12.01.01.04- Qual é o ponto em que a imaginação se apoia?

Prolegômenos
7 de junho de 2018 Pamam

A imaginação representa a própria imagem da ignorância acerca da vida espiritual, que é o grande mal que assola a nossa humanidade, segundo afirmou o próprio Jesus, o Cristo. Em função disso, a ignorância pode ser apontada como sendo o ponto de apoio de todo o mal que existe em nossa humanidade, sendo, pois, a sua verdadeira causa, mas tendo a imaginação como sendo a grande responsável pela sua manutenção e conservação, em que por seu intermédio os males da vida vão se revelando de maneira cada vez mais agressiva e acintosa, ou seja, vindo sempre à tona, emergindo constantemente neste mundo, em todos os setores da vida, sem que qualquer solução imaginativa consiga refreá-los, dando um paradeiro aos crimes que assolam toda a nossa humanidade.

No âmbito da imaginação, o raciocínio realizado através das representações de imagens não permite que os seres humanos formulem qualquer ideia a respeito dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, portanto, do absoluto, do ontológico, do imutável, da realidade da existência eterna e universal, que exprimem o verdadeiro significado das palavras abstratas, daí a razão pela qual eles não sabem definir com a devida precisão o significado dessas palavras, em decorrência, pautar as suas ações de acordo com esse significado, em inteira conformidade com os seus conceitos.

Dentre essas palavras abstratas nós vamos encontrar a sinceridade, que é o atributo individual superior de quem é sincero, que tem grande importância na formação da moral. Aquele que realmente sabe ser sincero pauta a sua conduta de vida com lhanura, sem qualquer pretensão interesseira, sem qualquer intenção de enganar, de ludibriar, de disfarçar o seu procedimento, estando desafetado dos fingimentos, das simulações, dos artifícios, da lesões próprias da alma, que impedem as ações de boa fé que exprimem somente aquilo que se sente e que se pensa, traduzindo a franqueza, que denota a simpleza, demonstrando claramente quem seja, sem a utilização de qualquer artimanha.

Somente pode ser sincero aquele espírito que realmente seja conhecedor da moral e da ética, que se utilizando destes dois fatores principais da espiritualidade que formam a verdadeira educação, pode manifestar toda a sua pureza, toda a sua cordialidade e toda a sua simplicidade, que denotam claramente as características de quem é franco, que para realmente o ser, tem também que ser verdadeiro, leal, natural, isento de qualquer impostura, portanto, de qualquer malícia que faz enodoar a alma.

Para que tudo isso possa ser apreendido nas almas dos seres humanos, fazem-se absolutamente necessárias as formulações das ideias a respeito desses conceitos abstratos, tendo por base a concepção, e não que se representem imagens a respeito desses conceitos abstratos, pois que elas nada podem traduzir acerca da realidade, tendo por base a imaginação.

Como os seres humanos ainda se encontram na fase da imaginação, obviamente que os seus raciocínios se prendem às representações por imagens, às suas combinações, então tudo o que eles transmitem obviamente que diz respeito às suas representações imaginativas. E em sendo assim, todos eles naturalmente procuram sempre apresentar uma boa imagem de si mesmos, para que então possam causar uma boa impressão aos seus semelhantes, esforçando-se por demonstrar um bom conceito das suas personalidades, dos seus caráteres, como que querendo evidenciar ser uma espécie de padrão ou referência do modo de ser, para que assim possam ser aprovados e aceitos com louvor nas rodas sociais, sendo benquistos em todo e qualquer ambiente em que porventura se encontrem.

