12.01.01.02- Por que a imaginação chega a produzir os maiores males de que sofre a nossa humanidade?

Prolegômenos
7 de junho de 2018 Pamam

A imperfeição tem o seu próprio limite, em decorrência, tudo aquilo que nela se encontra contido, inclusive os males provenientes da ignorância, vão todos se revelando com as as suas facetas mais bizarras, até que consigam alcançar aos seus próprios limites, ocasiões em que atingem aos seus ápices, pois que necessariamente precisamos conhecê-los e senti-los em todas as suas extensões que digam respeito diretamente à nossa humanidade, o que ocorre somente por intermédio das representações das imagens, na fase da imaginação, para que assim, e somente assim, possamos formular as ideias que dizem respeito à realidade da vida, ingressando na fase da concepção, alcançando o âmbito da razão, portanto, da nossa existência eterna e universal, que é comum a todos os seres, para que assim possamos conceber o bem, pois antes de saltarmos do Ser Total nós nos encontrávamos Nele contidos, e, após saltarmos, nós nos individualizamos, passando a evoluir adquirindo parceladamente as Suas Propriedades, até conseguirmos abandonar o âmbito da imperfeição e ingressar no âmbito da perfeição, quando então nós procedemos o nosso retorno para o Criador.

Nós jamais daríamos o devido valor ao ingresso no âmbito da perfeição, se antes não tivéssemos ingressado no âmbito da imperfeição, tendo avaliado todo o seu valor em relação à perfeição. Do mesmo modo, nós jamais daríamos o devido valor da apreensão do bem, se antes não tivéssemos apreendido todo o mal que foi destinado para a nossa humanidade pelo Criador, pela Inteligência Universal, tendo avaliado todo o seu valor em relação ao bem. Todo esse contexto, faz-nos avaliar o quão é difícil evoluir, e o quão extenso é o valor da evolução para a nossa existência eterna e universal. Somente um cego proposital não pode ser capaz de compreender a tudo isso. E o pior cego é aquele que não procura enxergar com a visão da alma, com a sua luz astral, a razão da nossa existência eterna e universal.

Evoluindo, e evoluindo sempre, os seres humanos vão desenvolvendo cada vez mais os seus órgãos mentais com base na imaginação. E assim, nesse evoluir constante, eles vão se distanciando cada vez mais do atavismo psíquico que foi adquirido na irracionalidade, pois a tendência é que tudo possa estar contido no âmbito da racionalidade, para que então possam ser formadas as suas esteiras evolutivas, que se iniciam desde que eles saltaram do seio do Ser Total, passando a adquirir as menores parcelas das propriedades da Força e da Energia, que foram se estendendo até a época atual, com as aquisições das grandes parcelas dessas duas propriedades, que formam os seus perispíritos, acrescidas das grandes parcelas adquiridas da propriedade da Luz, que formam os seus corpos de luz, em que estes e aqueles em conjunto formam as suas almas.

As interações necessárias e obrigatórias com o ambiente deste mundo, fechado pela sua atmosfera, com os seus próprios semelhantes e os demais seres infra-humanos, foram proporcionando aos seres humanos a formação dos seus predicados racionais, com eles aos poucos se desfazendo dos predicados instintivos, que na irracionalidade eram benéficos e úteis às suas vidas, mas que na racionalidade são prejudiciais e inúteis ao novo viver, uma vez que com a aquisição da consciência esta tende a ir coordenando progressivamente o criptoscópio e o intelecto, por intermédio do raciocínio, para que assim os conhecimentos, que são as causas, possam corresponder às experiências, que são os efeitos. Esses predicados são os atributos espirituais que vão sendo adquiridos pelos seres humanos, que tanto podem ser individuais como relacionais, com ambos podendo ser também tanto inferiores como superiores e tanto negativos como positivos, respectivamente.

Os atributos individuais inferiores são aqueles que tornam os seres humanos detentores da amoral, tais como a traição, a corrupção, o medo, o temor, a impaciência, o ódio, a inveja, a temeridade, a vingança, o ciúme, a infidelidade, a vaidade, a soberbia, a desonestidade, a cobiça, a intolerância, os vícios, etc. E os atributos relacionais negativos são aqueles que tornam os seres humanos detentores da aética, tais como matar, assaltar, roubar, vilipendiar, estelionatar, prevaricar, trair, odiar, invejar, agredir, malandrar, prejudicar, maltratar, extorquir, torturar, espionar, ferir, etc. Tanto estes como aqueles tornam os seres humanos capazes da prática da mais sórdida vilania, em que nessa supina ignorância o mal emerge por inteiro das suas almas, quando então eles cometem os mais diversos tipos de crimes.

