12.01- Farias Brito

A Era da Verdade
30 de março de 2020 Pamam

Raimundo de Farias Brito encarnou na cidade de São Benedito, no Estado do Ceará, Brasil, no ano de 1862, e desencarnou no Rio de Janeiro, no ano de 1917, tendo sido o maior saperólogo da idade contemporânea, autor de uma das mais completas obras saperológicas produzidas em todo o mundo, fazendo um apanhado geral de todos os veritólogos importantes que o precederam, embora considerasse a todos como sendo filósofos, dada a mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, considerado de caráter eminentemente espiritualista e evolucionista.

Era filho de Marcolino José de Brito e Eugênia Alves de Farias, tendo feito os seus primeiros estudos na cidade de Sobral, no Ceará, mas contudo, devido à seca, teve de se mudar com a família para Fortaleza, onde completou o curso secundário no Liceu do Ceará. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito de Recife, onde foi aluno de Tobias Barreto, obtendo o título de bacharel em 1884.

Atuou como promotor de justiça e como secretário no governo do Estado do Ceará, este último por duas vezes. Mais tarde, transferiu-se para o Estado do Pará, onde lecionou na Faculdade de Direito de Belém do Pará entre os anos de 1902 e 1909, tendo trabalhado como promotor de justiça e advogado. Em 1909, já considerado como autor de prestígio, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde venceu o concurso para a cátedra de lógica do Colégio Pedro II. Entretanto, à época, a lei previa que o Presidente da República escolheria o catedrático entre os dois primeiros classificados no concurso. Assim, graças a intervenção de amigos, Euclides da Cunha, o segundo colocado, foi nomeado, mas ele foi vítima de um crime passional, por isso exerceu o magistério durante poucos dias. Com a desencarnação de Euclides da Cunha, Farias Brito acabaria por ocupar o cargo em questão, exercendo-o pelo resto da vida. Tornou-se patrono da cadeira número trinta e um da Academia Cearense de Letras. Foi maçom, sendo filiado à Loja Parangaba no. 2, fundadora da Grande Loja Maçônica do Ceará.

Em suas análises sobre os veritólogos, Farias Brito concordou plenamente com Lange sobre a existência das Grandes Eras, evidenciando o final de A Era da Verdade para o surgimento de A Era da Razão, assim como se estivesse prevendo a vinda do Antecristo a este mundo, considerado como se fosse “um estrangeiro vindo de outro mundo”, conforme consta na obra de Lange, História do Materialismo, vol. II, parte IV, capítulo IV, constante na obra de Farias Brito, Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 2, da seguinte maneira:

Quando uma era nova deve começar e uma era antiga desaparecer, é preciso que duas grandes coisas se combinem: uma ideia moral capaz de inflamar o mundo e uma direção social bastante poderosa para elevar de um grau considerável as massas oprimidas. Isto não se opera com o frio entendimento, com sistemas artificiais. A vitória sobre o egoísmo que quebra e isola, e sobre o gelo dos corações que mata, não será alcançada senão por um grande ideal que aparecerá como um ‘estrangeiro vindo de outro mundo’, o qual, exigindo o impossível, fará sair a realidade fora dos seus eixos (grifo meu)”.

E continua citando Lange, na mesma obra, as páginas 134 e 135, dizendo:

Nós depomos a nossa pena de crítico num momento em que a questão social sobre-excita a Europa, questão sobre o vasto terreno da qual todos os elementos revolucionários da ciência, da religião e da política, parecem ter achado as suas posições para dar uma grande e decisiva batalha. Ou esta batalha agite simplesmente os espíritos e não derrame sangue ou, igual a um terremoto, lance no pó, entre os estilhaços do raio, as ruínas de um período passado da história universal, e sepulte debaixo das ruínas milhões de homens, seguramente a nova era não triunfará senão sob a bandeira de uma grande ideia que exterminará o egoísmo (grifo meu), e, como um novo fim a atingir, substituirá a perfeição humana na associação humana, ao trabalho incessante provocado por uma preocupação exclusivamente egoísta”.

E diz também na mesma obra, as páginas 136 e 137, o seguinte:

Mas nenhuma das grandes reformas pelas quais são formados os diferentes ciclos da civilização, se realiza sem ser sob o impulso de um ideal capaz de servir de alavanca às evoluções da humanidade. Para a civilização que começou com a queda do Império Romano, o ideal foi a moral de Jesus…

Mas hoje… a civilização excedeu, sem dúvida, o ideal realizado pelo cristianismo, tal como o constituíram… e se faz necessária uma crença nova capaz de sustentar o espírito público (grifo meu), em harmonia, não só com as aspirações emocionais do espírito moderno, mas também com as novas descobertas da ciência e da indústria, bem como em conformidade com as últimas investigações da especulação filosófica.

A descoberta do vapor, por um lado, realizou a comunicação das nações, dominando o espaço; a descoberta da imprensa e do telégrafo realizou, por um lado, a comunicação dos espíritos, dominando o tempo. De tudo isto, resulta uma transformação radical nos costumes, como nas ideias fundamentais da sociedade. Mas essa reforma se acha consolidada somente em sua parte material, resta completá-la definitivamente sob o ponto de vista teórico. É o que só se poderá conseguir depois que se houver chegado ao acordo dos espíritos”.

Os cientistas julgam saber muito, mas as ciências ainda não conseguiram descobrir sequer que os átomos são simples seres, os seres atômicos, por isso todos os seus conhecimentos terão que ser refeitos, pois que todos eles estão equivocados, se existe progresso científico é porque os seus estudiosos conseguem saber acerca dos comportamentos dos seres infra-humanos, com base na experiência. Deveriam todos atentar para o que Farias Brito disse sobre Sócrates para saber realmente o que seja a sabedoria, conforme consta em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 20 e 21, quando ele assim se expressa:

Da morte de Sócrates nos vem… uma luz admirável… as palavras com que ele se dirigiu ao tribunal que o condenou à morte.

… o meu saber é todo humano, e se o oráculo me proclamou o mais sábio é tão somente porque sei que nada sei. Por dizê-lo, incorri na inimizade dos filósofos, dos artistas e dos poetas que presumem saber muito. A mocidade que me ouve aprende a fazer pouco caso de sua suposta ciência: eis porque dizem que a corrompo… não há ninguém que de caso pensado faça aos outros maus, pois que os maus lhe tornarão nocivos”.

Considerações e indagações bastante interessantes fez o grande saperólogo cearense, em suas análises sobre os veritólogos que o antecederam, as quais o Racionalismo Cristão comenta e responde à luz da razão, como consta em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 30, que expressa o seguinte:

… a verdade é que a natureza constitui, por assim dizer, um todo orgânico em que cada coisa ocupa um lugar definido, ao mesmo tempo que exerce uma função determinada. É o que se deduz das palavras de Stuart Mill e de Bain, é o que é reconhecido por todos os sábios; e é o que não pode ser contestado, sem que se ponha em dúvida a possibilidade de qualquer ciência, porque a ciência não é mais do que a determinação do lugar que ocupa e a explicação da função que exerce cada coisa no conjunto da natureza, ou, em outros termos, o conhecimento sistemático das leis que obedece o mundo em sua evolução indefinida.

Ora, se o mundo em todas as suas manifestações está subordinado a leis invariáveis e seguindo uma marcha perfeitamente regular e perfeitamente uniforme, vai de transformação em transformação, sem que ao mesmo tempo nada se perca, nem deixe de concorrer para a harmonia geral, ou mais propriamente e para empregar a palavra mágica do século, se a natureza evolui e evolui sempre, a consequência lógica, inevitável, é que tende necessariamente à realização de um fim. Qual é o fim que tende a evolução universal, para onde vai tudo isto que nos cerca, em que consiste a evolução do mundo?”.

E o Racionalismo Cristão comenta e responde, dizendo que o planeta Terra é o mundo dos seres hidrogênios, e para ele vem outros seres mais adiantados para que possam evoluir em conjunto, inclusive os espíritos que constituem a nossa humanidade, pois que os seres menos evoluídos necessitam dos mais evoluídos para que possam evoluir, e vice-versa, por essa razão ele é um mundo-escola. Assim, cada coisa que representa os seres ocupa um lugar definido, exercendo uma função determinada, notadamente os seres infra-humanos, que não possuem o livre arbítrio, enquanto que os espíritos que constituem a nossa humanidade exercem uma função determinada, em conformidade com o plano de espiritualização elaborado para a nossa espiritualização.

A Veritologia se encarrega de transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que servem de fontes para a Saperologia, que por sua vez se encarrega de transmitir as experiências físicas acerca da sabedoria, em que ambas coordenadas fazem surgir a Ratiologia. As religiões se encarregam de transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade relativos às parcelas do Saber, servindo de fontes para as ciências, que por sua vez se encarregam de transmitir as experiências físicas acerca da sabedoria relativas às parcelas do Saber, em que ambas coordenadas fazem surgir as religiociências. Então cabe às ciências a determinação do lugar que ocupa cada coisa e a explicação da função que ela exerce no conjunto da natureza.

Todos os seres que aqui se encontram realmente formam um todo orgânico, com este estando subordinado às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais, por isso segue uma marcha regular e uniforme, indo de transformação em transformação, sem que nada se perca, pois tudo concorre para a harmonia geral, uma vez que a evolução é o preceito universal maior. O fim a que tende a evolução universal diz respeito ao retorno de todos os seres ao Seio do Criador. Tudo isto que nos cerca pertence a mundos diferentes, com a exceção dos seres hidrogênios, por isso todos tendem a retornar para os seus mundos de origem, causando um perpétuo ir e vir dos seus mundos para este, de tempos em tempos, com a exceção dos espíritos que formam a nossa humanidade, que quando fazem mal uso do livre arbítrio ficam decaídos no astral inferior. A evolução deste mundo consiste em se transformar em um Mundo de Luz, com todos os seres hidrogênios se tornando espíritos.

Tendo o Racionalismo Cristão comentado e respondido os dizeres de Farias Brito, podemos afirmar que é certo que a Veritologia sempre foi mesclada com a Saperologia, em todos os tempos, sob a denominação imprópria de Filosofia, com a quantidade de veritólogos sendo bem maior do que a quantidade de saperólogos, em que aqueles, nas suas especulações, utilizando-se mais das suas percepções do que das suas compreensões, pois que fazem mais uso do criptoscópio do que do intelecto, tornam difícil a compreensão das suas obras, notadamente para as mentes mais comuns, enquanto que os mais letrados tentam explicar a essas especulações e caem em um abismo de contradições, pois não se explica aquilo que não procede, a não ser para apontar os erros, seguidos das suas devidas correções.

