12.01.01.01- Qual a origem da existência e a poderosa influência da imaginação nos corpos mentais dos seres humanos?

Prolegômenos
7 de junho de 2018 Pamam

Todos nós vínhamos evoluindo na irracionalidade em bloco, ocasião em que formamos uma massa compacta homogênea, ao alcançarmos o último estágio evolutivo na classe primata irracional, quando então, em conjunto, todos adquirimos o raciocínio e o livre arbítrio, passando para a classe primata racional, ingressando no âmbito da espiritualidade, com todos obviamente se tornando espíritos, indo habitar o mesmo Mundo de Luz, já que todos tínhamos a mesma categoria espiritual, não havendo a menor distinção entre uns e outros, sendo, pois, o mesmo estágio evolutivo comum a toda esta nossa massa homogênea que estava formando uma nova humanidade no Universo.

O planeta Terra foi reservado para ser o mundo-escola da nossa humanidade, para que todos os seus integrantes aqui encarnassem e aqui promovessem de maneira mais acelerada as suas evoluções espirituais, ao mesmo tempo promovendo a evolução do próprio planeta, pois é obrigação da nossa humanidade tornar a este mundo um Mundo de Luz, para que outra massa compacta homogênea possa vir a habitá-lo, quando os seus integrantes alcançarem o último estágio evolutivo na classe primata irracional, e daí alcançarem o estágio seguinte, passando a formar uma nova humanidade. Com eles assumindo o mesmo encargo que nós assumimos em relação ao mundo-escola que para eles foi reservado, assim como o planeta Terra foi reservado para a nossa humanidade.

Em nossos primeiros estágios evolutivos como espíritos, as nossas feições eram rudes e grosseiras, assemelhadas aos primatas irracionais, mas nós já tínhamos o criptoscópio e o intelecto relativamente desenvolvidos, como herança atávica da nossa irracionalidade, por isso agíamos quase que totalmente por instinto, porém já estávamos desenvolvendo a nossa consciência, por intermédio do raciocínio, tendo a faculdade do livre arbítrio como escopo desse desenvolvimente da consciência. O nosso objetivo, então, era sopitar os instintos, para que os desenvolvimentos do nosso criptoscópio e do nosso intelecto passassem a adquirir o poder e a pautar as nossas ações, respectivamente, com base na racionalidade, com a consciência coordenando cada vez mais a esses outros dois órgãos mentais, através do raciocínio, para que assim pudesse haver cada vez mais harmonia em nossas vidas.

É certo que nesse Mundo de Luz em que todos nós nos encontrávamos, todos evoluíam em conjunto, na mesma proporção, mas em ritmo muito lento. Então tínhamos que acelerar bastante a este nosso ritmo evolutivo, e a única maneira que tínhamos para fazê-lo era encarnando neste mundo-escola, para que em contato com a natureza que lhe era própria e com os semelhantes da mesma humanidade a evolução se processasse de maneira bastante acelerada. Ainda muito fracos como seres humanos, estávamos sujeitos às intempéries deste planeta, vulneráveis ao seu meio ambiente, pois ainda não havíamos desenvolvido a nossa inteligência o suficiente para podermos lançar mão dos seus elementos, manipulando-os, transformando-os e os utilizando como utensílios para as nossas necessidades vitais.

Quando no Mundo de Luz, ao tomarmos mais consciência dos órgãos mentais formadores da nossa inteligência, cientes de que não poderíamos desenvolver de maneira acelerada o nosso criptoscópio e o nosso intelecto na mesma proporção um do outro, em conjunto com o mesmo desenvolvimento acelerado da consciência, e mesmo assim, caso o fizéssemos, esse processo seria ainda muito lento para os nossos objetivos, já que poderíamos acelerar bem mais de outro modo, decidimos em plano astral realizar uma divisão entre todos nós. Assim, muitos optaram em desenvolver, sobremaneira, os seus criptoscópios, enquanto que os demais optaram em desenvolver, sobremaneira, os seus intelectos. Com isso, a consciência poderia ser desenvolvida de maneira bem mais acelerada, uma vez que o seu desenvolvimento não iria prevalecer sobre o outro órgão mental ao qual não foi realizada a opção. Resssaltando-se que, mesmo assim, todos os órgãos mentais deveriam ser desenvolvidos na mais larga extensão possível.