Vejamos o exemplo clássico dos políticos. Selecionemos entre todos os políticos o mais nocivo e pernicioso dentre todos eles, se é que isto seja possível. Ponhamos um microfone em sua boca. Deixemos que ele fale à vontade sobre si mesmo. Ao cabo de apenas alguns minutos, iremos constatar plenamente todo o seu esforço empregado por apresentar a imagem de um cidadão de bem, intensamente preocupado com o bem-estar do povo a quem diz insinceramente servir, pois que, ao contrário, dele se servindo, sem que tenha revelado abertamente um mínimo defeito sequer que porventura possa existir em seu caráter, escondendo em vão a todos eles para aqueles que realmente sabem interpretar, que sabem ouvir com certa perfeição os ritmos e os tons empregados, assim como também todas as modulações dos sons das palavras que nas frases são empregadas. É tamanha a insinceridade que se encontra carregada em sua alma demagógica, que por pura molecagem cearense, dá até a vontade de indicá-lo diretamente para ser o Grande Mestre de Jesus, o Cristo, para que ele possa ensinar ao nosso Redentor a adquirir ainda mais pureza de alma, pois que esse verdadeiro bandido quer aparentar ser tão perfeito quanto o próprio Deus, o verdadeiro, e não o bíblico. E o resultado disso tudo é o caos político em que sempre vivemos, principalmente na época atual.

Esse ser humano totalmente demagogo, enganador, ludibriador, simulador, artificioso, um autêntico crápula, um tremendo patife, somente comparável com o maior santo de todos os santos, o grande e famoso, o popular santo do pau oco, um verdadeiro sepulcro caiado, pintado por fora com as suas próprias palavras vazias de sentido, e podre por dentro com a sua própria alma sepultada na cova da insinceridade, não se dá conta de que os espíritos de luz estão a lhe observar atentamente, preparando para ele um caminho seguro e bastante dolorido para a sua regeneração, e, caso se faça necessário, um caminho que traduz uma verdadeira via de cruciação. Mas tudo isso em prol da sua evolução espiritual.

Tanto mais os seres humanos buscam o poder pelo próprio poder, quanto mais idiotas eles se tornam, pois os maus políticos podem ludibriar aos incautos, aos menos observadores, aos menos estudiosos, que carecem da arte de interpretar aquilo que está sendo comunicado, mas a nós, espíritos de luz integrantes da plêiade do Astral Superior, que sabemos ler as mais diversas colorações áuricas, e que mesmo quando estamos encarnados podemos observar nitidamente os reflexos dessas colorações áuricas diretamente nas suas feições, nos seus gestos, nos seus olhares, nos seus tons, ritmos e modulações de vozes, nas suas palavras empregadas, nos sentidos que eles tentam emprestar a essas palavras, interpretando perfeitando tudo aquilo que eles pretendem transmitir, mas definindo em primeiro plano as suas reais intenções, que se encontram por trás de tudo isso, eles jamais conseguem enganar, mesmo empregando todos os esforços que quiserem, pois neste caso quanto maior for o esforço empregado tanto maior será a clareza da insinceridade, e utilizo a expressão clareza, porque a nossa luz astral ilumina o negrume de qualquer mente suja e doentia.

Nas ocasiões em que aqueles menos atentos estão prestando atenção aos políticos que estão falando, basta apenas concentrar o foco das suas observações, em primeiro plano, nas breves pausas que eles dão em suas falações, quando em busca das palavras mais apropriadas para aquilo que eles querem transmitir para o público. Em um falatório considerado normal, que não exige qualquer simulação, os seus pensamentos passam a vasculhar a memória em busca das palavras que mais se adequem ao que eles estão querendo comunicar, quando nessas ocasiões as suas expressões faciais demonstram exatamente isso. Já em um falatório que não seja normal, que exige simulação, quer dizer, quando eles querem vender uma falsa imagem ao público, querendo gravar nas mentes dos eleitores uma impressão de homem de bem e de um bom político preocupado com o seu povo, os seus pensamentos passam a selecionar as palavras que eles julgam possam transmitir com fidedignidade a essas suas intenções, para que assim não venham a tropeçar nas próprias palavras, quando então, concentrados nisso, deixam competamente livres as suas expressões, as quais deixam transparecer totalmente todas essas suas intenções, com as palavras que foram selecionadas sendo de inteira conformidade com tais expressões. E o mais interessante de tudo isso se dá quando eles julgam que encontraram as palavras fidedignas, ocasiões em que as suas expressões mudam totalmente e eles carregam na entonação dessas palavras, dando ênfase a elas, como que querendo gravá-las à força nas mentes do eleitorado. Quanta estupidez! Quanta artimanha! Quanta insinceridade!

