11.04- Deus conforme a razão

Prolegômenos
4 de junho de 2018 Pamam

Em primeiro lugar, eu vou justificar a utilização por mim da palavra Deus para designar a existência do nosso Criador, da Inteligência Universal, da Coisa Total, do Todo, pois que ainda é o termo mais apropriado, apesar da utilização de várias outras palavras. Referindo-se diretamente à palavra Deus, Renan vem afirmar o seguinte:

Caso abandonássemos a palavra Deus, seria destruir todos os hábitos da linguagem, que empregada nas belas poesias e consagrada pelos respeitos da humanidade, tem por si uma longa prescrição. Dizei aos simples de viver de aspirações à verdade moral, e estas palavras não terão para eles nenhum sentido. Dizei-lhes de amar a Deus, de não Lo ofender, e eles vos compreenderão, perfeitamente. Deus, providência, imortalidade, são velhas, mas boas palavras, um pouco pesadas talvez, QUE A FILOSOFIA A INTERPRETARÁ EM SENTIDOS DE MAIS A MAIS SUTIS, mas que não poderá substituir com vantagens (grifo e realce meus)”.

E aqui, conforme foi previsto acertadamente por Renan, a Saperologia, com base na razão, portanto, com base na Ratiologia, tendo a verdade como sendo a sua legítima e autêntica fonte, vem interpretar acertadamente a Deus como sendo o nosso Criador, a Inteligência Universal, a Coisa Total, o Todo, formado de Substâncias. Já vimos anteriormente que a substância, de um modo geral, pode ser definida como sendo tudo aquilo que subsiste por si mesmo, independentemente de todo e qualquer acidente determinado. Então eu posso reafirmar que o Ser Total é a Essência, e que a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Propriedades, as quais formam as Substâncias de Deus, e todas elas são infinitas, daí não caber a ideia da prática de qualquer ação por parte de Deus, uma vez que Ele só age indiretamente, por intermédio das suas partículas, que somos nós, os seres, ou as suas criaturas, principalmente quando se encontram no âmbito da espiritualidade.

O Ser Total é a Substância principal, que representa a Essência, do qual somos os seres individualizados, partículas suas, por isso a essência é a finalidade da existência, o que a torna a mais pura, a mais bela e a de maior valor em relação a todas as demais substâncias componentes do conjunto, sendo, pois, a particularmente escolhida, por ser a única apta para o uso principal da criação dos seres, uma vez que ela, e somente ela, pode representar o seu conjunto com maior exatidão, já que possui a faculdade de revelar todo o propósito da existência, que é eterna e universal.

A Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Propriedades de Deus, as quais os seres individualizados, partículas do Ser Total, vão-nas adquirindo, parceladamente, no decorrer do processo da evolução. Como se pode facilmente constatar, todo o processo evolutivo dos seres tem por escopo a aquisição das Propriedades de Deus, pois não se pode admitir que um ser individualizado possua de antemão, sem o emprego de qualquer esforço, a infinitude das propriedades de Deus, uma vez que, caso assim fosse, o mesmo teria que ser, obrigatoriamente, igualado ao Ser Total, o que seria uma incoerência, e acabaria com o sentido do preceito maior, que é o preceito da evolução.

De um modo geral, a Propriedade pode ser definida como sendo toda e qualquer Substância secundária do conjunto que forma a natureza própria de Deus. São aquelas cujas funções proporcionam as condições absolutamente necessárias para a finalidade da existência da Sua Essência, quer dizer, do Ser Total, mas sem que sejam consideradas as suas finalidades intrínsecas, o que as tornam as menos puras, as menos belas e as de menor valor em relação à Substância Essencial, sendo, pois, as ordinariamente escolhidas, por serem aptas apenas para uso em função da Essência, uma vez que elas não podem representar a Divindade com exatidão, como muitos assim ainda pensam.

O Ser Total, portanto, representa a Essência de Deus, e nós, os seres, somos partículas da Essência de Deus, quer dizer, partículas do Ser Total.

Como ainda nos encontramos em um mundo extremamente materializado, tendemos, de imediato, a supor que pelo fato de sermos partículas da Essência de Deus, somos como que partes dessa Essência, que se fraciona, que se parte indefinidamente, gerando incontáveis seres. Assim, torna-se difícil a compreensão de como Deus pode ser o Todo e, ao mesmo tempo, incontáveis seres. Acontece que, na espiritualidade, a compreensão não pode se limitar às palavras terrenas. Quando mais adiante os seres humanos estiverem mais espiritualizados, e estiverem todos falando e escrevendo o Esperanto, pode ser que novas palavras deem uma compreensão satisfatória em relação a esta realidade.

Para todos os ignorantes que admitem um mundo sobrenatural, para os fanáticos crentes da Teologia e para os aleijões mentais que não pensam por si, em virtude de se apegarem sempre ao que dizem os vilões sacerdotes, para todos esses seres humanos de evolução inferior que, com base na imaginação, sustentam o credo revelado, aqui vai uma afirmativa: ou esse deus materializado e julgador que eles julgam existir deveria logo no início dos tempos ter revelado o verdadeiro credo para todos os homens, sem que houvesse qualquer discriminação, como mandaria a lógica; ou, repleto de atributos individuais inferiores e relacionais negativos, inclusive o sadismo, compraz-se em observar de forma passiva o desespero e o sofrimento dos seres humanos em se chegarem a ele, sem atentarem para o processo evolutivo.

Na realidade, é uma profunda estupidez alguém se dispor a estudar a doutrina de um credo saturado de dogmas, de misticismos e de fenômenos ditos sobrenaturais, com o intuito de segui-lo, como é o caso da Teologia, a ciência dos “santos” padres, ou a doutrina do credo católico dito cristão, que não possui nada de cristianismo, já que ninguém possui a mínima noção do que representa realmente o instituto do Cristo, que somente será revelado por inteiro por intermédio da minha explanação acerca da Cristologia, ainda nesta obra intitulada de A Filosofia da Administração. Não deixa também de ser uma profunda estupidez a petulância dessa doutrina católica e outras em quererem estudar a Deus, com base na revelação, ou mesmo em declarar que tal pretensão tenha por base a razão, quando já se é sabido que esta somente pode ser alcançada por intermédio da verdade coordenada com a sabedoria. Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, a página 121, afirma o seguinte:

Não era possível, no ocidente cristão, estabelecer uma hierarquia eclesiástica poderosa sobre o universalismo platônico, mas sim sobre o individualismo aristotélico. Se cada homem É UMA MANIFESTAÇÃO INDIVIDUAL DA REALIDADE UNIVERSAL (DEUS), e, como tal, pode retraçar o seu caminho rumo à sua origem, é lógico que O HOMEM POSSA ENCONTRAR A DEUS POR SI MESMO, DENTRO DA SUA ÍNTIMA ESSÊNCIA DIVINA (grifo e realce meus) — concepção essa que não favorecia de modo algum o prestígio de uma autoridade eclesiástica ávida de poder. A ideologia aristotélica, pelo contrário, deixa as portas abertas para o desenvolvimento de uma hierarquia poderosa, como as necessidades da época pareciam exigir”.

E para aqueles que ainda duvidam que Platão foi a encarnação imediatamente anterior à encarnação de Jesus, o Cristo, tendo como este contemplado diretamente a Deus, chamando-O de Pai, tirando o que estava contido em si mesmo tudo aquilo referente ao Criador, vem novamente Huberto Rohden na mesma obra, agora a página 132, afirmar o seguinte:

Orígenes procura demonstrar que Platão é o maior precursor do cristianismo e atingiu a alma e a quintessência do evangelho de Jesus (grifo meu)

Mas — digamo-lo desde já — era cedo demais. A humanidade como tal não estava madura para tão avançadas ideias, que requeriam longos séculos de incubação para serem, finalmente, assimiladas por uma elite mais evoluída”.

E continua o notável estudioso do saber, tirando de si mesmo aquilo que se encontra contido acerca de Deus, desta vez as páginas 221, 222, 226, 231, 238, 242, 243, 244, 247, 249, 250 e 251, transmitindo da seguinte maneira:

A consequência imediata e inevitável da ilusão sobre si mesmo e sobre o mundo leva o homem a ser egoísta, pois quem identifica o seu verdadeiro Eu com o pseudoeu mental, acabará por agir necessariamente conforme essa falsa concepção, isto é, torna-se egoísta — seja egoísta corpóreo (sensual), seja egoísta mental (orgulhoso). Ora, tanto este como aquele tipo de egoísmo são filhos da ignorância e do erro.

Segue-se que o homem para se libertar do pecado (egoísmo, ignorância, erro) deve conhecer a verdade sobre si mesmo, EU é ao mesmo tempo a verdade sobre Deus e a verdade sobre o mundo (grifo e realce meus).

A ESSÊNCIA DE DEUS ESTÁ EM TODOS OS SERES (grifo e realce meus); e é do grau dessa manifestação da presença divina que depende a perfeição de cada indivíduo.

A ESSÊNCIA DE CADA INDIVÍDUO É DEUS (grifo e realce meus), mas a sua existência, ou manifestação não é igual a Deus. Como essência, Deus está integralmente contido em cada indivíduo, ou melhor, não está contido, MAS DEUS É CADA INDIVÍDUO SOB O PONTO DE VISTA DA ESSÊNCIA DESSE INDIVÍDUO; porque vigora perfeita identidade entre A ESSÊNCIA DE DEUS E A ESSÊNCIA DE QUALQUER INDIVÍDUO (grifo e realce meus).

Negar a identidade de essência entre o Criador e a criatura, é grosseiro dualismo; afirmar a identidade da essência do Criador e da existência da criatura é absurdo panteísmo.

A humanidade, depois de ultrapassar, em boa parte, a fase inicial do pluralismo sensitivo, entrou na zona do dualismo intelectivo, onde está agora; mas estamos marchando rumo ao monismo espiritual (grifo meu).

Se Deus tivesse criado o mundo do nada, existiria mais realidade depois da criação do que antes — o que é intrinsecamente impossível, uma vez que Deus é a Realidade plena, total, absoluta, infinita.

Embora a mais deslumbrante encarnação do divino Logos se tenha realizado em Jesus de Nazaré, a encarnação do eterno Logos é um processo constante e ininterrupto no cenário do Universo fenomenal (grifo meu); todos os dias e a cada instante, o eterno espírito de Deus se encarna ou se revela em milhares de formas individuais; a gênese do Universo não é um fato consumado, mas um processo continuado; não uma ação do passado, mas um ato permanente no presente, e o presente é a eternidade.

O HOMEM, PARA ENCONTRAR O CRIADOR, DEVE TRANSCENDER, POIS NÃO PODE ENCONTRAR A DEUS DENTRO DO MUNDO; MAS SOMENTE FORA OU ALÉM DO MUNDO (grifo e realce meus). Fugir do mundo é, neste caso, o imperativo categórico de todo homem espiritual. Neste caso, na razão direta que o homem se distancia do mundo, de Deus se aproxima, porque Deus e o mundo são dois polos opostos, antagônicos, incompatíveis um com o outro. Querer possuir a Deus e o mundo é, segundo os transcendentalistas, tão impossível como conciliar a luz e as trevas, a vida e a morte, o bem e o mal, o sim e o não.

O homem que ignora tanto o Deus transcendente como o Deus imanente, isto é, o agnóstico integral, toma os fenômenos do mundo visível pela realidade eterna, tornando-se assim um cultor de aparências, ou seja, um materialista.

O materialista é vítima da ilusão.

Esta palavra sânscrita é traduzida, geralmente, por ‘virtude’, ‘religião’, ‘dever’, ‘retidão’. Todos esses termos dizem, mais ou menos, o que se deve entender por dharma, que, propriamente, quer dizer ‘ação reta’.

Dharma é a norma de vida melhor adaptada aos requisitos de cada alma individual para atingir o mais alto grau de perfeição integral, através das sucessivas etapas evolutivas (grifo meu).

Traduzindo em terminologia ocidental essa concepção oriental, poderíamos identificar dharma com a ideia da ética da vida humana, isto é, a perfeita harmonia dos nossos atos com a norma eterna e absoluta da retitude, e a manifestação dessa harmonia no plano da vida cotidiana.

Há séculos e milênios que a humanidade discute a questão se há ou não uma norma absoluta e imutável para os nossos atos; e, no caso que haja, como pode o homem ter conhecimento dessa forma.

todo ser, consciente e livre, ou não, veio da mesma fonte, e tende a essa fonte, voltando para uma harmonia com ela. Além disto, é da íntima natureza de cada ser querer ser feliz; mas essa felicidade não é outra coisa senão a voz da verdade, isto é, DA HARMONIA DO INDIVÍDUO COM O UNIVERSAL, O ABSOLUTO, O ETERNO (grifo e realce meus). Dessa premissa se deriva logicamente a impossibilidade de uma aberração (pecado) eterno e irrevogável. Só um ser que não tivesse brotado da Fonte Divina poderia, para sempre, ficar longe dessa Fonte; mas, como tal ser não existe, nem pode existir, segue-se que nenhum ser, por mais consciente e livre, pode, para sempre, ficar longe da sua origem. Cedo ou tarde, embora esse lapso de tempo abranja séculos, milênios, bilênios e incontáveis eons e eternidades, TODO SER VINDO DE DEUS, REGRESSARÁ A DEUS, pois que o Universo é, de fato, um cosmos, e não um caos (grifo e realce meus).

Segundo Jesus, não basta ser bom, é necessário ser perfeito, porque Deus é perfeito.

… o que certos faquires ou mágicos orientais exibem como yoga é antes repelente que atraente; pode, quando muito, despertar a curiosidade das multidões ávidas de sensações inéditas, mas não interessa a nenhum homem sério desejoso da verdade…

A palavra sânscrita yoga aparece em nossas línguas ocidentais na forma de zygos (grego), jugum (latim), jock (alemão), e é conhecida em vernáculo por jugo. Jugo vem de jungir, unir, deve o homem se unir a Deus para conseguir algo que por si só, isoladamente, não poderia realizar. ‘União’ seria, pois, a versão mais apropriada do termo yoga. Yogui é, por conseguinte, aquele que realizou essa união ou se esforça por realizá-la. Todos os grandes gênios filosóficos e espirituais, sobretudo Jesus, podem ser chamados yoguis, no verdadeiro sentido da palavra, isto é, homens unidos a Deus ou em vias dessa união.

Yoga como se vê, é um complemento de dhama: procura adicionar à ideia da ética os meios da técnica para torná-la mais eficiente”.

Não se estuda a Deus! Deus se encontra em nós mesmos!

A partir do momento em que o ser humano alimenta a pretensão ignorante e estúpida de estudar a Deus, ele começa a observá-Lo como sendo um personagem isolado, ou como algo independente e desligado dele mesmo, já que ele projeta a Divindade para fora de si mesmo, sem saber que Deus se encontra contido em nós mesmos, em conformidade com o nosso estágio evolutivo. Aí, engendrando falsas teorias criadas da sua própria imaginação, pois que posto fora do âmbito da realidade, por isso a sua lógica é real apenas para si e para quem lhe é afim, põe-se a especular feito um louco, e passa a se achar o suprassumo da inteligência, ou, talvez, até, um dos tantos enviados dos céus para pastorear o rebanho da humanidade, que são todos extremamente perturbados, pois que, na realidade, não se pastoreia, torna-se o ser humano independente, para que ele então possa lançar mão do seu raciocínio e do seu livre arbítrio, tornando-se liberto de todas as peias que o subjugam.

Daí a razão pela qual os estúpidos sacerdotes se consideram os ministros de Deus, quando os são sim, mas ministros de Jeová, o deus bíblico, e outros deuses mais, mas não do verdadeiro Deus, que não tem ministros. Se os seres humanos detivessem um mínimo de raciocínio lógico, e através deste pudessem encarar pelo menos uma pequena realidade dos fatos, poderiam compreender que a lógica mais elementar lhes diria que, se conhecemos algo, se compreendemos algo, ou se podemos estudar para compreender algo, in totum, é porque no mínimo lhe somos iguais, ou então superiores. E ela, a lógica, ainda nos diz que se temos condições de conhecer algo, é porque reunimos a inteligência suficiente para não sermos inferiores a tal, e que a nossa inteligência tende para a Inteligência Universal, assim como as criaturas tendem para o Criador, como os seres tendem para o Ser Total, então não somos inferiores a Deus, mas sim partículas Suas, que fazemos partes do Todo, e as partes não podem ser jamais inferiores ao Todo, pois que são as suas componentes. Ora, o Todo não pode existir sem as suas partes, assim como as partes não podem existir sem o Todo.

