12.02.02- O associacionismo das ideias e a sinopse do conjunto

Prolegômenos
8 de junho de 2018 Pamam

Na concepção, as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais se associam umas com as outras, não havendo combinações, pois que estas representam a imaginação, que combina imagens, mas sim associação, compondo uma interseção de conjuntos, com cada uma deles assumindo uma cor que lhe é própria, em conformidade com o padrão de cor de cada uma das coordenadas do Universo, para que assim eles possam se encontrar ordenados em conformidade com esses padrões de cores, em que as coisas, os fatos e os fenômenos que assumiram as cores mais próximas de cada padrão de cor ficam gravitando ao seu redor, estando dispostos segundo uma ordem decrescente de tonalidade, que parte do núcleo identificador do padrão de cor, formando a primeira orbital, até a sua periferia, formando a última orbital, com esta fazendo fronteira com a ideia que assumiu a cor mais próxima de si, mas que pertence a outro padrão de cor de outra coordenada universal, e assim sucessivamente em todo o conjunto do Universo, para que não haja qualquer conflito, o que levaria fatalmente a uma contradição das ideias universais.

Esse conjunto de cores forma todo o esplendor do Universo. Todos os astrônomos sabem que no Universo as estrelas formam os seus sistemas planetários, em que os planetas e os seus satélites gravitam ao seu redor. Cada estrela tem uma cor que lhe é própria, em virtude delas serem formadas pelas propriedades da Força e da Energia, que se combinam em inúmeros e inúmeros estágios diferentes. Mas ignorando isto, os astrônomos se confundem com a parecença das cores observadas com os olhos da cara, como são exemplos os Diagramas de Hertzsprung-Russell, que representam um gráfico de distribuição que mostra a relação entre a magnitude absoluta, ou a luminosidade, versus o tipo espectral, ou a classificação estelar, e a temperatura efetiva. Os Diagramas de Hertzsprung-Russell não são quadros ou mapas de localização das estrelas, pois diferentemente eles colocam cada estrela em um gráfico indicando a sua magnitude absoluta ou o brilho contra a sua temperatura e cor. Eles foram criados por volta de 1910, por Einar Hertzsprung e Henrv Norris Russell, tendo sido considerados como sendo um passo importante em direção ao entendimento da evolução estelar. Mas o fato é que não existe a evolução estelar, já que todas as estrelas são formadas pelas propriedades da Força e da Energia, pois somente os seres evoluem por intermédio das propriedades da Força, da Energia e da Luz, e mais nada se inclui no processo da evolução.

O espírito somente pode apreender em seu corpo mental a concepção acerca do Universo, caso ele consiga formular as ideias precisas a respeito das propriedades da Força e da Energia, uma vez que estas propriedades é quem verdadeiramente formam o Universo, em suas inúmeras e inúmeras combinações estelares, em que as estrelas dão como resultado as coordenadas universais e os seus respectivos fluidos, por isso o Universo é todo fluídico. Ora, como o espírito evolui por intermédio destas duas propriedades, com elas passando a compor o seu corpo fluídico, ou perispírito, é óbvio que o próprio Universo passa a estar contido em si mesmo, pelo menos até o estágio evolutivo em que ele se encontra. E como o espírito evolui também por intermédio da propriedade da Luz, é por intermédio da sua luz astral que ele passa a percorrer o universo que se encontra contido em si mesmo, em conformidade com o seu estágio evolutivo. Daí a extrema necessidade dos seres humanos, na condição de espíritos que são, na realidade, transcenderem a este mundo para que assim possam se universalizar, e então adquirir a consciência plena do universo que se encontra contido em si mesmos, cujo universo, em conformidade com o estágio evolutivo de cada um, deve ser comum a todos eles, daí a impossibilidade de haver quaisquer conflitos ou divergências entre as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais.

A propriedade da Força contém o espaço, em que no Espaço Superior estão contidos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são as causas. A propriedade da Energia contém o tempo, em que no Tempo Futuro podem ser criadas as experiências físicas correspondentes acerca da sabedoria, que são os efeitos. O espaço e o tempo formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas. A propriedade da Luz penetra em cada uma dessas coordenadas. É justamente por isso, que apenas com a sua luz astral o espírito pode apreender os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e criar as correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, alcançando assim a razão, que coordena a verdade e a sabedoria, portanto, as causas e os seus correspondentes efeitos.

Desta maneira, o espírito consegue apreender em seu corpo mental uma concepção acerca do Universo, por conseguinte, ele consegue formular também as ideias em relação às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais. Em cada uma das coordenadas universais, as coisas, os fatos e os fenômenos se apresentam de uma determinada maneira, que deve ser comum a todos os espíritos, sem que haja qualquer divergência, por isso as ideias têm que ser convergentes, sem que jamais possam entrar em conflito, já que as causas se encontram associadas diretamente aos seus respectivos efeitos.

No entanto, quanto mais o espírito vai evoluindo e se elevando ao Espaço Superior e se transportando ao Tempo Futuro, concomitantemente, tanto mais ele vai penetrando as coordenadas do Universo que se encontram mais distantes deste mundo, em que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade vão se tornando cada vez mais complexos, por conseguinte, as criações das experiências físicas acerca da sabedoria na mesma proporção de complexidade. Mas o fato é que em cada uma das coordenadas universais, as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos são convergentes umas com as outras, como não poderia jamais ser diferente.

Isto se explica pelo fato dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade serem absolutos, imutáveis, ontológicos, incriáveis, por isso eles formam um todo que diz respeito a cada uma das coordenadas universais, sendo, pois, os mesmos para todas as demais coordenadas, sem que haja qualquer variação, apenas com eles se estendendo cada vez mais, à medida que as coordenadas vão se elevando para os pontos mais distantes do Universo. Isto implica em dizer que todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tendo as suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, possibilitam adentrar na fase da concepção, em que nela se formulam ideias que se associam umas com as outras. E como as ideias se associam umas com as outras, é óbvio que a verdade e a sabedoria, coordenadas pela razão, ficam assim associadas, pois que adredemente ligadas uma com a outra.

Há também o fato dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade estarem ligados diretamente às leis espaciais, pelo fato destas serem também absolutas, naturais e imutáveis, pois que são provenientes da propriedade da Força. E o fato das experiências físicas acerca da sabedoria estarem ligadas diretamente aos princípios temporais, pelo fato destes serem relativos, naturais e mutáveis, pois que são provenientes da propriedade da Energia. Assim, em cada uma das coordenadas do Universo, as suas leis têm os seus correspondentes princípios. E como as leis formam um todo estando ligadas aos princípios, pois que ambos coordenados estabelecem as regras que normatizam as condutas dos espíritos em cada uma das coordenadas universais, é óbvio que todas as regras se associam em todas as coordenadas universais. É a legislação que deve viger por todo o Universo.

E aqui se encaixa perfeitamente o fato de como cada uma das coordenadas do Universo assume uma cor que lhe é própria, para que assim elas possam se encontrar associadas em conformidade com os padrões de cores, em que as coisas que formam os mundos vão assumindo as cores mais próximas de cada padrão de cor, ficando gravitando ao seu redor, estando dispostas segundo uma ordem decrescente de tonalidade, que parte do núcleo identificador do padrão de cor, formando a primeira orbital, até a sua periferia, formando a última orbital, com esta fazendo fronteira com aquela que assumiu uma outra cor mais próxima de si, mas que pertence a outro padrão de cor, a fim de que possa haver a associação, e assim sucessivamente em todo o conjunto universal, para que não haja qualquer conflito ou discordância, o que levaria fatalmente a uma contradição de ideias.

Tomemos como o exemplo mais próximo deste mundo o Sol. É sabido que o Sol é formado pelas propriedades da Força e da Energia, que por sua vez formam o Universo e fornecem as suas coordenadas. Então o Sol representa uma das coordenadas universais, por isso ele possui um padrão exclusivo e característico da sua própria cor padrão. Assim, tudo aquilo que se encontra sob a sua dependência vai assumindo um padrão de cor característico à cor padrão que ele representa. Note-se, porém, que a cor padrão do Sol diz respeito diretamente à nossa luz astral, e não aos olhos da cara, pois que estes não conseguem discernir a parecença das nuances das diversas cores padrões universais.

Essa combinação entre as propriedades da Força e da Energia que forma o Sol, forma também os fluidos, através dos quais os seres infra-humanos mais atrasados, que se encontram nos primeiros estágios evolutivos, vindos dos seus mundos que lhes são próprios para interagir uns com os outros e com os seres hidrogênios que formam este planeta, que são os seres mais atrasados que existem, vão assim se transformando e evoluindo por intermédio destas duas propriedades. Os fluidos provenientes do Sol contêm o magnetismo, a eletricidade e o eletromagnetismo, por onde podem ser identificados as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, respectivamente. Os preceitos são as regras de procedimento que determinam a conduta desses seres infra-humanos mais atrasados, quer dizer, são os ensinamentos que eles devem receber e as regras que eles devem seguir para que possam evoluir rigorosamente com ordem dentro das leis e dos princípios universais, minuciosamente em suas particularidades interativas, em conformidade com as instruções desses preceitos, já que eles evoluem somente por intermédio das propriedades da Força e da Energia, e ainda não por intermédio da propriedade da Luz, daí a razão desse preceituário nessa coordenada universal.

No entanto, há que se considerar neste mundo as presenças dos seres humanos, que produzem sentimentos e pensamentos. As produções dos sentimentos inferiores e superiores emitem vibrações magnéticas. As produções dos pensamentos negativos e positivos emitem radiações elétricas. E as produções dessas combinações emitem radiovibrações eletromagnéticas. Essas vibrações, radiações e radiovibrações são transportadas pelos fluidos produzidos pelo Sol e que envolvem este planeta, que vão alterar profundamente a atmosfera terrena, por conseguinte, as transformações dos seres infra-humanos mais atrasados que são os seus formadores. Daí a existência dos diversos tipos de ventos, inclusive das tempestades, dos furacões, dos tufões e dos ciclones tropicais, assim como também dos micro-organismos microscópicos que causam os mais diversos tipos de doenças e dos inúmeros tipos de insetos que são maléficos aos seres humanos e aos demais viventes. A conclusão que se pode tirar disso tudo é que a natureza trabalha naturalmente em prol dos seres humanos, mas em face da ignorância os seres humanos trabalham contra si mesmos, quando vibram sentimentos inferiores, radiam pensamentos negativos e radiovibram as suas combinações.

Então, em nossa concepção, devemos formular uma ideia geral de que o Sol possui a sua própria cor padrão, com esta ideia geral estabelecendo um princípio de onde devem partir todas as demais ideias. Sabemos que o Sol é formado pelas propriedades da Força e da Energia que formam o Universo, então o Sol representa uma das suas coordenadas que tem a sua própria cor padrão. Neste caso, como sendo uma das coordenadas do Universo, o Sol contém o espaço, onde no Espaço Superior estão contidos todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que lhe dizem respeito, e contém o tempo, onde no Tempo Futuro podem ser criadas todas as experiências físicas que lhe dizem respeito, com ambas sendo coordenadas pela razão, por onde se pode formular as ideias a respeito de todo o Saber que lhe corresponde. Partindo da ideia geral de que o Sol possui a sua própria cor padrão, estas ideias formuladas se associam no mesmo padrão de cores, para que assim não haja qualquer conflito ou qualquer discordância entre elas, pois no âmbito das ideias não ocorrem as contradições. Como visto, isto decorre do fato de que a concepção é formada pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e pelas experiências físicas correspondentes acerca da sabedoria, que assim vão associando os mesmos padrões de cores, os quais têm que ser coordenados pela razão.