Há também o caso assaz interessante dos políticos quererem demonstrar através dos seus gestos as qualidades de firmeza, de segurança, de solidez, de estabilidade, na vã tentativa de causar uma impressão de força, de rijeza, de vigor, e até mesmo de coragem, quando em seus discursos eles fecham as mãos, levantam os braços à altura dos ombros, e balançam as mãos várias vezes seguidas para trás e para frente, com o semblante afetado, emprestando veemência a esse teatrinho sórdido. Mas acontece que, invariavelmente, com as mãos fechadas, eles põem o dedo polegar estendido por sobre a base do dedo indicador, ignorando que esta é a forma mais característica do sexo feminino se expressar nas ocasiões de zanga, nas ocasiões em que querem bater com a mãozinha delicada em algo ou em alguém, ou então a forma mais característica daqueles que são efeminados, o que demonstra claramente que tal gesto é teatral, tendo sido antes previamente ensaiado para causar impressão, não tendo brotado espontaneamente do seu “eu”. E caso tivesse brotado espontaneamente do seu “eu”, a sua própria masculinidade seria posta em dúvida.

Todo aquele que se julga político, sem qualquer exceção, seja ele bom ou mau político, sempre vocifera a plenos pulmões: “A minha carreira política”. Ora, isto denota claramente o próprio modo da sua vida individual, a sua própria ambição pessoal pelo poder, tal como se fosse uma profissão, como a carreira militar, a diplomática, e outras, em que se pode deduzir facilmente que essa sua carreira política é a sua ênfase, a sua ambição, a sua ostentação, a sua soberbia, a sua arrogância, por isso colocada acima de tudo, inclusive dos interesses coletivos, posto que fazer carreira é alcançar boa posição profissional e ou social.

O político autêntico, o verdadeiro, o legítimo, que pauta as suas ações com base na sinceridade, é aquele que coloca o interesse coletivo acima dos seus próprios interesses pessoais, como também dos interesses dos seus correligionários, e que não sendo apegado ao poder, é o primeiro dele a se apear em prol da coletividade, caso as circunstâncias assim venham a exigir. Além do mais, ele não gasta à toa os seus recursos com assessores de imprensa para que estes venham a formar uma imagem fictícia ao seu respeito.

É certo, pois, que o maior dos insinceros é o político, seguido muito de perto pelo diplomata, desconsiderando aqui a classe sacerdotal, que dispensa comentários. Mas todos os seres humanos são também insinceros, mesmo que não alimentem a pretensão de assim serem, pois que todos raciocinam através das representações de imagens, e nesse raciocínio falho e materializado procuram automaticamente apresentar a melhor imagem daquilo que pretendem representar ou que julgam já estão representando. Senão vejamos pelo menos uns dez exemplos das vulgaridades dessas apresentações imaginativas insinceras:

