11.07- Os milagres

Prolegômenos
5 de junho de 2018 Pamam

É sabido que após a desencarnação os espíritos que não retornam para os seus Mundos de Luz ficam quedados na atmosfera da Terra, que é a sua aura, fazendo parte integrante do astral inferior, que assim decaídos passam a obsedar aos seres humanos e a praticar outros tipos de males. Havendo percebido a existência desses espíritos desde a antiguidade, cuja natureza e propósitos ignoravam completamente, como ainda hoje os não racionalistas cristãos ignoram igualmente, os seres humanos mais primitivos procuravam propiciá-los, para lhes captar a benevolência. O animismo é a tendência de considerar todos os seres da natureza como sendo dotados de vida e capazes de agir conforme uma finalidade, sendo correto esse pensamento, com a diferença que os seres infra-humanos que se encontram encarnados, retornam para os mundos que lhes são próprios, logo após a desencarnação, e somente os espíritos são passíveis de ficarem quedados na atmosfera da Terra, em função deles possuírem o raciocínio e o livre arbítrio. Assim, ao animismo, que é a base de todos os credos primitivos, foi adicionada a mágica, que é a característica principal dos primeiros rituais credulários.

A classe sacerdotal pode ser considerada como sendo a filha legítima da mágica, pois gradualmente os sacerdotes foram suplantando o homem comum em conhecimentos sobrenaturais e habilidades para semearem as suas ignorâncias por todo o orbe terrestre, até que passaram a constituir uma classe tida como sendo especial preposta a conduzir as cerimônias credulárias. Por meio das intuições provenientes do astral inferior, do transe e da prece esotérica, os sacerdotes mágicos influenciavam os espíritos quedados no astral inferior, que para eles eram deuses, e os ajeitavam aos propósitos humanos. E como esses conhecimentos da baixa espiritualidade e essas habilidades pareciam aos homens mais primitivos algo muito valioso, o poder dos sacerdotes passou a ser tão grande quanto o do próprio Estado, e até nos tempos modernos os sacerdotes vêm se alternando com o guerreiro na dominação e disciplina do homem comum.

Para se constatar a realidade deste fato, basta apenas observar com certa atenção um pouco da literatura egípcia, que se encontra repleta de mágicos. Segundo Heródoto, “cada dia e mês é consagrado a algum deus”. Como nunca existiu, não existe e jamais existirá a alta espiritualidade entre os sacerdotes, que somente lidam com os espíritos mais atrasados quedados no astral inferior, a ligação entre a moral e os credos termina por desaparecer, pois que o caminho para a salvação não é a vida perfeita, virtuosa, provida de honra, mas sim a mágica, o ritual, o culto, e principalmente a generosidade para com os sacerdotes. Um grande egiptólogo se expressou da seguinte maneira:

Os perigos do além se multiplicavam, e para cada situação crítica os sacerdotes entravam com um encantamento de efeito infalível. Assim, o desenvolvimento moral do Egito foi sustado pela ganância e corrupção sacerdotais”.

Foi nessa extrema decadência moral proporcionada pelos sacerdotes no Egito, quando Ikhnaton, ou Amenotep IV, que era um tanto poeta, mas não herético, como consideram os historiadores, subiu ao trono e inaugurou a revolução credulária que destruiu o Império do Egito.

Na Babilônia nunca houve uma nação mais rica em superstições. As suas superstições para nós parecem um tanto quanto grotescas, mas isso porque diferem das nossas na época atual, mas diferem apenas superficialmente, uma vez que as superstições são todas parecidas, análogas umas às outras. Por isso, não existe um absurdo do passado que não esteja bem vivo em qualquer parte do mundo moderno, pois no seio desta nossa civilização continua ainda a medrar em todos os setores da vida a mágica, a superstição e a feitiçaria. Assim como no Egito, o credo na Babilônia não exerceu nenhum influxo na moral do povo, principalmente nas classes superiores. A prostituta babilônica era um poço de iniquidade e um escandaloso exemplo da luxuriosa licenciosidade do mundo antigo, pois até o próprio Alexandre, o Grande, que quase morreu de bebedeira, impressionou-se com a moral da Babilônia. Heródoto nos esclarece mais acerca do assunto dessa miséria nos templos sacerdotais, quando diz o seguinte:

Cada mulher da Babilônia era obrigada, uma vez na vida, a se postar no templo de Vênus e ter relações sexuais com algum desconhecido”.