Realmente se torna difícil se dedicar a essa mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, mas que agora tudo isso se encontra esclarecido pelo Racionalismo Cristão. Aqueles que se dedicam aos estudos transcendentais são tidos como lunáticos, chegando inclusive a provocar risos nos seus semelhantes, o que é o meu caso, que também me divirto com a ignorância alheia. Quando alguém ri dos meus estudos transcendentais, por considerá-los inúteis, para me divertir eu às vezes indago: De onde você vem? O que você está fazendo aqui na Terra? Para onde você vai após a desencarnação? Estas e outras perguntas são tão difíceis de se responder, que chegam até a provocar ainda mais risos da parte dos indagados, em face das suas crassas ignorâncias e limitações. Aparentemente parece até ser uma tarefa inglória escrever sobre assuntos transcendentais, tanto que eu já desprendi muito esforço para divulgar as minhas obras, mas até hoje não encontrei sequer um vivente que se dignasse a ler pelo menos uma página, mas a minha parte eu faço, custe o que custar, então que cada um faça a sua. Sempre na esperança de que a verdade um dia seria transmitida ao mundo, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 32, Farias Brito diz o seguinte sobre os seus estudos:

… conheço perfeitamente que vou de encontro a preconceitos inveterados e por enquanto talvez insuperáveis, podendo acontecer-me como a quem bate em cheio num corpo que não se move. Não encontrarei por isto, quem me ouça? Perderei de todo o meu tempo? Mas quanta gente não passa toda a sua vida em festas? Outros empregam esforço inaudito, fazem sacrifícios enormes, para acumular fortuna nem sempre aplicada à realização de obras meritórias. Outros entregam-se à depravação e ao deboche. Outros consomem toda a sua existência no jogo. Outros, na intriga desenfreada da política. Todos esses, porventura, também não perderão o seu tempo?

Ora, se tanta gente perde por esta forma o tempo, se quase todos o perdem, por que razão não devo, nem o poderei perder também eu, aplicando toda a minha atividade, dedicando toda a minha existência ao estudo desta inutilidade — a Filosofia?

Que seja tudo perdido, que ninguém me ouça, que todos condenem a minha tentativa, pouco importa, mas eu não posso viver bem, não compreendo a minha existência, desde que não conheço o papel que represento na sociedade, desde que não conheço o papel que representa a sociedade no mundo: quero, pois, saber o que sou, quero ter a consciência de mim mesmo. É interrogando a consciência ao mesmo tempo que submeto a exame o organismo da natureza, sem nenhuma ideia preconcebida, sem nenhum intuito de defender este ou aquele sistema, tenho certeza absoluta de que por algum modo há de aterrar-se a verdade (grifo meu)”.

É sabido que o criptoscópio é o órgão mental encarregado de perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os quais devem ser transmitidos com a ajuda do órgão mental do intelecto, através da inserção de experiências físicas acerca da sabedoria, que é o órgão da criação e da compreensão, formando uma saperologia, ou uma filosofia, com tudo isso sendo submetido ao escrutínio do órgão mental da consciência, que dá a palavra final sobre a procedência de tudo isso, pois que é o órgão mental que coordena o criptoscópio e o intelecto. Então não pode as ciências se arvorarem de dar a palavra final sobre qualquer conhecimento ou experiência, de obter as provas, principalmente porque esta não é a sua função, já que elas são encarregadas das parcelas do Saber. Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 35, expressa o seu parecer sobre o assunto da seguinte maneira:

Parto deste princípio: o fundamento real, o critério último de toda a verdade é o testemunho direto da consciência, de modo que para mim quando qualquer conhecimento estiver de acordo com esse testemunho, é verdadeiro, quando em desacordo com ele, é falso. E é o que não depende de prova, porque não se ignora que a consciência é o órgão mesmo do conhecimento (o órgão do conhecimento é o criptoscópio, digo eu), sendo que nenhum conhecimento pode haver que não seja transmitido por esse órgão, nem pode ser verdadeiro sem que esteja em conformidade com ele, isto poderia ser dito ainda mais claramente, afirmando-se que, fora dos limites da consciência, nenhum conhecimento é possível, sendo evidente que não podemos conhecer uma coisa de que não temos ou não podemos ter representação na consciência”.

Farias Brito dava um profundo valor à moral, talvez influenciado pelos veritólogos que ele analisou, quando, na realidade, ele era mais ético do que moralista, embora possuísse os dois atributos em larga escala, mas como era um profissional da área jurídica e um saperólogo, fez uma bela comparação entre o a política e a moral, como podemos constatar em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 41, 42, 48 e 49, quando ele assim se expressa:

As duas manifestações fundamentais do espírito humano na marcha geral da sociedade, são a política e a filosofia. A política dá em resultado o direito, a filosofia dá em resultado a moral; e o direito e a moral são as duas alavancas, os dois eixos centrais do grande mecanismo social.

A filosofia dá em resultado a moral, do mesmo modo que a política dá em resultado o direito. Isto quer dizer em outros termos e mais claramente que a filosofia é o princípio gerador da moral, do mesmo modo que a política é o princípio gerador do direito, ou ainda, que a moral é o fim da filosofia, do mesmo modo que o direito é o fim da política.

O direito e a moral confundem-se num ponto: ambos têm por fim regular a conduta do homem; o direito, obrigando-o aos tribunais e à lei, produto da política; a moral, sujeitando-o aos preceitos morais, produto da filosofia. Mas distinguem-se nisto: o direito parte da sociedade, a moral parte do indivíduo  (grifo meu); o direito é a ação exercida pela sociedade sobre o indivíduo; a moral é a ação exercida pelo indivíduo sobre si mesmo; o direito encontra sua sanção nos tribunais que representam a consciência do Estado; a moral tem sua sanção na consciência individual, que é a essência da natureza.

Não se segue… que haja entre o direito e a moral, relações de oposição ou antagonismo. Ao contrário, é preciso que haja entre uma e outra coisa perfeita conformidade. Mais claramente ainda: o direito é a própria lei moral, com essa diferença, que no direito a lei moral é assegurada coercitivamente pelo poder público. Assim a moral é o todo de que o direito é apenas uma parte, nem outra coisa pode ser imaginada, sendo que o direito, nascendo da política, que é uma concepção da sociedade, não pode deixar de estar subordinado à moral, originada da filosofia, que é uma concepção do mundo. O direito é apenas aquela parte das leis morais de que o poder público constitui a ordem jurídica, reduzindo-as a leis escritas. Em outros termos: é a lei moral que constitui a atmosfera em que gira o direito, do mesmo modo que, como veremos depois, é a religião a atmosfera em que gira a moral”.

Farias Brito faz uma síntese admirável sobre todas as filosofias, ou saperologias, que expôs ao escrutínio do seu raciocínio, pondo de um lado os metafísicos e de outro os positivistas, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 61, assim se expressa:

Quem quiser, portanto, fazer uma classificação geral das escolas filosóficas sob o ponto de vista da metafísica, há de se adotar necessariamente esta: escola metafísica, escola positivista. Deste modo, a importância filosófica de Comte avoluma-se de uma maneira excepcional. Ele torna-se o criador de uma das duas grandes correntes intelectuais (leia-se criptoscopiais, digo eu) hodiernas: de um lado, Comte e seus discípulos; de outro lado, tudo o mais”.

É notável como o saperólogo cearense consegue expor o ponto de contato que existe entre o Materialismo e o Positivismo, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 61 e 62, ele afirma o seguinte:

É preciso contudo observar que o materialismo e o positivismo têm um ponto de contato: é que o objeto do conhecimento é para um e outro uma só e mesma coisa — a matéria. Distinguem-se nisto: a matéria é, para o materialista, tudo o que existe; e para o positivista, tudo o que pode ser conhecido. O materialista, não admite o incognoscível, mas somente desconhecido; o positivista, porém, faz disto o seu ponto de partida e o distintivo de suas ideias. Em outros termos: a matéria é para o materialista coisa em si, ao passo que para o positivista é, simplesmente, fenômeno. Entretanto, visto como o objeto do conhecimento é o mesmo para ambos, embora considerado sob pontos de vista diferentes, a consequência geral é que o materialismo e o positivismo coincidem inteiramente na prática. Daí vem a confusão que tão geralmente se faz entre positivistas e materialistas”.

Como a Veritologia se encontrava mesclada com a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, era pensamento comum se afirmar que as ciências eram frutos da Filosofia, uma vez que elas ainda se encontravam mescladas com as religiões. Na realidade, a Veritologia é a mãe das verdadeiras religiões, a Saperologia é a mãe das verdadeiras ciências, enquanto que a Ratiologia é a mãe das religiociências. Considerando essas mesclas que sempre existiram em todos os tempos, vem Farias Brito confirmar essa filiação, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 112, ele diz o que se segue:

… a filosofia é o princípio mesmo da atividade do espírito; é, por assim dizer, a árvore de que nasce, como um fruto, a ciência; é a consciência refletindo a natureza, é, numa palavra, a operação fundamental do pensamento”.

Sabe-se que na Veritologia é condição sine qua non a aquisição da moral para que o veritólogo possa se elevar ao Espaço Superior para perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que tem o Espaço Superior como o seu repositório. As religiões são filhas legítimas da Veritologia, por isso os religiosos têm também que adquirir a moral para que possam se elevar ao Espaço Superior para perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que dizem respeito às parcelas do Saber. No caso das religiões, elas sempre estiveram presas às garras aduncas da classe sacerdotal, mas que agora estão libertas por intermédio do Racionalismo Cristão. Farias Brito percebeu a inoperância e a nocividade das religiões postas para o mundo pelos sacerdotes, que, na realidade, são credos, ao mesmo tempo percebeu que elas eram de vital importância para o mundo, tal como se tivesse concentrado tudo no Racionalismo Cristão. Assim, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 133 e 134, 139 e 140, 143 e 144, e 156, ele faz a seguinte afirmativa:

… sustento com a energia decisiva de uma convicção profunda e insuperável que a religião é a primeira e a mais importante de todas as necessidades públicas, sendo que sem religião não pode haver estabilidade, nem ordem nas sociedades. De modo que a conclusão a que pretendo chegar é esta: há de ser criada uma religião nova, sem o que não poderá ser mantida a civilização contemporânea, que terá fatalmente de se dissolver e morrer (grifo meu).

Todas as religiões atuais estão mortas, eis uma verdade dolorosa, mas incontestável (grifo meu), e não é senão porque isto é uma verdade que se nota o estado de extremo desassossego, de angustiosa anarquia e profunda perturbação a que se acham reduzidas as sociedades modernas.

… os livros de história… os trabalhos mais notáveis de filosofia e de crítica: não há um só, a não ser em os trabalhos saídos do seio do catolicismo, que não ponha de lado as tradições da Igreja, e não poucos são os que aparecem em franca e decidida hostilidade… Este modo de pensar, como é natural, não podia deixar de refletir sobre a sociedade: tornou-se comum na Europa e já começa a fazer invasão em nosso país, exercendo influência mesmo sobre as classes menos cultas, onde, por via de regra, são mais arraigadas as ideias religiosas (leia-se credulárias, digo eu), que quase invariavelmente terminam por degenerar em grosseira superstição e fetichismo inconsciente.