  1. O vendedor que apresenta uma imagem alterada da mercadoria que está negociando com o cliente, com esta imagem sempre apresentada como se o seu produto fosse o melhor e oferecendo mais vantagens do que o similar da concorrência;
  2. O candidato a emprego que exagera ou modifica o seu curriculum vitae e que na entrevista de seleção também exagera ou modifica as suas qualificações profissionais, na tentativa desesperada de se sobrepor aos demais candidatos;
  3. O próprio profissional que relata o seu desempenho para o chefe com o exagero da sua performance, como se aquilo que ele realizou no trabalho fosse de cunho quase exclusivo, estando em realce, pelo simples fato de por ele haver sido elaborado;
  4. O genro e a nora que se apresentam aos sogros como sendo os companheiros ideais para os seus filhos, com o máximo de virtudes;
  5. Os atletas profissionais que se esquecem das suas jogadas pífias e sempre se lembram das suas grandes jogadas, narrando-as para os demais, na tentativa de mostrar a imagem de um grande atleta somente através dessas grandes jogadas, desprezando totalmente a sua performance pela média, e isso ainda mais se agrava quando eles, em plena atividade, notadamente nos jogos de futebol, simulam haver levado uma tremenda pancada, quando então saltam e rolam pela grama de maneira bastante pitoresca, espremendo os rostos como se estivessem se contorcendo em dores, e, às vezes, até balançando rapidamente um dos braços, ou batendo com ele no chão no intuito de simular desespero e para chamar ainda mais atenção, ocasiões em que os narradores esportivos riem gostosamente e comentam que foi uma queda “espetaculosa”, com a corrupção da palavra espetacular;
  6. Os companheiros que se encontram em rodas de conversas, quando todos passam a apresentar tudo aquilo no qual levaram vantagem em relação aos seus semelhantes, como se eles fossem os tais em matéria de vida, e os seus semelhantes fossem todos uns verdadeiros néscios;
  7. Os litígios judiciais, em que os litigantes distorcem propositalmente os fatos na tentativa de saírem vencedores do litígio, no que são acompanhados pelos seus respectivos advogados, que representam uma das classes mais insinceras deste mundo, pois que sempre distorcem propositalmente os fatos nas suas pendengas;
  8. O ser humano que mesmo carente de recursos financeiros tenta o seu ingresso na alta sociedade, afirmando com insinceridade que possui isso, aquilo e aquilo outro, que é isso, aquilo e aquilo outro, na ânsia por se igualar aos mais afortunados da roda social em que se esforça por frequentar;
  9. Os seres humanos que ingressaram na carreira artística, assim como outros não artistas, que quando na frente das câmaras mudam totalmente os seus modos de ser, ansiosos por mostrar uma boa imagem para o público, mas que quando por detrás delas são completamente diferentes, assim como tantos e tantos outros que adotam os mesmos comportamentos avessos uns aos outros;
  10. E, por fim, para não estender ainda mais o rol dos exemplos, um dos maiores contrastes da vida, que até poderia ser considerado o contraste dos contrastes, uma das insinceridades mais peculiares e cômicas que existem neste mundo de meu Deus, quando o ser humano é requisitado para contribuir com algo em dinheiro, ou mesmo para emprestá-lo a um parente ou a um conhecido, ocasião em que começa a se lamuriar, a se lastimar com as feições afetadas, maldizendo-se da vida, dizendo com palavras rápidas e atropeladas que os seus negócios vão de mal a pior, que está cheio de compromissos, que a vida está muito difícil, e que se encontra muito apertado, demonstrando claramente estar louco para se ver livre dessa interpelação, mas que quando logo a seguir vai ao banco para negociar algum capital, passa direta e automaticamente da lamúria e da lastimação para a mais alta de todas as gabolices, dizendo para o gerente que os seus bens valem tanto mais daquilo que realmente valem, que vai faturar tanto mais quanto mais seja o necessário para saldar a dívida a ser contraída, e caso o gerente vacile e não o contenha, ele pode até declarar possuir mais recursos em potencial do que o próprio banco em que se encontra quase que implorando o capital emprestado, estando bastante claro que tudo isso é para demonstrar a existência da sua solidez econômica necessária à obtenção do recurso pretendido, como que demonstrando previamente toda a capacidade que possui de amortização do débito a ser contraído.

É óbvio que na condição de saperólogo e ratiólogo eu conheço praticamente quase todo tipo de insinceridade, posto que sou um experimentador técnico-cientista da vida, por natureza, e até mesmo já a utilizei bastante para as minhas conquistas amorosas, na época da ignorância da minha mocidade. Nestas ocasiões, primeiro eu ia para um restaurante ou para um lugar reservado com a minha escolha de conquista, sem qualquer compromisso, desde que ela concordasse em conversar comigo, é claro, quando então já era considerada como estando no “papo”, como se dizia vulgarmente na época, e como ao que parece ainda hoje se diz. Lá, eu deixava que ela falasse à vontade, apenas observando com atenção as suas palavras, perscrutando o sentido de cada uma delas, para que assim pudesse sondar a sua alma, poucas vezes interrompendo a abertura da sua alma para mim, somente o fazendo nas ocasiões propícias, a fim de que pudesse realizar as perguntas necessárias para abrir de vez toda a sua alma. Após pouco tempo, tendo já sondado toda a sua alma, quem passava a falar era eu. Daí em diante, eu passava a vender uma imagem que se adequava perfeitamente aos seus anseios de mulher pelo homem que ela considerava como sendo o ideal, sabendo de antemão que a quase totalidade das mulheres dá mais valor a essa imagem do homem ideal pelo qual ela anseia, do que propriamente pela imagem do homem bem afeiçoado, embora eu não fosse tão mal afeiçoado assim, situando-me na média, nem pendendo muito para o belo, e nem pendendo demasiadamente para o feio. E assim, eu conquistava a todas que formavam o belo sexo, divertindo-me bastante com isso, que considerava até mais interessante e divertido do que o próprio caso amoroso.