Nesse estágio evolutivo, nós já sabíamos que o desenvolvimento do raciocínio era de fundamental importância para que pudéssemos desenvolver aos nossos órgãos mentais. E a única maneira que tínhamos para desenvolvê-lo de maneira mais acelerada era formando as imagens das coisas, dos fatos e dos fenômenos que eram próprios deste mundo, e as apreendendo em nossos corpos mentais, a fim de que pudéssemos trabalhar com elas, raciocinando cada vez mais através delas. E assim fomos levados a formar obrigatoriamente a nossa imaginação.

Ao conseguirmos formar a nossa imaginação, passamos a desenvolver de maneira bem mais acelerada o nosso raciocínio, já que passamos a criar imagens, figuras, formas, adquirindo mais poder e mais ação, esta através da capacidade inventiva, que é constituída pela apreciação, pela comparação e pela apropriação de formas por analogia, adequando, manipulando e transformando assim os elementos que se encontravam aqui neste mundo postos ao nosso viver, com a nossa consciência também se desenvolvendo cada vez mais,  pois que desta maneira ela era requisitada, constantemente, para observar e avaliar a realidade de tudo aquilo que nos rodeava em nosso habitat, como assim nós mesmos julgávamos. E assim demos um grande passo para a futura formação da nossa concepção, que é a grande responsável por adentrarmos na realidade da vida.

Nesse contexto, tudo era apenas a ilusão da matéria, nada mais que matéria, como ainda hoje o é, e assim continuaria a ser, caso não fosse o Racionalismo Cristão. Mas os criptoscopiais já agiam no sentido de buscar tudo aquilo que era metafísico, tentando perceber e captar o invisível, transmitindo as palavras abstratas, que deveriam ser os alvos e as bases da transcendência deste mundo, formando o seu cabedal de conhecimentos. Enquanto os intelectuais já agiam no sentido de buscar tudo aquilo que era físico, procurando adequar, manipular e transformar os elementos próprios deste mundo, tentando compreender e criar o visível, transmitindo as palavras concretas, que deveriam ser os alvos e as bases do edifício social a ser construído com base na imaginação, formando o seu cabedal de experiências. E assim, todos os poderes e todas as ações eram estribados com base na imaginação. E como diz José Amorim, em sua obra Energia Programada – A Mecânica do Perispírito, a página 66, referindo-se à imaginação:

Da imaginação e do seu poder muitos homens de real esclarecimento nos falaram. Ela é a força das transformações, como nos diz o Racionalismo Cristão. Lourenço Prado disse, também, em seu Alegria e Triunfo (Editora ‘O ‘Pensamento’, São Paulo, Brasil), que a imaginação foi apelidada a tesoura da mente, pois está sempre cortando, cortando, dia e noite, as figuras que vedes nela e, mais cedo ou mais tarde encontrareis no mundo as suas criações. São, ainda, ‘as imagens astrais que vivem na atmosfera magnética dos homens e das coisas’, como indicou Papus”.

À medida que nós íamos evoluindo, os nossos corpos carnais iam se transformando, aprimorando-se, até que alcançamos a esta nossa configuração atual de Homo sapiens, com todo o processo evolutivo tendo por base a imaginação. E foi tão grande esse nosso processo evolutivo com base na imaginação, que através dela surgiram as ciências, as artes, a literatura, e tudo o mais que faz o encanto de todos nós seres humanos.

No entanto, a nossa humanidade chegou a um tal ponto na escala evolutiva, que sentiu a mais extrema necessidade de se aproximar cada vez mais da Inteligência Universal, tendo que supor a existência de Deus, ignorando que Ele se encontrava em nós mesmos. E assim, em seu devaneio, imaginou o sobrenatural, de início supondo a existência dos deuses, até que conseguiu adentrar no monoteísmo, supondo acertadamente a existência de um único deus, mas sem que pudesse sair do âmbito do devaneio do sobrenatural. Então imaginou um deus à sua imagem e semelhança, mas invertendo os papéis, afirmando que foi esse deus quem criou o homem à sua imagem e semelhança, em função da mediunidade de vidência e de audição de Abraão, que viu e ouviu o espírito de Jeová, que se encontrava quedado no astral inferior, dizendo ser deus e o criador. Desse sobrenaturalismo surgiram os vários credos, sob a denominação equivocada de religiões, em que por muitos e muitos séculos predominou neste mundo a que se denomina de Igreja Católica Apostólica Romana, da qual derivaram inúmeras seitas, de que se aproveitaram os sacerdotes para criar outras tantas mais, que juntas com as demais somam milhares e milhares, mas todas com o intuito mercantilista, e, além da riqueza, procurando sempre o poder, sem que ocorra uma única exceção sequer.