E agora cabe aqui a seguinte pergunta: quer o homem, sempre se sentindo inferior a Deus, conhecê-Lo e, por conseguinte, tornar-se igual ou, ainda, superior a Ele, já que procura manipulá-Lo à vontade, mesmo se sentindo inferior? Em sua intolerante porfia, qualquer teólogo viria com o contorcionismo da enguia, conjecturando as mais estapafúrdias teorias falseadoras. Mas, aqui, no caso, cabe apenas a resposta: sim ou não. É sim? Que tente, então, ser igual ou superior a Deus, contraditoriamente se sentindo inferior. É não? Neste caso, então, vamos todos saperologar.

Parece ser tarefa relativamente fácil demonstrar que um certo deus qualquer, como, por exemplo, Jeová, o deus bíblico, ou mesmo qualquer outro deus, é bom, mal, vingativo, iracundo, perfeito, imperfeito, eterno, sábio, ignorante, etc.; ou mesmo lhe atribuir qualquer atributo, sentimento, pensamento, ou mesmo qualidades, seja de que natureza for. Para tudo isso é também relativamente fácil engendrar os mais incríveis argumentos, pois que a tudo isso os seres humanos tiram de si mesmos, ou então são intuídos pelos espíritos obsessores, em conformidade com as suas intenções.

Porém, demonstrar a natureza do verdadeiro Deus, isto é, fazer com que cada um primeiramente seja convicto da Sua existência e das Suas Substâncias, para somente depois, partindo desta convicção, mostrar também que é irracional e ilógico lhe atribuir alguma forma ou imagem, é tarefa das mais difíceis.

Filo era um estudioso que vivia em Alexandria, e que era o chefe da delegação judaica, rival da delegação grega, que fôra a Roma defender a sua causa perante Calígula. Com a morte deste, sem que a questão fosse decidida, Cláudio decidiu por restaurar os direitos dos judeus de Alexandria, e ordenou que as partes parassem com a briga, que havia sido iniciada no ano 38 desta era, quando um bando de gregos invadiu as sinagogas e nelas tentou colocar a estátua de Calígula. De acordo com Filo, Deus é o Ser Essencial do mundo incorpóreo, eterno, indescritível, e que somente a razão pode conhecer a Sua existência, mas não pode Lhe conferir atributos, visto que todo atributo é uma limitação.

Sem maiores comentários, pergunto: como a razão pode conhecer a existência de Deus sem que venha a Lhe conferir algo? Não é lógica a afirmativa de Filo, pois que Deus é Tudo, pelo fato Dele ser o Todo. Principalmente se a razão reunir condições de conferir a Deus algo que não seja limitado às Suas partículas, como as Suas Substâncias. Logo, nem tudo que se confere a Deus é uma limitação individual. Neste caso, o que mais podemos conferir a Deus, além das Suas Substâncias? A Verdade, a Sabedoria, a Razão e a Extensão. São elas ilimitadas? Sim e não. A perfeição é ilimitada, pois que ela traz o amor em si, e o amor em Deus só pode ser infinito, mas é finito nas suas criaturas. E a imperfeição é limitada, pois que ela traz o bem e o mal em si, e ambos só podem ser finitos. Estes são os sinais evidentes da existência de Deus, que se encontra em nós mesmos, sendo tirados do nosso próprio espírito.

Se o ser humano saísse do seu próprio universo pessoal da imaginação e pudesse comparar aquilo que mais lhe envaidece com a contemplação do Universo, poderia constatar a existência simples, mas fundamental, do seu próprio papel como partícula do Todo. E assim, liberto da imaginação, a sua razão constataria a existência de Deus, sem nenhuma forma ou imagem, tão incomensurável é o Divino.

E poderia se perguntar a si mesmo: quantas galáxias, quantos mundos e quantas partículas mais atrasadas e mais adiantadas não existem no Universo? Por que aqui eu posso conhecer a verdade, a sabedoria, a razão, as religiões, as ciências, as religiociências, mas aqui não posso conhecer aquilo que o meu semelhante conhece em relação ao seu próprio talento, que demonstra a sua vocação para os diversos setores da vida, como cantar, pintar, negociar, administrar, advogar, medicar, etc.? Se para cada problema que surge, existe pelo menos uma solução, que posso saber em relação aos problemas do mundo e as suas soluções no contexto universal? E afinal, quais são os segredos da vida e os enigmas do Universo?

É raciocinando desta forma que o ser humano poderá compreender que, no momento, o seu todo é a sua própria humanidade, e que aqui neste mundo Terra ele ora se encontra com o propósito de cumprir com as suas obrigações, com os seus deveres e com a sua missão, fazendo evoluir primeiramente a si mesmo, ajudando-se primeiramente a si próprio, como Jesus, o Cristo, assim ensinou, e depois aos seus semelhantes, à sua humanidade e, por fim, a este próprio mundo. Que todos os atributos que possui estão lá com ele como ferramentas necessárias ao cumprimento de tudo isso, e que, às vezes, não são suficientes para tanto, uma vez que ele não consegue utilizá-los a contento.

Então, por que a vaidade?

Em toda a História da Humanidade, os seres humanos sempre demonstraram um medo terrível de irem para o inferno, esse local inventado pelos diabólicos e astutos sacerdotes. E tirando partido dessa ignorância milenar, os tais sacerdotes sempre souberam se aproveitar do fato para exercerem o seu aprazível domínio sobre o povo, sujeitando-o aos seus caprichos e aos seus interesses inconfessáveis. Mas, infelizmente, poucos têm a iniciativa de dar um mínimo de trato ao próprio raciocínio, pois que a maioria é maria vai com as outras, como se diz popularmente, ou corda de cacimbão, que todos manejam, como se diz aqui no nosso querido Ceará, a terra da molecagem, no bom sentido. Chega a ser até ridícula essa postura passiva e subserviente à ignorância massificada e dirigida por poucos. O que é mais lógico: Deus se separar definitivamente dos seus filhos, exterminando-os ou os mandando queimar para sempre no fogo do inferno; ou estabelecer leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais que regulem os seus aprendizados, regenerando-os, aperfeiçoando-os, educando-os, até trazê-los todos de volta para Si, estando todos já totalmente educados, sendo tal aprendizado efetuado inteiramente com base no raciocínio e no livre arbítrio de cada um? O incrível disso tudo, o cruel, o desespero, a tortura, a dor maior é que, praticamente, ninguém é lógico neste sentido, que demonstra claramente a realidade universal, preferindo a grande maioria se ater à irrealidade proveniente do devaneio do sobrenatural.

Mas o inferno é eterno? Se sim, ele tem um dos atributos de Deus, que é a eternidade. Se não, é outra linha de raciocínio. Mas, de qualquer maneira, quer os credulários queiram, quer não, o inferno estaria posto obrigatoriamente no Universo, caso ele realmente existisse, em um lugar que lhe é próprio, e isto tira qualquer possibilidade de onipresença por parte de um deus, a não ser que ele também habite no inferno. Se ele é eterno, então as almas que para lá forem, após a desencarnação, poderão modificá-lo e torná-lo um lugar aprazível, aonde possa imperar o bem, pois que eu mesmo me disponho a ir para lá imbuído de tal missão, pois que nada temo, a quem quer que seja, devendo ou não, nem mesmo ao verdadeiro Deus, quanto mais a Jeová, o deus bíblico, e ao próprio Satanás, mesmo este não existindo, como demonstrarei na prática no momento oportuno, através da tremenda gnosiologia pela qual passei, ao contrário dos atrasados evolutivamente falando, que são ensinados pela classe sacerdotal a temer até ao seu próprio deus, mais especificamente à ira do deus bíblico, aos seus “castigos”, e o que não dizer do temor ao Satanás e aos seus demônios.

A não ser que o verdadeiro Deus tenha determinado como lei espacial, como princípio temporal e como preceito universal a existência eterna do mal em nossa humanidade. Porém, mesmo assim, seria ele, o mal, ainda regulado por leis espaciais, por princípios temporais e por preceitos universais estabelecidos por Deus. Ora, se todos querem ser regulados pelas leis espaciais, pelos princípios temporais e pelos preceitos universais de Deus, então tanto faz estar no céu como no inferno, o que se deve questionar neste caso são as naturezas intrínsecas do bem e do mal, cujas naturezas os diferenciam um do outro.

A própria linguagem popular é pródiga em dizer: “Deus está comigo”. Mas dizer por dizer não tem o mínimo efeito real. Palavras as podem levar o vento, como bem disse o gigante Luiz de Mattos, e isso é muito perigoso, pois que afeta diretamente a atmosfera do planeta, como será devidamente demonstrado no momento oportuno. Tudo tem que ter a sua explicação lógica e racional, a sua causa absoluta e o seu efeito relativo, para que as pessoas não continuem a dizer coisas que elas próprias não entendem e permaneçam a falar por falar. Se um meu semelhante qualquer, dissesse para mim:

— Deus está comigo.

De imediato, eu lhe perguntaria o seguinte:

— Se Deus está com você, de que maneira Ele estaria? Se Deus não está com você, de que maneira Ele não estaria? Então em que consiste a presença e a ausência de Deus?

É claro que ele, ignorando que Deus se encontra em nós mesmos, em conformidade com o nosso estágio evolutivo, de logo viria a apelar para a fé credulária, para o místico, para o sobrenatural, em seu devaneio imaginativo situado no âmbito do sobrenaturalismo, apelando, inclusive, para os mistérios, porfiando de todas as maneiras possíveis e imaginárias, e viria assim com as maiores asneiras, as mais estúpidas possíveis, dignas de um verdadeiro “sibiota”, que é alguém metido a sábio, mas que ainda não passa de um tremendo idiota, de um idiota de marca maior, como se diz por aí, e talvez até viesse com algum dizer bíblico, sempre estapafúrdio.

Mas o fato é que ele ignora que possuímos a Essência de Deus, e que estamos adquirindo aos poucos as Suas Propriedades, por intermédio do processo da evolução, então temos que sentir Deus em nós mesmos e nos conscientizarmos de que, na realidade, nós nunca estamos sós, pois que de tudo podemos lançar mão para evoluir. Mas que estamos sempre bem ou mal acompanhados, isto sim. Tudo isto em inteira conformidade com a natureza dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos. Se uma das leis espaciais, mais propriamente a lei da afinidade, vem nos dizer que os afins se atraem e os contrários se repelem, é porque atraímos ou somos atraídos por aquilo que nos é afim, e nos sentimos bem com essa atração, gostamos de tal parceria. Se os nossos interesses forem mundanos, de igual forma será a natureza dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos, daí atrairmos ou sermos atraídos por espíritos inferiores, quedados aqui na atmosfera deste mundo, ficarmos em companhia desse astral inferior, sermos parceiros do mal, estarmos com os “diabos”, assim como estão os obsedados sacerdotes, que querem porque querem de todos os modos nos enfiar goela abaixo a existência de Satanás e dos seus demônios, para que mais fácil possam nos conduzir pela ignorância e pelo medo, quando, na realidade, isto se aplica a Jeová, o deus bíblico, e aos seus anjos do mal. Mas sem inferno, apenas com a existência do astral inferior, onde se encontram todos esses espíritos obsessores praticante do mal.

Por outro lado, se os nossos interesses forem espiritualmente elevados, de igual forma será a natureza dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos, daí, de forma contrária, atrairmos ou sermos atraídos por espíritos já libertos deste mundo de degredo, ficarmos em companhia dos espíritos de luz, que se encontram no Astral Superior, ou que formam a sua plêiade, que são os verdadeiros representantes de Deus, sermos, portanto, parceiros do bem. É desta forma, em sua exuberância racional, que alguém pode afirmar: “Deus está comigo”.

Mas existe ainda outra situação ainda mais profunda, por ser mais complexa. Aqui, ao invés de “Deus está comigo”, o mais correto é afirmar “Deus está em mim”. E esta situação se apresenta bem mais profunda e complexa, porque aqui a situação se inverte, pois partindo do princípio de que mesmo que não venham os Espíritos Superiores — os verdadeiros representantes de Deus, que são os executores da Sua vontade, portanto, os verdadeiros representantes do bem — dos seus Mundos de Luz a este mundo, com o propósito de intuir para o bem aqueles de boa vontade, de forma contrária, deve o espírito se libertar do seu corpo carnal, ficando ligado a este apenas pelos cordões fluídicos, e se elevar ao Espaço Superior, em busca da verdade, e, concomitantemente, transportar-se ao Tempo Futuro, em busca da sabedoria, portanto, universalizando-se, pois que com certeza ele será intuído pelos Espíritos Superiores, que na realidade são os verdadeiros representantes de Deus, e não a famigerada classe sacerdotal. Dá para se entender agora a inversão dos termos, como também dá para se entender a diferença entre o ser humano ignorante e mal assistido, e o ser humano esclarecido e bem assistido.

Todos sabem que Deus é Onipotente, Onipresente e Onisciente, mas o espírito humano, no seu evoluir constante, busca alcançar a esses atributos de Deus, por intermédio das propriedades da Força, da Energia e da Luz, respectivamente, das quais ele vai adquirindo parcelas cada vez mais acentuadas, ininterruptamente. No entanto, ele jamais será o próprio Deus, pois que Deus é Tudo, portanto, o Todo. Mas Deus vai se alojando cada vez mais em si, de onde ele pode tirar tudo aquilo que se refere ao próprio Criador, assim como Jesus, o Cristo, tirou de si mesmo tudo aquilo que Dele estava contido em sua alma, chamando-O de Pai.

Assim posto, pode-se compreender a razão pela qual os grandes espíritos, os que se tornaram os grandes vultos da nossa história, quando pretendem se referir a Deus, sem que tenham nessas suas pretensões a intenção de adentrá-Lo em busca do conjunto das Suas Substâncias, utilizam-se normalmente de apenas uma delas para expressá-Lo, ou então de apenas duas, que tanto pode ser a propriedade da Força como a propriedade da Luz, ou ambas, fazendo com que uma ou outra, ou mesmo ambas, assumam todo o significado da existência do Criador, mas geralmente olvidando da propriedade da Energia, por isso ninguém ainda conseguiu adentrar no mérito das Suas Substâncias, mas que agora o Racionalismo Cristão conseguiu adentrar.

Vejamos a seguir algumas compreensões significativas a respeito da existência de Deus, estando agora mais fáceis de serem inteligíveis.

Mas comecemos antes pelos esquimós, que quando perguntados sobre quem fizera o mundo, respondiam francamente: “— Não sabemos”. A esta pergunta: “— Quando você vê o Sol se erguer ou se pôr, e as árvores crescerem, não pensa em quem os fez?”; um zulu respondeu com uma franca simplicidade: “— Não, nós vemos isso, mas não podemos dizer nada a respeito, achamos que apareceram por si mesmos”. Tudo isto demonstra a sinceridade dos seres humanos mais simples, mas há aqueles que são imbecilizados, que em uma suma estupidez tentam estudar a Deus através dos compêndios teológicos, ignorando completamente que Deus se encontra em nós mesmos, em essência, e que temos em nós mesmos parcelas das Suas mesmas Propriedades.

Quando a Grécia veio a escolher os seus Sete Sábios colocou o nome de Tales de Mileto em primeiro lugar. Perguntando-lhe alguém o que considerava como sendo a maior dificuldade, respondeu com o famoso apotegma: “— Conhecer-se a si próprio”. Novamente interrogado sobre o que achava mais fácil, respondeu: “— Dar conselhos”. À pergunta: “— O que é Deus?”. Respondeu: “— Aquilo que não tem princípio e nem tem fim”. Interrogado como poderiam os homens viver com maior virtude e justiça, respondeu: “— Nunca fazendo aquilo que criticam nos seus semelhantes”.

O mais ilustre filho de Éfeso foi Heráclito, o Obscuro. Encarnou mais ou menos em 530 a.C., e mesmo sem mencionar a evolução, ele não consegue encontrar nada estático no Universo, no espírito, ou na alma, dizendo que nada é de modo definitivo, pois tudo se transforma, condição alguma permanece inalterada, nem mesmo por um instante, tudo está constantemente deixando de ser o que era e se transformando no que virá a ser. A alteração da luta dos contrários cria a essência, a significação e a harmonia da vida e da mudança, os contrários em choque são os fios de tear da vida, que agem em sentidos opostos, tecendo a invisível unidade e a secreta harmonia do todo. As nossas palavras, os nossos pensamentos e a nossa própria moral são preconceitos e representam os nossos interesses como partes de grupos, a Saperologia tem de encarar as coisas à luz do Todo. Deus é o fogo imorredouro, a energia indestrutível do mundo. É a unidade que liga todos os contrários, a harmonia de todas as tensões, o resultado e a significação de toda a luta. Esse Divino Fogo algum dia muito distante, diz ele, assim:

… julgará e condenará todas as coisas… abrindo caminho para novas formas no Julgamento Final (essas novas formas serão reveladas na obra relativa à Finalidade, contida no site pamam.com.br, digo eu e grifo) ... se pudéssemos compreender o mundo como um todo, nele veríamos uma vasta sabedoria impessoal — um Logos, Razão ou Palavra; e deveríamos tentar amoldar as nossas vidas de acordo com esse método da Natureza, essa lei do Universo, essa sabedoria… que é Deus … para procurar e seguir a infinita razão do Todo”.