Os atributos individuais superiores são aqueles que tornam os seres humanos detentores da moral, tais como a coragem, a bravura, a intrepidez, a sinceridade, a honestidade, a simplicidade, a humildade, a liberalidade, a magnanimidade, a fidelidade, a lealdade, a renúncia, o esforço, o ânimo, o denodo, o patriotismo, o destemor, a audácia, a convicção, a firmeza, a tolerância, a virtude, a paciência, etc. E os atributos relacionais positivos são aqueles que tornam os seres humanos detentores da ética, tais como trabalhar, estudar, ler, investigar, pesquisar, manufaturar, inventar, compartilhar, solidarizar, medicar, administrar, brincar, produzir, saber, fazer, passear, conquistar, avaliar, consolar, amenizar, acariciar, sublimar, etc., com os seus complementos obviamente que voltados para o bem. Tanto estes como aqueles tornam os seres humanos capazes da aquisição do verdadeiro poder e da prática das mais belas ações, em que o bem emerge quase que por inteiro das suas almas, quando então eles buscam a amizade espiritual em sua vidas, mesmo ignorando essa busca de natureza espiritual, no intuito de alcançarem a solidariedade fraternal, que representa a responsabilidade mútua entre todos os integrantes da nossa humanidade, fazendo também emergir das suas almas a própria justiça humana, que se encaminha para a justiça universal.

Os atributos individuais inferiores e relacionais negativos se situam rigorosamente no âmbito da imperfeição, os quais são os grandes responsáveis pelas causas e os efeitos que vão desencadeando os poderes e as ações voltados para o mal, em função da ignorância. E os atributos individuais superiores e relacionais positivos são aqueles que denotam o esforço empregado para o abandono do âmbito da imperfeição, e as lutas travadas para se alcançar o âmbito da perfeição, por isso, apesar de serem superiores e positivos, ainda são pouco extensos, tendo que ser estendidos em demanda da perfeição, quando no decorrer dessa extensão já se observa nitidamente a ações voltadas para a prática do bem, e quanto mais esses atributos são estendidos em seu conjunto, que apresenta um rol muito extenso, tanto mais as ações serão voltadas para o bem.

Todos nós somos iguais em essência, já que somos provenientes do Ser Total, portanto, do mesmo Criador, sendo, pois, todos, filhos de Deus, sem qualquer exceção, como base no dizer de Jesus, o Cristo. Mas passamos a nos diferenciar uns dos outros no decorrer do processo da evolução, uma vez que não existem duas coisas iguais no Universo. E é justamente o estágio evolutivo em que nos encontramos que evidencia o real valor que cada um de nós detém no contexto da espiritualidade, ou seja, o valor que cada um realmente merece possuir em função do seu próprio mérito, o qual foi conquistado através do próprio esforço, da própria luta por evoluir em busca da perfeição, em demanda do Criador, que é a meta de todos nós, com a utilização dos mais ingentes sacrifícios, em que com coragem e boa vontade se consegue recrescer em relação aos perigos a que vai se expondo nas suas ações voltadas para o bem comum, e nunca, jamais, por indicação, parta de onde partir essa indicação, pelo fato de ser tanto indevida como indesejada, pois que no Universo a justiça é plena e total, não havendo lugar para a injustiça, que é apenas aparente, por ser decorrente da ilusão e do devaneio próprios deste mundo. E assim fica mais do que comprovada e justificada a existência da hierarquia na espiritualidade, em que os espíritos de maior valor vão ocupando os altos escalões da organização espiritual que existe em nossa humanidade, em função do processo evolutivo, daí a razão da existência dos espíritos de luz mais evoluídos que formam a plêiade do Astral Superior.

Já é sabido por todos, pois todos observam os comportamentos dos seus semelhantes aqui neste mundo Terra, que os atributos individuais inferiores e relacionais negativos ensejam a busca constante e ininterrupta dos interesses pessoais, assim como também as satisfações dos desejos intemperados carnais, com ambos proporcionando todos os prazeres que são próprios da inferioridade espiritual, restritos, pois, apenas a este mundo, aos quais os seres humanos considerados como sendo tremendamente materializados fazem de tudo para desfrutar, cometendo todos os tipos de crimes quando em suas buscas, sempre constantes, para os seus desfrutes, dos mais leves aos mais abomináveis, dos tolerados aos intolerados, com todos sendo reprováveis, de onde surgem todos os males deste mundo, os quais, a partir de agora, necessária e obrigatoriamente, terão que ser extintos, pois que eles já se encontram atravancando por demais o progresso espiritual daqueles que realmente querem progredir, daqueles que realmente querem evoluir, que são os de boa vontade, e o preceito da evolução é o preceito maior que existe no Universo, por isso ele tem que se valer acima de tudo e de todos, não podendo permitir que a sua eficácia seja abalada em função do mal, impedindo o seu desenvolvimento, que em razão do desenvolvimento do próprio bem decreta agora a sua extinção.