Na Índia, no antigo credo védico, os altares se improvisavam a cada sacrifício, o qual era imaginado em termos mágicos. Caso o sacrifício fosse adequadamente realizado, traria recompensa, fossem quais fossem as virtudes morais do adorador. Os sacerdotes cobravam caro a ajuda aos fiéis na realização desses complicados sacrifícios, e se não viam o dinheiro na mão, recusavam-se a recitar as necessárias fórmulas, por isso tinham que ser pagos antes dos deuses. Havia regras estabelecidas por eles quanto à remuneração de cada serviço: tantos cavalos ou vacas, ou tanto de ouro; o ouro era o pagamento mais adequado para comover o sacerdote ou o deus, que era apenas um espírito obsessor. Os Brahmanas, escritos pelos brâmanes, instruíram aos sacerdotes quanto aos meios de inverter as orações e sacrifícios feitos sem o devido pagamento. Havia também regras prescrevendo as cerimônias adequadas para cada ocasião da vida, e sempre com a obrigatória presença do sacerdote. Lentamente os brâmanes se tornaram em casta privilegiada e hereditária, mantendo a vida credulária e mental da Índia sob um controle ameaçador de sufocar qualquer pensamento e qualquer mudança.

O sacrifício da missa não deixa de ser um ritual mágico, pois que é a celebração da eucaristia, o sacrifício do corpo e do sangue de Jesus, o Cristo, feito no altar pelo ministério de um sacerdote, embora o Concílio Vaticano, realizado entre 1962 e 1965, tenha renovado a liturgia da missa e a modificado no sentido da simplificação e da participação dos fiéis, em que os arrebanhados do catolicismo propiciam ao deus bíblico para poderem ficar em estado de graça, e assim poderem receber proteção e outras benesses, sejam em forma de milagres ou não.

Mas acontece que esse sacrifício da missa é decorrente da oferta solene à divindade de produtos da terra e de animais, simbolizada na destruição de um bem ou na imolação de uma vítima, que ocorre em função do seu sangue, pois que esse Jeová, o deus bíblico, além de carnívoro, é extremamente sanguinário, além de outros predicados nocivos que carrega consigo, por intermédio da imaginação humana. E vem se mostrar tão egoisticamente sanguinário e tão ligado materialmente ao sangue, que não permite que além dele ninguém beba sangue e ainda declara que a alma está no sangue, apesar da alma ser de vento, já que ele mesmo assoprou nas narinas do homem para lhe dar a alma. É o que se encontra escrito na Bíblia, em Levítico 17:1 a 12, assim:

E Jeová prosseguiu, falando a Moisés, dizendo: Fala a Arão e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e tens de dizer-lhes: Isto é o que Jeová ordenou, dizendo: ‘Quanto a qualquer homem da casa de Israel que abater um touro, ou um carneiro, ou um caprídeo no acampamento, ou que o abater fora do acampamento e não o trouxer realmente à entrada da tenda de reunião para apresentá-lo como oferta a Jeová (grifo meu), perante o tabernáculo de Jeová, a tal homem será imputada culpa de sangue. Ele derramou sangue, e tal homem tem de ser decepado dentre seu povo, a fim de que os filhos de Israel tragam seus sacrifícios que oferecem como sacrifícios no campo aberto, e eles têm de trazê-los a Jeová, à entrada da tenda, à entrada da tenda de reunião, ao sacerdote, e têm de sacrificá-los a Jeová como sacrifícios de participação em comum. E O SACERDOTE TEM DE ASPERGIR O SANGUE SOBRE O ALTAR DE JEOVÁ (grifo e realce meus), à entrada da tenda de reunião, e tem de fazer fumegar a gordura como cheiro repousante para Jeová. De modo que não devem mais oferecer os seus sacrifícios aos demônios caprinos com que têm relações imorais. Isto vos servirá de estatuto por tempo indefinido, nas vossas gerações‘.

E deve dizer-lhes: ‘Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que oferecer uma oferta queimada ou um sacrifício e não o trouxer à entrada de reunião para ofertá-lo a Jeová (grifo meu), esse homem terá de ser decepado do seu povo’.

Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue (grifo meu), e deveras o deceparei dentre seu povo. POIS A ALMA DA CARNE ESTÁ NO SANGUE (grifo e realce meus), e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma (grifo meu). Foi por isso que eu disse aos filhos de Israel: Nenhuma alma vossa deve comer sangue e nenhum residente forasteiro que reside no vosso meio deve comer sangue (grifo meu)”.