Para ele, a energia sob a couraça da razão e unida à ordem, é o maior bem. Mudança não é um mal, mas uma bênção, sem essa tensão de opostos não haveria a “afinação” ou harmonia, a teia da vida deixaria de oscilar e cessaria o desenvolvimento.

Empédocles nasceu no ano da batalha de Maratona, em 491 a.C., estudou por algum tempo com os pitagóricos, mas, na sua exuberância, divulgou a outros uma parte da doutrina, e por isso foi expulso. Ele acreditava que os homens haviam sido deuses, tendo perdido o lugar que ocupavam no céu em consequência de alguma impureza ou violência, e afirmava sentir em sua própria alma indícios da divindade pré-natal, demonstrando assim alguma noção da existência dos Mundos de Luz, mas ignorando que tenha encarnado para evoluir, por isso ele diz: “De que imensa glória e bem-aventurança eu terei tombado para vir errar entre os mortais sobre a Terra?”. Esse seu dizer, como dito, é facilmente explicável pela existência dos Mundos de Luz que rolam pelo Universo, dos quais viemos para este planeta para encarnar com o intuito de evoluir e, também, fazê-lo evoluir, assim como também aos demais seres infra-humanos que por aqui se encontram, em suas trajetórias evolutivas. As suas 470 linhas que nos chegaram, fornecem-nos apenas acidentais vestígios da sua saperologia, que indica, acertadamente, que todas as formas superiores se originam de formas inferiores. Ele identifica a Divindade com sendo a própria esfera cósmica, às vezes com a vida de todas as formas de vida, ou com o espírito de todos os espíritos, mas não ignora que jamais seremos capazes de formar uma ideia justa da Força Criadora original. Assim ele acertadamente diz o seguinte:

Não podemos nos aproximar de Deus ao ponto de alcançá-lo com a nossa vista e tocá-lo com as nossas mãos… Pois Deus não possui uma cabeça ligada a um tronco, e dos seus ombros não pendem dois braços, à maneira de galhos; não tem pés, nem joelhos, nem partes peludas. Não; ele é só espírito, sagrado e inefável, a lançar por todo o Universo a rápida faísca dos pensamentos”.

Que os credulários comparem o dizer desse grande vulto da nossa história, a respeito de Deus, com Jeová, o deus bíblico, que sendo mentiroso e fanfarrão, além de outros atributos inferiores e negativos mais, e estando quedado no astral inferior, vem dizer para os médiuns que fez o homem à sua imagem e semelhança.

E conclui Empédocles com a sábia e fatigada experiência da velhice:

Fracas e limitadas são as forças existentes nos membros do corpo humano; muitas, as desgraças que sobre eles caem, cegando o fio do pensamento; breve é a vida mortal dentro da qual labutam. Cedo os homens partem; como o fumo, desfazem-se no espaço; e o que julgam saber não passa do pouco que casualmente viram em seu trânsito pelo mundo. E, entretanto, não há um que não se gabe de conhecer o Todo. Tola vaidade! Pois o Todo é algo que jamais foi visto, ouvido ou concebido pelo espírito do homem”.

Em seus últimos anos, Empédocles se tornou mais acentuadamente pregador e clarividente, absorvido na correta teoria da reencarnação e a solicitar que os homens se purificassem das culpas que os haviam exilado do céu, quer dizer, dos seus Mundos de Luz, regenerando-se e evoluindo, para que assim pudessem se educar.

Na metafísica de Platão, que foi a encarnação imediatamente anterior à encarnação de Jesus, o Cristo, Deus, a Primeira Causa não Causada, ou Alma do Mundo, move e organiza todas as coisas de acordo com as formas e as leis universais eternas, com a ideia perfeita e imutável que constitui, como diriam os neoplatônicos, o Logos, ou a Divina Sabedoria, ou o Espírito de Deus. A mais alta de todas as Ideias é a do Bem, para o qual convergem todas as coisas. Perceber esse Bem, visualizar o molde ideal do processo criador, é a mais alta mira do conhecimento. O movimento e a criação não são mecânicos, exigem no mundo, como em nós mesmos, uma alma, ou um princípio de vida, como força inicial. A alma é a força automotriz do homem. É pura vitalidade, incorpórea e imortal. Já existia antes do corpo e trouxe com ela, das encarnações anteriores, muitas recordações. Quando através das várias existências a alma se encontra afinal purificada de todos os seus erros, liberta-se da reencarnação e se eleva a um paraíso de eterna felicidade.

Segundo o estoicismo, desde que o homem é uma parte de Deus ou da Natureza, o problema da ética pode ser facilmente resolvido: bondade é cooperação com Deus, ou com a Natureza, ou com a Lei do Mundo. Não é a caça ou o gozo do prazer, pois a busca do prazer subordina a razão à paixão, quase sempre prejudica o corpo e o espírito, e, por fim, raramente nos satisfaz. A felicidade só pode ser encontrada através de um ajustamento racional dos nossos objetivos e da conduta aos objetivos e às leis do Universo. Não existe contradição entre o bem do indivíduo e o bem do cosmos, pois a lei do bem-estar individual é idêntica à lei da natureza. Se o mal atinge ao homem bom, não o faz senão temporariamente, e não é na verdade um mal, pois se pudéssemos compreender o Todo, veríamos o bem por trás de todo mal que aparece nas partes. O estoico deverá evitar todos os sentimentos que prejudiquem o curso, ou duvidem da sabedoria da natureza.

Galeno objetava que enquanto uma máquina não passa da soma das suas partes, um organismo implica o controle de todas as partes pelo todo, visando um propósito. E como só um propósito pode explicar a origem, a estrutura e a função dos órgãos, assim também o Universo, dizia Galeno, só podia ser compreendido como instrumento e expressão de algum plano divino. Deus, entretanto, só operava por meio das leis naturais, pelo que se deve completar, dos princípios e dos preceitos; não há milagres, e a melhor revelação é a própria natureza.

Abu Yusuf Yaqub ibn Ishaq al-Kindi nasceu em Kufa, por volta de 803, sendo filho do governador da cidade. Estudou ali e em Bagdá e conquistou uma alta reputação nas cortes de al-Mamun e al-Mutassim como tradutor, cientista e filósofo, assim considerado. Escreveu cerca de 265 tratados sobre tudo, a saber: Aritmética, Geometria, Astronomia, Meteorologia, Geografia, Física, Medicina, Saperologia, e até sobre política e sobre música. Na saperologia de al-Kindi, Deus é a criadora Alma Mundial ou Logos e a sua emanação, a alma do homem. Se um homem treinar a sua alma no conhecimento certo, ele pode alcançar a liberdade e a imortalidade. Esse grande espírito viveu até o ano 873.

Em 983, aproximadamente, foi criada uma fraternidade secreta de saperólogos e cientistas, organizada em Basra. Esses “Irmãos da Sinceridade” aspiravam a uma renovação moral e ética, portanto, espiritual, que englobasse também a política, e pensavam que essa renovação poderia ser fundada em uma mistura de pensamentos gregos e ensinamentos cristãos. Publicaram 51 pequenos tratados. Um muçulmano espanhol que viajou pelo Oriente Próximo, por volta do ano 1000, gostou desses tratados, colecionou-os e os preservou. Nessas 1.134 páginas, encontramos que da Causa Primeira, ou de Deus, emana a Inteligência Ativa, Logos ou Razão, da qual procede o mundo de corpos e almas. Todas as coisas materiais são formadas e agem por meio da alma. Toda alma permanece inquieta até que se reúna à Inteligência Ativa ou a Alma Mundial. Esta união exige absoluta pureza da alma. A moral e a ética são as artes de se alcançar a essa pureza, que é na realidade a própria educação. Saperologia, ciência e religião constituem os meios dessa purificação. Faltam apenas, posso afirmar, a Veritologia, a Ratiologia e a religiociência para a sua completitude. Logo se vê, que desde a antiguidade os grandes homens buscavam com afinco a Deus, portanto, ao Saber, por excelência.

Ibn Sina, mais conhecido por todos como Avicena, não se contentou em ser um cientista e uma autoridade de fama mundial na Medicina, sem dúvida ele sabia que um cientista somente se completava por meio da Saperologia. Contam-nos que ele lera 40 vezes a Metafísica de Aristóteles sem conseguir compreendê-la, e que quando o comentário de al-Farabi lhe possibilitou a compreensão do livro, ele se sentiu tão feliz e tão grato que correu à rua para distribuir esmolas. Quanto prazer proporciona uma boa leitura! E Aristóteles continuou como sendo o seu ideal em Saperologia até o fim. No Qanun ele usou a expressão “o filósofo” que no mundo latino se tornou sinônimo de Aristóteles. Ele considerava que cada alma ou inteligência possui uma medida de liberdade e poder criador semelhantes aos da Primeira Causa, pois constituem uma emanação dessa Causa. Depois da morte a alma pura volta à união com a Alma Global, e nessa união reside a bem-aventurança dos bons. Isso implica em dizer que os bons retornam para os seus Mundos de Luz, logo após a desencarnação, sem estagiarem no astral inferior, como espíritos decaídos, como fazem os maus e os afeitos aos prazeres puramente mundanos.

Erigena define a natureza como “O nome geral para todas as coisas que são e que não são”, isto é, todos os objetos, processos, leis e princípios, causas e efeitos, atributos, sentimentos e pensamentos. Ele diz que “Deus é tudo o que verdadeiramente existe, uma vez que Ele faz todas as coisas e é feito em todas as coisas”. Que não houve criação no tempo, pois isso implicaria uma modificação em Deus. Que “quando ouvimos falar que Deus fez tudo, devemos entender somente que Deus está em todas as coisas, isto é, subsiste como essência de todas as coisas”. Que todas as coisas são imortais, e que os animais também, assim como os homens, têm almas que voltam, depois da morte, a Deus, ou ao Espírito Criador do qual emanaram. E que toda a história constitui um vasto fluxo para o exterior da criação pela emanação, e um irresistível fluxo para dentro que leva finalmente todas as coisas de volta para Deus.

Anselmo, que viveu entre 1033 e 1109, defendeu eficientemente a Igreja em vários trabalhos que parecem ter impressionado profundamente a Abelardo, se bem que parece o tivesse feito por mera oposição. Em 1078, Anselmo foi nomeado abade de Bec, na Normandia. Sob a sua gestão, bem como sob a de Lanfranc, Bec contou com uma escola que foi uma das maiores do Ocidente. Teceu argumentos em um pequeno tratado intitulado de Monologion, em volta da existência objetiva do universal. Para ele, “as nossas noções sobre bondade, justiça e verdade são relativas e somente têm significação quando em confronto com alguma bondade, justiça e verdade absolutas”. Em seu entendimento, nós não dispomos de regras exatas para julgamento, a não ser que exista o Absoluto, e a nossa ciência, assim como a nossa moralidade, são despidas de base, são vazias. Deus, a bondade, a justiça e a verdade objetivas, é o salvador absoluto, a razão de ser da nossa vida. Como se quisesse levar esse realismo ao extremo, Anselmo prosseguiu em seu trabalho com a elaboração de outra obra intitulada de Proslogion, em que apresenta os seus célebres argumentos, provando ontologicamente a existência do Criador. Deus é o ser mais perfeito que podemos conceber, se Ele fosse apenas uma ideia em nosso espírito, faltar-lhe-ia um elemento de perfeição, isto é, a existência, portanto, Deus, o ser mais perfeito, existe. Note-se que esse raro sacerdote, que está incluído no rol das exceções, limitou-se, acertadamente, a conceber apenas a existência de Deus, sem a pretensão de dar ação à Divindade, em consequência, sem O limitar a um simples ser, como fazem todos os demais sacerdotes que manipulam o seu deus à vontade.

Observamos igualmente essa despretensão em Tomás de Aquino, visto que no tema da sua própria saperologia, ele escreve que a devida apreensão de que “o mais alto conhecimento que temos de Deus nesta vida é saber que Ele está acima de tudo que possamos conceber ao Seu respeito”.

O reformador Wyclif, em sua santa ignorância, escreveu, aliás, acertadamente, que a relação do homem com Deus deve ser direta, pois não pede intermediário. Qualquer pretensão da Igreja ou de um sacerdote a ser um meio necessário deve ser repelida. Neste sentido, nivelou por baixo todos os que se consideram cristãos, quando disse que todos eles são sacerdotes, não precisando de ordenação, pois que não se deve comparar de nenhuma maneira os seres humanos simples e comuns com a classe sacerdotal, que é a classe que mais malefícios trouxe à nossa humanidade, pois que além de ser a mais falsa e enganadora, é a maior semeadora da ignorância neste mundo, e que representa o poço mais profundo em que se aloja a insinceridade, em todos os tempos. Evidentemente, ele desconhecia a existência dos racionalistas cristãos.

Diz Montaigne que é presunção do homem julgar que Deus se assemelha a ele, ou que os negócios humanos são o centro do interesse de Deus, ou que o mundo existe para servir a ele, o homem. No entanto, ele se refere ao fato dos teólogos quererem estudar e quererem imaginar que Deus é assim e assim outro, desta e daquela maneira, em cada um dos credos que seguem, por isso ele vem afirmar que é ridículo supor que o seu espírito possa sondar a natureza de Deus. E assim se expressa:

Oh! Homem insensato que não pode fazer um verme e ainda assim, quer fazer deuses às dúzias!”.

Em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, Luiz de Mattos sentiu Deus tanto em si mesmo como na própria natureza, mas Kepler, sentindo apenas um pouco de Deus em todas as coisas da natureza, e sentindo ainda mais a Divindade em si mesmo, assim se expressou:

O meu desejo é poder perceber o Deus que encontro em toda parte do mundo exterior da mesma maneira que o encontro dentro de mim mesmo”.

De mim, afirmava Sócrates, penso que de nada necessita a Divindade, que quanto menos necessidades se tenha mais nos aproximamos Dela, e como a Divindade é a própria perfeição, quem mais se avizinhar da Divindade, mais próximo estará da perfeição. Isso explica o fato de que aqui, neste mundo, não podermos afirmar nada a respeito de Deus, além, é claro, da Sua existência e das Suas Substâncias, assim como das suas correlações, pelo menos inicialmente, que como essência que somos vamos adquirindo parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, à medida que vamos evoluindo.

Segundo Aristóteles, se as analisássemos uma por uma as circunstâncias das nossas ações, elas se nos mostrariam triviais e indignas dos deuses. Não obstante, todos supõem que eles vivem e, portanto, são ativos. Não podemos concebê-los a dormir como Endimião. Ora, se a um ser vivente retirarmos a ação, e ainda mais a ação produtiva, que lhe restará a não ser a contemplação? Por conseguinte, a atividade de Deus, que ultrapassa todas as outras pela bem-aventurança, deve ser contemplativa, e das atividades humanas, a que mais afinidade tem com esta é a que mais deve participar da felicidade.

Burdeau, resumindo sob um determinado ponto de vista o pensamento de Spencer, diz que o absoluto existe, uma vez que o Universo não é senão a sua manifestação, e o progresso, que é a evolução, a sua obra. O absoluto, entretanto, é por sua definição mesma, inconcebível. O homem verdadeiramente religioso, acrescente-se, não credulário, é aquele que vê por toda parte a sua misteriosa ação e não tem jamais o desejo absurdo de penetrar mistérios. Em sua visão, o absoluto não é o grosseiro ídolo que se criam os homens de hoje e que acreditam haver tomado muito belo porque o fizeram à sua imagem e semelhança, mas como ele escapa à nossa inteligência, está acima do nosso ideal mesmo, infinitamente. O que são ao pé Dele esses deuses de que nos falam os autores do nosso pequeno mundo? Aquele que alguns adoram deve ser a causa inconcebível que formou este mundo e os precedentes, e formará todos os mundos por vir, cujas perfeições excedem ao nosso espírito. Assim, o Ser inconcebível é o Ser verdadeiro, Ele obra em tudo e nada existe senão por Ele, fixa a cada um o seu lugar e o seu papel no drama universal. Todos os seres recebem Dele uma tarefa, todo o homem tem Dele uma missão. Todos nós somos obreiros da mesma obra. Os nossos adversários são os nossos associados. Nós não temos inimigos, porém auxiliares que desconhecemos e que nos desconhecem. Daí este preceito que resume todos os preceitos: completa a tua parte na obra e deixa que os outros completem a sua. Respeita o absoluto neles em ti mesmo. Que os seres compreendam a sua origem comum, o seu destino comum, a sua fraternidade.

Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 1º Volume, as páginas 345 a 347, fazendo uma interessante e maravilhosa confusão entre o Ser Total, que é a Essência, e as Suas Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz, diz o seguinte:

Deus é a Força… Deus é a Luz…

Daí o nome de Religião, que em falta de outro equivalente julgo conveniente aplicar ao culto do verdadeiro Deus que é, na natureza, a Luz, na consciência, a verdade. É a única religião de que poderá resultar consolo permanente para todos os que sofrem, bem como remédio pronto e seguro para todas as desgraças, porque é a que reflete a verdade universal que enche o mundo (como que se referindo na época ao Racionalismo Cristão, digo eu e grifo). Todas as outras (referindo-se ele aos credos e as suas seitas, digo eu), que são vagas aspirações do mesmo culto, umas todas misturadas de antropomorfismo, outras mais ou menos purificadas dos erros e superstições, devem ser tratadas com tolerância e respeito, enquanto praticadas de boa fé, mas todas hão de ceder o lugar à verdade que só pode ser uma (o Racionalismo Cristão, digo eu).

E digo: Deus é o que há de mais claro e visível na natureza: Deus é a Luz”.

Em sua obra, Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 14 a 19, vem novamente Farias Brito com a sua interessante e maravilhosa confusão, reafirmando que Deus é a Luz, mas sem atentar que a nossa humanidade ainda vive na fase da imaginação, representando tudo através de imagens, por isso ele se utiliza dos termos concepção e ideia, quando, na realidade, a nossa humanidade ainda vai ingressar na fase da razão, para que assim possa formar a sua concepção, de onde poderá formular as suas ideias, as quais têm que ser comuns a todos, em que se expressa da seguinte maneira:

Deus é a Luz; e isto está de acordo com a significação etimológica da palavra Deus que, como se sabe, vem do sânscrito diaus, que quer dizer ar luminoso. É da mesma palavra que se origina o vocábulo dia. Isto pelo menos no grupo linguístico que se prende ao latim e ao grego.

A concepção ainda hoje preponderante de Deus, foi uma ideia criada em relação ao corpo do mundo, na mesma proporção que a alma em relação ao corpo do homem. Neste sentido, Deus era a alma do mundo. Com o tempo essas ideias passaram por modificações sucessivas e por fim deu em resultado o Deus do monoteísmo moderno, mecânico do Universo, autor pessoal da matéria e das almas. Era o homem criando Deus à sua imagem e semelhança; era o estabelecimento definitivo do prejuízo antropomórfico.

Neste ponto de todo estava já mistificada a verdade natural.

O criador é uma vontade estranha à natureza, uma força de que o mundo depende, mas que é, de todo, sem ligação com o mundo, um nome apenas, uma ideia abstrata sem nenhuma significação objetiva; um princípio a que tudo se deve ligar, mas que é absolutamente inacessível ao nosso conhecimento. Ora, daí para a negação da divindade vai apenas um passo. E foi assim que, perdida a primitiva consciência divina, o homem começando por transportar Deus para fora do mundo, terminou por negá-lo.

Mas negar Deus é negar a ordem moral, é suprimir a razão no mundo, já o tivemos de afirmar e ninguém o poderá seriamente contestar”.

E continua o ilustre cearense, no 2º Volume, agora as páginas 166, 167, 179, 180, 181, 195, 214, 215, 220 e 233, dizendo o seguinte:

… Vacherot… observa que Malebranche… ‘Em sua doutrina’, acrescenta ele, ‘…o filósofo platônico não cessa de repetir que OS SERES FINITOS E INDIVIDUAIS NÃO SÃO SENÃO PARTICIPAÇÕES DO SER INFINITO E UNIVERSAL (grifo e realce meus)’.

Só há, pois, segundo Spinoza, um meio para chegar ao conhecimento da verdade, ou, como diria em linguagem moderna, para estabelecer sobre base positiva o conhecimento científico (leia-se religioso, digo eu): é a dedução. Mas, para deduzir com segurança, necessário é partir de uma verdade primeira, fundamental. Esta, como é intuitivo, não é derivada, mas originária; não vem por dedução, mas por percepção imediata (grifo meu); não é o resultado da especulação dialética, mas um produto espontâneo, direto, da intuição intelectual (leia-se criptoscópica, digo eu) pura.

Finalmente vem a percepção imediata da própria essência das coisas, e com esta, a posse da verdade, ou como se exprime o próprio Spinoza, a percepção adequada e infalível. E desta somente é que se pode fazer uso com segurança, pois só aí começa a esfera superior do conhecimento, o domínio da razão, livre das fantasmagorias da imaginação e incerteza dos sentidos.

… a filosofia de Spinoza. Para este, o milagre é um absurdo; o sobrenatural, uma noção sem sentido. É uma verdade dizer que nada sucede senão por decreto divino; mas são as leis universais da natureza que constituem os decretos de Deus. ‘Se, pois, um fenômeno se produzisse no Universo, que fosse contrário às leis gerais da natureza, seria o mesmo fenômeno contrário aos decretos divinos; e do mesmo modo, se Deus obrasse contra as leis da natureza, obraria contra a sua própria essência, o que é o cúmulo do absurdo’. 

Assim, a extensão é um atributo de Deus; mas considerada como atributo divino, a extensão não é tal ou tal extensão, mas a extensão em si mesma, isto é, toda a extensão, a extensão fora de todo o limite, como fora de todo o movimento, ou como disse Emile Saisset ‘a imóvel e indivisível imensidade’.

Em outros termos: Deus pode ser considerado em si mesmo ou em suas afecções. Considerado em si mesmo é infinito e absolutamente indeterminado; mas considerado em suas afecções, CONSTITUI UMA INFINIDADE DE SERES FINITOS E DETERMINADOS (grifo e realce meus).

… diz Emile Saisset: ‘O eleatismo negando o finito e o materialismo negando o infinito, resolvem as dificuldades, tratando-se de uma explicação das relações entre o infinito e o finito? Não: eles não a veem; é a infância do espírito humano’.

… Descartes fazia da alma privilégio exclusivo do homem. Segundo ele só o homem tem alma; e todas as outras coisas são inertes, mesmo os animais. Vem Spinoza e diz: todo o corpo tem alma. Não ficará com isto em extremo rebaixada a natureza humana? Não; porquanto se é certo, por um lado, que todo o corpo tem alma; também é certo, por outro lado, que os corpos formam uma escala crescente de complicação e perfeição em sua composição: daí inúmeras distinções; daí uma escala ascendente de perfeição para a alma, DESDE A ALMA GROSSEIRA DOS MAIS SIMPLES AGREGADOS MATERIAIS, até a alma do homem que tenta resolver os segredos da natureza e dar decifração do enigma do mundo (grifo e realce meus)”.

As propriedades da Força e da Energia se combinam em todos os estágios, formando os fluidos, que muitos denominam de éter, enquanto que a propriedade da Luz penetra e coordena a tudo. Em função disto, vem Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 3º Volume, as páginas 156 a 163, dizer o seguinte:

“O éter é, pois, o princípio criador, o éter é Deus.

Eis, pois, Haeckel, intransigente e livre pensador, um dos mais notáveis representantes do materialismo contemporâneo, teosofista e deísta! Deus é o éter — eis a última afirmação da sua filosofia monista.

De maneira que se dizendo: — Deus é Luz —, isto significa a mesma coisa que dizer: — Deus é o éter —, com esta única diferença: que a noção da luz é mais clara, mais precisa, mais facilmente compreensível. E eu não apresentei uma ideia inteiramente nova e estranha, porquanto S. Tomás de Aquino, o mais autorizado representante da fé revelada, já havia dito positivamente: — Deus é a Luz.

Vem Haeckel e acentua: — Deus é o éter… o que é digno de nota é que é do seio mesmo do materialismo que surge, mais uma vez, a ideia de Deus, como se vê aqui pelo órgão (leia-se órgão mental, digo eu) de Haeckel, do mesmo modo que foi também do seio do materialismo que surgiu também nos nossos dias, pelo órgão de Frederico Nietzsche, a noção da imortalidade com a ideia da volta eterna.

Essa questão é gravíssima, por onde se vê que ‘a colossal questão da natureza do éter’, como a chama Henri Hertz, encerra o ponto capital do problema do Universo. Todavia, pouco se sabe sobre a verdadeira significação deste princípio. Pode-se considerar como um fato positivo a existência do éter, mas nada se pode ainda afirmar sobre a sua constituição e essência. Conhecem-se os seus efeitos maravilhosos; mas ainda não se pôde determinar com segurança a sua verdadeira natureza.

Dando-se ao éter todas estas extraordinárias propriedades, logo se compreende que é dele que tudo parte, não se podendo recorrer a outro princípio de explicação. O éter é a fonte de onde, em última análise, emanam todas as coisas; o éter é o princípio supremo. Quer tudo isto dizer: o éter é Deus.

Temos, pois, Haeckel teísta! Parece bem estranho, não é assim? Entretanto, o fato é este mesmo. É verdade, porém, que este teísmo pouco adianta para os teólogos, nem há aí ganho de causa para a Teologia, porque o filósofo não só identifica o seu teísmo com o panteísmo, como… ‘Não há Deus, nem deuses’, diz ele, ‘se designamos por este termo seres pessoais existentes fora da natureza’. E desenvolvendo esta ideia, observa que esta concepção coincide, quanto aos pontos essenciais, como monismo ou panteísmo das ciências naturais, sendo que apenas se distingue neste ponto: que lhe dá uma expressão diferente, pondo em evidência a não existência da divindade extramundana ou sobrenatural.

Haeckel se exprime: ‘Durante toda a Idade Média, sob a tirania sanguinolenta do papismo, o ateísmo foi perseguido pelo ferro e pelo fogo como a forma mais aterradora da concepção do Universo. Como no evangelho o ateu é completamente identificado ao mau, sendo ameaçado na vida eterna — por uma simples falta de fé — das penas do inferno e da condenação eterna, compreende-se que todo bom cristão tenha evitado cuidadosamente a menor suspeita do ateísmo. É desgraçadamente uma opinião, ainda hoje acreditada em muitos meios. O naturalista ateu que consagra as suas forças e a sua vida em busca da verdade, é tido, de antemão, por capaz de tudo o que é mal; o devoto teísta que assiste sem pensamento a todas as cerimônias vácuas do culto papista, passa já, somente por causa disto, por um bom cidadão, mesmo quando não represente a sua crença nenhum pensamento, e mesmo quando, ao lado disto, pratique a moral mais repreensível. Este erro não se explicará senão no século XX, quando a superstição ceder, de mais a mais, O PASSO AO CONHECIMENTO DA NATUREZA PELA RAZÃO (através da minha explanação do Racionalismo Cristão, digo eu, que grifo e realço).

A questão da criação, ‘o maior e o mais difícil entre todos os enigmas’, no dizer de Haeckel.

Tudo, porém, pode-se resolver muito facilmente e quase que se pode dizer, por uma simples penada, uma vez adotada a fórmula: evolução. Eis, pois, a chave para a solução do problema: tudo se forma e tudo se deve explicar por evolução.

É, pois, por evolução que se explica A VARIEDADE DAS COISAS (grifo e realce meus). Não é simples, não é lógico, não é racional? Só resta admirar que se tenha levado tanto tempo para chegar ao conhecimento de uma coisa tão clara. E resulta daí uma arte nova, UMA MORAL NOVA, UMA RELIGIÃO NOVA. Trata-se efetivamente de uma fórmula que tem o poder de uma vareta mágica (grifo e realce meus)”.

Descartes faz uma demonstração a priori: eu tenho a ideia de um ser perfeito, logo este ser existe, porque se não existisse, faltar-lhe-ia o atributo da existência e, neste caso, não seria perfeito. E faz também uma demonstração a posteriori: eu tenho a ideia de um ser perfeito, logo este ser existe, porque para que exista a sua ideia em mim, é preciso que o próprio ser perfeito exista também como causa da ideia fora de mim.

Aquele que possui alguma tendência para perceber a verdade, ou mesmo para compreender a sabedoria, mesmo que disso ainda não saiba, por não sentir em si mesmo, já que todos, em suas evoluções espirituais, almejam alcançar a razão, coordenando a ambas, é preciso que se esforce por raciocinar fora do âmbito da imaginação, pois que na representação por imagens se encontra a irrealidade, e que se esforce ainda mais por formar a sua concepção, de onde se formulam as ideias racionais dentro do âmbito da realidade. Tendo formado a sua concepção, poderá constatar que a verdade já demoliu com todos os edifícios sociais que foram construídos com base na ilusão da matéria e no devaneio do sobrenatural, e que agora a sabedoria está construindo um novo edifício social com base na razão, onde se poderá encontrar a existência eterna e universal e a organização do verdadeiro Deus no seio da nossa humanidade. Assim, deve seguir criteriosamente a sábia recomendação de Huberto Rohden, quando em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, a página 9, ele diz o seguinte:

Deve o estudante de Filosofia se revestir de uma frígida objetividade, de uma couraça de racionalidade serena, calma, neutra, imparcial, na certeza de que as folhas de outono que violentas rajadas lhe arrancarem passarão a ser substituídas, na primavera, por folhas novas e mais belas, precursoras de flores e frutos abundantes. É necessário que se realize essa impiedosa demolição ideológica, para que um edifício mais sólido e belo possa surgir, aos poucos, no meio das ruínas. Não se esqueça ele, todavia, que não se demole para demolir, mas sim para construir. A demolição não é um fim em si, mas um meio para outro fim, superior. TODA EVOLUÇÃO É PRECEDIDA DE UMA ESPÉCIE DE REVOLUÇÃO (grifo e realce meus). Se nunca ninguém dissesse senão aquilo que os outros disseram, nenhum progresso seria possível, e a humanidade marcaria passo, eternamente, no mesmo plano horizontal.

É possível que a Filosofia afaste um estudante do seu Deus — mas não de Deus; esse seu Deus não passa, talvez, de um pseudoDeus, que tem de ser destronado para que o Deus verdadeiro, o Deus da Verdade Absoluta, possa lhe tomar o lugar”.

É óbvio que, até hoje, os seres humanos ignoravam as Substâncias de Deus, em cujo conjunto o Ser Total, é a Essência, e a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Suas Propriedades. Somente nos Mundos de Luz, que Jesus, o Cristo, denominava de céu, é que se pode apreender algo mais a respeito de Deus. Mas, ao invés de tirarem de si mesmos tudo o que se refere a Deus, já que têm as Suas mesmas Substâncias, inclusive os espíritos quedados no astral inferior, os seres humanos, por se encontrarem ainda na fase da imaginação, projetam uma imagem de Deus para fora de si, tentando defini-Lo, sem que jamais consigam lograr a esse intento. Discorrendo acerca do assunto, Huberto Rohden, na mesma obra, as páginas 33 a 38, mesmo ignorando tudo isso sobre Deus, diz o seguinte:

Todas as chamadas ‘definições’ de Deus são outras tantas confissões da sua indefinibilidade: a Realidade (grifo meu), o Númeno, a Causa Prima, o Absoluto, o Infinito, o Eterno, o Todo, o Movente Móvel, o UltraSer, a Razão Cósmica, o Logos, o Nous, a Alma do Universo, Yahveh (Jehovah), Dyaush, Deus, Theos, Zeus, Deus-Pater (Júpiter), God, Goot, El, Iluh, Allah, Brahman, Tao, Luz, Vida, Amor — todos estes e mil outros nomes são heroicas tentativas de nominar o inominável, de colher o Infinito em um receptáculo finito.

Jesus de Nazaré, o Vidente da Realidade Absoluta e da Beleza Eterna, ele, o ‘mais profundo filósofo e supremo artista’, como lhe chama Mahatma Ghandhi, dá ao grande Anônimo de mil nomes o afetivo título de ‘Pai’ e a tudo o que a Ele se refere a designação de ‘reino de Deus’, ‘reino dos céus’.

A Verdade, a Realidade, é, pois, a Infinita Atividade Criadora, a Consciência Universal, da qual todos os seres reais receberam a sua parcela de consciência individual (grifo meu). Não existe ser algum que não seja de algum modo consciente, embora o seja em tão primitivo grau que, visto da altura da nossa autoconsciência humana, pareça-nos inconsciente.

Um Deus que não fosse criador também não seria Deus, porque todo ser passivo é um não-ser. Ser quer dizer agir. Ser é viver — e todo viver é dinâmico, a essência da vida é energia (grifo meu).