Os atributos individuais superiores e relacionais positivos ensejam a busca constante e ininterrupta dos interesses coletivos, com os seus detentores em luta constante e empregando os maiores esforços possíveis para que possam abandonar definitivamente, no menor tempo possível,  os seus interesses exclusivamente pessoais e os seus prazeres carnais, que sejam egoístas e destemperados, desfrutando-os apenas de maneira racional, seguindo as normas dos bons costumes, que assim vão conseguindo renunciar aos prazeres tipicamente mundanos, afastando-se cada vez mais deste mundo, em espírito, como que se preparando para o seu ingresso no âmbito da espiritualidade, para que assim possam agir como espíritos que são, por natureza, e não como sendo uns simples e meros aglomerados de carne e osso, os quais, por hipótese alguma, não lhes pertencem, sendo apenas uns invólucros temporários para que possam se locomover neste planeta, tendo deles que se afastar o mais rápido possível, como então Platão nos ensinou. Fica assim comprovado, pois, que é apenas no âmbito da espiritualidade de onde pode surgir todo o bem neste mundo, o qual a partir de agora tem que ser incentivado por todos os meios, que evidentemente devem ser lícitos.

Os atributos comandam todas as nossas ações, indicando os rumos a serem seguidos, apontando para as direções da vida, mas são os órgãos mentais dos seres humanos os grandes responsáveis pelas delineações dos caminhos que são comandados, indicados e apontados pelos atributos, por onde deverão ser traçadas as linhas gerais desses caminhos, que assim passam a ser descritos de modo sucinto, delineados em função do caráter, sendo desta maneira que todos seguem as suas vidas neste mundo Terra.

O criptoscópio tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos, o que permite aos seres humanos a produção dos sentimentos através das vibrações da propriedade da Força, via magnetismo, dando-lhes o poder. O intelecto tem a função de compreender e a finalidade de criar as experiências, o que permite aos seres humanos a produção dos pensamentos através de radiações da propriedade da Energia, via eletricidade, dando-lhes as ações. O poder e a ação representam a vida, sendo esta a explicação para as existências da potência e do ato, que são largamente propalados pelos estudiosos do assunto. E a consciência tem a função de coordenar e a finalidade de unir, irmanar, congregar, o criptoscópio e intelecto, para que assim as vibrações magnéticas dos sentimentos produzidos possam corresponder às radiações elétricas dos pensamentos produzidos, já que estes antecedem as ações, e aqueles antecedem ao poder, proporcionando assim a produção em combinação das radiovibrações eletromagnéticas, em que as propriedades da Força e da Energia se combinam para formar o eletromagnetismo.

No entanto, embora os órgãos mentais procedam ao delineamento dos caminhos das vidas dos seres humanos, eles são diretamente subordinados aos comandos originados dos atributos, que também se encontram contidos em seus acervos espirituais, sejam eles de naturezas inferior ou superior, quando individuais, e positivos ou negativos, quando relacionais.

É por isso que quando os atributos individuais inferiores e relacionais negativos apontam para os caminhos do mal, o que fazem a todos os instantes, ocasiões em que os órgãos mentais de pronto obedecem a esses comandos maléficos, os seres humanos passam a engendrar imediatamente os caminhos dos crimes que serão cometidos, como que impulsionados por uma potente mola, sendo por essa razão que os demais seres humanos criam os seus próprios códigos penais, com o intuito de impedir as práticas desses crimes, ou, ao menos, evitá-las, refreando-as, mas sem que jamais consigam debelar a criminalidade, o que somente se consegue por intermédio da espiritualização e de uma reforma completa da sociedade, com a destruição dos edifícios sociais que foram construídos com base na irrealidade posta pela imaginação, que é inerente a este próprio mundo, em que preponderam a ilusão da matéria e o devaneio do sobrenatural, e com a construção de um novo edifício social com base na realidade inerente ao Universo, em que prepondera a concepção da espiritualidade, de onde são formuladas as ideias para o bem, que possibilita a formação de um Estado Mundial, por intermédio da produção da amizade espiritual, que faz surgir a solidariedade fraternal, em um contexto divino de responsabilidade mútua, permitindo assim o estabelecimento das finalidades de tudo o que existe, que são as coisas que aqui se encontram, e da nossa própria humanidade, inclusive deste próprio mundo, o qual deverá se transformar em um Mundo de Luz, que servirá de morada para uma nova humanidade.