Em outras coordenadas mais distantes do Universo, que tanto podem se situar abaixo ou acima desta coordenada fornecida pelo Sol, na esteira evolutiva universal, as propriedades da Força e da Energia também se encontram combinadas em diversos outros estágios, formando outras estrelas, cada uma com o seu próprio padrão de cor, em que a concepção também permite as formulações de ideias associadas umas às outras e com as demais coordenadas universais. Note-se que partindo de uma determinada coordenada universal que tem a sua própria cor padrão, que é a sua ideia geral, as demais cores vão se formando em gradações sutis para todas as suas nuanças, que representam cada uma das diversas cores matizes, em suas inúmeras tonalidades, mas sem cambiantes em furta-cor, que apresenta cor diversa segundo a luz projetada, pois que no Universo não existem cores indistintas ou indecisas, que representam as demais ideias que são associadas à ideia geral.

E assim, como a partir de uma determinada coordenada do Universo, que possui a sua própria cor padrão, em que as suas demais cores vão se formando em gradações sutis, também nas demais coordenadas do Universo que possuem as suas cores padrões, todas se associam umas às outras, como se fosse um gigantesco calidoscópio, permitindo uma concepção universal, em que todas as ideias universais se associam umas com as outras.

Com esta explanação acerca deste assunto, fica compreendida então a razão pela qual a obra básica doutrinária racionalista cristã denominada de A Vida Fora da Matéria demonstra em várias das suas gravuras as formas astrais superiores.

A aura do espírito varia de cor de acordo com a produção dos seus sentimentos, que emitem vibrações magnéticas, da produção dos seus pensamentos, que emitem radiações elétricas, e das combinações dos seus sentimentos e dos seus pensamentos, que emitem radiovibrações eletromagnéticas, em que se demonstram claramente o estágio evolutivo em que ele se encontra no momento, pois que os espíritos pertencem a Mundos de Luz que gravitam em torno de uma estrela, que por isso possui o seu próprio padrão de cor, fornecendo assim uma das coordenadas do Universo.

É óbvio que o espírito não possui a forma humana, mas pode assumir a forma que quiser, pelo fato do seu corpo fluídico ou perispírito ser composto das propriedades da Força e da Energia, e como estas formam os fluidos, ele então se utiliza da produção dos seus sentimentos, através do seu criptoscópio, e da produção dos seus pensamentos, através do seu intelecto, para modificar o seu corpo fluídico ou perispírito, podendo assumir assim qualquer forma que queira, consoante a necessidade, desde que esteja em conformidade com o seu corpo de luz, pelo qual ele se utiliza das produções da amizade e do amor espirituais, através da sua consciência. A gravura abaixo representa uma das muitas formas Astrais Superiores observadas em uma das sessões nas casas racionalistas cristãs.

Os espíritos superiores habitam em seus Mundos de Luz, os quais se encontram em conformidade com as coordenadas do Universo, por isso as suas formas astrais podem ter mais de uma cor, de acordo com o significado que eles quiserem assumir, cujas cores devem corresponder àquelas que dizem respeito aos seus Mundos de Luz e aos que se situam mais abaixo, mas jamais aos que se situam acima, sendo que todas as suas cores são mantidas com a nitidez exigida e o grau de perfeição que lhes dizem respeito, enquanto esse significado não tiver que ser alterado. A figura abaixo mostra uma dessas formas.

Nas figuras astrais de espíritos superiores, pode-se observar que os seus traços geométricos vão se tornando cada vez mais perfeitos, pois à medida que os espíritos forem evoluindo rumo à perfeição, opera-se uma mudança nos traços geométricos, na cor e no aroma que lhes são próprios, em razão da evolução permitir que eles ascendam às coordenadas do Universo mais distantes. Neste caso, não intervém a sua vontade na revelação desses três requisitos espirituais de identificação, pois que tanto os traços geométricos, como a cor e o aroma devem corresponder às novas coordenadas do Universo em que eles se encontram.

As figuras geométricas permitem que os espíritos que pertencem a um mesmo Mundo de Luz formem um todo integrado e harmônico, o qual representa a figura do próprio Mundo de Luz, que vai se aperfeiçoando cada vez mais, em que eles ficam interligados pelas produções da amizade e do amor espirituais, ou então apenas pelo amor espiritual, conforme seja o seu estágio evolutivo, com todos produzindo raios de luz. A cor corresponde ao estágio evolutivo em que os espíritos se encontram, consoante o padrão de cor da coordenada do Universo. E o aroma é característico da evolução espiritual alcançada, pois todos os seres possuem o seu próprio aroma, como se pode comprovar até no ambiente terreno, em que cada local tem o seu próprio aroma. A figura abaixo demonstra uma das formas geométricas astrais.

Na figura abaixo se veem mais três formas astrais de espíritos superiores. Na primeira delas se pode observar que a luz astral do espírito se encontra associada a uma cor, que tanto pode corresponder à cor do seu próprio Mundo de Luz como a de um outro Mundo de Luz inferior ao seu, já que ele pode assumir a cor de outra coordenada do Universo que se situa abaixo da sua coordenada de origem. Nas duas formas astrais seguintes, pode-se observar a existência de alguma semelhança entre ambas as figuras geométricas, mas elas diferem fundamentalmente uma da outra, assim como também na cor e no aroma, por onde fica eliminada a possibilidade de qualquer confusão. Assim como na Terra, entre bilhões de seres humanos, não há dois exatamente iguais um ao outro, no Astral Superior igualmente se dá o mesmo, não existindo dois espíritos com a mesma identificação. Os espíritos não podem se igualar nas formas e nos tamanhos dos traços geométricos das figuras adotadas ou assumidas, e nem nas nuanças das cores e nos aromas, pois estes três traços característicos são resultantes do processo de evolução, por isso são peculiares a cada espírito. Isto se explica em razão dos espíritos não serem detentores dos mesmos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e se estes forem similares, não iguais, posto que eles são captados do espaço, as suas experiências físicas acerca da sabedoria são totalmente diferentes, posto que elas são criadas no tempo, e como a verdade e a sabedoria vão formando o Saber, por excelência, por onde se alcança a razão, os Saberes, por excelência, obviamente são diferentes uns dos outros.

Os números das associações para as formas geométricas, as cores e os aromas são incontáveis. A forma astral abaixo se aproxima de uma elipse, mas bastou seccionar uma pequena parte para que ela assumisse uma forma especial e individual.

A forma Astral Superior abaixo é uma das que comumente são presenciadas por médiuns videntes durante as sessões públicas que se realizam nas casas racionalistas cristãs. Note-se que os espíritos de luz que integram a plêiade do Astral Superior vibram pelo magnetismo os sentimentos superiores, radiam pela eletricidade os pensamentos positivos, radiovibram pelo eletromagnetismo as suas combinações e raiam pela luz a amizade e o amor espirituais, por isso existe a lei da afinidade, o princípio da atração e o preceito da integração entre eles, que nessa associação mútua forma essa figura posta abaixo.

Como os espíritos de luz que integram a plêiade do Astral Superior vibram pelo magnetismo os sentimentos superiores, radiam pela eletricidade os pensamentos positivos, radiovibram as suas combinações e raiam pela luz a amizade e o amor espirituais, nessas vibrações, radiações, radiovibrações e raiações eles podem se unir para formar uma corrente imensamente poderosa e sintonizada. Assim, as figuras assumem uma maior amplitude e uma maior complexidade, mas sem que nunca percam as linhas harmônicas do conjunto. A gravura abaixo demonstra um desses conjuntos, circundado por uma plêiade de outros espíritos que tomam parte em uma determinada ação integrada, em função da corrente que foi formada.

Este é o edifício que representa a sede do Racionalismo Cristão no planeta Terra, que se encontra recebendo as vibrações, as radiações, as radiovibrações e as raiações do Astral Superior na hora determinada para as sessões públicas que nele se realizam. A corrente formada pelo Astral Superior sobre o edifício, no interior do qual se encontrava uma assistência de cerca de 3.000 pessoas, era organizada, na medida das necessidades, consoante a maior ou menor afluência dos espíritos quedados no astral inferior, acompanhando muitos dos que aportaram ao Racionalismo Cristão, em busca dos esclarecimentos espirituais, ou então sendo arrastados dos locais em que se encontravam, praticando toda a sorte de crimes. O interior da figura cônica da gravura abaixo é um campo poderosíssimo de atração, para onde são arrastados e conduzidos aos seus respectivos Mundos de Luz muitos espíritos obsessores quedados no astral inferior. No interior do edifício, junto ao estrado, ficam apenas alguns desses espíritos, conservados ali pelo Astral Superior até o fim das doutrinações, para que se expressem, através dos médiuns, demonstrando para todos os presentes os seus estados psíquicos, para o estudo e a análise da vida no planeta, sobre os seus múltiplos aspectos.

Por diversas vezes eu tenho afirmado que iria mostrar as imagens dos espíritos quedados no astral inferior. Eu sou perfeitamente ciente de que muitos duvidam destas minhas afirmativas, pois que não atentaram para o fato de que por diversas vezes em também citei a afirmativa de Luiz de Mattos de que duvidar é grave. Mas essa dúvida é compreensível, embora tenha lá a sua gravidade, pois que se encontrando na fase da imaginação, embora raciocinando através das representações de imagens, os seres humanos não conseguem imaginar como pode ser possível a formação das imagens desses espíritos. Então que todos prestem bem atenção como pode ser realmente possível as formações dessas imagens.

As vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas emanam das auras de todos os seres, propagando-se em forma de ondas através dos fluidos, formando imagens fluídicas, sendo justamente essas imagens fluídicas que vão se alojar na atmosfera terrena, podendo ser visíveis aos olhos da cara de todos os seres humanos, em conformidade com as suas faculdades mediúnicas.

Embora poucos acreditem, o que aqui pouco importa, existem diversos tipos de mediunidade, tais como a mediunidade de vidência e de audição, como são provas essas mediunidades em Abraão e Moisés, que viam e falavam com os espíritos quedados no astral inferior, tais como Jeová e os seus anjos do mal, em Maomé, que via e falava com anjos, em Joana D’Arc, a heroína francesa, que via e falava com as suas santas, que, na realidade, eram espíritos integrantes do Astral Superior, e outros exemplos. Existe a mediunidade de incorporação e outras mais. Todos os seres humanos, sem qualquer exceção, possuem alguns tipos de mediunidade, pois que o paladar, a audição, o olfato, a visão, o tato, são também tipos de mediunidade, sendo a intuitiva comum a todos. E todas essas mediunidades ocorrem de aura para aura, através das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas.

Mas eu quero me referir aqui à mediunidade de sonoplastia, que os estudiosos denominam de sinestesia, palavra derivada do grego syn, que significa união ou junção, e esthesia, que significa sensação, a qual eles consideram como sendo a relação de planos sensoriais diferentes. Através da mediunidade de sonoplastia, ou da sinestesia, os seres humanos conseguem ver o som. Mas vamos saber algo mais acerca desta mediunidade, que os estudiosos denominam de sinestesia.