Ora, como Deus não podia ser Criador sem criar algo, algo foi criado ab aeterno. Se o nosso universo é esse algo, segue-se que o universo foi criado ab aeterno.

De maneira que podíamos definir a Absoluta Realidade (Deus) como sendo a Pura Atividade, ou Atualidade — o ‘actus purus’ de Aristóteles, ou A ‘FORMA’ SEM ‘MATÉRIA’ ALGUMA (grifo e realce meus).

O que o mundo tem de real ou bom vem de Deus, o que o mundo tem de irreal ou mau vem do Nada (vem da imaginação das suas partículas, porquanto o nada não existe, digo eu).

Naturalmente, em um mundo realizado como o nosso, essa ausência de realidade não é total e absoluta senão apenas parcial e relativa; a ausência total e absoluta da realidade seria o Nada, a irrealidade (e aqui o autor confirma a inexistência do nada, pois que a irrealidade não existe, estando apenas na imaginação dos seres humanos, digo eu).

Todo o mal consiste, pois, em uma irrealidade parcial e relativa. O grau da sua imperfeição é o grau da sua irrealidade; o grau da sua realidade é o grau da sua perfeição (grifo meu).

O Bem infinito é a Realidade Absoluta, Deus.

O Mal infinito é a irrealidade absoluta, o Nada (não existe o mal infinito, portanto, o mal está na ignorância, na irrealidade da imaginação, digo eu).

O Bem finito — que é ao mesmo tempo o Mal finito — é um misto de Realidade e Irrealidade, o Mundo.

Um mundo absolutamente bom, perfeito, sem males, seria Deus.

Um mundo absolutamente mau, seria o Nada.

Nenhum mundo real pode ser absolutamente bom nem absolutamente mau.

Os que se queixam dos males do mundo e por esta razão pretendem ser ateus, não sabem o que fazem. Pretendem algo intrinsecamente impossível. O seu chamado ateísmo é simplesmente o resultado da sua profunda ignorância e falta de lógica. A exemplo de D. Quixote de la Mancha, lutam, a noite toda, contra moinhos de vento que tomam por feroz inimigo — até que, findas as trevas do erro e despontando a luz da verdade, descubram o seu engano, se é que o descobrem…

O ateísmo é filho legítimo do erro e da ignorância.

A sabedoria, que é a intuição clara da realidade, não pode ser ateia.

A REALIDADE É UMA SÓ — O CONTATO COM ELA É A VERDADE (grifo e realce meus). A posse da Verdade é que faz o possuidor livre. No mundo irracional, onde o contato com a Última Realidade é impossível, não pode haver liberdade. A liberdade começa lá onde amanhece a verdade — no mundo consciente do homem.

Nenhum homem ignorante da verdade é livre (grifo meu), embora viaje desimpedidamente por todos os continentes, mares e ares do globo.

Nenhum homem possuidor da verdade é escravo ou cativo (grifo meu), ainda que passasse a existência toda por detrás de barras de ferro ou prostrado em um catre de hospital.

A Verdade de que Jesus fala é a Realidade Absoluta — Deus.

Conhecer esta Realidade é conhecer a Deus (grifo meu) — e isto é ser livre no mais alto sentido da palavra. É esta a ‘gloriosa liberdade dos filhos de Deus’.

E é nisto que está o supremo destino do homem.

O Nazareno proclama: 1) A EXISTÊNCIA DA VERDADE; 2) A COGNOSCIBILIDADE DA VERDADE; 3) A FUNÇÃO LIBERTADORA DA VERDADE CONHECIDA: ‘CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ’ (grifo e realce meus). Vai nestas palavras lapidares uma inteira filosofia da vida.

A verdade é, em poucas palavras, a harmonia entre o pensamento e a realidade.

Como se vê, a verdade ou o erro começam onde começa o pensamento… no mundo dos sentidos não há verdade… HÁ TÃO SOMENTE IGNORÂNCIA DA REALIDADE (grifo e realce meus), uma vez que a Realidade não é objeto de percepção sensitiva.

Pela intuição racional (ou espiritual) entra o homem em contato direto e imediato com o Todo, a Realidade absoluta, total, indefinida, eterna, onipresente”.

É certo que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade têm que ser apreendidos por um saperólogo, a fim de que ele assim consiga uni-los com as suas experiências físicas acerca da sabedoria, para que então possa formar a sua concepção acerca da realidade, alcançando a razão, tornando-se um ratiólogo, ou um ser universal, quando então pode formular uma ideia precisa a respeito de Deus, tirando de si mesmo tudo aquilo que se refere ao Criador, tal como assim procedeu Jesus, o Cristo, sendo guardadas, é óbvio, as devidas proporções evolutivas. O próprio Tomás de Aquino sustenta que somente se pode demonstrar a Deus unicamente mediante a razão, partindo da experiência. E é justamente o que esta minha explanação de A Filosofia da Administração para toda a nossa humanidade ora está realizando, em plena e total conformidade com a razão.

Como todos nós somos as criaturas do Criador, os seres do Ser Total, os filhos de Deus, que evoluímos em ascendência ou em retorno ao nosso Pai, como Jesus, o Cristo, assim O chamou, e não este explanador quem assim está chamando, mas que no futuro certamente também deverei chamá-Lo, sem qualquer sombra de dúvida, daí a razão pela qual Pitágoras vem afirmar que ninguém pode conhecer a Divindade sem ser aquilo que ela é. Isto tudo justifica plenamente a evolução de todos os seres, que sendo partículas da Essência de Deus, que é o Ser Total, evoluem adquirindo cada vez mais as Suas Propriedades. A lei do conhecer e o princípio do experimentar determinam todo o saber que se encontra contido no ser, ressaltando e identificando o estágio evolutivo em que ele se encontra na atualidade. A completa identificação com o infinito no plano do ser, em sua marcha ascendente para a Inteligência Universal, ou em retorno para o Criador, é que faculta ao ser humano a possibilidade de ter a verdadeira noção do infinito. Só se pode saber aquilo que se é, em corolário, não se pode saber aquilo que não se é, o que implica em dizer que somos aquilo que determina o nosso estágio evolutivo, em relação a Deus. O ser, pois, é a chave para o saber.

Ora, o ser é uma partícula do Ser Total, então a nossa inteligência é parte da Inteligência Universal, em razão disso nós estamos nos alçando em marcha ascendente para Ela, no decorrer do processo evolutivo universal. Então, por que a partir de um determinado estágio da nossa evolução, nós não podemos tirar de nós mesmos, da nossa inteligência, tudo aquilo que se refere à Inteligência Universal, e que se encontra em nós mesmos? Jesus, o Cristo, assim não procedeu, tirando de si mesmo tudo aquilo que se refere a Deus, chamando-O de Pai?

Considerando que apenas com esta explanação de A Filosofia da Administração, Deus está sendo agora devidamente organizado perante toda a nossa humanidade, com a identificação das Suas Substâncias, que são também as nossas mesmas substâncias, não estando, pois, Ele ainda organizado pelo próprio Racionalismo Cristão, em sua forma de doutrina, portanto, também a própria constituição do Universo, em virtude da não identificação plena das Suas Propriedades, mas que aqui o teor do assunto se refere à Inteligência Universal, e não ao Universo em si, a sua obra básica denominada A Verdade Sobre Jesus, as páginas 244 e 245, afirma o seguinte:

Em toda esta obra se ensina que o espírito é uma pequenina fração da Inteligência Universal, evoluindo (grifo meu). Nela também se demonstra ser a constituição do Universo baseada em dois únicos princípios — Força e Matéria (leia-se Energia, ao invés de matéria, digo eu) — o primeiro dos quais enchendo o espaço infinito, e incitando e movimentando todos os corpos (estas movimentações representam ação, que é a função da propriedade da Energia, digo eu).

Esse primeiro princípio é apresentado, nesta obra, sob uma denominação comum: Força, Inteligência Universal ou, ainda, Grande Foco.

Força, é a expressão empregada quando da sua associação com a Matéria (leia-se Energia, digo eu), e Grande Foco (leia-se Luz, digo eu), quando se quer exprimir o Agente Universal, na sua concepção infinita. São, porém, termos sinônimos, de igual sentido (pelo fato de serem as Propriedades de Deus, digo eu).

Não se pode expressar a grandeza infinita de um valor absoluto, com palavras de sentido relativo, como são as da linguagem comum.

Grande Foco, dá a ideia de Luz, e também de intensidade de brilho”.

Luiz de Mattos, como que prevendo a minha explanação acerca do Racionalismo Cristão, ao afirmar que nela eu provaria a formação do Universo, como realmente estou provando, para justificar a afirmativa do espírito da verdade, sem qualquer margem para alguma dúvida, comprova ao seu modo que viemos do Ser Total e retornamos para Ele, de posse das Suas Propriedades, quando em sua obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, as páginas 208 e 209, diz o seguinte:

Assim sendo, ignoravam esses infelizes obsedados — esses charlatães de todas as épocas, profetas e sábios a título negativo, esses Antônios Conselheiros e monges Rasputines, bêbedos e pornográficos da pior espécie, COMO PROVAREMOS EM OCASIÃO PRÓPRIA — A COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO (grifo e realce meus), e, portanto, o que fosse a existência da alma, a suprema força, a suprema inteligência, a suprema luz, que, então, como hoje e como sempre, tudo incita e movimenta, somente para o bem, para o progresso de tudo quanto vida tem, quer neste Planeta, quer nos grandes e evoluídos, que no infinito rolam. Ignoravam também o que fossem as leis comuns e naturais, por Ele decretadas para tudo regularizarem, para tudo impulsionarem para o bem, para a perfeição suprema e, com ela, que é Ele, se confundirem, POR TUDO PARTIR DE UM PONTO E TER DE VOLTAR AO MESMO PONTO DE PARTIDA (grifo e realce meus)”.

O Padre Antônio Vieira, esse grande orador, que não tinha a natureza de sacerdote, pois que como tal encarnou para sentir em sua alma todos os malefícios decorrentes dessa atividade mundana, nefasta e sobrenatural, para que assim pudesse planejar em plano astral o Racionalismo Cristão, sendo, portanto, um intelectual, já que é o intelectual quem planeja, com base na experiência, em 1640, na Bahia, no sermão de Nossa Senhora do Ó, tratando a respeito de Deus, assim afirmou:

Comparai-me o mar com o dilúvio. O mar tem praias, porque tem limite; o dilúvio, porque era sem limites, não tinha praias.

Assim, a imensidade de Deus, quanto a comparação o sofre. Esta, a imensidade de Deus, no mundo e fora do mundo, está em todo o lugar, e onde não há lugar, está dentro, sem se encerrar, e está fora, sem sair, porque sempre está em si mesmo: — o sensível e o imaginário, a existência e o possível, o finito e o infinito, tudo enche, tudo inunda, por tudo se estende… E até onde?

Até onde não houver mais onde: sem termo, sem limite, sem horizonte, sem fim e, por isso, incapaz de circunferências”.

Como todo o Universo é formado pela propriedade da Força, que contém o espaço, e pela propriedade da Energia, que contém tempo, com ambas as propriedades formando as estrelas, fornecendo as suas coordenadas, em que a propriedade da Luz penetra em todas essas coordenadas universais. E como sendo essência, adquirimos essas propriedades, à medida que vamos evoluindo como inteligência, ascendendo para a Inteligência Universal, adquirindo as propriedades da Força e da Energia, nós vamos tendendo a representar o Universo em nós mesmos, pois que o próprio Universo tende a estar contido em nossa alma, em que com a nossa luz astral penetramos em todas as suas coordenadas.

Então, assim tal como o Criador, como sendo as suas criaturas, nós tendemos a estar em toda a parte, pois que em nossa evolução nós buscamos a onipotência, através da propriedade da Força, a onipresença, através da propriedade da Energia, e a onisciência, através da propriedade da Luz.

Tratando acerca de Deus, Luiz de Mattos, em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, as páginas 134 e 135, afirma o que se segue:

E assim conhecendo e atentamente observando e amando a Natureza, em todas as suas manifestações, se reconhecerá que a Inteligência Universal é Luz, e se compreenderá como Ela está em toda a parte.

O Grande Foco ou a Inteligência Universal, está em toda parte, porque o seu todo anima, movimenta e desenvolve os seres e as coisas, e é obreiro e artífice de todos os mundos que se movimentam no Espaço.

Está em toda parte, porque sem a Força o que seriam a Terra, os mundos, o espaço e tudo, desde os minúsculos insetos, aos mais alentados habitantes da floresta, desde as mais pequeninas, às mais grandiosas coisas?

O Grande Foco está em toda parte, porque tudo o que vive, contém uma parcela, embora pequena, de Força (e Energia, digo eu). Sendo, pois, a Força (e a Energia, digo eu) a vida de todos os seres, de todos os corpos, atua em todas as coisas (por isso Ele é a Coisa Total, digo eu e grifo) e se manifesta em todos os reinos da Natureza”.

O potencial latente que se encontra na essência vai sendo revelado por intermédio da aquisição das propriedades, no decorrer do processo evolutivo. Por exemplo, a produção da sensibilidade e depois do sentimento, através da propriedade da Força, a produção do sentido e depois do pensamento, através da propriedade da Energia, e a produção da amizade e depois do amor espirituais, através da propriedade da Luz. Tudo isso emana da Inteligência Universal para as suas partículas, ou seja, do Criador para as Suas criaturas, da Coisa Total para as suas coisas. Comprovando a filiação que existe entre a nossa inteligência e a Inteligência Universal, quando cada vez mais nós vamos ascendendo para Ela, conforme vamos evoluindo, Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, a página 26, afirma essa filiação assim:

O Pensamento é um Poder da Inteligência Universal multipartido entre os seres, por onde se constata a filiação que existe entre a partícula e o Todo”.

É sabido que é a Veritologia quem trata da propriedade da Força, de onde surgem todas as religiões, com ambas sendo as responsáveis por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, estas últimas em relação às parcelas do Saber, e aquela em relação ao Saber, por excelência. Que é a Saperologia quem trata da propriedade da Energia, de onde surgem todas as ciências, com ambas sendo as responsáveis por compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, com estas últimas em relação às parcelas do Saber, e aquela em relação ao Saber, por excelência. E que é a Ratiologia quem trata da propriedade da Luz, de onde surgem as religiociências, com ambas sendo as responsáveis por coordenar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, com estas últimas em relação às religiões e as ciências, que tratam das parcelas do Saber, e aquela em relação à Veritologia e a Saperologia, que tratam do Saber, por excelência, por onde se alcança a razão. Tudo isso vai se encontrar posto com mais detalhes no decorrer de toda a minha explanação do Racionalismo Cristão, contida no site pamam.com.br, sendo por isso que ele é um instituto universal, o embrião do instituto do Cristo em nossa humanidade, cujo instituto do Cristo foi estatuído por Deus.

E digo embrião em relação ao Racionalismo Cristão, porque os seres humanos ainda são anticristãos, com a exceção dos militantes da doutrina do Racionalismo Cristão, que pelos menos já possuem uma levíssima noção acerca dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e de alguns poucos outros seres humanos, que embora sejam ignorantes são detentores da boa vontade e procuram praticar sempre o bem, às suas maneiras, razão pela qual ele tem que ser devidamente explanado, pois que lhe faltam as experiências físicas acerca da sabedoria, em que coordenando a verdade com a sabedoria eu pude alcançar a razão, onde se encontra o Saber, por excelência. Daí a fundamentação pela qual eu sou o seu explanador.

Para tanto, ou seja, para comprovar que os seres humanos ainda são anticristãos, basta apenas observar o caos em que as nações ditas cristãs estão vivendo atualmente, sem saberem que todos os seus edifícios sociais se encontram demolidos pela dinamite da verdade, através de Luiz de Mattos, em que todos se encontram nessas ruínas a adorar a um deus bíblico sobrenatural, que ainda é manipulado à vontade pela imaginação da classe sacerdotal, que o manipula ao seu modo, sendo intuída pelo astral inferior, projetando para fora dessa sua imaginação todas as mazelas contidas nesse falso deus, em função das suas baixas intenções.

Mas todos os seres humanos devem ser no futuro cristianizados, não agora, no decorrer desses quatro mil anos que irão se seguir, pois que primeiro eles terão que produzir a amizade espiritual, para que através dela possa emergir a solidariedade fraternal, e assim todos possam ser conscientes da responsabilidade mútua que cada um tem para com cada um, em decorrência para com o todo, e do todo para com cada um, para que assim possa se integrar e se tornar harmônica toda a nossa humanidade. Somente após tudo isto, é que os seres humanos poderão ser realmente cristãos, quando então poderão produzir o amor espiritual, que os possibilitarão a entrar realmente em harmonia com o Universo, em que o amor familiar é apenas um simples arremedo do amor espiritual, ocasião em que poderão ter o seu próprio Cristo em seu meio, que com base no amor espiritual os conduzirá em retorno para Deus, sendo justamente por isso que Jesus, o Cristo, afirmou que somente se poderia chegar ao Pai através dele, não dele Jesus, mas sim do Cristo, que é o único que pode contemplar diretamente a Deus, tirando de si mesmo tudo aquilo que o diferencia do Todo.