Enquanto que os atributos individuais superiores e relacionais positivos apontam para os caminhos do bem, o que também fazem a todos os instantes, ocasiões em que os órgãos mentais de pronto obedecem a esses comandos benéficos, vindo daí as aspirações dos seres humanos mais evoluídos que visam a felicidade da coletividade, no que passam a planejar imediatamente os caminhos que levam às suas concretizações, sendo impulsionados pelas correntes construtivas que operam por todo o Universo, entrosando-se com o sistema evolutivo universal, dele recebendo todo o reforço, que tem como finalidade as suas realizações. E com a espiritualização desses seres humanos mais evoluídos, que se encontram aguardando os estudos desta natureza, postos em livros pelos espiritualistas, para que possam realizar as suas aspirações latentes, o novo edifício social será construído com mais rapidez, haja visto que essas suas aspirações no âmbito da espiritualidade serão todas realizadas, com a mais absoluta de todas as certezas que existem.

Com o decorrer natural do processo evolutivo, os órgãos mentais e o raciocínio dos seres humanos foram se desenvolvendo cada vez mais, proporcionando a que as suas imaginações fossem se tornando cada vez mais diferentes das imaginações do passado, pelo fato de irem se tornando cada vez mais adaptadas ao meio ambiente, cujas adaptações são decorrentes do fato das imagens das coisas, dos fatos e dos fenômenos irem se modificando constantemente, com as formações de novas imagens.

Essas novas imagens formadas pela própria imaginação passaram a ter os seus registros em livros, que ao serem escritos proporcionaram a que elas fossem mais apuradas e reunidas a outras imagens da mesma natureza, cujo conjunto principal passou a formar um teor, com o raciocínio agindo no sentido de transformar a reunião de várias representações imaginativas simples em uma única representação mais complexa, de âmbito geral, que normalmente davam o título ao livro, referindo-se ao seu teor, o qual se encontrava desdobrado no livro, proporcionando o poder de síntese, em que de uma única representação imaginativa os seres humanos poderiam fazer a dedução de muitas outras, obtendo os seus conhecimentos imaginativos, e também ser induzido a novas representações imaginativas, obtendo as suas experiências imaginativas. Essas representações imaginativas eram repassadas de vários seres humanos para os demais. Ao tomarem conhecimento dessas novas representações imaginativas que lhes foram repassadas, os outros seres humanos as apreenderam em seus corpos mentais, juntaram às representações imaginativas que antes já haviam apreendido, e fizeram os seus raciocínios trabalhar, formulando assim novas representações imaginativas, provocando uma alteração de todas as imagens que já se encontravam representadas em seus corpos mentais. E assim a imaginação foi se estendendo cada vez mais, com o desdobrar das representações restritas ao seu âmbito do ambiente terreno.

O criptoscópio passou a exercer mais destacadamente a sua função de perceber e a sua finalidade de captar os conhecimentos. O intelecto passou a exercer mais destacadamente a sua função de compreender e a sua finalidade de criar as experiências. E a consciência passou a exercer mais destacadamente a sua função de coordenar e a sua finalidade de unir, irmanar, congregar, o criptoscópio e o intelecto. Mas como tudo nos órgãos mentais era representado apenas por imagens, estas não permitiam uma concepção acerca da realidade da vida, por conseguinte, a devida segregação dos conhecimentos e das experiências, impossibilitando a apreensão dos seus lados metafísico e físico separadamente, quer dizer, sem que assim fosse possível a devida segregação entre ambos, tornando impossível perscrutar o Universo.

O principal fator para o surgimento das representações por imagens que formam a imaginação, por intermédio da qual os seres humanos se tornaram cativos do ambiente deste mundo é a emoção. A emoção é decorrente do contato direto com as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, que representam o mundo externo, no qual obviamente se encontram incluídos os demais seres humanos, em que cada contato vai provocando um abalo em suas almas, provocando uma sensação, que é justamente a impresssão causada na formação receptora humana por um estímulo, e que, por via aferente, é conduzida ao sistema nervoso central, por conseguinte, surgindo uma reação relativa a esse abalo, que independentemente de ser agradável ou penosa causa uma emoção. Então os seres humanos também tinham que apreender em suas almas aquilo que as emoções representavam para as suas vidas.

