11.12- O inferno

Prolegômenos
6 de junho de 2018 Pamam

Segundo os compêndios, a palavra inferno é proveniente da palavra latina infernu, sendo um termo da mitologia que significa lugar subterrâneo, onde se encontram as almas dos mortos. Mas segundo os estudiosos do assunto, essa palavra é originada da palavra latina pré-cristã inferus, com o significado de lugares baixos. Na Bíblia latina, a palavra é utilizada para representar o termo hebraico seol e os termos gregos hades e geena, sem qualquer distinção, todas com o mesmo significado, tendo a clara conotação de um lugar para onde vão os mortos, porém a maioria das versões no idioma português segue o latim, não fazendo qualquer distinção do hebraico ou do grego.

Essa história da existência do inferno remonta à antiguidade, pois na Pérsia não se podia encarar sem medo a morte, a não ser que tivesse sido fiel guerreiro da causa de Ahura-Mazda. Para além de todos os mistérios estavam o inferno, o purgatório e o paraíso. Todas as almas tinham que passar pela Ponte do Exame, em que as almas boas iam para a Morada do Canto, onde seriam recebidas por uma “jovem donzela, radiante e forte, de busto bem desenvolvido”, e viveriam com Ahura-Mazda na felicidade até o fim dos tempos. Mas as almas dos maus, não conseguindo atravessar a ponte, caíam em um nível do inferno adequado às suas maldades.

As vitórias de Alexandre, o Grande, romperam caminhos para novos cultos. No século 3º, Atenas se viu tão perturbada por crenças exóticas, quase todas prometendo o céu e ameaçando com o inferno, que tanto Epicuro como Lucrécio, este no 1º século romano, não resistiram à necessidade de denunciar a essas crenças consideradas como sendo estapafúrdias desde os tempos antigos, como sendo elas hostis à paz de espírito e a alegria de viver. Os novos templos, até mesmo em Atenas, passaram a ser dedicados a Ísis, Serapis, Bendis, Adônis ou a alguma outra deidade estrangeira.

Já os etruscos admitiam que cada inimigo morto lhes assegurava a libertação de uma alma caída no Inferno. A crença no inferno: eis uma das feições características da teologia etrusca. Os espíritos dos mortos eram conduzidos por gênios ao tribunal do inferno, onde, em um Juízo Final, tinham a oportunidade de justificar as suas condutas em vida. Se não conseguiam justificar, eram condenados aos tormentos que deixaram marca em Virgílio, criado na tradição etrusca de Mântua e na primitiva imaginação dita cristã do inferno; e séculos depois iria aparecer no inferno do toscano Dante.

A forma lógica do argumento de Lucrécio era a seguinte: “A tantos males os credos persuadiram o homem”. Refere ele os inumeráveis sacrifícios humanos, as hecatombes aos deuses concebidos à imagem da voracidade humana, o terror e a juventude perdida em uma conjectura de divindades vingativas, o medo ao raio e ao trovão, à morte e ao inferno, que assim incrimina a humanidade por preferir os sacrifícios rituais, os cultos e tudo mais do gênero, à compreensão saperológica, quando diz assim:

Ó miserável raça humana, que imputas aos deuses atos tais e lhes atribui tamanha ira! Quantos sofrimentos por meio de tais credos os homens preparam para si mesmos, que feridas para todos nós, quantas lágrimas para os nossos filhos! Porque a devoção não consiste em voltar para as pedras um rosto velado, nem em se aproximar de cada altar, nem em se prostrar diante dos templos dos deuses, nem em espargi-los com o sangue de animais…, mas na capacidade de olhar para todas as coisas com paz de espírito”.

Para Lucrécio, alma sem corpo não tem sentido nem significação; que uso teria uma alma sem órgãos para sentir a matéria? A vida nos é dada não como propriedade absoluta, mas como empréstimo, e pelo tempo que possamos dela fazer uso. Esgotadas que sejam as nossas forças, temos de nos levantar da mesa da vida, tão gentilmente como um hóspede grato se levanta de uma festa. Em si não é terrível a morte, o nosso medo do além é que a faz terrível. Mas não há além. O inferno pode ser aqui, nas dores que brotam da ignorância, da paixão, da pugnacidade, da cobiça; e o céu também pode ser aqui “nos calmos templos da verdade e da sabedoria”. A virtude não está no temor aos deuses, nem no tímido repúdio do prazer; está na harmoniosa operação dos sentidos e faculdades, guiados pela razão.

