11.08- As rezas e orações

Prolegômenos
5 de junho de 2018 Pamam

É um fato que desde a antiguidade os espíritos quedados no astral inferior atormentavam a vida das pessoas, pois que elas ignoravam a sua origem, como ainda hoje ignoram, com a exceção dos militantes do Racionalismo Cristão, por isso eles ainda vivem atormentando aos seres humanos, obsedando-os e causando as doenças, além de praticarem outros males na crosta terrena, que a comunidade científica considera sejam naturais.

Vemos que pela imaginação, na cultura babilônica, o pecado não era apenas um simples estado da alma, assim como a doença, mas sim a possessão do corpo por um demônio capaz de destruí-lo, que não era demônio coisa nenhuma, mas apenas um espírito obsessor quedado no astral inferior. Assim, as rezas e as orações tinham a natureza de uma fórmula mágica, proposta a afugentar o demônio. De toda parte esses demônios espiavam as vítimas, escondiam-se nos cantos, esgueiravam-se pelas frestas, pelos buracos das fechaduras, e assaltavam as vítimas sob a forma de doenças ou sob os mais diversos tipos de loucura, sempre que o pecado afastava delas a proteção da divindade. Gigantes, anões, aleijados e, sobretudo, as mulheres, tinham às vezes o poder, como no mau olhado, de fazer esses espíritos destruidores entrarem no corpo das criaturas odiadas. A proteção parcial contra essas invasões espirituais se obtinha com amuletos e recursos semelhantes.

O grande Buda sorri à representação imaginativa de enviar rezas e orações ao incognoscível, dizendo que “é loucura supor que outro ente possa ser a causa da nossa felicidade ou miséria”, o que implica em dizer que a felicidade ou a miséria depende exclusivamente de nós mesmos, da natureza dos nossos sentimentos e pensamentos. Então, tanto a felicidade como a miséria são sempre produtos das nossas condutas de vida, que se revelam por intermédio dos nossos comportamentos e dos nossos desejos. E assim Buda se recusa veementemente a fornecer ao seu código moral o apoio ao sobrenatural, então ele não acena com o céu, nem com o purgatório e nem com o inferno.

Em Roma, uma procissão fazia volta em redor do purificando, com rezas, orações e sacrifícios para que as más influências fossem afastadas e com elas o infortúnio. A prece ainda estava muito ligada aos encantamentos mágicos, já que o termo latino para prece é a palavra carmen, que significa ao mesmo tempo canto e encanto. Plínio, com franqueza e com acerto, admite as rezas e as orações como sendo formas verbais de magia. Se a carmen era corretamente recitada a um certo deus, de acordo com o indigitamenta, ou o rol dos deuses compilados e conservados pelos sacerdotes, o pedido feito recebia deferimento, e se era indeferido, a culpa cabia a qualquer erro no ritual.

Ignorando completamente que Deus se encontra contido em nós mesmos, em proporções cada vez maiores, consoante o estágio evolutivo em que vamos ascendendo, os seres humanos mais atrasados realizam as suas rezas e orações partindo do pressuposto de que Deus se encontra fora de nós mesmos, ao projetá-Lo para fora e O personificando, sendo, pois, um ente que se encontra ouvindo os pedidos dos fiéis, e que os atende ou não, consoante o fervor com que eles são realizados. Então os que desconhecem o Racionalismo Cristão rezam e oram na ânsia de se porem em contato com o Criador, como se esse contato fosse uma necessidade imposta pela sua ação purificadora, e sempre com peditórios com a finalidade de que haja uma intervenção divina para interferir nos desígnios planejados para o bem.

Todos os seres, sem qualquer exceção, produzem vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas. Os seres humanos produzem vibrações magnéticas, através dos sentimentos, radiações elétricas, através dos pensamentos, e radiovibrações eletromagnéticas, através das combinações das produções dos sentimentos e dos pensamentos; cujas produções, quando aliadas aos trabalhos bem conduzidos na vida, às obrigações e aos deveres bem cumpridos assumidos em plano astral, ficam com as suas mentes bem higienizadas. Então as vibrações, as radiações e as radiovibrações voltadas para o bem devem ser postas no lugar das rezas e orações, pois são instrumentos valiosos e harmonizantes.