O termo sinestesia é utilizado pelos estudiosos para descrever uma figura de linguagem, mas como geralmente todos eles apenas imaginam, sendo afeitos somente à ilusão da matéria, a sinestesia é também considerada como sendo uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica, mas eles não explicam a causa dessa condição neurológica.

Mas antes de continuar, deve ser esclarecida uma certa confusão em relação aos termos sinestesia e cinestesia. Em 1976, Dorsch, e, em 1998, Michaelis, vêm se referir ao termo sinestesia em relação direta a uma sensação secundária que acompanha uma percepção, ou seja, uma sensação em um determinado lugar que é originária de um estímulo proveniente de um outro estímulo proveniente de terceiros. Em 1998, Michaelis vem se referir ao termo cinestesia em relação direta ao sentido muscular, a um conjunto de sensações que nos permite a percepção dos movimentos.

Como figura de linguagem, a sinestesia é uma figura de estilo ou semântica que designa a união ou a junção de planos sensoriais diferentes, tal como a metáfora ou a comparação por símile, são relacionadas entidades de universos distintos, quer dizer, a sinestesia, como figura de linguagem, é o cruzamento dos sentidos, a qualidade de um sentido atribuído a outro, que assim passa a ser uma expressão típica de uma determinada categoria de poetas. Quanto mais sentidos forem cruzados em apenas um sintagma, ou sob uma única conjunção sensorial, tanto mais rica será a frase ou a poesia sinestésica. Tomemos alguns exemplos:

  • Vamos respirar o ar verde das plantas.
    • Respirar se liga ao olfato e verde se liga à visão, no sentido das cores.
  • E um doce vento, que se erguera, punha nas folhas alagadas e lustrosas um frémito alegre e doce” (Eça de Queiroz).
    • Doce se liga ao paladar, punha se liga ao tato.
  • A melodia do pianista era doce e rósea em suas sublimes imensidões” (Giuliano Fratin).
    • Melodia se liga à audição, doce se liga ao paladar e rósea se liga à visão.
  • Estende a mão trazendo a chuva, tocando o som do trovão” (Tiago Iorc).
    • Tocando se liga ao tato e som se liga à audição.

A aura é o campo que circunda os corpos fluídicos de todos os seres, sendo através da aura que tudo se comunica no Universo, por isso todas as comunicações entre os seres ocorrem de aura para aura. Sem que os seres humanos venham a conhecer profundamente a natureza das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas, que emanam da aura, nenhum conhecimento poderá ser possível, seja em que campo for a área de estudo. Por isso, no que se refere ao estudo da sinestesia, todos os seus estudiosos passam ao largo da sua verdadeira natureza. Senão vejamos:

Em 1993, Charles Baudelaire e os partidários de uma ruptura com a estética clássica do período simbolista, no âmbito da história e da arte, constituíram-se como sendo os precursores de uma nova imaginação estética, que mais tarde romperia as fronteiras do academicismo vigente, incentivando o surgimento de manifestações cada vez mais independentes neste campo de estudo. Neste contexto de mudanças, pode-se observar que os poetas simbolistas e pré-simbolistas propõem um retorno ao subjetivismo e à sensorialidade, em oposição à objetividade científica e ao materialismo, sendo neste contexto que a sinestesia se configura no conjunto das propostas simbolistas.

Segundo Tornitore, Charles Baudelaire defendia a existência de uma relação entre os domínios sensoriais, através da denominada Teoria das Correspondências. Para o poeta, determinados cheiros estão associados a um certo tipo de verde, anunciando uma expansão no âmbito da sensibilidade, onde é possível sentir um cheiro e ao mesmo tempo provar a doçura da música, ou ainda, ver uma cor em particular. Em resumo, ele defendia a proposta de que os sons, as cores e os cheiros estão “misteriosamente” correlacionados, e que esta correlação é intrínseca à natureza das coisas, portanto, potencialmente perceptível a todos os seres humanos e não necessariamente ligada à sensibilidade de alguns eleitos ou amaldiçoados. Por aqui, logo se pode constatar todas essas mediunidades, e se essa correlação é intrínseca à natureza das coisas, é porque todas as coisas se comunicam entre si de aura para aura, através das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas.

A sinestesia é um termo que se encontra em diversas áreas do conhecimento humano, embora todos estejam equivocados em relação ao termo. Em 1945, vamos encontrar em Silva um conceito que aponta para a produção de duas ou mais sensações sob a ação de uma só impressão, segundo o autor, em que uma das sensações aparece no ponto ou no órgão onde atuou a impressão, e onde as outras sensações se manifestam em órgãos afastados. Em 1964, Caldas Aulete, sob o campo da Medicina, define a sinestesia como sendo a produção de duas ou mais sensações por influência de uma só impressão. Em 1967, Machado define etimologicamente o termo como sendo o ato de perceber uma coisa ao mesmo tempo que outra, percepção esta evocada por sensações simultâneas. Em 1976, Dorsch vem comungar da mesma opinião, quando fala da possibilidade de aparecimento de sensações associadas por um estímulo real. Em 1998, no âmbito da literatura, Faraco & Moura definem a sinestesia como fazendo parte de uma rede semântica de figuras de linguagem muito característica do simbolismo, em que gera uma associação entre uma sensação e uma outra sensação, ou mesmo uma impressão, ou uma situação, enquanto propriedade de um discurso. Em 1999, Tornitore, em sua Teoria da História da Sinestesia, vem declarar que Pitágoras, Aristóteles e Newton já identificavam a presença de tal fenômeno no âmbito dos sentidos, no entanto, estando preso ao materialismo científico, tanto ele como o pesquisador americano Richard Cytowic, são unânimes em afirmar que o campo de estudos referente à sinestesia somente pode ser alargado a partir do desenvolvimento da neurociência, e, em particular, da neuropsicologia, bem como da tomografia computadorizada do cérebro, como se o cérebro fosse realmente detentor de tais qualidades, mas esse materialismo científico serviu de alguma utilidade, pois que colocou por terra as imaginações vigentes no século XIX, que consideravam a sinestesia como se fosse um monstro, uma anomalia, tal como se fosse um sinal da degeneração da raça humana. O dicionário Aurélio define a sinestesia como sendo a relação subjetiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertença ao domínio de um sentido diferente, por exemplo, um perfume que evoca uma cor, um som que evoca uma imagem. Os demais estudos acerca da sinestesia são todos infrutíferos, pois que são direcionados ao cérebro, e não à alma.

Pode-se concluir, então, que todas as coisas se comunicam entre si, e esta comunicação ocorre por intermédio da aura. Das auras de todas as coisas emanam as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas em formas de ondas, que são captadas pelas auras das demais coisas, inclusive pelas auras dos seres humanos.

Em relação aos seres humanos, as vibrações, as radiações e as radiovibrações em formas de ondas geralmente são dirigidas diretamente aos órgãos do corpo carnal que lhes correspondem, como, por exemplo, as cores para os órgãos da visão, que são os olhos; os odores para o órgão olfativo, que é o nariz; os sons para os órgãos auditivos, que são os ouvidos; o sabor para o órgão do paladar, que é a língua. Todos esses órgãos são formados por coisas, as quais recebem essas ondas que são dirigidas ao cérebro, que as decodifica em sensações que se integram à alma do ser humano, por intermédio da sua aura.

No caso das mediunidades, como, por exemplo, da mediunidade de sonoplastia, os sons em forma de ondas são carregados pelos fluidos tanto para os órgãos da audição, que são os ouvidos, como para os órgãos da visão, que são os olhos. Então esses médiuns são capazes de enxergar os sons, além de ouvi-los.

Médiuns de sonoplastia contemplaram esta formação fluídica sobre uma orquestra que executava uma composição musical de Gounod. Pode-se aqui constatar que as vibrações, as radiações e as radiovibrações dos seres humanos, através dos instrumentos musicais, são transportadas pelos fluidos provenientes das combinações entre as propriedades da Força e da Energia, imprimindo formas e cores que as definem. No caso de uma orquestra em que há variações de sons, todos emitidos a um só tempo, as vibrações, as radiações e as radiovibrações se entrosam, formando os mais variados conjuntos. Porém, quando as vibrações, as radiações e as radiovibrações são provenientes de sentimentos inferiores e de pensamentos negativos, elas são transportadas em ondas pelos fluidos e imprimem formas e cores escuras diversas que as definem, passando a compor a atmosfera terrena, por isso os espíritos quedados no astral inferior podem se tornar visíveis através de imagens.

Nesta gravura abaixo se encontra a forma fluídica de uma orquestra executando uma música de Wagner, em que se pode constatar que as vibrações, as radiações e as radiovibrações diferem sempre umas das outras, assim como diferem as próprias composições musicais.

Já nesta outra gravura abaixo se encontra a forma fluídica de uma terceira apresentação de uma orquestra musical, que neste caso executava uma composição de Mendelssohn. Todas estas demonstrações se encontram ao alcance dos médiuns de sonoplastia já desenvolvidos, por isso não existe qualquer privilégio especial para esse tipo de vidência.

E assim se explica a existência do associacionismo, que em Saperologia é o sistema pelo qual os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não são provenientes dos espíritos, não são deles derivados, mas que foram por eles percebidos e captados do Espaço Superior, em virtude dos conhecimentos verdadeiros não serem criados, não serem inventados pelos espíritos, uma vez que sempre existiram, sendo, portanto, absolutos, ontológicos, imutáveis, perenes, não estando sujeitos a falhas ou a quaisquer deficiências decorrentes da imperfeição humana, ou mesmo dos espíritos. E são eles, juntamente com as correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, que irão formar as nossa concepção, de onde são formuladas todas as ideias a respeito do Universo. Daí a minha afirmativa de que verdade + sabedoria = razão.

As ideias que são formuladas por intermédio da nossa concepção não ficam estanques em nosso corpo mental, pois que elas fazem parte do nosso acervo espiritual, sendo os frutos da nossa inteligência, que se desenvolvendo cada vez mais através do raciocínio produz todos os mecanismos que sejam necessários para que possamos perscrutar o Universo, a fim de que possamos contemplar a natureza em todo o seu esplendor, em completa conformidade com a realidade universal, para que assim possamos pautar a nossa existência eterna em pleno acordo com ela, já que dela fazemos parte integrante, daí a razão pela qual a nossa existência não pode jamais se extinguir com a desencarnação.

Então as ideias passam a formar uma espécie de banco de dados, para que assim o raciocínio possa utilizá-lo segundo o seu grau de desenvolvimento. Em conformidade com as minhas observações relativas aos corpos mentais dos seres humanos mais destacados nos estudos transcendentais, o mais alto grau de desenvolvimento do raciocínio que eu pude constatar em relação ao banco de dados das ideias é o que eles denominam de associacionismo. Mas como o grau de desenvolvimento desse raciocínio ainda não é elevado o suficiente para se trabalhar com o banco de dados das ideias, eu então sou obrigado a primeiro explanar a descrição do associacionismo, para somente depois então explanar como se deve realmente trabalhar com ele, através do raciocínio, para que assim se possa formar a sinopse do conjunto.