A utilização do raciocínio com um mínimo de racionalidade pode de logo constatar com lógica e clareza que o Universo é um só, dada a sua imensidão, por isso não podem existir outros universos no âmbito da concepção realística, a não ser na imaginação dos espíritos mais atrasados, completamente ignorantes e totalmente falhos de raciocínio.

Ora, se o sobrenatural vem determinar que no Universo se encontra posto um local para o céu, outro para o purgatório e mais outro para o inferno, sendo estes locais totalmente independentes um do outro, como explicar a criação de todos esses lugares após a criação do próprio Universo? Assim, o criador do Universo não poderia jamais ser onisciente, e muito menos onipresente. Além do mais, se todas as coisas têm a mesma origem, como elas poderiam interagir racionalmente umas com as outras?

Somente o céu é infinito? Então como explicar o espaço e o tempo que o separam dos demais locais? Ora, se o céu é infinito então ele deve conter, obrigatoriamente, o purgatório e o inferno, caso contrário ele não poderia ser infinito. E se o céu é finito, então o purgatório ou o inferno são infinitos, e um dos dois deve conter, obrigatoriamente, o céu e o outro local que são finitos. É a lógica quem determina tudo isso. E como explicar a onipotência, a onipresença e a onisciência de um deus que seja totalmente alheio ao inferno e ao purgatório?

Na realidade, a lenda do inferno é por demais antiga, e isto se justifica em função do fato de que desde os tempos antigos os seres humanos já sabiam, por intuição, que o destino das almas dependia diretamente da sua conduta de vida. O próprio Platão, que foi a encarnação imediatamente anterior à encarnação de Jesus, o Cristo, vem afirmar que o destino das almas depois da morte depende da sua filosofia de vida, da sua razão, que em outros termos não deixa de ser a sua conduta de vida.

O inferno a que todos se referem desde a antiguidade aos tempos atuais, é o local ao qual o Racionalismo Cristão denomina muito propriamente de astral inferior. Todos os seres humanos que praticaram o mal, que tiveram uma vida materializada, que produziram sentimentos inferiores e pensamentos negativos, têm os seus corpos fluídicos e os seus corpos de luz, que formam a alma, impregnados de fluidos pesados, grosseiros, deletérios, e assim, após a desencarnação, são atraídos pela força gravitacional da Terra, ficando presos à sua atmosfera, portanto, quedados no astral inferior, engrossando as fileiras das falanges que praticam todos os tipos de males, ao invés de retornarem para os seus Mundos de Luz.

A verdade já foi estabelecida no seio da nossa humanidade, por intermédio da doutrina do Racionalismo Cristão, que traduz toda a realidade acerca da espiritualidade, mas os seres humanos preferem ficar presos à ilusão da matéria e ao devaneio do sobrenatural, imaginando que se encontram na realidade da vida, por isso, após a desencarnação, a grande maioria fica quedada no astral inferior, quer dizer, vai direto para o inferno.

Ressaltando-se aqui que o termo grego hades possui o significado de local para onde vão as almas dos mortos, portanto, que possui o mesmo significado de astral, que tanto pode ser o Astral Superior como o astral inferior, o próprio Platão vem nos confirmar essa queda inglória das almas no astral inferior, quando tratando no Fédon acerca da Purificação, diz o seguinte:

“— …. Todo aquele que atinja o hades como profano e sem ser iniciado terá como lugar de destinação o lodaçal (o astral inferior, digo eu), enquanto que aquele que houver sido purificado e iniciado morará, uma vez lá chegado, com os deuses (os espíritos do Astral Superior, digo eu). É que, como vês, segundo a expressão dos iniciados nos mistérios: ‘numerosos são os portadores de tirso (na mitologia grega e romana era um bastão envolvido em hera e ramos de videira encimado por uma pinha usado por Dionísio, ou Baco, o deus do vinho e da embriaguez, com o tirso tendo um caráter fálico e a pinha um símbolo para o sêmen, em que os portadores de tirso são de grau inferior, digo eu) mas poucos os Bacantes (tragédia grega escrita por Eurípedes, baseada na história mitológica do rei Penteu, de Tebas, e de sua mãe Agave, que foram punidos pelo deus Dionísio, primo de Penteu, por sua recusa em venerá-lo e por haver proibido o seu culto, em que o grau de Bacante é superior, digo eu)’. Ora, ao meu ver, estes últimos não são outros senão os de quem a Filosofia, no sentido correto do termo, constitui a ocupação. E quanto a mim, durante toda a vida e pelo menos na medida do possível, nada deixei de fazer para pertencer ao número deles; nisso, pelo contrário, pus sem reservas todos os meus esforços. Entretanto, se tudo o que eu fiz estava certo, se os meus esforços obtiveram algum êxito, é coisa que espero saber com certeza dentro em pouco, no além, se Deus quiser: tal, pelo menos, é a minha opinião”.