Nós somos os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, ou os deuses de Deus, como queiram e como possam compreender, que é formado de Substâncias, em que o Ser Total é a Substância Principal, portanto, a Essência, e em que a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Substâncias Secundárias, portanto, as Propriedades.

Desde que saltamos do Ser Total e nos individualizamos, como sendo as suas partículas, os simples seres, passamos a integrar o Universo, como essência, passando a evoluir por intermédio da propriedade da Força, por onde se adquire e se desenvolve o órgão mental da nossa inteligência denominado de criptoscópio, que é o órgão mental reponsável pela percepção e pela captação dos conhecimentos, além de outros acervos metafísicos, como os atributos individuais superiores, em que tudo é força que gera o magnetismo. E também passamos a evoluir por intermédio da propriedade da Energia, por onde se adquire e se desenvolve o órgão mental da nossa inteligência denominado de intelecto, que é o órgão mental responsável pela compreensão e pela criação das experiências, além de outros acervos físicos, como os atributos relacionais positivos, em que tudo é energia que gera a eletricidade. É por intermédio dessas duas propriedades que nós formamos o nosso corpo fluídico, sempre evoluindo no âmbito da irracionalidade.

Após bilhões de anos evoluindo, e evoluindo sempre, passamos por fim a evoluir por intermédio da propriedade da Luz, quando então conseguimos alcançar a racionalidade, adquirindo o raciocínio e o livre arbítrio, e por onde também se adquire e se desenvolve o órgão mental da nossa inteligência denominado de consciência, que é o órgão mental responsável por coordenar o criptoscópio e o intelecto, para que os conhecimentos metafísicos possam corresponder às experiências físicas. E assim nós alcançamos a condição de espíritos.

Mas continuamos a evoluir por intermédio das propriedades da Força e da Energia, quando então o nosso corpo fluídico foi aos poucos sopitando o âmbito da irracionalidade, em que predominavam os instintos, e ingressando cada vez mais no âmbito da racionalidade, transformando esse corpo fluídico em perispírito, aonde predomina o raciocínio. Esta predominância do raciocínio foi aumentando cada vez mais, à medida em que íamos desenvolvendo o nosso corpo de luz, o qual adquirimos e fomos desenvolvendo ao evoluirmos por intermédio da propriedade da Luz.

Como se pode facilmente constatar, à medida que nós vamos evoluindo, vamos aumentando cada vez mais a nossa inteligência. E como somos os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, ou de Deus, ou da Inteligência Universal, como queiram assim entender, o certo é que a nossa inteligência tende para a Inteligência Universal, já que a nossa finalidade é o retorno para o Criador, para que possamos levar para Ele todo o nosso acervo de imperfeições, recebendo em troca o Seu acervo de perfeição, pois a lógica não pode admitir que o verdadeiro Deus seja um ignorante da imperfeição, com a nossa consciência somente O aceitando como sendo Tudo, o Todo, quer dizer, completo em todos os sentidos, inclusive sendo completo com a incompletitude, se é que estou me fazendo entender, assim como determina a mais pura racionalidade lógica.

Assim, a nossa inteligência trabalha e trabalha sempre para que o criptoscópio e o intelecto reúnam as condições necessárias para que a consciência os coordene e a sua luz astral tome a posse da realidade da existência eterna e universal. Sem que tivéssemos a plena consciência da realidade universal, a nossa imaginação continuaria a nos tornar sempre mecânicos, como se fôssemos autômatos, vivendo em conformidade com os seus ditames, sempre iludidos e em devaneios, sem a possibilidade de formarmos uma doutrina acerca da verdade, de um método e de um sistema correspondentes acerca da sabedoria, e, por fim, de uma finalidade acerca da razão para a nossa eterna existência, no âmbito universal.

É chegado o tempo, pois, de abandonarmos o âmbito da imaginação e ingressarmos no âmbito da razão, quando, então, a imaginação será substituída pela concepção, de onde são formuladas as ideias, para que assim possamos pautar o nosso viver no mundo das ideias, e não no mundo das ilusões e dos devaneios imaginativos. Como se pode constatar, a concepção somente pode ser alcançada tendo por base a imaginação, que é a base preparatória para que possamos adentrá-la. É como um ser humano que para chegar à fase adulta tem que passar anteriormente pela fase da adolescência, e para chegar a esta tem que passar anteriormente pela fase da infância. Vejamos o que José Amorim, ainda na sua mesma obra Energia Programada – A Mecânica do Perispírito, agora as páginas 78 e 79, diz sobre o assunto:

O Espírito se liga ao Corpo Físico (leia-se corpo carnal, digo eu) por intermédio do Perispírito, que na sua parte mais grosseira deve ter uma certa relação com a parte mais fina do Corpo Físico (leia-se corpo carnal, digo eu).