É a própria Bíblia quem comprova que esse seu deus, que quando encarnado se chamava Jeová, não passa de um chefe de falanges de espíritos obsessores, extremamente materializados, quedados no astral inferior, que aparecem empavonados a Moisés, Abraão e outros, e que pelo fato de precisarem da energia anímica para que possam se manter no ambiente terreno, exigem daqueles a quem obsedam os sacrifícios de animais e até sacrifícios de humanos, como podemos observar hoje em dia nos “despachos” de macumba que a eles são oferecidos, quando nos rituais de umbanda e quimbanda. Fernando Faria, em sua obra A Chave da sabedoria, as páginas 263 a 266 e 271, relata-nos o seguinte:

O corpo astral desses espíritos, muitas vezes, logo após a desencarnação, toma a forma que tinha quando encarnados, pela ação dos seus próprios pensamentos, pois pensar também é criar. Muitas vezes pensam em um pente e ele se forma em sua mão. Pensam na roupa que estavam vestindo e esta roupa lhe veste o corpo astral (é assim que eles se mostram empavonados, digo eu). Percebem que alguma coisa diferente aconteceu com eles. Permanecendo neste estado, fora do seu mundo, não ouvem bem o que os encarnados falam e não são ouvidos quando falam, pois, pensam que ainda têm voz. Para eles, os seus pensamentos são como se tivessem som. Ouvem os seus pensamentos como palavras articuladas.

O espírito desencarnado ainda com pensamentos materializados precisa, para viver, de energia anímica, que todos os encarnados possuem em abundância, principalmente os médiuns, em forma de fluido ectoplasmático, invisível por ser transparente, que exsudam pelos orifícios do corpo e poros da pele. Pois bem, eles aprendem a sugar esses fluidos dos encarnados desavisados, sem disciplina mental, quais mata-borrões, deixando os encarnados fracos, sem ânimo, doentes, ou induzindo doenças, muitas vezes iguais às que eles tinham ao desencarnar.

Muitos desses espíritos, de pouquíssimo adiantamento moral, sugam a energia vital do sangue dos animais domésticos, degolados e oferecidos a eles em trabalhos de magia negra (grifo meu), ou então adentram aos matadouros e sugam, quais vampiros, a energia vital contida no sangue derramado dos animais abatidos.

Os médiuns são vítimas naturais desses espíritos de baixo nível evolutivo, razão pela qual quase todos são obsedados, avassalados por espíritos parasitas, que se apresentam como guias, mentores, (como Jeová, que se apresenta como deus, e outros que se apresentam como anjos a Maomé, acrescento eu), etc.

Nesta condição de espíritos desencarnados, atraídos por pensamentos afins, ocupam residências, da mesma forma que os sem-terra invadem as propriedades e ficam morando lá. Quando outro espírito deseja também compartilhar a mesma casa, o espírito que invadiu primeiro se opõe com violência à entrada de mais um desencarnado em seu reduto, ocorrendo entre eles verdadeiras lutas corporais.

Outras vezes, esses espíritos do astral inferior, por afinidade mental, vão integrar quadrilhas, que vivem em aglomerados, como aquelas cidades medievais, cercadas de muralhas, fossos e portões elevadiços, com imperador, rei, príncipes, juízes, papas, guardas, prisões, etc. Formam grandes falanges, praticantes de maldades ou ao serviço de centros espíritas, que vendem os seus trabalhos para arruinar ou desgraçar a vida de encarnados incautos, ignorantes da vida espiritual.

Outros espíritos desencarnados, por ignorar o seu estado, voltam para os lugares em que trabalhavam…

Outras vezes, vão intuir cartomantes, jogadores de búzios, astrólogos, tarólogos e assemelhados, no intuito de desvendar o futuro de pessoas que pagam para obter esse serviço. Não sabem que o destino não existe, pois depende do livre arbítrio do presente. O nosso futuro será o que decidimos de nós próprios hoje…

Existem também aqueles que, avassalando médiuns nos centros espíritas evangélicos, põem-se a receitar remédios para males que só a ciência tem condições de curar.

Outras vezes pode até ocorrer cura. É que a quadrilha espiritual, dona do centro, põe-se em luta corporal com algum obsessor que acompanha o doente e o põe para correr. Então o doente melhora para mais tarde ser novamente avassalado.

