende os elementos ordenados e relacionados entre si de forma dinâmica.

Compreende-se desta maneira que o pós-estruturalismo se refere a uma tendência radicalizada que visa a superação da perspectiva estruturalista. Neste caso, o prefixo pós não deve ser interpretado como tendo uma conotação de contraposição ao estruturalismo, uma vez que os seus estudiosos levaram às últimas consequências os conceitos e desenvolvimentos do próprio estruturalismo, até convertê-los em desconstrutivismo e depois em construtivismo, que são as ações construtivas em relação aos objetivos políticos, sociais, literários, etc., e em relativismo, considerado como sendo uma teoria saperológica que se baseia na relatividade do conhecimento, que justamente por isso não pode ser saperológica, e em pós-modernismo.

Os principais representantes do pós-estruturalismo são Jacques Derrida, Gilles Deleuze e Jean-François Lyotard. Mas outros estudiosos podem ser também considerados como sendo pós-estruturalistas, ou, pelo menos, próximos aos seus conceitos, como Giorgio Agamben, Jean Baudrillard, Judith Butler, Félix Guattari, Julia Kristeva, Sarah Kofman, Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy. Mas como não se trata exatamente de um movimento, poucos desses estudiosos aceitam a denominação de pós-estruturalista, cujo termo foi criado por outros estudiosos para designar genericamente um conjunto de diferentes reações ao estruturalismo. Consequentemente, nenhum dos ditos pós-estruturalistas se sentiu na obrigação de elaborar qualquer manifesto ao seu respeito.

O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de sentidos, mas como deveria certamente se esperar, a realidade é considerada como sendo simplesmente uma construção social e subjetiva, com a abordagem sendo um pouco mais aberta no que diz respeito à diversidade de métodos. Assim, ele entra em contraste com o estruturalismo, que não afirma a independência e a superioridade do significante em relação ao significado, considerando os dois como sendo inseparáveis, enquanto que os pós-estruturalistas não veem o significante e o significado como inseparáveis, mas sim como sendo separáveis. Sendo tudo isso apenas dois instrumentos idiófonos.

Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos pelos veritólogos, cujo conjunto forma uma doutrina, assim como agora se encontra formada a doutrina do Racionalismo Cristão, podem ser perfeitamente apreendidos pelo corpo mental de um saperólogo, como agora estão sendo apreendidos por este saperólogo, servindo-lhe de fonte para a explanação do próprio Racionalismo Cristão, sob o comando dos atributos individuais superiores e dos atributos relacionais positivos, no âmbito da espiritualidade, em que se alcança a Ratiologia.

A apreensão da doutrina racionalista cristã, proporcionada por meio do intelecto, possibilita uma concepção acerca da realidade das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, inclusive acerca da nossa humanidade e também deste mundo, e até mesmo das estrelas, que não são coisas, formando juntamente com as experiências saperológicas um repositório na alma do saperólogo, de onde ele pode formular as suas ideias a respeito de tudo quanto existe, utilizando-se fundamentalmente da sua consciência, para que através dessas experiências possa estabelecer um sistema correspondente a essa doutrina, por conseguinte, formar uma ideia real a respeito da finalidade que diga respeito à existência, que deve ser eterna e universal, e jamais temporária. E tudo isso sem que seja preciso recorrer ao âmbito da imaginação, para que dela possa retirar as imagens que se encontram gravadas em sua alma, estando todas elas sopitadas, pelo fato de serem ilusórias, por esta razão não correspondendo à realidade universal, que somente se alcança com a Ratiologia.

Por isso, todos os idealismos que não cogitam e nem possuem a mínima noção acerca da origem das ideias, parta de onde partir, seja de Karl Marx ou de outros, seja do estruturalismo ou do pós-estruturalismo, jamais poderão retratar a realidade da vida, porque tudo é proveniente da imaginação, sendo todos eles a mais pura ilusão.

Ora, todos esses idealismos não aceitam o cogito, que em Saperologia é o pensamento do saperólogo, especialmente o pensamento de um saperólogo isolado, que, sozinho, entregue a si mesmo, consegue a concepção do Todo, que tem que ser universal, tendo como fonte a verdade. O cogito, ergo sun, ou seja, o penso, logo existo, diz respeito ao absoluto, que retrata a realidade da existência eterna e universal, em que a concepção dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade são firmes e assegurados, pelo fato de haverem sido investigados e pesquisados, demonstrados e certificados pelo saperólogo, devendo essa expressão cartesiana ser considerada como sendo um princípio primeiro de onde os seres humanos devem partir.

Mas o que todos os seres humanos fazem é recusar em atribuir ao cogito, ou mesmo ao cogito cartesiano, portanto, aos seres humanos mais evoluídos, tornados veritólogos ou saperólogos, as suas capacidades criptoscopiais ou intelectuais, respectivamente, de  naturezas gnosiológicas, que proporcionam os conhecimentos e as experiências acerca da realidade universal, por conseguinte, das substâncias de Deus, ou mesmo o conhecimento axiológico, que é o conhecimento dos atributos individuais superiores e relacionais positivos do espírito, em que se destacam a moral e a ética, e também em grande escala a coragem e a boa vontade em ajudar a coletividade, o que proporciona formar um juízo concreto a respeito dos valores humanos, por muitos tidos como se fossem insondáveis, mas que não os são, como se tudo isso fosse algum privilégio, pelo fato de ignorarem o tremendo esforço e a renhida luta desprendidos no processo da evolução espiritual. Mas é a Ratiologia quem explica tudo.

Por isso, o que ocorre nas ideologias é apenas uma limitação de análise das formas simbólicas imaginativas da linguagem, da política e das sociedades, tanto sendo constituintes da subjetividade como sendo constituídas por ela.

O assunto poderia ser estendido por várias outras páginas, mas o meu objetivo maior aqui é explanar aquilo que na realidade representa a concepção, que é o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, de onde são retiradas as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. E isto se explica porque os conhecimentos metafísicos são captados do Espaço Superior, e as experiências físicas são criadas do Tempo Futuro. Ora, o espaço e o tempo dão as coordenadas do Universo, então tudo isso é universal.

Aqueles que são mais estudiosos, que possuem a boa vontade em se esclarecer sobre os segredos da vida e os enigmas do Universo, que desprendem o devido esforço para que assim possam fazer evoluir ainda mais os seus espíritos, e que se interessarem mais pelo assunto, querendo aprofundar ainda mais os seus conhecimentos acerca daquilo que os seres humanos entendem pelo que seja a concepção, que tratem de pesquisar por conta própria o que os livros dizem em relação a ela, pois que agora não me cabe mais estendê-la, mas sim a explanação acerca daquilo que seja a ideia, que é proveniente da própria concepção.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

12.03- A teoria do ser

O ser pode ser considerado como sendo o verbo de ligação que serve para afirmar a existência dos atributos adquiridos pelos seres no exercício das suas atividades básicas, para...

Leia mais »
Prolegômenos

12.03.01- As qualidades

Não se deve confundir jamais os atributos dos seres com as suas qualidades. Deixando aqui de lado novamente a inferioridade e a negatividade espirituais, os atributos individuais superiores e...

Leia mais »
Romae