É sabido que muitos seres humanos se julgam cristãos, pelo que vociferam tal condição a plenos pulmões, sem que tenham a mínima noção daquilo que representa realmente o cristianismo. Caso eles raciocinassem um pouco mais, e fossem um pouco mais além das suas próprias imaginações, poderiam constatar plenamente que o cristianismo que julgam seguir é ele quase todo praticamente católico, pois que também é seguido pelas suas seitas protestantes, em que os seus condutores sempre foram os famigerados sacerdotes, que formam a classe que mais deturpou os ensinamentos de Jesus, o qual encarnou como Cristo em nosso meio para nos mostrar a existência desse instituto e também do amor espiritual, assim como para que pudéssemos formar o Racionalismo Cristão. É com base nessa deturpação sacerdotal dos ensinamentos de Jesus, o Cristo, que vem novamente Luiz de Souza, agora em sua obra A Felicidade Existe, as páginas 40 e 41, esclarecer a todos os seres humanos sobre o assunto, quando assim se expressa:

A cristianização do cristianismo é medida que se impõe através de uma remodelação geral dos velhos processos adotados, que devem ser substituídos pelos métodos renovadores do presente, apoiados, até mesmo, na ciência que vem desenvolvendo, dia a dia, novos conhecimentos (grifo meu). Sendo, como é, a Força Criadora a Suprema Ciência, as revelações científicas não passam de oportunas manifestações do Grande Foco, que vai se tornando cada vez mais apercebido, com a marcha do progresso.

A Ciência por estar intimamente ligada ao Poder Total, é manifestação da Verdade, servindo também para desvendar os erros do cristianismo atuante, e colocá-lo na sua posição real. Poderá parecer aos mais desprevenidos que a Ciência é produzida apenas pela força intelectual, como se esta não fosse emanação do espírito, que recebe as vibrações (as radiações e as radiovibrações, digo eu) da Inteligência Universal (grifo meu).

O cristianismo dominante se apresenta em consonância com o estado pouco espiritualizado da comunidade que o segue. Ninguém pode dar mais do que tem. Urge, porém, enriquecer os seres humanos de novos conhecimentos de ordem espiritual (grifo meu), a fim de que possam melhorar o seu estado psíquico e consolidar uma posição mais favorável no campo da espiritualidade”.

Como os seres humanos se encontram encarnados aqui neste mundo Terra, que lhes serve de mundo-escola para a depuração dos seus espíritos, para que aqui eles evoluam com mais rapidez, fazendo evoluir também a todos os seres que aqui se encontram, inclusive o próprio planeta, eles ficam restritos à materialidade que os envolve, como é o caso das ciências atuais, imaginando que não se pode comprovar a existência eterna e universal, pelo fato dos seus cientistas presos à ilusão da matéria não conseguirem compreendê-la, ou então criam o devaneio do sobrenatural, imaginando a existência de um paraíso quimérico, onde os que alimentam a tenebrosidade dessa fé credulária serão salvos e para lá serão conduzidos por um suposto deus, e que os ímpios serão exterminados ou queimados para sempre no fogo do inferno, invariavelmente pregado em todos os credos.

Tudo isso retrata fidedignamente a ignorância acerca da vida espiritual, por conseguinte, da ligação eterna que existe entre cada criatura e o Criador. Esta ligação que existe entre cada criatura e o Criador vai se tornando cada vez mais nítida à medida que cada um vai subindo os degraus da escala evolutiva, até que todos consigam reconhecer que são irmãos, em essência, que um irmão não pode jamais desconhecer ao outro, que tanto faz um como o outro, diferenciando-se apenas em relação ao valor que cada um possui, segundo o estágio evolutivo em que se encontra, já que todo o conjunto forma o Todo.

Assim, após a nossa humanidade sair da fase da imaginação e adentrar na fase da concepção, alcançando a razão, todos poderão constatar como é bela a produção da amizade espiritual, por conseguinte, a solidariedade fraternal, a responsabilidade mútua que deve existir entre todos, e tendo começado a produzi-la, poderão também constatar como é belo o amor familiar, mesmo sendo decorrente dos laços carnais, e mesmo sendo um arremedo do amor espiritual. No entanto, a produção do verdadeiro amor espiritual somente poderá ser realizada quando a nossa humanidade tiver o seu próprio Cristo em seu seio, quando a produção da amizade espiritual se encontrar realmente consolidada.

Como tudo aquilo que é inerente ao Criador vai se alojando aos poucos nas suas criaturas, por intermédio do processo da evolução, inclusive o Amor, é óbvio que a nossa finalidade maior é produzir o amor espiritual naquilo que nos cabe, com ele se intensificando cada vez mais, e assim continuando por toda a eternidade. Luiz de Souza, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, as páginas 42 e 43, ensina-nos o que se segue:

A inconformação do indivíduo contra a extinção da vida espiritual, nasce da consciência íntima da sua eternidade, e constitui um traço de ligação perene entre ele próprio e o Todo. Se o Todo é imortal — insiste-se — por que não o há de ser, de igual modo, o indivíduo, sua partícula?

A consciência da eternidade é comum ao Criador e à criatura, constituindo um iniludível traço de ligação perene entre ambos.

Existe, pois, uma correspondência evidente entre a Inteligência Universal e as suas partículas, todas entrelaçadas pelo liame da eternidade.

Outra demonstração que atesta a filiação do Todo às suas partículas, ESTÁ NA MANIFESTAÇÃO DA SABEDORIA. Ninguém porá em dúvida a Sabedoria do Grande Foco, Sabedoria que aflora também no ser humano, EM conformidade com o desenvolvimento por ele alcançado (grifo e realce meus).

Igualmente comum à criatura e ao Criador, é o (a produção do…, digo eu) sentimento (e a produção…, digo eu) do Amor, (com ‘a’ maiúsculo).

Deus, (Grande Foco), é ‘Amor” — afirmam todos os compêndios de metafísica e, com efeito, a Força Criadora só pode ser inspirada nesse nobre e harmonizante sentimento (não é sentimento, leia-se produção do, digo eu).

O ser humano, ainda que de modo imperfeito, oferece testemunho desse sentimento (leia-se produção, digo eu) no maior e mais sublime de todos os amores, que é o amor de mãe”.

É certo que os seres humanos projetam para fora de si a existência dos deuses, ao serem influenciados pelos espíritos obsessores, sendo que hoje em dia cada credo tem o seu próprio deus, sendo ele, às vezes, comum a vários credos, como é o caso do deus bíblico. Tudo isso é decorrente do fato da nossa humanidade ainda se encontrar na fase da imaginação, por isso posta no âmbito da irrealidade, vivendo no âmbito do sobrenatural, que não existe. Então, ao projetar para fora de si um deus sobrenatural, ela o faz projetando também todos os seus atributos individuais inferiores e relacionais negativos, em que se destaca a vaidade, por isso o deus bíblico quer ser adorado, sendo também iracundo, belicoso, vingativo, ciumento, etc., e por isso aparenta querer exterminar ou mandar para o inferno todos aqueles que não comungam com a sua fé credulária, não admitindo a existência de outros deuses, mas a sua verdadeira pretensão é exterminar com a vida no planeta através do fogo, como demonstrarei na obra prolegômena contida no site pamam.com.br. Ora, os seres humanos que são tremendamente vaidosos querem ser reverenciados, propiciados, admirados, querem saliência social, querem ser temidos, querem ser obedecidos, são estupidamente ávidos pelo poder e pela riqueza, e mesmo assim se julgam cristãos, mesmo sabendo que Jesus, o Cristo, vivia na mais completa das pobrezas, daí a razão pela qual surge a adoração e o temor ao deus bíblico e outros. Luiz de Souza, na mesma obra, a página 103, diz o seguinte:

Tem-se por religião (o termo correto é credo, digo eu) um conjunto de regras dogmáticas, rito e liturgias, cujas modalidades variam, dando origem a diferentes crenças.

O mal maior é dedicarem à parte adoratória uma atenção muito maior do que a que diz respeito ao procedimento irrepreensível que todos devem manter na Terra.

A Inteligência Universal não deseja ser adorada, uma vez que não é vaidosa”.

Todos os seres são provenientes do Ser Total, as Suas partículas individualizadas, quando assim adentramos no Universo e passamos a adquirir as primeiras parcelas das propriedades da Força e da Energia, até que após bilhões de anos, quando adquirimos parcelas consideráveis destas duas propriedades, encontramo-nos maduros para adquirir as primeiras parcelas da propriedade da Luz, quando então passamos a adquirir o raciocínio e o livre arbítrio, recebendo a denominação de espíritos a partir desse estágio evolutivo alcançado, cuja denominação é mais por convenção determinada pela verdade, para diferenciar o ser humano dos seres infra-humanos, do que propriamente pela essência que somos todos nós, por igual, pelo que não deixa de estar absolutamente correta. Por isso, se nós somos espíritos, é mais do que óbvio que o nosso Criador também é Espírito, sendo Ele o Espírito Total, como o Ser Total que realmente é o nosso Criador. Vejamos como na mesma obra, a página 172, Luiz de Souza confirma plenamente este meu dizer, quando vem afirmar o que se segue:

O Criador é Espírito, e todos os seres, sem exceção, emanados Dele, são também espíritos; esta realidade deve ser cada vez mais conhecida, com o que se terá a base para o entendimento de outras verdades decorrentes”.

Sendo sabido que a inteligência a Inteligência Universal vai se alojando cada vez mais em nossa própria inteligência, pelo fato de sermos parte Dela e ascendermos cada vez mais para Ela em nossa evolução espiritual, é lógico que devemos tirar de nós mesmos tudo aquilo que seja universal, inclusive a Sua própria existência, assim como também a nossa própria existência. No entanto, como a nossa humanidade ainda não conseguiu ultrapassar a fase da imaginação, tudo aquilo que os seres humanos conseguem entender acerca do que sejam a verdade e a sabedoria, portanto, a razão, é próprio do universo pessoal de cada um, em que a grande maioria se deixa influenciar por uma pequena minoria e pelo astral inferior, por isso não pode deixar de ser maria vai com as outras.

Porém, quando a nossa humanidade começar a abandonar a fase da imaginação e dar início ao ingresso na fase da concepção, alcançando a razão, passando a formular as suas ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, e também formular as suas ideias acerca da realidade universal, tudo mudará na face da Terra, pois os seres humanos passarão a formar as suas próprias consciências a respeito de si mesmos, quando então poderão conceber que Deus se encontra em cada um de nós, podendo assim observar uma parte do verdadeiro Universo em suas próprias almas, pois como o Universo se encontra contido na Inteligência Universal, é lógico que uma parte do Universo se encontra contido em suas próprias inteligências, como não poderia ser diferente. Então a conclusão inevitável a que se chega é que não há verdade, nem sabedoria e nem razão naqueles que se encontram na fase da imaginação. Por isso, vem Luiz de Souza, por fim, ainda na sua mesma obra, fundamental para o estabelecimento da verdade neste mundo, as páginas 310 e 311, fazer a seguinte afirmação:

Não há sabedoria nos religiosos (leia-se credulários, digo eu) que creem em Deus, só porque os outros dizem que ele existe; crer na Inteligência Universal é senti-la na Natureza, É SENTI-LA CADA UM EM SI PRÓPRIO, é encontrar a razão da sua existência nas provas da sua ação (grifo meu)”.

É certo que em nome da ciência eu mergulhei fundo de cabeça no ambiente mundano, não somente para que pudesse sentir em minha alma todo o mal existente neste mundo, para que depois pudesse combatê-lo com eficácia, esclarecendo sobre a vida fora da matéria, espiritualizando a nossa humanidade e resolvendo os problemas do mundo, pois como o Astral Superior declara constantemente nas sessões do Racionalismo Cristão: os tempos são chegados! Com tudo isso, toda a nossa humanidade tem que extinguir a fase da imaginação e ingressar de vez na fase da concepção, alcançando a razão. Mas também para que os tremendos abalos morais que sofri pudessem sacudir a minha alma, não importando se eu me deixei ou não seduzir pelos atrativos terrenos, pois que os sofrimentos, tanto os prazerosos como os dolorosos, são extremamente necessários à evolução espiritual, uma vez que as formas de evoluir são: o estudo, o sofrimento e o raciocínio.

O Dr. Pinheiro Guedes, o grande veritólogo precursor da doutrina racionalista cristã, em sua obra Ciência Espírita, as páginas 28 a 31, após demonstrar que a Medicina, como sendo a arte de curar, deve-se à interveniência dos espíritos de luz, fornece-nos uma grande ideia do ser humano em relação à Inteligência Universal, quando nos ensina o seguinte:

Afirmei e demonstrei que a Medicina, como arte de curar, deve-se à comunicação dos Espíritos; e o fiz me baseando na História.

Essa argumentação, entretanto, ao meu ver, não é a melhor, constitui apenas um elemento de convicção; a ratione, parece-me, a demonstração é mais compreensível, mais convincente, cala mais fundo, torna-se incontestável; os seus argumentos, os elementos de convicção se encontram em toda parte, somente é preciso saber vê-los.

Assim: a dor, o sofrimento, a moléstia, — ninguém o contestará, ninguém intentará, sequer, pô-los em dúvida —, são contingências da vida inerentes à criatura; são consequências inevitáveis, quase necessárias da luta do vivente com a Natureza; do organismo com o ambiente ou o meio em que surge e se desenvolve.

A dor material ou moral, um sofrimento qualquer é, desgraçadamente, uma necessidade da vida, sem isso não haveria progresso; pois que este produto da atividade pela liberdade tem a sua origem na necessidade, que significa falta; falta que representa um sofrimento; sofrimento que traduz a dor.

A existência da primeira família humana, foi, de certo, a mais precária que se possa imaginar.

Seres fracos, ignorantes, desprovidos de tudo, sujeitos às intempéries e às mil vicissitudes da vida: a dor, o sofrimento, a moléstia, foram, sem dúvida, os seus companheiros desde os primeiros anos.

— Em tais condições, como prover às suas necessidades? — Como conjurar os seus males, obviar os sofrimentos, aliviar as dores?

A observação do que ainda se dá em nossos dias, dos fatos que ocorrem por toda parte, cotidianamente, responde a essas interrogações.

Quando sentimos uma dor levamos a mão ao sítio doloroso, instintiva, automaticamente, ou para afastar a causa ou para alívio.

É por essa razão, indubitavelmente, que a Mitologia dá ao pai ou mestre de Esculápio o nome de Chyron; nome derivado do vocábulo grego, que significa mão.

O silvícola recorre ao Pajé, que é o seu sacerdote, o intermediário entre ele e a divindade; aquele que fala com Tupã, de quem recebe ordens e bálsamos.

Ainda mais: quem se sente ferido, aquele a quem a dor punge; esse grita por socorro, mesmo se achando só e em um deserto; pede, implora auxílio: auxílio que só pode vir da sabedoria e do poder infinito, que é Deus, POR INTERMÉDIO DOS EXECUTORES DA SUA VONTADE, QUE SÃO OS ESPÍRITOS (grifo e realce meus).

Deus, Inteligência Suprema, Alma do Universo, só age indiretamente, posto que esteja presente em toda parte (grifo meu).

Assim como o espírito humano está no corpo todo, que é feitura sua, e só age por intermédio dos nervos; assim também se pode afirmar, por analogia, que Deus, Inteligência Suprema, Alma do Universo, que é feitura Sua, só age indiretamente.

É, pois, quer apelando para o auxílio divino direto, instintivamente, o que quer dizer por intuição ou sugestão, porque o instinto é a faculdade intelectiva do espírito; quer recorrendo a um intermediário, o homem primitivo só achou recursos para debelar os seus males na intervenção direta ou indireta dos espíritos.

E, portanto, a Medicina, como arte de curar, é filha legítima do Espiritismo”.

Eu vou aproveitar esse dizer do Dr. Pinheiro Guedes, e logo aqui explanar a razão pela qual os espíritos são os verdadeiros executores da vontade de Deus.

É sabido que Deus é o Todo, sendo Ele o Criador, a Inteligência Universal. Assim, podemos dizer que Ele é o Ser Total, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total. E como o Universo é formado pelas propriedades da Força e da Energia, que formam as estrelas, as quais fornecem as coordenadas universais, em que a propriedade da Luz penetra todo o Universo, pode-se compreender claramente que o próprio Universo se encontra contido em Deus. Ora, o Universo faz parte do Todo, e o todo é Deus.