E continua Platão no Fédon, desta vez quando trata de O Destino das Almas, em que também se pode constatar claramente que a nossa tarefa maior é se afastar cada vez mais do corpo carnal, para que assim possamos ficar libertos das suas influências, ligados a ele apenas pelos cordões fluídicos, e então possamos transcender a este mundo, em busca dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, o que somente se consegue por intermédio da virtude, quer dizer, da moral e da ética, portanto, da educação, assim:

Suponhamos que seja pura a alma que se separa do corpo, pois que deste ela nada leva consigo, pela simples razão que, longe de ter mantido com ele durante a vida um contato voluntário, ela conseguiu, evitando-o, concentrar-se em si mesma e sobre si mesma, e também pela razão de que foi para esse resultado que ela tendeu. O que equivale exatamente a dizer que ela se ocupa, no bom sentido com a Filosofia, e que, de fato, sem dificuldade se prepara para morrer. Poder-se-á dizer, pois, de uma tal conduta, que ela não é um exercício para a morte?

— Sim, realmente é isso.

— Ora, se tal é o seu estado, é para o que se lhe assemelha que ela se dirige (lei da afinidade,  princípio da atração e preceito da integração, digo eu), para o que é invisível, para o que é divino, imortal e sábio; é para o lugar onde a sua chegada importa para ela na posse da felicidade, onde divagação, irracionalidade, terrores, amores tirânicos e todos os outros males da condição humana cessam de lhe estar ligados, e onde, como se diz dos que receberam a iniciação, ela passa na companhia dos deuses (Astral Superior, digo eu) o resto do seu tempo! É deste modo, Cebes, que devemos falar, ou nos cumpre procurar outro?

— É esse mesmo, por Zeus!

— Segundo me parece, pode-se também supor o contrário, que esteja poluída, e não purificada, a alma que se separa do corpo; do corpo, cuja existência ela compartilhava; do corpo, que ela cuidava e amava, e que a trazia tão bem enfeitiçada por seus desejos e prazeres, que ela só considerava real o que é corpóreo, o que se pode tocar, ver, beber, comer e o que serve para o amor (leia-se sexo, digo eu); ao passo que se habituou a odiar, a encarar com receio e a evitar tudo quanto aos nossos olhos é tenebroso e invisível, inteligível, pelo contrário, pela Filosofia e só por ela apreendido! Se tal é o seu estado, crês que essa alma possa, ao se destacar do corpo, existir em si mesma, por si mesma e sem mistura?

— É totalmente impossível.

— Muito ao contrário, julgo eu, tu a crês mesclada de qualidades corpóreas que a sua familiaridade com o corpo, de cuja existência partilhou, tornou-lhe íntimas e naturais, pois que jamais cessou de viver em comunhão com ele e até mesmo procurou multiplicar as suas ocasiões de contato?

— Realmente.

— Sim, mas isso tem peso, meu caro; não o duvidemos, é denso, terroso, VISÍVEL! E uma vez que é este o conteúdo de tal alma, por ele é que ela se torna pesada, atraída e arrastada para o lugar visível (astral inferior, digo eu), devido ao medo que lhe inspira o que é invisível e o que denominamos de país do Hades (Astral Superior, digo eu); essa alma ronda os monumentos funerários e as sepulturas, ao redor dos quais de fato foram vistos certos espectros sombrios de almas, imagens apropriadas das almas de que falamos. Elas, por terem sido libertadas, em estado de impureza e de participação com o visível, são assim também elas visíveis!

— Pelo menos é verossímil, Sócrates!