A aura é o campo que circunda o corpo fluídico, ou o perispírito, por onde os seres humanos trocam informações entre si e com o meio ambiente que os cerca, por isso ela varia de cor em conformidade com os seus sentimentos e os seus pensamentos produzidos, que são comandados pelos seus atributos individuais e relacionais. Quando em estado de calma e tranquilidade, a aura se manifesta por uma coloração própria, reveladora do grau de evolução do espírito, demonstrando o real valor que ele possui. Como, entretanto, a evolução dos seres humanos se processa com a eliminação progressiva dos atributos individuais inferiores e relacionais negativos, e com a conquista também progressiva dos atributos individuais superiores e relacionais positivos, em que estes vão se estendendo cada vez mais, permitindo as produções dos sentimentos superiores e dos pensamentos positivos, com o natural desenvolvimento dos órgãos mentais, a cor áurica, representativa do estado de evolução, é composta de numerosas outras cores combinadas, cada uma significando a presença de um determinado sentimento de emoção ou paixão, que vão dando origens à produções dos sentimentos e dos pensamentos correspondentes. Daí se dizer da comprovação do valor que o espírito possui, pois como disse um dos ensinamentos do Nazareno: “Serás aquilo que pensares”. Mas este ensinamento possui também uma outra conotação, que explanarei quando me ocupar em escrever a Cristologia, em sua categoria específica.

E não somente isso, a aura ainda está sujeita a mutações repentinas, pois basta o ser humano se deixar assaltar por uma emoção qualquer, para que a sua aura, imediatamente, tome a cor que essa emoção traduz. A explicação para isso é que a emoção produz uma vibração magnética que corresponde ao sentimento produzido, e esta, dominando o campo da aura, impõe-se com a sua cor própria, característica e latente, dando origem à produção da radiação elétrica que corresponde ao pensamento produzido que esteja em conformidade, e as combinações dos sentimentos e dos pensamentos produzidos dão origens às radiovibrações eletromagnéticas. As cores habituais da aura, de um modo geral, definem o caráter do ser humano, demonstrando o seu real valor, ao passo que as cores passageiras expressam as paixões ainda não sopitadas e destruídas. No entanto, a leitura da aura somente pode ser feita, com exatidão, pelos espíritos de luz muito evoluídos, que são os conhecedores de toda a sutileza da alternação e combinação das cores, uma vez que, em uma mesma cor, cada tonalidade possui uma expressão ou um significado particular, e cada combinação de duas ou mais cores ou tonalidades, exige novas definições.

Ao embate de uma paixão violenta o espírito se conturba, comove-se e se confrange, ao mesmo tempo em que o perispírito necessariamente se contrai, em intensidade proporcional à maior ou menor violência do choque, geralmente inesperado e cruel. Com o perispírito se contraindo, diminui o seu influxo sobre as moléculas do corpo carnal, sobre as células orgânicas, sobre os órgãos, sobre os aparelhos, que por isso perdem a energia, por conseguinte, as ações, e, às vezes, até a vida. Assim, deste modo, pode-se compreender como uma emoção brusca e violenta pode não somente perturbar as funções psíquicas e motoras, que se exercem sob o influxo do sistema nervoso da vida de relação entre o perispírito e o corpo carnal, mas até aniquilar o vivente, ou seja, provocar a desencarnação. E assim, por intermédio de um pequeno raio de luz, o Racionalismo Cristão esclarece os pontos obscuros da Anatomia, da Fisiologia, da Partogênese e da Embriogenia, que até hoje são imperscrutados, e, sem essa luz, imperscrutáveis.

É por intermédio dos nossos órgãos mentais, que são comandados pelos nossos atributos individuais e relacionais, sejam eles inferiores ou superiores, positivos ou negativos, respectivamente, que nós observamos, apreciamos e diferenciamos as impressões que nos vêm do ambiente externo daquelas que se originam e que se encontram apreendidas em nossa alma, sem nenhuma provocação estranha, e as designamos a estas de emoções, que são consideradas as filhas genuínas da nossa alma, fruto da Partogênese; e aquelas de sensações, que nos chegam geralmente por intermédio da sensibilidade e dos sentimentos, e por intermédio dos órgãos dos sentidos e dos pensamentos.

A sensação é algo bastante complexo, misto de um conjunto de fatos diversos, que podem ser relacionados da seguinte maneira:

  1. Causas físicas: que compreendem as impressões e os abalos;
  2. Causas fisiológicas: que compreendem as comoções nervosas e as suas transmissões ao cérebro;
  3. Causas psíquicas: que compreendem as apreciações e as discriminações das suas origens e caráteres;
  4. Efeitos físicos: que podem ser simpáticos ou antipáticos;
  5. Efeitos fisiológicos: que compreendem as reações orgânicas que se originam nas leis da atração e da afinidade, e nos princípios da atração e da repulsão;
  6. Efeitos resultantes: que compreendem as retenções, as conservações ou os arquivamentos das emoções.