Nós somos as criaturas do Criador, os seres do Ser Total, portanto, partículas individualizadas da essência, e evoluímos adquirindo as propriedades da Força, da Energia e da Luz, que vão se alojando parceladamente em nossos espíritos, formando a nossa alma. E assim, eu posso afirmar que o Universo também se encontra contido na alma de cada espírito, sendo óbvio que também parcelado, cuja parcela é diretamente proporcional ao grau evolutivo em que ele se encontra. Em inteira conformidade com a lógica, eu posso também afirmar que essa parcela do Universo que se encontra contida em cada espírito, sendo ela diretamente proporcional ao seu estágio evolutivo, enseja a que os espíritos assim possam agir diretamente naquilo que lhes cabe, naquilo que lhes diz respeito, obviamente que sempre obedecendo às injunções advindas das escalas evolutivas mais elevadas, até um determinado estágio evolutivo, para que assim possa haver uma verdadeira interação de âmbito universal, não restrita a apenas determinadas parcelas mais limitadas do Universo que se encontram em cada espírito.

No decorrer de toda a minha explanação do Racionalismo Cristão dirigida para toda a nossa humanidade, contida no site pamam.com.br, eu deverei abordar o assunto relativo à criação dos seres, explanando a que condiz com a realidade posta pela razão, e, em outra ocasião, com a esdrúxula criação que se refere ao sobrenaturalismo, e que condiz com a irrealidade. A natureza merece respeito, e não pode ser objeto da ignorância humana, não pode ser fruto da imaginação de seres humanos ainda muito atrasados, por isso deve ser repelida toda e qualquer representação imaginativa que tenha inventado a sua criação por mágica, através de um deus inexistente, que passou seis dias dizendo: faça-se isso, faça-se aquilo, faça-se aquilo outro; e que nesse simples falar ficou deveras extenuado e foi descansar no sétimo dia em sua cama, deitando feito um vivente qualquer. Toda essa baboseira denigre a nossa inteligência, levanta falso à Inteligência Universal, como se o verdadeiro Deus fosse passível de se cansar, ainda mais com o simples falar, como se Ele tivesse boca, língua e todo o aparelho fonativo, que é próprio do ser humano, por estar encarnado.

Mas enquanto eu não explano tudo isso em seus maiores detalhes, vejamos o que o Dr. Pinheiro Guedes diz a respeito, quando na mesma obra, a sua Ciência Espírita, as páginas 137 e 138, expressa-se da seguinte maneira:

A criação do homem e da mulher, segundo o Gênesis, é profundamente ridícula. Observe-se o absurdo: o Grande Foco (Força Criadora) fazendo operar, como qualquer cirurgião, a tal ablação de uma costela de Adão, operação por demais hospitalar e pueril para ser aceita.

O erro, a tolice, começa pela primeira fase bíblica que diz que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança.

Ora, toda imagem é limitada, por ser a representação, a cópia, a reprodução de uma coisa, de um objeto, de uma figura, enfim.

Essas duas expressões, portanto — imagem e semelhança —, não podem ser tomadas a sério, com relação a Deus (Grande Foco).

Ele é infinito. O que é infinito não é limitado. O que não é limitado não tem figura, não tem forma e não pode formar imagem.

Semelhante ao infinito, só o infinito!

Deus — o Grande Foco, como o queiram chamar, não tem forma, mas os espiritualistas o veem e sentem em toda parte, nas mínimas coisas que se apresentam à sua visão e percepção.

O homem, espírito e corpo, é o microcosmo e representa o Universo em miniatura, porque é constituído dos mesmos elementos.

Deus é, na ESSÊNCIA, puro espírito a animar o Universo (grifo e realce meus). O espírito humano, partícula sua, anima o seu corpo.

Deus é eterno. O espírito é imortal.

Deus é onisciente. A criatura humana é inteligente.

Deus é onipotente. O espírito humano possui vontade.

Deus é absolutamente livre. O espírito humano tem livre arbítrio.

Deus é Criador onisciente, onipotente, (Onipresente, digo eu) eterno, infinito. O espírito humano é criador inteligente, volitivo e também infinito. Atribuir, porém, a Deus a figura material do homem, não é só um absurdo, é profundamente ridículo”.

A organização de Deus perante toda a nossa humanidade deve ser considerada como sendo o passo mais largo já dado neste mundo, portanto, o mais importante em nossa jornada evolutiva, para que todos os seres humanos partam em busca da razão, e consigam alcançá-la em seus principais fundamentos, desde que empreguem algum esforço neste sentido, notadamente no que se refere a um raciocínio mais profundo, através da prática da leitura das obras doutrinárias racionalistas cristãs, para que através delas possam compreender toda a realidade universal por intermédio desta explanação. Os cavoqueiros da verdade, assim como Luiz de Mattos denominava aos seus seguidores, diziam em suas obras que Deus era a Força, ignorando que esta é uma das Suas Propriedades, mas não diziam nessas obras que Deus era a Energia, ignorando a esta outra Sua Propriedade, no entanto tanto eles como muitos outros dizem que Deus é a Luz, ignorando igualmente a mais esta Sua Propriedade.

Ora, sabendo-se que o Ser Total é a Essência, do qual somos partículas, os simples seres individualizados, e que evoluímos através das Suas Propriedades, em que o espaço está contido na propriedade da Força, o tempo está contido na propriedade da Energia, que formam as estrelas, portanto, o Universo, daí a razão pela qual as estrelas fornecem as suas coordenadas, e que a propriedade da Luz penetra em todas essas coordenadas, então Deus penetra em Tudo, porque Nele tudo está contido, e nós, que somos os seres, penetramos no Universo na parte que corresponde ao nosso estágio evolutivo, passando a penetrá-lo cada vez mais à medida que vamos evoluindo, pois que sendo Deus a Inteligência Universal, nós, os simples seres individualizados, do mesmo modo somos também inteligências, em demanda para a Inteligência Universal, como jamais poderia ser diferente, pois que as criaturas tendem a ser iguais ao Criador, ou seja, os seres tendem ser iguais ao Ser Total, podendo dizer ainda que somos deuses tendendo a ser iguais ao único Deus verdadeiro, em nossa busca por penetrar todo o Universo através da nossa luz astral , assim como Deus penetra através da Sua Luz Total.

Vejamos o que disse sobre isso o capitão Felino Alves de Jesus, em sua obra Trajetória Evolutiva, a página 118, quando ele assim se expressa:

Se dissermos ao leitor que a Inteligência Universal é Luz Astral contínua que chega a todos os pontos, a tudo animando, a tudo vivificando, e a qualquer momento, seja dia ou seja noite, talvez um sorriso cético e desdenhoso lhe aflore aos lábios.

Entretanto, os sentidos físicos são muito limitados, e os seres humanos geralmente só creem no que estes sentidos podem constatar.

Se, por exemplo, os raios caloríficos se tornassem visíveis, esconderiam todos os objetos; se pudéssemos constatar visualmente a existência dos raios infravermelhos a natureza se apresentaria aos nossos olhos com aspecto totalmente diverso.

E, no entanto, os raios caloríficos ou infravermelhos são fenômenos puramente físicos. Portanto, com maior razão, não é absurdo se declarar que a Luz Astral, que é um fenômeno espiritual, seja invisível aos olhos físicos”.

Como o autor afirma acertadamente que se os raios infravermelhos se tornassem visíveis a natureza se apresentaria aos nossos olhos com um aspecto totalmente diferente, então ele confirma totalmente o meu dizer que a visão dos olhos da cara dos cientistas não podem retratar a realidade, e tampouco as suas visões armadas com os microscópios e os telescópios, por mais modernos e potentes que eles possam vir a ser. Tudo isto pode ser também constatado nas ocasiões em que os seres humanos observam qualquer coisa com os seus próprios olhos da cara, quando assim eles observam as coisas de uma determinada maneira; e nas ocasiões em que eles observam essas mesmas coisas através dos raios Roentgen, ou raios X, em que a radiovibração eletromagnética de comprimento de onda compreendido entre 10-8 a 10-11 cm, aproximadamente, fazem-lhe ver tudo de maneira completamente diferente. Assim como ainda em relação aos outros tipos de raios com ondas diferentes.

Ora, como os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram no Espaço Superior, que está contido na propriedade da Força, e como as experiências físicas acerca da sabedoria se encontram no Tempo Futuro, que está contido na propriedade da Energia, em que o espaço e o tempo formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas, então é raiando através da nossa luz astral, a qual adquirimos através da propriedade da Luz, que podemos observar a realidade das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, quando penetramos em cada uma das coordenadas do Universo, nelas nos situando e fazendo delas o nosso posto de observação, aonde podemos ter a nossa própria visão realística para podermos contemplar em cada uma dessas coordenadas universais tudo quanto existe. Então é óbvio que somente por intermédio dos raios da nossa luz astral que devemos observar a existência das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, e nunca com os olhos da cara, mesmo auxiliados através de aparelhos, por mais potentes que possam ser, pois que mesmo assim não deixam jamais de ser próprios deste mundo.

Pode-se compreender ainda melhor esta realidade quando se sabe que é por intermédio das vibrações do magnetismo que se investigam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os quais se encontram no Espaço Superior, captando-os através da percepção oriunda do criptoscópio, por intermédio dos sentimentos, que produzem as mesmas vibrações magnéticas, com tudo isso se dando no âmbito da propriedade da Força. E que é por intermédio das radiações da eletricidade que se pesquisam as experiências físicas acerca da sabedoria, as quais se encontram no Tempo Futuro, criando-as através da compreensão oriunda do intelecto, por intermédio dos pensamentos, que produzem as mesmas radiações elétricas que correspondem às vibrações magnéticas dos sentimentos, com tudo isso se dando no âmbito da propriedade da Energia.

Então, é com a consciência coordenando o criptoscópio e o intelecto, que os raios da nossa luz astral penetram a cada uma dessas coordenadas, formando a nossa concepção, de onde formulamos as nossas ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Assim, como se pode facilmente constatar, os nossos olhos da cara não reúnem as condições necessárias para formular uma ideia precisa do que quer que seja, servindo apenas para que as coisas, os fatos e os fenômenos deste mundo sejam representados na imaginação, já que a nossa humanidade raciocina apenas através das representações de imagens, e nada mais além disso.

É por isso que os seres humanos mais evoluídos, na tentativa por formar as suas concepções acerca da realidade, já não mais imaginam, e nesse esforço por alcançar a razão, conseguem constatar a existência de pelo menos duas das Propriedades de Deus, uma vez que os seguidores da verdade se referem tanto à propriedade da Força como à propriedade da Luz, em que através desta última são acompanhados em suas referências por muitos outros estudiosos. É também por isso que eles confundem as Propriedades de Deus com o próprio Deus, sem que consigam se referir à Sua Substância principal, que é a Essência, ou seja, o Ser Total. Referindo-se indiretamente a isso, Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1986, vem assim se expressar:

Para nós, pois, Deus é sinônimo de Luz, mas tenhamo-Lo como Espírito Criador de tudo e, daí, se O apresentarmos como Grande Foco, Inteligência Universal, Supremo Arquiteto do Universo (como chamam os maçons), Força Criadora, parece-nos não vivermos errados”.

Eu tenho a absoluta convicção de que os seres humanos, pelo menos aqueles mais evoluídos, devendo no futuro se estender aos demais, poderão compreender agora que cada espírito, evoluindo por intermédio das propriedades da Força e da Energia, vai formando progressivamente uma parte cada vez mais extensa do Universo em sua própria alma, que nela vai se estendendo sempre mais, à medida que mais parcelas dessas duas propriedades forem se alojando em suas almas cada vez mais, e que evoluindo por intermédio da propriedade da Luz consegue naturalmente penetrar na extensão do Universo que já se encontra contida em sua própria alma, em inteira conformidade com o seu estágio evolutivo. À toda essa extensão do Universo que vai lhe correspondendo progressivamente nesse seu estágio evolutivo em que se encontra, ele tem a consciência plena de tudo aquilo que lhe diz respeito diretamente, quando se encontra em seu Mundo de Luz, com toda a clarividência que lhe deve ser própria, tal como sendo parte integrante de Deus.

Mas estando aqui encarnado neste mundo-escola, o espírito perde quase toda essa sua clarividência, daí a razão pela qual ele encarna para cumprir com as obrigações, os deveres e a missão que lhe correspondem cá neste planeta Terra, os quais são em inteira conformidade ao estágio evolutivo em que ele se encontra, em obediência a um plano elaborado em plano Astral Superior, com a colaboração dos espíritos de luz mais evoluídos, que formam a plêiade do Astral Superior, em que neste plano se encontra reservada uma posição a ser assumida por ele neste mundo-escola, daí a existência do determinismo. Ressalte-se, porém, que a sua própria encarnação é toda planejada por ele mesmo, já que ele possui o livre arbítrio, no que é devidamente assessorado pelos seus mentores espirituais. Então tudo aquilo que ele realizar neste mundo quando encarnado, é da sua própria responsabilidade.

Após a sua desencarnação, ao retornar para o seu Mundo de Luz, o espírito vai examinar tudo aquilo que realizou quando se encontrava encarnado. E esse seu exame vai se referir exatamente à extensão do Universo que lhe corresponde, em que a sua consciência vai penetrar em cada uma dessas coordenadas por ele percorridas. Assim, ele vai poder constatar quais foram as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais que ele conseguiu cumprir, estando em conformidade com o Universo, e quais foram as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais que ele deliberadamente violou, por ainda não saber utilizar o seu livre arbítrio em conformidade com a sua consciência, estando em desconformidade com o seu próprio estágio evolutivo no Universo. Então ele volta a encarnar, para que então possa reparar tudo aquilo que por ele foi violado, promovendo a sua regeneração, para que assim, no futuro, possa passar por cada uma das coordenadas universais que lhe dizem respeito, sem que cometa qualquer falta. Em tudo isso ele é o seu próprio julgador.

No entanto, além de ser julgado por si próprio, ele também é julgado pelos espíritos que compõem a plêiade do Astral Superior. E é o próprio Luiz de Mattos, na posição de chefe da nossa humanidade, quem afirma esse julgamento, quando em sua obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, a página 294, ele vem dizer o que se segue:

Além disso, todo covarde, todo criminoso consciente, não julga para não ser julgado, não condena, porque não pode condenar, e não castiga, por não ter coragem nem moral para isso. Tem uma alma racional, mas age como irracional.

Pois, ao contrário disso, o racionalista cristão julga, condena e castiga, como fez o grande Jesus, e tem obrigação de fazer os seus verdadeiros discípulos, por ser esse o procedimento que a todos impõem as leis naturais que, porque o são, tornam-se imutáveis, e assim fazem os homens de valor que nada devem, e por isso nada temem”.

Esse julgamento, essa condenação e esse castigo a que Luiz de Mattos se refere, diz respeito diretamente à regeneração do ser humano, para que ele sinta em sua própria alma que todos os males que foram por ele praticados se encontram passíveis de um juízo ao seu respeito por parte dos seus semelhantes, no tribunal da vida, que por isso ele não ficará impune das suas más ações contrárias às leis a serem obedecidas, aos princípios a serem seguidos e aos preceitos a serem cumpridos, os quais foram estatuídos por quem de direito, eleitos pela sociedade justamente para tais finalidades, a fim de que assim ele possa proceder à sua regeneração, por conseguinte, a reparação de todo o mal que ocasionou, quando encarnado, no universo que lhe diz respeito, que faz parte do próprio Universo.

E esse castigo a que o chefe da nossa humanidade se refere, diz respeito também às atribulações pelas quais ele deverá passar, para que então possa meditar profundamente e comparar o mal que praticou com o castigo que está sofrendo, e assim continuamente, até que consiga aprender por si mesmo a não mais praticar o mal em relação aos seus semelhantes, e então possa praticar o bem, tendo adquirido a consciência e as maneiras de combater a esses próprios males que praticou. É assim que também vai se cumprindo a famosa lei do retorno, decorrente do ensinamento de Jesus, o Cristo, quando ele disse: “Quem mal faz, para si o faz”.