— Seguramente, Cebes! E o que certamente não o é, é pretender que essas almas sejam as almas dos bons. São as dos maus, que se veem obrigadas a vaguear nesses lugares, que recebem assim o castigo da sua maneira de viver anterior, que foi má. E vagueiam desse modo até o momento em que encontram o companheiro desejado, algo corporiforme, e tornam a entrar em um corpo (mediunidade de incorporação, digo eu)! Ora, aquilo a que elas assim novamente se juntam, deve ser, como é natural, possuidor dos mesmos atributos que as distinguiram no curso da sua vida.

— Quais são, Sócrates, esses atributos de que falas?

— Exemplo: em corpos de asno ou de animais semelhantes (leia-se seres humanos néscios e com os mesmos atributos inferiores desses animais trazidos da irracionalidade, digo eu) é que muito naturalmente irão entrar as almas daqueles para quem, a voracidade, a impudicícia, a bebedeira, constituíram um hábito, as almas daqueles que jamais praticaram a sobriedade. Não pensas assim?

— Perfeitamente! É muito natural, com efeito.

— E para aqueles para os quais o mais alto prêmio era a injustiça, a tirania, a rapina, esses animarão corpos de lobos, falcões e milhafres (seres humanos com os mesmos atributos desses animais trazidos da irracionalidade, digo eu). Ou acaso pode haver outra destinação para essas almas?

— Não. E bem é que assim seja ? disse Cebes; — as almas desses homens tomarão essas formas (eu mostro no site pamam.com.br, através de imagens, essas formas de animais assumidas pelos espíritos quedados no astral inferior, digo eu e grifo).

— E é perfeitamente claro, para cada um dos outros casos, que o destino das almas corresponderá às semelhanças com o seu comportamento na vida?

— Bem claro, e como não haveria de ser assim?

— Os mais infelizes — continuou Sócrates — serão aqueles cujas almas hão de ter um destino e lugar mais agradáveis, serão aqueles que sempre exerceram essa virtude social e cívica que nós denominamos de temperança e de justiça e nas quais eles se formaram pela força do hábito e do exercício, sem o auxílio da Filosofia e da reflexão?

— E quanto à espécie divina, absolutamente ninguém, se não filosofou, se daqui partiu sem estar totalmente purificado, ninguém tem o direito de atingi-la, a não ser unicamente aquele que é amigo do saber!”.

Nesta obra, eu mostrarei apenas algumas imagens em formato de gravuras dos espíritos quedados no astral inferior, postos pela doutrina do Racionalismo Cristão, mas no site pamam.com.br eu também mostro as imagens reais e idôneas, todas com procedências científicas, desses espíritos obsessores praticando os seus males por todo o orbe terrestre, em cujas imagens eles também assumem realmente as formas dos mais diversos tipos de animais de acordo com as suas fúrias, em conformidade com a lei da afinidade, o princípio da atração e o preceito da integração, nas formações das suas falanges.

É certo que a Veritologia e a Saperologia vêm sendo mescladas uma com a outra desde a antiguidade, sob a denominação imprópria de Filosofia, mas que agora, com o surgimento da Ratiologia, essa mescla se extinguiu. E somente aqueles que se disponham a seguir aos ensinamentos transmitidos por esses tratados superiores deixarão de ir para o inferno, quer dizer, para o astral inferior, após a desencarnação, ascendendo para os mundos que lhes são próprios, que são os Mundos de Luz. Sendo ciente desta realidade, Platão, ainda no Fédon, tratando acerca de A Função da Filosofia, vem nos afirmar o seguinte:

“… eis como, sem dúvida, refletirá uma alma de filósofo: ela não irá pensar que, sendo o trabalho da Filosofia libertá-la, o seu possa ser, enquanto a Filosofia a liberta, o de se entregar voluntariamente às solicitações dos prazeres e dos sofrimentos, para tornar a se colocar nas cadeias, nem o de realizar o labor sem fim de uma Penélope que trabalhasse de maneira contrária àquela com que trabalhou aquela. Não! Ela acalma as paixões, liga-se aos passos do exercício do raciocínio que sempre nele está presente; toma o verdadeiro, o divino, o que escapa à opinião, por espetáculo e também por alimento, firmemente convencida de que assim deve viver enquanto durar a sua vida, e que deverá, além disso, após o fim desta existência, ir-se para o que lhe é aparentado e semelhante, desembaraçando-se destarte da humana miséria”.