Segundo o que se encontra posto nos compêndios, o associacionismo é uma doutrina que procura explicar a forma como se realizam os conhecimentos por associação de ideias, ou ainda, a explicação dos fenômenos psicológicos pela associação de ideias. Note-se que o termo associar assume a conotação de agregar, juntar, unir, irmanar, congregar, e não combinar, pois que a combinação faz parte da imaginação, que combina as imagens que foram reunidas em uma certa disposição, postas em certa ordem, mas que à medida que elas vão se alterando mudam constantemente a essas combinações, o que implica em dizer que a imaginação vai se transformando com o decorrer do tempo. É por isso que a comunidade científica afirma que os seus conhecimentos científicos não são definitivos, sendo passíveis de alterações, e assim realmente é, porque todos os conhecimentos científicos são provenientes da imaginação, decorrentes das combinações de imagens, que foram reunidas em certa disposição, postas em certas ordem, que vão se alterando quando mudam as suas combinações.

No entanto, não é bem assim, pois que no associacionismo não se realizam conhecimentos. Na realidade, no associacionismo se tem a concepção dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que formam um todo, e das experiências físicas acerca da sabedoria, que se correspondem com esse todo, havendo uma coordenação por parte da consciência, o que possibilita a formação das ideias, por isso elas se associam, já que se harmonizam, integrando-se umas com as outras.

E como o termo associar se refere à união, à irmanação, à congregação, é a associação das ideias que vai estabelecer uma correspondência unívoca que se aplica às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais de maneira absolutamente idêntica, ou seja, sem contradições, que só comporta uma forma de interpretação, sendo por isso que as ideias interagem umas com as outras em entendimentos recíprocos, o que enseja a que elas se interliguem em total e plena harmonia, pois que se encontram ligadas em qualquer conjunto que se queira representar isoladamente, ou mesmo se encontrando ligadas em conjuntos diversos.

Agora eu vou discorrer um pouco sobre o que os homens mais destacados nos estudos transcendentais entendem sobre o que seja o associacionismo. Embora eles não tenham conseguido chegar ao seu verdadeiro entendimento, as suas tentativas por descrever todo o mecanismo da associação de ideias é válido, e serviu como pioneirismo acerca do assunto.

Os saperólogos ou os ratiólogos são obrigados a investigar e a pesquisar tudo aquilo que os veritólogos transmitem, pois que são os verdadeiros explanadores da verdade. E foi cumprindo com as suas obrigações de saperólogo que Farias Brito investigou e pesquisou praticamente todos os veritólogos, e apesar de não haver logrado se encontrar com a verdade, pois que não se deparou com a doutrina do Racionalismo Cristão, mesmo assim deixou os seus próprios comentários racionais sobre o que muitos veritólogos transmitiram.

Nesses seus comentários racionais, o notável e erudito saperólogo cearense, orgulho da nossa terra natal e de toda a nação brasileira, afirma que a associação das ideias, que é a base da escola experimental inglesa, tinha sido já afirmada por Hume, mesmo com este tendo também afirmado acertadamente que o universo em que se encontra toda a nossa humanidade é o universo da imaginação, declarando ao mesmo tempo que nem ele e nem a nossa própria humanidade possui qualquer ideia daquilo que seja produzido fora desse universo imaginativo. E essa afirmação de Farias Brito, nós vamos encontrar em sua obra Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 121 e 122, quando ele assim se expressa:

… as nossas ideias… estão subordinadas ao princípio da associação. Sem que para isso concorramos por nossa atividade, sem que mesmo tenhamos disto consciência, as nossas ideias se associam, ligam-se por uma espécie de encadeamento indissolúvel (grifo meu); e é por este modo que se formam todas as nossas ideias, tanto dos fenômenos da natureza, como dos fenômenos do espírito… Vê-se por aí que a teoria da associação das ideias, que é a base da atual escola experimental inglesa, era já conhecida e sustentada em seus fundamentos por Hume”.

Meu Deus! Eu fico por demais encantado, deveras maravilhado com os corpos mentais altamente desenvolvidos desses grandes vultos da nossa humanidade, em que os seus atributos individuais superiores e relacionais positivos emergem à tona para destacar a grandeza das suas intenções em ajudar a esclarecer aos seres humanos. Como isso me traz felicidade!

Farias Brito, o ilustre saperólogo cearense, vem me poupar de desprender ainda maiores esforços para me certificar sobre o que entendem os grandes homens acerca do associacionismo, apesar de todos eles ainda serem cativos da imaginação, mas mesmo assim o que eles transmitem têm as suas grandes utilidades. Então, muito alegre, bastante satisfeito, realmente contente, eu vou reproduzir literalmente alguns trechos essenciais daquilo que ele escreveu acerca do assunto, conforme consta em sua obra Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 247 a 296, de acordo com o seguinte:

“‘Quando um homem vendo, ouvindo ou por qualquer outro dos seus sentidos percebendo uma coisa, não somente conhece o objeto que por tal modo percebe, mas ao mesmo tempo é levado a pensar em outro que depende da mesma maneira de conhecer, não é razoável dizer que esse homem se lembra do objeto que lhe veio ao espírito?’. A pergunta é de Platão. Fazê-la é já ter um pressentimento, senão uma intuição mais ou menos geral da lei da associação das ideias. E Platão deve ser com efeito considerado como um dos precursores da moderna concepção filosófica que elevou esta lei à categoria de uma grande doutrina. Nada fez, é verdade, de modo a concorrer para as soluções contemporâneas; mas cabe a ele a glória de ter sido o primeiro a formular o problema, sendo de notar que chegou mesmo a distinguir dois casos particulares de associação: aquele em que, tendo-se percebido ao mesmo tempo dois objetos, a ideia de um evoca a do outro (lei de contiguidade no tempo); e aquele em que se tem a reminiscência do objeto, partindo, ora de coisas semelhantes, ora de coisas dissemelhantes (lei de similaridade), conforme a tecnologia moderna.

Foi Aristóteles o primeiro que chegou a ter consciência clara e distinta da verdadeira significação da doutrina. Platão pressentiu de certo modo o seu elevado alcance; mas Aristóteles foi mais longe e fez abertamente da associação de ideias a base da reminiscência. Entrou mais fundo na observação dos fenômenos, dando mais uma vez uma prova do seu admirável espírito. É assim que Hamilton o considera como tendo sido o verdadeiro criador das grandes leis da associação. É certo que a autoridade de Hamilton não pode ser aqui invocada, sendo que esse eminente pensador não entrou senão incidentemente no exame desta teoria, devendo portanto ser excluído do célebre grupo de pensadores a que se poderia dar o nome de ‘tradição associonista inglesa’. Mas a sua afirmação é, sobre este ponto, confirmada por Bain e por Stuart Mill.

A lei da associação das ideias foi também conhecida e proclamada pelos epicuristas e pelos estoicos que chegaram a fazer dela a base do conhecimento; mas é só a Aristóteles que se pode atribuir a sua verdadeira compreensão psicológica; isto desde a antiguidade até a filosofia moderna que, como se sabe, pelos órgãos dos representantes da escola experimental inglesa, elevou essa lei à altura de princípio fundamental da psicologia.

Descartes fê-la dependente da união da alma e do corpo, envolvendo-a por esse modo na velha questão que constitui o interminável conflito do espiritualismo. E foi daí que partiu para o estabelecimento de uma teoria fisiológica muito imperfeita e confusa a que deram maior desenvolvimento Malebranche e Spinoza.

É com Hobbes que verdadeiramente começa a progressão crescente da teoria associacionista, que submetendo a variedade infinita da fenomenalidade mental a um número limitado de leis, termina por se elevar à categoria de princípio exclusivo da vida do espírito. A série de fenômenos psíquicos (discursus mentalis) se reduz a uma série de movimentos físicos que se encadeiam. O pensamento é uma combinação de imagens (aqui os estudiosos que Farias Brito analisa demonstram claramente que não distinguem a imaginação da concepção, digo eu); estas dependem das sensações e as sensações por sua vez são um resultado do movimento (excitação), sendo que a ordem das ideias, reprodução da ordem das sensações (não existem ideias pelas sensações, digo eu), prende-se em última análise aos movimentos do cérebro. Tudo se explica por um processo uniforme e harmônico de que resulta a unidade na multiplicidade. É assim que cada pensamento que aparece, é segundo Hobbes, em virtude da coesão da matéria em movimento, acompanhado dos pensamentos que domina, anteriormente adquiridos. Mesmo a indagação do desconhecido se reduz a uma série de investigações que vão do antecedente ao consequente e do consequente ao antecedente; e as relações de semelhança e diferença, de tempo e de espaço, de meio e de fim, de causa e de efeito.

A Hobbes se segue Locke; a Locke se segue Berkeley. Em Hobbes a teoria associacionista se prende ao materialismo. É o que não se pode chamar um simples acidente. Pelo contrário, esta inclinação da teoria da associação para o materialismo é o que resulta, por assim dizer, de uma predisposição natural do método empírico. Todavia, Locke e mais acentuadamente Berkeley seguem direções diferentes. Locke admite certos princípios que são igualmente sustentados por Hobbes; fala também neste mesmo discursus mentalis de Hobbes, que deve ter o seu substratum no cérebro; mas recusa em absoluto qualquer semelhança entre as ideias e o movimento, ou mais precisamente entre o espírito e a matéria. Reconhece, porém, a elevada significação da lei de associação; e se bem que não se ocupe em parte alguma da dupla relação a que hoje se dá o nome de associação separável e associação inseparável, não é senão a esta mesma relação que se prende mais ou menos diretamente a distinção por ele feita entre as qualidades primárias e as qualidades secundárias da matéria.

Berkeley ainda está mais longe do materialismo que Locke. Não se ignora que um dos caracteres essenciais do seu sistema é a negação mesma da matéria. Mas ainda debaixo deste pondo de vista reconhece também a influência da associação. O nosso espírito recebendo as ideias é passivo; mas as ideias mesmas sendo percebidas (leia-se compreendidas, digo eu) têm a propriedade de se reunir formando grupos. Estes estão sujeitos a relações que só podem ser conhecidos pela frequência da sua coexistência e sucessão. Daí a influência do hábito e a necessidade da experiência que é o único guia capaz de nos habilitar para perceber (leia-se compreender, digo eu) as inúmeras distinções que se estabelecem na conformidade da maior ou menor constância com que se dá a coexistência ou sucessão das ideias.

Locke e Berkeley pressentem, pois, já o grande papel que havia de representar na psicologia inglesa, a lei da associação das ideias. Mas os verdadeiros fundadores da doutrina associacionista, os que compreenderam toda a sua extensão e a prepararam para o desenvolvimento extraordinário a que finalmente chegou, foram David Hume e David Hartley.

Quanto ao primeiro já tivemos de ver que a associação das ideias é, segundo ele, a lei fundamental do espírito humano (grifo meu). Desnecessário é, pois, insistir. Todavia, é bom observar que foi ele quem abriu caminho a Stuart Mill. E foi deste modo que o maior representante moderno do ceticismo teve a glória imortal de ligar o seu nome às duas grandes correntes da metafísica moderna: o associacionismo britânico e o idealismo transcendental alemão. Hume foi ao mesmo tempo o precursor de Kant e o pai espiritual de Stuart Mill.

Hartley teve sobre Hume a vantagem de fazer da lei de asssociação das ideias o objeto particular das suas cogitações. ‘Examinando o poder da associação’, diz ele em seu livro Observações Sobre o Homem, ‘fui levado a estudar as suas consequências em moral e religião, como suas causas físicas… Reuni aqui sobre este assunto todos os meus escritos, dando-lhes a ordem que se me afigurou mais natural, e acrescentando o que me pareceu necessário para deles fazer um todo completo e sistemático’. A teoria das vibrações que lhe foi sugerida por Newton corresponde a teoria das ideias, tal como lhe foi transmitida por Locke. As ideias como as vibrações se associam (assim como as radiações e as radiovibrações, digo eu); e tratando de submeter a exame os fenômenos do espírito, submete-os a uma longa análise, terminando por assegurar que tudo se reduz na vida mental a relações de coexistência e sucessão.