É assim que entre nós, mesmo no interior dos Estados, apesar de nosso deplorável atraso em tudo, um sacerdote católico já não é como antigamente, uma pessoa sagrada: é uma pessoa vulgar como todas as outras pessoas, sujeita às mesmas necessidades, que tem os mesmos interesses, que se envolve nas mesmas intrigas. Não é que os padres de hoje sejam inferiores aos padres de outrora; pelo contrário, existem ainda, como em todos os tempos, sacerdotes da maior elevação moral, e dignos de todo o respeito; mas é que começa a faltar a eles próprios a crença inabalável e o povo já não continua a considerá-los como representantes de uma missão sobre-humana, vendo-os simplesmente como homens iguais aos outros homens. E isto que se dá com o catolicismo é o que se dá naturalmente com todas as outras religiões (leia-se credos, digo eu). De modo que no problema religioso a questão tem de ser estabelecida sobre bases inteiramente novas e nada pode ser aproveitado do que nos legou o passado, a não ser os intuitos morais que são, como já disse, o elemento substancial e imperecível das religiões.

a religião é a própria filosofia, porquanto a religião não é senão o reconhecimento da necessidade que tem o homem de elevar-se a uma concepção do universo, de saber o que é, de onde vem e para onde vai; de formular uma explicação da finalidade das coisas. Ora, todos esses problemas só podem ser agitados na filosofia, não na ciência, e é exatamente quando os agita e agitando-os acredita poder resolvê-los e resolvendo-os deduz as leis da conduta, que a filosofia se transforma em religião, razão pela qual afirmo que a religião é a própria filosofia e em verdade a religião não é senão a filosofia realizando a moral (o Racionalismo Cristão, digo eu e grifo). É por isto que já no começo deste capítulo disse que a religião é a primeira e a mais importante de todas as necessidades públicas e agora acrescento que a religião é propriamente a lei de aliança, o princípio de ordem, a lei de harmonia entre os povos, numa palavra, a alma das sociedades… é a religião que constitui propriamente o princípio, a atmosfera do mundo moral. É por isto que sem religião o governo degenera fatalmente em despotismo e a comunhão social em pugilato de interesses.

Não é, pois, do catolicismo, não é da teologia cristã, como não é de nenhuma das outras religiões (leia-se credos, digo eu) reveladas, que sairá a verdade que há de fazer a luz na consciência dos homens. Todas essas religiões (leia-se credos, digo eu) remontam a um passado que não há memória e colocam o princípio das coisas num mundo desconhecido e invisível a cuja concepção não nos é permitido chegar senão por inspiração sobrenatural. Mas a verdade, como a luz, deve estar na natureza mesma”.

O Racionalismo Cristão não é uma religião, embora Farias Brito sentisse a sua necessidade como tal, mas sim uma doutrina que transmitiu os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e que agora a sua doutrina está sendo completada por um sistema de sabedoria, tornando-o completo. Mas o Racionalismo Cristão pode substituir as religiões assim postas pelos sacerdotes, que, na realidade, são credos. Farias Brito sentiu essa necessidade do Racionalismo Cristão no mundo, apenas não soube explicar a sua natureza altamente espiritualista, confundindo-o com uma espécie de religião regeneradora do mundo. Nesse seu sentir, como já exposto anteriormente, ele previu o meu retorno a este mundo, agora na condição do seu Antecristo, já que eu retornei imbuído dos mais elevados ideais, na condição de explanador do Racionalismo Cristão. Vejamos o que diz sobre isso o saperólogo cearense em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 178, 179 e 180, assim:

“… o kantismo, como diz Schopenhauer, eliminou da filosofia o teísmo, mas exige em todo o caso a conservação da lei moral infinitamente pura da nossa religião, como um meio indispensável para assegurar a ordem moral, ao passo que a crítica psicológica e histórica sustenta em princípio e demonstra pelos fatos a morte de todas as religiões atuais, inclusive o catolicismo (grifo meu).

Em verdade as religiões estão mortas, mas o que não pode morrer é a religião em si mesma, isto é, o sentimento religioso, porque constitui a essência mesma da natureza humana, de onde se segue como consequência a necessidade da criação de uma religião nova (o Racionalismo Cristão, digo eu e grifo).

E esta há de vir… Pode suceder também que nasça… no momento oportuno, de algum canto obscuro da Terra, e anunciando esse grande ideal a que se refere Lange, aquele que ‘aparecendo como um estrangeiro vindo de outro mundo e exigindo o impossível, fará sair a realidade fora dos seus eixos’. Mas como quer que seja, há de vir, nem está longe a época da sua aparição.

Era ideia sustentada pelos mais nobres pensadores, de que se orgulha a história da humanidade, que enquanto essa nova religião não viesse, dando origem a uma nova ordem social que permita ao pobre, ao desgraçado sentir que é homem entre os homens, não se deveria ter pressa em combater a fé (a fé credulária, digo eu), a fim de não recorrer a um remédio, como diz Lange, pior do que o mal.

Estas reflexões são suficientes para fazer sentir a extrema gravidade da situação contemporânea. Torna-se urgente uma solução definitiva e radical ao problema da civilização. Até aqui dominaram as religiões reveladas, começa agora a religião naturalista. De modo que é a filosofia moderna que verdadeiramente constitui o ponto de partida da nova instituição religiosa, ou mais precisamente, é a filosofia moderna que verdadeiramente constitui a transição do passado para a religião do futuro”.

Jesus, o Cristo, alcançou a condição do Antecristo da sua humanidade. Assim, nesta condição, após explanar o Racionalismo Cristão da sua humanidade e fixar os seus ideais no seu mundo-escola, deslocou-se para a nossa humanidade, ainda na condição do Antecristo, com o objetivo de elaborar um plano para a nossa espiritualização. Para a consecução desse seu plano espiritualizador, teve que encarnar por diversas vezes neste nosso mundo-escola, primeiramente como Hermes, no Egito, depois como Krishna, na Índia, a seguir como Confúcio, na China, posteriormente como Platão, na Grécia, e, finalmente, como Jesus, na Palestina, quando então alcançou a condição do Cristo, estabelecendo a esse instituto no seio da nossa humanidade. Com o estabelecimento do instituto do Racionalismo Cristão neste nosso mundo-escola, a missão vitoriosa desse grandioso espírito para com a nossa humanidade teve o seu final, quando então ele retornou para a sua própria humanidade, já na condição do seu Cristo, deixando Luiz de Mattos, o fundador do Racionalismo Cristão, o espírito da verdade, e também o veritólogo maior, como sendo o chefe da nossa humanidade. Cabe a mim agora exercer o mesmo papel em relação à minha humanidade e em relação à humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo. Esse é o Cristo ideal, que cada uma das humanidade tem que formar o seu. Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a páginas, 200, 201, 203 e 204, discorrendo sobre a necessidade de se distinguir o Jesus real do Jesus inventado, diz o seguinte:

“... a negação da divindade de Jesus (no sentido de ser Deus, digo eu); e a consequência geral a que chegam é também a mesma — a distinção entre o Cristo real e o Cristo ideal. E esta distinção não é mais explícita em Renan do que em Strauss, quando Caro diz: ‘Distinguir o Cristo histórico do Cristo ideal, isto é, da ideia absoluta do homem que é inata à razão humana, e transportar do primeiro para o segundo a convicção que salva, tal será o movimento do espírito moderno, tal é o progresso a que tendem todas as nobres aspirações de nossa época, e pelo qual a religião do Cristo (o Racionalismo Cristão, digo eu) deve se transformar em religião da humanidade’.

Esta distinção já fora igualmente feita por Spinoza, segundo o qual, para a salvação não é absolutamente necessário conhecer o Cristo, segundo a carne, mas é necessário conhecer este filho eterno de Deus, esta sabedoria divina que se manifesta em todas as coisas, mais particularmente na alma humana, e que sobretudo se revela de um modo eminente em Jesus Cristo, e sem esta sabedoria ninguém pode chegar à salvação, porque só ela ensina o que é verdadeiro e o que é falso, o que é bem e o que é mal.

O Jesus que nos descreve Renan não tinha, em princípio, nenhuma teologia, nenhum símbolo, nenhum sacramento no sentido ordinário da palavra. O batismo, diz Caro, era para ele coisa secundária; a Eucaristia, uma metáfora. Mas em compensação, ‘funda a religião pura, eterna, absoluta, definitiva (o Racionalismo Cristão, digo eu), porque é livre de toda a teologia, de todo o rito oficial; funda o culto puro, sem data, sem pátria, aquele que praticarão todas as almas elevadas até o fim dos tempos’.

Mas o que é muito mais elevado e profundo é o desenlace da tragédia. Jesus torna-se nos últimos dias ‘um sombrio gigante que uma espécie de pressentimento grandioso lançava de mais a mais para fora da humanidade’. Mas, por isto mesmo fica isolado do mundo. O povo revoltado contra o reformador pede a sua morte. Ninguém lhe aponta uma falta, ninguém lhe poderá exprobrar um só erro, mas aquele que se faz portador da lei nova deve pagar com a vida o preço das suas ideias. A questão de Jesus torna-se questão morte. Jesus passa a ser olhado com terror mesmo por aqueles que o seguem, e é assim que começa a fazer-se o vácuo em torno de sua pessoa. Aqueles que o acompanhavam se escondem. Um discípulo o vende, outro o nega. E o momento supremo, quando estava já sobre a cruz, sentindo-se abandonado de todos e de tudo, pensou em si mesmo, refletindo sobre a própria situação, ele que até ali só vivera para pensar na sorte dos outros, e considerando no que se passava em torno de si, ficou ele próprio horrorizado. Foi então que Jesus proferiu estas palavras terríveis, que são a única face sombria em sua existência, porque representam o momento do desespero: Meu Deus, por que me abandonaste?”.

Farias Brito tentou de todas as maneiras enquadrar a religião em um patamar que estivesse ao alcance do seu raciocínio, mas não logrou êxito, embora soubesse que a religião deveria desempenhar um papel fundamental no seio da nossa humanidade. Sem entrar em contradição, ele primeiramente afirmou que todas as religiões estavam mortas, referindo-se logicamente às religiões sacerdotais, as que são reveladas, afirmando que iria surgir uma nova religião que iria servir de remodelação a todos os seres, assim como se estivesse se referindo ao Racionalismo Cristão. Mas mesmo com as religiões sacerdotais sendo inimigas ferrenhas das ciências, ele conseguiu antever que deveria haver um acordo entre elas, que havia um antagonismo apenas aparente. De fato, as verdadeiras religiões são as encarregadas de perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que dizem respeito às parcelas do Saber, evidenciando as causas de tudo, enquanto que as ciências são as encarregadas de compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria que dizem respeito às parcelas do Saber, evidenciando os efeitos de tudo. Então ambas se completam, com as religiões sendo as fontes das ciências, cujo casamento somente foi possível por intermédio do Racionalismo Cristão. Referindo-se ao assunto em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 250 e 251, ele diz o seguinte:

… o que sucede com os representantes da religião e da ciência. Cada um vê as coisas ao seu modo, cada um considera o universo somente por um de seus aspectos e através de um prisma particular e exclusivo. Entretanto, é preciso que haja verdade dos dois lados do debate, diz Spencer…

É preciso admitir que sobre um aparente antagonismo há entre a religião e a ciência um completo acordo. ‘É preciso, pois, que cada partido’, conclui Spencer, ‘reconheça nas pretensões do outro verdades que não é permitido desdenhar. É preciso que o homem que contempla o universo sob o ponto de vista religioso, aprenda a ver que a ciência é um elemento do grande todo, e que, a este título, deve ser considerada com os mesmo sentimentos que o resto. De outro lado, aquele que considera o universo sob o ponto de vista científico, aprenda a ver que a religião é também um elemento do grande todo e, a este título, deve ser tratada como um objeto da ciência e sem mais prejuízo que qualquer outra realidade. É dever de cada partido esforçar-se de compreender o outro, de persuadir-se que há no outro um elemento comum que merece ser compreendido e que, uma vez reconhecido, será a base de uma reconciliação completa’.