Como se pode claramente constatar, a lenda do inferno é por demais antiga, tendo sido originada em função dos seres humanos mais comuns saberem intuitivamente e dos espíritos mais evoluídos terem a convicção da existência da alma, que ela se separa definitivamente do corpo após a desencarnação, indo para o lugar que lhe é mais afim. Se ela é materializada e afeita aos prazeres mundanos, irá para o astral inferior, ou para o inferno, como diziam os antigos, se ela é espiritualizada e já sobrepujou aos prazeres mundanos, irá para o mundo que lhe próprio, o seu mundo de origem, que é um Mundo de Luz, passando a integrar o Astral Superior.

Mas acontece que quando os seres humanos, após a desencarnação, ficam com os seus espíritos quedados no astral inferior, essas quedas não são definitivas, não são permanentes, não são eternas, sendo apenas um estágio, cujo tempo é proporcional ao grau de materialidade em que se encontra o espírito, que pode durar até séculos, como foi o caso de Ignácio de Loyola, considerado como santo pela Igreja Católica.

É justamente em função disso que os seres humanos criaram o termo purgatório, como sendo o lugar em que se sofre por algum tempo, como sendo uma espécie de expiação, de padecimento, que não passa de um efeito, cuja causa é o mal que se encontra contido na alma do espírito, em face da sua materialidade. Mas os teólogos, em suas matreirices e artimanhas, designam como sendo o lugar de purificação das almas dos justos antes de admitidas na bem-aventurança, quando no astral inferior não existe qualquer purificação. No entanto, o inferno e o purgatório representam ambos o mesmo lugar: o astral inferior.

Para que se possa compreender melhor o astral inferior, ou o inferno, ou o purgatório, como queiram, basta apenas fazer uma analogia com o próprio corpo humano, com ele representando este mundo e com o astral inferior representando os intestinos, onde se encontram as fezes, que são as borras, as lamas, os lodos, as partes inaproveitáveis do organismo humano, portanto, os mais vis, os mais desprezíveis, os mais malévolos, a escória entre todos os espíritos que se encontram neste mundo, pois que os encarnados também são espíritos. No âmbito desta analogia, assim como a Medicina possui os seus medicamentos que causam as evacuações intestinais, limpando os intestinos, tratando por meio de purgantes aos doentes, assim age a Providência Divina, que possui os mecanismos adequados para expelir desse antro pernicioso os maus elementos, de modo similar à tecnologia que cria o dispositivo automático que serve para separar e eliminar do meio o líquido condensado em uma tubulação de vapor, sem provocar a suspensão da operação da linha e sem deixar o vapor escapar.

A astúcia possui os seus vários aspectos em que a ela se agregam outros fatores, se o fim a que ela se destina for nobre, a habilidade demonstrada que a ela se agregou é digna de louvor, mas se o fim que a ela se destina for mau, a verdadeira habilidade a ela não se agrega, com ela se comportando como simples astúcia. Sendo astuciosos, ardilosos e artimanhosos, os sacerdotes lançaram mão do céu, do inferno, do purgatório, da salvação, da condenação eterna, das rezas e orações, e estabeleceram o instituto da fé credulária como sendo a maneira mais segura para oferecer a vida eterna junto ao deus bíblico e outros, ensinando a todos a temerem a um certo deus, tornando-os cada vez mais medrosos, ao mesmo tempo adorando, tornando-os subservientes, e amando, sem qualquer noção acerca do amor, que é de natureza espiritual, como se fosse possível temer, adorar e amar, tudo ao mesmo tempo. Meu Deus! Isso só pode entrar na cabeça de alguém que seja desprovido de um mínimo de raciocínio.

Somente uma mente doentia, e muito doentia, ávida de poder e riqueza, é capaz de deturpar a esse ponto uma lenda tão fantástica como essa, e o pior de tudo é ela ainda continuar a perseverar até aos dias de hoje, com esses sacerdotes continuando descaradamente a pregar a existência desse antro inexistente, para onde vão as almas definitivamente após as suas desencarnações. É essa tremenda ignorância que desde priscas eras vem atormentando contínua e perversamente a vida dos seres humanos mais atrasados, pelo fato deles serem desconhecedores da vida fora da matéria. Como é que uma mente tida como sendo normal pode aceitar passivamente, sem qualquer raciocínio lógico, o verdadeiro Pai, assim como Jesus, o Cristo, assim O chamou, condenar para sempre os seus próprios filhos, ao invés de lhes impor o caminho da remodelação, procedendo às suas regenerações? Somente uma mente perversa e extremamente doentia pode incutir a existência desse tal castigo eterno na mente fraca de quem se dispõe a escutar tal aberração.