Continuada por Zanoti, Joseph Priestley e Erasmo Darwin, antepassado e precursor do grande Darwin, fundador da teoria da seleção natural, foi afinal a doutrina da associação definitivamente restaurada por James Mill, ao qual se seguem imediatamente os representantes atuais: Alexandre Bain, Stuart Mill, Herbert Spencer. Costuma-se mesmo dizer: Hartley foi o primeiro e James Mill o segundo pai do associacionismo. James, entretanto, não fez senão seguir uma direção que já antes fôra prevista e indicada por Thomas Brown.

Hoje, a associação das ideias já não é simplesmente uma lei psicológica, porém uma filosofia. POR ELA SE EXPLICAM AS OPERAÇÕES MAIS SIMPLES, COMO AS MAIS ELEVADAS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO (grifo e realce meus). Os grandes processos mentais, a inteligência, a razão, o conhecimento, são encadeamentos de associação; todas estas operações têm por base as manifestações fundamentais da sensibilidade, e a sensação por sua vez resulta de uma combinação de elementos nervosos inconscientes. A associação é, pois, o fato último a que tudo se reduz e pelo qual tudo se pode explicar. ‘O que a lei da gravitação é para a Astronomia, o que as propriedades elementares dos tecidos são para a fisiologia, as leis da associação das ideias o são para a psicologia’, afirma-o Stuart Mill.

Estamos, pois, em face de uma grande e poderosa doutrina QUE TERÁ DE ENTRAR COM VALIOSO CONTINGENTE PARA A CONSTITUIÇÃO DA CIÊNCIA DO FUTURO (grifo e realce meus). Com certeza a teoria ainda não se acha definitivamente estabelecida e terá que passar por modificações talvez radicais (através do Racionalismo Cristão, digo eu); mas o gérmen de grandes verdades se acha ali depositado.

A lei do mundo subjetivo foi descoberta, acreditam; resta aplicá-la com a devida perseverança na explicação dos fenômenos manifestados pela atividade psíquica. Desfez-se a obscuridade profunda das velhas indagações metafísicas. A alma deixou de ser uma entidade fantástica (grifo meu), passando a ser explicada como uma simples generalização do encadeamento dos fenômenos psíquicos, realizada em conformidade com as leis da associação das ideias. Foi assim introduzida a unidade no caos e, como por um novo prodígio, a luz se fez, não já em virtude do poder mágico da palavra divina, mas em consequência dos esforços do homem. O mundo objetivo e o mundo subjetivo passaram a ser compreendidos como duas correntes paralelas de manifestações naturais, nascidas ambas de uma fonte comum: as revelações da consciência (grifo meu). E no mundo objetivo tudo se reduz a movimento e tudo se explica por transformações do movimento; no mundo subjetivo tudo se reduz a representações e tudo se explica por combinações das representações (de imagens, complemento eu).

Hume havia reduzido todos os fatos da vida mental a estas três coisas: a impressão, a ideia e a ligação das ideias. Esta concepção, aceita por James Mill, interpretada e desenvolvida pelos modernos psicologistas, constitui ainda hoje a base da psicologia. A fórmula de James Mill é a mesma, havendo apenas mudanças de palavras: tudo se reduz a sensações, ideias e associações de ideias. A sensação é o fato primordial; a ideia uma cópia da sensação (a ideia não se liga à sensação, digo eu); e a associação das ideias, a lei que tudo regula e da qual se originam todas as operações do espírito. Eis em essência a teoria associacionista.

Louis Ferri em seu valiosíssimo livro La Psychologie de L’association (1883), faz a história desta doutrina considerando-a nos diferentes períodos do seu desenvolvimento, na seguinte ordem:

Precursores: Hobbes, Locke, Berkeley.

Fundadores: David Hartley, David Hume.

Continuadores: Zanoti, Priestley, Erasmo Darwin.

Restaurador: James Mill.

Representantes atuais: Alexandre Bain, Stuart Mill, Herbert Spencer.

Foi também esta mais ou menos a marcha que já antes seguira Ribot em sua Psychologie Anglaise Contemporaine. É a marcha geralmente seguida. E se tratando particularmente dos representantes atuais do sistema, costumam os historiadores e críticos considerar primeiramente Alexandre Bain, depois Stuart Mill, por último Herbert Spencer. É a ordem cronológica. Eu, porém, não pretendo propriamente escrever uma história da Filosofia da associação; mas apenas submetê-la a uma análise mais ou menos completa, de modo a poder apresentar uma ideia precisa das suas conclusões capitais. Por isto, contentar-me-ei com apresentar primeiramente as suas linhas gerais, no que me limitarei a consolidar os princípios de Bain na parte em que estes podem ser considerados como comuns a todos os grandes mestres do associacionismo. Depois tratarei de Stuart Mill, como representante do idealismo; e por último, de Herbert Spencer, como representante do realismo, na filosofia da associação.

LINHAS GERAIS: ALEXANDRE BAIN

Para Bain, como para todos os outros representantes da escola associacionista, a expressão ‘associação de ideias’ não é rigorosamente perfeita, porquanto não se dá associação somente entre ideias, mas também entre emoções, sensações, volições, em uma palavra, entre quaisquer estados mentais (além das ideias, estas últimas são combinações de imagens, já que as volições se ligam às ações, digo eu). Sensações, percepções, volições, ideias, todas estas, como quaisquer outras operações mentais, associam-se; e estas associações podem se dar não somente entre estados da mesma natureza, mas também entre estados de natureza diversa. Podem se dar associações de sensações com sensações, de ideias com ideias, de volições com volições, isto é, entre estados da mesma categoria; mas também de sensações com ideias, de ideias com volições, isto é, de estados de categorias diversas (as associações ocorrem somente entre ideias, as demais são combinações, digo eu). Neste sentido, a lei tem a maior amplitude e nada está fora do seu alcance.

Por aí já se vê que a teoria associacionista deixa inteiramente de lado como anacrônica e absolutamente imprestável, a velha doutrina das faculdades, tão largamente explorada pelos psicólogos da escola antiga. Pode-se fazer uma classificação dos fenômenos psíquicos distribuindo-os em grupos representados pelas expressões sensibilidade, inteligência e vontade; mas esses grupos são simples generalizações, estando longe de poder ser considerados como forças, isto é, como faculdades da alma. É uma coisa semelhante ao que se dá com os fenômenos físicos quando os representamos sob as denominações de peso, eletricidade, magnetismo, etc. Aqui também generalizações têm sido elevadas à categoria de personalidades.

A tendência a personificar, tão natural ao espírito humano, não tem produzido grandes abusos somente na psicologia, mas também na Física. A mitologia, o fetichismo, todas as formas antropomórficas do pensamento, não são senão personificações dos fenômenos da natureza, e deste modo todas as religiões (leia-se credos, digo eu) têm por fundamento uma concepção arbitrária do mundo, lançando as bases de uma física imaginária. A teoria das faculdades entra na mesma ordem de fatos; é um duplo antropomorfismo: reduz a personalidades os próprios elementos da personalidade.

Bain não entra propriamente no exame desta matéria que já supõe resolvida; não faz a crítica da teoria das faculdades, mas também essa crítica era desnecessária, feita no desenvolvimento geral das suas ideias. Sendo a sua exposição inteiramente fundada sobre as leis da associação, limita-se a dizer, tratando da inteligência, que abandonou a sua subdivisão em faculdades. E feita essa declaração, encaminha-se diretamente para o seu fim: cada fato que analisa, é uma forma particular da associação das ideias. Acima dos fatos inumeráveis que observa, estão as leis particulares que os regulam, e acima destas leis particulares está a lei geral, a propriedade irredutível dos elementos mentais em virtude da QUAL TODAS AS NOSSAS IDEIAS SE LIGAM, ENCADEIAM-SE, ASSOCIAM-SE (em conformidade com a cor padrão de cada uma das coordenadas do Universo, digo eu, que grifo e realço).

Se esta lei pode ser considerada em analogia com as leis reguladoras do movimento dos corpos, se podemos considerar os fenômenos psicológicos, uma corrente de fatos paralela e análoga à corrente dos fatos físicos, pode-se dizer que a psicologia se encaminha para o conhecimento da mecânica do espírito (grifo meu); e a fenomenalidade do espírito é regulada por uma perfeita mecânica, tão real e verdadeira como a mecânica dos corpos celestes.

Admitindo-se que a teoria das faculdades fosse uma simples classificação, sem que pretendesse elevar os diferentes grupos de fenômenos classificados, à categoria de entidades substanciais, seria um sistema perfeitamente tolerável; e tal é o método adotado para muitas outras ciências. Separam-se os fenômenos que são de natureza diversa, reúnem-se os que são da mesma natureza; e distribuindo por esse modo a mentalidade em grupos, consideram-se os diversos aspectos de uma só e mesma sucessão de fenômenos. Em tal caso não há no sistema, inconveniente nenhum, nem possível seria estudar fenômenos tão variados sem procurar classificá-los conforme certa ordem. É assim que devem ser consideradas as classificações de Bain.

Ribot faz em rápida síntese a exposição geral do ponto de vista de Bain, nas considerações que se seguem: ‘Entre a psicologia que liga os fatos intelectuais a algumas faculdades e a que os reduz a lei única da associação, há a mesma diferença que entre a física que atribui os fenômenos a cinco ou seis causas e a que liga o peso, o calor, a luz, etc., ao movimento. O sistema das faculdades nada explica porque cada uma delas é apenas um flatus vocis (expressão tradicionalmente atribuída a Roscelin, estudioso do Compiègne, desencarnado por volta de 1120, considerado o mais alto representante do nominalismo medieval, segundo a qual os conceitos universais não têm nenhuma realidade objetiva e são apenas nomes simples, ou seja, precisamente, de vocis flatos, sendo às vezes repetido na linguagem comum, referindo-os a discursos polêmicos, a sentido sem consistência ou promessas que não foram seguidas, digo eu), que só tem valor pelos fenômenos que encerra e nada mais significa além destes fenômenos. A teoria nova ao contrário, mostra que os diversos processos da inteligência não são senão as formas diversas de uma lei única; que imaginar, deduzir, induzir, perceber, etc., é combinar ideias de uma maneira determinada; e que as diferenças de faculdades não são senão diferenças de associação. Ela explica todos os fatos intelectuais, não à maneira da metafísica que reclama a razão última e absoluta das coisas; mas à maneira da física que só ambiciona a sua razão segunda e próxima’.

Bain não faz sistematicamente o estudo de cada uma das faculdades, mostrando pela análise dos seus elementos geradores que todas elas se originam da associação, mas esta ideia é subentendida por todas as suas doutrinas. Ele reduz a três os elementos primitivos da inteligência: o sentimento ou consciência da diferença (discernimento), o sentimento ou consciência da semelhança (similaridade), e a memória ou poder de reprodução (retentividade). Estas operações supõem já por si a lei da associação das ideias, resultando da combinação inconsciente de diversas atividades nervosas, e servem, ao mesmo tempo, de fundamento a todos os casos de associações mais complexas. O discernimento é o fundamento da memória e da associação por contiguidade; e, finalmente, a semelhança explica a abstração, o raciocínio, a generalização, etc.