Como se pode constatar, igualmente aos demais seres humanos, eu também era insincero, mas apenas para os fatos da vida que eu considerava como sendo triviais. Já em relação a mim mesmo, quando em relação à espiritualidade, nas ocasiões em que era preciso mostrar o meu caráter e a minha personalidade, eu primava ao máximo pela sinceridade, desde os tempos de colégio, tanto na infância como na juventude, quando invariavelmente eu me acusava a mim mesmo pelas indisciplinas cometidas nas salas de aula, ou mesmo nos recintos do colégio, sem jamais negá-las, como também em outros locais, continuando assim até aos dias de hoje, sendo a minha sinceridade evidenciada plenamente na madureza, quando consegui conceber quem havia sido na encarnação passada, revelando o fato para todos os que me rodeavam. E quando consegui conceber as minhas primeiras ideias a respeito da realidade da vida, também me dispuz a revelá-las para todos, utilizando-me assim ao máximo da sinceridade, sem jamais me abalar quando passaram a me denominar de doido, perturbado, vagabundo, irresponsável, soberbo, troglodita, e tantos outros adjetivos mais, pois que para mim isso tudo já era o esperado.

Mas o fato até um tanto interessante, por ser assaz pitoresco, é que todos os seres humanos são plenamente cientes das insinceridades uns dos outros, por isso ninguém confia em ninguém, apenas os incautos passam a confiar nos seus semelhantes nas ocasiões em que crescem os seus olhos em direção aos infortúnios da cobiça, que nesse estado cobiçoso os olhos ficam maiores do que o próprio raciocínio, com o interesse pessoal aflorando por demais, como se quisesse sair pelos poros da pele, querendo levar uma grande vantagem naquilo que obviamente não existe, pensando somente nisso, nada mais do que nisso, quando nessas ocasiões são facilmente enganados pelos estelionatários e outros aproveitadores mal intencionados no jogo da irrealidade da vida em que vivem.

Essa falta de confiança leva o ser humano insincero fatalmente ao isolamento, a se fechar em si mesmo, pois que cada um julga os outros por si, tal como o desonesto pensa que todo o mundo seja desonesto, como o corrupto pensa que todo o mundo seja corrupto, como o ignorante pensa que todo mundo seja ignorante, e assim por diante, então sendo ele insincero considera que todos sejam também insinceros. É por isso que Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 2º volume, a página 16, vem se expressar da seguinte maneira:

Ninguém tem confiança na sinceridade dos homens e cada um já não quer, ou não pode contar senão consigo mesmo na luta contra o destino ou contra a fatalidade. Daí, a prostração dos espíritos mais puros, o desalento das almas mais delicadas, ao mesmo tempo que o egoísmo chega a tomar proporções assombrosas, elevando o interesse à categoria de princípio soberano da moral”.

Sim, decididamente sim, o ponto em que a imaginação se apoia para demonstrar toda a sua fragilidade e inconsistência em relação a realidade da vida é justamente a insinceridade, em função da própria ignorância. Assim, ignorando o que seja a sinceridade e os seus efeitos salutares para a harmonia da vida, desde que seja utilizada com sabedoria, os seres humanos preferem vender as imagens que não são propriamente suas, e disso todos são cientes, e bem cientes, mas vivem tão acostumados com as aparências, com a própria irrealidade em que vivem, que nem mais se importam com aquilo que os outros aparentam, pois que eles igualmente vivem a aparentar. Na irrealidade da vida, todos vivem apenas de aparências, sendo tudo isso o faz de conta do cotidiano terreno, o modo superficial de viver, próprio e exclusivo da irrealidade, que somente a insinceridade pode ser capaz de proporcionar.