Ignorando completamente a existência do astral inferior, os credos e as suas seitas possuem as suas próprias imaginações acerca daquilo que denominam de inferno, vejamos o seu significado em alguns credos e seitas:

  • Judaísmo:
    • No judaísmo, o significado de inferno se assemelha mais ao purgatório, em que o termo Gehinom, ou Gehena, designa a situação de purificação necessária à alma para que ela consiga entrar no paraíso, que é denominado por Gan Eden. No sentido do credo judaico, o inferno não é eterno, caracterizando-se como sendo uma situação finita, após a qual a alma estará purificada. O credo judaico utiliza o termo designativo do mundo dos mortos, ao que os seus sacerdotes denominam de sheol, cujo termo é oriundo da palavra ceeol, o qual apresenta uma característica de desolação, silêncio e purificação, cuja palavra não deve ser confundida com a palavra geena, que era o nome dado a uma ravina profunda ao sul de Jerusalém, onde sacrifícios humanos eram realizados na época de doutrinas anteriores, que mais tarde se tornou uma espécie de lixão da cidade, frequentemente em chamas em face do material orgânico e das ações dos espíritos quedados no astral inferior que lá se encontram. A utilização da palavra sheol indica um lugar de inconsciência e inexistência, conforme os textos judaicos, e não um lugar de punição.
  • Catolicismo e as suas seitas:
    • No falso cristianismo, que o catolicismo e as suas seitas representam neste mundo, existem diversas imaginações a respeito do inferno, as quais correspondem às diferentes correntes engendradas pelos seus sacerdotes. A imaginação de que o inferno é um lugar de condenação eterna, tal como se apresenta atualmente para essas diversas correntes ditas cristãs, nem sempre foi e nem ainda é consenso entre todas elas, em face de alguns dos seus integrantes serem um pouco mais raciocinadores do que os demais. Nos primeiros séculos do denominado cristianismo, houve quem defendesse com certa lógica que a permanência da alma no inferno era temporária, apesar de defender a tese de que o termo inferno significa sepultura, de onde a pessoa pode sair quando da ressurreição, segundo os Evangelhos. Hoje em dia essa tese é defendida por algumas correntes ditas cristãs.
  • Testemunhas de Jeová:
    • Para as testemunhas de Jeová, o inferno de fogo como lugar literal de tortura das pessoas iníquas é rejeitado, pois elas citam na Bíblia os termos normalmente traduzidos por inferno, hades, do grego, e seol, do hebraico, significando sepultura ou lugar dos mortos. Também no caso de geena com a imaginação de destruição e aniquilação eterna. As testemunhas de Jeová citam Atos 2:27, que conta que Jesus, o Cristo, desceu ao inferno, hades ou seol, e foi ressuscitado, acreditando que após a ressurreição dos mortos, os pecados anteriores não lhes serão imputados, tendo por base Romanos 6:7, que diz: “Pois aquele que morreu foi absolvido do pecado”, mas poderão recomeçar a vida escolhendo voluntariamente servir ao seu deus bíblico e alcançar assim a salvação.
  • Espiritismo:
    • Para os adeptos do espiritismo, o inferno é um estado de consciência da pessoa que incorre em ações contrárias às estabelecidas pelas leis morais, as quais se encontram esculpidas na consciência de cada um. Uma vez tendo a pessoa a sua consciência “ferida”, passa a viver em desajuste mais ou menos significativo de acordo com o grau de gravidade das suas ações infelizes, que se estampam através de desequilíbrios espiritual, emocional, psicológico e até orgânico, causando grandes dissabores. Ao desencarnar, se a pessoa não evitou as ações infelizes, buscando uma vida saudável de acordo com as leis divinas, ela segue para um dos planos espirituais ou incorpóreos, juntando-se lá a outros espíritos que trazem consigo conturbações conscienciais semelhantes, pois que afins atraem afins. Esses planos espirituais de sofrimentos são inumeráveis, guardando