Outros espíritos do astral inferior, mentalmente fixos no ódio, na vingança, perdem a condição de pensar continuamente e, arraigados a um único objetivo fixo, perdem a forma humana do corpo astral e se transformam em bolas negras, do tamanho de cabeças humanas, geralmente ávidos de vingança e de energia anímica.

Esses espíritos, por não sentirem a diferença de mudança para o mundo espiritual, e por não terem parado de pensar após o fenômeno natural da desencarnação, ficam com as suas mentes ainda fixas na vida material. Consequentemente, o seu corpo astral é pesado, escuro e, como tal, mais uma vez a lei natural e imutável do Universo funciona. Ficam presos ao planeta pela força da gravidade, a qual impede que atinjam o espaço sideral, rumo aos seus mundos de origem. Alguns, sendo escuros e pesados, por terem as suas mentes culturalmente bem desenvolvidas, apesar de religiosos (leia-se credulários, digo eu) ou materialistas, possuem a capacidade de volitar, quais abutres sarcófagos, isto é, a capacidade de se transladar através do espaço, independentemente do tempo. Pensam em um lugar e imediatamente se encontram nesse lugar”.

Essa capacidade de volitar eu pude comprovar por ocasião das minhas experiências científicas, quando uma médium fanática pelo catolicismo, que se encontrava à disposição do astral inferior para me converter ao papismo, e também para me desencarnar, tentou todos os tipos de argumentos para me convencer. Após todas as suas tentativas haverem fracassado, ela por fim me revelou que havia sido transportada ao dia da crucificação de Jesus, o Cristo, tendo presenciado todo o seu martírio, de tal modo como se essa volição tivesse sido um milagre do deus bíblico, quando, na realidade, estando ela desdobrada, os espíritos do astral inferior encenaram todo esse drama.

O astral inferior também adora fazer vítimas humanas através de sacrifícios, pois que ele tem como função principal praticar o mal. Esse fato de Jeová pôr Abraão à prova para assassinar a Isaque, o seu próprio filho, é obra do astral inferior, e se não fosse pela interveniência do Astral Superior, em que um espírito de luz lhe apareceu em forma de anjo para impedir a execução, ele fatalmente teria abatido ao seu próprio filho. Esse argumento do deus bíblico pôr Abraão à prova é ridículo, pois caso ele fosse realmente quem afirma ser seria onisciente, e neste caso não seria preciso pôr ninguém à prova, já que logicamente saberia acerca da fidelidade dos seus adoradores. A Bíblia nos retrata essa indecente tentativa de homicídio, ligada ao fratricídio, em Gênese 22:1 a 14, assim:

Então, depois dessas coisas, sucedeu que Deus pôs Abraão à prova. Consequentemente disse-lhe: Abraão! A que ele disse: ‘Eis-me aqui’. E prosseguiu dizendo: toma, por favor, teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaque, e faze uma viagem à terra de Moriá e oferece-o ali como oferta queimada num dos montes que te designarei.

Abraão levantou-se, pois, de manhã cedo e selou o seu jumento, e tomou consigo dois dos seus ajudantes e seu filho Isaque; e rachou lenha para a oferta queimada. Levantou-se então e foi viajar para o lugar que o Deus lhe designou. Foi só no terceiro dia que Abraão levantou os olhos e começou a ver o lugar à distância. Abraão disse então aos seus ajudantes: ‘Ficai aqui com o jumento, mas eu e o rapaz queremos ir para lá e adorar, e retornar a vós’.

Depois, Abraão tomou a lenha da oferta queimada e a pôs sobre Isaque, seu filho, e tomou na mão o fogo e o cutelo, e ambos seguiram juntos. E Isaque começou a dizer a Abraão, seu pai: ‘Meu pai!’ Ele disse, por sua vez: ‘Eis-me aqui, meu filho!’ Continuou, pois: ‘Eis o fogo e a lenha, mas onde está o ovídeo para a oferta queimada?’ Abraão disse então: ‘Meu filho, Deus providenciará para si o ovídeo para a oferta queimada’. E ambos prosseguiram andando juntos.