É força, pois, reconhecer que a religião e a ciência se fundam ambas na própria natureza, que repousam ambas sobre a realidade. E se, efetivamente, repousam sobre a realidade, é preciso que haja entre ambas uma harmonia fundamental, pois que não se pode admitir a hipótese de duas ordens de verdades em oposição absoluta e perpétua”.

Sendo detentor de uma sensibilidade impressionante, própria dos grandes espíritos, Farias Brito sentiu em sua alma a presença do Racionalismo Cristão no mundo, ao ser intuído pelas Forças Superiores, que dele se aproximou fazendo com que ele sentisse a sua presença, com ele pensando que era uma ideia que vinha de si mesmo. Ora, a única verdade que enche o mundo é proveniente do Racionalismo Cristão, como diferente não poderia ser, então o saperólogo cearense nos conta o estado de espírito em que se encontrava e como essa “ideia” brotou de si, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, a página 314, assim:

Era noite. Na impossibilidade de adormecer, levantei-me e saí. Silêncio profundo. A cidade estava calma. O céu estava sem nuvens. A frescura da noite alentou-me e eu comecei a sentir que uma força desconhecida me penetrava as profundezas do ser. Brilhavam no céu inúmeras estrelas e eu, olhando em torno de mim e vendo para todos os lados estender-se o espaço infinito, senti-me repentinamente dominado pela ideia de que uma grande verdade enche o mundo (grifo meu)”.

A doutrina do Racionalismo afirma que Deus é Força, que é Luz, mas estando ele agora sendo completado com o seu sistema, através da minha explanação, sabe-se que Deus é formado de Substâncias, que se divide em Essência e Propriedades. A Essência é o Ser Total, de onde são provenientes todos os seres. E as Propriedades são a Força, a Energia e a Luz, por onde todos os seres evoluem. Nas sessões do Racionalismo Cristão se realizam as vibrações, as radiações e as radiovibrações a Deus e ao Astral Superior. Farias Brito afirma que Deus é Força, que Deus é Luz, como que se referindo ao Racionalismo Cristão, que contém a verdade universal que enche o mundo, e que ele denomina de religião, pela falta de outra expressão equivalente, mas que se dirige ao verdadeiro Deus, por isso todas as religiões hão de lhe ceder o lugar, é o que podemos comprovar em sua obra Finalidade do Mundo – 1º. Volume, as páginas 345 e 346, quando ele assim se expressa:

Deus é força… Deus é luz…

… Daí o nome de religião… que em falta de outro equivalente julgo conveniente aplicar ao culto do verdadeiro Deus que é, na natureza, a luz, na consciência, a verdade. É a única religião de que poderá resultar consolo permanente para todos os que sofrem, bem como remédio pronto e seguro para todas as desgraças, porque é a que reflete a verdade universal que enche o mundo (grifo meu). Todas as outras, que são vagas aspirações do mesmo culto, umas todas misturadas de antropomorfismo, outras mais ou menos purificadas, dos erros e superstições, devem ser tratadas com tolerância e respeito, enquanto praticadas de boa-fé, mas todas hão de ceder o lugar à verdade que só pode ser uma”.

O Racionalismo Cristão luta pelo esclarecimento da nossa humanidade, pois quando todos os seres humanos estiverem esclarecidos não mais haverá a desgraça no mundo, pois que marcharemos céleres para um Estado Mundial. Aqueles que acumulam riquezas mudarão o seu comportamento, tornando-se magnânimos e liberais, utilizando os seus recursos em prol da comunidade, com vistas ao bem-estar de todos. Mas enquanto os seres humanos não forem esclarecidos, aqueles que acumulam riquezas procurarão acumular cada vez mais riquezas, em detrimento do próximo, sem saberem que são os mais desgraçados, pois após a desencarnação, ao chegarem aos seus Mundos de Luz, poderão contemplar todo o quadro de egoísmo em que medraram, sofrendo terrivelmente com a situação. Esse quadro de ignorância em que ainda vive a nossa sociedade foi observado por Farias Brito, em que ele apela para a imaginação para retratar todo esse quadro doloroso, como podemos observar em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 29, da seguinte maneira:

Imaginemos um banquete no qual os primeiros convivas que chegam tomam conta de todos os pratos e talheres, e quanto aos outros, em maior número, que chegaram por último, estes, que se limitem a olhar. Há manjar para todos, de sobra. Mas acreditam alguns que têm lugar no estômago para tudo. Ficam, entretanto, fartos logo aos primeiros bocados, mas querem que tudo lhes pertença por direito de primazia; e deste modo, nem comem, nem deixam os outros comerem. Tal é o quadro da sociedade”.

Jesus, o Cristo, não veio a este nosso mundo-escola para reformá-lo, mas sim para implantar em nosso meio o instituto do Cristo, pois que todos os seus ensinamentos até hoje ainda não foram compreendidos, sendo eles da alçada da compreensão do Antecristo, como se pode comprovar claramente neste site, na categoria A Cristologia. Jesus, o Cristo, pregou o amor espiritual, mas a nossa humanidade ainda não está preparada para produzi-lo, pois que antes ela tem que produzir a amizade espiritual, que fica a cargo do Antecristo a sua pregação, juntamente com uma reforma que se faz necessária neste nosso mundo-escola. Cabe, pois, ao Antecristo, realizar uma reforma no mundo, em nome de um grande ideal, e não às religiões sacerdotais, que pregam o sobrenatural e um culto aos deuses, em que estes não passam de espíritos inferiores quedados no astral inferior, como são os casos do catolicismo e do islamismo, sendo todas destituídas da verdadeira moral, pois que praticam a moral utilitária, já que são mercantilizadas. Abordando a este assunto, em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, as páginas 42, 43, 44 e 45, Farias Brito diz o que se segue:

… com o desaparecimento do sentimento moral… chegando a própria religião a se transformar em mercantilismo grosseiro e insaciável… nas diferentes religiões, o exercício do próprio culto, tudo é regulado exclusivamente pelo interesse. Uma divisão fundamental logo se estabelece na sociedade entre grandes e pequenos, entre poderosos e miseráveis. Uns, em pequeno número, dispõem de tudo, acumularam fortunas colossais, fizeram, por assim dizer, o monopólio da natureza, e não precisam de trabalhar para viver. Outros são reduzidos a trabalhar como máquinas, para poderem sustentar a si e aos seus, e neste trabalho insano a que são obrigados na indústria dos capitalistas, nem sequer dispõem de tempo para extasiar-se também diante das maravilhas da natureza. Tornam-se por fim insensíveis aos gozos da arte e à inspiração da ciência e voltam à condição de brutos. Outros nem sequer encontram em que trabalhar e fazem-se ladrões ou morrem de fome. Entretanto, o que é natural é que todos possam viver, e para isto o que, antes de tudo, é preciso é que cada um tenha o que comer. Uma reforma, pois, se faz necessária, sendo constituída a sociedade de modo a ser assegurada a cada um… a fácil conquista do pão; mas isto é o que só deve e só pode ser feito em nome de um grande princípio, em nome de uma grande ideia moral capaz de regenerar o mundo (grifo meu).

a sociedade deve ser reformada. Sim, a sociedade deve ser reformada, e a paz e fraternidade, que são o sonho de todos, se deve estabelecer entre os homens, assegurando-se a cada um, na comunhão social, o pão de cada dia, mas isto não pela luta e pelo ódio, o que em si mesmo envolve uma contradição nos termos, mas pela convicção e o amor.

falta, pois, o elemento reconstrutor, um ideal poderoso e fecundo, capaz de fazer, por sua influência renovadora, de toda a humanidade um só corpo (grifo meu).

… é preciso que sejam, antes de qualquer outra coisa, reabilitadas as condições morais da humanidade.

… Com efeito, o interesse não une, separa. Só uma ideia poderosa e fecunda, só uma grande ideia moral é que pode servir de princípio de união entre os homens (grifo meu). Todas as lutas, todas as divisões, todas as misérias da vida resultam de interesses”.

Farias Brito bate constantemente na tecla do estabelecimento de uma nova religião, pois que a intuição que recebe das Forças Superiores acerca do Racionalismo Cristão é constante, embora o Racionalismo Cristão não seja uma religião, mas sim uma filosofia, ou uma saperologia, de uma elevada concepção moral, em conformidade com as aspirações das ciências, notadamente porque explica a teoria atômica, uma vez que a matéria não existe, e os desastres tidos como sendo naturais, pois que a natureza não age contra os seres, mas sim em favor deles. Ele também bate constantemente na tecla de uma reforma social, em nome de uma grande ideia, sabendo que tudo isso somente pode vir por intermédio da Filosofia, mesmo estando a Filosofia mesclada com a Veritologia e a Saperologia, contribuindo assim com a sua pedra para a construção do edifício do futuro. É o que consta em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 49, quando ele assim se expressa:

São graves, gravíssimas as condições atuais da humanidade; e para a solução de uma situação tão angustiosa e terrível, indispensável se faz a reforma da sociedade. Mas esta só poderá ser definitiva e completa, só poderá ser verdadeiramente eficaz, pelo estabelecimento de uma religião nova em conformidade com as inspirações da ciência e que seja de natureza a poder satisfazer a todas as necessidades d’alma (grifo meu).

O meu ponto de vista é: a questão social deve ser resolvida religiosamente em nome de uma grande ideia.

Uma grande ideia, um grande princípio moral — eis, pois, qual deve ser o ponto de partida para a reforma das sociedades, reforma sobretudo nos caracteres, reforma sobretudo moral. Onde é, porém, que deve ser procurado esse princípio? A resposta só pode ser esta: na filosofia. E efetivamente é só pela filosofia que poderão ser resolvidas as dificuldades da civilização contemporânea. Foi o que eu compreendi; e foi porque esta compreensão terminou por se transformar em convicção profunda e insuperável que tomei a resolução de escrever esta obra, concorrendo assim também com a minha… pedra para a construção do edifício do futuro”.