Temos assim, o conhecimento pleno e íntimo da emoção e do agente emocionante, como sendo campos distintos do ser humano, que é o emocionado. É assim que vai se desenvolvendo a consciência, coordenando o criptoscópio e o intelecto, ou seja, coordenando os conhecimentos e as experiências acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos relativos a este mundo, que mesmo assim, sendo locais, não deixam de ser universais. E assim, a consciência vai estabelecendo a distinção entre o “eu” e o “não eu”, efetivando a separação entre os fatores interno e externo, que formam a imaginação. É justamente esta consciência que os materialistas confundem com a consciência da moral utilitária, que representa a balança onde são pesados todos os nossos poderes, que faz surgir o tribunal da vida, onde são julgadas todas as nossas ações, que se fossem no âmbito espiritual tudo seria diferente. Mas, infelizmente, essa consciência ainda é por demais materialística, podendo por isso ser denominada de consciência orgânica ou animal, cujo termo mais apropriado é conscienciosidade, que os seres humanos ainda compartilham com os outros animais, tanto os da sua classe, que são os primatas, como os das outras classes, sendo eles todos irracionais, e que neles se denomina de instinto.

O instinto, pois, é um movimento da alma, cujo movimento se encontra no corpo fluídico, que tanto pode ser espontâneo como provocado por uma expressão brusca, irritativa, proveniente do mundo externo, que determina uma reação a que o ser humano obedece automaticamente, consoante os comandos dos seus atributos, sendo ele a síncrese da sensitividade com a motricidade, criada para a defesa da vida, sendo, portanto, a luz, o aviso, o guia da criatura, mas que deve estar restrita aos irracionais, que não possuem a consciência, já que ainda não passaram a evoluir por intermédio da propriedade da Luz, em que nela se adquire o raciocínio e o livre arbítrio, quando então a consciência começa aos poucos a ser formada  e desenvolvida.

Para que os seres humanos abandonem de vez aos seus instintos, que são decorrentes do atavismo psíquico oriundo da irracionalidade, e possam fazer valer as suas consciências, eles têm que fazer desenvolver ao máximo a força de vontade, para que através dela possam sopitar os atributos individuais inferiores e relacionais negativos, e adquirir os atributos individuais superiores e relacionais positivos, desenvolvendo-os e os estendendo ao máximo do esforço empregado, quando então poderão constatar também nitidamente os desenvolvimentos dos seus órgãos mentais, evoluindo no âmbito da espiritualidade. Até a saúde tende a melhorar pela ação do poder da força de vontade em querer melhorar, em querer evoluir, uma vez que o próprio sistema nervoso do ser humano vai se alterando por intermédio das emoções.

É sabido por todos que por ocasião de um choque brusco, repentino, frequentemente violento, ocorre um aumento ou então a paralização dos movimentos, provocado pelo abalo, em que geralmente a cólera, ou o medo, ou a temeridade, emergem da alma do ser humano. Esta é a base da definição dada pelos compêndios à emoção, que significa principalmente movimento, no âmbito moral, conforme a etimologia da palavra, mas também ético. Isto indica que, para que os seres humanos possam dirigir as suas emoções, é preciso conhecê-las e se valer de algumas como auxiliares precisas em suas realizações, reduzindo ou abolindo as que são nefastas, o que somente se consegue sopitando os atributos individuais inferiores e relacionais negativos, e adquirindo os atributos individuais superiores e relacionais positivos. Se considerarmos a maioria das emoções dos seres humanos, poderemos constatar não haver nenhum caso em que a alma possa agir ou receber alguma ação sem que o corpo carnal esteja envolvido.

Ao que tudo indica, as primeiras emoções dos seres humanos vão surgindo com o desenvolvimento orgânico, em que a cólera e a calma, o medo e a temeridade, o temor e o destemor, a covardia e a bravura, a alegria e a tristeza, a impaciência e a paciência,  e todos os demais contrastes vão aos poucos se revelando. Outras também existem, que são provocadas pelas coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, e que estão diretamente ligadas à estimulação sensorial, que tanto pode ser agradável como desagradável, tais como as dores e os alívios, as tristezas e as alegrias, os desprazeres e os prazeres.