Por fim chegaram ao lugar que Deus lhe designara, e Abraão construiu ali um altar e pôs a lenha em ordem, e amarrou Isaque, seu filho, de mãos e pés e o colocou no altar, por cima da lenha. Abraão estendeu então a sua mão e tomou o cutelo para matar seu filho. Mas o anjo de Jeová (que não era anjo de Jeová coisa nenhuma, mas sim um espírito de luz para impedir a matança, digo eu) começou a chamá-lo desde os céus e a dizer: ‘Abraão, Abraão!’ ao que ele respondeu: ‘Eis-me aqui!’ e ele prosseguiu, dizendo: ‘Não estendas tua mão contra o rapaz e não lhe faças nada, pois agora sei deveras que temes a Deus, visto que não me negaste o teu filho, teu único’. Em vista disso, Abraão levantou os olhos e olhou, e eis que a certa distância diante dele havia um cordeiro preso pelos chifres na moita. De modo que Abraão foi e tomou o carneiro, e o ofereceu como oferta queimada em lugar de seu filho. E Abraão começou a chamar aquele lugar pelo nome de Jeová-Jiré. É por isso que se costuma dizer hoje: ‘No monte de Jeová se providenciará’ “.

Como os espíritos quedados no astral inferior exigem daqueles a quem obsedam os sacrifícios de animais e humanos para lhes sugar no sangue a energia vital em trabalhos de magia negra, desde os tempos bíblicos até aos dias de hoje, os arrebanhados do credo católico e das suas seitas protestantes julgam estupidamente que Jesus, o Cristo, foi crucificado para redimir a nossa humanidade dos pecados cometidos, em que o deus bíblico ofereceu o seu próprio filho como sacrifício para esse desiderato, através do seu sangue. Que barbaridade! E nessa estupidez bárbara, o nosso Redentor é comparado a um simples cordeiro, que eles costumavam oferecer em sacrifícios para os espíritos quedados no astral inferior. É o que podemos constatar na Bíblia em João 1:29-30, quando ele diz o seguinte:

No dia seguinte viu Jesus aproximar-se dele e disse: ‘Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’ Este é aquele a respeito de quem eu disse: Atrás de mim vem um homem que avançou na minha frente, porque existiu antes de mim”.

Nas igrejas católicas, os seus arrebanhados fazem promessas de todos os tipos para que assim possam receber milagres, seja de um santo protetor a quem o fiel deposita a sua fé credulária, ou mesmo do próprio deus bíblico, mas os sacerdotes católicos são mais conservadores para reconhecer os milagres dos seus santos, pois que assim, matreira e astuciosamente, eles evitam a vulgarização dos milagres e, ao mesmo tempo, confirmam as suas existências, incentivando aos seus arrebanhados ainda mais sacrifícios para que possam obter os milagres, proporcionando assim o aumento cada vez mais da fé credulária. Mas acontece que mesmo com a suas extremas matreirices e astúcias eles conseguem enganar apenas aos seus acretinados, pois que aos seres humanos esclarecidos eles não enganam jamais.

Mas são nos cultos protestantes que vamos encontrar os maiores engodos e as mais descaradas mentiras dos sacerdotes invocando ao deus bíblico para obrar milagres de todos os tipos, tais como: para curar, para o afastamento dos demônios que causam o mal, para trazer vida financeira próspera, para reparar casamentos, e tudo o mais em prol dos seus fiéis; com isso tudo causando uma verdadeira náusea e uma consequente repulsa nos seres humanos mais esclarecidos. Os arrebanhados não sabem, mas quando eles vão às igrejas estão indo ao encontro do mal, pois que todas elas se encontram repletas de espíritos quedados no astral inferior, que se divertem bastante com todas essas toleimas. Como o ambiente fluídico é muito pesado e por demais propício para as suas ações, eles mesmos causam algumas dores nos fiéis e depois as retiram, fazendo com que eles declarem que estavam sentindo dores em alguma parte do corpo e depois ficaram curados, como que por mágica, por ação do deus bíblico, quando, na realidade, esse desgraçado não passa de um espírito quedado no astral inferior, e esse mito chamado de Satanás não existe, tendo sido inventado de outras maneiras em priscas eras, com outras denominações, mas sendo sempre o mesmo em qualquer época.