A nossa humanidade ainda vive na fase da imaginação, em que tudo que ela produz se situa fora do âmbito da realidade, sem que os seres humanos consigam se desprender da fantasia em que vivem. Alguns veritólogos conseguiram alguns lampejos acerca da realidade, transmitindo alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Eu vim a este mundo para decretar o final de A Era da Verdade e estabelecer o início de A Era da Razão, quando então a nossa humanidade irá aos poucos deixar de imaginar, para adentrar na realidade da vida, que é universal. Farias Brito conseguiu compreender o universo da imaginação em que vivem os seres humanos, tanto que em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 125, citando Hume, diz o seguinte:

“… Hume mesmo nos dá a perceber com eloquência… ‘O universo em que estamos é sempre o universo de nossa imaginação, nem temos nenhuma ideia que seja produzida fora dele’”.

É sabido que Deus é Perfeito, Infinito e Ilimitado, mas Ele se tornaria Incompleto se não agregasse a Si mesmo a imperfeição, a finitude e a limitação, através dos seres, pois que somente assim Ele pode se tornar o Todo. Farias Brito tinha uma perfeita noção da magnitude dessa realidade de Deus, pelo que demonstra em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 215, da seguinte maneira:

Em outros termos: Deus pode ser considerado em si mesmo ou em suas afecções. Considerado em si mesmo é infinito e absolutamente indeterminado; mas considerado em suas afecções, constitui uma infinidade de seres finitos e determinados”.

Jesus, o Cristo, afirmou que “Somente a verdade poderá libertar o homem da ignorância e levá-lo ao cumprimento do dever”. De fato, com os conhecimentos metafísicos acerca da verdade sendo transmitidos ao mundo, o homem se livra da ignorância, pois adquire a moral, mas é necessário que sirvam de fontes para as experiências físicas acerca da sabedoria, em que se adquire a ética, tornando-se educado, quando então verdade + sabedoria = razão, livrando os homens das paixões, que os escravizam. As paixões, pois, são as grandes responsáveis por conduzir as vidas dos ignorantes, que carecem dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Sobre o assunto, em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 237, Farias Brito assim se expressa:

“… as nossas ações podem ser devidas ou à influência das paixões ou à inspiração do conhecimento. A ação sob a influência exclusiva da paixão constitui o que chama o filósofo o estado de escravidão. A ação sob a inspiração do conhecimento constitui o estado de liberdade. Quer dizer: o homem dominado pelas paixões é escravo; o homem dominando as paixões, é livre. Ora, para dominar as paixões só há um meio, o conhecimento; portanto, para ser livre só há também um meio: é ainda o conhecimento. O conhecimento é, pois, a condição fundamental da liberdade, o princípio e a vida da ordem moral.

Em outros termos e para apresentar a teoria em uma fórmula sintética: para ser livre, conhecer; para viver conforme a moral, ser livre. Por isto estabelece Spinoza: ‘O fim supremo do homem que é guiado pela razão, seu desejo supremo, este desejo pelo qual se esforça de regular todos os outros, é, pois, o desejo que o leva a conhecer de uma maneira adequada a si e a todas as coisas que caem sob a sua inteligência’”.

Mesmo sendo ridicularizado pelos meus estudos e escritos, chegando a provocar inclusive risos, sem qualquer apoio ou estímulo, eu já desprendi todo o esforço possível para divulgar as minhas obras, sendo carente de recursos e com todas as editoras rejeitando as minhas obras, eu confeccionei artesanalmente dois livros para vender a alguns conhecidos, que compraram apenas um deles por atenção a mim, mas nenhum dos compradores chegou a ler sequer uma linha. Cheguei a publicar algumas obras na Amazon, sem qualquer resultado, assim como tentei abrir um canal no You Tube, também sem qualquer resultado. Por fim, com muito sacrifício, só me restou a elaboração deste site de A Filosofia da Administração – Abrindo Mentes, que até hoje se encontra na internet, apenas não tive um leitor sequer. É notória a ignorância e a preguiça mental dos seres humanos, mas eu não desanimo, pois sou consciente de que estou fazendo a minha parte, então que cada um faça a sua, que o Astral Superior haja no sentido de divulgar os meus escritos. Mas o mesmo não se deu com Farias Brito, que pela falta de apoio e de estímulo se sentiu esgotado e sem forças, como ele mesmo afirma em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, as páginas 238 e 239, quando assim se expressa:

“… Já me sinto até certo ponto esgotado e sem forças; e sem apoio, nem estímulo, sem consciência mesmo da utilidade de meu esforço, não sei se poderei chegar ao fim de tão difícil jornada. Assim deixo logo, em seus termos gerais, apresentada a ideia. Isto adianta, pois… a análise detalhada do problema, sua vasta extensão filosófica, suas relações com o desenvolvimento histórico da humanidade e, sobretudo, suas aplicações morais. Mas como quer que seja, o que tiver de ser, será. Fica a ideia proposta. Quanto ao mais, o tempo dará a solução necessária. Demais o abatimento de que me sinto neste momento possuído, passará; e tenho fé que hei de voltar ao trabalho”.

Farias Brito produziu um trabalho notável, realizando uma análise minuciosa de todos os veritólogos que o antecederam, que para ele eram filósofos, dada a mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, o que comprova que ele, na qualidade de saperólogo, buscou os conhecimentos por intermédio das suas fontes, o que implica em dizer que os veritólogos e os saperólogos se completam, ou seja, que a Veritologia e a Saperologia se completam, fazendo surgir a Ratiologia. Mas de todos os veritólogos por ele analisados, aquele que lhe chamou mais atenção foi Spinoza, tendo ele se prendido ao seu sentimento, como ele mesmo afirma em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, as páginas 239 e 240, assim:

“… a doutrina de Spinoza, se bem que os princípios do grande pensador, viciados em uns, deturpados em outros, exagerados na maioria, sejam mal compreendidos e falsamente interpretados por quase todos. Os que menos estão na altura de compreender a verdadeira significação do problema, são, em regra, os que se mostram mais exaltados, escandalizando-se com o fato só de se propor uma questão de finalidade da natureza. Entretanto, convencido da legitimidade desta questão e certo da possibilidade de uma solução positiva para a mesma, foi em Spinoza que encontrei mais sólido apoio, e se há alguma filosofia a que meu pensamento se prenda, é exatamente a de Spinoza.

Com efeito, Spinoza diz positivamente no apêndice ao IV livro da Ética: ‘O conhecimento é o fim supremo do homem’. E diz mais na Reforma do Entendimento: ‘A experiência me tendo ensinado a reconhecer que todos os acontecimentos ordinários da vida comum são coisas vãs e fúteis, e que todos os objetos de nossos temores nada têm em si de bom, nem de mau, e não adquirem este caráter senão enquanto a alma é deles tocada, eu tomei enfim a resolução de buscar se existe um bem verdadeiro e capaz de se comunicar aos homens, um bem que seja capaz de encher, só por si, a alma inteira, depois que ela rejeitou todos os outros bens, em uma palavra, um bem que dê à alma, quando ela o acha e possui, a eterna e suprema felicidade’.

Este bem supremo, explica depois Spinoza, não é a volúpia, não é a glória, não são as honras, não é a riqueza, não é nada disto a que ele mesmo dá o nome de bens passageiros e vãos; mas a posse ou conquista de uma natureza humana superior. Para esta, duas coisas são indispensáveis: 1º.) o conhecimento ou compreensão da natureza universal, tanto quanto é necessário para adquirir essa natureza humana superior; 2º.) o estabelecimento de uma sociedade em que o maior número possa chegar segura e facilmente a este grau de perfeição”.

Na concepção, as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais se associam umas com as outras, não havendo combinações, pois que estas representam a imaginação, que combina imagens, mas sim associação, compondo uma interseção de conjuntos, com cada um deles assumindo uma cor que lhe é própria, em conformidade com o padrão de cor de cada uma das coordenadas do Universo, para que assim eles possam se encontrar ordenados em conformidade com esses padrões de cores, em que as coisas, os fatos e os fenômenos que assumiram as cores mais próximas de cada padrão de cor ficam gravitando ao seu redor, estando dispostos segundo uma ordem decrescente de tonalidade, que parte do núcleo identificador do padrão de cor, formando a primeira orbital, até a sua periferia, formando a última orbital, com esta fazendo fronteira com a ideia que assumiu a cor mais próxima de si, mas que pertence a outro padrão de cor de outra coordenada universal, e assim sucessivamente em todo o conjunto do Universo, para que não haja qualquer conflito, o que levaria fatalmente a uma contradição das ideias universais. Farias Brito é partidário da associação das ideias, como demonstra em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, as páginas 248, 251 e 252, da seguinte maneira:

A lei da associação das ideias foi também conhecida e proclamada pelos epicuristas e pelos estoicos, que chegaram a fazer dela a base do conhecimento, mas é só a Aristóteles que se pode atribuir a sua verdadeira compreensão psicológica…

Hoje, a associação das ideias já não é simplesmente uma lei psicológica, porém uma filosofia. Por ela se explicam as operações mais simples, como as elevadas manifestações do espírito. Os grandes processos mentais, a inteligência, a razão, o conhecimento, são encadeamentos da associação… A associação é, pois, o fato último a que tudo se reduz e pelo qual tudo se pode explicar.

Estamos, pois, em face de uma grande e poderosa doutrina que terá de entrar com valioso contingente para a constituição da ciência do futuro. Com certeza a teoria ainda não se acha definitivamente estabelecida e terá que passar por modificações talvez radicais; mas o gérmen de grandes verdades acha-se ali depositado.

… a associação das ideias, a lei que tudo regula e da qual se originam todas as operações do espírito. Eis em essência a teoria associacionista

Embora Farias Brito não tivesse conhecimento preciso acerca do mecanismo por inteiro da inteligência, ele sentiu a necessidade de submeter a esse processo um critério seguro para se chegar à verdade. De fato, nós temos três órgãos mentais: o criptoscópio, que é o encarregado de perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade; o intelecto, que é o encarregado de compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria; e a consciência, que é a encarregada de coordenar o criptoscópio e o intelecto. Esses três órgãos mentais são comandados pelos nossos atributos. O criptoscópio pelos atributos individuais superiores ou inferiores, que quando são superiores formam a moral, possibilitando ao espírito se elevar ao Espaço Superior, para lá perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, uma vez que o Espaço Superior é o seu repositório. O intelecto pelos atributos relacionais positivos ou negativos, que quando são positivos formam a ética, possibilitando ao espírito se transportar ao Tempo Futuro, para lá compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, uma vez que o Tempo Futuro é o seu campo de atuação. E a consciência pelos atributos individuais superiores e relacionais positivos, tornando o espírito educado, quando então ele se universaliza, já que a consciência coordena o criptoscópio e o intelecto. Em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 263, Farias Brito diz o seguinte:

… estabelecer um critério seguro da verdade. Parece tudo isso muito simples, mas em verdade não o é, e para chegar a qualquer resultado é mister submeter a exame em seus fundamentos o mecanismo todo inteiro da inteligência (grifo meu)”.