A consciência, propriedade fundamental da atividade do espírito, princípio característico dos fenômenos psicológicos, é também um caso especial da lei de associação, porque nada mais é que o encadeamento dos nossos estados internos, consistindo na sucessão das ideias, sensações, volições, desejos, etc. E é da continuidade dos fenômenos psíquicos que resulta a unidade do espírito, como é da continuidade dos movimentos moleculares resultantes das leis de assimilação e decomposição nutritivas (turbilhão vital) que resulta a unidade orgânica. Os diferentes modos de associação podem ser reduzidos a dois grupos: o grupo das associações por contiguidade e o grupo das associações por qualidade. A expressão ‘associações por qualidade’ não é empregada por Bain; mas esta denominação parece preferível à que é geralmente adotada na escola, ‘associação por semelhança’, porquanto não se dá associação somente por semelhança, mas também por diferença ou contraste.

O grupo das associações por contiguidade compreende a associação sincrônica e a associação sucessiva. A primeira representa a existência simultânea; a segunda, a existência sucessiva. Uma resulta da contiguidade no espaço; outra, da contiguidade no tempo (grifo meu). As associações por qualidade compreendem a associação por semelhança e a associação por diferença ou contraste.

A estes dois grupos de associação, Bain acrescenta um terceiro: o das associações construtivas. O espírito não somente tem a propriedade de experimentar sensações, percebê-las e reproduzi-las, dando lugar às múltiplas operações de que resultam a memória, o conhecimento, etc., mas também por associação destas mesmas sensações e percepções, reproduzindo-as e combinando-as, pode se elevar à concepção de sensações possíveis, dando lugar a todas as maravilhosas produções da imaginação. Tal é um dos caracteres mais admiráveis da inteligência e é aí que o espírito vai encontrar elementos para as criações da arte. As associações construtivas são, pois, o fundamento da estética. Todos estes modos de associação se dão segundo certas leis de que as mais importantes podem ser formuladas assim:

I) Associações por contiguidade: Ações, sensações, sentimentos que se produzem conjuntamente ou se sucedem imediatamente, tendem a nascer conjuntamente, a aderir de tal modo que quando mais tarde um se apresenta ao espírito, os outros são também representados.

II) Associações por qualidade: Ações, sensações, pensamentos ou emoções presentes tendem a despertar as que lhe são semelhantes, ou antagônicas, entre as impressões ou estados anteriores.

III) Associações construtivas: Por meio da associação o espírito tem o poder de formar combinações ou agregados diferentes de tudo o que lhe foi apresentado no curso da experiência.

A teoria que fica exposta não pertence exclusivamente a Bain; constitui o fundo comum da doutrina associacionista. Ficam assim estabelecidas as ideias gerais do sistema. Foi daí que se fez o ponto de partida para o estabelecimento de uma nova psicologia, levantando-se na Inglaterra, incontestavelmente, um grande e monumental edifício com tendências para o idealismo em Stuart Mill e Bain, e para o naturalismo realista em Herbert Spencer. Com efeito, Mill, estudando a doutrina associacionista, limita-se a fazer o exame do mecanismo do espírito, colocando, como critério da verdade, acima das manifestações da matéria, o veredictum da consciência. Também para Mill a matéria, o mundo objetivo, é simplesmente uma possibilidade permanente de sensações. Spencer estuda o espírito em suas relações com o organismo e com a natureza inteira. O primeiro é o lógico e o psicólogo, o segundo é o naturalista da escola.

STUART MILL: O ASSOCIACIONISMO IDEALISTA

O associacionismo em Stuart Mill se transforma em uma crítica do conhecimento. Para esse eminente pensador as leis da associação são não somente uma teoria, porém um método de filosofar. As leis do pensamento, os princípios fundamentais da atividade psíquica, as noções da matéria e do espírito, as diferentes manifestações do espírito, as qualidades primárias da matéria, a resistência, a extensão, a figura, tudo isto é submetido a exame e tudo encontra nas leis da associação a sua interpretação natural.

Mill, como quase todos os grandes pensadores modernos, tratando de dar um fundamento durável ao que se pode chamar a determinação das verdades primárias do conhecimento, parte do testemunho direto da consciência. Em verdade é da consciência que devemos partir, é para a consciência que devemos apelar, sempre que tratarmos de submeter a exame qualquer fenômeno, quer de natureza subjetiva, quer de natureza objetiva (grifo meu). E se tudo depende de um certo número de verdades primárias, estas por sua vez não podem ser compreendidas senão como tendo ou pelo menos devendo ter o seu fundamento nas operações mesmas da consciência. Com efeito, A CONSCIÊNCIA É O FUNDAMENTO DE TODA A CERTEZA (grifo e realce meus). É por ela que sabemos que alguma coisa existe; é por ela que temos conhecimento da existência do mundo como da nossa própria existência (grifo meu). E tudo pode ser negado por um cético intolerante, as produções do espírito, como as evoluções da matéria, menos a consciência, porquanto negar, como afirmar, é fato que já por si depende da consciência, sendo que negar ou afirmar uma coisa, é dizer se essa coisa nos é ou não atestada pela consciência.

Sem a consciência nenhum conhecimento seria possível, sendo que conhecer um fato é ter ideia desse fato, isto é, é ter representação desse fato na consciência. Para conhecer é, pois, necessário remontar às revelações da consciência; e é de fato remontando às revelações da consciência que se estabelece todo o critério, como toda a certeza. Sem a consciência não poderia haver conhecimento da existência da matéria, como da existência do espírito, e o conceito da natureza seria mesmo impossível. As múltiplas combinações da matéria e da força dar-se-iam inutilmente no vácuo, se não houvesse uma consciência que as refletisse, transformando-as em conhecimento. O conhecimento seria mesmo um absurdo, pois que não haveria nenhum coração para sentir, como nenhum cérebro para pensar. E a natureza com todas as suas maravilhas, por mais que produzisse, por mais que fosse fecunda, desde que não pudesse ser conhecida, seria a mesma coisa que o nada.

É, pois, importantíssimo para a Filosofia e deve ser a sua principal preocupação INDAGAR DA VERDADEIRA SIGNIFICAÇÃO DA CONSCIÊNCIA (grifo e realce meus). É assim que todas as teorias do espírito humano se dão por interpretações da consciência, no dizer de Mill, sendo que é sobre este testemunho primeiro que elas direta ou remotamente repousam; e é o que a consciência diretamente nos revela junto às consequências legítimas das suas revelações, que compõe, como todo o mundo poderá certificar, o que sabemos do espírito e mesmo de todas as coisas (através do Racionalismo Cristão, digo eu).

A consciência é, pois, o fundamento do mundo, desde que, como não se poderá contestar, é o fundamento de todo o conhecimento. Contudo, conquanto seja certo que tudo dela depende, sendo que é por meio dela que tudo se conhece, não obstante, quase nada é o que dela mesma se sabe, sendo inúmeras as dificuldades com que se luta sempre que se trata de submetê-la a exame. Pode-se mesmo dizer que nada neste sentido há sido feito, sendo quase nulo o resultado a que hão chegado as mais ousadas tentativas de explicação.

O espírito humano nunca se dá por satisfeito. Vem de longe (grifo meu) e compreende que a sua viagem não tem fim, porquanto jamais se esgotará o campo de exploração da sua atividade. Mas ainda assim, nada sabe da natureza intrínseca das coisas e sempre que se esforça de chegar sobre este ponto a qualquer resultado, termina por fazer a confissão da sua impotência, reconhecendo por fim que nada pode afirmar sobre estes dois fatos que já Du Bois-Reymond apresenta como os limites do conhecimento da natureza e Lange considera como os limites inacessíveis do conhecimento em geral: a explicação última da mecânica dos átomos e a explicação última da metafísica da consciência (que o Racionalismo Cristão agora está explicando lógica e racionalmente, digo eu e grifo).

Estas duas explicações têm de fato se conservado até agora inacessíveis a todas as forças da inteligência e sempre que a elas pretendemos chegar, compreendemos que indefinidamente nos escapam, passando para o domínio da natureza intangível que impossível será, nas condições atuais e sem dúvida por muito tempo ainda, subordinar aos nossos mesquinhos processos de observação. E tratando de explicar particularmente a consciência, o mais que se pode fazer, é tratar de descobrir não em que ela consiste, mas unicamente quais as verdades elementares em que ela se resolve.

Tal é com efeito o ponto a que, por via de regra, se elevam os esforços da Filosofia. Procurando estudar a consciência os filósofos o mais que procuram fazer, é tratar de deduzir as verdades elementares, os dados primitivos do conhecimento, sendo que sobre este ponto não há mesmo divergência entre representantes dos diferentes sistemas. É assim que, tratando somente dos dois grandes métodos contemporâneos, se a escola crítica ou intuitiva, querendo estabelecer os limites do verdadeiro domínio filosófico, começa por abrir luta contra todos os precedentes do pensamento, para terminar reduzindo a metafísica unicamente a uma crítica do conhecimento, o mesmo faz a escola associacionista quando reduzindo a psicologia também a uma crítica do conhecimento, tudo pretende deduzir na vida do espírito, das múltiplas operações da lei da associação das ideias.

É de acordo com esse último sistema que Stuart Mill formula como ponto de partida das suas cogitações o seguinte princípio já estabelecido por Hamilton: ‘O primeiro problema da Filosofia é buscar, purificar, estabelecer pela análise e pela crítica do conhecimento os sentimentos e as crenças elementares em que são dadas as verdades elementares que todos possuem’. É isto realmente o mais que se pode conseguir nas condições atuais do pensamento, sempre que se cogita de explicar a significação da consciência. Passando daí tudo se perde no insondável e nada se pode estabelecer de positivo na Filosofia. Não obstante, desde que estudar as verdades elementares, os dados primitivos do conhecimento, é, em última análise, estudar a consciência, pode-se dizer que o primeiro problema da Filosofia consiste, no sentir de Stuart Mill e de Hamilton, em se esforçar por deduzir a verdadeira significação da consciência, isto é, em procurar dar a explicação, descobrir o segredo das verdades fundamentais do conhecimento.

Postas de lado as dificuldades insuperáveis do problema pela sua redução a estes limites mais restritos, tratemos de submetê-lo a exame, tendo em consideração as vistas particulares do método associacionista. Tudo se reduz a uma simples dedução dos chamados princípios fundamentais, de modo a se poder estabelecer um critério seguro da verdade. Parece tudo isto muito simples, mas em verdade não o é; e para chegar a qualquer resultado é mister submeter a exame em seus fundamentos O MECANISMO TODO INTEIRO DA INTELIGÊNCIA (como o Racionalismo Cristão agora está submetendo, digo eu, que grifo e realço). Eu me limitarei, porém, apenas aos dados gerais do problema.

Como podem, porém, ser explicadas estas verdades fundamentais? São um produto da experiência ou resultam da própria organização do espírito; são conhecidas intuitivamente, sendo anteriores a toda a experiência ou vão sendo espontaneamente, progressivamente constituídas pela elaboração experimental? Eis compreendido, sob o seu ponto de vista mais amplo, o problema que se discute. É o mesmo problema desenvolvido por Locke a propósito da origem das ideias; é o mesmo problema que a filosofia alemã resolve pelas categorias do conhecimento e que os pensadores ingleses, à frente deles Stuart Mill, pretendem resolver pela lei da associação das ideias.