em si níveis de sofrimentos diferenciados, cujos níveis são estabelecidos pelos tipos de degradação da consciência, resultantes das ações perpetradas por cada pessoa. Na visão espírita, portanto, o inferno como região criada pelo deus bíblico para o sofrimento eterno da criatura e geograficamente constituído, não existe. Se um dia todas essas criaturas sofredoras na erraticidade se regenerarem, estas regiões deixarão de existir, tal como se todos os pacientes de um manicômio terrestre fossem curados, com o prédio sendo demolido e cedendo o espaço para um jardim. Assim, o deus bíblico não imputa pena eterna a nenhum dos seus filhos, que passarão a sofrer, enquanto não despertarem para o bem e se propuserem a trilhar pelo reto caminho, quando então, mais cedo ou mais tarde, em um certo dia, o deus bíblico em sua misericórdia e amor, concederá a cada criatura sofredora o retorno à carne, para continuar o seu aprendizado e aperfeiçoamento. Tudo isso foi imaginado por Allan Kardec, o fundador do credo espírita.
  • Islamismo:
    • Para os muçulmanos o inferno é e não é eterno, ao mesmo tempo, consistindo em sete portões pelos quais entram as várias categorias de condenados, sejam eles muçulmanos considerados como sendo injustos ou não muçulmanos. Assim como na crença judaica, para o islamismo o inferno é também um lugar de purificação das almas, onde um dia aqueles que lá se encontram terão as suas almas levadas para o paraíso, caso ao menos um dia das suas vidas tenham acreditado que Alá é único, não tendo sido gerado. É muito comum se pensar que no islã o castigo é eterno, em função das bases fundamentalistas de alguns dos seus praticantes mais intransigentes, pelo fato do Alcorão mencionar diversas vezes o castigo e o sofrimento no fogo eterno. Porém, o fato é que o mesmo texto deixa transparecer que existem condições para se pagar os pecados e sofrer as consequências, como também existem meios para se alcançar o perdão para o não banimento ao inferno, por meio de aplicações de condutas que venham a condizer com os bons costumes e a maneira de enxergar a Alá, a vida e a forma de como deverá cada ser se conduzir, ao ponto de pagarem os seus pecados post mortem, ou de alcançarem a graça do perdão divino.
  • Budismo:
    • Para os budistas, de certo modo, todo o samsara é um lugar de sofrimento, uma vez que em qualquer reino do samsara existe sofrimento. Esse termo samsara é proveniente do sânscrito, que significa perambulação, podendo ser descrito como sendo o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos, em que na maioria das tradições credulárias da Índia, incluindo também o hinduísmo e o jainismo, o ciclo de morte e de renascimento é encarado como sendo um fato natural. No entanto, em alguns reinos, o sofrimento é maior em correspondência à noção de inferno como lugar ou situação de maior sofrimento e menor oportunidade de alcançar a liberação do samsara, por esse motivo, muitas vezes se expressam esses mundos de sofrimentos maior como infernos. Nenhum renascimento em um inferno é eterno, embora o tempo da mente nessas situações possa ser contado em eras. No budismo se contam dezoito formas de infernos, os da vizinhança dos infernos quentes e os infernos efêmeros. Além desses dezoito que constituem o reino dos infernos, pelo sofrimento, o reino dos fantasmas famintos é comparável à noção do inferno, sendo constituído de estados de consciência de forte privação, tais como a fome e a sede, sem que haja a possibilidade de saciar a essa privação. Para os budistas, o renascimento em um inferno é uma consequência das virtudes e das não virtudes praticadas, de acordo com a verdade relativa ao carma. Entretanto, alguns poucos atos por si podem conduzir a um renascimento nos infernos, principalmente o ato de matar um budista e o ato de matar o próprio pai ou a própria mãe. A meditação sobre os infernos deve gerar para todos os budistas a compaixão.