Farias Brito buscava uma finalidade para o mundo, tanto que deu esse título a uma de suas obras, composta de três volumes, mas não seriam os credos revelados e nem as ciências que deveriam explicar a finalidade do mundo, pois que ele revelou único modo através do qual se poderia explicar a essa finalidade: a evolução. De fato, somente por intermédio da evolução espiritual é que se pode explicar todo o mecanismo não somente do mundo, mas também do Universo. Em sua obra Finalidade do Mundo – 2º. Volume, a página 300, e no 3º. Volume, as páginas 50, 162 e 163, ele assim se expressa:

… Evolução é a palavra mágica que tudo explica: na lei da evolução está a decifração do enigma do mundo.

Por evolução tudo se explica, em evolução tudo se resolve, desde a queda dos corpos até as mais altas operações do espírito.

a questão da criação, ‘o maior e o mais difícil entre todos os enigmas’, no dizer de Haeckel.

Tudo, porém, se pode resolver muito facilmente e quase que se pode dizer, por uma simples penada, uma vez adotada a fórmula… evolução… Eis, pois, a chave para a solução do problema: tudo se forma e tudo se deve explicar por evolução.

É, pois, por evolução que se explica a variedade das coisas. Não é simples, não é lógico, não é racional? Só resta admirar que se tenha levado tanto tempo para chegar ao conhecimento de uma coisa tão clara. E resulta daí uma arte nova, uma moral nova, uma religião nova. Trata-se efetivamente de uma fórmula que tem o poder de uma vareta mágica”.

O Racionalismo Cristão foi estabelecido no seio da nossa humanidade para acabar com o caos moral e ético em que vivemos, esclarecendo a todos os seres humanos. Farias Brito conseguiu compreender as grandes transformações por que o mundo deveria passar, tendo por base a espiritualidade, descrevendo o quadro doloroso em que se encontram as sociedades, decaídas no mais alto grau de perturbação. Sendo intuído pelas Forças Superiores, ele conseguiu compreender a elaboração de um direito novo, de uma nova moral, de uma nova religião, entendendo-se como nova religião o Racionalismo Cristão. Em sua obra Finalidade do Mundo – 3º. Volume, as páginas 28 e 29, ele descreve a tudo isso da seguinte maneira:

… todos sentem que o mundo passa por uma transformação radical; e ao passo que, por um lado, as ciências se organizam, dando lugar, como vimos, a um espantoso desenvolvimento, no que tem relação com as formas de atividade que se referem as manifestações do trabalho e da indústria, vê-se por outro lado, que limites inacessíveis são impostos à atividade do espírito, no que diz respeito às manifestações superiores do conhecimento, sendo ao mesmo tempo negada a autoridade dos princípios que até agora serviram de base ao organismo da sociedade. Disto resulta um grave estado de perturbação, fazendo sentir os seus efeitos perniciosos, a anarquia mental que, todos reconhecem, hoje perturba o mundo. Esta influi sobre a política, influi sobre o governo, influi sobre todas as manifestações da ordem social, desorganizando a própria família, centro e base da vida moral, e ponto de partida para a organização do Estado, sendo que sem moral na família não há, nem pode haver segurança e estabilidade na vida pública. Tudo isto é muito grave. Mas o que é pior é a extraordinária sede de inovação que se apodera dos espíritos, constituindo-se o mais poderoso elemento de desorganização. Fala-se por toda parte em um direito novo, em uma moral nova, em uma religião nova”.

Sem o devido esclarecimento espiritual, sem que os seres humanos adquiram a devida consciência de que são espíritos vindos dos seus Mundos de Luz para encarnarem neste mundo-escola, onde se encontra a natureza, para exercerem um papel em conformidade com o plano de espiritualização da nossa humanidade, onde aqui adquirem os atributos individuais superiores que formam a moral e os atributos relacionais positivos que formam a ética, para que assim possam se tornar verdadeiramente educados, desenvolvendo os seus órgãos mentais para burilar as suas inteligências, enquanto não houver esse esclarecimento espiritual, os seres humanos não poderão pautar os seus procedimentos em conformidade com aquilo que foi planejado em seus Mundos de Luz. Esse esclarecimento espiritual foi previsto por Farias Brito, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 3º. Volume, as páginas 31 e 32, ele afirmou:

“… ninguém se poderá elevar à compreensão da verdadeira noção do dever, sem compreender claramente: 1º.) qual a significação racional da natureza; 2º.) qual o papel que representa o mundo. Em uma palavra: a moral só pode ser deduzida por uma concepção do todo universal, isto é, por uma filosofia. Se eu não sei para que vim ao mundo, se eu não sei qual o destino das coisas, também não sei como deva proceder. Isto é decisivo. Quando muito poderei imaginar que tudo isto que me cerca, foi feito para o meu gozo: é a moral utilitária, é a moral do apetite e do instinto: numa palavra, é a vida conforme a natureza, ao passo que a moral propriamente dita deve ser a vida conforme a razão.

É o conhecimento próprio que sobretudo importa para a dedução das leis da conduta, verificando-se assim mais uma vez a importância e alta significação do conselho de Sócrates: conhece-te a ti mesmo. Também por isto forçoso é reconhecer uma certa verdade no princípio de Protágoras: o homem é a medida de todas as coisas. É que nada se pode fazer sem a coparticipação da consciência. É a consciência que verdadeiramente constitui a fonte única do conhecimento. O homem deve primeiro interrogar-se a si próprio: é a condição para a interpretação da natureza. Mas isto é apenas o ponto de partida”.

Mesmo ignorando que as religiões são as encarregadas de perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade relativos às parcelas do Saber, servindo de fontes para as ciências, que por sua vez são as encarregadas de compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria relativas às parcelas do Saber, pois que ambas sempre foram mescladas, já que a classe sacerdotal sempre manteve presas as religiões em suas garras aduncas, mesmo assim, Farias Brito descarta a possibilidade das ciências conhecerem o todo, sabendo-se que elas ainda não conhecem nem as partes com que se ocupam, já que ainda ignoram a existência dos seres atômicos, dos seres moleculares e outros. É o que podemos constatar em sua obra Finalidade do Mundo – 3º. Volume, as páginas 34 e 35, quando ele diz o seguinte:

“… é somente da ordem dos fenômenos que as ciências cogitam. Mas os fenômenos são apenas manifestações acidentais da existência. Por conseguinte, conhecem as ciências somente acidentes, modalidades exteriores da existência; mas não a existência mesma. Quer dizer: conhecem partes; mas não o todo. Deste modo nunca poderão chegar à compreensão da verdadeira significação racional da natureza, isto é, nunca poderão precisar uma concepção do mundo, e, sem isto, é impossível fazer a dedução da moral”.

Farias Brito tinha uma noção profunda acerca da espiritualidade, pois concebia que a vida não poderia se extinguir no túmulo, havendo uma outra vida após a desencarnação, vivida em outras regiões do Universo. É o que podemos constatar da sua narrativa acerca do seu pai, que se encontrava no leito de morte, acometido de sofrimentos dolorosos, quando abalado o grande saperólogo cearense se manifestou em sua obra Finalidade do Mundo – 3º. Volume, as páginas 111 e 112, da seguinte maneira:

“… Meu pai morreu em consequência de uma insuficiência mitral proveniente de uma lesão no coração. Esta moléstia produz nos últimos momentos sofrimentos indescritíveis. Meu pai realmente sofreu em extremo, e no último instante ainda soltava um gemido lento, um ai profundo, quase imperceptível. Ele tinha então na fisionomia a expressão de quem chora, ao mesmo tempo que levava lentamente a mão ao coração. Era a sua última dor, considerando todos os seus sofrimentos durante a moléstia, era assim que eu pensava comigo mesmo exatamente naquele momento: — Oh! Não é possível que tanto sofrimento seja para nada. E se no movimento do cosmos, em toda a extensão do espaço e do tempo, como é sabido, nada se extingue, nada se perde, também é certo que meu pai não se extinguirá, e há de passar daqui para alguma região desconhecida do espaço, continuando a existir, continuando a trabalhar, sob outra forma, mas como elemento imperecível, na obra eterna da natureza”.

Em suas análises sobre os escritos dos veritólogos, Farias Brito passa a concordar com Haeckel, afirmando que os átomos não formam a matéria, uma vez que a matéria não existe, pois que são partículas elementares vivas dotadas da propriedade da Força, esquecendo-se de completar que eles são também dotados da propriedade da Energia, já que possuem alma, conforme consta em sua obra Finalidade do Mundo – 3º. Volume, as páginas 153 e 154, assim:

“… os átomos, segundo Haeckel, não são simplesmente pequenas massas de matérias mortas, mas partículas elementares vivas dotadas de forças… ‘Nós aí apoiamos nossa convicção de que já os átomos possuem, sob sua forma mais simples… uma alma universal sob sua forma mais primitiva’”.

É certo que a Veritologia e a Saperologia sempre foram mescladas, sob a denominação imprópria de Filosofia. Enquanto que as religiões sempre foram mescladas com as ciências, sob a denominação imprópria de ciências. A Veritologia é a mãe das religiões, enquanto que a Saperologia é a mãe das ciências. Estando envolvido por essa mescla, mesmo assim, Farias Brito considera que a Filosofia é a mãe das ciências. Mas acontece que as ciências progrediram sob a bandeira de um materialismo exacerbado, negando por todos os meios a existência da espiritualidade, já que para elas tudo tem que ser verificado experimentalmente, ignorando completamente que os conhecimentos são as causas, enquanto que as experiências são os efeitos. E como realmente existe o progresso científico, apesar de esteado sob falsas bases, as ciências, assim consideradas com as mesclas religiosas, das verdadeiras religiões, diga-se de passagem, acabaram por sufocar a Filosofia, sendo necessário que o Racionalismo Cristão surgisse para colocar cada uma nos seus devidos lugares. Farias Brito considerou esse sufoco que as ciências infringiram na Filosofia, quando em sua obra A Base Física do Espírito, as páginas 23, 24 e 61, ele assim se expressa:

É, pois, da ciência que parte o golpe mortal contra a filosofia. Ora, nós sabemos que a ciência é filha da filosofia. Costuma-se mesmo dizer que a filosofia é como uma árvore de que resulta a ciência. É um fato que se prova não só pela história do pensamento, como igualmente pelo exame direto do espírito. Mas aqui acontece que a filha matou a própria mãe. É como se o fruto, desenvolvendo-se em excesso, terminasse por matar a árvore de que foi gerado, por lhe absorver toda a seiva e vigor. Verdade é que o fruto, de si mesmo, encerra a semente que há de nascer a árvore nova; mas o sábio não considera isto, e, deslumbrado pelo poder da ciência, conclui que a filosofia está morta e bem morta.

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Particularizando-se na observação dos fenômenos, a filosofia produz as ciências, que são por isto mesmo o conhecimento especializado, decomposto em diferentes disciplinas, na proporção dos diferentes aspectos com que se nos apresenta a realidade”.