Os fatos que retratam com a máxima fidedignidade a toda essa realidade, podem ser plenamente constatados no cotidiano da vida terrena, em que podemos observar os moradores de rua, famílias vivendo embaixo de pontes e viadutos, povos vivendo abaixo da linha de pobreza, com os pais vendo as suas crianças desencarnarem em função da fome, e tudo o mais do gênero. Esses espíritos que se encontram nessas situações foram os potentados de outrora, os detentores de grandes fortunas, que nada disso levaram quando desencarnaram, e que foram obrigados a retornar nessas situações para que pudessem sentir em suas almas todos os males que causaram aos seus semelhantes. E também nesse rol se encontram também os políticos corruptos traidores das suas pátrias, os traficantes, os ladrões, os assassinos, assim como também todos os demais criminosos, que são os grandes praticantes do mal que assola a nossa humanidade, e que já está prejudicando a evolução daqueles que são considerados como sendo de boa vontade, e, como Jesus, o Cristo, assim determinou: “Paz na Terra aos homens de boa vontade”. E os tempos são chegados para promover a paz de todos aqueles que tenham a boa vontade em evoluir, sendo os tempos também chegados para promover a separação entre o joio e o trigo, como Jesus, o Cristo, assim também determinou.

Então não é Deus quem julga aos seres humanos, pois como visto não há qualquer necessidade desse julgamento. Outrossim, quando neste mundo nós encarnamos, misturamo-nos uns com os outros, sendo todos iguais como seres humanos, para que assim, e somente assim, os mais atrasados possam conviver com os mais adiantados, a fim de que possam aprender com os seus exemplos de valor, ensejando a que eles possam evoluir com as lições de vida que lhes são proporcionadas pelos que são realmente valorosos.

Antônio Cottas, o Consolidador, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1991, as páginas 22 a 37, ensina-nos o seguinte:

Se a senhora raciocinar demoradamente sobre o que possa ser a Força criadora de tudo, que essa Força, Espírito ou Grande Foco, é uma potência geradora de Luz e que como a eletricidade se faz sentir em toda parte onde hajam dínamos, fios e lâmpadas. Que se a Força criadora tem leis indestrutíveis, indestrutíveis tem-nas a eletricidade também, tanto que o mais hábil engenheiro, desde que se descuide ao lidar com os seus fios ou aparelhos, será fulminado. É ou não uma lei?

Ora, suponha, senhora, que a eletricidade seja a Força que o vulgo chama de Deus, e eletricidade todos nós viventes humanos, possuímos, servindo apenas o corpo de lâmpada ou poste para a luz incandescente — a alma ou espírito. Quem nos ilumina? — O pensamento. E o que é o pensamento? Coisas saturadas de poder, emanadas do próprio espírito.

— Quando a lâmpada se apaga (morte do corpo) para onde vai a corrente?

Fica no perispírito, corpo intermédio do espírito e este é atraído ao seu dínamo potencial — o mundo a que pertence.

Luz que é, tendo toda e qualquer mancha produzida pelas intempéries da vida se gravado na aura, — corpo que envolve o perispírito e o corpo físico (leia-se corpo carnal, digo eu), é a ele espírito que cabe apagar de si todas as manchas, nada lhe adiantariam os julgamentos doutrem.

Julga-se o espírito, portanto, a si mesmo, e se doutro modo fosse, não se poderia conceber a Força criadora e a sua suprema justiça.

— Como queria a senhora que Deus andasse a tomar conta de todos nós, os encarnados, que somos milhões e milhões, e milhões e milhões os espíritos que habitam os mundos que rolam no Espaço?

Leia, senhora, calmamente, e sem a menor temeridade o que está no livro ‘Racionalismo Cristão’ e chegará à verdade.

O mal está em tudo julgarmos à semelhança do homem físico e tudo materializarmos para concluirmos.

Tudo obedece a leis sábias e naturais, e como não há anarquia nas correntes elétricas, e sim anarquizados aqueles que tentam infringir as suas leis, assim, anarquizados serão os encarnados que se transviarem das leis naturais, mas a essência é luz (leia-se espírito, sendo a luz a propriedade, digo eu), e, portanto, ela faz harmonia.

Convença-se, pois, que o Criador das leis, de tudo enfim, é a própria Lei e, portanto, os espíritos, as suas partículas, ao se desagregarem do corpo carnal e conduzidos pela natural lei da evolução aos seus mundos, são parte integrante da Lei, não carecem de acusadores nem de julgadores, todos os atos bons e maus estão gravados no seu quadro fluídico, logo ele tem ciência plena do que fez e do que precisa para chegar à perfeição suprema”.

‘O elemento Deus faz parte do meu ideal, e para banir do meu pensamento seria preciso, talvez, uma paralisia do meu cérebro e vontade’.

A essa asserção responderemos que nada disso precisaria se dar, como não se dará, porquanto a senhora inteligente que é, há de aos poucos ir varrendo da ideia (leia-se imaginação, digo eu) a forma desse Deus à semelhança do homem, que é animal, que é matéria, para senti-lo e compreendê-lo como a natural Força que é e vive em nós mesmos, por Dele, na essência, espírito, inteligência, sermos uma partícula Sua (grifo meu).

Criaram os povos, pelo seu atraso, esse nome DEUS, que era empregado, como ainda hoje, para tudo, até para furtar e matar, Deus era o nome que se dava aos homens que exerciam influência sobre os povos, e veio da corrupção da palavra Zeus, que era entidade suprema de certa tribo.

Lembre-se que é uma partícula do Grande Foco, e Este sendo Luz, luz são as suas partículas”.

Tendo apreendido tudo isso em seu corpo mental, o ser humano pode agora se convencer plenamente de que não existem os perdões para as faltas praticadas, sendo o perdão algo inventado pela classe sacerdotal para adquirir o poder de perdoar, já que os seus integrantes se arvoram de ser os ministros do deus bíblico e outros, e que adquiriram o poder para perdoar em nome deles, quando não possuem poder algum, nem ao menos para dirigir as suas próprias vidas, que são todas impróprias para este mundo, em total desobediência ao ensinamento de Jesus, o Cristo, quando afirmou que primeiro temos que nos esclarecer, para somente depois então podermos esclarecer, e quem medra na ignorância do sobrenatural não pode esclarecer a quem quer que seja, pois o que faz unicamente é semear a ignorância. Caso fosse assim, a justiça jamais poderia imperar no Universo, uma vez que os crimes cometidos pelos seres humanos seriam passíveis de perdão. E agora cabem aqui duas indagações: Quem seria nomeado o responsável encarregado de resgatar a todos os crimes, se eles listam um rol tão imenso que nós mesmos somes incapazes de mensurá-los? Qual seria o método adotado para que os seres humanos se regenerassem e não viessem a cometer mais os crimes que ainda hoje cometem, aumentando cada vez mais o seu rol?

A nossa luta pela Grande Causa que abraçamos com todo o afã do nosso espírito é para que toda a nossa humanidade se esclareça sobre a vida fora da ilusão da matéria e do devaneio do sobrenatural, espiritualizando-se, para que todos os seres humanos possam caminhar neste mundo de cabeça erguida, adquirindo os atributos morais e éticos, tornando-se educados, para que assim possam ser realmente nobres, elevados, briosos, dignos, ilustres, virtuosos, altivos, independentes, e tudo o mais que seja correlato, não dobrando a coluna vertebral para quem quer que seja, não temendo a nada, muito menos ao desconhecido, tendo a sua própria honra, para que assim não venha a se sujeitar a algo que não seja honrado, sendo libertos e senhores de si mesmos. Apenas aqui, neste mundo, é que se condena a alguém à prisão, pois que cada um deve agir por si mesmo, segundo os critérios da sua própria consciência, a quem cada um deve realmente as satisfações, por isso a consciência é própria de cada um. Por isso, os seres humanos se reúnem e elaboram as suas próprias leis e princípios. Neste caso, devem ser os representantes da justiça os seus julgadores, condenadores e castigadores aqui na Terra.

Quando na obra explanatória relativa ao Sistema, contida no site pamam.com.br, eu vou explanar a formação do planeta Terra, em que a parcela do Saber denominada de Química será tratada em seus verdadeiros fundamentos postos pela realidade, diferentemente como hoje eles se encontram postos equivocadamente para toda a nossa humanidade, em que todos poderão constatar com a máxima clareza possível que existe um, e apenas um, ser atômico, que pertence diretamente a este mundo, denominado de ser hidrogênio, e que todo o restante dos seres atômicos e dos demais seres que compõem o planeta são originários de outros mundos que lhes são próprios, inclusive nós, os seres humanos, que aqui viemos para evoluir e para fazer evoluir a todos esses seres, até que este mundo se transforme no futuro em um Mundo de Luz, quando então outra humanidade que será formada o habitará, a partir do seu início, e nós nos reintegraremos definitivamente a Deus, ao nosso Criador.

O fato é que toda a nossa humanidade ainda ignora tudo isso, mas aqueles espíritos mais evoluídos já possuem alguma noção de todo esse processo evolutivo, como é o caso de Antônio Cottas, que conseguindo fornecer uma pequena ideia a respeito do assunto, por ocasião do seu discurso proferido por ocasião da inauguração da filial do Racionalismo Cristão na cidade de Belo Horizonte, em 13 de setembro de 1931, o qual se encontra contido na obra Discursos de Antônio Cottas, a página 124, falou para o público presente da seguinte maneira:

Ora, não sendo a Terra mais que um esqueleto, o qual foi formado como todos os corpos, por meio do embrião fluídico a absorver matérias (leia-se seres de outros mundos, digo eu) densas que se foram tornando concretas, dando origem à crosta — superfície de terra e bacia das águas — o mar; está visto que tudo isto se organizou, incita-se e se movimenta por meio de ELEMENTOS QUE RESIDEM E VIVEM FORA DESTE PLANETA, e que até ele descem em virtude das leis de criação. Transformação, evolução e atração (grifo e realce meus), ou seja, o Grande Foco em sua complexa grandeza, que por mais rico que seja o vocabulário, não pode o homem encontrar palavras que sintetizem a sua real definição.

Falar-vos por outra forma seria faltar à Verdade, seria querer materializar o que há de mais puro e belo — o Espírito Criador — que não há esse que não o sinta em si, quer na prática das boas ações, quer nas das más”.

Os seres humanos que projetam a Deus para fora de si, para o sobrenatural, são geralmente os credulários, que ficam a implorar proteção para si e para os seus, não somente para Deus, mas também para os santos e tudo o mais que lhes venha à mente, inclusive os amuletos. Se esses ignorantes da vida espiritual tivessem a concepção das Substâncias de Deus, que todas elas se encontram em si mesmos, as suas posturas de vida poderiam ser diferentes, sendo isto que o Racionalismo Cristão busca para as suas vidas. A educadora Olga B. C. de Almeida, em sua obra Caminhos Certos, a página 114, referindo-se especificamente ao assunto da proteção de Deus, diz o seguinte:

Não adianta pedir a proteção de Deus, porque Dele tudo se tem: raciocínio, livre arbítrio e vontade. O que importa é se abastecer de pensamentos de valor, resoluções acertadas, práticas de boas ações. Convencida disso, a pessoa não mais correrá atrás de ilusões”.

O Ser Total é Infinito. A Força Total é Infinita. A Energia Total é Infinita. A Luz Total é Infinita. Tudo isso são as Substâncias que formam Deus, que em Sua Infinitude demonstra que a Perfeição também é Infinita, portanto o Amor Total que ela contém. Deus, então, vai formando as Suas criaturas para que elas evoluam no âmbito da imperfeição, que é finito, e que contém tanto o bem como o mal, para quando após cumprirem com as suas jornadas evolutivas possam retornar para Ele, no âmbito da perfeição, produzindo o amor espiritual, após haverem produzido a amizade espiritual. Assim, no Universo em que nos encontramos, somos nós, partículas de Deus, que atuamos em todos os setores da vida, em Seu nome, pois que o Criador, em Sua Infinitude, não pode se tornar finito e operar no Universo da imperfeição como o Todo que representa. É por isso que José Amorim, em sua obra A Saúde Com a Limpeza Psíquica ou Psiquismo Prático do Racionalismo Cristão, a página 32, afirma o seguinte:

É infalível a verdade de que a Grande Inteligência Universal opera por intermédio das suas partículas e se vai alojando no íntimo daqueles nos quais cresce também a responsabilidade pelo desenvolvimento da vida”.

Nós temos um princípio: Deus. E nós temos um fim: Deus. Sendo isto incontestável no âmbito da concepção, que possibilita a formulação da ideia da realidade universal; mas podendo ser negado ou contestado no âmbito da imaginação, que possibilita a representação da imagem da irrealidade, seja ela no contexto da ilusão da matéria, seja ela na invenção do devaneio do sobrenatural. Deus é Perfeito. Nós somos imperfeitos. Os atributos individuais inferiores e relacionais negativos que comandam a nossa inteligência para o mal são formados e desenvolvidos por nós mesmos, até que todos eles sejam sopitados e passemos a desenvolver os atributos individuais superiores e relacionais positivos que passam a comandar a nossa inteligência para o bem, em nosso processo evolutivo, sendo que através da propriedade da Força nós adquirimos os atributos individuais superiores, que formam a nossa moral, e através da propriedade da Energia nós adquirimos os atributos relacionais positivos, que formam a nossa ética, tornando-nos educados, já que a nossa finalidade é retornar para Deus como filhos já totalmente educados, estando a nossa educação completa, quando então depositamos Nele todo o nosso acervo de imperfeições, incluindo os atributos individuais inferiores e relacionais negativos, e todo os males deles decorrentes, e passamos a receber Dele o Seu acervo de Perfeição, que contém o Amor Total. Nós fazemos parte integrante do Todo, que contém a Inteligência Universal, então todos os atributos passam a pertencer a Ele, de uma maneira ou de outra, pois que o Todo, ou a Inteligência Universal, pode ser considerado como sendo Deus. É por isso que Umbelina Maria dos Santos Guimarães, em sua obra A Luta do Bem Contra o Mal, as páginas 26 e 76, vem afirmar o seguinte:

A Doutrina dos Mestres Luiz de Mattos, Luiz Alves Thomaz e Antônio Cottas mostra, em sua obra básica, os atributos que o espírito possui, sendo todos eles inerentes à Inteligência Universal (grifo meu).

A Força Criadora (Deus) é uma energia do mais alto potencial e de incomensurável poder”.

O imenso esforço que desprendo nesta explanação de A Filosofia da Administração para toda a nossa humanidade, é para que todos os seres humanos fiquem totalmente esclarecidos sobre os porquês da vida fora da matéria, não se restringindo apenas acerca da verdade, mas também acerca da sabedoria e da razão, espiritualizando-se totalmente, pois que todos nós somos espíritos, e como tais devemos cumprir com as nossas obrigações, com os nossos deveres e com as nossas missões que planejamos em nossos Mundos de Luz, antes de encarnarmos. Sem a devida compreensão acerca da nossa existência eterna e universal e que fazemos parte integrante da Inteligência Universal, sendo nós também inteligências em ascensão para Ela, não se torna possível a compreensão de nós mesmos e, também, de Deus, com esta compreensão dizendo respeito à Sua organização no seio da nossa humanidade, com base na razão.

Então eu vou proceder a esta última explanação direta a respeito de Deus com base na razão, e depois vou formular uma teoria fundamental para a compreensão de modo completo a respeito do nosso Criador, obviamente que em relação à compreensão posta neste mundo.

Vejamos, enfim, o que o Dr. Eldo Frota, em sua obra Espiritualismo Científico (Biologia Astral), as páginas 38 e 39, escreve a respeito do assunto, quando assim ele diz:

Tem o ESPÍRITO que ter consciência de onde veio, o que aqui está fazendo e para onde vai, após a desencarnação (morte). Por que não se lhe ensina isto? Pois, se bem vai lhe fazer, isto é o que chamamos de ESCLARECIMENTO DA VERDADEIRA VIDA, e mais, quais os deveres para poder cumpri-los, como exercitá-los se não lhes é dado a conhecer, os Direitos só serão alcançados à proporção que os Deveres forem sendo cumpridos.

Com estes conhecimentos iniciais, o ESPÍRITO passa a viver equilibradamente as duas Vidas: a Material, que pertence a este Mundo-Escola depurador de almas, e ao Mundo Estágio, onde ele faz uma reflexão sobre todas as vidas pretéritas; e a ESPIRITUAL, que como CONSCIÊNCIA INDIVIDUALIZADA tem uma trajetória a percorrer rumo à maior concentração de LUZ, que em uma verdadeira Orquestração Universal, usando a LEI DE ATRAÇÃO, conduz para junto de si todas as partículas de LUZ (ESPÍRITOS) para se integrarem a este GRANDE FOCO DE LUZ UNIVERSAL — conhecido por Deus nas religiões (leia-se credos, digo eu), e que preenche todo esse Universo com a sua LUZ ASTRAL SUPERIOR, que são partículas de Mundos Brancos da décima-segunda classe, Mundos Diafanizados da décima-oitava à vigésima-quinta classe, e Mundos de ESPÍRITOS DE LUZ PURÍSSIMA da vigésima-sexta à trigésima-terceira classe”.

 

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