As produções dos sentimentos que emitem vibrações via magnetismo, por exemplo, de êxito e fracasso, orgulho e vergonha, culpa e remorso, são emoções ligadas à autoestima, relacionando-as a representações imaginativas que o ser humano faz do seu próprio comportamento, comparado aos vários padrões de conduta que se encontram apreendidos em seu corpo mental, consoante a sua imaginação. Mas existem as outras emoções que se ligam a outras pessoas, que são as que sentimos quando em contato com os nossos semelhantes, tais como o amor familiar, o ciúme, a inveja, o ódio, e outras. E existem ainda as emoções de apreciação, decorrentes das observações, que são as que se relacionam com a maneira pela qual o ser humano vê as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, e a sua própria situação em relação ao Universo, que fazem surgir o humor, o choro, o riso, o senso de estética, a admiração, a reverência, a solidão, etc. Os estados transitórios, como os que foram descritos quando me referi à aura, são expressos por emoções contrárias, tais como animado e deprimido, alegre e triste, feliz e sombrio, satisfeito e insatisfeito, calmo e tenso, etc.

A representações imaginativas surgem nos seres humanos sob o impulso das emoções, que são forças poderosas. Sem elas, os seres humanos não poderiam sobreviver estando na fase da imaginação, não encontrariam a beleza na vida, não teriam a alegria de viver. Mas também, por outro lado, sob o seu domínio são capazes de praticar tanto o bem como o mal. Urge, então, que as emoções sejam controladas o máximo possível, sendo sempre ajuizadas pela consciência e guiadas pelos pensamentos, através do raciocínio ponderado, para que os impulsos delas decorrentes possam ser refreados.

O próprio Luiz de Mattos afirmou que todos iriam ver um fraco se tornar um forte, cuja afirmação do chefe da nossa humanidade está se concretizando plenamente por intermédio das experiências científicas e saperológicas realizadas por este ratiólogo, explanador do Racionalismo Cristão. Sabendo-se que as emoções sempre abalam de algum modo a consciência, é a própria doutrina racionalista cristã quem nos ensina como se tornar um forte, o que somente se consegue no âmbito da espiritualidade, por intermédio da educadora Olga. B. C. de Almeida, que em sua obra Caminhos Certos, as páginas 95, 96, 103 e 107, ensina-nos da seguinte maneira.

O homem só pode se considerar um forte quando reconhece as suas próprias fraquezas. Então, ciente do limite entre as virtudes e os defeitos que possui, será capaz de se defender evitando ser atacado nos pontos fracos; tornar-se-á apto a reprimir os impulsos e a conservar o sangue frio nas horas em que surgirem os acontecimentos.

Não basta, porém, que se conheça somente quanto ao modo de agir e pensar. É preciso ainda que faça um balanço do que já tem realizado.

Depois, então, através de experiências, medindo o potencial das suas possibilidades, procura atuar em um meio produtivo e viver pela razão e a inteligência (grifo meu).

Ser feliz, é ser bem integrado, é não se deixar envolver pelas emoções (grifo meu).

Se um grande sofrimento lhe reduzir o ânimo, apoie-se na vida espiritual, confie e espere, porque tudo se normalizará”.

Todos sabem que os irracionais, mesmo agindo por instinto, pautam as suas ações em inteira conformidade com as suas necessidades, e isto pode ser facilmente observado nas horas em que a mãe ensina aos seus filhotes, nas ocasiões das brincadeiras em família, nos momentos em que repousam e nos instantes quando devem se alimentar. E até quando é chegado o tempo da procriação, para a preservação da espécie, existe uma época determinada para o acasalamento, que não ocorre à toa, apenas pelo simples prazer sexual.

No entanto, ao abandonarem progressivamente os instintos que foram adquiridos na irracionalidade, os seres humanos passaram a adquirir muitos atributos individuais inferiores e relacionais negativos, que não são próprios da irracionalidade, mas sim próprios da racionalidade, com todos eles sendo provenientes da imaginação, portanto, relativos ao próprio “eu” de cada um, em função dos universos pessoais que criaram para si mesmos, em que esses tais se imaginam como se fossem o centro do Universo, os merecedores de tudo, que têm regalias para tudo, como se fossem os grandes portadores das vantagens materiais, sendo dessa imaginação que podemos encontrar todos os atributos individuais inferiores e relacionais negativos, os quais levam todos a legislar sempre em causa própria, na ânsia por satisfazer aos seus próprios interesses pessoais, em que muitos perseguem o poder sem que estejam preparados para exercê-lo, e outros tantos perseguem a riqueza sem que estejam preparados para a liberalidade e para a magnanimidade, enquanto que a maioria, em que uns e outros também se encontram incluídos, buscam os prazeres mundanos e carnais, que são efêmeros, atolando-se nos vícios, nas depravações puramente carnais, procurando de todas as maneiras desfrutar dos prazeres que este mundo proporciona, além do cometimento dos mais diversos tipos de crimes.