Como Jesus, o Cristo, afirmou: “a ignorância é o grande mal da humanidade”. Enquanto a nossa humanidade não se esclarecer, passando a estudar a Veritologia, a Saperologia, a Ratiologia, as religiões, as ciências e as religiociências, certificando-se sobre o papel que cada uma exerce no contexto da vida, enquanto isso não acontecer, com os credos sendo postos de lado, pois que somente mal fazem aos seres humanos, teremos sempre uma guerra de pensamentos, tal como Farias Brito afirma em sua obra A Base Física do Espírito, a página 33 e 35, quando ele diz:

A ciência contra a filosofia, a filosofia contra a religião, e, na esfera da atividade religiosa em particular, cada religião contra todas as religiões — eis o estado atual do espírito humano.

A causa real de todos os conflitos, de todas as lutas, de todas as tradições do espírito, como de todas as convulsões sociais, é o erro que se disfarça por mil modos e domina como senhor onipotente. Se não o erro, mas a verdade dominasse, todo o conflito desapareceria, e a paz reinaria, sem interrupção, entre os homens. Somos, pois, obrigados a proclamar, no caso particular que nos ocupa, que a ciência que se opõe à filosofia, é uma falsa ciência. Do mesmo modo devemos reconhecer que a filosofia que se opõe à religião, é uma falsa filosofia. E assim é, porque todas estas produções do espírito, ciência, filosofia, religião, são necessárias e correspondem a aptidões reais e vivas que têm seu fundamento natural e orgânico no mecanismo mesmo de nossa vida espiritual”.

A fé, cuja palavra é proveniente do latim fide, que significa fidelidade, em conformidade com a própria etimologia da palavra, cujo radical é fiel, implica diretamente naqueles que realmente são dignos de fé, por cumprirem aquilo a que se obrigam ao encarnarem, pelo fato de serem sinceros, leais, honestos, honrados, íntegros, probos, corajosos, de boa vontade, e outros atributos individuais superiores e relacionais positivos mais, que não falham e são seguros no cumprimento das suas obrigações, dos seus deveres e da suas missões neste mundo Terra, e que por isso não permitem desvios em suas trajetórias evolutivas, por serem firmes, constantes, perseverantes, sendo fiéis às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais, portanto, autênticos e verdadeiros, para que assim, e somente assim, possam ser os grandes e valorosos servidores da nossa humanidade, contribuindo decisivamente para o progresso de todos os seres humanos, como se a nossa humanidade viesse a representar uma única família.

Então a verdadeira fé, a fé racional, a fé que tanto pode ser percebida como compreendida, tem que ser depositada nesses espíritos de luz, já imensamente evoluídos, nesses grandes vultos que integram a nossa humanidade, que encarnam neste mundo com a finalidade precípua de fazer evoluir aos seus semelhantes e aos demais seres que aqui no planeta se encontram em evolução, e não depositada em um mito, por ser falso, como nas imagens de deuses sobrenaturais, como o falso deus bíblico e outros, feitos à imagem e semelhança do homem, por haverem sido obras do astral inferior, e por serem representados por espíritos obsessores decaídos no astral inferior. Daí a razão pela qual os credulários vêm afirmar que “deus é fiel”, mas duvido que esse deus bíblico seja mais fiel do que o próprio cão, o simples cachorro, que defende ao seu dono com a sua própria vida, e com muita valentia, enquanto que esse deus bíblico pretende exterminar aos que são considerados como sendo ímpios, que também são considerados como se fossem os seus filhos, ao invés de regenerá-los, ou então mandá-los para serem queimados para sempre no fogo do inferno, demonstrando assim um sadismo acima de todos os parâmetros que possam ser imaginados, e também concebidos.

Os próprios estudiosos do assunto afirmam que se a fé credulária acompanha uma possível abstinência à dúvida, que ela o faz pelo antagonismo inerente à natureza dos processos psicológicos e da lógica conceitual, considerando ser impossível ter fé credulária e duvidar ao mesmo tempo. Mas eles se encontram completamente equivocados, pois que é possível sim, ter fé credulária e duvidar ao mesmo tempo, sendo isso exatamente o que acontece na realidade, uma vez que a fé credulária não é absoluta, mas sim relativa à imaginação, então a dúvida logicamente existe, e existe realmente realçando todas as suas cores da incerteza, basta apenas procurar enxergar com os olhos da razão, sem imaginar, e não com os olhos da cara, imaginando. Acontece, porém, que aqueles que julgam possuir a fé credulária tentam de todas as maneiras afirmar a sua absolutividade, porque têm medo de que percam a salvação, caso venham a admitir qualquer dúvida em relação a ela, estando deste modo enganando a si mesmos e sendo enganados pela classe sacerdotal, que disso se aproveita para arrecadar cada vez mais, mesmo sem saberem, em função da falta de raciocínio. Vide o tópico 11.06- A fé e a convicção, na categoria Prolegômenos.

Farias Brito sentiu em seu grande espírito a imensa diferença que existe entre a fé credulária e a fé racional, esta última em conformidade com a razão, embora não soubesse explicar a essa imensa diferença, mas afirmando que a fé credulária já não mais existe, tendo sido desmoronada pela crítica demolidora, contudo com ela tendo que ser renovada, logicamente que sendo substituída pela fé racional, por intermédio da Filosofia. É o que vamos encontrar em seus escritos na obra A Base Física do Espírito, as páginas 77 e 78, quando ele assim se expressa:

“… não há salvação fora da fé. E creio que esta é uma fórmula comum a todas as igrejas. É a fé a crença comum, é a fé a fraternidade entre os homens. É assim que a fé se resolve em amor. Em verdade nada se pode conceber de mais belo. Mas os tempos da fé passaram de todo. Hoje, já não é permitido apelar para a fé; simplesmente por isto: que não é permitido apelar para o que já não existe. No estado atual do mundo, a nota característica do espírito é a anarquia. A fé foi desmoronada pela crítica demolidora e a anarquia que se nota, foi exatamente a consequência inevitável desse desmoronamento da fé. E não é dado a fé, assim derruída, chamar a ordem os espíritos anarquizados. A fé que salva, a fé que remove montanhas, a fé que faz milagres, é a fé viva. Seria, porém, absurdo esperar milagres da fé morta.

Será então necessário renovar a fé? Sim, porque sem fé não há ligação para as almas e é necessário que toda a humanidade constitua um só corpo. É a fé que faz união, e é a união que faz a força. É por isso que a fé remove montanhas.

É preciso, pois, renovar a fé. Para essa renovação, porém, onde achar a fonte viva de energia? Na ciência, não, porque a ciência se detém em face dos princípios e, sendo apenas um instrumento de ação, tem relação somente com a ordem econômica, não pode assim elevar-se à concepção do ideal que deve ser o fundamento e a base da ordem moral (grifo meu). Na arte, também não, porque a arte, refugiando-se no sonho, limita-se a uma contemplação passiva e não pode assim deduzir leis que sejam princípios de vida, constituindo ao mesmo tempo um ideal de justiça e de bondade.

Que é então necessário para renovar a fé? Em outros tempos dizia-se: credo, quia absurdum. E isto significa que para crer não era necessário compreender. Hoje deve-se afirmar exatamente o contrário: para crer é indispensável primeiramente compreender. Para renovar a fé, só há, pois, um meio: é interrogar a realidade, e entrar em luta com o desconhecido e esforçar-se por desvendar o mistério da existência. Isso equivale a dizer: para renovar a fé o único meio é recorrer à filosofia (grifo meu). É, pois, da filosofia que deve provir o princípio da renovação. Também a filosofia é a fonte mesma da fé, e toda fé, sem excetuar a fé revelada, foi sempre, em começo, uma filosofia que se impôs à consciência das multidões”.

Esquecendo-se da própria etimologia da palavra psicologia, que vem do grego psychê, com o significado de alma, Faria Brito faz duras críticas à psicologia experimental, no que se deve incluir também a psiquiatria, afirmando que os psicólogos esqueceram da alma e se voltaram, única e exclusivamente, para o lado fisiológico, por se ocuparem somente do cérebro, afastando-se da tradição primitiva, tornando-se uma psicologia sem alma. É o que vamos encontrar em sua obra A Base Física do Espírito, as páginas 100, 107, 108, 164, 168, 247, 263, 291, 292, 295, 296 e 297, da seguinte maneira:

“… a psicologia tradicional diz: há além da máquina, um maquinista que sobrevive; esse maquinista é a alma.

A psicologia experimental, não podendo acreditar, senão no que vê e observa, considera a alma como uma entidade mitológica criada pela fantasia infantil dos povos primitivos, e para explicar os fenômenos da sensibilidade, e o mais que daí deriva, limita-se a examinar o organismo mesmo, tal como se nos apresenta, não só no homem, como igualmente no resto da animalidade, tornando-se assim a psicologia simplesmente uma questão de fisiologia. A psicologia é a fisiologia do cérebro, diz a ciência moderna. Foi assim que a alma, tornando-se inútil, foi afinal eliminada, e a psicologia, afastando-se da tradição primitiva e submetendo-se aos métodos da observação experimental, tornou-se uma psicologia sem alma. ‘A psicologia moderna’, diz Ribot, ‘difere da antiga por seu espírito: não é metafísica; por seu fim: só estuda fenômenos; por seus processos: tira-os, quando possível, das ciências biológicas’.

A psicologia fisiológica tem raízes profundas na história do pensamento e justifica-se pela simples consideração exterior do mecanismo da vida. Ora, eu ouço pelos ouvidos, vejo pelos olhos, e movo-me, pondo em atividade a energia muscular de que é dotado o meu organismo. A cada um dos sentidos, com que entra a consciência em relação com o mundo, corresponde um aparelho devidamente apropriado no sistema da organização nervosa, e o espírito, na sua totalidade, já quando recebe a ação dos elementos exteriores, já quando tende a agir sobre a natureza, só se compreende e explica em ligação com o organismo e como repercussão necessária do organismo. Sente pelos órgãos da sensibilidade e age pelos órgãos do movimento. Ora, se o espírito é o que sente e percebe e é ao mesmo tempo capaz de agir… separar uma coisa da outra seria… Como, pois, separar a psicologia da fisiologia… Separar o espírito do corpo… e a influência…

nesta ligação entre a matéria e o espírito, e a questão das relações entre o corpo e a alma é que tem verdadeiramente constituído o que se pode chamar o desespero dos filósofos (grifo meu).

O conhecimento do nosso próprio ser, o conhecimento da natureza mesma do homem em sua significação mais profunda, isto é, o conhecimento do homem como ser pensante, racional e moral, — tal é precisamente o objeto do que se chama psicologia. E que conhecimento, fora deste, se poderá, por ventura, conceber que seja mais fecundo e tenha mais vivo interesse… para o nosso pensamento? Decerto nenhum. Qualquer outro conhecimento é referente somente a modalidades exteriores da existência, e limita-se a descrever formas que passam, aparências acidentais.

O esforço dos psicólogos que trabalham por explicar os fenômenos psíquicos, simplesmente por análise fisiológica, sem analogia com o esforço dos naturalistas que trabalham por explicar a vida simplesmente por análise físico-química, tem sido, não obstante, imenso; e seria difícil, senão impossível, fazer o inventário de seus trabalhos ou a apresentar a síntese das experiências que foram tentadas, a partir dos primeiros laboratórios de observação que foram estabelecidos. Por enquanto, as conclusões ainda não foram tiradas: tudo se tem limitado a experiências ou a tentativas de experiências; mas os trabalhos são já tão numerosos e tão complexos que começam a oferecer a perspectiva de um caos em que será difícil introduzir a ordem.