Mas o milagre, que é filho legítimo da mágica, que por sua vez não existe, sendo ele na verdade fruto das maléficas ações sacerdotais que se afinam com o astral inferior, foi incutida pelos próprios sacerdotes nas mentes dos incautos seres humanos como sendo um fato sobrenatural. Ora, tudo é natural, então o natural é de inteira conformidade com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, uma vez que todos são invioláveis, enquanto que os milagres sobrenaturais se opõem a essas leis, a esses princípios e a esses preceitos. Assim, o milagre é a expressão que decorre de um sentido irreal, místico e fantasioso. É certo que há fatos que se manifestam sem que as religiões e as ciências tenham ainda penetrado nas suas causas de origens, mas também é certo que mais dia menos dia, com o progredir das próprias religiões e ciências, estando agora ambas esclarecidas e prestes a formar um casamento perfeito, que é o sonho da nossa humanidade, todos os fatos específicos passarão a ter as suas explicações racionais rigorosamente em conformidade com as leis, os princípios e os preceitos naturais, com todos regendo o Universo, como assim exige a realidade.

A Veritologia, a Saperologia e a Ratiologia dão como resultado o Saber, por excelência, por onde se pode organizar ao verdadeiro Deus, por conseguinte, a sua compreensão universal, obviamente que dentro dos parâmetros da racionalidade humana. As religiões, as ciências e as religiociências têm que estabelecer as suas investigações e as suas pesquisas das parcelas do Saber tendo por base o Saber, por excelência, pois fora deste não existe qualquer saber, apenas a ilusão da matéria e o devaneio do sobrenatural, que levam os seres humanos a viverem no âmbito da irrealidade, pois já é sabido que as manifestações da inteligência emanam de uma fonte inexaurível à qual todos os seres humanos se encontram ligados, que é a Fonte Eterna da Inteligência Universal. Então é indiscutível que a natureza é uma manifestação de Deus, mantida em sua totalidade por leis, princípios e preceitos, e coisa alguma pode se opor arbitrariamente a essas leis, princípios e preceitos que regem todo o Universo, a menos que alguém, irracional e estupidamente, pretenda admitir dois deuses antagônicos, um deus do bem e outro deus do mal, como é o caso de Jeová, o deus bíblico, e de Lúcifer, com este não sendo propriamente um deus, mas sim um anjo rebelde.

A sustentação do pensamento acerca do milagre é proveniente da falta de raciocínio, de lógica e de esclarecimento espiritual, a não ser por parte dos sacerdotes, que no intuito de adquirir poderes, de arrecadar riquezas e de arrebanhar prosélitos, sustentam a sua representação imaginativa com todo o fervor que lhes é possível. Assim, o milagre, da maneira como é representado na imaginação popular, apenas prevalece onde o esclarecimento espiritual é nulo ou incipiente.

Aquilo que possa parecer milagre não é mais do que um acontecimento situado na lei de causa e efeito, ou promovido pelo funcionamento regular das leis absolutas, dos princípios relativos e dos preceitos gerais, sempre obedientes ao processo da evolução. Os cientistas terrenos conhecem apenas reduzido número das leis e dos princípios da natureza, apesar de todos serem ligados à ilusão da matéria, mas muitos outros terão ainda que ser descobertos, e inúmeros outros têm as suas aplicações apenas nos planos astrais. Exemplificando, pode-se dizer que as materializações, de certo modo, podem provocar a imaginação da existência do milagre, e, no entanto, não passam de fenômenos perfeitamente controlados pelas leis espaciais, pelos princípios temporais e pelos preceitos universais que regem toda a natureza, como veremos quando eu tratar das mediunidades.

À medida que os seres humanos forem se espiritualizando, com o andamento da evolução, que é obrigatória para todos os seres, obviamente que para os seres humanos, em que nestes a evolução é espiritual, a imaginação da existência do milagre irá aos poucos desaparecendo, até se extinguir por completo. É de se notar que os seres humanos mais rudes e ignorantes são os que mais se apaixonam pela mística do milagre.

O certo é que nem mesmo Deus pode quebrar as suas próprias leis espaciais, os seus próprios princípios temporais e os seus próprios preceitos universais para operar o milagre, abrindo assim uma exceção na natureza, pois que Ele é o seu próprio Promulgador, e caso não fosse assim a natureza se nos apresentaria ora de uma maneira, ora de outra, o que não tem a mínima lógica, em todo o caso Ele somente age por intermédio dos executores da Sua vontade, que são os espíritos, conforme já comprovado mais acima. Os espíritos de luz que formam a plêiade do Astral Superior, da mesma forma, somente podem agir em inteira conformidade com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais. Logo, não tem nenhum significado a expressão milagre para que seja sustentada lógica e racionalmente. Até mesmo o fato de alguém escapar da morte, de maneira surpreendente, não tem qualquer ligação com o sentido do milagre, enquadrando-se, antes, na lei de causa e efeito, decorrente de uma boa assistência espiritual.