Para pessoas vulgares estas perguntas são não somente naturais, porém, mesmo forçadas. Entretanto, pensadores eminentes hão feito de todos os fenômenos resultantes das múltiplas transformações da matéria, simples produtos da atividade psíquica, transportados para o exterior em consequência de uma ilusão originada da própria organização do espírito. Há quem tenha procurado explicar o espírito como transformação da matéria, reduzindo todos os fenômenos psicológicos a simples vibrações intermoleculares nas circunvoluções cerebrais; mas há também quem tenha procurado explicar a matéria, e porventura com mais lógica, como função do espírito. Como quer que seja, a questão fica sempre de pé. Não se pode chegar a uma solução definitiva, e tanto é difícil explicar o espírito como transformação da matéria, quanto explicar a matéria como transformação do espírito.

A verdadeira Filosofia é a que aceita os dois fatos como revelações irredutíveis da consciência. Sobre isto não há dúvida. Contudo ainda que seja adotado esse expediente que é sem dúvida o mais cômodo, mas não deve só por isto ser considerado a última palavra da ciência, é indispensável esclarecer o conceito da matéria, como o conceito do espírito (grifo meu)

O exemplo de Berkeley que nega a matéria e só admite o espírito, explicando aquela como simples resultado das operações realizadas por este, ficou memorável, e d’Holbach, o célebre autor do Sistema da Natureza, irrita-se contra o bispo de Cloyne, mas não pode refutá-lo, diz Lange. Bem se vê que a questão é grave e a esfera em que passa a girar o nosso pensamento, faz-se nebulosa e aparentemente fantástica; acontece algumas vezes assim quando se procura a verdade (grifo meu). É uma consequência da repugnância manifestada pela nossa inteligência naturalmente preguiçosa, por tudo quanto é novo e estranho. PRIMEIRO SE FAZ O CAOS; DEPOIS VEM A LUZ (grifo e realce meus). É uma teoria velha que se dissolve; é uma doutrina nova que começa.

Efetivamente, o pensamento fundamental de Berkeley pode ser reduzido a estas únicas proposições citadas por Lefèvre a título de curiosidade: ‘Há verdades tão fáceis de compreender que basta abrir os olhos para percebê-las; e no número das mais importantes me parece estar esta: que a Terra e tudo o que aparece em seu seio, em uma palavra, todos os corpos de que se compõe este magnífico Universo, NÃO EXISTEM SENÃO EM NOSSOS ESPÍRITOS’ (grifo e realce meus).

SENDO O ESPÍRITO UMA SUBSTÂNCIA (grifo e realce meus)

HERBERT SPENCER: O ASSOCIACIONISMO REALISTA

Passemos agora ao exame das ideias de Spencer. Não se trata, porém, do conjunto do seu sistema que abraça, como se sabe, o círculo todo inteiro dos conhecimentos humanos, mas unicamente do que diz respeito à psicologia, nem mesmo de tudo o que diz respeito à psicologia, mas unicamente do que tem relação com o método associacionista. É certo que ainda assim restringido o assunto, muito há que explanar, pois que para estudar o associacionismo em Spencer, é mister estudar o seu sistema todo inteiro, sendo que, rigorosamente falando, nenhuma ciência, como nenhum ramo de qualquer ciência pode ser considerado isoladamente, sendo uma verdade que na natureza, como no pensamento, tudo se liga, tudo se prende, formando uma cadeia impenetrável (agora penetrado pelo Racionalismo Cristão, digo eu) de que nenhum órgão pode ser considerado independentemente dos outros (em relação aos órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, digo eu e grifo).

Tratando-se do método associacionista propriamente dito, os mesmos princípios sustentados por Mill e por Bain são em seus caracteres gerais aceitos por Spencer, que apenas os submete à tecnologia especial do sistema de evolução. E se bem que se eleve até certo ponto de vista a conclusões divergentes, parte em todo o caso da mesma base comum a todos os pensadores ingleses da escola experimental.

O espírito cuja substância não pode ser conhecida, como também não pode ser conhecida a substância da matéria (agora são conhecidas as substâncias do espírito e a realidade de que a matéria não existe, por intermédio do Racionalismo Cristão, digo eu e grifo), compõe-se, considerado em seus elementos próximos desde que não o pode ser em seus últimos elementos, de estados de consciência e relações entre os estados de consciência. Os estados de consciência são por assim dizer, porções da consciência, e como tais, distinguem-se das relações que são apenas um resultado da combinação entre os estados de consciência. As relações não têm individualidade distinta, nem ocupam propriamente um lugar na consciência. Os estados podem ser decompostos, as relações não, porque apenas servem de laço de união entre os estados. É verdade que levando a análise ao extremo, a própria relação pode ser considerada uma espécie de estado de consciência; mas é um estado de consciência sui generis, que não tem existência própria e desaparece logo que se faça desaparecer os estados reais de cuja combinação resultou e entre os quais se estabelece. É nisto que está a diferença essencial. Tanto os estados, como as relações são, porém, indispensáveis à vida do espírito; e se os primeiros ocupam por assim dizer mais espaço na consciência, é pelas segundas, isto é, pelas relações, que as operações mais complicadas se produzem.

A lei reguladora dos estados de consciência, como das relações entre os estados de consciência, é, como se sabe e se deduz do espírito geral da doutrina, a lei da associação; e é dos estados de consciência como das relações entre os estados de consciência, em suas múltiplas combinações, que resultam todas as operações do espírito.

Conquanto não seja assim tão claramente formulado o princípio, é o que sem dificuldade se deduz dos longos desenvolvimentos a que Spencer submete o assunto. Ser-me-ia, porém, impossível acompanhá-lo nestes longos desenvolvimentos, sendo suficiente observar que as suas doutrinas, pondo de parte a tecnologia especial do seu sistema, são as mesmas de Bain e de Mill.

Ribot observa em todo o caso que Spencer, mesmo aqui, tem ideias originais, reduzindo-as especialmente aos dois pontos seguintes:

As associações indissolúveis resultam da transmissão hereditária. Estas associações têm uma força invencível, porque são a consequência de experiências acumuladas não somente no indivíduo, mas em todos os seus antepassados humanos, e, para algumas, como para o espaço e o tempo, em todos os organismos animais de que derivam os organismos humanos, segundo a teoria evolucionista”.

É óbvio que o grande saperólogo cearense não chegou a apreender em seu fabuloso intelecto a realidade da concepção, de onde são formuladas as ideias, mas ele conseguiu conceber que as ideias se associam para a formulação de novas ideias, com todas elas estando interligadas e interagindo umas com as outras, que no caso aqui em questão não se trata de um raciocínio silogístico, mas sim sinóptico. Mas antes de eu adentrar na sinopse do conjunto se faz necessária a repetição de alguns esclarecimentos, pois que como já é mais do que sabido, eu sempre vou me utilizar da força da repetição para a explanação de A Filosofia da Administração.

Eu devo aqui evidenciar através da repetição, que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não são obtidos pela associação de ideias, como todos julgam que assim seja, mas que não é, como jamais poderia ser. Note-se que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são captados do Espaço Superior por intermédio da percepção oriunda do órgão mental denominado de criptoscópio, portanto eles não são criados, pois que sempre existiram, por serem absolutos, imutáveis, ontológicos, daí a razão pela qual eles também são obtidos pelo método da dedução. No entanto, como eles não se encontram associados uns aos outros pelas ideias, passam a formar um todo. Enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria são criadas do Tempo Futuro por intermédio da compreensão oriunda do órgão mental denominado de intelecto, portanto elas são criadas, pois que nunca existiram, por serem relativas, mutáveis, empíricas, para que então possam ser aperfeiçoadas, daí a razão pela qual elas também são obtidas pelo método da indução. No entanto, como elas não se encontram associadas diretamente umas com as outras, passam a se ligar diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, justamente por isso a verdade e a sabedoria são coordenadas pela razão, por intermédio da consciência, que coordena o criptoscópio e o intelecto.

Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria são unidas, irmanadas, congregadas, por intermédio da coordenação oriunda do órgão mental denominado de consciência, de onde surge a concepção acerca do Universo, sendo através da concepção que se formulam as ideias universais. Então são as ideias que se associam, pois que elas têm com fonte os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, em que toda a parte metafísica do Universo se encontra formando um todo, com a sabedoria criando as experiências físicas correspondentes, portanto, definindo e explicando tudo, fornecendo o rumo a ser seguido por todas as coisas. Assim, por todo o Universo, a parte metafísica, que representa as causas, vai se correspondendo diretamente com a parte física, que representa os efeitos.

Como se pode facilmente constatar, há uma relação direta entre o criptoscópio e o intelecto, entre a verdade e a sabedoria, entre o conhecimento e a experiência, entre o captado e o criado, entre o poder e a ação, entre o metafísico e o físico, entre a causa e o efeito, entre o absoluto e o relativo, entre o ontológico e o empírico. E todas essas relações diretas se encontram em cada uma das coordenadas do Universo, para que através da concepção possamos formar uma ideia universal a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais para cada uma dessas coordenadas, e como as ideias se associam, podemos conceber uma ideia a respeito de todas as suas coordenadas, portanto, acerca do Universo.

Nós evoluímos por intermédio da propriedade da Força, que contém o espaço, e por intermédio da propriedade da Energia, que contém o tempo. Ambas as propriedades se encontram combinadas em inúmeros e inúmeros estágios, formando as estrelas, que fornecem todas as coordenadas do Universo, assim como também formando os fluidos, ou o éter, que delas são provenientes. Então o Universo se encontra contido em nossa alma, mais propriamente em nosso corpo fluídico, ou perispírito, consoante o nosso estágio evolutivo, portanto, em maior ou menor proporção. Em sendo assim, como realmente é assim, e como não poderia jamais ser diferente, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, obviamente que também se encontram contidos em nossas almas, para que se possa comprovar esta realidade, basta apenas transcendermos a este mundo e passarmos a nos conhecer a nós mesmos, como Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Nós evoluímos também por intermédio da propriedade da Luz, através da qual nós formamos o nosso corpo de luz, de onde vem a nossa luz astral para perscrutarmos o Universo e desenvolvermos o nosso órgão mental denominado de consciência. É a nossa consciência que coordena o criptoscópio, o grande responsável por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e o intelecto, o grande responsável por compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes à verdade, por onde se alcança a razão, quando então nós abandonamos a fase da imaginação, deixando de raciocinar através das representações de imagens, combinando-as, e adentramos na fase da concepção, passando a raciocinar através das formulações de ideias, associando-as, com base na verdade e na sabedoria, apreendendo em nosso corpo mental o Saber, por excelência, em que a realidade do Universo se encontra em nós mesmos, pois que somos originários dos nossos Mundos de Luz, e tudo aquilo que se situa abaixo deles faz parte da nossa alma, sendo justamente por isso que a doutrina do Racionalismo Cristão vem afirmar que somos um universo em miniatura.

Como o criptoscópio diz respeito aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e o intelecto diz respeito às suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, formando o Saber, por excelência, estando tudo isso apreendido em nosso corpo fluídico, ou perispírito, como sendo o próprio universo que nos diz respeito diretamente, que evidentemente é proporcional ao nosso estágio evolutivo, então a consciência coordena a tudo isso, em que com a nossa luz astral perscrutamos e percorremos toda essa parte do Universo que nos diz respeito diretamente, quando então podemos formular as ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Todas essas ideias que foram formuladas se encontram em nós mesmos, com todas elas estando associadas umas às outras, interagindo entre si, formando um conjunto integrado e totalmente harmônico, compondo a nossa consciência.