De um modo geral, os seres humanos procuram se libertar das dores produzidas pelo mau uso do livre arbítrio, na maioria dos casos. Por isso, os pedidos contidos nas rezas e orações, sem que o ser remova a causa do mal, voltam-se para as concessões impossíveis ou prejudiciais às condições da evolução espiritual.

Na realidade, rezar não é fazer súplica credulária e muito menos ler livros de orações, como ler a Bíblia, pois que assim a ação que o verbo ler está a indicar fica totalmente deturpada, uma vez que a verdadeira ação da leitura se refere ao que se encontra escrito, a algo que se encontra mencionado, ou ao simples dizer que se encontra referindo a algo que deve ser seguido, como no exemplo seguinte: “a lei reza que o advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia”. Então fica compreendido que rezar é prescrever, determinar, preceituar, como podemos observar até na própria literatura, através de Virgílio Várzea, em sua obra Nas Ondas, a página 3, quando o autor se expressa da seguinte maneira: “ele que não facilitasse muito, porque lá rezava o ditado: andar no mar, andar a enterrar”. Mas como os credos obrigam aos seus fiéis a dirigir súplicas a algum ente tido como sendo alguma divindade, a algum mito, eles entendem que essa obrigação deve ser seguida, pois que está prescrita, determinada, preceituada pelos sacerdotes a quem seguem, por isso os termos reza ou rezar passaram a ser assim considerados como sendo uma oração dirigida ao ente sobrenatural, como se a reza e a oração tivessem exatamente o mesmo significado, quando tal não procede.

Ora, a oração, na acepção da palavra, é um discurso, ou uma fala. E, em termos gramaticais, é todo conjunto linguístico que se estrutura em torno de um verbo ou de uma locução verbal, apresentando opcionalmente o sujeito, mas, obrigatoriamente, o predicado, e o que caracteriza a oração é o verbo, não importa se tal oração tenha sentido ou não sozinha. E assim, por ocasião das suas rezas sobrenaturalísticas, os credulários dirigem uma fala ao ente ao qual estão adorando, que é uma oração, ensejando a que esta palavra assuma a mesma conotação de reza.

O correto é que, ao invés dos termos reza e oração, os credulários se utilizem do termo prece, que é justamente o ato pelo qual os credulários se dirigem a um mito para lhe reverenciar, para lhe adorar, satisfazendo assim aos seus anseios de propiciação, geralmente suplicando algum benefício ou realizando algum pedido. Note-se que os sacerdotes sempre fazem as suas preces diante dos seus arrebanhados implorando a misericórdia divina, principalmente para os seus fiéis, ou mesmo por ocasião de uma situação de dificuldade, e até por ocasião de uma calamidade pública, quando tudo isso não passa de uma tremenda baboseira, de uma ridícula manifestação de ignorância, por ser tudo isso em vão.

Mas eles também fazem as suas preces para alcançar graças para os seus fiéis, e até pedem para que eles deem os seus nomes para que possam ser registrados nos seus asquerosos e ardilosos livros. E não parando por aí, pois que essa classe medonha, que é ainda mais demagoga do que a própria classe política, e que não presta para nada, a não ser para fazer o mal, enganando e semeando a ignorância, vem também afirmar que as suas preces vão afastar o mal dos seus fiéis, que vão trazer alívio para as suas vidas, que vão fazer aliviar as suas dores, que vão lhe trazer o bem, e outras matreirices mais, todas nefastas e prejudiciais ao caráter de quem acredita em tanta sordidez.

Portanto, o certo e o recomendável é que os seres humanos esclarecidos, portanto, espiritualizados, sejam conscientes de que produzem sentimentos superiores e pensamentos positivos, que o resultado dessas produções são as vibrações magnéticas, que são produzidas através da propriedade da Força, as radiações elétricas, que são produzidas através da propriedade da Energia, e as radiovibrações eletromagnéticas, que são produzidas através das combinações de ambas as propriedades, com elas indo e vindo em todas as direções do Universo. Daí a extrema necessidade de se formar correntes vibratórias, radiativas e radiovibrativas em direção ao Ser Total e ao Astral Superior, para que assim todos possam limpar os seus corpos fluídicos, ou perispíritos, e também os seus corpos de luz, através dos fluidos revitalizadores e dos raios das luzes astrais benéficos e esclarecedores, advindos dos planos espirituais superiores, para que assim sejam também arrebatados os espíritos atrasados quedados na atmosfera da Terra, que perturbam e que formam o astral inferior, sendo transladados para os seus Mundos de Luz.