A boa assistência espiritual, que somente pode ser realmente efetivada nos seres humanos que são mais evoluídos, invariavelmente, é proveniente da conduta correta que os seres humanos demonstram com o seu proceder no ambiente terreno, e de saberem vibrar sentimentos, radiar pensamentos e radiovibrar as suas combinações, unissonamente, com os espíritos superiores, contando com lastro positivo, ou de merecimento, para o apoio que vierem a receber. Poucos são aqueles que se veem contemplados com a ajuda oportuna em momentos fatais, porque realmente reduzido é o número daqueles que se encontram em condições de receber, no momento crítico, o auxílio merecido dos espíritos de luz.

As curas tidas como milagrosas correm, geralmente, também por conta da autossugestão. A medicina terrena já conhece o poder da sugestão e os seus resultados. Quando se diz poder de sugestão, deseja-se dar ênfase ao poder do pensamento, que produz a sugestão. Assim como numerosos seres humanos adoecem por sugestão, por se convencerem de que estão realmente doentes, há também os que se curam ou que são curados pelo mesmo processo. A psicanálise menos materializada já baseia o seu método de cura no poder da sugestão ou na força do pensamento. Pode-se ainda considerar o caso de indivíduos adestrados nas conhecidas forças ocultas desenvolverem determinados exercícios mentais que os levam a realizar determinadas curas, mas são práticas perigosas e desaconselháveis, em virtude da influência perniciosa dos espíritos quedados na atmosfera da terra, que ainda não ascenderam aos seus Mundos de Luz, portanto, integrantes do astral inferior.

O impossível perdeu a sua expressão quando os conhecimentos metafísicos acerca da verdade foram captados pela percepção oriunda do criptoscópio, formando um corpo de doutrina, sendo transmitidos pelo Racionalismo Cristão. A autenticidade da sua doutrina, então, foi comprovada por mim através de experiências científicas, e posteriormente certificadas também por mim através de experiências saperológicas, em que demonstro o método por mim utilizado para me tornar um saperólogo, quando então ela pôde ser devidamente certificada. Após a sua certificação por parte da sabedoria, eu pude então unir, irmanar, congregar, a verdade e a sabedoria, alcançando assim a razão, tornando-me um ratiólogo, ou um ser universal, estabelecendo um sistema para a sua doutrina e determinando uma finalidade para a existência eterna, tornando o Racionalismo Cristão completo em sua estrutura universal, com doutrina, método, sistema e finalidade.

Deste modo, tudo aquilo que era considerado impossível ou então milagroso foi decrescendo por intermédio do Racionalismo Cristão, estando ele agora totalmente completo, até que desapareceu de vez. Por isso, tudo aquilo que ainda é considerado como sendo impossível e milagroso para uns que são menos evoluídos, não o é para os outros que são mais evoluídos. Assim, a imaginação do milagre, além dos ritos e cultos credulários através dos sacerdotes, são totalmente falsos e mentirosos, e tal imaginação é também decorrente dos menos evoluídos verem os mais evoluídos fazerem o que eles não podem fazer.

Aqueles que são mais letrados podem constatar diretamente pelos compêndios que o milagre é um feito ou uma ocorrência extraordinária, que não se explica pelas leis, pelos princípios e pelos preceitos da natureza, então é evidente que ele não existe. No entanto, o milagre pode ter uma conotação diferente, logicamente que enquadrada fora do âmbito do sobrenatural, quando uma ocorrência causa admiração ou surpresa, ocasião em que alguém exclama: “É um milagre vê-lo por aqui”; ou, então, “É um milagre da ciência”.

Pode-se afirmar, assim, em resumo: tanto o milagre como o sobrenatural são duas fantasias imaginativas dos seres humanos poucos versados nos estudos da espiritualidade, por isso ignorantes acerca da verdadeira existência, que é eterna e universal, em que as suas imaginações ainda se encontram um tanto quanto distantes de serem extintas, para que eles possam formar as suas concepções, formulando as ideias acerca da realidade do Universo. Mas os tempos são chegados, por isso eles hão de pôr de lado tal crença sobrenaturalística, quando as suas mentes forem mais bem iluminadas pelos raios fulgurantes da razão, provenientes da luz astral do esclarecimento espiritual.

 

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