Caso eles não se limitassem a penas imaginar, poderiam facilmente constatar que nós somos espíritos, portanto, não somos originários deste mundo, mas sim dos nossos Mundos de Luz, e que por isso temos que nos esforçar ao máximo para agirmos como espíritos, e não simplesmente como carne, até que nesse esforço desprendido tendamos a pautar as nossas ações como se estivéssemos mesmo em nossos Mundos de Luz. É óbvio que a diferença entre os dois ambientes é imensa, descomunal, mas mesmo assim devemos nos esforçar para isso, pois que no futuro nós iremos nos desdobrar, ou seja, iremos nos afastar dos nossos corpos carnais, ficando ligados a eles apenas pelos cordões fluídicos, e passar a percorrer o Universo, visitando outros mundos, pois que nenhuma nave espacial consegue ultrapassar a atmosfera terrena, uma vez que são construídas com os seres infra-humanos que se encontram neste mundo, e não temos nem a capacidade e nem o direito de transcendê-los deste ambiente terreno, sendo proibida tal prática.

A nossa humanidade ainda ignora o que seja realmente a existência eterna e universal, sem que tenha a mínima noção de que ela não se encontra resumida em apenas uma breve encarnação, cujo tempo é irrisório, em relação à nossa eternidade. Então ela pensa que deve usufruir de todos os prazeres mundanos apenas na vida que estão vivendo no momento, imaginando somente como usufruir desses prazeres, para a satisfação do próprio corpo carnal, já que também ignoram a verdadeira vida espiritual.

E assim, como os seus atributos individuais inferiores e relacionais negativos se encontram comandando todas as suas ações, quando na fase da imaginação os seus corpos mentais obedecem automaticamente a todos esses comandos inferiores e negativos, eles passam a engendrar mil e uma maneiras de satisfazerem a si próprios, considerando que são apenas formas de carne e osso, que passam a exigir os seus próprios prazeres, desconsiderando todo o esplendor da natureza que os cerca, desconsiderando inclusive a própria natureza humana dos seus semelhantes, que é espiritual, portanto, que é também a sua própria natureza.

Estando, então, todos os seres humanos atolados nesse tremendo caos mundano, onde reinam os crimes de todas as espécies e a mais sórdida vilania, fora do âmbito da realidade, totalmente iludidos e em devaneio, ignorantes da espiritualidade, muitos vociferam se dizendo cristãos, sem a mínima noção do que seja realmente o cristianismo, para o qual ainda não estão preparados, sendo praticamente todos, pois, anticristãos, como provarei sem qualquer sombra de dúvida no decorrer das minhas obras explanatórias. E caso não fossem anticristãos, prestariam mais atenção aos ensinamentos de Jesus, o Cristo, que em um deles o nosso Redentor assim se expressou: “Não queiras para o próximo, aquilo que não queres para ti”.

Mas, ao invés de seguirem pelo menos a esse ensinamento, agem totalmente ao contrário, querendo sempre as benesses para si, e para os outros as sobras, e isto quando não retêm as próprias sobras para si, praticando o mais extremo egoísmo e a mais sórdida mesquinhez, deixando desamparados os próprios semelhantes, ignorando completamente que nas demais encarnações serão eles os desamparados, para que assim possam sentir na própria alma a dor da indiferença e do desprezo por parte dos seus semelhantes, e então possam aprender como realmente se vive a verdadeira vida.

E assim, com todos cuidando apenas dos seus próprios interesses pessoais, desprezando os interesses legítimos dos seus semelhantes, danam-se a praticar todos os tipos de males que nós podemos observar neste mundo de aparente injustiça, já que a imaginação não permite conceber o âmbito da espiritualidade, em que a concepção serve de base para que as ideias possam ser formuladas em benefício de toda a nossa humanidade.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

12.02- A concepção

Geralmente aqueles que mais se destacam dos demais procuram transmitir de alguma maneira aquilo que julgam haver concebido em seus corpos mentais, geralmente através das suas obras postas em...

Leia mais »
Prolegômenos

12.02.01- A ideia

De início, a ideia é confundida com a imagem daquilo que as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza formam no corpo mental do ser humano, por intermédio...

Leia mais »
Prolegômenos

12.03- A teoria do ser

O ser pode ser considerado como sendo o verbo de ligação que serve para afirmar a existência dos atributos adquiridos pelos seres no exercício das suas atividades básicas, para...

Leia mais »
Romae