Sempre quando os seres humanos entram em comunicações uns com os outros, os seus pensamentos sempre trabalham no sentido de um propósito a ser obtido, que contém um conjunto de motivos que são estritamente pessoais, sendo justamente por isso que eles não revelam, deixando guardados em seus corpos mentais, falseando para os demais as naturezas dos seus pensamentos. No entanto, em relação aos propósitos a serem obtidos, eles acompanham sistematicamente as intenções, que queiram ou não serão reveladas, já que as palavras formarão um conjunto próprio que diz respeito diretamente ao intento, como se eles estivessem manifestando outros tipos de pensamentos, até inocentes, mas revelando dissimuladamente o propósito daquilo que a insinceridade fez com que eles deliberassem a respeito. Isso implica em dizer que enquanto a intenção se oculta, por não poder ser revelada, dada a sua inconfessabilidade, as expressões, os gestos e as palavras com os seus tons, os seus ritmos e as suas modulações se revelam totalmente, pois que tudo isso se prende, obrigatoriamente, à intenção que se pretende revelar e à intenção que se encontra oculta na alma de cada um.

Existem os seres humanos que não possuem uma ética muito acentuada, e muito menos a sinceridade em suas almas, ignorando completamente a ambas. Em algumas ocasiões, eles ferem profundamente a sensiblidade daqueles com quem convivem, afirmando determinados fatos que não condizem com a realidade, que se encontram somente nas suas imaginações, então passam a dizer para aqueles com quem convivem, que eles são assim, assim, e assim outro, que estão errados por isso, aquilo, e aquilo outro, que deveriam mudar de postura para fazerem assim, assim, e assim outro. E depois de falarem tantas e tantas asneiras inapropriadas, encerram tudo com a maior de todas as suas asneiras, quando então estufam o peito e vociferam cheios de orgulho, empáfia e soberbia: “eu só digo a verdade”.

Mas o fato é que nem isso é verdade, nem eles estão sendo sinceros e nem a intenção é propriamente de corrigir, mas sim de ferir a alma daqueles que lhe rodeiam, por algum motivo próprio de quem quer ferir, por isso se escudam na força contida na verdade, querendo vender a imagem de um ser humano autêntico, como se assim fossem intocáveis, e como se assim tirassem a possibilidade da devida réplica, que neste caso deveria vir fatalmente carregada da mais pura sinceridade, mas que geralmente não vem, em virtude do ferido, digamos com o linguajar mais rasteiro, considerar ter o “rabo preso” àquilo que foi proferido pelo semelhante e que lhe feriu a alma. No entanto, quando às vezes vem a devida réplica, aqueles que afirmaram “só dizer a verdade”, ficam com os brios feridos, mostrando-se indignados, pois que julgam que somente eles podem “dizer a verdade”, e invariavelmente passam para a discussão inodora, para os conflitos pessoais, surgindo daí um desentendimento tal que tende a acabar em intriga.

E por falar em “rabo preso”, praticamente quase todos os seres humanos vivem assim dessa maneira, inevitavelmente, pois que vivendo de imagens, falseando as suas imagens verdadeiras que lhes são próprias, e tentando demonstrar outras imagens que são alheias a si mesmos, não vivem com segurança, com convicção nas suas próprias atitudes, estando sempre temerosos de que algo inesperado venha a abalar a sua estrutura de vida.

Vejamos o caso singular em que um aluno é chamado da sala de aula para a diretoria, ou o caso em que um funcionário qualquer é chamado do seu local de trabalho para a sala do chefe, ou o caso em que um companheiro é chamado pelo outro para uma conversa com um terceiro companheiro, e tantos e tantos outros casos análogos. Geralmente o chamador se expressa da seguinte maneira:

— Fulano, Sicrano quer falar imediatamente com você.