Nessas circunstâncias, o Perispírito é a Matriz do corpo físico (leia-se corpo carnal, digo eu), estando nele impressas as fases do desenvolvimento e crescimento, da troca de células e da recomposição dos tecidos de acordo com a sua natureza.

A ação mecânica do Corpo Astral (Perispírito) sobre o Físico (leia-se corpo carnal, digo eu) se nota nitidamente nos fenômenos que regulam a nutrição.

O perispírito é também o elemento através do qual a Inteligência Universal (aqui mecanizada através da natureza) processa a evolução das espécies.

As espécies constituídas (assim como toda a Natureza) formam o laboratório através do qual o elemento Força (o ser, a essência, digo eu) processa a sua evolução e emerge como Espírito, com capacidade de escolher e decidir, com o poder do raciocínio.

O Perispírito é um acumulador dos resultados por que vai processando a Força (e também a Energia, digo eu) no processo evolutivo.

A experiência acumulada aqui, reflete-se ali, na formação do receptáculo (Corpos Físico [leia-se carnal, digo eu] e Astral [leia-se perispírito, digo eu]) seguinte, e assim as formas vão emergindo, sempre melhoradas, expressando na conformação do mais recente receptáculo atingindo o resultado das experiências vivenciadas.

A evolução, até certo ponto, faz-se por um processo mecânico, como mecânica é a ação do Perispírito sobre o Corpo Físico (leia-se corpo carnal, digo eu), nas espécies menores. Quando o espírito atinge a capacidade de escolher e decidir, a capacidade de raciocinar, passa à obrigação de ir racionalizando essa ação mecânica, e nisso consiste a luta do homem neste mundo. A fera que fomos outrora deixou marcas profundas nesse acumulador, e essas marcas nos impulsionam cegamente para a frente em muitas ocasiões da nossa existência.

Neste ponto é que nos assemelhamos a um computador, porque um computador vive por uma ação mecânica, puramente mecânica. E quando são apenas aqueles impulsos cegos que os levam para frente, é sinal de que estamos vivendo unicamente a parte mecânica do nosso ser.

A parte mecânica do nosso ser é o resultado das experiências pelas quais passamos e tem por sede o Perispírito. Quer dizer: é o nosso Perispírito que está agindo mecanicamente, enquanto o Ser real, a Consciência, está adormecido ou vencido por essa ação mecânica. Aí nos comparamos a uma máquina, somos meramente um computador.

Mas o espírito, além do raciocínio, possui muitos outros atributos ou componentes, e entre eles estão a Vontade e O PODER DE CONCEPÇÃO COM BASE NA IMAGINAÇÃO (grifo e realce meus).

E com base na imaginação, visualizando imagens novas, podemos disciplinar ou redirecionar essa ação mecânica. Se o nosso Perispírito é um acumulador de energias, devemos então agir no sentido de acumular a partir de então novas imagens, resultado dos nossos pensamentos, até que esse acumulador esteja positivamente energizado.

Positivamente energizado, o Perispírito, o resultado é um corpo físico (leia-se corpo carnal, digo eu) sadio, mais suave, menos grosseiro.

Ou talvez nem precisemos mais do Corpo Físico (leia-se corpo carnal, digo eu).

Trabalhar para bem pensar, eis o sentido moral (como dizia Descartes), o nosso maior dever neste mundo”.

Eis aqui, portanto, a origem da existência e a poderosa influência da imaginação nos corpos mentais dos seres humanos, pelo menos em seus traços gerais mais importantes, em que os seres humanos formam os seus próprios universos pessoais, em que tudo passa a girar em torno desses universos pessoais, já que assim os seus corpos mentais passam a raciocinar em torno de si mesmos, e tudo aquilo que venha a se situar fora do âmbito da imaginação é considerado como se fosse irreal, pois aquele que imagina ignora a própria irrealidade em que vive, daí a poderosa influência da imaginação. Por isso, quando na satisfação dos seus interesses pessoais, põem de lado a consciência, e agem no sentido de se satisfazerem a si próprios, fazendo trabalhar os seus criptoscópios, que lhes dão o poder, e os seus intelectos, que lhes dão a ação, em que o poder e a ação representam a vida, com a consciência ficando embotada, ou mesmo enegrecida.

 

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