Como se pode claramente constatar, estando os seres humanos ainda cativos da fase da imaginação, os seus corpos mentais representam tudo através de imagens, que eles vão combinando em conformidade com a profundidade dos seus raciocínios, formando os seus próprios universos pessoais, com todos eles sendo diferentes uns dos outros. E como essas imagens vão se alterando constantemente, em conformidade com o que elas passam a representar em suas combinações com as novas imagens que vão se apresentando constantemente, todos esses universos pessoais vão igualmente se alterando. Assim, como os seres humanos interagem apenas com o meio ambiente, ou seja, com a atmosfera terrena, para eles tudo é matéria, com tudo isso sendo apenas ilusão, mas como se tudo fosse concreto, quando eles não descambam direto para o sobrenatural, com tudo isso sendo apenas devaneio, o que impossiblita totalmente a convergência sobre os conceitos abstratos, fazendo surgir então o psitacismo, razão pela qual ninguém se entende neste mundo, vindo daí as divergências em formas de conflitos, de desentendimentos, de desavenças, e tudo o mais do gênero, pois que todos raciocinam apenas em conformidade com os seus próprios universos pessoais, havendo a convergência apenas naquilo que julgam seja a matéria ou o sobrenatural, mas mesmo assim com as opiniões sendo divergentes umas das outras.

Quando os seres humanos saírem da fase da imaginação, que demonstra claramente o âmbito da irrealidade, e adentrarem na fase da concepção, que demonstra claramente o âmbito da realidade, esclarecendo-se acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, portanto, espiritualizando-se, poderão assim abandonar gradativamente os seus universos pessoais e passar então a compartilhar do Universo. Na fase da concepção, os espíritos mais evoluídos, que são os espíritos de luz, passarão a ter a consciência do universo comum que existe em todos nós, e que está contido em nós mesmos, que por isso deve ser compartilhado com as mesmas ideias em comum. Assim, em conformidade com as coordenadas universais que consigam compartilhar entre si, todas as ideias serão convergentes, pois que dizem respeito aos mesmos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às mesmas experiências físicas acerca da sabedoria que lhes correspondem, sendo diretamente proporcionais as suas relações de causa e efeito. Mas aqueles que se encontrarem em coordenadas universais mais distantes possuirão ideias diferentes, o que é óbvio, uma vez que os seus conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as suas experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes são bem mais complexos, por isso as relações de causa e efeito são menos imperfeitas.

E aqui se explica novamente a razão pela qual os seres humanos menos evoluídos, mas que tenham se espiritualizado, depositem as suas fés nos seres humanos mais evoluídos, e estes, por sua vez, depositem as suas convicções naqueles, desde, é óbvio, que ambos tenham a plena consciência da proporção do Universo que existe em cada um, pois que tudo tem que ser realizado com base na consciência, portanto, na razão. Neste caso, sabendo-se que o Universo se encontra contido em Deus, então todos os espíritos de luz que aqui se encontram encarnados e que contêm as maiores proporções do Universo contidas em suas almas, serão os representantes de Deus para os menos evoluídos. É assim, e somente assim, que se pode estabelecer uma hierarquia espiritual neste mundo Terra, assim como existe essa hierarquia nos Mundos de Luz, daí a razão pela qual os espíritos mais evoluídos formam uma plêiade que compõe e identifica o Astral Superior.

E serão esses espíritos que se encontram encarnados e que contêm as maiores proporções do Universo contidas em suas almas, sendo, pois, os representantes de Deus para os menos evoluídos, aqueles que farão parte do rol dos poucos escolhidos, dos muitos que serão chamados, em obediência ao que foi determinado por Jesus, o Cristo. Dos muitos chamados os poucos que deverão escolhidos, assim o serão por intermédio do site pamam.com.br, em que nele todos os chamados serão devidamente avaliados, em inteira conformidade com graus das suas evoluções espirituais.

Luiz de Mattos afirma que para provar inteligência não precisa de memória, no que está absolutamente correto. A explicação para isso é que a memória se torna bem mais exigida quando o ser humano se encontra na fase da imaginação, pois que raciocinando somente através das representações de imagens, combinando-as, a memória passa a ser exigida constantemente, para que desta maneira elas se façam representar no seu corpo mental, e assim é porque as imagens não são definitivas, alterando-se constantemente, em virtude das suas combinações. Além do mais, após a desencarnação, todas as imagens se apagam da memória do espírito, haja visto que elas fazem parte da ilusão, ou então do devaneio, deixando como benefício somente a extensão do raciocínio que foi utilizado para as suas combinações. Daí a razão do raciocínio silogístico.

Já na concepção a sistemática é completamente diferente, pois os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram coordenados com as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, por intermédio da consciência, formando um conjunto, ou seja, um universo que é comum aos espíritos que se encontram na mesma coordenada do Universo. Esse universo que é comum aos espíritos se encontra contido nas almas de todos eles. Assim, esse conjunto possibilita a formulação das mesmas ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos que se encontram sob a égide de uma mesma coordenada universal. Todas essas ideias se encontram associadas umas às outras.

Com todas essas ideias estando associadas e formando um conjunto, o espírito então com um golpe de vista lançado com a sua luz astral pode localizar quaisquer dessas ideias que em si mesmo se encontram contidas. No entanto, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são absolutos, imutáveis, ontológicos, enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes são relativas, mutáveis, empíricas. Assim, à medida que o espírito vai evoluindo cada vez mais, ele vai aperfeiçoando constantemente as suas experiências físicas acerca da sabedoria em relação a determinados assuntos, o que implica em dizer que determinadas ideias vão também evoluindo, pois que a nossa meta é a busca da perfeição.

Eu quero com isso dizer que neste estágio evolutivo o raciocínio não é mais silogístico, mas sim sinóptico, pois que cada ideia que vai se aperfeiçoando, ou mesmo vai se alterando, através do aprendizado que se processa com o evoluir constante, quando então o espírito, com um golpe de vista lançado com a sua luz astral, modifica todas as demais ideias que se encontravam associadas a essa ideia que foi aperfeiçoada ou alterada, formando uma nova ideia geral sobre o universo que lhe compete, consoante o seu estágio evolutivo.

Há também o fato do espírito apreender em seu corpo mental um novo conhecimento metafísico acerca da verdade, criando uma experiência física acerca da sabedoria correspondente em relação a esse conhecimento, que pode modificar todas as ideias que se encontravam associadas a esta nova ideia. Assim como também o espírito pode ter criado algumas experiências físicas acerca da sabedoria que não condiziam exatamente com os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que ele julgava serem correspondentes, retificando a essas ideias, quando então as ideias que se encontravam associadas são também retificadas, por conseguinte, a ideia geral relativa à coordenada universal.

Note-se que todas as ideias que são formuladas pelo espírito, dizem respeito diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, que se encontram contidos em sua alma, formando o seu saber, por isso não representam um resumo, um sumário, uma síntese, mas sim um conjunto total em que todas elas se associam, interagindo e se integrando umas com as outras em plena harmonia, pois se não fosse assim não poderia haver a existência do raciocínio sinóptico.

Tomemos o exemplo da ideia acerca da reencarnação. Todas as ideias que se associam com a ideias acerca da reencarnação podem ser transmitidas pelo espírito de uma maneira geral, e caso alguém venha a lhe expor uma ideia daquilo que já se encontra contido em sua alma, por exemplo, que o espírito reencarna vindo diretamente do seu Mundo de Luz, em nada vai alterar o conjunto das ideias que nele se encontram contidas.

No entanto, caso alguém venha a lhe expor uma ideia diferente daquilo que já se encontra contido em sua alma, por exemplo, que o espírito pode ser capaz de saber quem havia sido na encarnação passada, caso ele seja detentor de um raciocínio sinóptico, ele dá uma espécie de zom, do inglês zoom, em que com a sua luz astral ele consegue focar todas as ideias que nele se encontram contidas e que podem se associar com essa nova ideia, sem que perca o foco de nenhuma delas. Assim, caso ele considere que essa nova ideia possa se associar com lógica às suas demais ideias, ele a apreende e a incorpora ao seu conjunto, caso contrário, ele a apreende e a deixa em separado das suas demais ideias, até que posteriormente um conhecimento novo ou novas ideias surjam, quando então ele compara e a associa definitivamente ao seu conjunto, ou então a rejeita de vez.

E aqui se explica com lógica e racionalidade que os espíritos possuem as suas formações geométricas, as suas cores e os seus aromas, que vão se aperfeiçoando cada vez mais, isto pelo menos por enquanto, para não aprofundar muito aqui o assunto, pois eles também possuem outras características, como os sons e outros. Pelas seguintes razões:

  • Formações geométricas:
    • Em cada um dos Mundos de Luz existe uma verdadeira associação entre os espíritos que o habitam, com todos estando interligados entre si, em que as suas formações geométricas associadas formam um único conjunto, que por sua vez forma uma geometria única, cuja forma vai se aperfeiçoando cada vez mais, à medida que eles vão ascendendo aos páramos da espiritualidade. Estas formas geométricas são os formatos dos Mundos de Luz. Por outro lado, as figuras geométricas que eles formam tendem a se harmonizar quando um deles se desloca do seu Mundo de Luz para outros Mundos de Luz menos evoluídos, engendrando fluidos, em que todos os espíritos habitantes destes Mundos de Luz menos evoluídos se reúnem em torno dele para que assim possam formar uma única corrente, em que as vibrações dos seus sentimentos, as radiações dos seus pensamentos, as radiovibrações das suas combinações e as raiações das suas luzes formam as mais espetaculares e exuberantes figuras geométricas, tal como a esplendorosa figura geométrica vista na gravura mais acima no edifício-sede do Racionalismo Cristão.
  • Cores:
    • Os Mundos de Luz se situam no Universo segundo as coordenadas universais em que eles se encontram, as quais são fornecidas pelas propriedades da Força, que contém o espaço, e da Energia, que contém o tempo, que em suas inúmeras e inúmeras combinações formam as estrelas, de onde provêm os fluidos, que nos Mundos de Luz são diáfanos e nos mais adiantados já são translúcidos. E como cada uma das estrelas representa uma das coordenadas do Universo com o seu respectivo padrão de cor universal, é óbvio que os Mundos de Luz que se encontram sob a sua égide possuem o mesmo padrão de cor, por conseguinte os espíritos que os habitam.
  • Aromas:
    • O Universo não é inodoro, cada uma das suas coordenadas possui um aroma que lhe é característico. Assim, os Mundos de Luz que se localizam nas coordenadas universais que lhes são próprias possuem os seus próprios aromas, por conseguinte, os espíritos que os habitam adquirem os aromas dos Mundos de Luz que habitam. Note-se que no próprio ambiente geral terreno cada um dos seus ambientes específicos tem o seu próprio aroma, tais como os aromas do mar, das florestas, dos rios, das cidades, das ruas, dos lares, entre outros, e até dos lixões, em que os aromas destes são bastante desagradáveis. O corpo humano tem também os seus aromas característicos, e como que arremedando aos aromas dos espíritos, os seres humanos sempre procuram aromatizar aos seus corpos carnais, tornando-os agradáveis tanto para si mesmos como também para os seus próprios semelhantes, o que comprova sobejamente a existência da espiritualidade.

 

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