Esse Fulano, nesse momento, tem um sobressalto, fica abalado, e no mesmo instante os seus pensamentos passam a vasculhar em todos os recantos íntimos do seu ser alguma falta que por ventura tenha cometido, para que possa se precaver e ensaiar uma desculpa para a falta, ou mesmo alguma justificativa. E não se retira para enfrentar a conversa com o semblante calmo e sereno, mas sim com um largo sorriso amarelo estampado na face, pois que ainda mais afetado pelas manifestações daqueles que o rodeiam, mas que são exatamente assim como ele, sem tirar nem pôr, com a única diferença que não estão enfrentando a mesma situação naquele instante, razão pela qual exclamam em uníssono: “Óóóóóóói! Óóóóóóói!”.

Muitas vezes ocorreu esse fato comigo mesmo. Mas a grande diferença é que eu me dirigia para o local em que havia sido chamado, não com um sorriso amarelo estampado na face, mas com um sorriso de pura molecagem cearense, pois que a minha real intenção era ser sincero. Por isso, caso o meu interlecutor que havia me chamado viesse a se dirigir a mim com alguma intenção de me descompor, que estivesse preparado, mas muito bem preparado, pois que fatalmente nós iríamos às vias de fato, caso ele não mudasse a sua intenção. Note-se que Luiz de Mattos afirma que nada teme, porque nada deve. Mas eu nada temo! Simplesmente isto, pois que para mim dever ou não é totalmente indiferente, já que não estou alheio às intempéries da vida, e dever ou não é algo circunstancial, desde que o ser humano seja bem intencionado e procure sempre não prejudicar aos seus semelhantes, que em função disso merece todo o respeito, caso contrário, faz-se respeitar, seja de uma maneira, seja de outra.

Mas o fato é que a imaginação retrata fielmente toda a irrealidade da vida, em decorrência, imaginando tudo o que sente ou que vê com os olhos da cara, os seres humanos não conseguem ser sinceros uns com os outros, e, desta maneira, quando qualquer interesse é contrariado, eles imaginam logo o pior, pois que os preconceitos são provenientes da imaginação, vindo daí os conflitos, os desentendimentos, as situações desencontradas, pois que as imagens são diferentes umas das outras, por isso cada ser humano forma o seu próprio universo pessoal imaginativo, pelo qual ele pauta as suas ações.

Tendo a consciência plena de que a insinceridade cria o irreal, o inexistente, que só existe na imaginação, como que a corroborar e legitimar, certificando o fato de que a doutrina do Racionalismo Cristão preparou o meu retorno a este mundo, uma das comunicações de Luiz de Mattos, a qual foi compilada por Nilton Figueiredo de Almeida, em sua obra Clássicos do Racionalismo Cristão, a página 61, evidencia o seguinte para a nossa humanidade:

A insinceridade traz o espírito sempre em sobressalto, faz com que crie na sua imaginação coisas que não existem (grifo meu). É um fato importante a observar aquilo que as criaturas criam na sua imaginação, porque há imaginações que avolumam os casos de tal modo que até parecem realidade, quando não passam de um mito, quando não passam de pensamentos de desconfiança e nada mais. Esses fatos criados na imaginação causam prejuízos tamanhos que levam a desarmonia e o desentendimento aos próprios lares, desentendimentos tais que nunca mais voltarão aqueles espíritos a ser uns para os outros aquilo que eram antes de ser criada a dúvida, a desconfiança imaginada”.

Apoiando-se a imaginação na insinceridade, fruto da ignorância, os seres humanos tentam de todas as maneiras causar uma boa impressão nas mentes dos seus semelhantes. E essas tentativas vãs e inúteis os levam a crer piamente que a primeira impressão é aquela que fica, o que me leva fatalmente a dar o meu parecer de que assim a primeira impressão é a mais insincera de todas as demais que se seguem. Agora eu vou contrapor as minhas primeiras sinceridades contra essa tremenda insinceridade da primeira impressão. Nas minhas primeiras sinceridades, obviamente que no âmbito da espiritualidade, quando eu já podia conceber a realidade da vida, eu tentava expor totalmente a minha alma aos que me rodeavam, afirmando quem havia sido na encarnação passada e expondo algumas das minhas ideias espiritualistas. E qual foi a primeira impressão que causei nas suas imaginações? Todos já sabem: de doido, de perturbado, de alienado, de doente mental, de vagabundo, de irresponsável, de soberbo, de vaidoso, de viciado, de drogado, de farrista, e tantas outras impressões, até de troglodita.