Além das intuições que os seres humanos recebem acerca da existência do astral inferior, eles também são informados através dos sonhos, além dos médiuns videntes que veem esses seus espectros e dos médiuns ouvintes que os ouvem, mas o fato é que a imaginação não permite que eles consigam conceber a existência desses espíritos decaídos, formando uma ideia precisa a respeito da existência do astral inferior, daí a razão pela qual desde a antiguidade vem essa imaginação da existência do inferno, para onde vão as almas dos mortos. E a realidade da existência do astral inferior é um fato tão gritante, que essa imaginação da existência do inferno se encontra disseminada em todas as culturas, sob várias denominações, como se fossem mitologias, senão vejamos algumas delas:

  • Di Yu: o inferno da mitologia chinesa;
  • Hades: da mitologia greco-romana, cuja definição mais apropriada é astral, pois que tanto pode ser o Astral Superior como o astral inferior, como assim Platão se refere ao termo;
  • Helgard: o inferno da mitologia nórdica;
  • Mundo dos mortos: o inferno da mitologia egípcia;
  • Mag Mell: o inferno da mitologia irlandesa;
  • Ne no Kuni e Yomi no Kuni: os infernos da mitologia japonesa;
  • Jahannam: o inferno na escatologia islâmica.

Aqueles que são mais raciocinadores, podem claramente constatar que os cultos e as rezas e as orações credulários somente fazem agravar ainda mais a precária situação em que se encontra o ambiente terreno, principalmente em relação aos bíblicos, uma vez que tudo isso vai em direção a Jeová, o deus bíblico, pois que o verdadeiro Deus sendo o Todo, a Inteligência Universal, representando o Infinito, o Ilimitado, a Perfeição, que contém o Universo em Si, onde habitam temporariamente os seres, que são as partículas do Ser Total, que formam os mundos, os quais se encontram sob as égides das estrelas, que são as partículas da Força Total e da Energia total, em combinações, fornecendo as coordenadas universais, em que a propriedade da Luz penetra a todas essas coordenadas, não pode aparecer a Abraão e nem a Moisés como se fosse um simples ser individualizado, querendo ser amado acima de tudo e de todos, querendo ser adorado, querendo ser temido através de ameaças e dos seus exércitos, e se dizendo o criador, cuja criação foi realizada em seis dias, com ele se cansando e descansando no sétimo dia. Como alguém pode acreditar em tanta baboseira?

É por isso que eu afirmo e reafirmo que esse Jeová, o deus bíblico, é um espírito trevoso quedado no astral inferior, chefe de outros espíritos obsessores, pois que esses espíritos que se encontram decaídos no astral inferior formam uma quantidade incalculável de falanges, tal como se existisse na atmosfera terrena uma outra humanidade, só que de desencarnados. Quanto mais os seres humanos praticam os cultos, rezam, oram, adoram, tanto mais estão alimentando os espíritos do astral inferior. Agindo assim, de modo contraditório, é como se estivessem alimentando o inferno ao qual tanto temem, em decorrência, ávidos pela salvação, ignoram que essa salvação é ir para o inferno onde lá se encontra Jeová à espera de todos os seus adoradores, juntamente com o seu “espírito santo” e os seus anjos do mal.

Todos esses espíritos quedados no astral inferior, ou no inferno, ou no purgatório, como queiram, praticam somente o mal, sendo, pois, uns verdadeiros demônios. E os que são mais perigosos pretendem extinguir a vida na Terra, como já ocorreu com outras civilizações, e essas suas pretensões eu provarei com base na ciência, cujas provas serão devidamente acompanhadas de imagens, para que não reste a mínima dúvida acerca desta realidade. Que o leitor continue a leitura desta obra, que no site pamam.com.br, no tópico específico, eu mostro essas imagens dos espíritos obsessores quedados no astral inferior tentando extinguir a vida na Terra de diversas maneiras.

Daí a razão de todos militarem no Racionalismo Cristão, para que juntos possam formar uma poderosa corrente do bem, vibrando magneticamente, radiando eletricamente e radiovibrando eletromagneticamente, para que os espíritos que se encontram no Astral Superior possam agir através dessas correntes, transladando a esses espíritos decaídos no astral inferior para os Mundos de Luz que lhes são próprios, além de procederem com a limpeza dos corpos fluídicos e dos corpos de luz de todos os militantes, fazendo resplandecer em todos os seus órgãos mentais, principalmente a consciência, que coordena aos outros dois órgãos mentais, para que estando esclarecidos acerca da espiritualidade e de posse das suas próprias consciências, possam produzir a amizade espiritual neste mundo, que é a única maneira pela qual pode emergir a solidariedade fraternal, com todos praticando o bem em relação aos seus semelhantes.

 

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