Sem também esquecer que os sentimentos inferiores e os pensamentos negativos produzidos por todos os espíritos que aqui neste mundo Terra se encontram, estando encarnados ou não, também formam a atmosfera do planeta, que é a sua aura, e que por essa razão ela se encontra impregnada de miasmas e de fluidos deletérios, tornando-se deveras suja e pesada.

Então as correntes das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas formadas pelos seres humanos esclarecidos, servem também para limpar e transformar a atmosfera do planeta, ou a sua aura. Como consequência, com os seus corpos fluídicos ou perispíritos e os seus corpos de luz sendo limpos e higienizados dos fluidos dos espíritos obsessores, sem a presença perniciosa desses espíritos atrasados que formam o astral inferior, e com a atmosfera da Terra limpa e transformada, outro será o viver dos seres humanos na Terra.

Todos ignoram, inclusive os militantes da doutrina do Racionalismo Cristão, mas são os sentimentos inferiores e os pensamentos negativos produzidos pelos seres humanos mais atrasados, que formam as ondas vibratórias, radiativas e radiovibrativas que vão influir diretamente na atmosfera terrena, transformando toda a sua estrutura que foi naturalmente formada, pelo que se aproveitam os espíritos quedados no astral inferior para causar os vulcões, as tempestades, os furacões, os ciclones tropicais, os incêndios e tudo o mais que altera profundamente o clima do planeta, que deveria ser ameno e com a ausência de qualquer desastre tido como se fosse natural, caso essas vibrações, radiações e radiovibrações não fossem tão grosseiras e atrasadas.

E ainda mais, bem mais, são essas mesmas vibrações, radiações e radiovibrações grosseiras e atrasadas, notadamente as radiações dos pensamentos negativos, que vão alterar as transformações naturais das coisas que se encontram neste mundo em coisas que são tremendamente prejudicais aos seres humanos, assim como também aos outros seres infra-humanos, tais como: os vírus, as bactérias prejudiciais, os micróbios, os insetos transmissores de doenças, e tudo o mais que causam as doenças que provocam as desencarnações dos seres humanos, inclusive dos outros animais e até dos vegetais.

Para aqueles que raciocinam com base na razão, a lógica da realidade universal vem afirmar com clareza que a própria natureza em si, não pode admitir a existência das coisas perniciosas que venham a ser prejudiciais aos seres humanos e aos outros viventes que aqui se encontram, tais como os citados acima, sendo, pois, tudo isso criado pelos próprios seres humanos, através das produções das vibrações magnéticas, provenientes dos seus sentimentos inferiores, das radiações elétricas, provenientes dos seus pensamentos negativos, e das radiovibrações eletromagnéticas, provenientes das combinações dos seus sentimentos inferiores e dos seus pensamentos negativos.

Isto tudo implica em dizer que foram os próprios seres humanos os grandes causadores das catástrofes que causaram as hecatombes das várias civilizações que foram extintas e obliteradas da face da Terra, tendo por isso que recomeçar todo o processo civilizatório várias vezes. E não somente isto, pois até os vários tipos de câncer são também causados desta maneira. É o pensamento que transforma tudo e fornece as imagens para essas transformações, então não é a natureza que cria os seres que são nocivos e prejudiciais aos seres humanos e aos demais viventes, e muitos menos cria os desastres que são considerados como sendo naturais, mas sim os próprios seres humanos, que formam o ambiente propício para as ações malévolas dos espíritos que se encontram quedados no astral inferior, que se juntam e formam diversas falanges, em conformidade com as afinidades que existem entre eles, que são cientes da grande força que uma corrente de pensamentos proporciona, pois os pensamentos são físicos, por isso transformam tudo.

Mas isto não é assunto para estas páginas, o qual será devidamente explanado no momento oportuno, no capítulo específico que diz respeito ao astral inferior. O que importa agora é saber da imensa importância das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas para o viver terreno, em substituição às rezas e as orações.

 

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