Mas o certo é que a sinceridade lida com fatos reais e com ideias acerca da realidade da vida, enquanto que a insinceridade lida com fatos irreais e com imagens acerca da irrealidade da vida. Quero com isso dizer, com clareza, que a minha primeira impressão dada aos que me rodeavam, não será a minha impressão que ficará em definitivo neste mundo Terra, nem mesmo que ela venha a se modificar e seja posta segundo a realidade da vida. De fato, eu não vou deixar a minha imagem aqui neste mundo, portanto, não vou deixar qualquer impressão. O que eu vou deixar aqui neste mundo será a ideia verdadeira de quem na realidade eu sou, no âmbito da espiritualidade, no contexto da organização hierárquica da nossa humanidade, demonstrando o meu valor e a minha importância para a evolução espiritual de todos os seres humanos que a integram. E não somente para a nossa humanidade, como também diretamente para a outra humanidade que nos segue na esteira evolutiva universal, e indiretamente para as demais que se seguem nessa corrente de humanidades que se estende por todo o Universo.

No cumprimento das minhas obrigações, dos meus deveres e da minha missão neste mundo, eu jamais poderia ser um espírito insincero, pois caso assim eu fosse, de tal maneira, não poderia reunir as condições necessárias para realizar as experiências científicas que realizei, completar por inteiro a minha moral racionalista cristã, elevar-me com ela ao Espaço Superior, comprovar experimentalmente a validade dos seus conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e certificá-los para o mundo, na condição adquirida de saperólogo. E mais: lançar mão da verdade e uni-la à minha sabedoria, alcançando com ambas a razão, tornando-me um ratiólogo. Como um ser humano insincero poderia realizar tudo isso em uma única encarnação?

E agora eu digo com a máxima sinceridade que me foi, que me é, e que sempre me será peculiar: se foi preciso eu chafurdar na lama infecta deste mundo para que assim pudesse realizar as minhas experiências científicas em seu próprio ambiente, a fim de senti-lo em minha alma, e então depois dominá-lo por completo, para combater todas as suas maldades e resolver os problemas do mundo, com vistas a uma grande finalidade em prol da minha humanidade, eu o fiz por amor, e o farei novamente, isto e muito mais, tantas e tantas vezes se fizerem necessárias, até que todos os meus semelhantes estejam espiritualizados e os meus ideais fixados na face da Terra, sendo eles seguidos por todos aqueles que sejam considerados racionais, até que o mais atrasado de todos nós passe também a integrar a esse rol de seres humanos esclarecidos, com todos estando cientes da realidade universal.

Eu consegui penetrar a fundo nas potencialidades latentes do espírito no âmbito universal, por isso adquiri a convicção plena de que vou reconstruir sobre novas bases tudo o que Luiz de Mattos demoliu, para que o novo e imenso edifício social a ser construído neste mundo possa imperar de vez, o qual deverá contar com a colaboração de todos aqueles que se comprometeram com a nossa Grande Causa em plano astral, se não agora, mas pelos menos com a colaboração daqueles de boa vontade, que já são em grande número, os quais formarão uma corrente espiritualista inquebrantável, que no futuro muito próximo deverá ser acrescida de muitos e muitos elos, até que se torne inteira por completo, quando então eu retornarei de onde irei e me engajarei a ela, para que todos se filiem a uma nova linha saperológica, com base no amor espiritual. Por isso, antes de me desligar da minha humanidade, deverei mondar o campo em que agora estou semeando, expurgando tudo aquilo que esteja ligado ao mal, e até o que seja superficial e supérfluo, para o bem geral de todos os meus semelhantes, os meus prezados companheiros de humanidade, aos quais eu dedico a mais completa amizade espiritual, acompanhada da mais extensa solidariedade fraternal, além de um imenso amor espiritual.

 

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