Quando, entretanto, se consideram os tratados de psicologia e compara-se a parte fisiológica, o estudo anátomo-fisiológico do cérebro e o exame histológico do sistema nervoso, com as investigações relativas aos processos propriamente psíquicos, às operações lógicas, aos fenômenos estéticos e aos processos de ideação, tem-se a impressão de um edifício que tem o seu alicerce no solo, mas é construído nas nuvens… Para que todo esse complicado aparelho técnico, o meticuloso exame das condições físicas das sensações, da estrutura e das funções do sistema nervoso, etc.? Que luz resulta daí para desfazer as trevas deste mundo obscuro e impenetrável em que se realiza a fenomenalidade psíquica?

Todas as indagações da psicologia experimental são dominadas pela ideia de introduzir o cálculo e a experimentação no estudo da fenomenalidade psíquica. Trata-se de medir as sensações, trata-se de determinar com precisão a base física para as operações do espírito (grifo meu). Mas as buscas são sempre fragmentadas e isoladas, e em cada laboratório considera-se uma dada ordem de fatos, escolhida muitas vezes ao acaso, sem direção, nem destino, e por fim aparece uma sombra imensa de fatos, com o registro das observações, mas nada autoriza a generalizar qualquer lei. Muda-se então de direção, mas o resultado é o mesmo. A consequência é que as observações e experimentações multiplicam-se de tal modo que de todo se torna impossível não só inferir qualquer coisa que possa ser verdadeiramente útil à ciência, como mesmo imaginar o que se deva esperar como resultado final. ‘Querendo julgar-se o movimento’, diz Kostlyleff, ‘fica-se verdadeiramente perplexo. Não se distingue nem o fim para onde tende, nem a ideia que o dirige’.

não é permitido explicar o espírito pela matéria (grifo meu)

Tal é a causa verdadeira da impotência da psicologia científica que em vão se tem esforçado em tentativas de experimentações e jamais chegou a firmar uma só lei, à maneira das leis físicas ou mesmo das leis biológicas. Para dar uma ideia decisiva de ineficácia do método experimental, objetivo, em psicologia, basta indicar um único exemplo, de que aliás nos dá conta o próprio Kostlyleff. Müller e Pilzecker levaram oito anos a fazer experiências, indagando em particular, deste fato isolado — a memória das sílabas privadas de sentido. Fizeram 20.000 experiências. Parece incrível que o esforço e a paciência humana pudessem chegar a esse ponto.

Não. É preciso mostrar a nulidade de todos os artifícios de que se socorre o espírito de sistema e voltar ao exame dos fatos, na sua significação real e positiva, sem preocupações sectárias, sem outro intuito a não ser o conhecimento da verdade. E debaixo deste ponto de vista, quem for imparcial e sincero, há de reconhecer se manifesta sob este duplo aspecto… como espírito e como matéria (sabendo-se que a matéria não existe, digo eu). Para conhecer a matéria, o método é a observação exterior ou a experimentação, para conhecer o espírito o método é a observação interna ou a introspecção.

Sair disto é recusar-se ao testemunho imediato, permanente, irresistível e certo da consciência, para se deixar dominar pelo espírito de sistema. Tal é a razão, a causa verdadeira do desastre e da impotência radical da psicologia científica, causa que não querem ver, mas que está sempre a agir, contrariando os mais nobres esforços pela ciência; anulando o poder dos mais poderosos espíritos, uma vez que o que pretendem é irrealizável: explicar o psíquico pelo físico, o espírito pela matéria, o consciente pelo inconsciente.

É certo, e ninguém de boa fé poderá contestá-lo, que os fenômenos psíquicos se ligam aos órgãos dos sentidos e estão sob a dependência do cérebro e do sistema nervoso. Mas daí não se segue que possam ser estudados por simples análise fisiológica”.

E continua o grande saperólogo cearense em sua crítica mordaz à psicologia, agora em sua obra O Mundo Interior, as páginas 77 e 78, 80 e 81, dizendo o seguinte:

Numa coisa andaram acertadamente os psicólogos modernos no qualificativo que deram à sua ciência de ‘Psicologia sem alma’. Realmente, a psicologia dos tratados, feita nos laboratórios de experimentação, com suas descrições anátomo-fisiológicas, com seus quadros demonstrativos, com suas tentativas de medida das sensações e da duração dos atos psíquicos, etc., é, não há como negá-lo, e forçoso é reconhecer que a expressão é justa e precisa, ‘uma Psicologia sem alma’. E isto equivale a dizer uma Psicologia morta; o que significa: uma Psicologia que nos não instrui, nem edifica, que nada nos diz sobre a verdadeira significação da energia que reside em nós: dinâmica puramente exterior, inconsciente e fatal, que em vão se esforça por explicar o espírito em função da matéria (sabendo-se que a matéria não existe, digo eu), deixando-nos sempre no vazio e no escuro. Muito mais instrutiva é, decerto, a Psicologia dos poetas e dos romancistas, que jogam, é verdade, com personagens fantásticos, mas inspirados na observação dos fatos e criados pela imaginação sob a pressão mesma da vida, senão reais, pelo menos possíveis, sendo de notar que é sempre das próprias paixões, das próprias lutas e sofrimentos, dos próprios sonhos e aspirações, que nos dá o artista, em seus personagens, a descrição viva e palpitante.

Os psicólogos da escola experimental ou científica, quando encontram alguma dificuldade para explicar qualquer fato, são forçados a deixar suspensa a questão, recorrendo a algumas destas fórmulas mui comuns — não há ainda para esse fato interpretação positiva; — a ciência é ainda, a esse respeito, indecisa —; é preciso esperar que com a experiência se faça a luz sobre esse ponto — etc. Significa isso que, quando se veem obrigados a confessar a impotência de seus esforços, justificam-se, alegando que a Psicologia é, ainda, uma ciência rudimentar, que está muito longe de poder considerar-se como definitivamente constituída: o que se explica, segundo outra fórmula também mui comum, pelo caráter extremamente complexo dos fenômenos”.

Farias Brito não se encontrava esclarecido acerca da vida fora da matéria, entendendo-se por matéria tudo aquilo que torna os seres humanos materializados, já que a matéria não existe, mas apesar de não ser ainda esclarecido, mesmo assim, ele intuía a Psicologia como sendo a ciência do espírito, dada a sua extrema espiritualidade, chegando, inclusive, a afirmar que o espírito é energia, confundindo assim o espírito com a alma, em que esta é formada de força, energia e luz. Assim, o grande saperólogo passa a definir o que seja a Psicologia, como podemos constatar em sua obra O Mundo Interior, as páginas 85 e 86, da seguinte maneira:

Para dar, porém, aos fatos evidência irresistível, tratemos de precisar com todo o rigor o conceito de Psicologia, em sua significação real e fundamental, não dessa Psicologia dos sábios, quando se esforçam por indicar os meios para fazer a medida da fenomenalidade psíquica, ou quando trabalham por ‘construir a consciência como quem edifica uma casa com tijolos’, na linguagem de James, Psicologia provisória, artificial e falsa; mas da Psicologia verdadeira, dessa que se propõe a interpretar nas suas inúmeras manifestações essa energia estranha que reside em nós, que sente e se emociona, que pensa e reflete, sonha e deseja, e é também capaz de refletir a imagem do universo. Que vem a ser essa Psicologia?

Eu chamo Psicologia a ciência do espírito, e entendo por espírito a energia que sente e conhece, e se manifesta, em nós mesmos, como consciência, e é capaz, pelos nossos órgãos, de sentir, pensar e agir. É essa energia em nós uma manifestação particular da matéria? Pouco importa. Nessa manifestação particular a matéria adquire caracteres especiais que a constituem um princípio a parte e sui generis, que é o ponto de partida para uma série de fenômenos que são essencialmente distintos dos fenômenos da matéria, pelo menos, considerada esta em suas manifestações exteriores. So esse ponto de vista, tanto importa considerar o espírito como uma substância independente, ligada apenas acidentalmente à matéria, como considerá-lo como fenômeno da matéria, ou mesmo como simples epifenômeno. De toda a forma, há no espírito modalidades especiais da realidade, um poder agente e real, vivo e concreto, que não somente sofre a ação dos elementos exteriores, como ao mesmo tempo é capaz de agir sobre eles; um princípio vivo de ação, capaz de modificar, embora em proporções infinitamente pequenas, compreende-se, a ordem da natureza capaz de dominar-se, capaz de exercer domínio sobre as coisas: uma força criadora, que não só tem a faculdade de emocionar-se em face do poder soberano da natureza, como, ainda, de criar alguma coisa de novo, aumentando sob certo ponto de vista e relativamente as proporções da realidade pelas produções e pelas maravilhas da arte. Ora, esse poder agente e real, esse princípio vivo de ação, essa força criadora, não poderá deixar de ser objeto da ciência, e é o que mais interessa ao nosso conhecimento. Há, pois, uma ciência desse poder agente e real, desse princípio vivo de ação e dessa força criadora, uma ciência do espírito. E essa ciência, tendo o seu objeto próprio e essencialmente distinto do objeto de todas as outras ciências, é única em seu gênero, com seus princípios e com seu método próprio e também com suas aplicações particulares”.

Existiram várias civilizações no passado que foram extintas, obliteradas da face da Terra, como se pode claramente constatar no capítulo 27 – AS CIVILIZAÇÕES EXTINTAS, contido na categoria Prolegômenos. Isso aconteceu porque essas civilizações não se espiritualizaram, tendo se materializado ao máximo, formando o ambiente fluídico propício para que o astral inferior extinguisse a todas elas. Somente quando o Antecristo de uma humanidade se desloca para uma outra humanidade que segue a sua na esteira evolutiva do Universo, em que lá alcança a condição do Cristo, estabelecendo a esse instituto nessa humanidade, por conseguinte, estabelecendo o Racionalismo Cristão nessa humanidade, por intermédio do espírito da verdade, é que essa humanidade pode se espiritualizar, já que por ocasião do seu deslocamento como Antecristo ele formula um plano para a espiritualização da humanidade na qual ele se encontra deslocado. É certo que Farias Brito não tinha esse esclarecimento espiritual, mas tinha a noção das civilizações que foram extintas, como consta em sua obra O Mundo Interior, a página 119, da seguinte maneira:

Há quem sustente que, antes da civilização atual, outra civilização existiu no planeta que atingiu o mais alto grau de desenvolvimento. Mas essa primeira civilização ou essa primeira humanidade extinguiu-se de todo; e de seu poder, como de suas maravilhas, apenas ficou um como eco longínquo nas lendas e nos mitos, como na literatura sagrada dos principais centros primitivos da civilização atual”.

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A Era da Verdade

13.01- A Obra Básica

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